"Todos sabemos que um clube de
futebol não é apenas de futebol
e, quando se trata do Benfica,
esta verdade atinge proporções
épicas no campo social. Quando
uma criança com uma doença
rara entra num estádio, conhece
os jogadores que admira, pisa o
relvado ou recebe a camisola do
seu ídolo, aquilo que acontece
não cabe no resultado de um
jogo. Para estas crianças e para
as suas famílias, tantas vezes
obrigadas a viver entre hospitais, tratamentos, incertezas e
uma rotina que pouco tem de
normal, realizar um sonho significa recuperar, por algumas
horas, o direito à normalidade de
ser criança, criando uma memória inesquecível para uma vida
em que nem sempre abundam
razões para sorrir.
Mas estes momentos têm uma
força ainda maior porque não
são vividos apenas por quem
recebe e, nesse sentido, transformam também quem participa:
em primeiro lugar os jogadores,
habituados à pressão da competição e à exposição pública, reencontram a dimensão mais humana da camisola que vestem e
percebem a multiplicidade de
razões pelas quais os benfiquistas chamam Sagrado ao seu
Manto. As bancadas, claro está,
compreendem-no imediatamente: milhares de adeptos emocionam-se com uma criança que
talvez nunca tinham visto antes,
apesar da onda mediática das
redes sociais, e aplaudem-na
como se fosse um golo, ofertando-lhe a imensa energia da união
da família benfiquista reunida
em torno de si e mostrando à
criança e aos pais que não estão
sozinhos.
Esta é também, sem dúvida,
parte da extraordinária responsabilidade social que cabe aos
grandes clubes e que o Benfica
assume ao usar a sua notoriedade, os seus símbolos, os seus
atletas e a força dos seus adeptos para oferecer pertença e
produzir felicidade e esperança.
É certo que sonhos não curam,
mas agigantam a vida, erguem
cabeças e abrem sorrisos. Na
Luz ainda mais. Como o Velho
Capitão disse um dia: “Só nós
sentimos assim!”"

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