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sábado, 3 de janeiro de 2026

Zero: Mercado - Leão fecha Luis Guilherme e ataca Faye

BF: Mercado...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - As mudanças na Taça de Portugal para 26/27

Observador: E o Campeão é... - Novo ano começa com grade desafio para o Sporting?

Observador: Três Toques - Rafa vs Besiktas. Jogador ou escravo?

BolaTV: Toque de Bola - S01E05 - Fernando Pimenta

2026: os desafios que nos unem


"A mudança de ano é a altura perfeita para fazer balanços. Também é assim no futebol. Neste momento em que damos as boas-vindas a 2026, é tempo de olharmos para avaliarmos os momentos que deixamos para trás. Pensando em 2025, atrevo-me a dizer que será um ano que fica para a História da Federação Portuguesa de Futebol e do Futebol Português.
Nunca as Seleções Nacionais nos tinham dado, num só ano, tantos motivos para celebrar. Foram cinco títulos conquistados. Desde o futebol sénior, com a conquista da Liga das Nações pela Seleção A, ao futebol de formação, com a conquista, pelos Sub-17, do Campeonato da Europa e do Campeonato do Mundo — 34 anos depois do último, ganho por uma geração de ouro em 1990. Passando pelo futsal, com a brilhante conquista do Europeu Sub-19 e pelo futebol de praia, com o triunfo da Seleção Feminina na Superliga Europeia, a primeira conquista internacional de sempre da FPF no feminino. E não podemos esquecer o título de vice-campeãs do Mundo brilhantemente conquistado pela nossa Seleção de Futsal Feminino nas Filipinas. Um ano absolutamente brilhante, reconhecido internacionalmente, como se viu na 16.ª edição dos Globe Soccer Awards, no Dubai, onde o Futebol Português foi exaltado ao mais alto nível.
É o reflexo maior de uma cultura de vitória, que nos acompanhará ao longo dos próximos anos e nos deixará mais perto do sucesso.

O segredo do sucesso
Há, em cada um destes títulos, o trabalho de muita gente. A começar nos treinadores, jogadores e funcionários da FPF. Mas a verdadeira base do sucesso está no trabalho realizado por Associações Distritais e Regionais, Associações de Classe, Liga Portugal e Clubes. São eles a verdadeira força-motriz do Futebol Português.
E é por isso que a Direção da FPF continuará a apostar num novo modelo de Governação mais agregador, inclusivo e transparente — cujo I Conselho de Presidentes é o exemplo maior —, que tem como principal desígnio unir todos em torno da evolução do Futebol Português. Porque o nosso futuro depende da forma como formos capazes de encontrar, em conjunto, as soluções para os desafios que teremos pela frente.

Os heróis que não esquecemos
Mas 2025 não foi só feito de sorrisos. Sofremos as partidas, irreparáveis, de Diogo Jota e Jorge Costa. Não há vitória nem título que nos faça recuperar de perdas tão relevantes, mas havemos, a cada vitória e a cada título, de nos lembrar deles. É esse o compromisso que assumimos: não deixar morrer, nunca, a memória de Diogo Jota e de Jorge Costa. Nem de nenhum dos heróis que fizeram da FPF aquilo que é hoje.
Porque a memória será sempre o nosso bem mais precioso.
Fechado o capítulo de 2025, foquemo-nos em 2026. Um ano que nos trará grandes desafios. Dentro de campo teremos o Europeu de Futsal ou, no futebol, o Mundial-2026. Competições que abordaremos com a mesma ambição, com a mesma Cultura de Vitória de que nos alimentámos em 2025. Porque todos temos, não lhe chamemos uma convicção, mas um feeling, alimentado pela confiança no talento e no trabalho, que ficou bem expresso na frase do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, quando homenageou os vencedores da Liga das Nações: «Na América, vai dar Portugal!»
Continuaremos a apostar forte nas nossas Seleções. O novo ano marcará o arranque das obras da quinta fase da Cidade do Futebol, que contemplará a Universidade do Futebol e infraestruturas para a prática de Futebol de Praia e Walking Football, duas apostas fortíssimas desta Direção para as próximas épocas, tal como o Futebol Feminino (já está criado um departamento que lhe é dedicado em exclusivo) e o Futsal, sem esquecer os e-Sports.
São modalidades que já nos deram alegrias em 2025 e acreditamos que irão dar muitas mais no futuro. E têm, por isso, de ser acarinhadas. E fortalecidas.
Mas 2026 será também um ano de grandes desafios fora dos relvados. Temos, também aí, vários jogos para ganhar. Jogos absolutamente vitais para o futuro do Futebol Português. Jogos que não podemos perder.

