Últimas indefectivações

domingo, 26 de maio de 2024

Salazar Não ia à Bola

Derrota...

ABC 30 - 27 Benfica
16-11
Belone(6), Rahmel(4), Carvalho(4), Migallon(3), Oliveira(3), Lourenço(3), Moreno(2), Taleski(2), Valencia, Mendes, Sequeira, Almeida, Rocha; Capdeville, Zoric

Péssima entrada no jogo, e depois apesar da luta, nunca conseguimos recuperar a desvantagem inicial... a inexperiência e a ansiedade não ajudaram!

Época onde tudo correu mal, mas apesar de todos os azares, nesta fase final da época, foi dada a oportunidade a muita juventude, que no futuro próximo poderá ser aposta...

RND - Tamos Juntos...

El Mítico #90 - Análisis a la temporada 23/24

A cereja? Ou o bolo?


"Renovar ou não renovar com Di María é uma questão perversa para a SAD do Benfica

Rui Costa falou aos adeptos na quinta-feira e confirmou que Roger Schmidt vai continuar a ser o treinador do Benfica. Não esclareceu, como não podia nesta altura ainda de arranque do mercado de transferências, se a SAD vai vender os passes de João Neves e de António Silva, e ficou por clarificar qual a vontade e orientação em relação a Di María.
O presidente dos encarnados contou apenas quais eram os planos iniciais do astro argentino, que passavam por um ano na Luz e depois regressar ao país dele, e deixou no ar a esperança de condições para que o extremo de 36 anos continue mais uma temporada em Portugal, juntando que no início da semana está agendada uma reunião com o empresário do jogador para falar sobre isso. Ficou, nas entrelinhas, dito o que parecia claro mesmo antes da intervenção pública de Rui Costa: Di María até pode continuar, mas não nas mesmas condições financeiras do contrato do início da época passada.
A continuidade do argentino, por muito que ele ainda seja um jogador extraordinário, encerra em nela uma perversidade que obrigaria, mais uma vez, como obrigou em 2023/2024, a desviar Schmidt e o Benfica do projeto de futebol e de equipa que colocou em marcha e resultou na conquista da Liga em 2022/2023 e numa campanha entusiasmante na Liga dos Campeões.
Di María foi o segundo melhor marcador do plantel, com 17 golos e 13 assistências, atrás dos 22 golos de Rafa, e a influência ofensiva do extremo não está em causa, o problema, e isso foi claro em muitos jogos, é que ele não é, nunca foi e certamente não será um jogador de equilíbrios e para ele jogar sempre (culpa, aqui, também de Schmidt, que talvez tenha exagerado ao quase nunca prescindir do atacante, mesmo que por vezes tenha sido claro que estava esgotado e incapaz de ajudar enquanto elemento coletivo) será preciso montar uma equipa para ele. E isso talvez faça pouco sentido.
Rui Costa também disse que os €100 milhões gastos em contratações são igualmente a pensar no futuro, mas se os extremos Schjeldrup e Prestianni têm, respetivamente, 19 e 18 anos, Rollheiser tem 23, Tiago Gouveia tem 22; quando será o futuro deles? Schjelderup pediu para ser emprestado precisamente no momento em que soube que Di María iria entrar no plantel, como não dar agora uma oportunidade ao melhor jogador da liga dinamarquesa?
Ter Di María como a cereja seria o ideal, mas que não estrague o bolo.
A impactante época de estreia de Schmidt assentou sobretudo numa equipa em que todos defendiam e atacavam; e a diferença de intensidade no momento da recuperação da bola foi um dos momentos que mais oscilou na época das águias.
Ninguém se atreverá a pedir a Di María que seja diferente, porque ele é muito bom como é, mas será mesmo de Di María que o Benfica precisa para voltar a ser feliz?"

