Últimas indefectivações

sábado, 24 de outubro de 2020

Luís Santos


"A melhor forma de homenagear Luís Santos, um grande profissional que nos deixou na semana passada, foi a exibição de gala do Benfica em Vila do Conde, frente ao sempre difícil Rio Ave. A morte de um dos mais dedicados e eficientes técnicos de equipamentos mexeu muito com o grupo de trabalho. O balneário do SL Benfica está destroçado com a partida de um dos obreiros da hegemonia do Benfica no futebol português. Luís Santos dedicou-se de corpo e alma ao clube do seu coração, durante 30 anos. Conheci-o bem e sempre nutri enorme admiração pela sua forma de estar. Era um homem discreto, mas muito eficiente. Era um funcionário extremamente zeloso da sua missão, admirado por todos - dirigentes, treinadores e jogadores. As palavras sinceras de Pizzi, na última Gala do Benfica, exprimiram bem o sentimento generalizado do balneário. Na antevisão do Rio Ave - Benfica, Jorge Jesus fez questão de o enaltecer. E não tenho dúvidas de que a excelente prestação da equipa, no domingo à noite, foi uma homenagem a quem partiu tão cedo e que deixa um vazio em todos nós. Paulo Vaz, João Valentim e Sebastião Fernandes formam um trio-maravilha na estrutura que diariamente tudo faz, tal como fazia Luís Santos, para que nada falte aos nossos heróis.
Em Vila do Conde, foi um Benfica dominador que entrou em campo para resolver rapidamente o jogo. Respeitando sempre o Rio Ave, equipa que tradicionalmente nos complica a vida e cuja valia ficou provada frente ao Milan, na Liga Europa, Jorge Jesus montou uma estratégia que se revelou totalmente eficaz. Não me lembro de uma deslocação a Vila do Conde em que o Benfica tenha sido tão dominador e tenha jogado com tanta classe."

Pedro Guerra, in O Benfica

Jovens que pensam


"Os jovens têm fama de pensar pouco, na gíria comum.
Não é isso que vejo acontecer nos projectos da Fundação Benfica de cada vez que desafiamos os jovens a reflectir sobre os grandes temas, não só da sua geração, mas da humidade. Antes de mais, convém dizer que por trás destes desafios está uma vontade séria e verdadeira de os escutar e, porque não?, apreender com eles. Por isso os jovens tendem a levar-nos a sério e premeiam a nossa confiança com ideias e pensamentos que muito nos enriquecem e que usamos como matéria-prima para incorporar nos nossos projectos. Não se trata de saber o que querem os jovens para procurar captar melhor a sua atenção ou atraí-los a uma dada atitude ou comportamento. Trata-se de chegar mais longe na nossa percepção social, de furar barreiras geracionais e trazer para dentro da instituição uma visão do mundo por vezes surpreendentemente responsável e conservadora e outras tantas completamente nova e fora da caixa, como agora se diz.
Houve em tempos um programa comunitário, muito dado à inovação, chamado EQUAL, que lançou um lema importantíssimo e inesquecível: 'Nada para nós sem nós'. Ora, se há pessoas a quem esta frase diz tudo, os jovens são-no seguramente. Mais, dizem-se permanentemente cansados de não serem ouvidos ou respeitados nas decisões e políticas públicas que lhes dizem directamente respeito, mas, sobretudo, naquelas que hipotecam económica ou ambientalmente o seu futuro. No mundo do desporto, temos uma cultura que valoriza o individuo e a equipa, que sabe e quer ouvir para melhorar e atingir a superação. É daí que surgem as vitórias nos relvados, mas é, seguramente, também daí que surgirão as vitórias das vidas dos nossos jovens e o somatório de um país que desejamos próspero, feliz e justo. São estes os valores dos benfiquistas, e é isso que a Fundação Benfica faz para os honrar: ouvir os jovens que pensam!"

Jorge Miranda, in O Benfica

Capitão


"1. A vida de um jogador profissional de futebol, só aparentemente pode ser construída em progressão linear e estável, sem soluções de continuidade - lesões, castigos, perdas de forma - mediante um sequente desenvolvimento do talento individual e do refinamento dos próprios recursos congénitos, a partir da base por vezes iniciada em idade pueril.
2. Nos primeiros tempos é sempre o permanente conforto dos pais que incentiva e apoia dedicadamente, e não sem esforço, a disponibilidade, a ilusão e a aptidão primordiais que reconhecem ou perscrutam no filho. Ou a família se une em torno do 'jeitinho' que desejam ver na criança, ou, se não conseguem garantir esse acompanhamento presencial constante, não haverá talento que resista a essas duas, três, quatro épocas iniciais...
3. O pré-adolescente inicia então a segunda fase da sua vida desportiva, agora mais exigente, com a sensível ênfase dos níveis competitivos, mas também com o desafio complementar de uma progressão escolar que os clubes melhores formadores não dispensam aos candidatos. País e filhos tomam consciência de que as circunstâncias mudaram e que tanto o esforço físico como o intelectual se acentuam. O acompanhamento dos pais, sendo nesta altura cada vez mais decisivo, não poucas vezes, assume em pernicioso boost a transferência de ansiedade resultante do protagonismo exigido aos meninos, deitando tudo a perder.
4. Chegada a adolescência, tanto se incrementam os deslumbramentos do júnior decorrentes do rendimento conseguido nos treinos e nos jogos como - perigo à vista! - surgem as primeiras solicitações de vida que são próprias da idade, havendo que saber iludi-las, ou ignorá-las... Toda a responsabilidade está prestes a incidir sobre si próprio, enquanto, desde o início do escalão, a maior parte dos pais já não contém o desespero pelo primeiro contrato profissional do incumbente.
5. Na fase a seguir, se até então ele fi capaz de superar todos os reptos e todas as contrariedades e dificuldades, se conseguir definir a força da sua personalidade no contexto da(s) equipa(s) e se, por fim, alcançou a confiança da estrutura, há de haver um dia especial em que, orgulhosamente, o jovem se vai encontrar consigo próprio. (E com o seu empresário).
6. Escolhe a primeira equipa sénior e assina. Depois das férias ao integrar-se, observa cuidadosamente cada um dos companheiros, estuda em silêncio cada um dos elementos do staff e tenta compreender e assimilar todas as soluções inéditas que o treinador lhe define para cumprir. Mas um dia, perante a súbita lesão grave de um colega em pleno treino ou durante um jogo, cai em si: pela primeira vez toma consciência de como tudo pode mudar, se, de repente...
7. De resto, é treinar, treinar, treinar, para ganhar definitivamente a confiança do treinador e a admiração da bancada.
8. Uns bons anos mais tarde, no apogeu da experiência, na plena posse dos seus recursos físicos, no completo controlo do seu talento em face de todas as situações de jogo, os companheiros elegem-no como um dos capitães da equipa. Chegou ao topo. E a bancada aplaude-o de modo ainda mais especial. Como se ovaciona a um símbolo da equipa. Um ícone do Clube."
9. E um dia, infelizmente, num átimo, num fortuito lance de jogo disputado com a exemplar dedicação profissional de sempre, o Capitão sofre a mais dura lesão que pode ocorrer a um jogador profissional de futebol...
10. Força, querido André! Contaremos sempre contigo. Sabemos que vais voltar ainda mais forte, mais rápido e mais alto!"

