Últimas indefectivações

terça-feira, 18 de agosto de 2020

Há 20 anos, no Hotel Berna

"Teria feito, na passada semana, no dia 6 de Agosto, 85 anos. Mário Esteves Coluna. Dificilmente um nome foi tão intenso na história no Benfica e do futebol português. Guardo dele memórias carinhosas. Era de uma simplicidade desarmante.

Falava devagar. Às vezes mesmo muito devagar, quase para dentro, e era preciso fazer um esforço para escutar o seu discurso sempre bem organizado. Quando li a notícia de que Mário Coluna teria feito 85 anos, se continuasse vivo, fiquei com uma espécie de certeza de que continua, de facto, vivo. Há gente assim. Que morre de morrer, mas vive para sempre nas lembranças mais espontâneas que existem dentro de cada um de nós. Que seriam 85 anos para ele, o homem que dominava o campo como ninguém, que empolgava companheiros e apavorava adversários? Nada mais do que uma data para cumprir.
Subitamente, recordei-me de uma entrevista muito longa que lhe fiz, no Hotel Berna, em Lisboa, à beira do Apolo 70. Que diacho! Já lá vão precisamente 20 anos. O tempo passou, e nem dei por ela, entretido que ando a escrever todos os dias. Todas as horas de todos os dias.
Mário Coluna era simples, mas solene. Até na lentidão com que ia respondendo às minhas perguntas e desbobinando histórias da sua vida. Fiquei a saber muito que ainda não sabia sobre ele, apesar de já termos tido, antes disso, conversas de uma riqueza maravilhosa.
Chamaram-lhe Monstro Sagrado. Ao vê-lo, já encanecido, um pouco dobrado, via-se no campo, de cabeça erguida, peito feito para o que desse o viesse, comandante de homens valentes como ele. E as imagens assaltavam-me a memória aos borbotões. Uma delas, com Coluna de braços atrás das costas, cabeça ligeiramente curvada, falando respeitosamente para um árbitro, ficou guardada numa fotografia qualquer e sei lá em quantas páginas de jornal. Dizia-se que, a despeito da postura respeitadora, Mário Coluna dizia das boas aos árbitros. O antigo seleccionador nacional, Manuel da Luz Afonso, contou-me que Coluna tinha sido o único jogador que nunca tivera de multar. Mário, o Coluna, ria-se quando lhe falava nisso. 'Nunca levei uma multa, é bem verdade! Porque eu achava que devia ser um exemplo para os outros. Era, afinal, o responsável pela equipa dentro do campo. E falava com os árbitros nessa condição. Falava-lhes com respeito, mas dizia-lhes o que pensava dos lances e, se necessário, discordava deles'.

Apenas uma crónica...
Não é decididamente fácil falar de Coluna, assim um pouco à toa, um artigo deste género, numa crónica que não lhe faz a homenagem justa que ele tanto merece. Seria preciso um livro. Um livro épico, uma Odisseia de Homero, uns Lusíadas de Camões. Ah! Desculpe, meu querido senhor Coluna, terá de se contentar com a mera prosa que serei capaz de rabiscar.
A sua vida foi repleta de acontecimentos. Saiu do Benfica com amargura, sentia-se ainda capaz de fazer a diferença com o seu grito de comando, o seu berro que perpassava as tropas como o de D. Afonso Henriques na Batalha de Ourique. Foi triste para o Lyon, jogando cada vez menos, até se fartar de França e regressar a Portugal. Jogou cinco finais da Taça dos Campeões europeus e uma final da Taça Latina. Ganhou e perdeu dinheiro; foi seguido pela PIDE, voltou para Moçambique, onde assegurou o seu futuro.
Volto àquele princípio de tarde, em Lisboa, no Hotel Berna. Parece que ainda ouço o som melancólico da sua voz. Contou-me histórias da sua infância, na ilha de Inhaca, onde o Índico se perde no horizonte. De como chegou a Lisboa em 1954, aos 19 anos, e de como chegou, viu e venceu, à moda de Júlio César depois de ter atravessado o Rubicão. 'Não gosto de dizer isso, pode parecer imodéstia, mas foi o que aconteceu, no fundo. O Benfica já não era campeão há três ou quatro anos, e logo na primeira época em que joguei fomos campeões, ganhámos a Taça, fui internacional A, B e militar. As minhas memórias são boas desde início, o futebol foi um mundo feliz para mim'. Soube merecê-lo. Como talvez também merecesse ser campeão do mundo naquele ano extraordinário de 1966, em Inglaterra, quando Eusébio espantou o mundo, e Mário Coluna recebeu a braçadeira de Germano e se tornou, orgulhosamente, o primeiro capitão negro de uma selecção europeia.
Recordo a melopeia. Os seus gestos tranquilos, a forma como era impossível não ficar preso às suas palavras, às suas frases. Escutá-lo era um privilégio que exigia contenção nas perguntas, uma dose bem medida de silêncio para que pudéssemos respeitar os seus silêncios intercortados.
Ele falava, eu ouvia: 'Fui felizmente, capaz de pensar na matemática do futuro. Investi o que ganhei em Moçambique. Não ganhei muito, podia ter ganho muito mais se o Benfica me tivesse deixado sair para a Roma, no mesmo ano em que o Eusébio teve um convite para o Inter, mas os tempos eram outros, ficaríamos a saber mais tarde que tinha sido o Salazar a proibir a nossa saída para o estrangeiro'. Depois revelava: 'Esse momento em que tive de aturar a PIDE tem que ver com uma viagem a Praga com a selecção. Apareceram-nos no hotel alguns estudantes angolanos, pediram-nos convites para o jogo, nós oferecemos os nossos, nada de mais. Mas, depois, chegados a Lisboa, recebi uma convocatória para ir à PIDE. Fui. O inspector que me atendeu era do Benfica e um admirador meu. Expliquei-lhe o que se passara, e ele disse-me: 'Você teve uma grande sorte por estar eu aqui. Com outro colega qualquer já estaria preso'. Como se alguém pudesse encarcerar um homem chamado Mário Esteves Coluna! Aquele cuja simples presença chegava para pôr em ordem todas as rodas dentadas do universo..."

