Últimas indefectivações

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Helton Leite, Gilberto, Pedrinho e Diogo Gonçalves: upgrade ao banco de suplentes?

"Como tem sido noticiado e facilmente visível, o SL Benfica está a investir fortemente neste mercado de transferências, com o objectivo de construir uma equipa que domine a nível interno e, igualmente, se consiga bater com outra qualidade e rendimento no plano internacional, ao contrário do que tem acontecido nas últimas temporadas. Como tal, são, até ao momento, já seis os reforços para o plantel encarnado (Cavani está próximo de ser oficializado e assim se tornar o sétimo), ao qual também se junta o regresso de empréstimo por parte de Diogo Gonçalves.
De facto, é inegável a grande expectativa para ver em acção nomes mais sonantes e que deixaram água na boca no universo encarnado, nomeadamente os de Jan Vertonghen, Everton “Cebolinha” e Gian-Luca Waldschmidt, quer pelo avultado montante investido na contratação dos jogadores em questão, quer pelo facto de se tratarem de jogadores já feitos, com experiência, qualidade e atributos diferenciados que certamente marcarão uma nova etapa no futuro do clube da Luz.
No entanto, no futebol actual, cada vez é mais necessário ter um plantel equilibrado, com soluções para as diversas posições e que, consequentemente, possa impedir quebras de rendimento em caso de fadiga, castigos ou lesões por parte dos elementos habitualmente escolhidos para o 11 inicial. Assim sendo, hoje, escrevo sobre quatro nomes que tanto poderão disputar e ocupar um lugar na equipa de Jorge Jesus como, por outro lado mas igualmente importante, serem alternativas válidas para a rotatividade e colmatar algumas situações que surjam no decorrer duma época que se prevê bastante longa e desgastante (começando logo com as eliminatórias de acesso à Liga dos Campeões), garantindo um banco forte e com qualidade.

1. Diogo Gonçalves Por fim, resta fazer referência a Diogo Gonçalves, que regressa para fazer pré época com o plantel, depois de dois empréstimos consecutivos (Nottingham Forest FC em 2018/2019 e FC Famalicão em 2019/2020), sendo que no empréstimo aos famalicenses demonstrou toda a sua qualidade e capacidade para ser novamente uma opção válida (com 34 jogos, sete golos e dez assistências em todas as competições) nos encarnados, depois da aposta e algumas oportunidades na época de 2017/2018, ainda com Rui Vitória à frente da equipa.
Apesar da versatilidade e polivalência que apresenta, juntamente com o amadurecimento no FC Famalicão e maior experiência na Primeira Liga, ainda não é certa a sua permanência definitiva no plantel. Para lateral direito, já há André Almeida e Gilberto, tendo Jorge Jesus dito, em entrevista à BTV, que serão os dois a disputar a vaga pela posição. Já nas alas, há jogadores como Everton “Cebolinha”, Rafa, Pedrinho, Pizzi (ainda que Jorge Jesus tenha dado a entender que será mais utilizado no centro do terreno), juntamente com outros atletas que, até à data, continuam no plantel encarnado, tais como Franco Cervi, Andrija Zivkovic e Jota.
Veremos qual o futuro do português, se a permanência na equipa, sendo uma opção válida para diversas posições, nova saída por empréstimo ou, desta vez, uma saída definitiva, permitindo um encaixe financeiro ao clube, altamente sobrecarregado pelos atuais gastos em compras.

2. Pedrinho Para as alas, chega o talentoso Pedrinho, com 22 anos, vindo do SC Corinthians, por uns elevados 20 milhões de euros, numa contratação que, quando foi confirmada, provocou imensas dúvidas nos adeptos encarnados e também muita discussão em terras brasileiras em consequência da relação valor/qualidade, levando até o seu agora treinador Jorge Jesus a afirmar que, pelo valor pelo qual foi contratado, existiam melhores opções no Brasileirão.
Apesar do elevado montante investido, o certo é que se trata de um jogador com características que o diferenciam dos restantes extremos que o SL Benfica possuía em 2019/2020: finta, imprevisibilidade, capacidade de jogar entrelinhas, técnica e muito forte no 1×1. Terá de aprender várias noções e dinâmicas do ponto de vista táctico, finalizar com outra qualidade (o seu historial a nível de golos não é fantástico, bem pelo contrário) e compensar também defensivamente numa equipa que se prevê que seja obviamente ofensiva.
Além de jogar preferencialmente na ala direita, flectindo para o meio e oferecendo muita capacidade de jogo interior, pode também actuar na esquerda e como segundo avançado, oferecendo, deste modo, um leque de soluções e uma versatilidade extremamente apreciada pelo técnico Jorge Jesus.
Talvez não inicie a época como titular, mas será certamente um elemento com oportunidades e, quiçá, importância no SL Benfica 2020/2021.