José Nuno Martins, in O Benfica

A nova rotina


"Agora é non-stop. Benfica, FC Porto e Braga deixaram de ter as jornadas do campeonato "após" os jogos europeus, para passarem às jornadas "entre" os jogos europeus. Este "novo normal", no caso concreto do futebol português, instalou também uma nova rotina.
Isto significa que o trio nacional na UEFA terá uma cadência de encontros, até meados de novembro, cujos reflexos são aguardados com alguma curiosidade. Neles e no Sporting, que observa à distância. 
Esta ronda 5, no plano teórico, poderá nem ser das mais problemáticas para Benfica e FC Porto. Ambos jogam em casa e surgem como favoritos perante os adversários (Belenenses SAD e Gil Vicente, respetivamente), o que significa que é da sua competência não complicar um cenário que, à partida, lhes é favorável.
As águias juntam o recente triunfo na Polónia ao facto moralizador de seguirem isoladas na frente da classificação. E também à afirmação de uma capacidade ofensiva que o hat-trick de Darwin só veio reforçar. As dúvidas permanecem, contudo, no plano defensivo, com a necessidade de instaurar as necessárias rotinas no eixo central, bem assim como a apetência mais atacante do que defensiva protagonizada pelos atuais laterais.
Falta saber de que modo Petit pretende explorar a situação, por exemplo, como o Farense fez na Luz. E se o Benfica permite.
O caso do FC Porto não difere muito, no que respeita às intenções e ao método. Os dragões perderam cinco pontos nas últimas duas jornadas, pelo que são "obrigados" a regressar às vitórias. Apesar de ter sido a única equipa portuguesa derrotada no plano europeu, o desaire com o Manchester City não terá certamente reflexos anímicos, até porque são realidades distintas e as circunstâncias do jogo em Inglaterra foram as que se sabe.
É verdade que o Gil Vicente ainda não perdeu esta época, mas tem um jogo a menos e também não defrontou um adversário deste calibre. Para Sérgio Conceição o problema nem será tanto a partida com os homens de Barcelos, mas sim a articulação dela com o desafio seguinte com o Olympiacos, este absolutamente crucial para se recolocar na corrida no seu grupo da Champions.
Uma palavra igualmente para o Braga. Começou muito bem a campanha na Liga Europa, mas tem no campeonato uma das mais complicadas deslocações nesta fase. Ir a Guimarães defrontar um Vitória em mutação é um teste de grande exigência. Mas também uma maneira de aferir da real capacidade de resposta da formação de Carlos Carvalhal para manter um nível elevado em duas frentes em simultâneo.
Ao contrário dos rivais, o Sporting tem esta época centrada unicamente nas competições domésticas. O que, do ponto de vista do desgaste, até pode ser uma vantagem, além de que possibilita a Ruben Amorim dispor de mais tempo para trabalhar com o plantel e acelerar a definição da estrutura da equipa.
Claro que isto não é obrigatoriamente uma receita para o sucesso. No entanto, convém não esquecer que uma das melhores classificações da equipa leonina no passado recente registou-se precisamente numa temporada em que esteve ausente das provas da UEFA : Leonardo Jardim deixou o Sporting no segundo lugar e na Champions.
Depois do que fez frente ao FC Porto, é plausível que a progressão da equipa de Amorim continue, sendo que esta partida com o Santa Clara é um ótimo teste para avaliar se o crescimento é sustentado. Se superarem aquele obstáculo, os leões podem tornar-se nos primeiros perseguidores das águias, após a partida com o Gil Vicente, no acerto de calendário."

Grupo do Benfica na Liga Europa é difícil, mas poderia ser pior


"Depois do vexame contra o PAOK na fase prévia da Liga dos Campeões, chegou a hora do Sport Lisboa e Benfica juntar os cacos a nível continental. Nesta quinta-feira (22), na estreia pela fase de grupos da Liga Europa, para onde foi transferido devido à eliminação precoce na Champions League, o Clube do Povo protagonizou um jogo bastante movimentado. Os Encarnados suaram bastante em território polonês, mas venceram o Lech Poznań por 4 a 2, com três gols de Darwin Núñez e um gol de Pizzi, e levaram os três pontos na bagagem.
A partida no Estádio Municipal de Poznań sinalizou que, mesmo sendo o clube mais expressivo e, naturalmente, o favorito à liderança do Grupo D da Europa League, o Benfica não pode relaxar de forma alguma. Ainda que tenha investido em contratações relevantes na janela de transferências, o Glorioso precisa ajustar o seu sistema defensivo. Além disso, os concorrentes do grupo têm potencial para incomodar os comandados de Jorge Jesus. Não à toa, o Lech chegou ao empate duas vezes no duelo com o Maior de Portugal. Não podemos depender sempre de noites inspiradas de jogadores talentosos como Darwin (o herói do jogo desta noite), Everton ou Waldschmidt. O coletivo deve vir em primeiro lugar, sempre.
Adversário dos benfiquistas na estreia e dono de sete títulos da Ekstraklasa, o Lech Poznań é o atual vice-campeão da Polônia. A equipe treinada pelo polonês Dariusz Żuraw eliminou Valmiera (Letônia), Hammarby (Suécia), Apollon Limassol (Chipre) e Charleroi (Bélgica) para chegar à fase de grupos da UEL. Um dos seus melhores jogadores é o atacante sueco de ascendência assíria Mikael Ishak, que infernizou a defesa encarnada e anotou os dois gols dos Kolejorz. Outros destaques são o goleiro polonês Filip Bednarek, o lateral-esquerdo polonês Tymoteusz Puchacz, o meia polonês Jakub Moder (emprestado pelo Brighton, da Inglaterra), o meia português Pedro Tiba, o meia espanhol Dani Ramirez e o ponta-esquerda tcheco Jan Sykora, além do zagueiro norueguês e capitão Thomas Rogne, que não enfrentou o SLB por estar lesionado.
Próximo oponente do Benfica e 10 vezes campeão da Bélgica, o Standard Liège terminou a edição 2019-2020 da Jupiler Pro League na quinta colocação. Para carimbar o passaporte para os grupos da Europa League, o time comandado pelo francês Philippe Montanier precisou passar por Bala Town (Gales), Vojvodina (Sérvia) e Fehérvár (Hungria). Seus principais atletas são o goleiro belga Arnaud Bodart, o zagueiro belga e capitão Zinho Vanheusden, o lateral-direito camaronês Collins Fai, o meia belga Samuel Bastien, o meia-atacante belga naturalizado marroquino Selim Amallah, o ponta-esquerda belga Maxime Lestienne e o atacante congolês Jackson Muleka. Na estreia, os Rouches foram derrotados pelo Rangers, em casa, por 2 a 0.
Postulante a uma classificação para o mata-mata e treinado pelo ex-jogador inglês Steven Gerrard, que é ídolo do Liverpool e da seleção inglesa, o Rangers vivencia seu processo de reconstrução após a falência que o levou à quarta divisão no início da década e o obrigou a retornar ao primeiro escalão degrau por degrau. As presenças ininterruptas nas competições europeias desde o ciclo 2017-2018 fazem parte de uma nova fase do resgate do maior campeão da Escócia. Recordista mundial de títulos nacionais com 54 troféus, o clube de Glasgow quer voltar a se sagrar campeão escocês, fato que não acontece desde 2010-2011. Foi vice-campeão nas últimas duas temporadas.
Dentre os destaques dos Gers estão o goleiro escocês Allan McGregor, o zagueiro inglês Connor Goldson, o lateral-direito inglês e capitão James Tavernier (autor do primeiro gol da vitória em Liège), o lateral-esquerdo croata Borna Barisic, o meia escocês naturalizado canadense Scott Arfield, o meia turco naturalizado romeno Ianis Hagi, o atacante belga Kemar Roofe (autor do segundo gol da vitória em Liège) e o atacante colombiano Alfredo Morelos. Nas fases preliminares, os Light Blues despacharam Lincoln Red Imps (Gibraltar), Willem II (Países Baixos) e Galatasaray (Turquia).
Por outro lado, venhamos e convenhamos: embora o grupo não seja moleza, o sorteio poderia reservar ao Benfica um cenário ainda mais difícil. O Pote 2, de onde veio o Standard Liège, tinha Leicester (Inglaterra), Real Sociedad (Espanha), Estrela Vermelha (Sérvia) e Qarabag (Azerbaijão, sinônimo de viagem longa). Já o Pote 3, onde estava o Rangers, contava com Milan (Itália), Feyenoord (Países Baixos), AZ (Países Baixos), Hoffenheim (Alemanha), Hapoel Be'er Sheva (Israel, sinônimo de viagem longa) e Maccabi Tel Aviv (também de Israel). Por fim, o Pote 4, origem do Lech Poznań, reunia Nice (França), Lille (França), Sivasspor (Turquia, sinônimo de viagem longa) e Omonia (Chipre, sinônimo de viagem longa).
A Liga Europa não tem o mesmo prestígio da Liga dos Campeões, mas deve ser levada a sério. A competitividade faz parte do caminho rumo ao topo. E é assim, pensando jogo a jogo e mirando a taça, que o Sport Lisboa e Benfica deve seguir em frente."