Afonso de Melo, in O Benfica

Solidariedade entre rivais

"Na 1.ª edição da Volta a Portugal, o espírito de solidariedade foi a grande vitória do Benfica

Em 1927, nasceu que se afirmou como a prova rainha do ciclismo luso: a Volta a Portugal. Dividida em 18 etapas, percorrendo um total de 1958 km, foi uma autêntica odisseia, já que a maioria dos itinerários era de terra batida, onde os ciclistas punham à prova a sua robustez física, lutando contra todo o tipo de percalços.
A rivalidade entre emblemas desportivos transpôs-se dos estádios para as estradas, passando a ter um cunho ainda mais popular Miúdos e Graúdos podiam ver ao vivo e a cores os ases dos seus clubes rodando a grande velocidade. O Benfica apresentou-se com uma equipa constituída por Eduardo Santos, Alfredo Piedade e Francisco Santos Almeida.
Em 26 de Abril, os ciclistas partiram de Lisboa, à conquista do sul do país. Logo na 2.ª etapa, entre Setúbal e Sines, Arnaldo Gonçalves, ciclista do Carcavelos, partiu o seu guiador, e logo o carro de apoio do Benfica se predispôs a ajudá-lo: 'com um espírito desportivo muito para louvar e digno de registo, os delegados do Benfica não duvidaram emprestar um guiador novo, a um adversário que disputa também a classificação por equipes'. Na 6.ª etapa, todas as atenções se viraram para Beja, que aguardava o fim de mais uma etapa. Porém, soube-se que Alfredo Sousa, ciclista do Sporting, tinha partido o quadro da sua bicicleta entre Aljustrel e Ervidel. Todos quiseram ir em socorre do malogrado corredor, mas não dispunham de meios para tal. Nesse preciso momento entrou na cidade o carro de apoio do Benfica, que, informado do sucedido, decidiu ir ajudar o ciclista leonino. O carro 'fez uma volta apertada e cortou à direita, pela planície, para Ervidel, levantando na estrada uma nuvem densa de poeira'. Com os olhos postos na planície, comentava-se o lindo gesto do Benfica, auxiliando um clube rival de longos anos. Alfredo Sousa, com a bicicleta emprestada pelo Benfica, fez-se de novo à estrada. Na etapa seguinte, o Benfica viu-se privado do seu melhor estradista, Alfredo Luiz Piedade, devido a fortes dores nos rins, mas ainda foi protagonista de mais um bonito gesto de desportivismo, ao ter cedido a sua bicicleta ao sportinguista João de Sousa, vítima de uma queda aparatosa.
A prova continuou pelas estradas do país, tendo o Benfica terminado num honroso 4.º lugar. Porém, o que mais importa ressalvar foram os constantes gestos de generosidade demonstrada pelos homens do Benfica, glorificando deste modo o desporto nacional.
Conheça outras façanhas do ciclismo benfiquista na área 3 - Orgulho Eclético do Museu Benfica - Cosme Damião."

Ricardo Ferreira, in O Benfica

Emprestadado!!!