Nélson Feiteirona, in A Bola

O trunfo de ser e parecer genuíno


"Rui Costa tentou apaziguar os adeptos e abrir caminho à paz na relação com Schmidt. O treinador continua, mas com tolerância mínima

Rui Costa deu, enfim, uma prova de vida. Foi, manifestamente, uma escolha pensada, essa de falar só depois de passada a tempestade e já com o navio em porto seguro. Não me parece ter tido vantagens, bem pelo contrário. O povo benfiquista teve tempo e razões para acumular iras e opiniões firmes que estiveram na origem de uma contestação que acabou por envolver o treinador, pouco hábil a comunicar com o adepto latino, e o próprio presidente, que, pelo silêncio, transmitiu uma ideia de pouco corajoso e pouco decidido a enfrentar e a resolver os problemas.
A entrevista aberta a (quase) toda a comunicação social nunca poderia ser suficiente para emendar o erro de base, mas poderá ter ajudado a diminuir os efeitos.

O modelo
A comunicação do Benfica optou por um modelo inovador. Um grupo de jornalistas em redor do entrevistado, com direito a duas rondas de perguntas. Uma importante vantagem em relação às habituais entrevistas exclusivas ao canal do clube e, isso, deve ser devidamente salientado. Um critério aberto e que, respeitando princípios essenciais de independência, ofereceu desde logo uma imagem de disponibilidade do presidente para responder a todas as questões, por mais difíceis e incómodas que se apresentassem.
Não é, porém, um modelo ideal para a construção global de uma entrevista. Porque perde orientação, estrutura jornalística e coerência editorial. A entrevista, apesar de todas as evoluções tecnológicas no âmbito da comunicação, continua a ser um género jornalístico autónomo e de uma densidade específica. Há grandes jornalistas que nunca foram bons entrevistadores e há excelentes entrevistadores que nunca foram grandes jornalistas. A boa entrevista deve promover um todo, até mesmo uma certa empatia, entre entrevistador e entrevistado, sobretudo nos momentos de confronto.
Daí que seja muito mais difícil conseguir-se um resultado consistente para o entrevistado quando a entrevista resulta de uma soma de perguntas avulsas e que não obedecem, nem poderiam obedecer, a uma estratégia comunicacional. Daí que no final da entrevista de Rui Costa muitos benfiquistas tivessem ficado com a sensação de que muita coisa ficou por responder. Do plano de desenvolvimento das modalidades, ao crescimento do desporto no feminino; da análise da atual situação financeira, à relação com as claques mais radicais do clube, que continuam a afetar gravemente o seu património reputacional e se tornaram num grave problema interno, que deixa antever batalhas difíceis.

O entrevistado
Dentro das circunstâncias do meio caminho escolhido entre a entrevista e a conferência de imprensa, Rui Costa teve uma prestação positiva. Ser e parecer genuíno em frente às câmaras é sempre um trunfo. Seja na política, seja no desporto. Rui Costa não se apresentou como uma gestor frio e racional, mas como um presidente com amor à camisola, apaixonado pelo clube e companheiro dos seus adeptos. Para a maioria do universo dos benfiquistas é uma imagem importante. Para as necessidades de uma empresa desportiva com dimensão europeia seria pouco mais do que irrelevante. Mas toda a comunicação tem de saber definir bem as suas prioridades e a prioridade de Rui Costa era, manifestamente, a de abrir as portas ao apaziguamento com os sócios e os adeptos do clube, começando a preparar a nova época e a abrir espaço para a reconciliação entre adeptos e o contestado treinador, que continuará, sim, mas com mínima margem de tolerância.

Sérgio e a sede de cervejinhas
Longe do aquecimento global que todos os jogos lhe provocam, Sérgio Conceição ganha estatuto de cidadania e não prescinde do humor como forma inteligente de comunicação. Esteve bem a lembrar a confidência de Rúben Amorim, quando o treinador do Sporting disse que já tinha bebido umas cervejinhas na festa do título. Sérgio diz que, agora, deve ser a vez dele beber umas cervejinhas para celebrar o que chamou - e bem - a grande festa do Jamor. Só faltou dizer que no fim da época, iriam beber umas cervejinhas juntos.

A liberdade e os direitos
A discussão sobre a liberdade de expressão está na ordem do dia. Não há cão, nem gato que perca oportunidade de dizer o que acha sobre o assunto. O fogo começou no lugar improvável do hemiciclo da Assembleia da República. Pode dizer-se tudo? E José Pedro Aguiar-Branco respondeu: sim. Caiu o Carmo e a Trindade. Tudo? Mas se não se pode dizer tudo, quem é que marca a linha vermelha? Essa é uma questão a que os jornalistas estão habituados a responder. É que nenhuma liberdade é livre de atropelar todos os direitos."