sexta-feira, 23 de outubro de 2020

O “bullying” no desporto


"Assinalou-se, no dia 20 de Outubro, o “Dia Mundial de Combate ao Bullying”, data em que se pretende lançar um alerta internacional para um problema com que muitos jovens se debatem no seu dia-a-dia, sobretudo em ambientes escolar e desportivo.
Ciente da importância e das suas consequências nefastas no âmbito desportivo, a Confederação do Desporto de Portugal (CDP) resolveu associar-se à data e lançar uma campanha nacional contra um “flagelo” que ocorre na prática desportiva, sobretudo entre os mais jovens, sob a forma de violência verbal, física ou psicológica, e é exercida reiteradamente entre pares.
Ainda neste âmbito, importa lembrar, que a CDP, fez recentemente uma parceria com a Escola Superior de Comunicação Social, participando na unidade curricular de Laboratório de Consultoria em Comunicação e lançou o desafio aos estudantes para elaborarem uma campanha para o combate ao “bullying” no desporto. A CDP, foi ainda parceira e co-organizadora do ciclo anual de Conferências e Seminários promovido pelo Curso Profissional Técnico de Apoio à Gestão Desportiva, sobre o mesmo tema.
No desporto, trata-se de um fenómeno essencialmente verbal, que acontece sobretudo dentro do balneário ou em locais menos vigiados, escapando a qualquer tipo de vigilância e incidindo na ridicularização da performance desportiva ou nas características físicas das vítimas, tais como o excesso de peso.
Não podemos hoje ignorar o “bullying” físico, sobretudo nos grupos de atletas mais novos, o “bullying” psicológico/social que tende a excluir, ignorar, espalhar boatos, roubar ou danificar pertences ou a sua forma mais recente, o “cyberbullying” onde são difundidos vídeos, fotografias ou comentários indesejados através de mensagens, emails ou redes sociais.
Recentemente, conscientes desta problemática, e tendo conhecimento do estudo realizado pelo Dr. Miguel Nery, para o seu doutoramento, sobre “O Bullying na formação desportiva”, foi promovido, no Museu do Desporto, um debate sobre “O Bullying no Desporto”, tendo como oradores convidados, os professores da Faculdade de Motricidade Humana (FMH), Carlos Neto e Miguel Nery.
Aquela faculdade foi uma das pioneiras na abordagem deste tipo de comportamento agressivo no desporto, tendo sido desenvolvido um estudo junto de jovens desportistas masculinos federados com o objectivo principal de conhecer e analisar o fenómeno do “bullying” no contexto da Formação Desportiva em Portugal. Foi utilizada uma amostragem de 1500 atletas, sendo que mais de 10% dos inquiridos se considerou vítima de “bullying”. Foi identificado ainda que 11,2% são agressores e quase 35% assiste impávido a essas agressões.
O inquérito foi feito em todo o país a jovens praticantes de nove modalidades: atletismo, ginástica e natação (modalidades individuais); andebol, futebol, râguebi e voleibol (colectivas) e judo e luta (desportos de combate). Temos consciência que estes valores podem ainda estar mascarados. Existe a percepção que a realidade pode ser ainda mais gravosa, uma vez que este estudo se debruçou unicamente sobre a relação entre atletas e é do conhecimento público que o “bullying” no desporto tem como intervenientes também os treinadores e até mesmo os próprios pais dos atletas envolvidos. 
Devemos acrescentar que todos aqueles que estão envolvidos no fenómeno desportivo, sabem que a cultura de treino extremamente rígida de algumas modalidades faz com que estes comportamentos sejam, por alguns, considerados como parte integrante de um percurso necessário para se atingir o sucesso desportivo. O reverso da medalha é, frequentemente, o abandono da prática desportiva, sem que a causa deste seja assumida a causa, o que também mostra a falta de denúncia desta realidade. 
Infelizmente, os casos que têm vindo a público, como o da basquetebolista Sara Djassi, que recentemente tornou pública a sua história, vêm confirmar a existência deste problema, alertando-nos para a necessidade urgente da sua denúncia, como forma de combate a este flagelo.
O cenário internacional dá-nos conta de inúmeras situações de atletas vítimas de vários tipos de “bullying”. Na última semana foi tornada pública a notícia de abusos sofridos por atletas inglesas da equipa olímpica de ginástica, que motivaram a desistência da modalidade, de uma delas. Várias ginastas britânicas de elite relataram treinos violentos, insultos constantes e outros abusos, alguns deles cometidos quando eram ainda praticamente crianças.
Neste sentido, urge debater, discutir e dar visibilidade a esta problemática, criando condições e estratégias para irradiar o “bullying” do desporto.
Não temos qualquer dúvida de que algo é fundamental ser feito. A forma de eliminar esta praga passa pela prevenção e têm de ser tomadas medidas nesse sentido. Acreditamos que o Plano Nacional de Ética no Desporto poderá ser um dos instrumentos fundamentais para esta acção."

Obrigado, João Almeida


"Este menino com ar de Clark Kent teve a ousadia de levar um país inteiro na sua roda, reacendendo paixões e colando muitos às televisões. Foram dias de uma profunda energia que nos fez transportar através da esperança no final de cada etapa. Este estava destinado a ser o ano em que os desportos de duas rodas fariam as delícias do povo.

Esta quinta-feira foi um dia duro nas aspirações do João no Giro (Volta a Itália em bicicleta). Mas foi um dia duro porque o ciclista português fez nestas quase três semanas aquilo que a todos parecia impossível. Ninguém conseguiria prever, nem nos seus melhores sonhos, que um “miúdo” de 22 anos, virgem em Grandes Voltas (de três semanas) pudesse seguir 15 dias com a camisola rosa (o equivalente à amarela portuguesa e envergada por quem vai na frente). Foi o seu desempenho estoico que colocou as expetativas a um nível inimaginável, que surpreendeu tudo e todos, nacional e internacionalmente, e não há quem não lhe faça uma vénia ou lhe dê o merecido reconhecimento.
Este menino com ar de Clark Kent teve a ousadia de levar um país inteiro na sua roda, reacendendo paixões e colando muitos às televisões. Foram dias de uma profunda energia que nos fez transportar através da esperança no final de cada etapa. Este estava destinado a ser o ano em que os desportos de duas rodas fariam as delícias do povo. Primeiro, Miguel Oliveira na principal categoria do MotoGP, e agora, para além da nossa pantera cor-de-rosa, a fantástica conquista da camisola azul pelo Rúben Guerreiro. É a história dos próximos 50 anos do desporto em Portugal a ser escrita em letras douradas e, ao contrário do que muitos velhos do Restelo muitas vezes vaticinam, são gerações de portugueses desempoeirados e sem medo de competir com os favoritos a darem cartas um pouco por toda a parte. 
Esta prestação, independentemente do lugar em que João Almeida terminar (relembro que a prova ainda não acabou), é já um motivo de orgulho para todos nós e deve ser encarada como uma pedrada no charco da monotonia onde se encontrava o ciclismo português. Esperemos que se inicie aqui uma época brilhante e uma página de grandes feitos e conquistas. Todos nós vibrámos com as subidas de montanha, com a classe do português voador no contrarrelógio e com a expetativa que nos foi criada dia após dia. O que João Almeida fez na sua primeira Grande Volta foi “só” a melhor prestação portuguesa de sempre com os 15 dias na liderança e colocou os olhos do mundo, uma vez mais, arregalados com a nossa capacidade de sofrimento e com a nossa sede de vitória enquanto povo que nunca vira a cara à luta nem dá nada como perdido.
O Giro ainda não terminou. Ainda faltam etapas que podem ser importantes para o desfecho final. Mas o que João Almeida fez jamais poderá ser esquecido. Não é, por isso, altura de deixarmos de apoiar ou de nos desiludirmos, mas sim de estarmos todos eternamente agradecidos pelo que ele já nos fez viver nestes dias emocionantes. Num desporto tão querido por cá e que durante tantos anos foi seguido com tanto fervor, o ciclista das Caldas da Rainha deu-nos um grande exemplo de como conjugar a humildade com a classe, a capacidade de superação e a magia de acreditarmos nas nossas capacidades mesmo contra todas as apostas. É um exemplo de determinação e de sacrifício que nos deve servir de lição a todos. De como na vida nada pode ser dado como perdido à partida e que somos nós, com o nosso esforço e a nossa resiliência, que determinamos a nossa sorte. Obrigado, Rúben Guerreiro. Obrigado, João Almeida. Pelo exemplo, pela coragem, pela postura, por honrarem a nossa bandeira e nos fazerem sonhar. Que seja o princípio de um grande futuro. Não baixemos os braços e continuemos na sua roda e na roda dos que tanto fazem por elevar Portugal ao ponto mais alto."