"Hoje saiu a notícia que o Futebol Clube Paços Ferreira recebeu o jogador Bruno Costa (ex-Calor da Noite como colocam na imagem de apresentação no site oficial) por empréstimo.
Pois bem, o jogador Bruno Costa, como os nossos caros amigos se devem lembrar, foi comprado pelo Portimonense FC por um ano e meio.
No entanto, há 5 minutos atrás, o Jornal Oficial dos nossos amigos do Calor da Noite, anuncia que o jogador Bruno Costa foi emprestado ao FC Paços Ferreira...Ora bem, como é que o FC Porto empresta um jogador que vendeu ao Portimonense na época passada?

https://www.ojogo.pt/futebol/1a-liga/pacos-ferreira/noticias/pacos-de-ferreira-anuncia-reforco-por-emprestimo-do-fc-porto-12530859.html?utm_source=push&utm_medium=mas&utm_term=12530859 
Fica só mais um reparo, vendido ou emprestado ao Portimonense, Bruno Costa defrontou o Calor da Noite na época passada. Ou seja, se foi apenas emprestado não podia ter jogado contra o Calor da Noite, o que comprova que o jogador foi mesmo comprado pelo Portimonense porque jogadores emprestados não podem jogar contra a casa mãe.
As trafulhices destes filhos da puta não têm fim.
Ninguém falou ou fala nisto. E ninguém vai punir esta ilegalidade. Mais uma ilegalidade com base na promiscuidade Calor da Noite-Portimonense. Siga a frutaria das Antas!

P.S.- Ana Gomes, anda cá ver isto!"

O Brinco da Baptista #50 - Dossier Racismo

Darwin Núñez, poderio ofensivo para a Luz


"Associado pela imprensa ao Benfica, o Ponta de Lança da selecção do Uruguai no último campeonato Mundial de sub20, Darwin Núñez é mais um produto da maravilhosa geração de 99, e aos vinte e um anos já soma uma internacionalização pela selecção principal do Uruguai, jogo no qual marcou, diga-se.
Depois de uma temporada de grande impacto no Almería na Segunda Divisão do futebol Espanhol, é agora associado ao interesse do SL Benfica. 
Mas, quem é e que argumentos poderá trazer para a Luz?
Muito alto mas nem por isso pouco hábil, Núñez não apresenta somente presença na grande área em situação de responder a cruzamentos, mas é um avançado capaz de definir em zonas de criação, jogando de costas e procurando associar-se com entradas dos colegas, e ainda mais um jogador de potência e chegada muito forte para finalizar. Um clássico número nove que segue a tradição de pontas de lança uruguaios com argumentos técnicos de excelência em zona de finalização.
No Benfica poderá perfeitamente acompanhar Cavani na dupla de atacantes, embora pelos seus traços aparente “casar” melhor com Waldeschmidt, que lhe possibilitaria ser o homem mais adiantado sem tantas preocupações defensivas e de ligação. A possível chegada à Luz constituiria um poderio incrível no plantel encarnado, que passaria a contar com três jogadores de enorme qualidade no corredor central nos espaços mais adiantados, para duas posições."

Ligas menos milionárias

"Quando já se disputam os primeiros encontros de qualificação para a fase de grupos da Liga dos Campeões, os grandes clubes da Europa jogam a sua solvência financeira.