Centralização dos Direitos Audiovisuais
2026 será um ano determinante para um processo que será um verdadeiro Game Changer para o Futebol Português. Em articulação com a FPF, a Liga Portugal apresentará à Autoridade da Concorrência o modelo de comercialização dos Direitos Audiovisuais centralizados, o último passo antes de poder ir ao mercado e implementar a Centralização a partir de 2028/2029. O caminho iniciado em 2021 entra na sua reta final e é tempo de começarmos, todos, a cuidar do produto que queremos vender. Aprovar o Regulamento Audiovisual e o Regulamento de Controlo Económico, promover um eficaz combate à pirataria e defender, sempre, o espetáculo, dentro e fora de campo.
Determinante para o sucesso da Centralização será também a definição de uma política geoestratégica concertada em torno da venda dos Direitos Audiovisuais a nível internacional, com uma aposta forte em mercados bem identificados e definidos — o da saudade, mesmo que não apenas esse, assumirá papel determinante — para a defesa de uma estratégia global que garanta os interesses, financeiros e comerciais, dos nossos Clubes.

Reformulação dos Quadros Competitivos
À questão da sustentabilidade do Futebol Português ou à sua competitividade no Ranking da UEFA, junta-se a necessidade de dar resposta a um calendário internacional cada vez mais apertado, que exige resposta imediata e assertiva. Repensar o modelo das competições, da base até às provas profissionais, é hoje mais urgente do que nunca. Da parte da FPF, anuncio neste início de ano mudanças na Taça de Portugal já a partir da próxima época, com as equipas da Liga Portugal Betclic a entrarem em competição apenas na 4.ª eliminatória e as meias-finais a serem disputadas num só jogo. É a nossa resposta a uma necessidade urgente, estando disponíveis para, nas provas organizadas pela Liga Portugal, validar aquele que for o modelo definido pelos Clubes, que deve ter em conta os interesses, financeiros e desportivos, do Futebol Profissional.

Redução dos Custos de Contexto
É uma reivindicação antiga do Futebol Português, que merece ver finalmente reconhecido o seu peso, social e económico, no País. Somos uma indústria que gera milhares de empregos, que contribui com 0,3% do Produto Interno Bruto e paga mais de 700 milhões de euros/ano em impostos. Em 2026 vamos, juntos, lutar pela redução do IVA na bilhética, pela revisão das taxas de IRS ou IRC, pela redução dos prémios dos Seguros de Acidentes de Trabalho dos Praticantes Desportivos Profissionais ou pela possibilidade de consumo de bebidas de baixo teor alcoólico nos estádios. O Futebol não pode continuar a ser prejudicado face aos seus competidores, internos e externos.
Não podemos esperar mais!

Plano Nacional de Arbitragem
A Direção da FPF, garantindo sempre a independência e autonomia do Conselho de Arbitragem (CA), continuará a garantir todas as condições, estruturais e financeiras, para que os árbitros desempenhem a sua função da melhor forma possível.
O modelo herdado pelo atual CA, os anos de estagnação com brutais reflexos na formação dos árbitros e o congelamento da profissionalização de um setor impedido, pelo atrás enunciado, de acompanhar a evolução do futebol obriga a uma revolução profunda, com inevitáveis dores de crescimento. A criação de uma carreira independente de VAR, o nascimento do cargo de Diretor Nacional de Arbitragem, a publicitação das avaliações de árbitros e VAR são passos dados com firmeza por este novo CA, liderado por Luciano Gonçalves, e os resultados farão sentir-se, estou convicto, muito em breve. Apelamos, naturalmente, à compreensão e colaboração de todos: alterações tão profundas exigem tempo e tranquilidade.
Ao mesmo tempo, o CA está já a preparar o primeiro grande Plano Nacional de Arbitragem, numa visão mais abrangente para o desenvolvimento da arbitragem portuguesa. Será apresentado já este mês e irá mudar o setor! Culminando, naturalmente, com a criação de uma entidade externa para a arbitragem profissional, passo que, embora dependente de uma mudança no Regime Jurídico das Federações, é inevitável. 2026 marcará o início da discussão do tema, envolvendo (desta vez de forma efetiva) FPF, APAF e Liga Portugal.
A arbitragem portuguesa continuará a acompanhar, e sempre que possível a liderar, a evolução tecnológica (como aconteceu recentemente com a introdução das Refcam) que se regista na arbitragem mundial, em busca de cada vez maior verdade desportiva. O novo sistema SAOT (Semi-Automated Offside Technology) é uma dessas evoluções e a Direção da FPF está disponível para estudar a sua implementação em 2026.