O futuro do desporto hipotecado


"O desporto infantojuvenil passa por uma acentuada crise que é o retrato da indiferença política. A coisa não é de agora. Já faz tempo que se vinham registando factos que nos levam a fazer esta afirmação: para este Governo, o desporto é mais um furúnculo que incomoda do que um direito constitucional. Não veem nele uma prática cultural, social, educativa e formativa. Que possui valores construídos em cada dia de treino e em cada competição.
Esta crise pandémica não fez aparecer a liderança política, antes fez com que desaparecesse. Mas a vida não para. É um movimento contínuo que faz espoletar situações de grandes complexidades, como são os casos de muitos treinadores que se encontram sem rendimentos, atravessando este período com uma total ausência de apoio. É uma triste realidade que veio, mais uma vez, pôr a nu a fragilidade das condições de trabalho dos treinadores portugueses. Há que diferenciar entre um reduzido número de treinadores que desempenham as suas funções com vínculo profissional da grande maioria daqueles que trabalham Portugal sem qualquer suporte contratual, o que é, também, responsável pela situação desumana em que caíram. Sem rendimentos e com um Governo totalmente indiferente às dificuldades por que passam as famílias destes treinadores.
O Governo tomou conhecimento desta situação. Recebeu propostas da Confederação dos Treinadores de Portugal, com soluções que permitiam ultrapassar, há muito, esta lamentável e cruel situação. Reinou o silêncio. Continua a prevalecer a indiferença política em relação ao desporto. Entretanto, são cada vez mais as crianças e jovens que abandonam a prática do desporto. Em relação a esta terrível situação continuamos a ouvir profundos silêncios, entrecortados com intervenções repetitivas do Secretário de Estado da Juventude e Desporto, vazias de conteúdo, sem propor soluções, centradas no que foi feito e apenas nos apoios financeiros para o Alto Rendimento. Transparece uma falta de confiança nas funções. Resume a sua ação a atitudes reativas. Não há dinâmica e empenhamento para uma aceleração das soluções necessários a esta fase crítica do Desporto infantojuvenil.
O que está em causa é a urgência de soluções para que a juventude possa regressar aos treinos e às competições. A lentidão da Direção-Geral da Saúde é, em muito, responsável por este progressivo abandono do desporto que urge estancar. A verdade é que alguns Dirigentes têm tomado posições públicas alertando para a crise social e desportiva que está a instalar-se no nosso desporto. De entre poucos, podemos reconhecer as posições claras, com suporte de saber, experiência e competência reconhecida pela comunidade da Desporto e projetadas nas palavras e documentos produzidos pelo Presidente do COP, José Manuel Constantino, e pelo Presidente da Confederação dos Treinadores, Pedro Sequeira. Têm posto o dedo na ferida. Têm chamado à atenção de múltiplos problemas. Têm feito muito para que o nosso desporto não fique, neste momento, com o futuro hipotecado."

Arranque positivo


"A nossa equipa entrou da melhor maneira na fase de grupos da Liga Europa, alcançando um triunfo expressivo, por 2-4, na deslocação à Polónia ante um adversário que soube criar dificuldades e que nunca se deu por vencido.
O pendor ofensivo da nossa equipa fez-se notar ao longo de toda a partida, sucedendo-se as oportunidades de golo criadas e verificando-se aproveitamento assinalável, com destaque, naturalmente, para Darwin, autor de um hat-trick. É preciso recuar a 1992 para se encontrar um jogador do Benfica, na condição de visitante nas provas da UEFA, autor de três golos num jogo.
O jovem avançado uruguaio já merecia estrear-se a marcar, depois de quatro partidas em que fizera cinco assistências para golo, revelando-se participante decisivo na forte dinâmica ofensiva da equipa (três golos por jogo nas seis partidas disputadas desde o início da época), aliando eficácia ao alto rendimento demonstrado.
Na base deste feito esteve o coletivo, que foi sempre suportando o bom trabalho do colega e também, obviamente, do treinador, que nunca retirou a confiança ao jogador, apesar de ter estado sem marcar até ontem.
O triunfo foi dedicado, pela equipa, a André Almeida, gravemente lesionado na última partida. O André é inexcedível no empenho em prol da equipa, oferecendo sempre o melhor de si para que os objetivos coletivos sejam atingidos. É um campeão, merecedor de enorme admiração e incondicional apreço, um jogador à Benfica essencial nos muitos títulos conquistados. Todos acreditamos que voltará mais forte!
Nota ainda para o regresso de Taarabt, que se exibiu em bom plano após ter estado ausente mais de um mês. Trata-se de mais uma opção à disposição de Jorge Jesus para o ciclo exigente de cinco jogos que aí vem.
O primeiro desses desafios será já na próxima segunda-feira, dia 26, às 20h15, frente ao Belenenses, SAD, no estádio da Luz. O objetivo, como sempre, será ganhar e somar mais três pontos, com a nossa equipa a procurar dar continuidade à sucessão de triunfos consecutivos e, se possível, com mais uma boa exibição.

P.S.: Inqualificável o tom insultuoso e ameaçador do líder da claque portista Super Dragões em resposta a um comentário do nosso ex-jogador Bernardo Silva. Este comportamento, sempre a roçar a delinquência, é aceite com uma passividade chocante e indigna pelas autoridades e os media. Fica um forte abraço solidário dos benfiquistas e, estamos certos, de todos os desportistas ao Bernardo Silva."

Cadomblé do Vata (Polónia)


"1. Pronto e é isto um jogador em quem o SLB investiu 26 milhões de euros... 90 minutos na Liga Europa e nem uma assistência para golo.
2. Foi uma noite de bonitas dedicatórias dos marcadores dos golos aos Almeidas... No 0-1 Pizzi puxou da camisola com o 34 para homenagear o André e no 1-2 Darwin subiu ao alto do Stelvio para honrar o João.
3. Jogo de grande dinâmica ofensiva mas grandes dificuldades no controlo da profundidade defensiva... levamos com tantas bolas nas costas que até parecia que estávamos a defrontar o Lech Reinaldo.
4. Otamendi capitão ao 3° jogo, 24 dias após ter assinado pelo SLB... tudo normal, nada para ver aqui, está a dispersar, está a dispersar...
5. Resumindo e concluindo, acabou por ser uma noite cheia de boas notícias... O SLB ganhou, Darwin estreou-se a marcar com um hat trick e o Jardel jogou 5 minutos sem se lesionar."