3. Gilberto Para a defesa encarnada, mais especificamente para a ala direita, chegou outro nome brasileiro e já com alguma experiência (27 anos), neste caso, Gilberto, saído do Fluminense. Contratado por cerca de três milhões de euros, o lateral assinou contrato até 2025 e prepara-se para disputar com André Almeida a vaga pela posição de lateral direito, algo carenciada desde 2017 (após a saída de Nélson Semedo para o FC Barcelona).
Muito forte fisicamente e com capacidade atlética considerável, Gilberto tem como cartão de visita a velocidade, cruzamento e a chegada ao último terço ofensivo, sendo bastante forte nesse aspecto. Em sentido contrário, apresenta algumas debilidades tácticas e fragilidades do ponto de vista defensivo, sobre as quais Jorge Jesus provavelmente terá de fazer um trabalho específico de forma a melhorar os aspectos referidos.
No entanto, o jogador já havia sido um pedido do técnico português quando este se encontrava no CR Flamengo; na altura, a transferência acabou por não se concretizar, mas agora, no SL Benfica, o treinador optou novamente por tentar contratar o defesa direito brasileiro, desta vez com sucesso. Com a sua chegada, certamente aumentará a competição pela posição e, previsivelmente, o clube terá duas opções mais equilibradas sem se notar tanto a diferença em caso de ausência do possível titular.

4. Helton Leite – Começando pela baliza, Helton Leite, de 29 anos chega ao SL Benfica proveniente do Boavista FC, tendo assinado um contrato válido por cinco temporadas. À partida, tudo leva a crer que será o suplente de Odysseas Vlachodimos, sendo, claramente um upgrade em comparação com Zlobin que, na época transacta, quando foi chamado para defender as redes encarnadas na Taça de Portugal, não se mostrou preparado para o peso da tarefa e responsabilidade.
Na época passada, Helton Leite foi um dos melhores guarda redes da Primeira Liga, evidenciando excelentes reflexos, segurança, jogo de pés, posicionamento e elasticidade. Contudo, a meu ver, poderá melhorar noutros aspectos, tais como as saídas e a cobertura da profundidade, algo preponderante para Jorge Jesus que, como se sabe, é um apreciador da defesa subida, em função do futebol de ataque e elevada pressão que pratica. Por fim, as lesões têm sido outro aspecto menos positivo do guarda redes brasileiro e que, por vezes, o têm impedido de demonstrar todo o seu valor."

Lá fora: "El Súper Benfica"

"Cá dentro: A idade, o investimento, a fiscalidade, a pandemia, aquilo que outrora eram jogadores que vinham dar prestígio à Liga Portugal passou a indecência ou irresponsabilidade.
Este País é demasiado pequeno para a grandeza do Sport Lisboa e Benfica."