Harmonizar os regulamentos
A Justiça Desportiva em Portugal tem de mudar. Os regulamentos disciplinares da Liga Portugal, da FPF e das ADR’s têm, inevitavelmente, de ser harmonizados, da base até ao topo e em todas as competições, adaptando-os às melhores práticas internacionais. Os nossos Clubes jogam com umas regras na UEFA e outras nas provas internas. E essa é uma dicotomia que tem de ser resolvida com urgência.
Para o sucesso da Centralização é obrigatória uma regulamentação verdadeiramente assertiva e punitiva, que faça cumprir um indispensável Regulamento de Controlo Económico e um Regulamento de Competições que garanta, de forma efetiva, a melhoria das infraestruturas e a defesa do espetáculo.
Que 2026 seja o ano em que se comece a pensar, enfim, a arquitetura da Justiça Desportiva. Se queremos uma Disciplina rápida e eficaz não podemos continuar a permitir que decisões dos órgãos disciplinares sejam anuladas sem que se perceba porquê ou que recursos e providências cautelares façam os processos arrastarem-se indefinidamente, retirando efetividade às decisões.

A defesa do ‘ranking’ europeu
2026 será, também, um ano importantíssimo para que Portugal recupere o sexto lugar no ranking da UEFA. A defesa da posição dos Clubes portugueses sempre foi um objetivo bem definido e acabou por ser prejudicado com a criação da Conference League e, acima de tudo, com uma injusta distribuição de pontos, que resultou, em 2023, na queda para o 7.º lugar.
Ultrapassar os Países Baixos em 2026 foi meta desde logo definida, tendo como base um trabalho planeado para criar as condições necessárias — (a defesa intransigente das 72 horas de descanso entre jogos, a entrada tardia em competição nacional das equipas que disputavam pré-eliminatórias da UEFA…) — para que os Clubes lusos estivessem, sempre, em vantagem face aos seus competidores internacionais.
Agora que esse objetivo está perto, há que manter a aposta numa estratégia que garanta a concretização de algo determinante para a sustentabilidade e competitividade do nosso futebol.

Jogadores e Adeptos no centro
A verdadeira alma do jogo tem de ser defendida. Comecemos pelos artistas: os jogadores. O calendário, cada vez mais sobrecarregado, coloca-nos hoje desafios que temos de encarar de frente. Proteger o talento, o estado físico e a saúde mental dos futebolistas deve estar no topo das prioridades já em 2026. Por isso é tão importante repensar os quadros competitivos mas, também, garantir-lhes condições para um pós-carreira mais seguro e atrativo. O Sindicato dos Jogadores sabe que contará sempre com a FPF nestes e noutros objetivos.
Centremo-nos, agora, no Adepto e no regresso das famílias aos estádios. A melhoria das condições nos recintos desportivos é obrigatória, assim como tornar os horários mais atraentes. Sem esquecer uma discussão séria sobre a lei do Combate à Violência, Intolerância e Xenofobia, dando real atenção à questão da pirotecnia. Discutamos, sem receios, a criação de um ID FUN CARD (copiando as boas práticas com um cartão utilizado nas grandes competições da UEFA e da FIFA), envolvendo todos aqueles que têm de ser envolvidos, de forma inclusiva. Porque todos os que amam verdadeiramente o Futebol são bem-vindos ao estádio. E juntemos-lhe, claro, a já acima falada redução do IVA na bilhética, que irá contribuir muito para a diminuição no custo final do consumidor — o Adepto.
Um Futebol mais seguro, mais confortável e mais barato. Eis os desejos para 2026.

Sustentabilidade do Futebol Português
É altura de olharmos para o Futebol Português como um todo. Sem uma base forte e sustentável não haverá um topo equilibrado e consistente. É preciso discutir um novo modelo de redistribuição da riqueza, contemplando todos, mesmo aqueles que são olhados como o elo mais fraco. As Associações Distritais e Regionais são fundamentais para o nosso sucesso. Tal como as Associações de Classe. E não podem continuar a ser deixadas para trás.
Está já formada a Task Force que irá, até ao final da época, repensar todo o modelo de sustentabilidade do Futebol Português. Entrará em funções já este mês, com a participação de FPF, Liga Portugal, Clubes, ADR’s e Associações de Classe. Porque todos são importantes e merecem ver essa importância reconhecida.
Uma redistribuição mais justa tornará o Futebol Português mais forte.