Qual é a melhor forma de desbloquear um jogo? Ctrl + A + Del. Percebem? Pronto, foi um gosto ver Darwin saltar três metros acima do polaco


"Vlachodimos
“Ainda bem que temos uma defesa experiente na alta roda do futebol europeu”, terá pensado ironicamente Vlachodimos após o nono remate à baliza dos jogadores do Lech Poznan.

Gilberto
A atacar todos os santos ajudam. Gilberto integra a manobra ofensiva com a alegria e a verticalidade de um lateral moderno que acabou de ser chamado ao recreio de Jorge Jesus. Já o seu desempenho a defender é a de um rapaz que precisa de uma temporada no Colégio Militar, também sob a gestão de Jorge Jesus.

Otamendi
Não deixa de ser curioso que um indivíduo tenha que esperar 25 anos após a maioridade para se candidatar a presidente da maior instituição portuguesa, mas possa capitanear a equipa de futebol sénior ao fim de 3 semanas no Seixal. Felizmente Jorge Jesus já explicou o sucedido, esclarecendo desde logo que se está nas tintas para a opinião de muitos benfiquistas. Foi isto ou percebi mal?

Vertonghen
Houve ali um outro lance em que pareceu ter sido encontrada a kryptonita do nosso Super Jan: indivíduos destemidos a correr com uma bola junto aos pés.

Grimaldo
Esteve especialmente forte na transição defesa-banco de suplentes.

Pizzi
Que saltinho foi aquele à Bruno Fernandes? Não gostei e espero ver outro marcador de penáltis já no próximo jogo.

Gabriel
Enquanto se discute quem e quantos devem estar no centro do terreno, Gabriel prossegue mais ou menos indiferente à controvérsia. É segurar as pontas na organização defensiva, é distribuir jogo pelos colegas, é aparecer no carrossel da frente sempre que pode. Contem com ele para ir a todas.

Taarabt
Sabem qual é a melhor maneira de desbloquear processos? Ctrl + A + Del. E pronto. Foi um gosto escrever estes textos ao longo de 4 anos e meio. Até um dia.

Everton
O diagnóstico está feito. Enquanto o Caneira explicava na transmissão da SIC que faltava verticalidade ao jogo de Everton, eu próprio fui ouvido a dizer “ARRANCA PRA CIMA DELES ****LHO”. Sempre que isso acontece, e hoje acabou por acontecer algumas vezes, o jogo da equipa melhora e a magia acontecer. Mas ainda me sinto algo dividido quando vejo o Everton em campo. Por um lado, penso que ele ainda só mostrou 10% do se real valor e dá-me aqui uma coisa no peito que aparenta ser ansiedade. Por outro lado, penso que ele ainda só mostrou 10% do se real valor e dá-me aqui uma coisa no coração que aparenta ser otimismo.

Waldschmidt
Calma. Não precisas de exagerar no altruísmo. Daqui a pouco o uruguaio tem mais golos do que tu.

Darwin
Um hat-trick para matar a fome de golos, uma exibição estupenda e um momento impressionante quando se elevou 3 metros acima de um pobre polaco. Mais um bocadinho e, como nos explicou Jorge Jesus, desata a voar daqui para fora. Apesar do estouro de exibição, Darwin guardou o melhor momento da noite para a flash interview quando dedicou a vitória ao André Almeida. Numa só noite mostrou que sabe jogar com os dois pés, com a cabeça e com o coração. É assim mesmo, miúdo.

Rafa
Só lhe faltou a toalha num braço enquanto entregava o quarto golo numa bandeja. Há muito empregado da restauração neste país que podia aprender com o Rafa.

Weigl
Entrou para o lugar de Taarabt e depressa se percebeu que as perdas em fogosidade seriam compensadas pela monotonia da organização defensiva. Foi decisivo a garantir que não saíamos de uma cidade chamada Poznan com um empate e 3 golos no bucho.

Pedrinho
Bom movimento na área a estender a passadeira para Gilberto e Rafa construírem o meio golo confirmado por Darwin. Ainda não sabemos exactamente quanto vale Pedrinho, mas há aqui potencial. Quando percebermos melhor logo vemos se o pagamos ou não.

Nuno Tavares
Entrou para estabilizar um flanco fragilizado pela noite menos feliz do Grimaldo, mas curiosamente a minha tensão arterial subiu.

Jardel
Entrou para segurar a defesa, o que diz muito do estado periclitante em que esta se encontrava."

Se um avançado vive de golos, Darwin já tem vida


"Darwin Núñez, o jogador mais caro da história do Benfica, já fizera quatro assistências e até golos anulados tivera, mas, na Polónia, por fim se estreou a marcar e logo com três golos (dois de cabeça, outro com técnica aplicada na área, pela relva). O uruguaio muito contribuiu para o Benfica ganhar por 2-4 na estreia na Liga Europa, em que o Lech Poznan lhe causou bastantes problemas - e Otamendi acabou o jogo como capitão