Imaginando a pandemia como um jogo de futebol com duas partes, diremos que estamos no intervalo, depois de um primeiro tempo com a “partida” interrompida durante três meses, e um período de “descontos” que trouxe as competições por Agosto dentro, com a Liga dos Campeões a terminar agora, em Lisboa.
É neste período de “intervalo” da pandemia que nos é dado a conhecer o relatório da World Football Summit sobre os efeitos da Covid-19 na indústria do futebol. O documento – “Covid-19 Implications on the Football Industry” (disponível aqui) – alerta que “a recuperação dos efeitos da pandemia de Covid-19 será uma partida longa e dura para a indústria do futebol. Especialistas de topo acreditam que alguns dos desafios colocados por esta crise sanitária sem precedentes vão permanecer pelo menos até 2024”. Ou seja, as ondas de choque deste sismo sanitário sobre as finanças do futebol durarão pelo menos quatro anos.
Especialistas desta indústria classificaram com notas entre 1 e 7 os impactos causados, e entre os 23 critérios avaliados aparecem “eventos”, “receitas” e “clubes”, com nota acima de 6 (em 7!). A realidade afigura-se, pois, desafiante, e reforça a urgência de repensar estratégias de investimento numa indústria que só em passes de jogadores movimenta anualmente milhares de milhões de euros – um documento da FIFA relativo à última época aponta para 5,6 mil milhões de euros transferidos de ou para clubes europeus. Entre os tradicionais patrocinadores dos clubes e da indústria, o impacto está a ser de 5,16 (na referida escala de 1 a 7), o que prefigura que estes se tornem mais “frugais” na renovação dos contratos de patrocínio.
Quando já se disputam os primeiros encontros de qualificação para a fase de grupos da Liga dos Campeões (na qual o FC Porto tem entrada directa e o SL Benfica depende da vitória em duas rondas para assegurar uma presença que, nos últimos exercícios, garantiu cerca de 20% das receitas totais da SAD), os grandes clubes da Europa jogam a sua solvência financeira.
Pegando no exemplo do mais recente empréstimo obrigacionista de uma SAD portuguesa, no caso do SL Benfica, o prospecto (documento que obriga as sociedades a identificarem os riscos previsíveis da sua actividade) é claro a identificar o que pode correr menos bem.
O prospecto da operação, publicado em Junho de 2020 no site da CMVM, admitia que “ainda estão por determinar na sua totalidade” os efeitos da paragem das competições provocada pela pandemia da Covid-19. E, sobre esta paragem (que ninguém arrisca dizer se terá ou não repetição já neste Inverno), o documento é claro: “terá um impacto significativamente adverso no âmbito desportivo e, sobretudo, económico e financeiro […] Esse efeito adverso poderá manifestar-se de várias formas, nomeadamente na redução de prémios da UEFA, redução das receitas de bilheteira em virtude da realização de jogos à porta fechada e diminuição das transacções de atletas ou do seu valor, o que poderá afectar significativamente a actividade do Emitente, o seu desempenho e situação financeira”.
Diga-se que estes danos não diferem de todas as SAD dos chamados “grandes” do futebol nacional. É neste cenário que vemos terminar a época 2019/2020, com o término da Liga dos Campeões, a “Liga Milionária”, em Lisboa, e já assistimos à preparação para a próxima, mais incerta que o resultado da final de dia 23 no Estádio da Luz."

Benfica After 90 - Florida...

João & Markus... Alemanha!

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Helton Leite, Gilberto, Pedrinho e Diogo Gonçalves: upgrade ao banco de suplentes?

"Como tem sido noticiado e facilmente visível, o SL Benfica está a investir fortemente neste mercado de transferências, com o objectivo de construir uma equipa que domine a nível interno e, igualmente, se consiga bater com outra qualidade e rendimento no plano internacional, ao contrário do que tem acontecido nas últimas temporadas. Como tal, são, até ao momento, já seis os reforços para o plantel encarnado (Cavani está próximo de ser oficializado e assim se tornar o sétimo), ao qual também se junta o regresso de empréstimo por parte de Diogo Gonçalves.
De facto, é inegável a grande expectativa para ver em acção nomes mais sonantes e que deixaram água na boca no universo encarnado, nomeadamente os de Jan Vertonghen, Everton “Cebolinha” e Gian-Luca Waldschmidt, quer pelo avultado montante investido na contratação dos jogadores em questão, quer pelo facto de se tratarem de jogadores já feitos, com experiência, qualidade e atributos diferenciados que certamente marcarão uma nova etapa no futuro do clube da Luz.
No entanto, no futebol actual, cada vez é mais necessário ter um plantel equilibrado, com soluções para as diversas posições e que, consequentemente, possa impedir quebras de rendimento em caso de fadiga, castigos ou lesões por parte dos elementos habitualmente escolhidos para o 11 inicial. Assim sendo, hoje, escrevo sobre quatro nomes que tanto poderão disputar e ocupar um lugar na equipa de Jorge Jesus como, por outro lado mas igualmente importante, serem alternativas válidas para a rotatividade e colmatar algumas situações que surjam no decorrer duma época que se prevê bastante longa e desgastante (começando logo com as eliminatórias de acesso à Liga dos Campeões), garantindo um banco forte e com qualidade.