Vítor Serpa, in A Bola

5 minutos: Diário...

Águia: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

COP: Paris - João Ribeiro...

O 20 ou 24 em versão brasileira


"Em Portugal, todas as discussões futebolísticas são tóxicas. No Brasil, às vezes, também. Mas no país pentacampeão o passado é honrado

O Sporting foi campeão pela 20.ª ou pela 24.ª vez? A discussão, como todas que surgem no futebol português, dominado por três cores que desconfiam de tudo o que um dos rivais propuser mesmo que as contas, no final, nem prejudiquem ou beneficiem especialmente ninguém, tornou-se tóxica logo à nascença.
O futebol brasileiro sabe ser tão tóxico — ou mais — do que o português mas não é tão claustrofóbico porque em vez de três, há, pelo menos, 12 grandes, espalhados por um território continental, amplo, respirável.
Nesse contexto, foi acolhida em 2010 pela CBF a tese do historiador Odir Cunha de que a Taça Brasil, criada em 1959 para apurar um campeão brasileiro para disputar a Taça dos Libertadores, e o Torneio Roberto Gomes Pedrosa (Robertão), a versão nacionalizada, a partir de 1967, do Torneio Rio-São Paulo, deveriam ser equiparados ao Brasileirão, fundado em 1971.
Os indignados argumentaram logo que a Taça Brasil era a eliminar — mas onde está escrito que um campeonato é jogado só por jornadas ao domingo à tarde? O campeonato do mundo não é campeonato por ter final?
Os inconformados, entretanto, registaram que não, que não pode ser porque, em dois anos, Taça e Robertão coincidiram — mas onde está escrito que um campeonato é anual? O citado campeonato do mundo é de quatro em quatro e a América hispânica tem até Aperturas e Clausuras.
Como o Atlético Mineiro, entretanto, se proclamou campeão brasileiro por ter ganho o Torneio dos Campeões, de 1937, e o America, do Rio, sob a presidência de Romário, reclama agora o título por ter ganho, em 1982, uma prova com o mesmo nome, os críticos perguntam-se se a CBF não está a ser permissiva demais nas equiparações.
Talvez. Mas a CBF, conhecida por não respeitar o presente, mostra que, pelo menos, sabe honrar o passado. Com as equiparações, Pelé, Tostão, Gerson, Jairzinho, Carlos Alberto e outros atletas de classe mundial que tiveram o azar de nascerem antes dos burocratas chamarem o Brasileirão de Brasileirão, sentiram, que o seu esforço nas provas que o antecederam não foi em vão. E puderam, finalmente, sentir-se campeões nacionais.
Como em Portugal o organismo a quem cabe decidir é fiel àquela máxima de Lampedusa de que é melhor deixar tudo como está, títulos ganhos por Tamanqueiro, Francisco Stromp, Pepe, Augusto Silva, Camolas, Peyroteo, Carlos Luvas Pretas Alves, Gustavo Teixeira ou Francisco Ferreira, os craques da época, foram reduzidos a um asterisco."

João Almeida Moreira, in A Bola

É tempo de sairmos do armário


"Tanto por fazer na área da saúde mental

«NÃO há gesso que imobilize uma mente inquieta e partida.» Este título pertence a um fenomenal texto do escritor e ex-jornalista (se é que isto existe) Duarte Baião, que durante vários anos estampou o seu talento nas páginas de A BOLA.
Fala-nos o texto de saúde mental, como será percetível. Foi este o tema de um estudo recentemente levado a cabo, estudo esse que originou um interessante seminário, cujos conteúdos os mais atentos terão lido neste jornal, em papel ou online, descritos pela pena do meu companheiro Afonso Santos.
Atletas e ex-atletas falaram sem assombros de más experiências vividas à conta de tormentos desse órgão fundamental que é o cérebro. Insistem, sem exceção, na necessidade de acompanhamento psicológico, sobretudo na alta competição. De forma reativa, claro, sempre que necessário, mas também de forma preventiva.
O Duarte lembra que «não há forma de fazer raios-X aos pensamentos». É tempo de todos sairmos dos armários preconceituosos em que muitos ainda vivemos.

