Últimas indefectivações

segunda-feira, 12 de outubro de 2020

Vasily Kulkov, o homem das noitadas europeias


"Como é que um jogador que não era um daqueles génios óbvios, um ídolo instantâneo do Terceiro Anel, um matador prolífico, um “10” com a elegância e o perfume de Rui Costa ou mesmo um corajoso bombardeiro como Isaías, alcançou um tal consenso entre os adeptos é um mistério

Pavel Ivanovitch Chichikov, Aleksei Fiódorovitch Karamázov, Rodion Romanovitch Raskolnikov, Vasily Sergeievitch Kulkov: não há como os russos para nos darem grandes personagens. Bem, Vasily Kulkov não era uma personagem de ficção, não era um produto da imaginação de um Dostoievski ou de um Gógol, mas basta ler algumas das suas entrevistas para constatar a sua enigmática nonchalance eslava e imaginá-lo a percorrer as páginas de uma comédia gogoliana, meio peixe fora de água, meio demiurgo de um sarcasmo sonolento a distribuir jogo com os seus olhos de ressaca.
A lenda das aventuras noturnas da troika russa do Benfica ficou tão célebre como as melhores jogadas de Kulkov, Iuran e Mostovoi, mas não as apagou por completo. A que alturas não teria subido um jogador como Kulkov se tivesse sido mais profissional, perguntam-se alguns adeptos ao recordar o brilho intermitente do médio russo? Só que esses jogadores imaculados de um profissionalismo inatacável, de uma abnegação a toda a prova, não entram no coração dos adeptos. Merecem o respeito e a consideração de um bancário que em trinta anos de carreira nunca chegou atrasado ao serviço, de uma administrativa de um centro de saúde que nunca pôs um dia de baixa.
O que me surpreendeu na hora da morte de Kulkov – e que, bem vistas as coisas, não é assim tão surpreendente – foram as múltiplas reações emotivas dos benfiquistas, como se um em cada dois adeptos tivesse dentro de si um obituário pronto a escrever feito das mesmas memórias inapagáveis, um facto que honra a qualidade futebolística do jogador visto tratar-se de alguém que não parecia ter feito mais de dez abdominais na vida e que, ainda por cima, trocou o Benfica pelo Porto.
Era como se cada benfiquista, sobretudo aqueles que cresceram a ver as equipas na transição da década de 80 para a de 90, julgasse que a admiração por Kulkov era um segredo intransmissível, uma mania fruto da sua maneira peculiar de ver futebol, para descobrir agora que essa admiração era afinal uma paixão assolapada quase universal. Como é que um jogador que não era um daqueles génios óbvios, um ídolo instantâneo do Terceiro Anel, um matador prolífico, um “10” com a elegância e o perfume de Rui Costa ou mesmo um corajoso bombardeiro como Isaías, alcançou um tal consenso entre os adeptos é um mistério.
A morte não explica tudo, mas a morte precoce, num momento em que as memórias dos adeptos estão naquele ponto ótimo para a mitificação – nem tão vagas que já não produzam emoção, nem tão vivas que não possam ser trabalhadas e aperfeiçoadas pela nostalgia – explica alguma coisa. A esta distância, a memória já apagou as exibições medíocres, a inconsistência, os passes falhados, e guarda apenas dois ou três momentos refulgentes e os contornos fantasmagóricos de uma inteligência superior, mais pressentida do que recordada ao pormenor.
Essa é uma das chaves do fascínio de Kulkov: fisicamente não era elegante, mas o seu futebol era de uma rara elegância. Ele podia não ser um grande amigo da sobriedade fora de campo, mas em campo o seu futebol era mais do que sóbrio, era clarividente. E estas qualidades manifestavam-se de uma forma discreta, quase invisíveis a olho nu. Daí que na cabeça devota do adepto só eles estivesse a ver o que Kulkov fazia. Cada um sentia o privilégio de ser a única testemunha de um milagre, o interlocutor exclusivo daquela forma de inteligência. Vasily Kulkov tinha um futebol tão inteligente e tão subtil que, como um bom orador, enfeitiçava a plateia e fazia com que cada um dos membros do público se sentisse tão discretamente inteligente como ele.
Mas, para ficar no coração dos adeptos, até uma inteligência discreta precisa daqueles momentos de brilhantismo inequívoco, as moedas universais que são para a comunhão dos apaixonados de futebol o que o pão e o vinho são para a eucaristia. E essas moedas universais foram, no caso de Kulkov, os dois melhores jogos europeus do Benfica na década de 90: a vitória em Londres, em Highbury Park, contra o Arsenal, e o empate a quatro em Leverkusen. Arrisco dizer que, sem esses jogos, Kulkov seria apenas mais um nome no registo notarial do Benfica ao qual se acrescentaria o burocrático “ao serviço dos encarnados, conquistou um campeonato e uma Taça de Portugal.” Nada que chegasse para ser lembrado com o fervor visto nos últimos dias.
Vejam: não foi preciso conquistar um título europeu, nem sequer chegar a uma final. Bastou-lhe fazer parte de uma equipa que jogava na Europa com ambição e ter brilhado nos dois jogos que moldaram o benfiquismo dos jovens adeptos da altura. Ao contrário do que se costuma pensar, os adeptos não são ingratos e não têm memória curta. No entanto, a escolha dos seus eleitos é caprichosa, a entrada no panteão não obedece a critérios matemáticos ou contabilísticos. Muitos jogadores que passaram pelo Benfica conquistaram mais títulos e honrarias do que Kulkov, mas ele foi único a marcar naqueles dois jogos: haverá poucas imagens mais belas para um benfiquista do que a celebração de Kulkov após o primeiro golo em Leverkusen (e o treinador Toni a falar sozinho nas imediações do banco). Eu, que gozei com o amadorismo da comunicação do Benfica ao juntar aos títulos de Jorge Jesus a presença nas finais da Liga Europa, sou o primeiro a reconhecer que Vasily Kulkov fica na história do clube, não pelos títulos que conquistou, mas pelo que fez naquelas duas noites. Não duas noites quaisquer, duas noitadas europeias que, por não caberem nas vitrinas ao lado de outros troféus, ficarão para sempre guardadas no museu imponderável que é a memória dos adeptos.

