Últimas indefectivações

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Futebol: Raiz e Utopia

"A revista “Raiz e Utopia – crítica e alternativas para uma civilização diferente”, iniciativa de José António Saraiva e de muitos dos maiores vultos da cultura nacional (editada entre 1977 a 1981) foi um dos marcos muito importantes para a mudança das mentalidades e para o crescimento civilizacional. Por isso, a memória, a inovação, a criatividade que se deve à Raiz e Utopia.
Sempre estabeleci ligação entre a revista e o futebol como expressão de viver a vida em comunidade. 
Hoje, o tempo é também de fracturas, de diferenças, de originalidade, de tecnologia e de capacidade de superação de equipas perante adversários que jogam nos extremos (seja de violência, de ignorância, de injustiça e de corrupção e prepotência) e de equipas que continuam a revelar a coragem da frontalidade, a capacidade de inclusão, a inteligência de pensar sem se resignar perante qualquer obstáculo. Liberdade como táctica vencedora, diversidade como estratégia e genialidade como drible invencível.
O futebol será sempre um espaço privilegiado para procurar entender, observar e talvez concluir sobre o estado do país e das mentalidades, como laboratório único onde as emoções, sentimentos, padrões culturais e arte se manifestam com as suas virtudes e contradições.
Mas também um património de amizade, de memórias, um universo paralelo que faz mover as galáxias.
Os sonhos nascem das jogadas conseguidas ou imaginadas naquele rectângulo especial onde tudo acontece, por talentos que vivem para sempre.
O envolvimento social, as marcas de cada época, as ideologias, a violência, as lideranças (por vezes ridículas) que não param de mistificar e de utilizar o futebol para objectivos e finalidades que lhes são adversos, são dificuldades acrescidas que os adeptos (amantes do futebol) vão conseguindo derrotar mantendo a simplicidade aparente de um jogo, de uma utopia de criança.
E quando a bola inicia o movimento tudo pode acontecer, inclusive vencer.
Raiz, o que temos; Utopia, o que tentaremos alcançar porque não impossível mas somente ainda não atingida.
Pensar futebol, o que temos e o que poderemos ter, o desafio que nunca nos abandona e sempre nos desafia: desportista nunca desiste e vive para superar obstáculos. O futebol atravessa uma fase única mas determinante. Há adversários cada vez mais poderosos. Sente-se uma mentalidade de oportunismo financeiro à escala global sem equacionar riscos e consequências – só curto prazo.
As contínuas mudanças de regras e competições revelam a ânsia de domínios que se pretendem impor, essencialmente para enriquecimentos instantâneos, por mais estranhos que possam parecer, bem como um aproveitamento da globalização que mais se assemelha a uma ficção monocromática. 
Eles andam por aí e têm “olhos e ouvidos” em todos os lugares. Dizem que há quem se venda!
Que há quem traia valores que sempre defendeu!
Inventam-se currículos, criam-se mitos e estruturam-se empórios com gabinetes de especialistas do usufruto alheio. Há mesmo quem se especializa na mentira, na adulteração de imagens, na criação de cenários de polémica e de ódios, e lança, com o ar mais cândido, falsidades que certamente lhes trazem benfeitorias desde que encomendadas por quem “pode”… até que deixe de o poder.
Num jogo de futebol, numa discussão política no Parlamento, na análise de um acontecimento ou decisão governativa, não temos todos o dever de primeiro reflectir no assunto, de pensar como nos for possível e de trocarmos ideias para um esclarecimento útil?
Pensar, porém, é exercício que alguns procuram impedir (Orwell demonstra-o de forma clara) talvez por ser um dos momentos mais sublimes do existir.
Criam-se cenários contraditórios, incendeiam-se ânimos, disfarçam-se estratégias e incompetências e há quem se apodere do alheio sistematicamente, quem destrua a confiança, quem crie divisões para assim continuar a alimentar, com subserviências inconcebíveis, desprestigiantes e intoleráveis, os vícios de alguns usurpadores (por vezes, as mesmas famílias há décadas sucessivas) que nunca tiveram a arte e o engenho de dominar uma bola, de a conduzir e de lhe aplicar um remate certeiro ao ângulo da baliza por mais imaginária que for.
Como gladiadores romanos, findo o prazo da capacidade física, da utilidade no espectáculo, abandonam-se memórias e pessoas ao esquecimento e à miséria.
Raiz e utopia. Futebol.
De facto, temos um futebol com jogadores brilhantes, treinadores competentes e selecções vencedoras.
E os planos de desenvolvimento, os projectos de futuro? Isso é outro universo.
Para jogar ou treinar é indispensável possuir um conjunto de “habilitações” específicas.
Mesmo os adeptos dominam memórias, episódios e patrimónios que enriquecem aplausos e que são indispensáveis para apoiar as suas equipas. Eles são essenciais ao jogo e dão-lhe a dimensão, a utopia única.
De alguns dirigentes é que não se pode dizer o mesmo. O movimento associativo é e será sempre uma manifestação de vitalidade e autonomia da cidadania.
Porém, há tendências unanimistas de poder, há estratégias para subir velozmente degraus hierárquicos, há ambições desmedidas que não têm raiz que as suporte.
A falta de rumo, de visão, de missão, mesmo com vitórias de conjuntura, trará sempre consequências prejudiciais.
Analisar os fluxos monetários, as enormes equipas de assessores, a interminável compra e venda de jogadores de qualidade discutível, as constantes alterações para fortalecer o futebol-negócio acima de tudo, as permanentes mudanças nas regras e nas competições, a utilização de novas tecnologias com desvios inqualificáveis, a colocação de “exércitos adversários e guardas pretorianas” em todos os cantos, a valorização da violência e do sectarismo para impedir que o pensamento funcione livremente, são alguns dos resultados de quem não conhece, não gosta nem sabe jogar ou ver futebol. O contraditório nunca pode estar fora-de-jogo.
Vestígios de raiz:
- Dirigentes e assembleias gerais polémicas não ajudam a fortalecer a imagem do futebol.
- Centrar a paixão do jogo nos jogadores e treinadores.
- Segurança nos estádios para adeptos.
- Menos polémicas desviantes.
- Tempo útil de jogo na Liga I: muito reduzido – como optimizar?
- Muitas simulações exageradas ou falsas, sem sanção – o crime compensa!
- Muita contestação de jogadores junto de árbitros numa proximidade física exagerada.
- Árbitros com necessidade de melhor formação e avaliação mais exigente.
- Pouca intensidade e reduzido ritmo competitivo.
- Modelo e dimensão da Liga.
- Contratações sem critério: exagero de novas contratações nas janelas de transferências.
- Instabilidade permanente das lideranças das equipas.
- Arbitragens de fraco nível e muito permissivas, com perda de tempo.
- Decisões de CD da FPF sem a coerência necessária.
- Distanciamento da FPF e da Liga às realidades concretas do nosso futebol, a todos os níveis.
- Da arbitragem de Manuel Mota – 100% (Estoril x SCP) à arbitragem do SCP X Feirense: um descalabro total do VAR – como é possível?
- Regime de empréstimos e limite de planteis.
- Dívida, como procurar resolver um problema terrivelmente asfixiante?
- Desperdício de tempo e de recursos com minudências e protagonismos estéreis.
- Venda de jovens jogadores/talentos para o estrangeiro, muito precocemente (por vezes prejudicando a sua evolução).
Vestígios de utopia:
- Obrigatório pensar e conhecer os sinais do tempo.
- Indispensável agir para encontrar soluções para superar dificuldades: pensar futebol sempre.
- Criar planos de apoio a clubes com metas definidas (em função de critérios de fair play e qualidade de formação de jogadores).
- Liga II + Campeonato Nacional sub-23, o que vem aí?
- Estratégia para atracção de mais público local a apoiar – segurança garantida.
- Plano nacional para optimizar a formação de jovens jogadores.
- Formação contínua de treinadores, gratuita (particularmente para treinadores de competições não profissionais) e com âmbito nacional.
- Criar condições de formação de excelência para árbitros e condições de protecção e autonomia.
- Atitude dos dirigentes em defesa do futebol com regras precisas que limitem “habilidades” destrutivas.
- Falta de apoios para desenvolver o futebol em geral e não se limitar a apoiar sócios de classe da FPF com reforços sistemáticos de verbas, que parecem prémios de fidelidade e de silêncio.
- Economicamente, a FPF é um fantástico case study – falta maior transparência também nos critérios de distribuição de verbas e planos para potenciar a qualidade do nosso futebol.
- Títulos europeus são momentos importantes que alcançam dimensão futura quando se repercutem no desenvolvimento do sistema desportivo e na qualificação de dirigentes – se assim não for só serão mais uma data no calendário, embora sempre importante.
- Vencer é importante, mas estar sempre no grupo dos que podem vencer muitas vezes é muito mais importante.
- Para estar no desporto é indispensável trabalhar para encontrar soluções para os desafios que se colocam e manter uma cultura de valorização do que é nosso.
A imparável evolução tecnológica, os avanços da investigação científica, a possibilidade de criação de superatletas em laboratório, de interferir no ADN, a decisão de escolha de modalidade por critérios científicos, a capacidade em reduzir lesões por processos de manipulação científica, os novos jogos virtuais, podem ser possibilidades importantes, mas em jogos e actividades novas.
O futebol, património da Humanidade, evolui naturalmente (equipamentos mais leves e seguros) mas será sempre o jogo sedutor em que atletas dominam uma bola, com paixão, driblam com eficácia, libertam emoções em passes certeiros e potenciam sentimentos em golos únicos e inesquecíveis. Defender o futebol, como jogo onde os tempos se fundem e a humanidade se reencontra, é raiz que procurarei alimentar sempre com cuidado e desvelo.
Quanto aos novos jogos, que tenham o seu percurso, que cresçam e mantenham condições de inclusão e de sociabilidade…
Mas futebol é outro mundo: é outra dimensão! É sempre uma utopia a perseguir."