De chorar por mais
Comovente e reveladora a forma como Pep Guardiola se referiu ao rival Jurgen Klopp a propósito da saída deste do Liverpool. Classe à parte.

No ponto
Palmas para a referência ao Benfica no discurso de Frederico Varandas durante a receção ao Sporting na Câmara Municipal de Lisboa.

Insosso
Lances idênticos julgados de forma diferente em Portugal e Inglaterra, no passado fim de semana, mostram quanto o VAR ainda precisa de evoluir.

Incomestível
Incompreensível a forma como o Barcelona se despede de Xavi Hernández, uma das suas grandes lendas. Não é o primeiro..."

Alexandre Pereira, in A Bola

sábado, 25 de maio de 2024

Vitória com batida!

Benfica 91 - 69 Oliveirense
22-18, 24-16, 21-18, 24-17

Drechsel(15), Carter(14), Broussard(12), Makram(12), Betinho(12), Almeida(9), Barbosa(8), Douglas(7), Relvão(2), Gameiro(dnp), S. Silva(dnp), Edu(dnp)

Segundo jogo, segunda vitória, um bocadinho mais apertado, mas sempre na frente, com boa atitude...

Quantidade absurda de erros de arbitragens, praticamente todos contra o Benfica, com clara perseguição ao Ivan...

PS: Muito estranho jogar com um mega-concerto mesmo ao lado!!!

Juniores - 14.ª jornada - Fase Final

Benfica 2 - 1 Sporting
Olívio, Jelani

A. Moreira; Peixoto, Rocha, Oliveira, Pereira(Gaspar, 82'); Martim, T. Pinto(Freitas, 60'), Gomes(G. Moreira, 60'); R. Rêgo(Pires, 82'), Olívio(Afonso, 82'); Jelani

Vitória na última jornada, após uma remontada, no 2.º tempo, depois dum golo sofrido de penalty...

Campeonato mal perdido, o Braga aproveitou os nossos tiros nos pés!!!

Terceiro Anel: Bar do Cosme #11 - React à entrevista de Rui Costa: rescaldo de ÉPOCA!