Ps: escrever uma crónica sobre Kulkov sem usar a palavra “vodka” também é um feito."

Ângelo Martins

3 dias de luto


"O Sport Lisboa e Benfica decreta três dias de luto em memória e homenagem ao bicampeão europeu Ângelo Martins. O antigo futebolista, um dos rostos da Mística e da História do Clube, faleceu neste domingo. A Família Benfiquista está de luto!

Ângelo Martins vestiu e honrou o Manto Sagrado ao longo de 13 épocas (1952/53 a 1964/65), alinhando em 385 jogos e marcando 4 golos. Conquistou duas Taças dos Clubes Campeões Europeus, 7 Campeonatos Nacionais, 5 Taças de Portugal e uma Taça de Honra de Lisboa.
Persistente e intrépido, honrava o lema "Antes quebrar do que torcer". Sempre um dos nossos!"

Homenagem e eterna saudade


"Em nome do Sport Lisboa e Benfica, e em meu nome pessoal, quero apresentar as mais sentidas condolências à família e amigos de Ângelo Martins, um dos nossos eternos bicampeões europeus e um dos símbolos que ficará para sempre na história do nosso Clube.
Ângelo Martins, jogador de raça e um dos obreiros da imagem e mística de "jogar à Benfica", onde, entre 1952 e 1965, venceu duas Taças de Campeões, sete Campeonatos Nacionais e cinco Taças de Portugal, pertenceu àquela geração de ouro e gloriosa, marcante nas nossas memórias.
É com profundo pesar que toda a Família Benfiquista vive este momento de dor, luto e de eterna saudade perante a partida de Ângelo Martins. Credor da nossa mais justa homenagem, que descanse em paz!"

domingo, 11 de outubro de 2020

Mais uma vitória...

Benfica 6 - 2 Azeméis

Bom jogo, ainda com muita margem de progressão, principalmente na adaptação das contratações, mais nos processos defensivos do que nos ofensivos, mas com bons sinais no geral...
O erro no Silvestre no 1-1, acabou por dar uma 'aproximação' no marcador, que o jogo não justificava, mas no final até acabou por ser tranquilo, mesmo com aquela carambola no segundo do adversário!!!