António-Pedro Vasconcelos: um discurso sobre a liberdade

" “Com a idade de 15 ou 16 anos, experimentei uma sensação de estranheza quando, ouvindo o relato do que se discutia, no Tribunal de Nuremberga, escutei os advogados de acusação e de defesa dando maior realce aos aspectos jurídicos dos crimes horrendos do nazismo do que aos seus aspectos psicológicos, sociológicos, éticos, políticos, ou seja, aos seus aspectos mais fundamente humanos”. Este é um texto de Jurgen Habermas (ainda felizmente vivo, com 88 anos de idade) que assim continua: “Como foi possível que numa cultura que integrou Hegel e Marx, dois autores onde o tema da realização concreta da liberdade adquire tamanha importância, tenham nascido o Hitler e os nazis? Como foi possível que os alemães não se tenham levantado, como onda gigante, contra esta monstruosa patologia social?”. E, a partir daquele momento, Habermas concluiu que a Razão, a Liberdade, a Justiça não poderiam estudar-se, unicamente, como questões teóricas, porque eram principalmente questões social e politicamente práticas. No seu livro Conhecimento e Interesse, Habermas distingue três interesses cognitivos: o técnico, o prático e o emancipatório: “O acesso às ciências analítico-empíricas incorpora um interesse cognitivo técnico; o acesso às ciências hermenêutico-históricas incorpora um interesse prático; e o acesso às ciências criticamente orientadas incorpora um interesse cognitivo emancipatório”. São demasiado evidentes, em Habermas, os significados de “técnico”, nas ciências analítico-empíricas, e de “prático”, nas ciências histórico-hermenêuticas (para muitos, ciências sociais e humanas). Mas… as ciências críticas? São aquelas que não dispensam a autorreflexão, como a psicanálise, em Freud, e o materialismo, em Marx, visando um objectivo emancipatório – autorreflexão que pretende libertar o sujeito do jugo dos poderes hipostasiados. E que portanto pretende ser reflexão, mediação, transformação.
Venho de ler dois livros do cineasta (e ainda escritor e intelectual e conhecido benfiquista) António-Pedro de Vasconcelos, O Futuro da Ficção e Um cineasta condenado a ser livre. Neles e no diálogo de amigos que vamos mantendo, assoma sempre o itinerário pensante do António-Pedro, não como os que memorizam, com unção e reverência, o saber alheio, para o repetir acriticamente, mas como os que fazem do saber alheio um interlocutor indispensável na demanda das questões que se procuram. É um homem de esquerda, salientando portanto o papel inapagável de Karl Marx, na história da humanidade, principalmente o seu humanismo - um humanismo real e não só um humanismo retórico, filantropicamente encomiástico, caridoso nas palavras, indiferente nas ações. Poderemos citar, a propósito, um dos grandes marxólogos do nosso tempo, José Barata-Moura: “O humanismo de Marx não é a celebração oratória de uma humanidade idealizada, para pequenos efeitos burgueses de gestão compensatória das abençoada ordem capitalista de exploração; do mesmo passo que também o seu comunismo não representa qualquer incarnação apoteótica de verdade eternas de recorte moralista, nem qualquer triunfo utópico de devaneios profético-organizativos, congeminados até ao pormenor por exuberantes e bem intencionados melhoradores do mundo” (Materialismo e Subjectividade, Avante, Lisboa, 1997, pp. 151/152). Também, em António-Pedro Vasconcelos não se descobrem, nas suas palavras, “verdades eternas”, porque o seu humanismo significa devolver ao homem todo e a todos os homens o que ao homem pertence, a sua humanidade, lutando sempre contra as condições adversas que a dialética da história lhe apresente.
Palavras sábias estas que o António-Pedro faz suas: porque é um ser humano e ainda porque é um artista e, como tal, um homem constitutivamente livre e libertador. É ele a dizê-lo, com uma nitidez que não admite dúvidas: “Para mim, a liberdade é um valor inalienável e é o valor supremo. É a base da relação que tenho comigo e com os outros, com o mundo e com o futuro. Em última análise, eu sou responsável por aquilo que me acontece. E isso, para mim, afastou o problema de Deus, mesmo que eu pense, como o Orson Welles, que nós temos de acreditar em qualquer coisa de superior” (António-Pedro Vasconcelos: um cineasta condenado a ser livre, diálogo com José Jorge Letria, Guerra & Paz, Lisboa, 2016, pp. 61/62). Num livro admirável, uma síntese magistral da história da arte, na cultura ocidental, António-Pedro manifesta-se radicalmente livre. Radicalmente? Sim, porque ser radical (e relembro Marx, como o António-Pedro o faz tantas vezes): “ser radical é tomar as coisas pela raiz”. Só que, “para o homem, a raiz é o próprio homem”, ou seja, o horizonte, onde o homem se projecta, é autenticamente humano. Desde os geniais artistas florentinos até a Holywood a história da arte pode resumir-se numa “longa luta em que os grandes criadores se batem pelo reconhecimento do seu estatuto e procuram libertar-se da autoridade dos Papas, dos mecenas e dos poderosos. Miguel Ângelo, enfrentando a autoridade de Júlio II, ao pintar, como quis, O Juízo Final; Ticiano, a quem Carlos V, o homem mais poderoso do Universo, apanhou do chão o pincel que ele deixara cair, impondo-se naturalmente pelo reconhecimento do seu génio”. E continua, avocando outros nomes, outros artistas: “Griffith, que inventou o cinema, com O Nascimento de uma Nação, reclamava para a 7º arte a mesma liberdade que tiveram os autores da Bíblia e Shakespeare (António-Pedro Vasconcelos, O Futuro da Ficção, Fundação Francisco Manuel dos Santos, Lisboa, 2012, p. 52). No cineasta António-Pedro Vasconcelos, é a liberdade que melhor assume o espaço ontológico do humano, do verdadeiro humanismo. Sem liberdade, a humanidade não acontece…
Os meus almoços quinzenais com o António-Pedro extravasam facilmente dos planos do cinema ou do desporto, em direcção a outras incursões teóricas, sem desconhecermos, tanto ele como eu, que a práxis, enquanto acção política, concita um maior interesse. É conhecida a sentença de Marx: “O indivíduo é o conjunto das relações sociais”. Um cristão-católico, Saint-Exupéry, diz quase o mesmo: “O homem não é mais do que um nó de relações, são as relações o que mais conta, para o homem”. Gramsci afirmou, sem titubear: “O homem é um processo, é precisamente o processo dos seus actos”. De facto, cada um de nós é aquilo que faz. E eu quero fazer-me, fazendo bons amigos. O que é um “bom amigo”? Para mim, é o que tem sede de uma sólida amizade. Há duas semanas, o Doutor José Tolentino Mendonça, vice-reitor da Universidade Católica Portuguesa, foi convidado, pelo Papa Francisco, a pregar-lhe um retiro espiritual. E começou assim a primeira das suas prédicas, todas elas com a presença do Papa, que é um leitor fiel dos livros do Padre José Tolentino Mendonça: “Há muita sede, no coração dos homens”. E disse ainda: “É urgente redescobrir a bem-aventurança da sede. A pior coisa para um crente é estar saciado de Deus. Pelo contrário, felizes os que têm fome e sede de Deus”. A propósito, aconselho a leitura do último livro, de José Tolentino Mendonça, O Pequeno Caminho Das Grandes Perguntas. Nele, encontrei o seguinte: “A teologia da ternura tem sido uma das grandes insistências do Papa Francisco” (p. 113). O meu Amigo António-Pedro Vasconcelos insiste… que não tem fé. E acrescenta, com um rasgo rápido, perspicaz e dramático: “Mas a gente só sabe quem foi, depois de morto”. Mas, tendo ou não tendo fé em Deus, António-Pedro Vasconcelos, o intelectual, o cineasta, o benfiquista, o incansável peregrino do Bom e do Belo, no espaço oceânico da vida, é de uma ternura donde ressalta uma permanente afirmação da dignidade humana e uma indignada recusa de tudo o que possa ser redutor dela.
Por isso, acima do mais, somos amigos…"