1. Diogo Gonçalves – Por fim, resta fazer referência a Diogo Gonçalves, que regressa para fazer pré época com o plantel, depois de dois empréstimos consecutivos (Nottingham Forest FC em 2018/2019 e FC Famalicão em 2019/2020), sendo que no empréstimo aos famalicenses demonstrou toda a sua qualidade e capacidade para ser novamente uma opção válida (com 34 jogos, sete golos e dez assistências em todas as competições) nos encarnados, depois da aposta e algumas oportunidades na época de 2017/2018, ainda com Rui Vitória à frente da equipa.
Apesar da versatilidade e polivalência que apresenta, juntamente com o amadurecimento no FC Famalicão e maior experiência na Primeira Liga, ainda não é certa a sua permanência definitiva no plantel. Para lateral direito, já há André Almeida e Gilberto, tendo Jorge Jesus dito, em entrevista à BTV, que serão os dois a disputar a vaga pela posição. Já nas alas, há jogadores como Everton “Cebolinha”, Rafa, Pedrinho, Pizzi (ainda que Jorge Jesus tenha dado a entender que será mais utilizado no centro do terreno), juntamente com outros atletas que, até à data, continuam no plantel encarnado, tais como Franco Cervi, Andrija Zivkovic e Jota.
Veremos qual o futuro do português, se a permanência na equipa, sendo uma opção válida para diversas posições, nova saída por empréstimo ou, desta vez, uma saída definitiva, permitindo um encaixe financeiro ao clube, altamente sobrecarregado pelos atuais gastos em compras.

2. Pedrinho – Para as alas, chega o talentoso Pedrinho, com 22 anos, vindo do SC Corinthians, por uns elevados 20 milhões de euros, numa contratação que, quando foi confirmada, provocou imensas dúvidas nos adeptos encarnados e também muita discussão em terras brasileiras em consequência da relação valor/qualidade, levando até o seu agora treinador Jorge Jesus a afirmar que, pelo valor pelo qual foi contratado, existiam melhores opções no Brasileirão.
Apesar do elevado montante investido, o certo é que se trata de um jogador com características que o diferenciam dos restantes extremos que o SL Benfica possuía em 2019/2020: finta, imprevisibilidade, capacidade de jogar entrelinhas, técnica e muito forte no 1×1. Terá de aprender várias noções e dinâmicas do ponto de vista táctico, finalizar com outra qualidade (o seu historial a nível de golos não é fantástico, bem pelo contrário) e compensar também defensivamente numa equipa que se prevê que seja obviamente ofensiva.
Além de jogar preferencialmente na ala direita, flectindo para o meio e oferecendo muita capacidade de jogo interior, pode também actuar na esquerda e como segundo avançado, oferecendo, deste modo, um leque de soluções e uma versatilidade extremamente apreciada pelo técnico Jorge Jesus.
Talvez não inicie a época como titular, mas será certamente um elemento com oportunidades e, quiçá, importância no SL Benfica 2020/2021.

3. Gilberto – Para a defesa encarnada, mais especificamente para a ala direita, chegou outro nome brasileiro e já com alguma experiência (27 anos), neste caso, Gilberto, saído do Fluminense. Contratado por cerca de três milhões de euros, o lateral assinou contrato até 2025 e prepara-se para disputar com André Almeida a vaga pela posição de lateral direito, algo carenciada desde 2017 (após a saída de Nélson Semedo para o FC Barcelona).
Muito forte fisicamente e com capacidade atlética considerável, Gilberto tem como cartão de visita a velocidade, cruzamento e a chegada ao último terço ofensivo, sendo bastante forte nesse aspecto. Em sentido contrário, apresenta algumas debilidades tácticas e fragilidades do ponto de vista defensivo, sobre as quais Jorge Jesus provavelmente terá de fazer um trabalho específico de forma a melhorar os aspectos referidos.
No entanto, o jogador já havia sido um pedido do técnico português quando este se encontrava no CR Flamengo; na altura, a transferência acabou por não se concretizar, mas agora, no SL Benfica, o treinador optou novamente por tentar contratar o defesa direito brasileiro, desta vez com sucesso. Com a sua chegada, certamente aumentará a competição pela posição e, previsivelmente, o clube terá duas opções mais equilibradas sem se notar tanto a diferença em caso de ausência do possível titular.

4. Helton Leite – Começando pela baliza, Helton Leite, de 29 anos chega ao SL Benfica proveniente do Boavista FC, tendo assinado um contrato válido por cinco temporadas. À partida, tudo leva a crer que será o suplente de Odysseas Vlachodimos, sendo, claramente um upgrade em comparação com Zlobin que, na época transacta, quando foi chamado para defender as redes encarnadas na Taça de Portugal, não se mostrou preparado para o peso da tarefa e responsabilidade.
Na época passada, Helton Leite foi um dos melhores guarda redes da Primeira Liga, evidenciando excelentes reflexos, segurança, jogo de pés, posicionamento e elasticidade. Contudo, a meu ver, poderá melhorar noutros aspectos, tais como as saídas e a cobertura da profundidade, algo preponderante para Jorge Jesus que, como se sabe, é um apreciador da defesa subida, em função do futebol de ataque e elevada pressão que pratica. Por fim, as lesões têm sido outro aspecto menos positivo do guarda redes brasileiro e que, por vezes, o têm impedido de demonstrar todo o seu valor."

