Últimas indefectivações

quinta-feira, 18 de junho de 2015

A barreira da língua

"A fé é tudo no futebol. Se não houver fé no futebol nem um bilhete se vende nas bilheteiras dos estádios.

ATÉ ao final da tarde de segunda-feira, quando foi publicamente apresentado o novo treinador do Benfica, Rui Vitória era a primeira escolha de Luís Filipe Vieira mas creio que não era a primeira escolha da larga maioria dos adeptos do Benfica.
Assim que foi apresentado, Rui Vitória passou a ser a primeira escolha da larga maioria dos adeptos do Benfica porque o que tem de ser tem muita força.
«A partir do momento em que é treinador do meu clube passa logo a ser o melhor treinador do mundo» - é esta a liturgia que, de um modo geral, toda a gente de índole disciplinada segue quando surge um novo treinador com quem não se contava.
E há um mês ninguém contava que o Benfica fosse mudar de treinador. Ao Rui Vitória aproveitamos já para desejar, no mínimo, seis anos no posto.
Como o anterior treinador esteve seis anos no posto não é de um momento para o outro que uma pessoa se sintoniza com o novo treinador - estas coisas levam o seu tempo. Eu, por exemplo, tive grande dificuldade em perceber os primeiros minutos do discurso de Rui Vitória na tarde da sua apresentação. Era a primeira vez que falava para nós. E tudo aquilo que dizia soava-me arrevesado, a estrangeiro, a uma língua esquisita que abusava de concordâncias com grande desfaçatez.
Houve mais gente nossa a queixar-se do mesmo.
Depois, com o andar da conversa, os nossos ouvidos foram-se habituando devagarinho ao falar de Rui Vitória e, por fim, já todos compreendíamos quase tudo do que nos queria comunicar quando chegou ao fim da sua alocução.
Mas quase tudo não é tudo. Se, no entanto, no próximo dia 9 de Agosto o Benfica conquistar a Supertaça ficará logo ultrapassada a barreira da língua entreposta, pela força de um hábito antigo, entre o novo treinador do Benfica e os adeptos.
É com isso que todos contamos. E Rui Vitória também.

FOI bem mais agradável de se ver a exibição das segundas linhas da Selecção contra a Itália do que a exibiçãozinha das primeiras linhas da Selecção com a Arménia.
No jogo com a Arménia a Selecção limitou-se a cumprir com aquilo que se lhe pedia: uma vitória. No jogo com a Itália, um adversário historicamente intratável, fez bastante mais do que lhe era exigido. Acabou mesmo por ganhar o jogo por uma goleada de 1-0. Tendo em conta a arte italiana de resguardar a sua baliza ganhar por l-0 à Itália é sempre uma goleada. Estão todos de parabéns.

ESTE ano não vai haver Taça da Honra. O simpático e intermitente troféu de abertura de época organizado pela Associação de Futebol de Lisboa foi suspenso do calendário por falta de quórum, chamemos-lhe assim. Regressará em 2016, isto se o Benfica não se resolver, novamente, a ter outras ideias para a sua pré-temporada.
Uma choruda digressão do Benfica pelo continente americano no próximo mês de Julho retirou o emblema dos campeões nacionais do programa da Taça de Honra e, sem Benfica, a AFL decidiu que a prova não fazia sentido.
A homenagem é grande ao Benfica mas é pequena à Taça de Honra que, por este caminho, nunca mais alcança o estatuto de competição mini-clássica mas, ainda assim, muitíssimo estimável do futebol lisboeta. 
Poderia a Associação de Futebol de Lisboa ter pensado em organizar, neste Julho de 2015, um triangular envolvendo Sporting, Belenenses e Estoril no lugar do quadrangular que se realiza com o elenco completo. Mas assim não vai acontecer. Não há Benfica, não há nada para ninguém.

A propósito da derrota na final do campeonato de futsal, o presidente do Sporting atirou-se aos árbitros em geral e exigiu um apocalipse de Estado sobre todas as modalidades desportivas que se praticam em Portugal. «Não admitimos mais desrespeitos», correu a escrever no Facebook.
O presidente do Porto, por sua vez, entendeu proclamar que dispensaria de bom grado o seu treinador, qualquer treinador, se confiasse no desempenho dos fiscais-de-linha ao longo da temporada futebolística. 
Mas isto alguma vez foi maneira de ganhar campeonatos?
Imagine-se o estado de choque em que ficou, depois de ouvir Pinto da Costa falar sobre fiscais-de-linha, aquele mesmo fiscal-de-linha da Luz que, validando o golo irregular do Maicon ao cair do pano, acabou por oferecer o campeonato de 2012 ao Porto.
O futebol está todo de férias, menos na parte que mete apitos.

TEVE mais arte a colocação da fotografia de Jorge Jesus no alegre painel da equipa bicampeã nacional em exposição na loja do Estádio da Luz do que a sua remoção às mãos de um zelota anónimo magoado com os acontecimentos.
O episódio já tem umas semanas, eu sei, mas até pareceria mal não dizer nada sobre esta inusitada prática negacionista no historial do Benfica tendo em conta que até uma fotografia de João Vale Azevedo continua, e sem constrangimentos, à vista de todos no Museu do clube por uma questão de decência.
É no sentido da criatividade que digo que teve mais arte quem se lembrou de colocar a imagem de Jesus numa vitrina na Luz celebrando com os jogadores o título de campeão quando, se bem se lembram, foram comedidíssimos os festejos do então treinador do Benfica, sempre sisudo e sozinho, fazendo até adivinhar, a quem se entretém a decifrar expressões, o que aí vinha...
Em função da materialidade dos eventos foi, portanto, um abuso colocar a imagem de Jesus à força numa festa a que mal compareceu. Tirá-lo do grupo foi ainda pior.

VOLTANDO ao treinador do grande Benfica. Rui Vitória disse muitas coisas que os benfiquistas gostaram de ouvir. Não lhe deve ser difícil porque sendo ele também benfiquista sabe do que a casa gasta e sabe, sobretudo, do que a casa gosta. 
No dia da sua apresentação, deixou expressa a vontade de «fazer mais na Champions do que foi feito no passado». E quem é que não aprecia uma coisa destas?
Os adeptos tiveram oportunidade de voltar a rejubilar quando o treinador do Benfica se afirmou disposto a «apostar em cinco, seis ou sete jovens jogadores» para atacar a época de 2015/2016. A juventude é outro tema sensível na Luz, como bem sabemos.
No seu todo, a cerimónia de apresentação de Rui Vitória decorreu com decoro e dignidade em ambiente de fé no futuro. A fé é tudo no futebol. Se não houver fé no futebol nem um bilhete se vende nas bilheteiras dos estádios.
Luís Filipe Vieira pediu publicamente o tri a Rui Vitória. E eu acredito que sim, que o Benfica pode voltar a ser campeão.
Quanto à promessa do treinador de «fazer mais» na Champions com «cinco, seis ou sete jovens jogadores», francamente, já me parece bastante mais difícil de chegar lá.

COM a vitória no campeonato de futsal terminou em inaudita beleza a temporada das modalidades em que o Benfica, andebol à parte, esteve ao seu melhor nível que é aquele de ganhar tudo o que surja pela frente. 
O jogo que se veio a revelar decisivo do campeonato de futsal foi na casa do Sporting que chegou aos 2-0 de vantagem perto do fim da primeira parte. Odivelas foi ao rubro, naturalmente.
Com o entusiasmo do momento rebentaram-se umas bombas de fumo que deixaram «o ar irrespirável» no pavilhão provocando «grandes dificuldades aos jogadores», segundo concluíram os comentadores da RTP, estação que transmitiu o jogo em directo.
Por ser um clube de origem popular, com pulmões proletários mais resistentes à fuligem e às alterosas fornalhas, o Benfica deu-se melhor com a fumarada do que o adversário e foi num ambiente tão favorável quanto espesso que reduziu para 2-1 dando início à reviravolta.
A decisão do jogo e do título teve de esperar, no entanto, pelos penalties e acabou por sorrir ao Benfica. O Sporting ficou muito zangado com o árbitro que mandou repetir por duas vezes os penalties do Benfica visto que o guarda-redes do Sporting estava francamente adiantado em relação à linha de baliza. O que não é permitido no futsal.
No futebol também não é permitido o guarda-redes adiantar-se no momento do penalty.
Com um árbitro destes tínhamos ganho a final da Liga Europa ao Sevilha e a Beto. Também teria sido mais do que merecida essa vitória."