Herança de peso para Robinho

"Inicia-se uma nova era no futsal do Sport Lisboa e Benfica, com a saída há muito anunciada de antigo capitão e símbolo do clube, Bruno Coelho, para o projecto do ACCS, em França. Tal abriu uma grande interrogação no seio do clube encarnado: qual seria o novo capitão das águias a partir da próxima época 2020/21. Com esta baixa de peso, caberia à estrutura benfiquista encontrar um jogador com o perfil indicado e um misto de experiência e capacidade de liderança para ser a extensão do treinador em campo. 
A escolha acabou por recair sobre um dos jogadores mais influentes e o mais experiente do actual elenco, o brasileiro Robinho. Com 37 anos de idade e a caminhar para o seu quarto ano com a camisola do Benfica, o brasileiro naturalizado russo é dos futsalistas do actual plantel aquele que melhor encarna, na minha opinião, a garra e a vontade que o misticismo e a rica história das águias merece.
A herança deixada pelo seu antecessor é muito pesada, pois Bruno Coelho é um dos grandes jogadores das águias e obviamente, um dos capitães mais consensuais e indiscutíveis, pelo que a tarefa de Robinho não se avizinha nada fácil. Mas, pelo menos, pode ajudar a integrar os jogadores jovens e inexperientes e faze-los sentir a importância e o peso de vestir o “manto sagrado”.
Nesse papel acredito que o experiente ala irá auxiliar os jovens que estão a dar o salto para a equipa principal. O resto, como se costuma dizer, teremos que aguardar pelos próximos episódios e pelo desenrolar da próxima temporada. Como o próprio jogador admitiu, a sua responsabilidade dele irá aumentar bastante e como tal, só o avançar da competição é que irá mostrar o real valor de Robinho enquanto capitão do Benfica.
Eu defendo sempre que, antes de se criticar ou elogiar prematuramente uma decisão, devemos dar o benefício da dúvida e um voto de confiança aos escolhidos e depois sim, fazer uma análise crítica e fundamentada."

Evanilson, o habilidoso gigante


"Como ponta de lança ou partindo da posição de extremo, quando actua em simultâneo com Fred, o miúdo Evanilson (20 anos) é a nova atracção do futebol no Rio de Janeiro. Ele que representa o Fluminense desde bem jovem, mas que tem a curiosidade de ter passado pela Liga Eslovaca.
Qualidades condicionais extraordinárias, surpreende pela invulgar habilidade com que se move e executa para quem tem tal perfil morfológico.
Mestre das diagonais curtas para aparecer a finalizar, aceleração, drible e capacidade de finalização que lhe valeram uma soma anormal de golos no Brasileiro Sub20, e que o tornaram atracção do Carioca 2021. 
Eis Evanilson, mais um jovem de potencial tremendo que o futebol brasileiro vê emergir."

Uma frase de pascal...