Atenção aos investidores
Quem vem por bem será sempre bem-vindo. Mas temos de estar cada vez mais atentos aos que, com intenções duvidosas, chegam até nós. É necessário apertar a malha, criando um novo modelo de escrutínio a quem investe no Futebol Português, dando mais poder à Comissão de Auditoria da Liga Portugal, composta por FPF, Liga Portugal, ANTF e SJ, com experiência para lidar com estas matérias de forma mais eficaz do que o modelo que entrega esse escrutínio ao IPDJ e que não responde, assumamos, às necessidades.
A aproximação da Centralização e as notícias que dão conta da entrada de grupos criminosos internacionais em Clubes ou SAD devem fazer-nos redobrar a atenção. Copiando, mais uma vez, o de bom que se faz lá fora.

Novo contexto político/institucional
2026 será um ano marcado por mudanças no espectro político. O Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, incondicional adepto das Seleções, da FPF e do Desporto em geral — o verdadeiro embaixador do Futebol Português na última década — termina a sua missão como Presidente da República. Temos o dever de lhe agradecer por tudo o que nos proporcionou e temos esperança de que o futuro Presidente da República possa seguir o seu exemplo, reconhecendo a importância que o Desporto em geral e o Futebol em particular têm na sociedade portuguesa.
Entramos no novo ano com grande esperança e expectativa no novo Plano Nacional de Desenvolvimento Desportivo. Congratulamos o Executivo, em especial a Ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, pela coragem na elaboração de um documento revolucionário para o Desporto. Entendemos, ainda assim, que é possível melhorá-lo, e a FPF irá, de forma construtiva, apresentar, com a colaboração de todos os seus sócios ordinários, contributos nesse sentido, promovendo a discussão para uma indispensável alteração à Lei de Bases da Atividade Física e do Desporto, necessária para a implementação de várias medidas atrás enunciadas, e ao Regime Jurídico das Federações Desportivas, reivindicação de várias federações. Sem esquecer a introdução, importantíssima, do Estatuto do Dirigente Benévolo.
2026 será um ano de muitos desafios. A FPF apela à tranquilidade de todos os agentes, garantindo que - respeitando sempre o princípio da autorregulação — se manterá disponível para colaborar com as Associações Distritais e Regionais, Associações de Classe, Liga Portugal e Clubes no intuito de encontrar as soluções para enfrentarmos e superarmos, em conjunto, os desafios que nos aguardam. Porque o compromisso de Unir o Futebol nunca será só um lema, mas sim o caminho a percorrer para um futuro de ainda maior sucesso.
2026 será um ano de muitas vitórias. Com diálogo, empenho e compromisso vamos continuar, todos, a ganhar. Dentro e fora de campo. Termino, voltando a citar o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa:
«2026… vai dar Portugal.» E não só na América…"

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

5 Minutos: Live - Ano Novo...

Benfica está num novo Vietname?