Leonor Pinhão, in A Bola

Notícias e não notícias

"A lei do mais forte (leia-se futebol) exprime-se nos jornais, televisão, rádio e entre as pessoas. Os outros desportos são, comunicacionalmente, uma espécie de side car, ao lado do imperial futebol. Assim ditam, também, as poderosas (e, às vezes, corrompíveis) leis do mercado.
Acontece que, quando estão e causa representações nacionais, custa-me ver a mera reprodução deste enorme fosso entre a importância que é dada a qualquer minudência no futebol em relação a sucessos prestigiantes noutras modalidades.
Foi o que, notoriamente, se verificou agora. Portugal jogou bola na Arménia e atletas portugueses competiram nos Jogos Europeus em Baku. E o que vimos? Manchetes, páginas e páginas, noticiários e comentários televisivos até à náusea por causa de uma sofrida vitória contra uns medíocres arménios. Um exagero tonto. Ao mesmo tempo, a selecção nacional de ténis de mesa, campeã da Europa, arrebata a medalha de ouro no Azerbaijão. E o que constatámos? Uma quase ausência nos telejornais e uns míseros milímetros quadrados nas capas dos jornais, arrumados a uma canto e esmagados por um «inolvidável» êxito na Arménia.
Os medalhados no Azerbaijão (coisa rara no futebol) continuam em outras modalidades. Mas o que é isso diante de umas declarações inócuas de um qualquer jogador ou as férias de um treinador?
Vem aí o Mundial de hóquei. Este desporto, outrora o mais representativo de Portugal, bem precisa não só de reconquistas, como de apoio, que começa na comunicação social. Mas já antevejo uma qualquer pré-transferência no futebol a levar na enxurrada das não-notícias as notícias de Portugal do hóquei."

Bagão Félix, in A Bola

Jardel...

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Glorioso SLB

"Um ano quase perfeito do Benfica: tetracampeão de basquetebol, tricampeão de voleibol, bicampeão de futebol e «o campeão voltou» em hóquei em patins e futsal. Refiro-me aqui apenas às competições masculinas colectivas com bola, mas não secundarizo outras modalidades, como o atletismo e as provas femininas (no hóquei em patins, ganhando tudo, cá e na Europa).
Um pecúlio notável que não é fruto do acaso. Nem da sorte. Como se costuma dizer, a sorte só vem antes do trabalho no... dicionário. Resulta da grandeza de um clube radicalmente eclético e de um persistente e bem estruturado plano que dá já os seus frutos em plenitude. Se juntarmos os últimos 2 anos, o Benfica conquistou 8 campeonatos, o Porto 2 (andebol), o Valongo 1(hóquei, 2013/14) e o Sporting 1 (futsal, na época passada).
Por isso, como benfiquista que gosta de futebol, mas também muito das outras modalidades, felicito os órgãos dirigentes, nas pessoas do presidente Luís Filipe Vieira e do vice-presidente Domingos Almeida Lima.
E também endereço a minha gratidão aos técnicos que souberam potenciar conjuntos de atletas excelentes. Falo de notáveis exemplos de benfiquismo e de competência como Carlos Lisboa, José Jardim e Pedro Nunes. Falo do jovem e sereno técnico de futsal Joel Rocha (soube-me bem a vitória, e logo em casa do eterno rival). Falo, evidentemente, de Jorge Jesus, decisivo para o tão ansiado bicampeonato depois de 31 anos de 'bijejum'.
Também nas camadas mais jovens tem havido títulos e futuro assegurado. Na época que se avizinha, espero mais vitórias. Com Rui Vitória e os treinadores vitoriosos que continuam."

Bagão Félix, in A Bola

O que espera Rui Vitória no Benfica

"1. O talento individual é a base para a excelência dos desportos colectivos, mesmo sabendo que o êxito mais relevante só chega depois de harmonizados todos os elementos em causa. Por isso o treinador é peça tão importante na construção de uma equipa. O futebol, como espelho da sociedade, sugere a cada um o desejo de expressar-se de acordo com os valores que defende. Num grande clube, o conceito de sucesso não comporta apenas a vitória: depende muito do modo como é alcançada. Aos 45 anos, e depois de peregrinações menores, Rui Vitória é o novo treinador do Benfica. Diz-nos o passado que nem todos os profetas escalam a montanha à primeira tentativa. Mas o caminho não tem escapatórias: o treinador só chegará ao céu se levar os jogadores a aceitar o rumo que lhes é dado.
2. Todas as decisões contribuem para dar personalidade a uma equipa: toque ou pontapé para a frente; defender à zona ou homem a homem; jogar por dentro ou por fora; com um ou dois avançados no eixo central. Se as alternativas ao modelo são reduzidas (a grandeza do Benfica abrevia boa parte das opções, ficando apenas por calibrar elementos como vertigem, equilíbrio, aventura, disciplina, risco, organização), em termos tácticos veremos se resiste o 4x1x3x2 de JJ, com dois avançados, vincada exploração dos flancos e uma dupla de médios com a funcionalidade de Javi e Aimar; Javi e Witsel; Matic e Enzo; Samaris e Pizzi. Mesmo que a exequibilidade do novo paradigma imaginado para o futebol benfiquista (mais formação e menos investimento) tenha sido posta em causa, RV só tem de juntar ao pedagogo o treinador que sempre foi.
3. Vitória beneficia também da identificação com a cultura da casa, vantagem que lhe permitirá mais consistência nas decisões. Por experiência, sentimento e sensibilidade, sabe que o Benfica, mais ainda após seis anos de ouro que interromperam o ciclo miserabilista das últimas duas décadas, recusa ver-se reduzido a equipa moldada pelos princípios estritos de pragmatismo, ordem, disciplina e profissionalismo. A riqueza da história e o brilho do troço conduzido por Jorge Jesus dão lustro ao orgulho de uma família que rejeita alterar a sensibilidade e a tendência estética definida no código genético. RV, que teve de dançar ao ritmo de diferentes músicas em Guimarães - chegou a fazê-lo na mesma temporada -, atingiu patamar cuja lógica de grandeza não tem comparação.
4. RV vai ter de adaptar inteligência e talento à construção de um exército que respeite o passado da grande potência; que gere felicidade entre o seu povo, enobreça o jogo, estimule o espectáculo, valorize os soldados e promova o negócio. Nem todos os generais triunfam debaixo de tanta pressão, marcada pelo escrutínio impiedoso dos adeptos e pela cobrança instantânea do circo imenso que gira à volta. Homem firme de perfil discreto, RV tem pela frente um mundo novo por descobrir; uma dimensão superior para testar a bagagem de saber que o trouxe ao topo sem saborear o inêxito. Só perante desafios tão transcendentes o ser humano testa a solidez do conhecimento que possui, os fundamentos da proposta que apresenta, a força das ideias que defende e a espessura da personalidade que o suporta. A tarefa é difícil mas não impossível; cumpre o sonho de uma vida mas não danifica a ambição; alimenta dúvidas mas não mata a esperança.
(...)"

Panenkas e formação

"Caro Raphael Guzzo, até hoje nunca usei esta minha coluna para me dirigir a alguém sob a forma de carta mas, porque há sempre uma situação em que vale a pena quebrar as regras, cabe-lhe a si ser o destinatário. 
Antes de mais quero dizer-lhe, admitindo a minha fraqueza, que me apeteceu insultá-lo pelo penalty falhado no jogo com o Brasil. Claro que apeteceu, é futebol, é ganhar, é perder. É emoção pura, e perder é sempre pior do que ganhar.
Limitei-me a um desabafo na hora, mas, acredite, não é nada contra si. Só não falham grandes penalidades os medíocres: os que não têm talento para jogar futebol; os que, tendo, não têm coragem de se chegar à frente.
E foi por isso que, no dia seguinte, voltei a ter vontade de insultá-lo, quando li no Facebook a sua emocionada mensagem. Diz o Raphael que deixou ficar mal os colegas, os amigos e a família? Desculpe o paternalismo, mas... enlouqueceu? Quem deixa ficar mal o País não são os futebolistas que falham pontapés, antes os que roubam e corrompem, os que por omissão permitem o perpetuar dos erros. Não volte sequer a pensar «não vou dizer que não têm razão» os que o insultaram com mensagens de ódio! Claro que não têm! Só gente irracional pode insultar quem falha um pontapé! Não se encolha, não carregue a culpa que não é sua. Sim, podia ter chutado ao ângulo, mas fez aquilo em que acreditava. Correu mal, é verdade, mas, convenhamos, por alguma razão aos 20 anos ainda joga nas selecções de formação.
Acredito, então, que tenha aprendido que o penalty à Panenka só era bom quando ninguém o marcava e que agora que está banalizado deixou de resultar. Ainda vamos rir juntos quando marcar o penalty que dará a Portugal o título Mundial em 2018!"

Nuno Perestrelo, in A Bola

Nome de águia

"Na primeira aparição pública à Benfica, Rui Vitória revelou inteligência e maturidade. Para já, entrou a ganhar
O novo treinador do Benfica chegou à Luz pela mão do presidente, mas previamente condenado a ter de conquistar a maioria dos adeptos, já que um passado benfiquista não é suficiente para aplacar mágoas e sentimentos de vingança provocados pela saída de Jorge Jesus, mantendo-se viva a discussão se saiu pelo próprio pé ou foi empurrado. De véspera, Luís Filipe Vieira teve o cuidado de abrir o caminho a Rui Vitória, deixando claro que não é homem para decidir por impulsos. Reforçou a ideia de o projecto estar à frente dos nomes e, na passada, respondeu a quantos defenderam a contratação de Marco Silva, ao jeito de retaliação.
A escolha de Rui Vitória aparece desde o início colada a uma projectada mudança de paradigma, fazendo da formação bandeira de futuro, ideia simpática para agradar às massas, mas irrealista de ponto de vista desportivo, pois toda a gente sabe que é de todo impossível de um ano para o outro pegar em cinco jogadores da academia, pô-los a jogar e continuar a ganhar. Foi no arrefecer dessa ideia de uma aposta incondicional na formação que Vitória começou a pontuar. O treinador anunciou ambição, mas não se esqueceu de referir o principal objectivo da temporada: o tri. Do mesmo modo avisado, deixou clara a intenção de não mexer no que encontrar bem feito, aproveitar o sistema de jogo e a estrutura da equipa e ir colocando cunho pessoal com o passar do tempo. Para além de ter nome de águia, vê longe. Ah! Está desejoso por medir forças com Jorge Jesus mas sem que nenhum deles conte a sério. Importante será o Benfica-Sporting."

