"CAVÉM DEMONSTROU
QUE A VONTADE
DE VENCER CONSEGUE
SUPERAR QUALQUER
ADVERSIDADE.
O defeso é sempre um
período de entusiasmo
para os adeptos. A cada
nova contratação renovam-se as aspirações a títulos e
alimenta-se a esperança de uma
época de sucesso. Sem jogos para
ocupar as manchetes, a silly season domina o espaço mediático:
multiplicam-se as notícias sobre
possíveis reforços, sucedem-se
rumores e especulações, e uma
infinidade de nomes é associada
aos clubes, aumentando a expectativa e o interesse dos adeptos.
No verão de 1955, um dos
jogadores que mais fez correr
tinta foi Cavém. Inicialmente
apontado ao Benfica, esteve
muito perto de assinar pelo Vitória FC, mas acabariam por ser os
encarnados a vencer a disputa
pela sua contratação. A aquisição despertou enorme entusiasmo entre os benfiquistas, ansiosos por ver Cavém atuar de águia
ao peito. Contudo, poucos dias
depois da assinatura do contrato,
o avançado sofreu uma grave
lesão no menisco, que obrigou a
uma intervenção cirúrgica. Os
prognósticos apontavam para
uma recuperação prolongada,
estimada em vários meses.
No dia seguinte à operação,
Cavém mostrou-se otimista
numa entrevista à imprensa, afirmando que esperava regressar “lá
para dezembro”. Os jornais reagiram com ceticismo, considerando
tratar-se de um “excessivo optimismo da sua parte, pois normalmente é muito mais longo o
período de restabelecimento”.
O tempo acabaria por lhe dar
razão. A estreia pelo Benfica ficou
agendada precisamente para o
primeiro aniversário do Estádio
da Luz, frente ao Valência, a 1 de
dezembro de 1955. A rapidez da
recuperação surpreendeu os próprios jornalistas: “Se não é recorde, deve andar lá muito perto.”
Perante os espanhóis, Cavém
entrou algo condicionado, revelando natural receio nos primeiros minutos e evitando os duelos
físicos. Porém, à medida que o
encontro avançava, foi libertando o seu futebol, impulsionado
pela confiança que lhe transmitia o apoio vindo das bancadas.
A sua exibição cresceu de rendimento, apesar de o Benfica ter
recolhido aos balneários em desvantagem por 2-1.
A segunda parte começou de
forma demolidora para os encarnados. Apenas três minutos após
o reatamento, José Águas restabeleceu a igualdade. O Benfica
assumiu o controlo da partida e
Cavém evidenciava-se cada vez
mais. Aos 81 minutos, correspondeu da melhor forma a um
cruzamento longo de Salvador e
marcou o golo que fixou o resultado em 3-2, selando uma reviravolta memorável.
No rescaldo do encontro, a
imprensa foi unânime nos elogios ao avançado, afirmando que
“a estreia de Cavém agradou a
gregos e troianos”. Destacava-se
não apenas a extraordinária rapidez com que superara uma lesão
grave, mas também a forma
como se adaptara imediatamente ao novo contexto competitivo.
A estreia de Cavém representou a
afirmação de um jogador capaz
de transformar a adversidade em
motivação e demonstrou que ele
possuía uma das características
mais valorizadas na história do
Benfica: a capacidade de nunca
desistir perante os obstáculos.
Saiba mais sobre este magnífico jogador na área 23 – Inesquecíveis, do Museu Benfica –
Cosme Damião."
António Pinto, in O Benfica

Sem comentários:
Enviar um comentário
A opinião de um glorioso indefectível é sempre muito bem vinda.
Junte a sua voz à nossa. Pelo Benfica! Sempre!