"Com o empate em Braga, o Benfica chega ao final do ano já a dez pontos do primeiro classificado e a cinco do segundo classificado. Falemos com clareza: o Benfica está fora da luta pelo título. Todos conhecemos demasiado bem o "Tugão" para sabermos que é uma recuperação impossível de se fazer. Nem o Benfica apresenta argumentos para fazer uma segunda volta perfeita, nem principalmente os seus rivais vão perder assim tantos pontos.
Basta pensar que FC Porto e o próprio Benfica ainda se encontram invictos e o Sporting só perdeu para o rival do norte. Não é sério e é entrar quase no mundo da fantasia achar que os dois rivais vão perder mais 15 pontos que os que o Glorioso irá perder na 2ª volta.
Afastado do título, o Benfica avançará para apenas um campeonato nos últimos sete anos. E se não vencer a Taça de Portugal (e tem uma deslocação ao Dragão já a seguir) avançará para nove anos sem vencer a prova Rainha. Mesmo a Taça da Liga conquistou-a o ano passado, mas já não a vencia desde 2016. São já demasiados anos com poucas celebrações para não começar a formar-se uma suspeita ou temor na cabeça dos benfiquistas mais pessimistas (ou realistas). Estará o Benfica a viver um novo Vietname?
Para quem ainda não está familiarizado com a expressão, uma breve explicação: Entre 1994 e 2005 o Benfica esteve dez anos sem ser campeão (e apenas venceu uma Taça de Portugal), no que foi de longe a maior crise e os anos mais horríveis da História do clube. Tão traumático foi para os benfiquistas que se convencionou chamar esse período de Vietname, numa analogia aos traumas dos soldados americanos com a sua guerra nesse país.
É evidente que muito do que se vive hoje em dia não se pode comparar ao Vietname. O que se passou naqueles anos foi tão péssimo que diria que é irrepetível. Houve Damásio, Vale e Azevedo, Vigo, a dispensa do João Pinto, o sexto lugar, dois anos sem ir à Europa. É uma escala de fracassos e vergonhas ainda mais atroz do que se vive hoje em dia.
Nestes sete anos (ou vá, seis, dado que teoricamente o Benfica ainda pode ganhar tudo este ano) o clube venceu um campeonato, uma Taça da Liga e três Supertaças. Chegou duas vezes aos 1/4 de final da Liga dos Campeões e nunca desceu abaixo do terceiro lugar. E não houve vergonhas como não pagar Poborsky ao Man Utd, levar manitas do FC Porto na Luz, problemas financeiros desastrosos ou jogadores sem qualquer pingo de classe e talento a envergar o Manto Sagrado.
Mas é verdade que vamos para sete anos só com um campeonato. Não vencemos a Taça de Portugal desde 2017. Tivemos um hiato de 8 anos sem vencer a Taça da Liga. Temos o nome do clube sempre na lama e na justiça com as histórias dos emails. Um presidente do clube que foi preso pela PJ e que está sentado no banco dos réus por ter eventualmente prejudicado o próprio clube, entre outros.
O cenário não é tão dantesco como no Vietname, mas é muito negro. E se no curto prazo às vezes nos falta a perspetiva de percebermos o que estamos a viver, no futuro é possível que este seja outro ciclo identificável na História do clube. Da mesma maneira que hoje já conseguimos perceber que vivemos um ciclo de glória desportiva entre a entrada de Jorge Jesus em 2009 e o título de Bruno Lage em 2019.
Há uma diferença óbvia entre o Vietname e os tempos atuais: o dinheiro. Se antes não havia fundos para quase nada, agora o clube parece ter fundos para tudo e mais alguma coisa. Se antes comprávamos jogadores "com bananas", como dizia Toni, agora compramos aos 20 milhões de cada vez. Se vivemos um Vietname, é na verdade um Vietname rico. Como já ouvi alguém dizer, viveremos...a Singapura da História do Benfica? Mas isso ainda torna isto pior. Porque se antes havia a desculpa da crise financeira, que desculpas há agora? Quando o Benfica todos os anos é o clube que mais dinheiro gasta em Portugal? Mas desculpas há e muitas. E essa é outra diferença para o Vietname.
No Vietname havia exigência e todo o benfiquista sabia que o clube estava em crise. Agora há muito benfiquista que se irá insurgir contra este texto e recusar liminarmente que o Benfica esteja em crise. E isso é uma reflexão sobre a mentalidade do benfiquista e como mudou nas últimas décadas. Repare-se, estamos a entrar em 2026 e o clube venceu apenas um campeonato e zero Taças de Portugal desde 2019 e mesmo assim muitos adeptos não acham que o clube esteja mal ou seja preciso mudar de rumo. Dirão que é preciso apoiar e não mandar sempre abaixo, dirão que tem-se vencido alguma coisa e não se pode vencer sempre, dirão que não há qualquer comparação ao Vietname, dirão que o Benfica é prejudicado pelo sistema e pelas arbitragens (mas se o é, está aí outra comparação ao Vietname), dirão que o clube está pujante com o estádio sempre cheio, centenas de milhares de sócios e um projeto gigantesco como o Benfica District aí à porta e dirão que se o clube tivesse mais união, ganharia mais. Dirão até para confiarmos que o futuro será risonho.
Pois lamento sentir que o futuro dará razão a quem andou e anda estes anos todos a gritar que o Rei vai nú e que estamos de facto a viver a Singapura do Benfica e isto só mudará a sério no dia em que tivermos novos e renovados dirigentes. Que inclusive essa mentalidade da maioria dos benfiquistas de tapar o sol com a peneira é a razão mais gigantesca para estes anos de insucesso.
Mas até lá.. .mesmo que tudo isto dê uma sensação de morte lenta, é continuar a ir ao estádio, continuar a amar o clube, continuar a dizer que o Rei vai nú, continuar a acreditar na Lenda que já foi o Sport Lisboa e Benfica e quem sabe um dia vejamos o Glorioso longe do sudoeste da Ásia e, sob as asas da águia, a viajar de volta ao seu lugar.
Que um dia estará de novo imperial, intocável, leal, místico e Glorioso. Não só fisicamente, mas espiritualmente de volta... a Benfica."