O "déjà vu" pode ser útil

"Até agora, ainda não há defeitos visíveis nos controversos Jogos Europeus
Apanhados em cheio pelo escândalo FIFA e entregues a um país tão puro e cristalino como o Azerbaijão, os primeiros Jogos Europeus resvalaram num instante para a suspeita. Jornais tão fidedignos como o inglês The Guardian escreveram que eram apenas uma forma de os Comités Olímpicos da Europa acederem ao negócio tão apetecido (e sinuoso) dos grandes eventos "a la FIFA". Em parte, é por causa disso que são combatidos pelas confederações do atletismo e da natação, que já vão tirando lucro dos seus próprios campeonatos continentais e não querem concorrência. É verdade que as medalhas portuguesas no ténis de mesa, no taekwondo e na canoagem são repetições do que sucedeu nos respectivos Europeus (as mesmas competições e os mesmos competidores deram nos mesmos vencedores, que surpresa), o que faz estes primeiros Jogos parecerem uma espécie de prova dos nove de luxo. Mas também é verdade que trazem aos vencedores uma ratificação valiosa, em ambiente já muito próximo do Olímpico, que por cá é sempre tido como perturbador para os portugueses. E ainda, obviamente, um prolongamento da glória e de um momento de superioridade competitiva que não faz mal nenhum aproveitar. O ténis de mesa, o taekwondo, o triatlo e até a canoagem não sofrem, propriamente, de excesso de atenção. Ou seja, para os interesses de Portugal, ainda não vi defeitos nos Jogos Europeus. E menos ainda verei se, como desconfia o The Guardian, daqui por alguns quadriénios eles começarem a render muito dinheiro e a produzir Blatters. Não me importaria nada que o Comité Olímpico de Portugal, que vai buscar 85% das receitas ao Estado, tivesse a conta bancária da FPF."

Segredos Cristante (completo)

O filho do mestre do jogo da pata

"Teve convites para jogar no Atlético de Madrid e no Real Madrid, mas teimava: «A sair da minha terra, só para jogar no Benfica». Domingos Carrilho Demétrio foi uma das grandes lendas do futebol português: chamavam-lhe Patalino.

Hoje, se me dão licença, falarei de alguém que nunca jogou no Benfica. Não deixou, por isso, de ser uma das mais lendárias figuras do Futebol português. Domingos Carrilho Demétrio: o Patalino. Não jogou no Sport Lisboa e Benfica, mas jogou no Sport Lisboa e Elvas, clube da cidade onde nasceu em 1922 e filial do Sport Lisboa e Benfica, como está bem de ver.
Numa entrevista à famosa revista «Stadium», já na altura adiantadíssima para a época, Patalino confessou a sua alma 'encarnada'. Que sim, que tinha uma paixão pelo Benfica, que o Benfica seria o único clube que o faria deixar o seu Alentejo natal, mas que não conseguia, que as saudades eram mais fortes, que nada o arrastava para fora da sua zona raiana por mais convites que tivesse.
E teve. Imensos! O Sporting pensou nele para jogar ao lado de Peyroteo e poder um dia substituir o homem de Humpata. Patalino não foi.
Houve o Bordéus, até o Real Madrid... E Domingos Carrilho Demétrio aferrado ao seu rincão, preso ao Alentejo, às suas paisagens melancólicas, à sua gente pacífica.
Quando Patalino começou a jogar, Elvas era terra de Futebol. Havia o Sport Lisboa e Elvas, filial n.º 6 do Sport Lisboa e Benfica, havia o Sporting Clube Elvense, filial do Sporting Clube de Portugal, havia o Clube de Futebol «Os Elvenses», filial do Belenenses.
O Sport Lisboa e Elvas ganhou destaque ao conseguir ascender em 1946, à I Divisão. Patalino era a estrela da companhia, que contava com gente como Massano, Toninho, Morais, Aleixo ou Rosário, por exemplo.
Gente finíssima.
Esse dia 9 de Maio de 1948
No dia 13 de Janeiro de 1946, Patalino estava no Campo Grande para defrontar o Benfica.
Rezam as crónicas (não juro, porque não tenho elementos para isso) que foi o primeiro jogo oficial entre um clube e uma das suas filiais.
Vitórias, sobre a Oliveirense,Vitória de Guimarães e Boavista tinham feito recair o interesse sobre a equipa alentejana.
Por isso, o público não faltou.
Escrevia Ribeiro dos Reis, um dos grandes mestres: «O Sport Lisboa e Elvas tem um grupo curioso, que faz um futebol agradável de seguir e que representa condignamente a sua região. O sector do ataque, especialmente o trio central, deixou bom cartel. Movimentam-se todos bem, sabendo desmarcar-se e lutando com brio e entusiasmo. Mostraram-se decididos em frente da baliza, o que constitui virtude de grandes méritos. O seu segundo e último 'goal' foi um modelo de boa execução e mereceu plenamente os vibrantes aplausos do público».
O segundo «goal» foi de Alcobia; o primeiro de Patalino.
O Benfica marcou cinco: Rogério Pipi (2), José da Luz, Moreira e Aleixo na própria baliza. O encontro ficou, portanto, para a história.
E Patalino continuaria a marcar golos e golos.
Alguns ao Benfica.
No dia 9 de Maio de 1948, a três jornadas do fim do Campeonato, dá uma machadada decisiva na hipótese de o Benfica vir a ser campeão. Senhor de uma categoria rara nos avançados do seu tempo. Patalino faz desgraça no Campo Grande com dois golos em 30 minutos, fazendo da resposta de Rogério Pipi na segunda parte um mero acaso estatístico.
Nessa altura já Patalino jogava n'O Elvas - Clube Alentejano de Desportos, resultado da fusão entre Benfica e Sporting, ou seja, entre Sport Lisboa e Elvas e Sporting Clube Elvense, vindo a tomar o lugar do primeiro no Campeonato Nacional da I Divisão.
Patalino?, perguntarão os meus estimadíssimos leitores... Sim, Patalino de alcunha. O seu pai tinha fama de ser grande campeão do jogo da pata, um jogo tradicional disputado com dois paus, e daí Domingos Carrilho Demétrio, ter ido dar em Patalino.
Antes do Sport Lisboa e Elvas (e a seguir O Elvas), jogou n'Os Elvenses e no Lanifícios de Portalegre. Rápido, eficaz, com uma capacidade física impressionante, foi émulo de Peyroteo, embora à distância, e foi chamado à Selecção Nacional lado a lado com o mesmíssimo Peyroteo, com Rogério Pipi, Bentes, Jesus Correia, Araújo, Travassos e todos os grandes da sua geração.
Em 1947 recusa 150 mil pesetas e um ordenado de 2500 pesetas para jogar no Atlético de Madrid. «Para abandonar a minha querida terra só o faria pelo Benfica».
Nunca veio para Lisboa. E saiu de Elvas pouco tempo depois de O Elvas ter baixado de divisão. Não foi para longe. Assinou pelo Lusitano de Évora e voltou a jogar na I Divisão e a defrontar o Benfica.
Em 1956 estava no Serpa. Depois veio o Luso do Barreiro e o Arrentela onde ainda se cruzou com aquele que viria a ser por muitos anos dono da baliza do Benfica: José Henrique.
No Futebol, como no firmamento, as estrelas têm por hábito cruzar-se. E deixar atrás de si o rastro brilhante das lendas..."

Afonso de Melo, in O Benfica

Proeza que bateu de longe todos os prognósticos

"Nem os furúnculos, nem a chuva impediram José Maria Nicolau de vencer a X Porto-Lisboa num impressionante tempo recorde.

Em 1932, após cinco anos de interregno, foi retomada a Porto-Lisboa em ciclismo. Seria a primeira vez que José Maria Nicolau participaria nesta dura prova de 340 quilómetros percorridos de uma só vez entre o Porto e a capital.
Mas por azar, seis dias antes da prova, após um treino que fez no Porto, foi atacado por uma grande quantidade de furúnculos nos pés, a ponto de quase não poder andar. Convenceu-se de que se estava impossibilitado de participar - chorou lágrimas amargas! Ao sujeitar-se a um tratamento rigorosíssimo, melhorou. Porém, às vésperas da partida, por efeito do tratamento, o pé esquerdo a inchar desmedidamente a ponto de não conseguir calçar o sapato! Mas a estrela da sorte estava de seu lado, com tratamento o pé desinchou e pôde tornar o seu sonho realidade.
Partiram do Porto às 2h30 da madrugada de 17 de Julho. O tempo mudou e a chuva que começava a cair em pleno verão fustigou os corredores em quase todo o percurso. Porém, o entusiasmo pela prova era tal que isso não impediu que milhares de pessoas vibrassem com a passagem dos corredores. Desde a aldeia mais pequena até à cidade mais populosa não faltou público a saudar e a encorajar.
José Maria Nicolau impôs um andamento vigoroso à prova. Já perto de Lisboa, imprimiu à corrida o máximo de velocidade que lhe era possível. Era surpreendente a sua energia para quem já tinha feito 300 Km.
Apenas aguardado por volta das 16h, entrou na pista do Estádio do Lumiar pouco depois das 14h30. Ainda chegavam pessoas ao Estádio e muitas só chegaram depois! Fez sem esforço as seis voltas complementares sempre delirantemente aplaudido. Pela primeira vez venceu a Porto-Lisboa e conseguiu a proeza de baixar o tempo da prova em 2h 35m e 11s. No final, os colegas levaram-no aos ombros para mais uma volta à pista em apoteose de triunfo.
Poderá recordar esta e outras conquistas deste grande nome do ciclismo português na área 2. Ídolos de sempre do Museu Benfica - Cosme Damião."