As Regras dos Jogos... Ditaduras & Dinheiro a mais...!!!

Alvorada... do Júlio

Benfiquismo (DCCLX)

Outra...

Benfica FM - pós - Paços

Vitória e liderança...

Benfica 11 - 2 Valença

Sem qualquer problema...


Juniores - 2.ª jornada - Fase Final

Corruptos 1 - 2 Benfica


Mesmo com várias ausência por lesão e castigo, fomos e somos muito superiores! O resultado pecou por escasso... Tudo isto com uma arbitragem surreal!!!
Com estes jogadores, podemos recuperar o título nacional, com algumas jornadas de antecedência... Cuidado com o Braga, parece ter uma equipa forte...

A partir de agora é a sério !!!

Benfica 3 - 0 Clube K
25-12, 25-13, 25-8

Fim da fase regular, com uma vitória normal... Agora, vamos para as decisões da época: a Meia-final será decidida com o Sp. Espinho.

domingo, 25 de fevereiro de 2018

Jonas

"O tribunal da Relação do Porto proibiu a divulgação electrónica do universo Benfica. Direi que foi feita justiça.

1. Esta vigésima quarta jornada da Liga NOS disputa-se, uma vez mais, de sexta e segunda. Com a consciência que com a importante presença do Sporting na Liga Europa continuaremos a ter, em regra, jogos à segunda feita ao longo do mês de Março. Que, aliás, arranca já na próxima sexta feita com um determinante derby no Dragão. Futebol Clube do Porto e Sporting medirão, uma vez mais, forças. Haverá perdas de pontos. Mas, antes, um e outro terão de ultrapassar, respectivamente, Portimonense (hoje) e Moreirense (amanhã). O Benfica ganhou, ontem, em Paços de Ferreira. Jogo bem complicado. Renhido. Mas Jonas mostrou, uma vez mais, que é um avançado do outro mundo. Classe pura. Faro único de golo. Excelência. E a unidade da equipa sente-se. É um colectivo vibrante. Que contagia as bancadas. Como aqueles em tons de vermelho que encheram a Mata Real. A forma como todos saltaram, liderados por Luisão, do banco de suplentes para a alegria do relvado, faz-nos acreditar no penta. Jiménez e Seferovic mostraram, uma vez mais, que são úteis. Muito úteis. E, perdoem-me a insistência, Rafa mostra-se, jogo a jogo, a Fernando Santos. Mas de Paços fica mais um jogo com a marca de Jonas. Quase apetece citar Ésquilo - na Grécia antiga - que «os malvados que têm sucesso são insuportáveis»!

2. Ver um jogo do Benfica na Casa do Benfica de Londres é um momento singular e um verdadeiro privilégio. Ao vibrar e degustar recordei, neste concreto tempo e nestas específicas circunstâncias, um livro de um dos mais entusiasmantes escritores portugueses do século XX, Aquilino Ribeiro. Esse livro tem um título longo: «Portugueses das sete partidas (Viajantes , aventureiros, troca-tintas)». É o que continuamos a ser mesmo neste período de uma nova emigração. Naquela casa vibra-se com o Benfica, multiplicam-se os abraços no instante do golo, questiona-se o VAR e, no meio, da Sagres e dos nossos gastronómicos sabores, a alma enche-se de paixão e de fervor, de nostalgia e também de lembranças. Esta emigração, jovem e competente, é a imagem concreta do Portugal europeu e, neste, há qualificação reconhecida, generosidade percebida e disponibilidade permanente. Estes viajantes, diferentes, sentem Portugal e percebem que Mourinho e Cristiano Ronaldo, António Damásio e José Saramago ajudaram e ajudam a evidenciar um outro Portugal. Que os títulos no futebol europeu potenciam e as novas almas do fado ou da música - como Salvador Sobral - multiplicam. Vibram com Portugal e vibram com o clube do seu coração. E nesta pausa de Londres, para além do Fernando e da Carla, do Francisco e do João, partilhei muitos momentos com o Mário e a Irene Vieira. Momentos que não esqueço e instantes que decerto se vão repetir. Cá e lá com a partilha, amiga e serena, do Paulo e da Cristina. Com a certeza que teremos de ir a Manchester ver um jogo do United e de regressar, com a alma imensa que nos acaricia e impulsiona, a esta Casa do Benfica de Londres. Espaço que acolhe todos e que, na sua diversidade, nos faz regressar, ao longo dos largos minutos de um jogo, às místicas de que também o nosso Aquilino Ribeiro nos dá nota naquele livro que merece uma leitura atenta e cuidada. E a fotografia nesta página é, tão só, a recordação de um instante. Uma memória de largos minutos. Já que a memória é o essencial. Da vida. Desta vida! Com a consciência desde Cícero (século II A.C.) que «onde se está bem, aí é a pátria»! É mesmo!

3. A situação de Rúben Semedo é bem complexa. Desde a passada quinta feita que está, em Espanha, em prisão preventiva. E o seu clube, o Villareal, anunciou a suspensão do salário do jovem e promissor jogador português e, logo, a suspensão do inerente contrato de trabalho desportivo. Permitem-me duas notas acerca deste caso. A primeira para evidenciar que, neste mundo de chorudos negócios e interessantes remunerações, parece não haver cautelas proactivas - ou, se quisermos, mecanismos preventivos - e só, surgem, em razão de dolorosas medidas de privação de liberdade, mecanismos reactivos. Aqui, tão só, de relevante acompanhamento pessoal e de necessária solidariedade. Onde se evidencia, aqui, a solidariedade dos dois Sindicatos de Jogadores e, em particular, do português. A segunda nota para constatar que a intermediação contemporânea não pode ser entendida, tão só, como uma mera realidade económica - financeira. A intermediação deve assumir uma responsabilidade social e, logo, com efectivos mecanismos de acompanhamento. E estes são mais importantes quer em razão da especificidade de cada jogador - já que cada um de nós é um ser que não se repete - quer em razão do local de trabalho e da imamente inserção pessoal e profissional. Há clubes que acompanham o dia a dia dos seus jogadores - por vezes com exageros... - e há outros, porventura a grande maioria, que apenas se preocupam com o que se passa no âmbito do seu complexo desportivo ou do seu concreto espaço de exercício do contrato desportivo celebrado... Conheço uma situação de um grande jogador que só se salvou em razão de uma solidariedade bem efectiva. Já que a detenção estava ao virar da esquina... E era mesmo ao virar da esquina! E assim é bem diferente a solidão da companhia. É bem diferente a fatalidade da solidariedade ao Rúben Semedo tem de ultrapassar as palavras ou escritos de circunstância. Determina, na medida do possível, visitas à prisão, palavras de conforto, sinais de encorajamento. É que os «ausentes nunca têm razão»!