Lá fora: "El Súper Benfica"

"Cá dentro: A idade, o investimento, a fiscalidade, a pandemia, aquilo que outrora eram jogadores que vinham dar prestígio à Liga Portugal passou a indecência ou irresponsabilidade.
Este País é demasiado pequeno para a grandeza do Sport Lisboa e Benfica."

Herança de peso para Robinho

"Inicia-se uma nova era no futsal do Sport Lisboa e Benfica, com a saída há muito anunciada de antigo capitão e símbolo do clube, Bruno Coelho, para o projecto do ACCS, em França. Tal abriu uma grande interrogação no seio do clube encarnado: qual seria o novo capitão das águias a partir da próxima época 2020/21. Com esta baixa de peso, caberia à estrutura benfiquista encontrar um jogador com o perfil indicado e um misto de experiência e capacidade de liderança para ser a extensão do treinador em campo. 
A escolha acabou por recair sobre um dos jogadores mais influentes e o mais experiente do actual elenco, o brasileiro Robinho. Com 37 anos de idade e a caminhar para o seu quarto ano com a camisola do Benfica, o brasileiro naturalizado russo é dos futsalistas do actual plantel aquele que melhor encarna, na minha opinião, a garra e a vontade que o misticismo e a rica história das águias merece.
A herança deixada pelo seu antecessor é muito pesada, pois Bruno Coelho é um dos grandes jogadores das águias e obviamente, um dos capitães mais consensuais e indiscutíveis, pelo que a tarefa de Robinho não se avizinha nada fácil. Mas, pelo menos, pode ajudar a integrar os jogadores jovens e inexperientes e faze-los sentir a importância e o peso de vestir o “manto sagrado”.
Nesse papel acredito que o experiente ala irá auxiliar os jovens que estão a dar o salto para a equipa principal. O resto, como se costuma dizer, teremos que aguardar pelos próximos episódios e pelo desenrolar da próxima temporada. Como o próprio jogador admitiu, a sua responsabilidade dele irá aumentar bastante e como tal, só o avançar da competição é que irá mostrar o real valor de Robinho enquanto capitão do Benfica.
Eu defendo sempre que, antes de se criticar ou elogiar prematuramente uma decisão, devemos dar o benefício da dúvida e um voto de confiança aos escolhidos e depois sim, fazer uma análise crítica e fundamentada."

Evanilson, o habilidoso gigante


"Como ponta de lança ou partindo da posição de extremo, quando actua em simultâneo com Fred, o miúdo Evanilson (20 anos) é a nova atracção do futebol no Rio de Janeiro. Ele que representa o Fluminense desde bem jovem, mas que tem a curiosidade de ter passado pela Liga Eslovaca.
Qualidades condicionais extraordinárias, surpreende pela invulgar habilidade com que se move e executa para quem tem tal perfil morfológico.
Mestre das diagonais curtas para aparecer a finalizar, aceleração, drible e capacidade de finalização que lhe valeram uma soma anormal de golos no Brasileiro Sub20, e que o tornaram atracção do Carioca 2021. 
Eis Evanilson, mais um jovem de potencial tremendo que o futebol brasileiro vê emergir."

Uma frase de pascal...