Terceiro Anel: 3 estarolas!!!

BF: Mercado...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - O que o zerozero tem para dar em 2026

Zero: Fantasy - Jornada 17 | Fim da 1ª volta com opções clássicas - Mundo Fantasy

A Era do Príncipe


"Nem mesmo Vieira tinha ido tão longe. No seu consulado, a sua versão de Estádio da Luz era — como sempre fora o verdadeiro — um templo de devoção. O centro do poder ficava noutro sítio. No Seixal. Agora é diferente. O que os cortesãos de Rui Costa pretendem é fundir o sentimento religioso, irracional e comovente, dos sócios com o poder político vigente. Pretendem Mafra

O Benfica está prestes a entrar num novo tempo. Não é força de expressão. Já não é a era pós-Vieira, essa fórmula preguiçosa, útil para conversas de café e análises sem risco. Sugere continuidade indistinta, gestão em piloto-automático: um clube a viver dos despojos de um regime semi-vivo, como um cadáver que ainda mexe. Nada disto é mentira. Mas é pouco. O que se passa hoje é outra coisa. Há mais do que inaptidão. Há vontade — e necessidade — de afirmar um projecto de poder legitimado nas urnas de Outubro. E há método. Há sempre método quando o poder se leva a sério. Rui Costa não será, então, mais um continuador. Isso seria cómodo.
Rui Costa será fundador, com nome, apelido, biografia e ambição. Um déspota por mérito próprio. Se tudo correr como previsto por esta direcção, no próximo Sábado o Benfica entrará numa nova fase da sua existência. Chamemo-lhe pelo nome, para não haver equívocos: a Era do Príncipe.
O Benfica District começou como expediente eleitoral: uma promessa grande, vaga, suficientemente mirabolante para marcar a agenda de campanha e baralhar a oposição. Era fogo-de-artifício. Hoje já não é. Transmudou-se em obra de regime. Como todas as grandes construções do poder, deixou de servir um propósito prático para cumprir funções simbólicas: fixar uma ordem, eternizar um nome. É assim desde sempre. Onde há poder absoluto, há arquitectura monumental. Há Mafra. O resto é conversa.
Ah Mafra! Mil e duzentas divisões! Mais de quatro mil e setecentas portas e janelas! Cento e cinquenta e seis escadarias! Vinte e nove pátios e saguões! O Palácio do Príncipe. A coincidência plena entre a Casa de Deus e a Casa do Rei. Cada entalhe, cada esquina, cada excesso comunica autoridade — divina ou soberana, conforme o caso. Corpo e espírito fundidos num gesto único, exuberante, próprio das monarquias de setecentos, cuja coroa seria a ponte para o mundo do invisível. Um arquétipo de arquitectura de síntese.
Nem mesmo Vieira tinha ido tão longe. No seu consulado, a sua versão de Estádio da Luz era — como sempre fora o verdadeiro — um templo de devoção. O centro do poder ficava noutro sítio. No Seixal. Agora é diferente. O que os cortesãos de Rui Costa pretendem é fundir o sentimento religioso, irracional e comovente, dos sócios com o poder político vigente. Pretendem Mafra. Mesmo mantendo o Seixal, simbolicamente é isso que acontece. E o símbolo, em política, manda.
É verdade que o Benfica District servirá também a quem prefere não olhar para o estado do futebol. Todo o palco decrépito tem sempre a sua cortina. Mas não é isso que o define. Mafra não foi construída para distrair. Foi concebida como sistema completo de representação do poder, destinado a conservar a ordem estabelecida. Também o Benfica District se apresenta assim, como arquitectura de poder.