Ana Filipe Simões, in O Benfica

Samaris...

Cristante...

Maxi...

terça-feira, 16 de junho de 2015

O anti-Jesus?

"O maior erro que Rui Vitória podia cometer na sua afirmação como treinador do Benfica seria surgir como o anti-Jesus, alguém que se pretendia afirmar renegando o modelo que foi consolidado nos últimos anos. Por muito que um treinador tenha uma ideia de jogo que deseja imprimir, esta não se pode traduzir numa ruptura radical. Principalmente quando pega numa equipa que vem de campanhas vitoriosas.
Num dos poucos momentos em que foi convidado a falar sobre futebol ontem, Rui Vitória disse isso mesmo. Entre perguntas sobre contratações, confiança, renovações e aposta em jovens, o novo treinador do Benfica lá conseguiu dizer alguma coisa sobre o que pretende fazer futebolisticamente. Na entrevista à Benfica TV sublinhou que não ia 'cortar com o passado', nem 'estragar nada', mas acrescentou uma ideia diferenciadora: 'Vamos trabalhar para ter solução para as diversas competições' e desenvolver 'alternativas tácticas', que tornem o Benfica 'mais versátil'.
Para bom entendedor, estas palavras bastam. Jorge Jesus tem muitas qualidades como treinador, mas o Benfica dos últimos anos tinha também uma debilidade, arriscaria dizer, estrutural. Era uma equipa com um sistema de jogo quase único, com pouca versatilidade táctica: ou apresentava um carrossel atacante estonteante ou sofria a bom sofrer para controlar as partidas. Não por acaso que, contra equipas do seu nível, o Benfica ficou aquém das suas possibilidades (na Champions, mas, também, nos jogos com os principais rivais).
Se Vitória conseguir manter-se fiel a um modelo de jogo de clube grande, atacante e de posse, mas for capaz de acrescentar uma versatilidade táctica que Jesus, de facto, nunca imprimiu, concretizará o que prometeu. Continuará o trabalho feito até aqui, mas juntará uma dimensão que faltou nos últimos anos. Versatilidade é a palavra-chave para continuar o percurso ganhador já iniciado."

Falamos pelo Natal

"Até Mano Menezes, antigo seleccionador do Brasil, em declarações à RTP Informação, estranhou a campanha desajustada, na forma e no tempo, que, num ápice, se generalizou acerca da mudança de Rui Vitória, de Guimarães para a Luz, como se não houvesse vida e clube além de Jesus e renegando-se a carreira relevante, apesar de curta, de quem foi escolhido para o substituir: levou o Paços de Ferreira à final da Taça da Liga e ao serviço do Vitória Sport Clube, em quadro complexo, chegou em duas ocasiões à Liga Europa e conquistou uma Taça de Portugal, feito único na história do emblema vimaranense, em 2013, a 26 de maio, ao vencer o Benfica, por 2-1, em jogo traumatizante para os benfiquistas e que só não determinou o despedimento de Jesus porque Vieira foi capaz de resistir à tentação de decidir por impulso, como deixou entender na cerimónia de apresentação do novo treinador dos encarnados.
Se Vieira tivesse optado pela não prorrogação contratual, como se esperava, muito provavelmente Jesus não passaria de um actor vulgar, daqueles que não conseguem agarrar as oportunidades, pois, à data, no quarto ano de contrato, só apresentava um Campeonato no currículo, precisamente na época de estreia, com uma equipazinha que tinha Aimar, Saviola, Di María, Ramires, David Luiz, Javi García e por aí fora. Na seguinte, ficou a 21 pontos do FC Porto, que festejou na Luz o título, e em 2012 e 2013 quem se divertiu foi Vítor Pereira, o adjunto de Villas Boas, que em dois anos foi por duas vezes campeão nacional: eficácia total.
Prudência, portanto, na avaliação de méritos porque o futebol é assim, imprevisível e... traiçoeiro. O Jesus actual pode valer o peso em ouro e terá sido por isso que Bruno de Carvalho apostou nele, mas há dois anos a sua cotação andava pelas ruas da amargura, motivo por que alguma comparação que se pretenda estabelecer, por uma questão de coerência, deva cingir-se ao ponto de partida e não propor medições de conveniência, em que se extrai de um dos lados o que dá jeito para embaciar a imagem do outro que, como se percebe, nada tem para contrapor...
Creio que a herança de Rui Vitória é muito menos pesada do que se apregoa. Como Luís Filipe Vieira destacou na sua intervenção ontem, findou um ciclo, que lhe mereceu palavras de agradecimento e inicia-se outro com o firme propósito de abraçar o futuro e de pôr todo o edifício futebolístico da águia a falar a uma só voz, tendo recordado que o Benfica alcançou conquistas importantes nos últimos tempos, mas uma há que se destaca de todas as outras, a da união...
Não vale a pena alimentar mais discussões no sentido de tentar adivinhar o que poderá reservar o próximo campeonato. Sugiro que se espere pelo Natal para mais rigoroso exame em função das classificações e por, nessa altura, ser possível avaliar a saúde dos clubes portugueses nas competições da UEFA.
Bruno de Carvalho é o que ficou com a encomenda mais difícil de desembrulhar. Porquê? Jesus, com o contrato milionário que o Sporting lhe ofereceu e as garantias de recebimento que deve ter acautelado, sente-se tranquilo por ser o primeiro ano em Alvalade (adaptação à casa nova) e por não aceitar que lhe exijam títulos sem jogadores com qualidade para tal; e sabe-se como ele é caprichoso nessa matéria. Se correr bem, os aplausos vão para o treinador; se correr mal, o problema passa a ser do presidente, com perigo de colapso da estrutura...
Pinto da Costa, por seu lado, carrega o estigma de fracassar há duas temporadas e pode pagar pela teimosia em manter Lopetegui no comando técnico do FC Porto. A verdade, porém, é que o treinador basco, mau feitio à parte, revelou personalidade e conhecimentos que justificam segunda apreciação.
Luís Filipe Vieira, dos três, é o mais despreocupado: o Benfica é campeão de futebol, domina no universo do desporto português (basquetebol, atletismo, futsal, hóquei em patins e voleibol; apenas lhe escapou o andebol) e, como referiu, «com estratégia, organização e competência, de certeza que os resultados aparecem». Por isso, Jesus é passado e Vitória é presente que vai ligar ao futuro..."

Fernando Guerra, in A Bola

Vitória com os pés no chão

"Tranquilo, confiante e obviamente bem-disposto. O primeiro retrato de Rui Vitória como treinador do Benfica acentuou os traços da sua personalidade e que o fizeram encarar o momento solene da apresentação com evidente naturalidade mas também com enorme sentido de responsabilidade. 'Se há coisa que não sou é tonto', afirmou, a dado passo, durante a conferência de imprensa, e se a frase foi dita num determinado contexto (no caso, respondendo a uma questão sobre as oportunidades a dar aos jovens) a verdade é que se aplica muito bem a Vitória.
Das respostas do treinador, ficam vários (e bons) 'sound bites', sendo incontornável aquele que abriu noticiários e perdurou nas primeiras páginas dos 'sites': 'Darei a vida por este clube.' Rui Vitória preparou-se uma carreira inteira para chegar à sua cadeira de sonho e, portanto, não está minimamente inseguro em relação ao desafio que tem pela frente. O desafio é enorme? É. Mas se o Benfica pode deixar Vitória nas nuvens, a verdade é que o treinador não tirou os pés do chão neste primeiro dia de águia ao peito.
Sem medo do passado e muito menos do futuro, Vitória assumiu a herança de Jesus com vontade de a enriquecer. Marcou, contudo, diferenças nalguns aspectos: não prometeu títulos; abriu a porta aos produtos da formação; admitiu um Benfica mais versátil do ponto de vista táctico e falou quase sempre na terceira pessoa do plural.
Objectivos também ficaram traçados: conquistar o tri e fazer melhor na Champions. Aí, a palavra dada por Vieira terá peso determinante. Tratando publicamente o treinador por tu, o líder encarnado garantiu que Vitória terá equipa competitiva. Virão por certo mais reforços."