Entre Poznan e Gdansk cabem uns trezentos e pouco quilómetros rodoviários, é ir do interior à costa norte da Polónia, de onde faz muito frio para onde, quando a Terra se aproxima do sol, o frio dá tréguas e os polacos ganham um lugar de praia. Também de Poznan, mas uns trezentos e muitos quilómetros para sul, fica Chorzów, cidade onde se estreou Jorge Jesus na Europa, já lá vão 22 anos.
Poznan é apenas um sítio, fica a meio caminho de Chorzów e Gdansk, mas temporalmente é um interlúdio. Um é o lugar onde o treinador se estreou, com o Estrela da Amadora, o outro é onde assumidamente quer estar, daqui por uns meses, a ganhar a Liga Europa com Benfica que tem uns primeiros 10 minutos à Benfica de JJ, cheio de combinações de passes em espaços centrais, nas costas dos médios polacos, para deixar alguém de frente para a baliza com a bola.
Um tricotar de passes deixou Waldschmidt a receber na área e um penálti, por mão na bola, aparecer para Pizzi, saltando antes de bater na bola, transformar em 0-1. O Benfica pressionava na área do Lech, saberia já que os polacos se atrevem nas saídas da bola e tentava condicioná-los para recuperar bolas ali nas redondezas. Mas era isso que o anfitriões queriam.
As construções rasteiras dos polacos, com os dois centrais na área, atraíam a pressão adversária, mas depois pareciam nem quererem tentar colocar passes nos médios, ao centro. Chamavam sempre os apertos de espaço dos jogadores do Benfica para saírem pelos laterais e, de um deles, tentar levar a jogada para alguém que atacava o espaço entre Grimaldo ou Gilberto e o central do seu lado. Depois, sim, aceleravam as jogadas ou abrandavam para deixar as rédeas em Pedro Tiba ou Jakub Moder, os médios.
Esse polaco rematou à entrada da área, para Vlachodimos se esticar, e dentro do retângulo e num canto, para o guarda-redes grego ver a bola a ir contra a barra. Remates que aconteceram antes e depois de Mikael Ishak rematar o 1-1 no final de uma das tais jogadas em que aproveitou o espaço nas costas de Grimaldo. Evitando a pressão ao centro, era assim que o Lech conseguia levar as jogadas até à área do Benfica e criava “os problemas” que Jesus antevira.
A pressão agressiva dos polacos, muito rápidos a aproximarem-se de qualquer adversário - mesmo que deixando crateras de relva entre os médios e os defesas - entupiu os passes de Gabriel para Waldschmidt, viram-se menos apoios frontais para alguém ficar de frente com a bola e, durante muito tempo, só raides com bola de Taarabt e Everton foram superando as linhas do Lech.
Quase no intervalo, o Benfica segurou uma jogada até à beira da área, libertou Gilberto para cruzar e Darwin, antecipando o tempo de salto, cabeceou o 1-2 com potência. Foi a única jogada ligada que logrou após o golo, mas montaria outro logo no arranque da segunda parte, com médios, extremos e avançados juntos, a atraírem adversários e tocarem no homem livre até Taarabt picar a bola para cair sobre Darwin na área.
O uruguaio hesitou, deixou-a cair na relva, quando a tentou rematar mal lhe acertou, uma oportunidade perdeu-se. Na posse de bola seguinte, o Lech nem a acelerou, manteve-a controlada pela direita até se aproximar da baliza, virá-la para a esquerda, uma tabela ser feita e a passividade coletiva do Benfica ficar a ver Vlachodimos desviar o remate de Kaminski, mas Ishak fazer o 2-2 com a sobra.
Estranho não era o desperdício de Darwin, acontece; nem a atitude passiva do Benfica quando defende perto da área, já acontecera. Era de estranhar a braçadeira estar com Otamendi, nem com um mês de clube feito: a 30 de setembro fez o primeiro treino com a equipa e neste 22 de outubro ficou como capitão após Pizzi sair e entrar Rafa.
O Benfica já era capitaneado pelo jogador com menos minutos de Benfica em campo quando, aproveitando a falência, aos poucos, da pressão do Lech, a equipa trocou passes à beira da área polaca até dar um passe rasteiro em Darwin. E o uruguaio decidir em três tempos: a receção puxou o central que o marcava, o segundo toque fez-lhe um túnel e o terceiro passou a bola para a baliza. O 2-3 evidenciava a técnica fina na área que ainda não se vira nos cinco jogos e 501 minutos anteriores de Darwin.
Na meia hora seguinte, mesmo com Weigl em campo, o Benfica nunca logrou controlar o jogo tendo a bola, acalmando o ritmo e tentando fazer os polacos correrem atrás de passes. A equipa encolhia-se junto à sua última linha, as tentativas de pressionar eram desgarradas e o jogo virou um pingue-pongue de transições rápidas, cheias de espaço para cavalgadas com bola. Darwin, Pedrinho e Everton rematariam, mas Pedro Tiba e Kacharava também. O Benfica recuava até à área, resguarda-se num bloco baixo e dava espaço ao Lech para jogar até lá.
E acabaria com três centrais, o socorro de Jardel chamado para os últimos minutos e a equipa a defender-se de cruzamentos na área, com Darwin lá na frente, a acudir a bolas longas e esperançosas que fosse capaz de aguentar para, depois, virem Rafa, Pedrinho e talvez Gabriel. Já nos descontos, resultou: o matulão segurou a bola, deu tempo para uma jogada se criar para, na área, voltar a marcar à cabeçada com um cruzamento de Gilberto.
O Benfica ganhou 2-4, o uruguaio dos €24 milhões estreou-se a marcar com três golos ao sexto jogo, já não é apenas o tipo de avançado que ganha espaço para a equipa (como Jesus disse, há dois meses) e consegue dar o melhor de si quanto tem muitos metros de relva para correr, nem se limita a assistir para outros marcarem (já tem quatro desses passes).
Darwin Núñez já tem golo, mas o Benfica não teve a pressão organizada, constância com bola e o acerto a lidar com os espaços em campo próprio - sobretudo na última linha - que mostrara no fim de semana, contra o Rio Ave."

Um, dois, três diga lá outra vez – Por trás dos golos de Darwin e a mudança de Jorge Jesus


"No “Futebol Total” do Canal 11, o Pedro Bouças analisou o detalhe comum a cada um dos três golos do poderoso Darwin que lhe garantiram mais possibilidades de ser eficaz. Também a mudança tática de Jorge Jesus foi analisada."

KKS Lech Poznan SSA 2-4 SL Benfica: Mau na prática, bom na Teoria (de Darwin)


"A Crónica: Emoção Para Quê e Para Quem?
Não havia público nem havia necessidade. Num jogo desnecessariamente equilibrado, o SL Benfica entra a vencer na presente edição da Liga Europa. Na Polónia, frente ao KKS Lech Poznan SSA, os encarnados triunfaram por 4-2, com um hat-trick de Darwin. Segue-se o Standard Liége e, pelo meio, o B-SAD e segue-se a crónica com as incidências da partida.
Aos oito minutos de jogo, surge o primeiro lance capital. Grande penalidade assinalada a favor das águias, por mão na área polaca, após cruzamento rasteiro de Waldschmidt. Pizzi assume a marcação e, ao estilo de Bruno Fernandes, dá pela primeira vez na partida trabalho ao encarregado do placar eletrónico do City of Poznan. Vantagem encarnada e dedicatória a André Almeida.
Dobrado o tempo do golo inaugural, o Lech Poznan chega ao empate. Como? Como se esperava: fazendo bom proveito do bloco alto das águias e procurando e encontrando a profundidade nas costas da linha defensiva encarnada, pela esquerda. Czerwinski é quem encontra essa profundidade e quem serve Ishak para o encosto.
Aos 24 minutos, quase dilata a vantagem… o Lech. Na sequência de um canto, Moder remata em vólei de cima para baixo com o esférico a beijar a relva e de seguida a trave da baliza de Vlachodimos. Grimaldo a marcar o adversário com os olhos da nuca e por muito pouco não se consuma a reviravolta polaca.
42 minutos e mais uma inauguração: o marcador já o tinha sido, desta feita é o frasco de Ketchup de Darwin que é inaugurado. Bom trabalho coletivo da turma de Jorge jesus que culmina com um cruzamento milimétrico de Gilberto – talvez o seu ponto mais forte – para um grande golpe de cabeça do uruguaio.
Boa elevação e suspensão a suportarem um bom gesto técnico na estreia a marcar do “9” das águias e vantagem (mínima) no marcador favorável aos visitantes na saída para o intervalo.
Boa entrada do SL Benfica na segunda metade, melhor entrada ainda do Lech Poznan. Aos três minutos, Ishak bisa na partida em recarga no corredor central, após uma interessante jogada combinativa pela esquerda e pelo centro do ataque polaco. Antes, Darwin e Waldschmidt haviam desperdiçado uma dupla oportunidade para dilatar a vantagem das águias.
Quem marca um, marca dois. Uma vez aberto o frasco de Ketchup, eis os golos de Darwin, que, à hora de jogo, bisa na partida. Bem servido por Everton, que encontrou espaço no corredor central vindo da “sua” ala esquerda, trabalha bem – e com classe – e finaliza cara a cara com Bednarek.
O golo parece congelar a equipa de Poznan até aos 70 minutos. Dos 70 aos 80´, a partida é toda – mas toda – dos polacos. Vale Odysseas. Dos 80 minutos em diante, o SL Benfica equilibra a partida – mais ou menos – e, em período de descontos, Darwin muda a sua Teoria para um provérbio: “não há duas sem três”.
Hat-trick consumado e vitória sofrida assegurada. Valeu pelos três pontos e pelos três golos do uruguaio.

A Figura
Darwin Núñez – Três golos e muito trabalho. É este o resumo da exibição do avançado uruguaio que, na estreia a marcar, apontou logo um (tão necessário) hat-trick, exibindo uma capacidade prolífica, técnica e aérea até então pouco vislumbrada. Respondeu à seca de golos pessoal e ao bis de Ishak e granjeou a importante distinção de Figura do Jogo Bola na Rede.

O Fora de Jogo
Grimaldo – Defende mal e ataca bem. Isto é o que costuma definir Grimaldo. Hoje não foi. Hoje, defendeu mal e atacou da mesma forma. Foi o elo mais fraco da equipa até ser substituído por Nuno Tavares. O lugar vai continuar a ser seu, mas Nuno Tavares (que não esteve muito melhor) vai estar à espreita de mais exibições como a de Poznan.