Falar Benfica: Associativismo #3

Benfica: o futebol primeiro


"No passado dia 7, no rescaldo da confirmação da derrota do Benfica no campeonato que agora findou, escrevi um artigo em que argumentei que a causa de raiz do insucesso do futebol profissional nos últimos cinco anos, residiu na politica de mercantilismo financeiro prosseguida pelo clube, que se sobrepôs aos objetivos desportivos. Infelizmente, as explicações dadas pelo Presidente Rui Costa, revelam ausência de pensamento crítico. Continuará a lutar com seriedade e boa fé, por um paradigma que está errado. Irá terminar cansado e com os benfiquistas frustrados. Começo pelos factos-chave dos últimos anos. Entre 2013 e 2019, o Benfica venceu cinco de seis campeonatos nacionais, com uma taxa de sucesso de 83%. De 2019 a 2024, o Benfica ganhou apenas uma de cinco ligas nacionais, uma taxa de êxito de 20%, ou seja, uma taxa de insucesso de 80%. Se somarmos os pontos dos últimos cinco campeonatos, construindo um campeonato dos campeonatos, o FCP seria o vencedor, alcançando 410 pontos e Benfica e SCP seriam segundos com 394 pontos, menos 16 pontos. O Benfica é, assim, suplantado no numero de ligas conquistadas e no numero total de pontos somados. Porque é que o Benfica deixou de ser a melhor equipa? Porquê, um domínio de seis anos, se transforma, nos cinco anos subsequentes, num expressivo insucesso.
A meu ver, nos últimos anos, foram cometidos dois erros estratégicos:
1º) Cair na armadilha financeira: ao igualar em importância as prioridades financeiras e as desportivas, o clube debilitou ambas. Nos anos de sucesso desportivo (2013-2019), os pilares do êxito foram excelentes jogadores, de grande qualidade futebolística, mas que pelo seu perfil, dificilmente gerariam mais-valias financeiras a posteriori (exemplos: Luisão,Jonas, Cardozo, Lima, Fejsa, Salvio, Gaitan, Pizzi).
Após o " jackpot" obtido no verão de 2019, com a venda do talentoso João Félix, os anos seguintes evidenciaram que o clube procurava outros perfis, capazes de juntar à qualidade desportiva, ganhos financeiros potenciais futuros (exemplos: Raul de Tomás, Weigl, Everton Cebolinha, Pedrinho, Waldschmidt). Infelizmente, a paridade das duas prioridades não resultou, tendo-se revelado uma armadilha fatal. Com a excepção do goleador Darwin Nuñez, o rendimento desportivo dos jogadores contratados não esteve à altura das necessidades.
O Benfica caiu na sua própria armadilha financeira, destruindo valor desportivo e, subsequentemente, debilitando a vertente financeira.
2º) Cair na armadilha comercial: o circuito que habilitou o Benfica a vender bem, não funcionou no sentido de comprar bem, anulando-se o valor criado com as vendas de sucesso. Será que uma situação condiciona a outra? Nos últimos cinco anos, o Benfica vendeu por valores muito significativos João Félix, Raul Jimenez, Rúben Dias, Darwin Nuñez, Enzo Fernandez e Gonçalo Ramos. Supostamente, teria obtido a capacidade financeira para sustentar a liderança no futebol profissional. Infelizmente, o Benfica comprou ( mal) uma massa de jogadores do novo perfil, a preços bastante elevados ( Weigl, RdT, Carlos Vinicius, Everton Cebolinha, Pedrinho, Waldschmidt, Yaremchuk, Kokçu, Artur Cabral, Jurásek ) e que não se revelaram capazes de render desportivamente. Nem ao nível dos talentos recém-vendidos, nem à altura dos melhores jogadores do período vitorioso de 2013-2019. Adicionalmente, o Benfica comprou diversos jogadores jovens, por valores próximos de 10M cada, cuja performance está ainda por comprovar (excepto na infeliz contratação de João Victor, entretanto já revendido). Outros clubes, encontraram no mercado nacional alternativas menos onerosas e que parece estarem a dar uma resposta favorável. O Benfica caiu na sua própria armadilha comercial: ao comprar mal, cancelou os benefícios de vender bem.
Como estes últimos cinco anos demonstraram de forma frustrante, o Benfica não poderá evitar a perda da liderança em Portugal, sem recolocar o sucesso do futebol em primeiro lugar. Para isso, precisará de voltar a encontrar os Jonas, Cardozo, Salvio e Pizzi do futebol atual, concentrando-se num perfil imediatamente ganhador, em detrimento do perfil orientado à valorização financeira posterior. Com isso, assegurará também a dimensão europeia, os correlativos ganhos financeiros, bem como a ambição e a coesão do clube. O Presidente Rui Costa e a Direção do clube, terão de decidir se querem um clube ganhador em Portugal e com dimensão europeia, com uma Direção capaz de mudar o rumo, ou se aceitam um clube que perde regularmente em Portugal, diminuído na Europa, com uma Direção presa a um modelo de gestão que foi paulatinamente asfixiando os objetivos desportivos, encerrando-os numa malha de constrangimentos financeiros. Num clube com a tradição e os valores do Sport Lisboa e Benfica, esta segunda opção só augura uma vivência diretiva pobre, desagradável e, provavelmente, curta."

Nuno Paiva Brandão, in Record

Rui Costa: a estabilidade é um bem maior


"Presidente do Benfica muito mais à vontade a falar do jogo do que de finanças ou política(s)