"Nos Pensamentos, Pascal (1623-1662), matemático e físico e filósofo e teólogo, de ideias imorredoiras, afirmou: “o homem nada mais é do que um caniço, o mais frágil da natureza, mas um caniço pensante. Não é necessário que o universo inteiro se reúna, para massacrá-lo. Uma gota de água basta para matá-lo. Mas, se o universo um dia o eliminar, o homem continua mais nobre do que os elementos que o eliminaram, pois que sabe por que morre. Toda a nossa dignidade consiste, portanto, em pensar”. Alain Touraine acrescenta, a este propósito, na sua Crítica da Modernidade: “a história da modernidade é a história da dupla afirmação da razão e do sujeito”. Os filósofos do século XVIII (o século, por excelência, do racionalismo) converteram a Razão numa espécie de divindade, capaz de ler o universo todo e conduzi-lo à resolução das necessidades humanas mais instantes. É pela Razão, segundo a filosofia racionalista, que pode contemplar-se a Verdade. Mas o paradigma desta filosofia (também chamada “iluminista”) era a física de Newton. O corpo jazia rodeado por um ferrugento arame farpado de ideias e não passava de um objeto ao lado dos outros objectos. A tanto levou o racionalismo: ao corpo-objecto! A visão do corpo era simplesmente mecânica e relojoeira. O médico mais célebre do Iluminismo, La Mettrie (1709-1751) escreveu um livro, L´Homme-Machine (O Homem-Máquina) que faz do ser humano uma simples máquina, chegando ao extremo do mais dogmático mecanicismo, ateísmo e materialismo. Pascal, no entanto, que inventou a primeira máquina de calcular, que se conhece, com o seu espírito científico sempre temperado de filosofia e teologia, também deixou escrito algumas frases que ficaram célebres e onde o racionalismo se põe em questão: “O coração tem razões que a própria Razão desconhece”…
Max Weber identificou modernização com racionalização, dado que a modernização se expressa pela permanente e cada vez mais complexa racionalização da sociedade, mormente do conhecimento científico. Não é por isso de estranhar-se que numa sociedade que se julga solidamente científica prevaleçam o empirismo, o positivismo, o realismo, o materialismo e o célebre princípio marxista: “não é a consciência dos homens que determina o seu ser, mas é o seu ser social que determina a sua consciência”. Só que se num primeiro momento a Igreja Católica, em Portugal, se sentiu enfraquecida pela ausência de simpatia e de apoio dos diversos governos republicanos, o exercício intelectual e pastoral de Gonçalves Cerejeira (futuro Cardeal Patriarca de Lisboa e “lente” na Faculdade de Letras), entre os estudantes da Universidade de Coimbra; a criação do C.A.D.C. (Centro Académico de Democracia Cristã), que logo nas primeiras reuniões se impõe um “espírito” que nunca mais se havia de perder: o alheamento da política partidária, a preocupação da integral formação dos estudantes e, finalmente e ainda mais, uma disciplinada e consciente subordinação à autoridade da Igreja. Folheio, agora o livro Fátima e a Cultura Portuguesa (D. Quixote, Lisboa, 2018), da autoria do escritor e filósofo Miguel Real, onde pode ler-se: “Porém, a grande resposta da Igreja ao republicanismo foi dada (de um modo lateral às instituições e totalmente inesperado para a hierarquia) pela irrupção das Aparições de Fátima” (p. 84). E, duas páginas adiante, escreve Miguel Real: “Do ponto de vista do pensamento católico em Portugal, A Igreja e o Pensamento Contemporâneo (de Gonçalves Cerejeira) é um livro notável , operando o ponto de situação metafísico, teológico e epistemológico das relações entre a ciência e a religião, na Europa contemporânea”. De salientar o seguinte, no que à “formação física” diz respeito dos sócios do C.A.D.C.: foi, nesta organização académica, que se ergueu um ginásio e se organizaram cursos de ginástica, em espaço universitário. Mas… “não se tendo lançado na febre do desportismo” (Padre Luís Lopes de Melo, O Centro Académico de Democracia Cristã (História Breve), Coimbra, 1951, p. 12).
O mundo que o Iluminismo criou tem muito do que é seu transformado em clamorosas ruínas. Tenho a sensação, por vezes, que só leio coisas já ditas. Faltam-nos mestres. “Deus morreu” proclamou-o Nietzsche, num desespero incontido. Foucault, tão niilista como Nietzsche, garante que o homem morreu também. E, no entanto, para ele, o homem é uma invenção recente, não passa de um conceito filosófico que a modernidade inventou – afinal, uma criatura, com 200 ou 300 anos de vida! Resta-nos pensar sobre o vazio do homem desaparecido. Tem razão o Heidegger quando afirma que o homem é tão-só um ser-para-a-morte? Michel Foucault morreu de sida, num hospital parisiense, em 1984. E deixa-nos um legado de morte para todos os quadrantes da vida. Como estranhar que neste árido clima se escutem apelos a uma renovação do pensamento? Pois não é verdade que também há quem nos diga palavras donde sai um autêntico acorde… que nos deixa em êxtase? “Somos em grande medida habitados pela possibilidade de Deus”. Sem esquecer jamais que “a crença num conhecimento muito estável muitas vezes precipita-nos numa espécie de idolatria. A gente tem de perguntar-se sempre: o que é que me traz mais próximo de Deus? O saber ou o não saber? A procura de uma segurança a todo o custo ou a confiança esperançada numa amizade que amadurece?”. E este pensamento que nos deixa sentido, num mundo em crise de sentido? “Não há misericórdia sem excesso. Se queremos ser pessoas moderadas, se queremos ser apenas justos, se queremos fazer apenas o que está certo, seremos até boas pessoas, mas não conheceremos o Evangelho da Misericórdia. Porque o Evangelho da Misericórdia pede de nós um excesso de amor: que sejamos capazes de abraçar a vida ferida e que percebamos tudo sem necessidade de dizer muito”. José Tolentino Mendonça: é um dos meus autores preferidos. Com ele aprendo sempre que é possível ser feliz, feita a ressalva que não há felicidade sem transcendência! De facto, na obra do Cardeal Tolentino Mendonça, há uma Verdade para além da verdade histórica dos nossos anseios e dos nossos sonhos, que só pela transcendência se pode imaginar. E que tem sentido… 
Na prosa poética de Jorge Valdano, os treinadores e os futebolistas avultam sempre como figuras de actualíssima projecção, muito oportuna nos dias que nos assistem: “O capitalismo já ocupa todos os espaços, também no futebol. Como o pragmatismo não se discute e o futebol não tem uma claque própria, aceitamos com resignação as palavras de Simeone: “O resultado não é o mais importante, é a única coisa”. Os treinadores têm o direito de o dizer, porque são os primeiros a sentir a guilhotina por um mau resultado. Mas a frase é uma falta de respeito pelo futebol enquanto fenómeno, “ópera dos pobres”, que provoca sobressaltos emocionais e estéticos e que eleva, em algumas ocasiões, jogadores e equipas a picos heróicos. Para Simeone, o resultado é uma questão de sobrevivência, mas se o futebol fascina é porque tem a ver com o orgulho, a identidade e a aspiração de grandeza. Numa só palavra, com a glória. Se o único critério social que mede o êxito é o dinheiro, não podemos estranhar que o único critério futebolístico que mede o sucesso seja o triunfo” (A Bola, 2020/8/15). De facto, “o capitalismo já ocupa todos os espaços, também no futebol”. Há muito tempo o senti. Por isso, respigando no que escrevi, pode encontrar-se: “E se o Desporto emerge tão-só como um dos subsistemas do sistema “capitalismo” ele não passa de simples mercadoria, à imagem do que se passa com o próprio corpo (…). No corpo, o que mais se consome e publicita são as suas qualidades físicas, morfológicas e sexuais. Prometem-se força física, ombros largos, cinturas finas, orgasmos tensos e intensos, como quem vende sabão, lixívia, ou outro produto deste jaez (…). O turvo presságio de Marx poderia aqui invocar-se: na sociedade capitalista, a prostituição da mulher acontece, lado a lado, com a prostituição generalizada do trabalhador. A reificação do corpo significa a reificação do trabalhador” (Algumas Teses sobre o Desporto, Compendium, Lisboa, 1999, p. 12). Mesmo o Ronaldo, o Messi e o Neymar… que ganham milhões, também para esconder a esmagadora maioria dos futebolistas profissionais que ganha “tostões”. Mas volto ao meu querido Amigo e Mestre, José Tolentino Mendonça, na revista do Expresso (2020/8/15): “Penso que uma forma de preparação decisiva, no nosso mundo incerto, é aquela que nos chega, através da capacidade de pensar”."