4. Permitam uma nota acerca de patrocínios. A Liga espanhola de futebol - La Liga - depois de ténis com Rafael Nadal, da patinagem no gelo e do badminton, chegou à Fórmula 1. Patrocina a Renault e, entre eles, o Carlos Sainz. E, assim, o logótipo da Liga estará nos dois bólides e, também, nos fatos dos dois pilotos da equipa. É um casamento global. Com a velocidade da Fórmula 1 e a visibilidade global de Real de Madrid e Barcelona!

5. O tribunal da Relação do Porto proibiu a divulgação electrónica do universo Benfica. Direi que foi feita justiça. E construída uma tese jurisprudencial acerca da correspondência privada. Direi que foi tardia a proibição. Já foram divulgados muitos. E mencionados muitos cidadãos. Muitos mesmos. Recordo, tão só, e por ora, o nosso Padre António Vieira: «A justiça está entre a piedade e a crueldade: o justo propende para a parte do piedoso; o justiceiro para a de cruel»!

6. Na quarta feira teremos a outra meia-final da Taça de Portugal. Aves e Caldas procuram, numa luta decerto renhida, a presença na final do futebol de todos. E no Estádio de todos. O Estádio Nacional!"

Fernando Seara, in A Bola

A nova Convenção (já rectificada)

"A Convenção sobre uma Abordagem Integrada da Segurança, Protecção e Serviços por Ocasião de Jogos de Futebol e Outras Manifestações Desportivas foi finalmente aprovada e ratificada em Portugal na passada semana. Esta Convenção cria muitas obrigações para as Partes signatárias, das quais destacamos as seguintes:
As Partes deverão tomar as providências necessárias para aplicar as disposições da Convenção aos jogos de futebol ou torneios em que intervenham clubes desportivos profissionais e selecções nacionais incluindo jogos de futebol amadores; Assegurarão que o quadro jurídico, regulamentar ou administrativo clarifica as responsabilidades das entidades e que essas tarefas sejam complementares, coerentes com uma abordagem integrada e entendidos por todos, ao nível estratégico e operacional; Encorajarão as entidades a assegurar que os estádios proporcionem um ambiente inclusivo e acolhedor para todos, incluindo crianças, idosos e pessoas portadoras de deficiência; Assegurarão que os dispositivos operacionais montados nos estádios estejam completos e incorporem procedimentos em matérias que possam ter impacto na gestão de multidões e nos riscos conexos para a segurança e protecção, em particular a utilização de pirotecnia, qualquer comportamento violento ou proibido e qualquer comportamento racista ou discriminatório; Encorajarão as suas entidades a dar destaque à necessidade de jogadores, treinadores ou outros agentes agirem de acordo com os princípios chave do desporto, tais como tolerância, respeito e competição leal, e reconhecerem que agir de forma violenta, racista ou de outro modo provocador pode ter um impacto negativo no comportamento dos espectadores."

Marta Vieira da Cruz, in A Bola

Segunda parte à Benfica

"Paços personalizado criou dificuldades a um Benfica que arriscou tudo para ser feliz.

Personalidade e critério
1. Primeiro parte muito boa do P. Ferreira, que com uma estrutura de 4x2x3x1, perante um Benfica em 4x3x3, esteve bem organizado defensivamente e saiu bem nas transições, criando dificuldades ao adversário. Numa dessas transições marcou e ficou mais confortável no jogo. A colocação de dois pivots, Gian e Assis, fez com que o Benfica sentisse dificuldades na zona de criação, sobretudo no corredor central, forçando os encarnados a explorar mais os flancos, onde sobressaíram Rafa e André Almeida. Ainda assim, um Paços com personalidade soube sair bem das situações de pressão.

Encarnados avassaladores
2. A 2.ª parte do Benfica foi avassaladora. Cervi libertou-se em campo e confundiu as marcações, sobretudo do Bruno Santos, que não conseguiu acompanhar o argentino. O Benfica intensificou a pressão e com a entrada de Jiménez passou a jogar em 4x2x4, uma vez que tanto Cervi como Rafa actuaram abertos na frente de ataque. Foi com toda a naturalidade que o Benfica chegou ao empate, perante um Paços que experimentou, nessa fase de domínio do adversário, mais dificuldades em sair para o ataque com o mesmo critério da 1.ª parte.

Seferovic, aposta feliz
3. Rui Vitória arriscou tudo. Compactou a equipa com uma defesa a três e lançou Seferovic para ter mais presença na área. Acabou por ser uma aposta feliz, pois o suíço não demorou a servir Jonas para o 1-2.

Um Jonas de eleição
4. Jonas é, de facto, um jogador de eleição. Meia oportunidade basta para o brasileiro definir bem um lance na área. Vitória justa do Benfica, talvez exagerada nos números tendo em conta as dificuldades que o Paços lhe criou.

Rafa a tempo de brilhar
5. Rafa foi contundente em todo o jogo. É importante um jogador com o seu talento ter uma sequência de boas exibições, porque reforça a sua confiança e os adeptos passam a olhar para ele de modo diferente. Há mais tolerância ao erro. Em Portugal, o Rafa é o jogador em condução com mais velocidade e acredito que vai muito a tempo de assinar uma grande temporada."

Nandinho, in A Bola

O sinal de Luisão

"É dos livros: quando o banco de suplentes ‘dispara’ e entra pelo relvado da forma que ontem se viu em Paços de Ferreira, no momento em que o Benfica consumou a reviravolta, é porque o plantel está ‘à morte’ por um objectivo comum. Corre-se, luta-se, chora-se e grita-se pelo colega. Pelo treinador. Pelo presidente. Pelo adepto. Não há como enganar. Maior significado ainda tem esse comportamento quando no banco dos suplentes está uma figura com o peso simbólico de Luisão, que celebrou o momento com a mesma alegria e intensidade que se festejava nas bancadas da Mata Real.
Luisão não é um qualquer. Entre vários recordes, é o jogador com mais títulos conquistados pelo Benfica (20) e em quase todos a envergar a braçadeira de capitão de equipa. Quando um ‘monstro’ desta dimensão está no banco e é o primeiro a ‘empurrar para cima’, o treinador bem pode dormir descansado: o mais difícil está feito.
Não é preciso ter-se percorrido a ‘estrada’ que Luisão já percorreu para se perceber que este jogo era fundamental. Mesmo os mais jovens jogadores encarnados – com menos experiência nestas andanças – terão entendido a importância desta jornada. Para já, a bola fica do lado de FC Porto e Sporting. Que, entretanto, se defrontam na próxima 6.ª feira. E com este Jonas – e este Luisão! – ainda tudo será possível."

Rui Vitória e a arte de acreditar

"A equipa do Benfica deu ontem sinais de que respeita o escudo de campeão nacional que ostenta e é digna do estatuto de tetracampeã que faz com que esteja na demanda do Graal que é o penta. Este estado de alma não tem a ver com jogar bem ou jornal mal, mas alimenta-se do inconformismo e da ambição, condições elementares em qualquer projecto ganhador. Ontem, o início de partida da equipa de Rui Vitória foi acanhado, tristonho, insuficiente. Mas, das fraquezas o Benfica fez forças e, acima de tudo, os seus jogadores tiveram a grandeza de tomar o destino nas próprias mãos. Há um elemento no futebol que transcende a soma das valências individuais: trata-se da equipa, do espírito de conjunto, do primado do colectivo, algo intangível e ao mesmo tempo omnipresente nos casos de sucesso, uma fé de grupo que move montanhas.
Rui Vitória não é um treinador isento de defeitos, por vezes falha nas escolhas, encolhe-se na táctica e assume, volta e meia, um discurso cinzento. Mas, numa coisa há que fazer-lhe justiça: consegue fazer com que os seus jogadores sejam unidos e coesos, é capaz de apostar nuns quantos (Jardel e Zivkovic, por exemplo), sem perder outros (que é como quem diz, Luisão ou Jiménez), e dessa forma constrói uma solidariedade ganhadora.
O campeonato, apesar dos pontos de vantagem do FC Porto, continua em aberto. Os dragões têm sido os mais afirmativos ao longo da época, os leões, mergulhados num processo autofágico complicado, têm em Jesus o salvador, e as águias, apesar dos altos e baixos, voam com a convicção de que o penta é possível. Em resumo, no topo, assistimos a um sprint emocionante..."