A partir do momento em que esta obra for aprovada, ao templo juntar-se-ão o teatro para o divertimento mundano, a avenida para o cortejo e, claro, o palácio para a corte. Tudo no mesmo edificado monumental.
Numa palavra: a residência oficial do regime.
Vale a pena notar que algumas das críticas mais certeiras ao Benfica District não vieram daquilo que hoje se identifica como oposição. Ainda ontem Jaime Antunes apontou, no Record, a ausência de estratégia, a indefinição do projecto e a amplitude excessiva do cheque em branco (expressão do próprio) pedido aos sócios. Quando até Jaime Antunes acerta, qualquer benfiquista deveria inquietar-se, mesmo os que já desistiram de se inquietar.
Mas a questão mais intrincada é outra. E é decisiva. O verdadeiro golpe que se pretende consumar este Sábado não é arquitectónico nem financeiro. É mais grave. É político. E é subtil; por isso mais difícil de explicar, logo, mais fácil de passar em claro.
A Assembleia Geral existe num clube como o Benfica por uma razão simples: funciona segundo um modelo parlamentar. Os sócios reúnem-se no mesmo espaço, veem-se, ouvem-se, reagem uns aos outros, debatem e só depois decidem. Pode ser confuso, mas é o que temos. O melhor que temos. A deliberação não é um detalhe técnico; é a garantia moral da lisura do processo. Sem isso, sobra a aparência de democracia.
O que agora se propõe inquina esse modelo. A votação electrónica, a participação remota, a simultaneidade entre discussão e voto transformam a Assembleia num mecanismo binário. Uma pergunta. Um “sim” ou “não”. A discussão permanece, mas como uma cadeira encostada à parede. A decisão não nasce mais do saudável confronto entre pares e visões, mas da soma dispersa de cliques remotos.
Não lhe chamem modernização. Chamem-lhe pelo nome certo: mudança de regime. Onde antes vigorava E pluribus unum — da pluralidade, a unidade — passaria agora a vigorar outra coisa, talvez Ex maioritate temporaria, potestas perpetua — Da maioria momentânea, o poder permanente.
A direcção e a presidência da Mesa da Assembleia Geral insistem em apresentar qualquer crítica a este tipo de modelos como resistência antiquada ao progresso. É um truque velho, mas eficaz. Confundir tecnologia com democracia, acessibilidade com justiça. Não se trata de ser contra meios electrónicos. Trata-se de perceber que democracia parlamentar e democracia directa não são a mesma coisa. E que produzem efeitos políticos radicalmente diferentes.
Gonçalo Almeida Ribeiro chamou a atenção para isso com clareza, n’A Bola, há semanas. A legalidade e a natureza do processo são, no mínimo, discutíveis. Uma Assembleia não é um plebiscito. Quando passa a funcionar como tal, deixa de deliberar. Passa a legitimar.
O que nos faz pensar que, infelizmente, não estamos perante uma grande obra trágica, como Mafra; essa ópera ao divino paga com o ouro do Brasil. Estamos perante algo mais singelo. Talvez uma obra de medo. Medo de perder o assento.
O Benfica District ainda pode ser rejeitado. Ainda pode não existir. Mas o que se joga Sábado é mais do que isso. É a definição de um modo de governo; a passagem de um clube que discute para um clube que diz sim.
É neste ponto que a Era do Príncipe nasce.
No momento em que a deliberação morre."