Cadomblé do Vata (milhões!)

"Então e aquele pessoal que há um ano via em silêncio esfingico, um clube sob alçada do Fair Play Financeiro da UEFA, com parcos 7 milhões de lucro no Relatório e Contas, investir quase 65 milhões de euros em reforços e que agora se contorce todo da língua quando um clube que nunca foi intervencionado pela UEFA e que no ultimo Relatório apresentou 104 milhões de lucro, planeia investir 80 ou 90 milhões de euros em craques?"

Patrick de Paula, da favela para o mundo


Na favela era tiro para cá, tiro para lá, vai tremer em penalty?
O moleque há dois anos e meio estava na favela jogando pelada. Lá onde ele morava, na comunidade dele, o tiro ‘come’ para lá e para cá, ele tinha que se esconder aqui e ali. Ele não está nem aí para bater pênalti. É um jogador que nasceu jogador de futebol. Não vai tremer nunca.»
Wanderlei Luxemburgo

Foi a grande revelação do Paulistão 2020 e ainda ficou para a história como o marcador do golo do triunfo do Palmeiras na competição.
Depois de um empate entre os rivais Palmeiras e Corinthians, a grande final decidiu-se na marca das grandes penalidades, e aí uma vez mais Patrick de Paula deixou a sua marca, assumindo a responsabilidade de bater o penalty final que valeu o triunfo do verão sobre o até então tricampeão Corinthians.
Médio centro com enormes argumentos técnicos e físicos, Patrick enche o campo com elegância e capacidade para progredir em posse. Com pouco erro, mesmo quando assume riscos à qual alia disponibilidade e qualidade defensiva, De Paula é mais um jovem brasileiro que a Europa descobrirá em breve."

As Águias #63 - Season Finale...

João, Pedro e Miguel... Trio!

domingo, 16 de agosto de 2020

Golos...

Decacampeões !!!

A secção masculina de Atletismo do Benfica, sagrou pela décima vez consecutiva, Campeões Nacionais por equipas ao Ar Livre.