PS: No Europeu de Triatlo, mais uma vez, ficámos pelo 2.º lugar e a medalha de Prata, na prova colectiva mista, desta vez sem a 'contratação' americana, só com a 'prata' da casa! Mas diga-se, a 'prata' já cansa...!!!

Vitória na Madeira...

CAB Madeira 66 - 92 Benfica
12-18, 11-21, 18-30, 25-23

Jogo controlado desde início, com alguns jogadores a demonstrarem que uma semana de trabalho colectivo, faz muita diferença, fisicamente e não só...

Vitória na Linha...!!!

Ginástica 1 - 3 Benfica
17-25, 11-25, 26-24, 14-25

Demasiado relaxamento no 4.º set, acabou por prolongar a partida, desnecessariamente...

FIFA21

Amir defendeu o penálti do FC Porto com um pé atrás e outro à frente da linha. Foi legal? Sim, mas...


"O IFAB fez um esclarecimento técnico sobre uma situação ocorrida no último FC Porto - CS Marítimo.
Como se recordarão, Amir defendeu um pontapé de penálti estando numa posição "atípica" no momento do remate: tinha o pé direito atrás da sua linha de baliza e o esquerdo à frente.
Ou seja: quando Alex Telles rematou, o GR do Marítimo não tinha nenhum dos pés sobre a linha. 
Estaria tudo certo se a Lei 14 não referisse expressamente que, quando se dá a execução de um "penalty", os guarda-redes devem e cito "permanecer sobre a linha entre os postes da baliza" e "ter pelo menos parte de um dos pés a tocar nela ou alinhado com a baliza".
Portanto, à luz das regras, quando defendem um remate nessas condições, estão a infringir.
O problema, no entanto, é outro: a lei nem sempre diz o que quer, da maneira que pode e deve. Neste caso, a ideia de criar essa imposição - a de ter, pelo menos, parte de um dos pés sobre a linha - não foi no sentido de impedir que os GR tivessem um pé mais recuado, como Amir tinha; foi no sentido de evitar que adiantassem os dois.
Isto porque há a convicção generalizada que, num pontapé de penálti, os guarda-redes só retiram vantagem se tiverem os pés à frente da linha.
Eu acho que não é bem assim: na prática, um pé atrás pode ajudar a dar um impulso para a frente, potenciando a hipótese de defesa. Amir parece concordar comigo.
Coloca-se então o eterno dilema, comum a tantas outras áreas de atividade onde se impõe interpretar normas com justiça:
- Que leitura fazer da regra? Deve aplicar-se a letra, que neste caso é taxativa, ou o espírito que pode estar subjacente?
No caso concreto, o entendimento do IFAB é que se deve aplicar o "espírito da lei". Quer isso dizer que aceitam que um GR que não tenha nenhum dos pés ou parte de um sobre a linha (porque tem um à frente e outro atrás) não está a infringir.
Sobre esta análise, duas notas rápidas:
- A primeira e mais importante serve para recordar que o International Board é soberano e tem legitimidade para definir todas as questões relativas às leis de jogo. Podemos concordar ou discordar, mas devemos respeitar e acatar.
- A segunda é que essa obediência não deve castrar o sentido crítico de quem faz leitura distinta e eu faço.
Na minha opinião, quando uma regra é tão factual e evidente, quando a sua letra diz tudo de forma indiscutível, não há margem para lê-la de forma distinta. O mais certo é estar errada, mas isso corrige-se na primeira oportunidade que surja.
Qualquer pensamento legislativo que vá além da letra da lei tem que ter um mínimo de correspondência verbal com o seu texto e aqui não tem. Aliás, tem exatamente o oposto: a letra diz pune, o "espírito" diz segue jogo.
Todos os dias esbarramos em situações com as quais não concordamos mas que sabemos que devemos acatar, por serem demasiado claras e incontornáveis.
Isto faz-me lembrar a velha história dos semáforos que controlam velocidade nas localidades. Estão lá com um objetivo importante: evitar excessos que ponham em perigo as pessoas, sobretudo quando o comércio e as escolas estão abertas, porque há muito movimento e passagem frequente de peões.
No entanto, se qualquer um de nós passar o vermelho às quatro da manhã, sem que esteja uma alminha na rua e ainda que a circular a menos de 20Km/hora, somos multados.
É que, apesar de não ser esse o objetivo - multar gente a meio da noite, numa rua deserta e sem perigo à espreita -, a regra imposta pelo Código de Estrada é soberana: sempre que alguém passe um sinal vermelho, está a infringir. Ponto.
Quem é multado naquelas circunstâncias pode até sentir-se meio injustiçado, mas tem que pagar. 
Voltando aos "penáltis": a partir de agora qualquer GR sabe que pode não ter parte dos pés sobre a linha, como a lei exige. Basta que tenha um mais recuado e o outro adiantado. Aliás, pode até tentar a sua sorte e colocar os dois pés atrás da linha (dentro da baliza).
A letra da lei também é clara e não permitindo que permaneçam aí (até porque isso os coloca fora do terreno de jogo), mas o princípio é o mesmo: o espírito diz que quem está mais recuado não tira benefício.
Não faz sentido
 A Lei 14 não está, de facto, redigida da melhor forma (nesta matéria e noutras) e isso não acontece por malvadez do legislador: a verdade é que é quase impossível prever todas as situações de jogo.
Para que tenham uma ideia, neste momento estão tipificadas oito infrações diferentes no que diz respeito a pontapés de penálti.
Se os árbitros as cumprissem à risca, garanto-vos que não havia um único pontapé que não fosse, pelo menos, repetido.
O problema é o critério: há quem seja mais e menos rigoroso, há quem esteja mais e menos atento. É uma grande chatice. 
Esta amplitude de intervenção pode ser perversa para os árbitros e para o futebol.
Os pontapés de penálti não são infrações menores: são momentos-chave do jogo. Criam claras oportunidades de golo. Podem determinar resultados e afetar campeonatos.
A lei que os regula deve ser o mais objetiva possível, não pode ter incoerências nem potenciar interpretações mais ou menos literais, consoante a natureza da infração ou a delicadeza do lance.
Tem que criar mecanismos que permitam aos árbitros decidir, da mesma forma, o mesmo tipo de situações.
Não há outra forma."