O meio da época no final do ano


"O ano civil está no fim, mas a procissão da bola ainda vai a meio. E é tão verdade dizer que as contas só se fazem quando acaba, como admitir que a forma como termina depende muito de como começa. É a velha ideia, que creio ter ouvido pela primeira vez a Guardiola, de que os campeonatos se perdem nas oito primeiras jornadas e se ganham nas últimas oito. Este ano em Portugal está a cumprir-se. Aparentemente, o Benfica já perdeu, enquanto FC Porto e Sporting decidirão quem ganha lá mais para diante.
O FC Porto lidera com a impressionante safra de 15 vitórias e um só empate (em casa, diante do Benfica) em 16 jogos. Os números dizem muito, porque nos recordamos bem da equipa à deriva de há uns meses apenas, na época medíocre cumprida entre a aposta tímida em Vítor Bruno e a aposta falhada em Martín Anselmi. A atual temporada provou uma vez mais que a escolha do treinador é a decisão mais crítica de qualquer direção. O novo Porto acreditou em Farioli e, por acreditar nele, foi em busca de jogadores coerentes com o seu jogar. Desta vez não facilitou na escolha para posições-chave, com as do centro da defesa (e acaba de juntar Thiago Silva à fiável dupla polaca), além de acrescentar nomes – Froholdt e Borja, também Gabri Veiga – que acrescentavam a agressividade que o futebol do italiano requer. Claro que fisicalidade não é tudo e se algo pode evoluir neste Porto é a qualidade em ataque posicional, sobretudo frente a adversários que também reivindicam a posse de bola e não a perdem em poucos segundos. Mesmo assim, a utilização crescente de William Gomes e Rodrigo Mora (sobretudo este!) torna, só por si, a equipa menos repetitiva nesse processo com bola e por conseguinte mais capaz de surpreender. Ainda nada está ganho para os dragões, mas não vai ser fácil retirá-los do topo.
E se nada está ganho para uma equipa que só cedeu dois pontos é porque logo atrás surge outro coletivo igualmente muito competente e individualmente ainda mais talentoso, o do Sporting. Aliás, o que faz a diferença pontual no cimo da tabela é principalmente o clássico de Alvalade que o Porto ganhou. Os leões vacilaram nesse jogo e empataram com Braga e Benfica, mas frente aos restantes têm também o pleno de vitórias. E depois jogam com qualidade e goleiam com facilidade, por via de um futebol com mais criatividade e variedade no momento ofensivo e mais soluções que qualquer dos rivais.
Rui Borges tem outros méritos, mas o maior será o de ter melhorado a equipa após ter perdido o jogador mais decisivo. A prova de competência do transmontano é, ao mesmo tempo, um ruidoso desmentido para tantos que insistem em ver o jogo pelo prisma individual e eram capazes de jurar – ouvi uns quantos – que íamos passar a época a falar da falta de Gyokeres e de como o Sporting já não resolveria os jogos com igual facilidade. Tem resolvido, com mais até, muitas vezes. Impressionam os 46 golos marcados, só no campeonato, mas, mais que a quantidade, é a qualidade do processo ofensivo que explica sucessiva goleadas. Um ponta de lança como Luiz Suárez, mais combinativo (mas igualmente operário e goleador), caiu como sopa no mel, porque em redor do colombiano cresceu o rendimento dos maiores talentos, como Pote e Trincão. E já havia outros de qualidade extra, como Quenda, mas ainda se juntou Ioannidis, para ter mais uma arma na zona onde os jogos de decidem. Falta aos leões, e ao seu técnico, gerir melhor os jogos, sobretudo os de exigência mais alta, onde oscila mais do que é aceitável, entre períodos de domínio e subjugação, mas de que teremos Sporting candidato até ao fim não me restam muitas dúvidas.
No Benfica surge o contraste, percebendo-se já, a meio da época, como o início irá condicionar o fim. A renovação do plantel, que foi mais uma desnecessária revolução, revelou-se desastrosa, nas más opções de cedência de jogadores nucleares como Florentino, Kokçu ou Akturkoglu, e de deficiente substituição de craques definitivos como Di María e Carreras. O plantel é menos valioso e sobretudo mais desequilibrado do que era. E, para agravar, voltou a mudar de treinador com a procissão no adro. Ao fim de um par de meses, José Mourinho já esgotou o impacto psicológico, tem a equipa a 10 pontos da liderança e vê-se que não aprecia vários dos jogadores de que dispõe. A equipa procura essencialmente recuperar para atacar e revela muita dificuldade com bola fora desse contexto. A preocupação com a pressão no momento defensivo, na promoção de duelos individuais na maioria das vezes, tem sido também uma camisa de forças da qual os jogadores só se libertam quando em desvantagem (vide os jogos com Sporting e Braga), além de que a insistência em manter o maior talento criativo, Sudakov, no ostracismo do corredor esquerdo para ter Barreiro como o 10 (ou 9,5) - o lugar que no verão esteve guardado para João Félix, imagine-se! - é toda uma declaração de princípios. Os reforços de janeiro podem ajudar, mas meia época está perdida e dificilmente 2026, pelo menos até ao verão, será um ano feliz para os adeptos das águias.
Para fechar o ano agarrado ao talento e ao que mais vale a pena no nosso jogo, deixo uma pequena lista de gente, com qualidades que me entusiasmam em particular: o nível de finalização do miúdo Zabiri do Famalicão, porque muito poucos rematam assim em Portugal (e delicio-me com avançados que sabem mesmo chutar, o que rareia); a qualidade técnica e a geometria de Alex Amorim no meio-campo do Alverca; o improviso talentoso e finalizador de Tidjany Touré, no Gil Vicente; o sentido tático, na dimensão física mas também na opção de passe seguro, de Ngom, do Estrela da Amadora; o drible e qualidade na assistência de Telmo Arcanjo do Vitória (que merece ser mais valorizado); a superior dimensão técnica e de entendimento do jogo de Pau Victor no Braga; e sempre Guitane, digam o que disserem (de defender pouco, de desequilibrar a equipa e blá, blá blá), que se houver Guitane em campo eu quero sempre ver o jogo."

Golos 2025

Fever Pitch - Domingo Desportivo - Parabéns, Tiago. Ganhaste!