Análise Tática – KKS Lech Poznan SSA
Os polacos defendiam com uma linha de cinco, uma de quatro e Ishak na frente a pressionar com o olhar. As três linhas não deixavam muito espaço entre si, apesar das tentativas de as penetrar de Taarabt e Pizzi (este na primeira parte), sobretudo e o bloco era, regra geral, baixo.
Em ataque posicional e numa prova de coragem, a equipa polaca trocava a bola em zonas bem próximas da sua baliza para obrigar o bloco adversário a subir o mais possível. Nessa troca de bola, para obrigar os homens da pressão encarnada a correrem, os centrais abriam bastante, dando os laterais a restante largura – até aos limites laterais do terreno de jogo.
Moder e Tiba preenchiam o meio campo polaco para prender Gabriel e Taarabt e os alas juntavam-se aos elementos mais avançados para formar uma linha de quatro que se colava à linha defensiva encarnada. No momento certo, a bola era por fim lançada em profundidade.
Alheia às movimentações do marcador, a turma de Dariusz Zuraw não perdeu nunca a sua forma e o seu conteúdo, alterando apenas os intervenientes. Ainda assim, há que registar que nos últimos quinze minutos o Lech Poznan apostou numa dupla de ataque mais clara e destacada do que até então.

XI Inicial e Pontuações
Bednarek (6)
Czerwinski (5)
Crnomarkovic (5)
Puchacz (5)
Dejewski (5)
Moder (5)
Ramírez (5)
Pedro Tiba (5)
Skoras (5)
Ishak (7)
Kaminski (6)
Subs Utilizados
Marchwinski (5)
Muhar (5)
Kravets (5)
Katcharava (6)
Awaed (-)

Análise Táctica – SL Benfica
Jorge Jesus não fugiu muito ao XI titular e ao sistema cada vez mais “tipo” ou padrão, apostando num 4-2-3-1 assente na mobilidade e intercâmbio de corredores de Waldschimdt e Pizzi – na primeira parte, Rafa na segunda -, pelo centro e pela direita, respetivamente, com a regular intervenção de Everton na manobra ofensiva que passava muito também pelo quarto elemento da frente ofensiva encarnada, Darwin.
Gabriel e Taarabt alinhavam num duplo pivô de meio campo que funcionava como um sistema de duas estrelas, orbitando-se mutuamente, ainda que não com o brilho necessário. Assim, ambos descaíam para ambas as alas, consoante as necessidades de equilíbrio requeriam.
Em ataque posicional, Pizzi funcionava como médio, abrindo alas – no caso, a direita – para Gilberto. Grimaldo subia como sempre e a construção a três ficava a cargo dos centrais e de Gabriel, com Taarabt e Pizzi a permear a (relativamente) boa organização defensiva polaca.
No momento defensivo, Darwin e Waldschmidt pressionavam alto – um pouco “a pedido” do Lech Poznan – os alas e a dupla de médios tentavam fazer o mesmo e a linha de quatro defesas não se desmanchava fruto dos vários jogadores de azul que procuravam a profundidade.
A defesa à zona imperava nas bolas paradas, não tendo estado suficientemente oleada para travar as ofensivas aéreas – sobretudo – da equipa polaca, que tem precisamente no jogo pelo ar uma das maiores virtudes.
Na segunda parte, notaram-se algumas nuances táticas nos encarnados, fruto da troca de Pizzi por Rafa. Apesar de também aparecer regularmente no meio, Rafa alinhava mais pela ala do que Pizzi e tornava mais evidente o 4-2-3-1/4-4-1-1 do SL Benfica.
Para os últimos cinco minutos, JJ lançou Jardel e passou a jogar com três centrais para tentar por fim dar conta do enorme e árduo recado que se havia revelado, desde a sua entrada em campo, Katcharava. 

XI Inicial e Pontuações
Vlachodimos (7)
Gilberto (5)
Otamendi (5)
Vertonghen (5)
Grimaldo (4)
Gabriel (6)
Taarabt (5)
Pizzi (7)
Everton (5)
Waldschmidt (5)
Darwin (8)
Subs Utilizados
Rafa (5)
Weigl (5)
Pedrinho (5)
Nuno Tavares (5)
Jardel (-)"

Um Lech para Darwin


"Relativizar pode nem sempre ser solução, mas a verdade é que se nos lembrarmos que daqui a 300 anos tudo o que conhecemos hoje será tido como primitivo e rudimentar, talvez a análise futebolística que hoje nos enche olhos e ouvidos arranjasse um balanço menos impiedoso e cheio de si. Não diria que o SL Benfica de Jorge Jesus precise de 300 anos para deixar de fazer coisas primitivas e rudimentares (como ficou bem patente esta quinta-feira na Polónia) mas ganhariam os adeptos e paineleiros se à ambição lhe somassem o tempo necessário a que elementos de qualidade inquestionável se possam mesclar com elementos de rendimento, por agora, extremamente duvidoso. É que se nos lembrarmos também que a juntar-se à falta de apetência defensiva de Grimaldo estão hoje Otamendi (que parece ter desaprendido todas as referências para comandar uma linha defensiva), Vertonghen (não propriamente conhecido por acabar jogos com imaculado registo defensivo) e Gilberto (mais preocupado em não ouvir Jorge Jesus do que jogar futebol) rapidamente nos lembraremos também que a ambição desmedida que faz sombra a este novo Benfica é, para já, totalmente desfasada da realidade. E se culpas no cartório houve para Jorge Jesus na sua inebriante apresentação, o técnico não se tem cansado de meter agora água na fervura, mesmo depois de resultados e goleadas entusiasmantes e que noutras eras serviriam para lhe inchar o ego. Este ainda não é o Benfica que quero, ecoou por todo o vazio INEA Stadium quando o Lech explorou várias das incapacidades actuais dos encarnados. E se ao princípio o futuro parecia risonho para as águias foi porque, lá está, nos esquecemos de relativizar. E se à passada incrível de Luca Waldschmidt, à matreirice talentosa de Everton Cebolinha e aos serviços visionários de Taarabt, será impossível não augurar uma demolidora transição ofensiva, do lado inverso estão momentos de jogo que tirarão o sono a um técnico com dificuldades em mesclar o seu discurso entre o realista e o inatingível e que, ainda por cima, tem de ver responder a sua equipa em campo em tempo record e quase sem mácula.

Lance do 2-2 e momento da variação de flanco que foi imagem de marca do Lech neste jogo. Do lado de fora, extremos ou laterais iriam ferir um Benfica que se viu várias vezes descompensado

E talvez por fé inamovível na sua ideia, ajustar estará fora de hipótese. Sendo que as referências, por exemplo, da linha defensiva demoram tempo a construir, e que a capacidade dos cinco centrais que tem disponíveis para perceberem todos os timings e triggers que a levam a subir e a descer é deveras questionável (sendo já questionada pelo próprio Jorge Jesus) mandaria a prudência que Jesus arranjasse outra forma de se defender neste exigente início de época. Porém, com toda a experiência acumulada, como por exemplo no seu último trabalho, Jesus sabe que só jogando e errando essa mesma linha se consolidará – não fazendo assim sentido procurar fazer algo diferente daquilo que idealiza como potencial máximo. Mas tal como no início da sua aventura no Fla se nota uma inaptidão gritante que se junta às já conhecidas (mas convenientemente esquecidas na altura da euforia) dificuldades de alguns elementos do plantel.