Vinte e Um - Live - Farense...!!!

sábado, 10 de outubro de 2020

Empate...

Benfica 1 - 1 Sporting

Dois pontos perdidos, num jogo equilibrado a 'meio-campo', mas com o Benfica muito mais perigoso em ataque organizado, com uma diferença brutal no trabalho dado aos guarda-redes... Sendo que o equilíbrio no marcador só foi alcançado, mais uma vez, através dos zés dos apitos, desta vez nos penáltis...

Continuamos com a série: golos de antologia!!! Hoje, novamente o Luca...

Sempre que vejo esta equipa Lagarta, irrita a forma como esta tenta ganhar jogos: defendendo com tudo, nunca arriscando, sem qualquer estratégia de ataque planeado, a não ser os mergulhos para a piscina!

PS: Vitória dupla na prova de Triatlo nos Jogos do Mediterrâneo (uma espécie de Jogos Olímpicos do Mediterrâneo!), prova que decorreu em Alhandra, com o Vasco Vilaça nos homens e a Melanie Santos nas senhoras...!!!

Vitória a Norte...

Avanca 25 - 34 Benfica
(13-17)

A equipa está a melhorar. Já existe mais entendimento entre jogadores, o que é normal, mas começa a ser notório a reacção colectiva positiva às contrariedades! Hoje, por exemplo, 'matámos' o jogo, numa altura onde ficámos a jogar com menos um, com muita agressividade na defesa, e contra-ataques rápidos! Isto num jogo, onde mais uma vez, o critério dos apitadeiros nas exclusões e nos 7 metros foi completamente inquinado!!!

Fácil...

Benfica 3 - 0 Clube K
25-9, 25-12, 25-8

Amanhã temos outro jogo...

"Curta" !!!

Benfica 4 - 0 Dameiense


Quando 4-0 sabem a pouco!!!