Vitória & Vitória

"O Romário, o Romário que nasceu na miséria da favela do Jacarezinho e agora é senador, não é só a memória na relva daquele encanto que o Galeano pôs em poesia:
- Vindo sabe-se lá de que região do ar, o tigre aparecia, desferia o golpe com as garras abertas e esfumava-se e o guarda-redes, apanhado na sua jaula, não tinha nem tempo de pestanejar...
é também o frasista tão notável como o tigre que era - e que uma vez disse:
- Treinador bom é treinador que não atrapalha!
Porém, ainda melhor frasista é o Valdano - que contou que perguntando a um técnico esperto e experimentado o que é que os dirigentes querem quando contratam um treinador, recebeu dele, em resposta, fulminante e cínico:
- Querem que lhes mintam!
Não, nem todos os dirigentes (ou nem sempre...) querem que o treinador lhes minta, lhes dê só o sonho de acreditarem que o futuro pode ser o paraíso num castelo de ilusões. Luís Filipe Vieira não quis - e fez o que fez, sem ceder à tentação emocional dum impulso ao jeito de olho por olho, dente por dente o Marco Silva...
E fê-lo bem. Porque Rui Vitória não é só treinador bom por ser dos que não atrapalham, é treinador bom por não ser dos treinadores que são bons a atiçar delírios - é bom por outras coisas. Por juntar na mesma personalidade a inteligência, a esperteza, a criatividade e o destemor - e ter bons fígados e melhor carácter. Por viver interessado em aprender para além do que sabe - e saber que no futebol o pior cego é o que só vê a bola ou a táctica. Por não ser colérico e irritadiço - e não ter medo de riscos ou fantasmas. Por ser sensível a emoções e lealdades - mais do que a si próprio e a caprichos. Por não se perder na petulância de ter na cabeça um deus em nome próprio - e não se preocupar mais como seu ego do que com o resto. Por tudo isso é que no paradigma deste novo Benfica melhor do que ele era impossível e sendo o Vitória o treinador a vitória é de Vieira- cada vez mais à Pinto da Costa..."

António Simões, in A Bola

PS: Esta coluna termina com um suposto a Vieira!!! Comparando-o 'positivamente' com o Pintinho... Está gente não aprende, continua a confundir a xico-espertice do trafulha, com competência...!!!

Cultura de exigência

"É dos mais novos treinadores a ser campeão de futsal em Portugal. Joel Rocha, aos 33 anos, encheu de alegria milhares de benfiquistas com a conquista do título, fazendo uma abordagem diferente quando contextualiza as suas ideias sobre a modalidade em Portugal. A nova vaga de treinadores portugueses, a que se junta Nuno Dias, do Sporting, acrescenta um discurso interessante, bem sustentado, equilibrado e que soa bem ao ouvido.
A cultura de exigência não foi adquirida no Benfica. Quando o ano passado estava à frente do Fundão, levando o clube à conquista da Taça de Portugal, Joel Rocha encheu o coração dos jogadores da Beira Interior. 'Todos os jogos são do nosso campeonato', repetiu várias vezes o técnico. Frases que fizeram todo o sentido e que tiveram o efeito prático com a envolvência da equipa a ser um quebra-cabeças quando defrontava os chamados grandes.
Não demorou muito tempo a que o Benfica fizesse uma proposta tentadora. Sem qualquer tipo de receio, o desafio era muito maior que a zona de conforto. E para quem nunca foi um praticante de excelência, a paixão pelo treino e por todo o envolvimento das suas componentes pedagógicas falou mais alto. A experiência que teve como técnico de uma equipa feminina de futsal e o facto de ter sido professor de educação física numa escola referenciada numa zona bastante problemática em Lisboa terão ajudado a construir as paredes mestras como formador de jovens.
A cultura de exigência preconizada pelo Benfica - e que tem sido consolidada nos últimos anos - também tem possibilitado novas experiências para os seus responsáveis técnicos. Já lá vai o tempo em que os dirigentes aprovavam contratações avulsas, mas nessa altura não havia sequer o devido enquadramento técnico. Agora, as responsabilidades são outras e este conceito também se aplica tanto ao Sporting como ao FC Porto. O problema é saber chegar ao sucesso reduzindo a margem de erro. E para que isso seja uma realidade os clubes têm de falar a mesma linguagem nos mais diversos escalões. No fundo, quem tiver mais dinheiro está mais perto de ter sucesso, mas se o treinador não conseguir gerir os egos ao longo da temporada arrisca-se a não fazer parte da história."

A nova fronteira de Rui Vitória

"Rui Vitória foi, enfim, oficialmente apresentado como treinador do Benfica. Cerimónia curta e simples, embora digna, como seria aconselhável para um evento que não trazia impacto pela novidade. Importante assinalar o discurso responsável e pleno de maturidade do novo treinador. Satisfação sem euforias, optimismo sem promessas vãs, afirmação de uma linha de aproveitamento de jogadores jovens, mas sem fundamentalismos.
Não menos importante e interessante o discurso de Luís Filipe Vieira. Pelo lado quase intimista que procurou usar, numa mensagem de «bom regresso a casa» a um treinador que já trabalhou nos escalões jovens do clube e, acima de tudo, pela dimensão elevada e pela dignidade como agradeceu a Jorge Jesus os méritos na ajuda ao crescimento dos últimos seis anos do Benfica.
Pode pois dizer-se que a apresentação de Rui Vitória foi injustificadamente tardia, mas teve a compensação de declarações inteligentes e bem ponderadas dos principais protagonistas. A partir de agora, Rui Vitória entrará numa nova e especial fase da sua prometedora carreira. Na geração dos jovens treinadores portugueses, Vitória será um dos que têm tido resultados de sucesso mais consistente, sem nunca ter mostrado qualquer ambição mediática. O Vitória de Guimarães, onde fez, de facto, um trabalho notável, trouxe-lhe um patamar de clube médio, mas exigente. Surge, agora, o Benfica e Rui Vitória sabe que isso significa que a fasquia sobe muito, sobretudo ao nível da pressão do dia a dia. É a fronteira que todos os grandes treinadores têm de saber passar."

Vítor Serpa, in A Bola

... ainda o Futsal !!!

A ESPN Brasil esteve em Lisboa para fazer umas reportagens sobre o Benfica e Sporting. Vejamos como são vistos Benfica e Sporting pelos olhos brasileiros.

Posted by Jarbas on Terça-feira, 16 de Junho de 2015

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Lealdade

A entrevista do Maxi Pereira publicada n'A Bola, hoje, tem provocado discussão. Primeiro porque deixou dúvidas sobre aquilo que o Maxi disse realmente, mas depois a meio da tarde, a Bola TV transmitiu a entrevista (via telefone creio...) na integra, e as dúvidas ficaram dissipadas.
Continuo confiante que a renovação vai ser assinada. Aliás o acordo de principio já existe desde da semana passada. Desconfio que o trafulha do empresário, tenha usado o Maxi (conscientemente, ou não...), para pressionar um pouco mais o Benfica...
Será sem dúvida o último 'grande' contrato do Maxi, e portanto é normal a vontade do jogador em obter as melhores condições possíveis. Logo pela manhã, interpretei estas palavras como uma tentativa de 'esticar a corda', tal como outros jogadores já o fizeram, e acabaram por renovar... E se no 'antigamente' estas coisas não aconteciam, era porque a legislação laboral desportiva, não permitia... porque senão alguns dos nossos ex-jogadores pré-anos 80, não tinham feito as suas carreiras inteiras no Benfica...

Dito isto, e respeitando o direito legal do jogador em procurar o melhor para si, e para a sua família, existe um argumento que discordo:
O negócio do Futebol, baseia-se na militância dos adeptos. Quem paga os ordenados aos jogadores, não são as TV's nem os proporcionadores; quem paga os ordenados são os sócios e os adeptos, que tornam proveitoso para as televisões e para os patrocinadores investirem no Futebol. Sem os adeptos, o negócio do Futebol não existe. Portanto existem deveres e obrigações que os funcionários dos Clubes devem ter, que vão muito além dos 90 minutos...

No caso do Maxi, tenho que reconhecer que nos 8 anos que veste o Manto Sagrado, o seu comportamento dentro e fora do campo tem sido exemplar. Tendo em várias ocasiões se sacrificado em nome do Clube, quando nada o obrigava...

Agora, o respeito por aqueles que lhe proporcionam uma vida de sonho (sim, ser jogador profissional num Clube como o Benfica, é um enorme privilégio), não termina quando o contrato acaba. A ligação sentimental que os jogadores (e técnicos) acabam por potenciar com os adeptos, não termina no dia em que eles deixam o Clube. Tal como nós adeptos, hoje, continuamos a a glorificar as nossas Glórias do passado, apesar dos contratos de trabalho já terem expirado há muito tempo... Os ex-jogadores, não fazem favor nenhum, se quando deixarem o Clube (sócios e adeptos incluídos, como é óbvio...), que sempre os tratou bem, continuarem a respeitar todos aqueles que os aplaudiram, os adoraram como Deuses, choraram, gritaram e comemoram com eles... Chama-se a isto, cuidar da Herança. Não é fácil contabilizar financeiramente o valor da Herança que cada jogador (ou técnico) pode deixar dentro de um Clube, mas nem é muito importante. Quem gere as carreiras dos atletas devia-se preocupar com estes pormenores, pois como em muitas outras actividades, o curto prazo, nem sempre é o mais vantajoso... Ter uma visão a longo prazo, não pode ser penalizador...
Esse contrato sentimental, tem várias vertentes, mas a mais óbvia, é um compromisso de lealdade, e isso impede as transferências para os rivais. Especialmente quando são feitas de forma directa. Ainda por cima quando o jogador tem outras ofertas idênticas de outros Clubes (ou pior ainda, do próprio Clube!!!), e portanto a tal necessidade financeira, não é um factor... Trocar, o eterno respeito de uma massa de leais seguidores, por uns trocos (a curto prazo), é absurdo. Se o Clube lhe tivesse faltado ao respeito, se os adeptos tivessem dado azo a algum sentimento de vingança ou algo parecido, ainda se poderá compreender... mas sem nenhum incidente grave pelo meio, este tipo de comportamentos é inaceitável.