RUI COSTA foi corajoso. Decidiu, desta vez, não se resguardar no conforto de uma entrevista caseira e não se limitou à opção 2: escolher um canal de televisão generalista para explanar as suas ideias. Submeteu-se a um cenário que por vezes pareceu assustador, filmado de cima, por mais que depois se vissem os passarinhos a debicar na relva por detrás dele, aqui e ali alguns insetos a esvoaçar no idílico cenário do Seixal. Em várias alturas da entrevista coletiva concedida ontem, o presidente do Benfica chegou a parecer um réu autosubmetido a interrogatório que poderia vir a ser implacável.
Mostrou-se preparado e respondeu rapidamente — ou começou a responder — a todas as perguntas que lhe foram colocadas.
Rui Costa é um homem genuíno, e por isso dificilmente poderia disfarçar o óbvio: está muito mais à vontade a falar de futebol, do jogo e de jogadores do que a versar assuntos de finanças, direito ou política(s).
Embora pudesse fazê-lo (quem sabe mais disso do que quem jogou ao nível dele?), não se atreveu muito por questões táticas, mas ficou claro que sabe como a equipa jogou, como era suposto ter jogado e como é suposto que jogue no futuro. Foi muito menos assertivo a falar de contas ou das eleições do clube, que afirmou estarem «muito longe» (outubro de 2025), quando qualquer político que se preze sabe bem que ano e meio é muito pouco tempo para preparar uma campanha.
Disse, logo de início, o que já se tinha adivinhado: Roger Schmidt continua como treinador do Benfica. Talves pudesse tê-lo feito antes — os especialistas em comunicação e política(s) saberão mais sobre o tema.
Escolheu fazê-lo agora, para evitar mais especulações, e fê-lo recorrendo a argumentos extremamente válidos, a começar por uma ideia de estabilidade que muito escasseia em vários clubes do futebol português, mais que nos outros futebóis europeus.
Mário Wilson disse um dia, com toda a propriedade, que «qualquer treinador do Benfica se arrisca a ser campeão». Faz sentido, diria mesmo que é lógico. Mas isto não tem de significar algo como «se não é campeão no Benfica tem de ser despedido».
Rui Costa lembrou várias vezes que Roger Schmidt era venerado há pouco mais de um ano. Chegou e venceu, cumprindo a profecia do Velho Capitão. No ano seguinte não venceu e não convenceu as bancadas, mas se as contas forem feitas com honestidade verifica-se que tem alguma razão ao reclamar que a época não foi tão má quanto a exigência dos adeptos a pinta.
O presidente do Benfica apelou à estabilidade. Recusa «começar sempre do zero» quando uma época corre menos bem. Assumiu alguns erros (embora sem os explicar por aí além) e reassumiu a confiança em Roger Schmidt. A avaliar por múltiplos exemplos, a estabilidade é um bem maior. Assim não esteja tudo a ser julgado à terceira jornada da próxima Liga..."

Alexandre Pereira, in A Bola

O futebol foi finalmente justo para ti, Gian Piero


"A caminhada triunfal da Atalanta na Liga Europa simboliza a vitória da ‘ideia’ e do modelo trabalhado, e ainda a da superação. Gasperini, que falhou no Inter, merece hoje todas as vénias