José Manuel Delgado, in A Bola

Liberdade e responsabilidade

"Mais do que proibições infantis, discursos sensacionalistas ou incentivos a boicotes, esta deve ser uma altura para uma reflexão séria entre jornalistas desportivos e dirigentes de clubes. Todos fazem parte de indústria de milhões, que tão bem representa o país fora de portas, e insiste em diminuir-se e atacar-se internamente.
Jornalistas e dirigentes não têm de andar de braço dado (nem devem, perante a liberdade e distanciamento que se exige ao jornalismo), mas precisam de perceber que não são - nem têm de ser - inimigos.
O boicote pedido por Bruno de Carvalho na última AG leonina peca pela generalização. No seu entender, em relação ao Sporting e a ele próprio, nenhum órgão independente faz um tratamento sério e isento. Atenção: este pedido, por mais desajustado que possa parecer, está longe de ser uma invenção de Bruno de Carvalho. Basta olhar para a história do futebol português nos últimos 30 anos (para não ir mais longe) e ver outros discursos presidencialistas muito semelhantes no conteúdo. 
Bruno de Carvalho, porém, terá razão numa parte: algum jornalismo desportivo que se faz hoje em Portugal é afectado por uma crescente falta de rigor e isenção. Da mesma forma, tal como ele fez, há uma vontade constante dos dirigentes - especialmente dos principais clubes - em controlarem a comunicação social como fazem com os jornais e televisões das suas instituições. Nenhum dos dois caminhos é bom. Porque uns não vivem sem os outros. Não podem é continuar a viver assim."

"Os Sócios sempre foram e são o pilar do Benfica"

"Nas instituições como na vida das pessoas, aprende-se com o tempo a saber dar valor ao que verdadeiramente importa. É certo que no Sport Lisboa e Benfica, desde o início, com Cosme Damião e com os restantes fundadores, quase sempre soubemos a diferença entre o que é importante e o que é acessório. Talvez seja por isso que, enquanto outros se distraem com muitas coisas, nós fazemos o trabalho de casa, para continuarmos a ganhar, a ser referência e os maiores em Portugal.
Comemoramos 114 anos de vida. Uma vida intensa, plena de exemplos de grande Benfiquismo, de grandes vitórias e de momentos inspiradores que enriquecem a nossa história e ajudam a construir um futuro mais sustentável, mais sólido e mais forte. Como sempre, o que verdadeiramente importa é o Benfica e os Benfiquistas. É por isso que aqui estamos, para prestar a devida homenagem às mulheres e aos homens que são o pilar maior do Sport Lisboa e Benfica, os nossos sócios. Saúdo os sócios aqui presentes, que vão receber hoje diferentes distinções, símbolos de um longo amor e compromisso com o nosso Clube.
Como em qualquer instituição, os dirigentes passam, mas os seus associados permanecem, como devem permanecer os resultados e as grandes obras concretizadas. Da nossa parte, um desejo comum: acreditamos, apoiamos, mas queremos sempre mais e melhor, queremos sempre entrar em campo ou em competição para ganhar, com uma atitude que honre a memória de quem nestes anos serviu o Benfica, sempre com um espírito de elevado compromisso.
No Benfica, nós não precisamos de rebaixar os outros para sermos melhores. Não precisamos de andar a espreitar pelas fechaduras das portas dos outros – porque temos trabalho que nos enche de orgulho. Nós somos Benfica, os maiores em Portugal e cada vez mais uma referência global. Não é sorte nem acaso, é tudo uma questão de muito trabalho e das escolhas certas. Escolhas certas quando apostamos na Formação, na valorização do património material e imaterial do Clube, e quando continuamos a afirmar o Benfica como uma marca presente em cada vez mais locais do país e do mundo. Escolhas certas quando contamos com uma enorme equipa de profissionais, de atletas, de treinadores, de dirigentes e de parceiros que convergem na criação das melhores condições para que o Benfica faça aquilo que todos desejamos: ganhar.
Por isso, enquanto uns falam ou tentam distrair, nós voltamos a estar na rota para ganhar. E quero aqui reafirmar o nosso compromisso, a nossa ambição e a nossa determinação em conquistar o Penta e em voltar a ganhar noutras modalidades. Mas sempre com os pés bem assentes na terra, garantindo que não abdicaremos de consolidar a sustentabilidade do Clube.
Com o vosso exemplo de amor ao Benfica, de permanente compromisso com o Clube e de apoio em todos os momentos, estaremos mais bem preparados para o presente e para o futuro. Nesta casa, os sócios sempre foram e são o pilar do Sport Lisboa e Benfica. O Benfica conta convosco. Todos juntos, rumo ao Penta! Parabéns aos homenageados."



Empate no Caixa...

Benfica B 1 - 1 Cova da Piedade


Depois de duas goleadas, o empate até parece um mal menor... mas, merecíamos mais!
O Félix está a fazer muita falta, temos bola, mas a qualidade de decisão nos últimos 15 metros, sem o Félix baixou muito...
Apesar de não ter marcado, destaco hoje o Zé Gomes: pressionou, recuou, construí jogadas de ataque... mas acabou quase sempre por ser mal servido no último passe, principalmente pelo Heri!!!

Benfiquismo (DCCLIX)

1994

Cadomblé do Vata

"1. Mais 3 pontos conquistados graças ao Pistolas... e eu continuo sem perceber como é que a NRA ainda não patrocina o SLB à força toda.
2. É provável que na redacção do O Jogo se esteja neste momento a erigir um monumento ao Marcador Desconhecido... pelo menos será a ele que irão atribuir os dois primeiros golos do SLB, porque o "Jonas só regressa em Março".
3. Rafa jogou, fez jogar e marcou... a PJ já abriu inquérito para apurar se houve facilitismo da parte da equipa pacense.
4. É sempre um mimo rever Ruben Micael... e comprovar que o proclamado "Zidane da Madeira", nunca foi mais do que o "Rui Baião de Câmara de Lobos".
5. Estava a ser um dia bestial para a economia portuguesa... depois o Jonas bisou e a indústria da produção de faixas de campeão nortenha foi obrigada a enviar milhares de trabalhadores para o desemprego."

André Almeida recebeu um beijo capaz de mudar mentalidades em relação aos beijos entre homens (...)

"Bruno Varela
Uma exibição evocativa daquele emoji ilustrativo de fezes seguido do tipo de ombros encolhidos e braços abertos como quem diz “queriam o quê?”. Habituem-se, amigos.

André Almeida
noites em que a sua mediania justifica superlativos. Hoje não foi uma dessas, mas é importante falar do que fez sem bola, nomeadamente no lance do segundo golo, em que representou na perfeição o papel do adepto invasor de campo ao correr direito a Jonas para dele receber um beijo capaz de mudar mentalidades em relação aos beijos entre homens. Pouco depois vimo-lo a ser escoltado até ao seu lugar cativo no coração dos benfiquistas.

Rúben Dias
O Benfica tem finalmente o imbecil de que todas as defesas necessitam se querem conquistar títulos. Rúben Dias podia ter afrouxado depois da nesga dada ao adversário no golo do Paços, mas fez o exactamente o oposto. Empurrou, esbofeteou, irritou quase tanto quanto Rúben Micael, cometeu mais um ou outro erro, desarmou, afastou, carregou, empurrou a sua equipa para a vitória e celebrou sem rodeios, como fazem os imbecis que toda a gente adora odiar.