Extremos do lado da bola tentaram sempre proteger lateral. Com todas as lacunas que foram evidentes tal não foi solução em boa parte dos casos

Não foi assim à toa que o plano do Lech Poznan se centrou em dois pontos fundamentais: nas costas da linha defensiva e no espaço exterior do bloco do Benfica. E se Jesus ainda tentou que Everton protegesse Grimaldo no momento das saídas polacas, foram demasiadas vezes que Grimaldo, Vertonghen, Otamendi&cia não conseguiram perceber o momento de subir ou o momento de descer, ficando expostos em várias situações (como no lance do 1-1, em que Ishak respondeu ao golo de penálti marcado por Pizzi). Já do outro lado, Gilberto (sempre com as orelhas a ferver) foi fustigado com as rápidas viragens de flanco que o deixavam várias vezes no um-para-um ou até um-para-dois – algo que convenhamos deixará por esta altura o brasileiro totalmente exposto.
Ainda assim não falamos de um plano totalmente perfeito por parte de Dariusz Zuraw. Isto porque à realmente impressionante rotatividade do nosso Pedro Tiba e de Moder (e à ganância de quererem estar presentes em todos os momentos ofensivos) libertou-se um espaço importantíssimo para um jogo tremido nunca escapar totalmente das asas da águia. Foi no já citado momento de transição que o Benfica deixou perfume e que poderia, com outra confiança e segurança, partir para outro tipo de exibição mais segura. Mas como Jorge Jesus sempre nos lembrou: o jogo tem quatro momentos mais um. E assim sendo nem o golo de Darwin, ao cair do pano da primeira metade, poderia sossegar um Benfica que ainda coxeia em vários momentos considerados nucleares pelo seu técnico.

Luca impressionante a ligar o jogo da águia descobriu um Gilberto com missão facilitada para cruzar. Superioridade numérica no coração da área

Não será preciso pois sublinhar que a toada da etapa complementar começou de forma semelhante, com os polacos a explorarem superioridades nos corredores, pouco preocupados com a nova vanguarda do jogo interior e corredor central, castigando o Benfica com superioridades exteriores que os seus laterais não conseguiam travar e que os seus centrais não conseguiam acompanhar. Sem surpresa surgiu o bis de Ishak que, ainda assim, acabou por ser uma benesse para a equipa de Jorge Jesus. Isto porque ao esforço assinalável do Lech seguiu-se uma quebra que permitiu levar o jogo para um registo que agradará mais a Jorge Jesus. Benfica em organização ofensiva, com o adversário mais longe de Odysseas e um ritmo que faz sobressair a técnica de Rafa (entrou por Pizzi ao intervalo), Everton e do impressionante pêndulo germânico Luca Waldschmidt. No entanto, com alguns lances para nos deixar em dúvida, o momento Bergkamp da noite pertenceu ao às vezes trapalhão, às vezes contundente Darwin Nuñez, algo que pôde repetir para sossegar as hostes já no fim da contenda e depois do Lech Poznan forçar, desalinhar de novo a defesa do Benfica e criar algum arrepio do qual Jorge Jesus fará questão de lembrar a equipa no regresso ao Seixal."

Benfica After 90 - Lech...

Visão Vermelha S2E06 - Rio Ave, Lech...

Rescaldo...

Bistrot - [FR] After Match Europa League - J1 Lech Poznan

Semanada...


"1. Gedson Fernandes. Luís Filipe Vieira foi à RTP dar uma entrevista no fim-de-semana passado e disse que era possível que Gedson Fernandes voltasse em Janeiro visto que não parece contar no Tottenham. Entretanto já saíram outras notícias a dizer que provavelmente poderia ser de novo emprestado. Acho que por acaso o Gedson poderia ser um bom reforço de Inverno. É um médio com características idênticas a outro médio que Jorge Jesus tanto pediu: o Gerson - curiosamente com um nome muito parecido. Mas mais uma vez, para o Gedson poder entrar é urgente que o Benfica comece a diminuir o número de jogadores.
2. Época de André Almeida terminou. André Almeida rompeu dois ligamentos no joelho direito e é provável que a sua época tenha terminado. André Almeida fez 30 anos no mês passado. Já vimos alguns jogadores recuperar desta lesão, já vimos outros que nunca chegaram a recuperar os mesmos níveis. Para piorar tudo, André Almeida já na época passada teve problemas com lesões. No curto prazo vamos apostar em Gilberto e talvez no Diogo Gonçalves. Mas se ainda fazia parte dos planos do Benfica continuar com André Almeida por mais três-quatro anos, talvez seja melhor antecipar um cenário onde isso possa não acontecer. Eu teria posto o Filipe Cruz a treinar e jogar com a equipa B já a partir destes fim de semana, pois parece-me o lateral direito mais promissor que temos nos nossos quadros e que pode ser uma boa solução a médio-longo prazo.
3. Darwin Nuñez. A exibição de Darwin ontem contra o Lech Poznan foi completamente surreal. Eu já ia escrever sobre o Darwin antes porque apesar de não ter marcado para o Campeonato, tenho gostado muito das suas exibições. Todos jogadores dizem que o importante é que a equipa marque, mas quando chegam a um 2vs0 só com o guarda-redes, muitos rematam em vez de passarem para o lado. Darwin não. Darwin pode ter apenas um jogador à sua frente e passa sempre para o colega que está melhor colocado. Darwin tem apenas 21 anos mas já percebeu que mais importante que os golos individuais são os golos marcados pela equipa. Nesse aspecto é um ponta de lança à frente do seu tempo. Ele já percebeu que as estatísticas também contam quem cria golos e quem faz assistências, e que apesar de não marcar, continua a beneficiar porque da maneira como jogo a sua equipa acaba por marcar mais por tê-lo em campo. E a partir de ontem também marca. Finalmente acertámos num ponta de lança. Espero que fique por cá muitos anos. E estou curioso para ver se não senta o Cavani no Mundial de 2022.
4. Nicolás Otamendi. Uma das surpresas da noite passada ficou reservada para a segunda parte quando Nicolás Otamendi ficou com a braçadeira de capitão. Aquilo fez impressão a muita gente. Eu por acaso até gostei. O capitão é muito mais do que o jogador com mais jogos do clube (ou pelo menos devia ser). Há até coisas que o capitão pode fazer que os outros jogadores não podem. Nomeadamente falar com o árbitro sobre alguma decisão. A correlação ‘capitão-número de jogos disputados’ também existe, como é o caso do Luisão ou do Jardel, mas nem sempre o jogador com mais jogos é um líder de balneário. Via-se dentro do relvado que o Rúben era o verdadeiro capitão de equipa no último ano, mas não era o capitão (e devia ter sido). Tem esse perfil de líder. Nenhum dos jogadores com mais jogos que estava em campo (Vlachodimos, Grimaldo, Gabriel ou Rafa) tem esse perfil. Acho que nem Pizz ou André Almeida têm esse perfil. O Otamendi tem. E é jogador do Benfica.
5. Previsão para as Eleições. Desde que Luís Filipe Vieira se tornou Presidente do Benfica, as eleições com maior participação dos sócios foram as eleições de 2012 entre Luís Filipe Vieira e Rui Rangel. Nessas eleições houve um pouco menos de 23 mil votantes que tinham no total 450 mil votos. Notem que 23 mil votantes significa uma taxa de abstenção na casa dos 80-90%. Acredito que as próximas eleições a taxa de abstenção não vá ser tão grande. Se a participação for o dobro dos votantes, ou seja 46 mil votantes - que ainda significaria uma abstenção na casa dos 70-80% - talvez o vencedor precise de mais de 500 mil votos para se conseguir tornar Presidente do Benfica. Eu neste momento estaria a fazer as contas para ter um número de votos nessa casa dos 500 mil para conseguir ganhar as eleições. Nota também para um possível adiamento das eleições. O Governo português limitou movimentações no próximo fim de semana o que quase de certeza irá obrigar o adiamento das eleições.
6. Modalidades. Tem tudo para ser um fim-de-semana tranquilo nas Modalidades. Os únicos jogos onde entramos em campo sem grande favoritismo é um dos dois jogos do Voleibol Feminino (contra o Porto Volei) e o jogo da equipa de Basquetebol Feminino (contra a GDESSA) que nos irá permitir ver o que esta equipa de facto é capaz. Todas as outras equipas têm obrigação de vencer os seus jogos. Nota também para o Hóquei que na semana passada perdeu contra o Riba d’Ave. O Campeonato termina em playoff e como tal estes jogos pouco importarão. Mas este tipo de falhanços não pode ser admissível."