"Nos Pensamentos, Pascal (1623-1662), matemático e físico e filósofo e teólogo, de ideias imorredoiras, afirmou: “o homem nada mais é do que um caniço, o mais frágil da natureza, mas um caniço pensante. Não é necessário que o universo inteiro se reúna, para massacrá-lo. Uma gota de água basta para matá-lo. Mas, se o universo um dia o eliminar, o homem continua mais nobre do que os elementos que o eliminaram, pois que sabe por que morre. Toda a nossa dignidade consiste, portanto, em pensar”. Alain Touraine acrescenta, a este propósito, na sua Crítica da Modernidade: “a história da modernidade é a história da dupla afirmação da razão e do sujeito”. Os filósofos do século XVIII (o século, por excelência, do racionalismo) converteram a Razão numa espécie de divindade, capaz de ler o universo todo e conduzi-lo à resolução das necessidades humanas mais instantes. É pela Razão, segundo a filosofia racionalista, que pode contemplar-se a Verdade. Mas o paradigma desta filosofia (também chamada “iluminista”) era a física de Newton. O corpo jazia rodeado por um ferrugento arame farpado de ideias e não passava de um objeto ao lado dos outros objectos. A tanto levou o racionalismo: ao corpo-objecto! A visão do corpo era simplesmente mecânica e relojoeira. O médico mais célebre do Iluminismo, La Mettrie (1709-1751) escreveu um livro, L´Homme-Machine (O Homem-Máquina) que faz do ser humano uma simples máquina, chegando ao extremo do mais dogmático mecanicismo, ateísmo e materialismo. Pascal, no entanto, que inventou a primeira máquina de calcular, que se conhece, com o seu espírito científico sempre temperado de filosofia e teologia, também deixou escrito algumas frases que ficaram célebres e onde o racionalismo se põe em questão: “O coração tem razões que a própria Razão desconhece”…
Max Weber identificou modernização com racionalização, dado que a modernização se expressa pela permanente e cada vez mais complexa racionalização da sociedade, mormente do conhecimento científico. Não é por isso de estranhar-se que numa sociedade que se julga solidamente científica prevaleçam o empirismo, o positivismo, o realismo, o materialismo e o célebre princípio marxista: “não é a consciência dos homens que determina o seu ser, mas é o seu ser social que determina a sua consciência”. Só que se num primeiro momento a Igreja Católica, em Portugal, se sentiu enfraquecida pela ausência de simpatia e de apoio dos diversos governos republicanos, o exercício intelectual e pastoral de Gonçalves Cerejeira (futuro Cardeal Patriarca de Lisboa e “lente” na Faculdade de Letras), entre os estudantes da Universidade de Coimbra; a criação do C.A.D.C. (Centro Académico de Democracia Cristã), que logo nas primeiras reuniões se impõe um “espírito” que nunca mais se havia de perder: o alheamento da política partidária, a preocupação da integral formação dos estudantes e, finalmente e ainda mais, uma disciplinada e consciente subordinação à autoridade da Igreja. Folheio, agora o livro Fátima e a Cultura Portuguesa (D. Quixote, Lisboa, 2018), da autoria do escritor e filósofo Miguel Real, onde pode ler-se: “Porém, a grande resposta da Igreja ao republicanismo foi dada (de um modo lateral às instituições e totalmente inesperado para a hierarquia) pela irrupção das Aparições de Fátima” (p. 84). E, duas páginas adiante, escreve Miguel Real: “Do ponto de vista do pensamento católico em Portugal, A Igreja e o Pensamento Contemporâneo (de Gonçalves Cerejeira) é um livro notável , operando o ponto de situação metafísico, teológico e epistemológico das relações entre a ciência e a religião, na Europa contemporânea”. De salientar o seguinte, no que à “formação física” diz respeito dos sócios do C.A.D.C.: foi, nesta organização académica, que se ergueu um ginásio e se organizaram cursos de ginástica, em espaço universitário. Mas… “não se tendo lançado na febre do desportismo” (Padre Luís Lopes de Melo, O Centro Académico de Democracia Cristã (História Breve), Coimbra, 1951, p. 12).
O mundo que o Iluminismo criou tem muito do que é seu transformado em clamorosas ruínas. Tenho a sensação, por vezes, que só leio coisas já ditas. Faltam-nos mestres. “Deus morreu” proclamou-o Nietzsche, num desespero incontido. Foucault, tão niilista como Nietzsche, garante que o homem morreu também. E, no entanto, para ele, o homem é uma invenção recente, não passa de um conceito filosófico que a modernidade inventou – afinal, uma criatura, com 200 ou 300 anos de vida! Resta-nos pensar sobre o vazio do homem desaparecido. Tem razão o Heidegger quando afirma que o homem é tão-só um ser-para-a-morte? Michel Foucault morreu de sida, num hospital parisiense, em 1984. E deixa-nos um legado de morte para todos os quadrantes da vida. Como estranhar que neste árido clima se escutem apelos a uma renovação do pensamento? Pois não é verdade que também há quem nos diga palavras donde sai um autêntico acorde… que nos deixa em êxtase? “Somos em grande medida habitados pela possibilidade de Deus”. Sem esquecer jamais que “a crença num conhecimento muito estável muitas vezes precipita-nos numa espécie de idolatria. A gente tem de perguntar-se sempre: o que é que me traz mais próximo de Deus? O saber ou o não saber? A procura de uma segurança a todo o custo ou a confiança esperançada numa amizade que amadurece?”. E este pensamento que nos deixa sentido, num mundo em crise de sentido? “Não há misericórdia sem excesso. Se queremos ser pessoas moderadas, se queremos ser apenas justos, se queremos fazer apenas o que está certo, seremos até boas pessoas, mas não conheceremos o Evangelho da Misericórdia. Porque o Evangelho da Misericórdia pede de nós um excesso de amor: que sejamos capazes de abraçar a vida ferida e que percebamos tudo sem necessidade de dizer muito”. José Tolentino Mendonça: é um dos meus autores preferidos. Com ele aprendo sempre que é possível ser feliz, feita a ressalva que não há felicidade sem transcendência! De facto, na obra do Cardeal Tolentino Mendonça, há uma Verdade para além da verdade histórica dos nossos anseios e dos nossos sonhos, que só pela transcendência se pode imaginar. E que tem sentido… 
Na prosa poética de Jorge Valdano, os treinadores e os futebolistas avultam sempre como figuras de actualíssima projecção, muito oportuna nos dias que nos assistem: “O capitalismo já ocupa todos os espaços, também no futebol. Como o pragmatismo não se discute e o futebol não tem uma claque própria, aceitamos com resignação as palavras de Simeone: “O resultado não é o mais importante, é a única coisa”. Os treinadores têm o direito de o dizer, porque são os primeiros a sentir a guilhotina por um mau resultado. Mas a frase é uma falta de respeito pelo futebol enquanto fenómeno, “ópera dos pobres”, que provoca sobressaltos emocionais e estéticos e que eleva, em algumas ocasiões, jogadores e equipas a picos heróicos. Para Simeone, o resultado é uma questão de sobrevivência, mas se o futebol fascina é porque tem a ver com o orgulho, a identidade e a aspiração de grandeza. Numa só palavra, com a glória. Se o único critério social que mede o êxito é o dinheiro, não podemos estranhar que o único critério futebolístico que mede o sucesso seja o triunfo” (A Bola, 2020/8/15). De facto, “o capitalismo já ocupa todos os espaços, também no futebol”. Há muito tempo o senti. Por isso, respigando no que escrevi, pode encontrar-se: “E se o Desporto emerge tão-só como um dos subsistemas do sistema “capitalismo” ele não passa de simples mercadoria, à imagem do que se passa com o próprio corpo (…). No corpo, o que mais se consome e publicita são as suas qualidades físicas, morfológicas e sexuais. Prometem-se força física, ombros largos, cinturas finas, orgasmos tensos e intensos, como quem vende sabão, lixívia, ou outro produto deste jaez (…). O turvo presságio de Marx poderia aqui invocar-se: na sociedade capitalista, a prostituição da mulher acontece, lado a lado, com a prostituição generalizada do trabalhador. A reificação do corpo significa a reificação do trabalhador” (Algumas Teses sobre o Desporto, Compendium, Lisboa, 1999, p. 12). Mesmo o Ronaldo, o Messi e o Neymar… que ganham milhões, também para esconder a esmagadora maioria dos futebolistas profissionais que ganha “tostões”. Mas volto ao meu querido Amigo e Mestre, José Tolentino Mendonça, na revista do Expresso (2020/8/15): “Penso que uma forma de preparação decisiva, no nosso mundo incerto, é aquela que nos chega, através da capacidade de pensar”."