Jardel
Bem no capítulo defensivo ao ganhar praticamente todos os lances aéreos que disputou. Mal ao não voltar a marcar. A equipa acabou por se ressentir e teve de redobrar esforços no final. Felizmente não estamos na Champions, senão as consequências poderiam ser bem mais graves.

Grimaldo
Conquistou créditos suficientes ao longo deste campeonato para merecer um desconto. Assim sendo, decidimos atribuir a culpa do primeiro golo a Bruno Varela e Rúben Dias. Feitas as contas, Grimaldo pode ainda oferecer 5 golos até ao final do campeonato sem que a sua titularidade ou o valor do passe saiam beliscados.

Fejsa
Não há nada como um armário para dominar o meio-campo na capital do móvel.

Pizzi
À meia hora de jogo, o meu filho de 3 anos e meio perguntou “pai, quem é aquele gajo que está farto de fazer merda?”. Quem diz a verdade não merece castigo, mas a mãe discorda e por isso o miúdo não chegou a assistir à remontada exibicional de Pizzi já na segunda parte do jogo.

Zivkovic
Depois de alguns jogos em que desafiou a memória de Krovinovic, Zivkovic dedicou a exibição de hoje a todos os cépticos que questionam o seu valor. O exercício foi tortuoso mas pedagógico: a exibição de Zivkovic obrigou-nos a imaginar o que seria do meio-campo benfiquista se Krovinovic mantivesse a titularidade com uma perna engessada e sem o apoio de canadianas. Esperemos que todos tenham percebido a mensagem.

Cervi
As coisas não lhe saíram tão bem como tem sido habitual, muito por culpa das exibições menos conseguidas de Zivkovic e Grimaldo. Pode dizer-se que foi oportuno, já que permitiu a Rafa assumir o protagonismo do jogo. Boa gestão involuntária do plantel por parte de Rui Vitória.

Rafa
Rafa desempenhou durante boa parte do jogo o papel de jogador mais inconformado da equipa, que é como quem diz, o cenário chegou a ser assustador em Paços de Ferreira. A verdade é que, a pouco e pouco, o Benfica foi cimentando o controlo do jogo e os restantes jogadores foram acompanhando a estranha resiliência de um jogador cujas exibições têm alternado entre a apatia e a irritação provocada nos adeptos. Alguns comentadores mais ingénuos dirão que Rafa mereceu marcar o terceiro e último golo do jogo. Não: nós é que merecíamos este golo há muito. Bons olhos te vejam, Rafael. Don’t fuck this up again.

Jonas
Esqueçam o interesse de dos clubes chineses. O empresário de Jonas negociou um contrato por objectivos em que o salário do brasileiro duplica de cada vez que ele decide um jogo a favor do Benfica. É caso para dizer: ainda bem que o Luisão não é avançado, senão já teríamos falido.

Jimenez
Assim que entrou desferiu o primeiro remate enquadrado com a bancada. Jimenez já conhece os benfiquistas e percebeu que naquele momento muitos de nós o insultámos. Talvez por isso tenha a partir desse momento evitado rematar à baliza, tornando-se assim decisivo para chegar a mais uma vitória.

Seferovic
E é por isso que eu sou contra a eutanásia.

Samaris
Infelizmente, não foi a tempo de acertar em cheio no Rúben Micael."

Vermelhão: Contra Putas, tem mais sabor !!!

Paços de Ferreira 1 - 3 Benfica


Está cada vez mais difícil falar de futebol... o Tugão Dourado está de volta com toda a força!!! Talvez ainda pior... São Malas atrás de Malas, para ganhar, para perder... para jogadores, para árbitros e afins... jornaleiros... vendem a dignidade por uns tostões e depois não 'gostam' quando são enrabados!!!
Hoje, o Verdíssimo foi com a encomenda completa para Paços, bem resguardado pelo Esteves em Oeiras... Os jogadores do Paços, receberam a promessa de riqueza instantânea - em dose dupla, muito provavelmente -, o treinador Lagarto do Paços também não se importou com o ambiente! Em Setúbal, a semana passada, após serem derrotados, o treinador, lá avisou que ia ganhar ao Benfica...!!! Profecias!!!
Se alguém tiver dúvidas daquilo que eu estou a afirmar, basta comparar a atitude dos jogadores do Estoril na Quarta-feira passada, e atitude dos jogadores do Paços!!!
O Benfica 'joga' num Campeonato totalmente diferente das outras equipas!!!
Hoje, se houve um erro na preparação deste jogo, foi exactamente na forma como os jogadores do Benfica, 'não entraram' na partida, com os níveis de 'alerta' no máximo!!! Todos os jogos do Benfica até ao final da época vão ser assim... principalmente, os jogos fora-de-casa (Feira, Estoril, Setúbal...)! Vão meter todas as 'fichas' nestes jogos... E não é só afastar o Benfica do Penta, é afastar o Benfica da Champions... É necessário mentalizar toda a gente, que esta época, está 'tudo' em jogo, desde do 1.º minuto, até ao fim de cada partida!, até à última jornada!!
Em relação ao jogo jogado, mais uma borrada do Grimaldo a condicionar toda a partida: o Grimaldo tem estado bem ofensivamente, mas não é a primeira vez que tenta fintar em zona proibida, e perde a bola... desta vez, não tivemos a 'sorte' das outras, e os adversários marcaram...!!! E se eles já vinham com a 'mala' encomendada, a ganhar, ficaram ainda mais 'inspirados'!!!
Só a partir dos 35 minutos, conseguimos 'acampar' no meio-campo adversário, a equipa ficou intranquila, e a pressão do adversário (carregada de 'amarelinha' e não estou a falar da cor das camisolas!!!), não nos deixava jogar...
Agora, a partir daqui, foi uma questão de 'eficácia' sendo que na 1.ª parte o Jonas falhou alguns golos, que normalmente não falha...
Pressionámos, atacamos, rematámos (temos que ser mais espontâneos), sofremos várias faltas para cartão não sancionadas, sofremos vários penalty's não assinalados (pelo menos 3 !!!!)...
E quando o anti-jogo (aliado ao VAR...) ia perdendo tempo, os nossos nervos aumentavam, lá apareceu o inevitável Jonas que depois de falhar alguns marcou nos momentos decisivos!!!
Rafa foi esta noite, claramente o MVP... o melhor jogo, desde que chegou ao Benfica, tenho poucas dúvidas...!!! Espero que seja para continuar, e hoje, em teoria, não seria o adversário ideal...
Falarei mais em pormenor na Lixívia da tentativa de roubo do Verdíssimo, mas como é que é possível não mostrar Amarelo quando um jogador corta uma bola com o braço de propósito; como é que é possível não ter visto 3 penalty's, o derrube do Rafa aos 59' é inacreditável (o Esteves devia ter ido cagar!!!); a falta sobre o Fejsa não marcada, como é que possível; os Amarelos absurdos ao Pizzi e ao Zivko ao mesmo tempo que ia perdoando tudo aos jogadores da casa...
Já nem vale a pena falar da falta de vergonha... isto é muito mais grave!
Mais uma jornada onde fizemos o nosso dever... Amanhã estou curioso para verificar a 'atitude' do Portimonense com os Corruptos! Em Portimão, além do 'dono' ser um parceiro dos Corruptos, temos um plantel que tem uma quantidade inacreditável de jogadores com passagem pelos Corruptos (formação e equipa B)... E tenho quase a certeza que o apitadeito será a AF do Porto!!!

Vitória na Maia

ISMAI 23 - 30 Benfica
(14-15)

Vitória contra um adversário que tradicionalmente nos dá muito trabalho...

PS: Vencemos hoje de manhã, o título colectivo no Campeonato Nacional do Corta-Mato Curto, masculino. A versão Longa será mais competitiva, mas é sempre agradável ganhar...

Bem jogado...

Benfica 3 - 0 Fonte do Bastardo
25-23, 25-22, 25-14

Boa vitória, os dois primeiros Set's foram equilibrados, mas na ponta final não demos hipóteses, no 3.º Set os Açorianos 'desistiram' e nós não perdoámos!!!
Talvez o jogo onde os jogadores que 'saltaram' do banco entraram melhor...!!!