Setembro, 2011. Dia 21. Menos de três meses depois de o ter nomeado técnico principal e ao fim de cinco jogos sem vencer (um empate e quatro derrotas), o Inter despede um tal de Gasperini. Um verdadeiro desconhecido fora de Itália. Antigo médio da Juventus, na qual se forma como futebolista, tem no currículo um bom trabalho em Génova, após o arranque da nova carreira no modesto Crotone, porém é obrigado a esvaziar o escritório em Appiano Gentile sem uma única vitória enfiada nas caixas de cartão. A controversa linha de três defesas que colocara em campo implode antes de se poder consolidar.
Chega depois da ressaca de uma temporada inteira. Mourinho leva os nerrazzurri a ganhar tudo, inclusive a Liga dos Campeões no Bernabéu, a nova casa por oficializar perante todos menos talvez Matrix Materazzi, já que algo terá sido certamente balbuciado em esforço naquele longo e lavado em lágrimas abraço a poucos metros da porta da sala de Imprensa. Substitui-o um velho rival e freguês, o espanhol Rafa Benítez, que dura até dezembro apenas. Entra em cena Leonardo, que lhe aquece o lugar. Algo que ele próprio não consegue fazer para Ranieri. É muito pouco tempo.
No Meazza, dilly-ding, dilly-dong, Claudio dura seis meses. Andrea Stramaccioni um ano e dois meses. Walter Mazzarri outros seis. Roberto Mancini, que volta depois de anteceder Mourinho já com títulos conquistados, um ano e nove meses. Frank de Boer menos de três. Stefano Pioli sete. Luciano Spaletti, finalmente, dois anos. Todavia, o primeiro título só aparece com Antonio Conte, em 2020/21. O problema é bem mais profundo do que Massimo Moratti quer admitir no tempo de Gasperini.
Para Gian Piero, segue-se Palermo, na Sicília. Demitido e reconduzido em semanas, é despedido novamente passados 15 dias. Não se trata de mais do que da travessia no deserto que precisa fazer. Volta a Génova, onde está três épocas, e a Atalanta é o sexto clube numa carreira de trinta anos, iniciada nas camadas jovens da Vecchia Signora. Uma caminhada sem troféus até aos 66 anos e quase quatro meses de idade.
Em Bérgamo, é o rosto de um projeto que atinge, ao 116.º ano de história, o primeiro troféu europeu. O único desde a Taça de Itália de 1962/63. No final, em Dublin, encontra, como quase sempre, as palavras certas. Não é só a vitória, mas também a forma como vence: por 3-0, com uma master class impressionante diante de um adversário que carrega com leveza surpreendente um recorde de 51 jogos sem perder. Mas não só: «Ganhámos ao Liverpool quando estava no topo da classificação em Inglaterra, ao Sporting e agora ao Bayer Leverkusen. Estamos extremamente orgulhosos. É uma vitória memorável!»
É a vitória da ideia, do modelo trabalhado e da superação. E, mesmo assim, precisou de um Ademola Lookman inspirado. Quantas vezes não terá entretanto o bom do Gian Piero pensado nesse triste dia em Milão? Ou nas derrotas? Ele próprio o desvaloriza: «Não entendo isso de se precisar de conquistar um troféu para se provar algo. Não é por isso que sou melhor agora do que era esta tarde. Se fosse assim, só teriam vencido Inter e Juve. E também venceu o Bolonha, o Verona, que se salvou, e o Lecce. Cada um tem os seus próprios objetivos.»
Em oito temporadas, e depois de seis anos sem estar no top 10 da Serie A, La Dea termina por seis vezes entre os cinco primeiros, três das quais em terceiro. No seu primeiro ano no cargo, é quarto classificado, o que se traduz na qualificação para uma competição europeia 26 anos depois. Em 2019/20, numa época marcada pela pandemia da Covid-19, assina a melhor temporada, com o 3.º lugar do campeonato, e as presenças na final da Taça e ainda nos quartos de final da Liga dos Campeões. É por muito pouco que não se cruza com o Leipzig nas meias-finais. Os bergamascos são eliminados pelo PSG com dois golos no período de compensação, da autoria de Marquinhos e Eric Maxim Choupo-Mouting. Está depois em três Champions seguidas e mais duas finais da Coppa Italia, sempre com a Juventus como carrasco.
O lucro, desde que chega a Bérgamo, ascende aos 157 milhões de euros líquidos. O clube não se abstém de transferir craques por boas maquias, o que o obriga a que reinvente a equipa ano após ano. Não há praticamente quebra de rendimento, porém a sangria não lhe permite igualmente poder lutar por chegar-se um pouco mais à frente, quem sabe lançar a campanha definitiva para atacar o scudetto, e igualmente inverter mais cedo a tendência de falta de contundência em jogos decisivos.
O contributo é, contudo, muito maior. Num país com um calcio com o catenaccio e il gioco all’italiana, respetivamente versões extrema e moderada de uma identidade mais pragmática e resultadista, fortemente enraizados na sua natureza, tem conseguido inspirar uma (r)evolução tática, sobretudo ao nível da verticalidade e progressão rápida através de passes fluidos assim que a bola é recuperada, e até no surpreendente regresso à marcação individual pressionante a todo o campo. São vários os que se deixam contagiar, indiretamente ou até diretamente, como Thiago Motta, antigo pupilo no Génova e um dos mais emergentes técnicos da atualidade, a caminho da Juventus.
O futebol mostra-nos, desta vez, que também consegue ser justo de tempos a tempos. Não que Xabi Alonso e o seu Bayer nunca mais Neverkusen não fossem dignos vencedores ou não sejam também fenómenos extraordinários e igualmente importantes para a evolução, mas porque Gasperini e esta Atalanta já mereciam a redenção. Sim, Gian Piero, não é que precisassem, porém assenta-vos muito bem!"

Luís Mateus, in A Bola

A Verdade do Tadeia #2024/162 - Que final para a Taça?