Repito, acredito que o Maxi vai renovar. Acredito que estas palavras foram consequência da 'estratégia' do empresário (que ainda a semana passada, aceitou as condições do Benfica), apesar do Maxi ser maior e vacinado, e portanto já ter idade, para não ser manipulado...

Agulha ajeitada

"O Benfica não está para brincadeiras na corrida ao 'tri'. Jesus motiva ainda mais
As aparências são, muitas vezes, inimigas da percepção. Olhe-se para o que se passa no Benfica: ao trocar de treinador, fechando um ciclo de seis anos de trabalho com Jorge Jesus, e ao proclamar a abertura do aproveitamento do que de melhor tem sido capaz de produzir na formação, mudou realmente a agulha no futebol profissional ou ajeitou-a? Sou pela segunda concepção. Contem-se as histórias que se contarem, os encarnados alteraram o principal rosto técnico porque quiseram. E a maior prova disso é a forma convicta e firme como o presidente resistiu à onda de histerismo em seu redor para que desistisse de Rui Vitória e chamasse Marco Silva, acabado de despedir no Sporting, numa decisão legítima, mas mal conduzida. Marcando os seus tempos, Luís Filipe Vieira segurou o treinador que há muito tinha escolhido para guiar um plantel com padrão de qualidade diferente do das últimas épocas, mas que não terá de ser necessariamente menos competitivo ou ambicioso. Nas entradas, para garantir qualidade (acabada ou por aperfeiçoar) e reduzir custos, o truque é acreditar na labuta silenciosa dos olheiros, escolher bem e atacar pela certa. As contratações de Taarabt e Carcela são uma singela amostra de que o Benfica, no plano das intenções, não está para brincadeiras na corrida ao tricampeonato, ao contrário do que se possa imaginar. A reconversão faz-se também com frieza e lábia negocial na hora de facturar a sério com a venda ou câmbio de peças, mas, mesmo que ninguém o admita, a passagem de Jesus para o banco do rival é uma motivação para se fazer mais e melhor - desde a preparação até aos resultados na Liga dos Campeões. Coincidência ou não, Carcela vê nos "quartos" o objectivo na prova milionária..."

Vitória...

A caminho do Tri... com um discurso ponderado, colectivo, mas também ambicioso, Rui Vitória foi hoje apresentado como treinador principal do Benfica.
Gabo-lhe a paciência, de ter respondido sem reparos, a tantas perguntas com comparações constantes com o antecessor!!! Suspeito que vai ser assim, o resto da época!!!
Nunca mais começa a época...

domingo, 14 de junho de 2015

7.º Campeonato Nacional

Sporting 2 (2) - (3) 2 Benfica
(1-3)

Custou, mas foi. A melhor equipa nacional de Futsal na época de 201/15, foi Campeã Nacional, no 4.º jogo da Final do Play-off. Numa época, onde não perdemos um único jogo, no tempo regulamentar (acabámos por perder o jogo 2, no prolongamento), talvez por isso esta Final tinha muito de 'injustiça', pois sabíamos que por tudo o que foi feito durante a época, o titulo já devia ser nosso...!!! A pressão foi grande, mas no fim, acabámos por triunfar, ultrapassando os obstáculos dentro das quatro linhas e fora... colocados pelo adversários, e por terceiros!!!
O jogo de hoje terá sido o mais espectacular. Talvez cansados do jogo de ontem, hoje, as marcações defensivas não foram tão apertadas, houve mais espaço, cometeram-se mais erros de marcação, e assim tivemos muitas remates à baliza... Sendo que o Benfica foi de longe a equipa mais perdulária. O Sporting também atirou algumas bolas aos postes, o Juanjo também fez algumas defesas extraordinárias, mas o Benfica sem exagerar teve o triplo das oportunidades de golo, e as mais claras... Só os palhaços da Sporting TV, não viram assim!!!
Tivemos sempre em desvantagem, o Sporting marcou primeiro, num lance com muitos ressaltos, logo no início. Já tínhamos falhado um golo, e depois do 1-0 continuamos a desperdiçar oportunidades de forma incrível...!!!
A 2.ª parte manteve a toada, o Benfica a falhar escandalosamente, e o Sporting a marcar numa bola parada mal defendida... Felizmente, respondemos logo a seguir... Com os minutos a passar, quando todos já pedíamos o 5x4, o Patias num remate bomba, empatou!!!
No prolongamento houve menos risco... só no final o Sporting apostou num 5x4, que pareceu ser mais defensivo, do que atacante!!!
E tudo adiado para os penalty's... Não foi a primeira vez, que tivemos decisões destas em peanlty's nos derbys, recordo-me dum jogo onde o herói foi o Vítor Hugo... Hoje, não houve heróis, houve resistentes!!!
Tudo isto sem o Chaguinha (o nosso melhor jogador durante a época...) e o Brandi... quase não se notou!!!
Título recuperado, com muita qualidade, muita garra, muito suor, muito benfiquismo... E além de todas as 'vantagens' é o regresso à UEFA Futsal Cup... estou muito curioso para ver esta equipa, na Europa!!!
Um agradecimento especial ao Joel Rocha, que trouxe sem duvida mais-valias ao Benfica, no discurso, no jogo jogado, e na postura exemplar... obrigado Joel!!!
É impossível não falar da arbitragem neste jogo. Para perceber o contexto é bom recordar, que nos 3 primeiros jogos desta Final, o Benfica foi vergonhosamente roubado. E digo roubado com todas as letras, não é uma forma de expressão... foi mesmo roubo. Com golos mal anulados, com dezenas de faltas não assinaladas (em 4 jogos beneficiamos de um Livre Directo, no prolongamento...), expulsões perdoadas ao adversário (perdi a conta...)!!!
Hoje, até aos penalty's, fomos novamente roubados!!! Apesar dos comunicados, das atitudes de hooligans nas bancadas, dos protestos terroristas, apesar de tudo isso, repito: fomos roubados. Contei pelo menos 4 Vermelhos directos perdoados a jogadores do Sporting, sendo que 2 deles, foram ao mesmo jogador!!! João Matos, acaba este play-off, sem ter sido expulso, algo perfeitamente absurdo!!! Dar amarelos, quando os jogadores do Benfica são rasteirados ou agarrados quando estão completamente isolados, só com o guarda-redes pela frente, é outra novidade... Nada disto é novo, a arbitragem do Futsal português está podre. A forma referencial como os Lagartos são tratados é nojenta (isto é assim há vários anos...). Eu até sei, que até os árbitros Lagartos, detestam o 'banco' do Sporting, pois a má educação, a pressão em todos os jogos, é asquerosa, mas ninguém tem a coragem de pôr esta gente no sítio (estou curioso para conhecer o relatório dos árbitros, e para saber se é desta vez, que vai haver castigos a estes vermes... especialmente o verme do Albuquerque!!!).
Esta gentalha não tem lugar no Futsal. Digo mais, esta gentalha não tem lugar no Desporto. Nem sequer conhecem o significado de palavra Desporto... São terroristas, burros, ignorantes, incompetentes... e ainda são potenciadores de ânimos exaltados, que um dia pode acabar mal...
Nos penalty's tivemos um atrasado mental, que em todos os penalty's marcados pelo Benfica, andou mais de 1 metro para a frente. Repitro 1 metro!!! No Futebol de 11, é normal ver os guarda-redes dar um passo em frente, mas quem acompanha o Futsal, sabe que isso não acontece nos Pavilhões. Só alguém muito desonesto intelectualmente pode argumentar que aquilo que o André Sousa fez é normal... Basta ver as imagens com olhos de ver. A diferença entre o Juanjo e o André Sousa é abismal...
Os árbitros lá ganharam coragem de mandar repetir 2 penalty's (deviam ter sido todos, inclusive os repetidos, principalmente aquele que o Xande falhou pelo 2.ª vez!!!), o André Paspalho (armado em Beto!!!), devia ter levado amarelo pela forma repetida como desrespeitou as regras... e se calhar não acabava o jogo!!!
Parece que se está a tornar moda, os nossos adversários, protestarem nos jogos do Benfica, quando as regras são cumpridas!!!
Depois, enquanto o Benfica festejava, além do festival de azia e choro dentro da quadra, ainda tivemos direito a espectáculo extra, nas bancadas com a fúria do atrasado mental-mor, que até mandou cancelar a conferência de imprensa no final da partida!!!
Gentalha nojenta...