Empate, que sabe a pouco...

Benfica 2 - 2 Sporting

Foi pena, a ganhar 2-0, a falhar penalty's, não aproveitar vantagens numéricas, com várias bolas nos postes...
Sabendo que o jogo não iria 'contar' para o Campeonato, queria-se uma vitória para dar 'vantagem' moral, mas creio que ficou provado que a 'potencial' final do Campeonato, será disputada de igual para igual!!!

sábado, 24 de fevereiro de 2018

Os jornalistas não são figurantes do entretimento

"O Benfica chegou a acordo com Jorge Jesus, ou vice-versa. Tanto faz. Assim terminou sem acrescento de embaraços o litígio judicial que opunha as duas partes desde o verão de 2015 quando o treinador, sabendo bem quanto era indesejada a sua continuidade na Luz, partiu surpreendentemente para Alvalade. "Surpreendentemente", enfim, só para quem andava a dormir. O desfecho desta semana pode não ter agradado às franjas de fanáticos dos dois lados da Segunda Circular mas considere-se como uma dádiva dos céus a cordialidade expressa pelo Benfica e por Jorge Jesus, ou vice-versa, na conclusão do absurdo que, felizmente, não chegou a ser discutido na barra de um qualquer tribunal.
O que o Benfica deve a Jorge Jesus e o que Jorge Jesus deve ao Benfica fica agora e, espera-se, para sempre contabilizado com a justiça devida: uma catrefada de títulos em meia-dúzia de anos electrizantes. O facto de o treinador, na véspera do acordo com o antigo patrão, ter admitido publicamente que foi "muito feliz no Benfica" fazia, de facto, prever um desfecho airoso e com aquela coisinha reconfortante a que se costuma chamar honra para ambas as partes. Era apenas isso o que se exigia ao grande clube que fez, finalmente, daquele treinador maduro um treinador campeão e que se exigia também ao treinador campeão que devolveu ao enorme clube o hábito, há muito arredio, de erguer troféus atrás de troféus. E, pronto, não se fala mais nisso.
Deviam ou não deviam aqueles 40 jornalistas ter correspondido ao ‘convite’ endereçado – através da exposição de uma lista com os seus nomes – para comparecer numa "sessão de esclarecimento" encenada pelo presidente de um clube de futebol com anúncio prévio de transmissão em directo da dita sessão no canal de televisão do dito clube? Não, não deviam. Os jornalistas não são, nem por definição nem na sua essência, figurantes voluntários de programas de entretenimento televisivo. Um dia até podem vir a ser mas, por enquanto, ainda não são. Ainda assim compareceram meia-dúzia, o que é de assinalar. Terão os outros 34, com as suas sonoras ausências, violado de alguma forma o código deontológico da sua profissão? Não, não violaram código algum. Não fugiram à informação nem, muito menos, fugiram à notícia. Aliás, ressaltou evidentíssima a notícia para quem a quiser ler: os jornalistas não são figurantes de programas de entretenimento. Queriam melhor notícia?
A vaga de confissões do já famoso empresário César Boaventura faz crer que este campeonato nacional de futebol de 2017/2018 vai durar muito para lá do mês de Maio. Muito, mesmo.
O Benfica joga hoje em Paços de Ferreira. Para ganhar os 3 pontos terá o campeão de ser esta noite a melhor das quatro equipas em campo. À partida, não vai ser fácil. As outras três equipas são a do Paços de Ferreira, a equipa de arbitragem e a equipa do vídeo-árbitro. Não corras, não, Benfiquinha."

Sensibilidade e bom senso

"Rui Vitória, um treinador sensato por hábito e formação, pediu ontem rigor o bom senso aos árbitros. Fê-lo, como frisou, sem querer acusar ninguém, embora tenha ficado para todos claro que se referia, em concreto, às desastrosas arbitragens de João Capela no Tondela - Sporting e de Vasco Santos no Estoril - FC Porto - neste último caso com mais responsabilidade do VAR do que do árbitro. É um facto que esses dois jogos tiveram, por motivos diferentes, momentos inenarráveis, arrasadores para a credibilidade de uma classe para quem os portugueses sempre olharam (e, se as coisas se mantiverem assim, continuarão a olhar) com profunda desconfiança.
Convém, ainda assim, lembrar que casos como os deste fim de semana não são tão raros como deviam. Ou seja, não é a primeira vez que um árbitro prolonga para lá do razoável o tempo de compensação ou que o VAR valida um golo tão incompreensíveis como os do Tondela ou da Amoreira, têm-se sucedido. Por uma razão simples: não é bom senso que o arbitragem precisa (os árbitros até têm dado sinais de ser os mais sensatos em toda esta loucura), mas sim de competência. Porque não há tecnologia, por mais válida que seja,capaz de sobreviver à incompetência. Claro que para se ser bom árbitro é preciso outros atributos, entre os quais o tal bom senso, a sensibilidade e, até, a coragem. Mas sem competência nenhum dos outros serve de muito.
E, claro, os bons árbitros (porque aos mais não há nada que lhes valha) precisam também de tranquilidade. E porque como quase tudo é uma pescadinha de rabo na boca, isso só lhes será dado se os clubes tiverem, também eles, bom senso. Que, como todos sabemos, caiu em desuso em quase todas as áreas da nossa sociedade, futebol incluído."

Ricardo Quaresma, in A Bola

Bruno e a má cópia de Pinto da Costa

"Para Bruno de Carvalho, Pinto da Costa representa a figura do mestre mas o Porto não é Lisboa e a cópia, de má qualidade, está cheia de erros.

Percebe-se, sem grande esforço de análise, que Pinto da Costa representa para Bruno de Carvalho a figura do mestre. Salvaguardando as devidas diferentes de personalidade, o presidente do Sporting vâ no homem que fez, com Pedroto, a grande revolução do norte, com o sucesso de uma evidente transferência de poder, e até de regime, de Lisboa para o Porto, o modelo a seguir.
No essencial, Bruno de Carvalho tem por objectivo o sucesso de uma nova revolução: desta vez, quer, ele próprio, garantir o poder absoluto do futebol português, transferindo-o para o outro lado da Segunda Circular, mesmo que para isso, esse poder tenha de regressar transitoriamente à Invicta.
Há, porém, alguns problemas que parecem de difícil ou mesmo impossível solução, os quais Bruno de Carvalho não é capaz de contornar. O primeiro é que, obviamente, o Porto não é Lisboa. Não se trata, evidentemente, de um juízo de valor, mas de uma constatação da realidade histórica das duas cidades e da manifesta diferença de idiossincrasia dos seus povos; o segundo, é que não tendo suficiente capacidade intelectual para inovar e criar um modelo próprio fazendo ajustar o esgotado modelo do pintismo ao novo tempo e à nova realidade, apenas se limita a fazer uma cópia cheia de erros e de manifesta má qualidade; enfim, o terceiro e definitivo problema é que Bruno de Carvalho parte do princípio errado de que é possível aplicar internamente uma declaração de 'estado de sítio', proibindo os direitos e garantias de um universo leonino que há mais de cem anos soube tornar-se mais livre e o mais diverso universos dos clubes de futebol nacional.
O objectivo primeiro e essencial de Bruno de Carvalho até pode ser legítimo, desde que visto num quadro de cultura de poder fundamentalista em que sempre têm vivido os sucessivos imperadores do nosso império do futebol.
Porém, o projecto para o tornar exequível é primário e condenado ao fracasso, a curto ou a médio prazo. E essa é a razão maior para qual os sportingusitas devem estar assustados. No momento em que o seu futebol perder (e pode acontecer já esta época) é legítimo temer pelo futuro e pelo desabamento da resistência psicológica do povo leonino, sobretudo, se tiver que se confrontar com um novo regresso a um ponto zero.
Se Bruno de Carvalho tivesse aprendido o essencial com Pinto da Costa e não apenas a espuma do seu modelo revolucionário, teria verificado que o líder portista nunca caiu no erro de declarar guerra ao mundo e de ficar orgulhosamente só. Bruno percebeu essa ideia no que respeita aos clubes e, daí, a tácita aliança que estabeleceu com o FC Porto contra o inimigo comum, o Benfica, mas não entendeu que Pinto da Costa sempre manobrou com agilidade e inteligência em todos os outros sectores da sociedade portuguesa, incluindo-se, aqui, a estratégia de alianças e de criação de cíclicos inimigos criteriosamente escolhidos na área dos media.
Outro erro grosseiro de Bruno de Carvalho foi o de não entender que Pinto da Costa sempre criou condições para unir os portistas em redor de inimigos e de objectivos comuns. Porque Pinto da Costa, mesmo no tempo em que precisou de recorrer a estratégias agressivas, que foram consentidas e toleradas por um universo político e judicial amedrontado com o fantasma do imenso poder do futebol, nunca dividiu internamente o seu clube e levou os seus críticos a admitir que tudo o que fazia, mesmo o que ia além do moral e eticamente admissível, o fazia em prol dos interesses do FC Porto e não dos seus interesses individuais, coisa que Bruno de Carvalho não parece ser capaz de distinguir.
(...)"