Cadomblé do Vata (milhões!)

"Então e aquele pessoal que há um ano via em silêncio esfingico, um clube sob alçada do Fair Play Financeiro da UEFA, com parcos 7 milhões de lucro no Relatório e Contas, investir quase 65 milhões de euros em reforços e que agora se contorce todo da língua quando um clube que nunca foi intervencionado pela UEFA e que no ultimo Relatório apresentou 104 milhões de lucro, planeia investir 80 ou 90 milhões de euros em craques?"

Patrick de Paula, da favela para o mundo


"«Na favela era tiro para cá, tiro para lá, vai tremer em penalty?
O moleque há dois anos e meio estava na favela jogando pelada. Lá onde ele morava, na comunidade dele, o tiro ‘come’ para lá e para cá, ele tinha que se esconder aqui e ali. Ele não está nem aí para bater pênalti. É um jogador que nasceu jogador de futebol. Não vai tremer nunca.»
Wanderlei Luxemburgo

Foi a grande revelação do Paulistão 2020 e ainda ficou para a história como o marcador do golo do triunfo do Palmeiras na competição.
Depois de um empate entre os rivais Palmeiras e Corinthians, a grande final decidiu-se na marca das grandes penalidades, e aí uma vez mais Patrick de Paula deixou a sua marca, assumindo a responsabilidade de bater o penalty final que valeu o triunfo do verão sobre o até então tricampeão Corinthians.
Médio centro com enormes argumentos técnicos e físicos, Patrick enche o campo com elegância e capacidade para progredir em posse. Com pouco erro, mesmo quando assume riscos à qual alia disponibilidade e qualidade defensiva, De Paula é mais um jovem brasileiro que a Europa descobrirá em breve."

As Águias #63 - Season Finale...

João, Pedro e Miguel... Trio!