PS1: Parece que a FPF quer colocar um limite de estrangeiros: 5 !!! Não sei se os Clubes foram escutados, não sei se é para ser imposta já na próxima época, não sei se os jogadores com contrato actualmente 'contam'!!! Mas num momento onde o Benfica está a caminho de recuperar a hegemonia na modalidade, esta alteração 'cheira-me' mal... Sabendo como estas coisas normalmente são decididas, fico com o pé atrás!!! Recordo que actualmente temos 10 estrangeiros!!! Sendo que legalmente, acho muito difícil impedir a contratação de Comunitários... (talvez assim se explique a intenção do Sporting em contratar uma camioneta de brasileiros com passaporte Italiano)!!!

PS2: Uma nota ainda para as declarações do Presidente do Benfica, congratulando-se com todas estas vitórias nas modalidades.

ADENDA: Desta vez a Sra. Filipa Reis, funcionária da Bolha, não usou a sua arte da graçola, para descrever a derrota do seu Clube, nem sequer tentou a ironia ou o sarcasmo, ao descrever o comportamento vergonhoso dos dirigentes, dos treinadores e dos adeptos Lagartos, aliás neste caso especifico, optou mesmo pela estratégia mais fácil: ignorou totalmente os acontecimentos!!! Quem ler hoje a Bolha, fica a saber que no final da partida houve alguma polémica, mas nada de extraordinário!!!

Pentacampeões


Tudo normal, Benfica novamente Pentacampeão Nacional de Atletismo de Pista ao Ar Livre, masculinos, comprovando o domínio, que actualmente temos na modalidade...
No feminino, ficamos um pouco mais longe, mas esta época o investimento foi todo nos Homens, para o ano talvez acha surpresas...


Final CN Clubes 2015Penta Campeões Nacionais (27" título Nacional - pista)
Posted by Atletismo SLB on Domingo, 14 de Junho de 2015


1.º - Benfica, 161
2.º - Sporting - 129
3.º - J. Vidigalense 102
(...)

100m - Yazaldes Nascimento - 1.º - 10,54s
110m barreiras - Rasul Dabó - 2.º - 14,37s
200m - Arnaldo Abrantes - 2.º - 21,58s
400m - António Rodrigues - 3.º - 49,06s
400m barreiras - Diogo Mestre - 1.º - 52,54s
800m - Miguel Moreira - 1.º - 1.51,96min
1500m - Hélio Gomes - 1.º - 4.00,81min
3000m - Emanuel Rolim - 1.º - 8.08,78min
3000m obstáculos - Miguel Borges - 1.º - 9.08,54min
5000m - Rui Pinto - 1.º - 14.41,62min
5000m Marcha - Sérgio Vieira - 1.º - 19.41,36min
4x100m - Diogo Antunes, Arnaldo Abrantes, Ricardo Pereira, Ricardo Monteiro - 1.º - 40,14s
4x400m - José Tavares, Arnaldo Abrantes, Diogo Mestre, António Rodrigues - 1.º - 3.16,54min
Comprimento - Bruno Costa - 1.º - 7,18m
Triplo - Nélson Évora - 1.º - 16,08m
Vara - Rúben Miranda - 1.º - 5,30m
Altura - Tiago Pereira - 1.º - 2,10m
Peso - Tsanko Arnaudov - 1.º - 17,99m
Dardo - João Fernandes - 3.º - 61,80m
Martelo - António Viltal da Silva - 2.º - 64,35m
Disco - Jorge Grave - 1.º - 56,52m

Domínio total: 5 em 5 !!!

Benfica 5 - 2 Académica

As Tricampeãs Nacionais, e Campeãs Europeias, conquistaram hoje a Taça de Portugal, confirmando a Dobradinha, mais uma vez...!!! Terminando a época, com 5 títulos, em 5 possíveis: Campeonato, Taça, Supertaça, Liga Europeia... e o Torneio de Abertura da APL.
O jogo hoje não foi fácil, ao intervalo estava 2-2, e só com o acumular do desgaste físico, fizemos a diferença...
Com tanto domínio às vezes não é fácil manter a concentração e o empenho todos as semanas, em todos os treinos, mas estas meninas devem saber que podem continuar a escrever história na modalidade, no Benfica, a nível nacional, mas também a nível internacional... é preciso continuar a caminhada...!!!

João de Prata, na estreia dos Jogos Europeus

Começou este fim-de-semana os I Jogos Europeus, em Baku, no Azerbejão, de 12 a 28 de Junho. Esta nova competição, organizada pelos Comités Olímpicos Europeus, acaba por ser uns mini-Jogos Olímpicos ao nível continental... Não é fácil, ter 'autorização' das várias Federações Internacionais, para realizar um evento deste tipo. Hoje em dia, este tipo de eventos envolve muito dinheiro (transmissões televisivas, patrocínios...), a ideia não é nova, mas houve sempre Federações importantes a boicotar a competição.
Para os atletas, temos aqui um estágio de alta qualidade, para os Jogos Olímpicos do Rio, que se vão realizar no próximo ano... Para os adeptos, temos aqui mais uma oportunidade de observar, competição ao mais alto nível...
Assim vamos ter provas de Tiro com Arco; Atletismo; Badminton; Basquetebol 3x3; Futebol de Praia; Voleibol de Praia e Voleibol; Boxe; Canoagem de Velocidade; Ciclismo com BMX, Cross-country e Estrada; Natação de Velocidade, Sincronizada e Saltos para a Água; Esgrima; Ginástica Acrobática, Aeróbica, Artística, Trampolins e Rítmica; Judo; Karaté; Taekwondo; Sambo (!!!); Tiro; Ténis de Mesa; Triatlo; Pólo Aquático e Luta Livre.
Logo no arranque Portugal, com um atleta do Benfica, a chegar às medalhas:
- João Silva, Prata no Triatlo.
Em relação ao João, esta medalha tem um sabor especial. Pois, o jovem da Benedita, tem tido uma passagem pelo deserto nos últimos 2 anos. Depois dos vários pódios em provas da Taça do Mundo, nos últimos tempos, tem desistido na maior parte das provas. Esta época até começou com boas indicações, mas os resultados fracos voltaram... Mas hoje o João esteve imparável, e não fosse a estratégia colectiva da equipa Inglesa, o João teria ganho a prova. Entrou para o segmento de corrida, a cerca de 1m45 do grupo de fugitivos, foi ultrapassando um atrás do outro... Só faltou o Inglês, que ganhou com 13 segundos!!! O João tirou à maioria os adversários mais de 2 minutos, numa corrida que nem chegou aos 10Km!!!
Uma nota ainda para o 8.º lugar do João Pereira, que foi também prejudicado pela fuga 'colectiva' no Ciclismo, onde os Ingleses 'queimaram' um dos atletas para beneficiar o vencedor Benson.
Na Canoagem, o João Ribeiro, no K4 1000m qualificou-se para a Final A (terça-feira), com o Fernando Pimenta, o Emanuel Silva e o David Fernandes. À tarde no K2 1000m, com o Emanuel Silva, também conseguiram a qualificação para a Final (segunda-feira)...
A Teresa Portela, no K1 500m também se qualificou para a Final (terça-feira)...
Amanhã além da Final do K4 1000m, vamos ter a Joana Vasconcelos no K2 200m, com a Beatriz Gomes, a tentar a qualificação para a Final.

Uma nota ainda para a presença da Selecção Nacional de Ténis de Mesa, na Final colectiva, que se vai disputar amanhã à tarde, com a França como adversária.

PS: Parabéns ao noss Judoca Célio Dias, pela vitória no Grand Prix de Budapeste... Um regresso às vitórias, nesta caminhada após lesão que o Célio pretende terminar no Rio...

Sina triste...

Brasil 0 (3) - (1) 0 Portugal
(Rony)

Fiquei acordado na última madrugada para ver os miúdos na Nova Zelândia, mesmo com todos os avisos, resisti, até à desilusão final...!!!
Foi um jogo totalmente dominado por Portugal, falhámos sem exagerar 11 golos feitos (a maioria de cabeça!!!), isto contra um adversário totalmente inofensivo, não construíram uma única jogada de perigo... Esta é uma das selecções Brasileiras que vi... de longe!!!
A estratégia 'medrosa' que o Hélio optou, não ajudou em nada. Fomos superiores, somos superiores, mas tivemos medo de assumir o jogo... mas mesmo assim, com todos os erros, a não vitória de Portugal, é de uma injustiça tremenda!!!

Dos Benfiquistas só o João Nunes foi titular, e fez mais um grande jogo, para mim, foi mesmo o jogador que mais me surpreendeu pela positiva na Selecção. Pois as exibições do João na equipa B este ano, não me convenceram, mas demonstrou evolução... Para mim, mesmo sem a atenção que os marcadores dos golos têm, o João Nunes foi o melhor jogador de Portugal nesta Selecção, sem oscilações, muito bem sempre...
O Nuno Santos e o Guzzo acabaram por sair do banco, demasiado tarde... notou-se imediatamente a melhoria no jogo de Portugal com os dois em campo... Mas ambos acabaram por falhar os penalty's...!!!

Portugal eliminado, num Campeonato onde provavelmente tinha a melhor equipa, o Senegal que vencemos facilmente na fase de grupos vai defrontar o Brasil nas Meias!!! Esta geração é uma das mais completas do últimos anos, e ainda ficaram alguns talentos de fora da convocatória...
Agora desejo uma vitória da Sérvia, pois é claramente a melhor equipa das Meias...