Tiago Dantas, mais um episódio de “validações” e o que realmente importa


"Tiago Dantas, à semelhança de outros jogadores talentosos fez emergir as “lutas” nas “redes sociais” como tentativas de validar opiniões. Umas mais bem fundamentadas que outras.
O triunfo dos que ignoram o jeito que dá ter potencial morfológico para o jogo surgiu com o interesse do Bayern – validado com a presença na equipa principal bávara – Quantas fotos foram partilhadas de Dantas ao lado do treinador em forma de “fina ironia”. Mas a eliminatória ficou rapidamente empatada com a não inscrição do jovem na equipa principal, facto que o relega para a terceira divisão da Alemanha.
Sobre a estupidez sem fim de quem por não ter talento para as suas próprias guerras, escolhe guerras de outrém muito haveria para dizer, mas para o caso importa é o talento de Tiago Dantas.
É óbvio que a questão física importa – Creio que qualquer pessoa com um mínimo de capacidade para expandir horizontes e tentar perceber um pouco sobre o jogo, reconhecerá que cada vez mais a cadência da passada é determinante para o rendimento – O jogo está tão rápido pela evolução técnica e tática, que conseguir chegar um segundo antes é muito diferente de chegar um segundo depois. Um segundo antes ajudas a fechar o espaço, ou és opção para poder receber e / ou finalizar no último terço. Assim como ter boas capacidades condicionais ajudará ao rendimento. Capacidades como a força ou a resistência são determinantes para o sucesso, ou para que o sucesso se expanda por mais tempo ao longo do jogo. Aliás, se a questão física não tivesse qualquer impacto, onde estaria agora um talento como Dantas?
Um miúdo que não perde uma bola, “limpa-as” para os colegas entregando-a sempre redonda, cria e embora pouco robusto fisicamente, enquanto a guarda ou trata não sente qualquer dificuldade porque sempre assim cresceu, e por isso desenvolveu argumentos na astúcia que lhe permitem não precisar sequer de ter confrontos físicos nos momentos ofensivos. Pensa mais rápido e executa a um nível superior a qualquer jogador comum.
Pois se Tiago ainda hoje procura encontrar espaço é precisamente porque a excelência da sua tomada de decisão e gesto técnico – que é o que é mais diferenciador num jogador de futebol, afinal é… mais difícil de encontrar! – não é acompanhada por capacidades físicas que lhe garantam sem bola o rendimento que tem com esta.
Outra falsa questão que tem surgido ao seu redor passa pela dissertações sobre a sua densidade muscular. Diversos jogadores do Bayern ficaram “maiores” e há a expectativa que tal possa acontecer com Dantas, beneficiando o jovem de tal para aumentar o seu rendimento. Lamento informar, mas não é de músculo que Dantas precisa. Daria muito jeito a tal maior velocidade para chegar aos diferentes espaços – Aquela passada larga que permite participar no pressing avassalador que hoje caracteriza os vencedores das últimas Ligas dos Campeões, mas essa não chega em forma de tamanho muscular, e não parece ser possível de obter ganhos substanciais.
Dantas como tantas outros jogadores ou situações está no meio termo entre as discussões que gera – Discussões cujo único intuito tantas vezes parece ser gerar validação de argumentos próprios e por momentos sentir que se poderia fazer parte do jogo que por certo se amará.
Não terá nível para jogar em qualquer equipa do mundo pelos seus traços físicos. PONTO.
Tal não significa contudo que se deva nivelar por divisões mais baixas! É mais questão de contexto do que de patamar ou nível competitivo.
Se calhar numa comum equipa da Segunda Liga ou da Liga NOS, não terá capacidade para ter rendimento – Há muitas perdas (a culpa não é sua, que nunca a perde, mas há!) e o jogo transporta-se para uma dimensão onde sai prejudicado. E obviamente nenhum treinador vai manter um jogador com pouca capacidade para ajudar a equipa a recuperar metros e bolas, quando outros há que são capazes de o fazer. Mas, porventura, poderá ter espaço em equipa de nível e talento diametralmente oposto às citadas. De forma simplista, Dantas é um 80 com bola, e um 8 sem esta – Não é assim nem com bola, nem sem ela – Vocês percebem o intuito do exemplo – então para ter rendimento e contribuir terá de ter o contexto que garanta muita bola – Que garanta poucas Transições – Momentos em que a tal velocidade do deslocamento se faz sentir mais. Dantas pode não ser jogador para o Desportivo de Chaves, mas se calhar pode ser para o Bayern. Faz sentido?
Talvez não totalmente, porque mesmo as melhores equipas hoje passam sempre tempo sem bola e encontram na capacidade de pressão e vencer duelos no momento defensivo a forma de ganharem a bola para depois a guardarem. E sim, o Dantas evita os duelos. Mas, como outros de elevado nível cognitivo, que pensam e executam mais rápido que os demais, evita-os quando tem bola. Sem bola não há como os evitar. Não é como se pudéssemos desviar-nos deles quando a posse está do outro lado… a menos que o intuito seja ver o oponente a marcar golo.
Na equipa perfeita, Tiago Dantas teria lugar. A equipa perfeita não perderia a posse, não precisaria de passar tempo sem ela, viajaria junta pausadamente nas transições, sem precisar de ver os seus elementos a abrir em a passada para chegar à frente sem deixar demasiado espaço entre sectores. O problema de Tiago Dantas é que não há equipas perfeitas. E como não as há, estará sempre no limbo entre o triunfo retumbante – qualidade para isso todos o reconhecerão – e as dificuldades para se impor no contexto competitivo que o seu talento faz por merecer.
O que o Tiago precisa de saber, é que o melhor a fazer é não abrir sequer caixas de comentários na internet, porque ai não encontrará nada de absolutamente positivo a retirar. Não precisa dos elogios que como a outros antes, lhe provocarão sentimentos de injustiça, e poderão fazer baixar a guarda convencido que é um Messi injustiçado, nem das críticas tantas vezes infundadas. Até porque de um lado e do outro não está ninguém que se preocupe verdadeiramente com a sua carreira, mas apenas com o seu ego.
No mundo perfeito tu triunfas, menino. Mas, não queiras viver uma vida de lamento por não ser o mundo um lugar perfeito. Faz com que todos os dias sejam dia de evolução. Anda da perna. Por ti."