Vítor Serpa, in A Bola

PS: Entre outras coisas, onde é que o Serpa foi buscar a ideia que o universo leonino, hà mais de cem anos, é o universo mais livre e mais diverso?!!!
Um adepto do Belenenses, com realidades alternativas Lagartas é perigoso!!!

Resposta a um sportinguista zangado

"O facto de o futebol ser um mundo sujo, e de haver múltiplas razões para duvidar da hombridade de personagens como Filipe Vieira ou Pinto da Costa, não justifica um discurso totalitário.

A propósito do artigo que escrevi sobre Bruno de Carvalho, um leitor deixou este comentário no meu Facebook: “Sempre fui um leitor assíduo dos seus textos. Os quais se identificavam sempre com a minha linha de pensamento. Lá estava plasmado tudo o que gostaria de dizer faltando-me o engenho para tal. Contudo, o que escreveu sobre o presidente do meu clube foi para mim de tal gravidade que me faz abandonar este espaço. (…) No seu clube as situações são muitíssimo mais graves e o seu silêncio sobre isso raia a falta de seriedade.” Esta crítica merece que eu regresse ao tema do Sporting, para clarificar dois pontos que são para mim fundamentais.
O primeiro tem a ver com aquilo a que se costuma chamar a “paixão pelo futebol”, e que todos nós tendemos a aceitar pacificamente, como uma espécie de fanatismo manso. Ninguém leva a mal que um adepto de futebol declare em público que prefere ver a sua equipa ganhar com um golo irregular do que acabar o jogo empatado – e quem não apreciou a mão de Vata no jogo com o Marselha, como é o meu caso, é porque não é um verdadeiro benfiquista. Deixou-se aos poucos instalar a ideia de que o verdadeiro benfiquista, tal como o verdadeiro sportinguista ou o verdadeiro portista, deve suspender durante 90 minutos o espírito crítico e as regras de civilidade como demonstração da sua verdadeira “paixão” pelo clube. Alguém aceitaria que um militante do PSD declarasse publicamente que preferia ver Rui Rio ser eleito primeiro-ministro através de uma fraude eleitoral do que António Costa continuar em São Bento? Claro que não. Mas o futebol é outra coisa, não é?
Eu até estaria disposto a admitir que o futebol é, de facto, outra coisa se esse fanatismo fosse apenas do domínio da encenação, como o Carnaval – um breve momento em que nos entregamos nos braços da loucura. Só que o peso que o futebol tem presentemente na nossa sociedade, e a forma como ele está a contaminar o nosso espaço público, cada vez permite menos essa tolerância para com comportamentos bárbaros. Precisamos, por isso, de regressar ao bê-á-bá civilizacional, colocando o futebol no seu devido lugar, deixando de ser complacentes com a conversa dos fanáticos e combatendo todos os discursos totalitários.
E é assim que chegamos ao segundo ponto fundamental deste texto e às críticas do leitor. Quando ele declara que no Benfica há situações “muitíssimos mais graves” e que não falo delas, o mais importante não é mostrar o que eu já disse sobre Luís Filipe Vieira (e disse alguma coisa), mas afirmar claramente que para quem ama a liberdade não há situação mais grave no futebol do que a tripla bizarria a que assisti na última semana. 1) O discurso de Bruno de Carvalho sobre o que os sportinguistas devem ver, ler ou fazer; 2) o índex detalhado do inquisidor Saraiva sobre como se deve comportar uma comunidade de 3,5 milhões de pessoas; 3) o comunicado conjunto do Sporting e de uma dúzia de comentadores amestrados sobre o “desrespeito sistemático da instituição”. O facto de o futebol ser um mundo sujo, e de haver múltiplas razões para duvidar da hombridade de personagens como Filipe Vieira ou Pinto da Costa, não justifica um discurso totalitário, mesmo que em nome do combate à corrupção. Todos os fascismos e todos os comunismos destruíram regimes corruptos – e isso não os tornou mais admissíveis. Metam isto na vossa cabeça, por favor: entre um grande ladrão e um aprendiz de ditador, o aprendiz de ditador é, de longe, o mais perigoso."

Uma Semana do Melhor... Chupa-Chupa!!!

Benfiquismo (DCCLVIII)

Mais um...

Jogo Limpo... Juízes!!!

Luís Ferreira, Calheiros e Donato Ramos

"FC Porto lidera com mérito. Terá jornada fácil e amiga no Algarve antes de receber o Sporting.

Numa semana em que o Benfica goleou o Boavista, o FC Porto goleou o Rio Ave, o SC Braga goleou o V. Guimarães, Bruno de Carvalho goleou o Sporting, que por sua vez tinha goleado o tempo regulamentar de um jogo de futebol, ficou tudo aparentemente satisfeito. Houve goleadas para todos os gostos. No António Coimbra da Mota, tivemos uma nova aparição de Luís Ferreira, esse valor seguro da arbitragem nunca falha. Depois do Benfica - Boavista da última época, aqui está novamente em destaque. Luís Ferreira representa, nos tempos actuais, o que os seus colegas Carlos Calheiros ou Donato Ramos representaram na década de noventa passada.
O FC Porto lidera com mérito num campeonato onde terá uma jornada fácil e amiga no Algarve antes de receber o Sporting, num jogo de crucial importância. O Benfica não pode fazer mais do que ir vencendo os seus jogos e contornando os adversários dentro de campo, porque fora já se viu não ser capaz. No passado sábado, no jogo com o Boavista, não fazendo uma exibição de tanta qualidade como a do Algarve, o Benfica teve sempre o jogo controlado em mais uma exibição fantástica de Zivkovic. Saí da Luz ainda irritado com a derrota (única até agora) da primeira volta. Na Mata Real, teremos um adversário desesperado por pontos, num campo tradicionalmente difícil para o Benfica, e que exige um jogo de máxima intensidade do Benfica. Como sempre disse, os candidatos ao título poucos pontos perdem num campeonato tão desequilibrado, por isso, para quem já perdeu 13, resta vencer os jogos todos. Neste momento não faltam onze jogos, falta Paços de Ferreira e mais dez. O calendário tem que ser tratado com o cuidado de todas as parcelas, este é o momento da Capital do Móvel.
Semana pontuada com uma excelente exibição dos orientados de Paulo Fonseca (Shakhtar), que se arriscam a ser os únicos intrusos numa Champions reservada a quatro países. A Taça Latina da década de 50 era bem mais plural e democrática que a actual liga dos milhões. Como me lembrava um amigo esta semana, agora há mais goleadas na Liga dos Campeões que na Taça de Portugal, porque o desnível é maior.
Última nota, porque no mundo ainda há heróis; aos 36 anos (37 em 8 de Agosto) Roger Federer é de novo n.º1 do ranking ATP vencendo o seu 97.º torneio. Não há palavras? Se calhar há; Obrigado! (pelo exemplo e pelo desporto)"

Sílvio Cervan, in A Bola