Nunes, Guzzo, e Santos os destaques de vermelho... O Nuno Santos acabou mesmo por ser o fenómeno desta Selecção, com tão poucos minutos, com o treinador a deixá-lo no banco inexplicavelmente, acabou a competição com 2 golos e 3 assistências!!! O Gonçalo Guedes (o mais novo da Selecção) acabou por ter poucas oportunidades, mas só no jogo com a Colômbia entrou bem... de resto, mostrou os mesmos problemas que nos últimos tempos, tinha evidenciado na equipa B.... O Rebocho só foi chamado ao jogo da Colômbia e cumpriu.

De Erevan a Baku

"O novo projecto do Benfica implica estrutura técnica envolvida com as novas urgências. E uma delas é a redução do orçamento global.

1. Ontem, na Arménia, e na sua bonita capital Erevan, Portugal quase que conquistou o passaporte directo para o Europeu de França do próximo ano. A vitória frente à Arménia, no último jogo de castigo de Fernando Santos, foi uma vitória que fica na história. E que nos permite sonho, com muita legitimidade, com o primeiro lugar do nosso grupo de apuramento. Mas diga-se, com verdade, que foi bem melhor o resultado que a exibição. Mas o que se evidencia é a quarta vitória consecutiva de Portugal. Tudo começou, neste apuramento, com a vitória na Dinamarca nos instantes finais. Com o golo de Cristiano Ronaldo. E uma vez mais Cristiano Ronaldo resolveu. Foi determinante. Como em muitos outros jogos. Levou a nossa selecção ao seu colinho. Marcou os três golos da nossa selecção. Foi ele, também, o seu manto protector! E quer Rui Patrício quer Tiago muito lhe podem agradecer. Muito mesmo. Agora, e para além dos particulares face à Itália e à França, é a deslocação, no arranque da próxima época - logo nos primeiros dias de Setembro - à Albânia. Que, ontem, derrotou a França o que é um sério aviso à nossa selecção.

2. Sem avisos a próxima época já começou entre nós. Quase não houve férias. Com este agitado defeso começamos a perceber que na próxima época o ambiente do futebol português será bem tenso. Acompanhando, porventura, a disputa política que vai preencher parte da atenção dos portugueses nos meses que se aproximam. Acredito, mesmo, que vamos viver um verão bem quente. Seja nos diferentes palcos políticos seja nos relvados. A começar, aqui, a 9 de Agosto no Estádio do Algarve - que ontem acolheu um Gibraltar-Alemanha para o Europeu de França! - seja, acima de tudo, fora dos relvados. No interior dos estádios ou na proximidade dos adeptos. E o presidente do Futebol Clube do Porto já deu, na passada sexta feira, o mote. Próximo dos adeptos falou de arbitragens e de fiscais de linha e equacionou, com clara antecipação, as linhas de um discurso que arrancou nas vésperas do Santo António, que continuará - estou convicto - no São João, que será alimentado no São Pedro e que, no regresso ao trabalho das diferentes equipas, terá recordações permanentes. É que, como dizia Michel Platini, em Julho de 1983 o problema do futebol «são os resultados». E os resultados são determinantes. A todos os níveis. Já que eles ajudam a perceber que o desporto - aqui o futebol! - é um dos únicos domínios - diria eu o único! - que funciona através de uma «oposição de extremos». E entendendo esta característica apreendemos as disputas e as alianças, as paixões e as traições!

3. O Benfica apresentará, amanhã, Rui Vitória como seu novo treinador. Assente que está a poeira - bem relevante - suscitada pela contratação de Jorge Jesus pelo Sporting é chegado o momento de apresentar o projecto estratégico do Benfica para os próximos anos. E o projecto implica uma estrutura técnica envolvida com as novas urgências do Benfica. E uma delas é a redução do seu orçamento global com a sua equipa principal de futebol. Sem esquecer, em paralelo, a necessidade de, em cada época, potenciar a realização de importantes receitas extraordinárias com a alienação de jogadores para diferentes mercados, e, principalmente, para os relevantes mercados europeus ou para os emergentes mercados, como o americano ou o chinês. Face à nova realidade do Sporting e face às dores de «não resultados» que atingem o Futebol Clube do Porto, a próxima época poderá - e deverá - ser uma época de transição. É determinante que o Benfica tudo faça para conquistar, de novo, a Liga. O tri! Daí uma combinação entre a essência do projecto e a utilidade da época. E é este o grande desafio da próxima época. Sem que se possa aceitar qualquer híper relevância à conquista da Supertaça. A não ser que o Museu Cosme Damião ficaria com mais um troféu a enriquecer a sua imensa galeria. A mesma onde, amanhã, Rui Vitória será apresentado e iniciará o seu novo e bem desafiante percurso profissional. Com a certeza que conhece a casa, o ambiente, o fervor e a paixão. Agora, e como resulta do seu interessante livro publicado em finais do ano passado, vai arrancar, na prática, a «arte da guerra»! Não apenas para treinadores. Mas, sim, para todos os benfiquistas!

4. Estão a decorrer em Baku, capital do Azerbaijão, os primeiros Jogos Europeus. Que são uma interessante iniciativa nestes tempos de crise da ideia de Europa! Ontem a nossa selecção de futebol jogou na Arménia. Ao longo da semana estagiou na Geórgia. Falamos do Cáucaso. Ali estão estes três estados. Ligados por fronteiras em certos casos não reconhecidas. E que suscitaram múltiplos e dramáticos conflitos históricos. Uma guerra entre a Arménia e a Geórgia. Outra entre a Arménia e os azeris. O interessante é que a Arménia - com o seu patriarca a ter um Papel relevante no estado! - faz fronteira com dois gigantes da zona, a Turquia - cuja relação com a Arménia é de uma dor terrível! - e o Irão. E tem bases militares russa e americana no seu pequeno território de 29.000 km2! Quando há bem poucos anos visitei Erevan percebi bem a imensa rivalidade com os seus vizinhos, as terríveis marcas da história e a sua natural desconfiança. Mas também percebi a força da diáspora arménia, que nós conhecemos na figura de Calouste Gulbenkian e da sua, nossa, fundação! E quando fui recebido pelo Patriarca arménio bem me perguntou, sabendo da minha nacionalidade, pelo Cristiano Ronaldo. Estou certo que, ontem no final do jogo reforçou a admiração que então me evidenciou pelo nosso capitão. Os três golos, o seu hat trick - o terceiro consecutivo da presente época! - fica na história dos confrontos, sempre difíceis, das duas selecções. Confrontos recentes já que o futebol arménio só nasce em 1993! Mas o que fica é, uma vez mais, a história. E ela é feita por homens concretos. Que a constroem. Como Ronaldo. Mas que também a contam ou a recordam. Como acontecerá a todos aqueles e todas aquelas que participam nos primeiros Jogos Europeus! Na capital da terra do fogo!"

Fernando Seara, in A Bola

Gerir o futebol

"Hoje por hoje o maior desafio das sociedades desportivas do futebol profissional (nomeadamente as de maior porte e ambições) é o recrutamento e a gestão dos seus recursos humanos específicos. Isto é (essencialmente), atletas, treinadores, (mas também) restante apoio técnico, médico e logístico. Seja na formação, seja na categoria de topo das competições. São esses os recursos que são indispensáveis para o rendimento (ou para o futuro do rendimento) e para a conquista de títulos (ou a obtenção dos objectivos da época), a valorização dos 'activos' e a obtenção de receitas/minimização de custos. Gerir este 'negócio' requer uma aptidão especifica, um 'know-how' cada vez mais qualificado (instruído, em especial, por departamentos de 'scouting evoluídos e, até, à escala global, para além de canais privilegiados com os melhores 'agentes' de jogadores e clubes) e uma idoneidade para cheirar as oportunidades e conjugá-las com as finanças. Por fim, o saber da experiência - feita de anos de relacionamentos com intermediários, dirigentes, técnicos, observadores, médicos, bancos e financeiros, patrocinadores, políticos, autarcas, etc - apura o faro e consolida a vocação. Depois teremos as decisões. Ou a falta delas. Ou as indecisões que se quedam em decisões dos concorrentes. E as bondades e os erros no seio do 'risco'. Mesmo com discursos paralelos para adeptos crentes e fiéis, estamos ainda a falar de 'actos de gestão'. Sujeitos ao crivo da lei e às regras de fiscalização/responsabilização por prejuízos de acordo com a actuação exigível a um 'gestor criterioso e ordenado'. Na 'venda' de um jogador, na dispensa ou na contratação de um treinador, na escolha de um patrocinador, etc.
O defeso que se vive agora e o período por excelência para aferir do acerto dos juízos e das escolhas (mesmo que por omissão) dos gestores dos clubes-sociedades. As intenções, as oportunidades, as negociações e as suas 'novelas' alimentam a imprensa os comentários e a paixão clubística. Seja como for, exige-se informação cuidada e detalhada, disponibilidade, competência técnica, conhecimento da actividade e razoabilidade. Ou, pelo menos, 'racionalidade empresarial'. Aquilo que, aliás, a Sporting SAD alega não ter havido na contratação de alguns jogadores na contratação de Godinho Lopes e que os tribunais decidirão, num conjunto de processos que ditarão, finalmente, o que é de exigir a um gestor desportivo no futebol profissional. Até lá, convém saber que a lei anda por aí..."