Bistrot - [FR] « Rescaldo » Spécial Élections - Analyse de la prestation de João Noronha Lopes.

Nota de pesar


"Kulkov, antigo jogador do Sport Lisboa e Benfica, faleceu aos 54 anos.

O Sport Lisboa e Benfica manifesta o seu profundo pesar pelo falecimento do seu antigo jogador Kulkov, apresentando as mais sentidas condolências a familiares e amigos, neste momento de enorme dor por tão prematura partida deste ex-atleta aos 54 anos.
Kulkov representou o Benfica durante três épocas, de 1991 a 1994, com um contributo decisivo para a conquista do Campeonato Nacional em 1993/94 e da Taça de Portugal de 1992/93.
Antigo internacional pela União Soviética e posteriormente pela Rússia, o ex-médio participou em 77 jogos com o Manto Sagrado e marcou 11 golos, dois dos quais na mítica noite de 15 de março de 1994, em Leverkusen, onde o Benfica empatou 4-4 e passou às meias-finais da Taça das Taças. Para sempre ficará na nossa memória. Que descanse em paz."

SL Benfica | 5 nomes que deviam ter saído neste mercado


"Após o término de grande parte dos mercados de transferências, analisamos os cinco principais nomes do plantel do SL Benfica que deveriam ter abandonado o clube – por já não contarem, por precisarem de rodar ou por não terem o espaço que desejariam ter – neste mercado de verão/outono de 2020.
1. Franco Cervi – O extremo canhoto de 26 anos encontra-se numa encruzilhada profissional determinante para o desenrolar da sua restante carreira. O seu atual treinador gosta dele, mas apenas para suplente; tem mercado, mas não do seu agrado; tem valor de mercado, mas não alto o suficiente para propostas do agrado do clube; é novo, mas não tanto assim.
Esta encruzilhada esteve presente durante todo o período de transferências deste verão/outono. No final, o internacional argentino acabou por permanecer no plantel às ordens de Jorge Jesus. Acho que deveria ter saído.
Salvo alguma lesão de Everton Cebolinha, Cervi será um perpétuo suplente, condição que não condiz com o seu valor, valor esse que, todavia, não é superior ao do internacional brasileiro. Nuno Tavares é alternativa a Grimaldo e essa porta, que parecia aberta, está fechada para o argentino.
Terá que se contentar em ser útil aqui e acolá. E, de facto, poderá sê-lo. Ainda que fuja ao que Jesus quer para aquela posição (a começar pelo pé preferencial), Cervi já demonstrou dar-se bem com Grimaldo e ser capaz de fazer movimentos interiores, ainda que com menos qualidade do que Everton. 
O cenário não será o ideal e a pressão de fazer as vezes de Cebolinha será grande. Contudo, o carácter e a qualidade de Cervi parecem-me suficientes para que o “11” do SL Benfica cumpra a sua missão.
2. Chiquinho – Gabriel e Taarabt parecem merecer a confiança de Jesus, de Pizzi não desgosta e Weigl também não o aflige. Samaris depois da lesão poderá ser importante e Florentino está de Erasmus no AS Monaco. O espaço para Chiquinho será reduzido e, como tal, a saída em definitivo talvez houvesse sido a melhor solução, ainda que a maquia envolvida fosse, invariavelmente, pobre.
Apesar do pouco espaço, o médio português terá algumas oportunidades e até poderá revelar-se importante, muito graças à sua camaleónica polivalência (apesar de JJ já ter assumido que o utilizará como “segundo volante”).
Ainda assim, Francisco Machado poderia ter dado um rumo diferente à carreira já neste último mercado, uma vez que neste SL Benfica de Jesus ela pode estagnar, não sendo de todo positivo para um jovem português de muito talento.
3. Ferro – Todibo, Otamendi, Vertonghen e até mesmo Jardel são concorrência difícil de ultrapassar para o jovem central português. Como tal, teria sido prudente emprestar Francisco Ferreira a uma equipa na qual pudesse ser regularmente titular e na qual tivesse um papel que lhe permitisse aprimorar os seus pontos fortes (nomeadamente, as saídas em construção) e desenvolver os seus pontos fracos, como a velocidade, o controlo da profundidade, a agressividade e o jogo aéreo.
Ficando no plantel, poderá sempre aprender com os centrais experientes da equipa e com o próprio treinador; no entanto, ficará privado do melhor treino possível: o jogo. Teria sido melhor, talvez, emprestá-lo a uma das equipas que, consta, tentaram o seu empréstimo.
Getafe CF ou Granada CF (que vai jogar Liga Europa e que conta com dois portugueses na defensiva – o guarda-redes Rui Silva e o central Domingos Duarte) teriam sido ótimas escolhas.
4. Jardel – O central de 34 anos vai acabar a época com 35 e sem contrato com o SL Benfica. Isto é, se acabar a época. Especula-se que o defesa que chegou à Luz na temporada 2010/11 pode pôr cobro à carreira já em janeiro.
Caso o faça e assumindo que a sua ausência (cada vez menos notada, notória e notável) será suprida com antecipação, a sua permanência no plantel pode compreender-se, sobretudo pela sua condição de capitão.
Contudo, caso a carreira de Jardel prossiga, revela-se uma má jogada a sua não saída neste último mercado. A sua transferência nunca consagraria um avultado valor aos cofres da Luz, mas o clube pouparia o valor do seu salário e abriria espaço para a chegada de um outro central ou para uma maior afirmação de Ferro.
Tal não sucedeu e as águias têm agora no plantel uma figura que, ainda que tendo peso no balneário, já não é capaz de contínua e sustentadamente dar o seu contributo desportivo à equipa e ainda pesa na folha salarial do clube.
5. Facundo Ferreyra – O avançado argentino de 29 anos ainda pode abandonar o clube da Luz e rumar a mercados secundários do panorama mundial do futebol. No entanto, de momento ainda se mantém a ligação entre o SL Benfica e o ex- FK Shakhtar.
Uma ligação bastante cara para os encarnados, que despendem quatro milhões por temporada para cobrir as premissas do contrato de um jogador que nunca chegou a contar para Lage e que não deverá contar para Jorge Jesus, contrato esse que só expira em junho de 2022.
O treinador das águias vai, corre a notícia, avaliar o argentino, que, ainda assim, deverá ser relegado para a equipa B, caso não abandone o clube entretanto. Numa altura em que Waldschmidt, Seferovic e Darwin se encontram ao serviço das suas seleções, Ferreyra pode ser avaliado nos treinos da equipa principal. Se não o for, estará mesmo de saída sem que JJ sequer se dê ao trabalho de o conhecer."

Fever Pitch - João & Patrick... França!

Fever Pitch - João & Ricardo... Escócia!