Semanada...

"1. Seis ou Sete Reforços. Na sua primeira entrevista como treinador do Benfica, Jorge Jesus disse que esperava entre seis a sete reforços além de Pedrinho e Helton Leite. Fazendo as contas, quatro desses reforços serão Vertonghen, Gilberto, Everton e Waldschmidt. Os outros dois serão mais um central (Rúben Semedo, Lucas Veríssimo, Koch ou Cabrera) e um ponta de lança. Fica a faltar o sétimo. A minha aposta para sétimo seria alguém para substituir alguma possível venda, nomeadamente um guarda-redes ou, talvez o mais provável, a saída de Carlos Vinícius.
2. Emprestados. Diogo Gonçalves é o único emprestado a fazer a pré-época com a equipa principal, sendo que quase todos os emprestados terminaram a época de 2019-20 praticamente ao mesmo tempo. Isto significa que Bruno Varela, Pedro Pereira, Cristian Lema, Ljubomir Fejsa, Filip Krovinovic, Nuno Santos, Alfa Semedo, Chris Willock, Facundo Ferreyra e Jhonder Cádiz não contam para Jorge Jesus. Destes, aqueles que me surpreendem mais acaba por ser Facundo Ferreyra e Nuno Santos. Krovinovic fez uma boa época em Inglaterra, mas não me parece que seja melhor que Gabriel, Taarabt, Weigl, Samaris ou Pizzi. No entanto, para sexto médio centro - se calhar até para quinto - acho que deveríamos ter alguém jovem, com margem de progressão e potencial. Nuno Santos parece-me encaixar-se melhor nesse perfil do que David Tavares. Eu teria chamado-o. Facundo Ferreyra também teria chamado porque é um ponta de lança melhor do que aquilo que mostrou nos últimos dois anos, com Jorge Jesus poderia render mais. E parece-me que com a chegada de Edinson Cavani, vamos acabar por trocar vários pontas de lança.
3. Renovação de Diogo Gonçalves. Além de estar a fazer a pré-época, Diogo Gonçalves renovou com o Benfica até 2025. Esta renovação sinaliza uma aposta significativa no jogador que neste momento não há muitas dúvidas que deverá fazer parte da equipa principal. Muita gente tem falado da época dele na temporada passada. Foi boa, mas não foi assim tão fantástica, na minha opinião. Não era dos jogadores mais importantes no Famalicão. Mas Diogo Gonçalves é um jogador ao estilo de Jorge Jesus. É um jogador pragmático, com um sentido muito orientado para a baliza e competitivo. Tudo traços que agradam a JJ. Jorge Jesus disse que quer 25 jogadores de campo. 25 jogadores de campo são 4 laterais, 4 centrais, 6 médios centro, 6 extremos e 5 avançados. Com Pizzi a passar para o grupo de médios centro, o grupo de extremos está neste momento composto por Everton, Rafa, Pedrinho, Diogo Gonçalves, Zivkovic, Cervi e Jota. Acredito que o lugar de Diogo esteja assegurado. A dúvida neste momento será entre Zivkovic, Cervi e Jota. Cervi parece-me o elo mais fraco, mas Jota quererá tempo de jogo e o Benfica por certo não importaria de se desfazer do contrato de Zivkovic. O caso pode fazer-se para qualquer um dos lados.
4. As Terceiras Linhas. O ano passado li uma entrevista do Director Geral do Bayern e ele disse que o clube não tinha dinheiro para pagar salários a dois jogadores muito bons por posição e que o seu objectivo era ter 16 ou 17 muitos bons e depois preencher o resto com jovens. E é assim que surgem jogadores como Joshua Zirkzee, Michael Cuisance, Sarpreet Singh, Leon Dajaku. Depois alguns desses jovens surpreendem e é assim que aparece um tal de Alphonso Davies. Está mais do que visto que o Benfica este ano vai ter mais do que 20 jogadores muito bons para a sua realidade. Na posição de médio centro, por exemplo, temos Weigl, Florentino, Samaris, Pizzi, Taarabt e Gabriel. Isto significa que se JJ usar dois médios centros e levar outros dois para o banco, o Benfica vai ter dois jogadores que algures nos últimos dois anos foram essenciais e titulares no clube a ver o jogo da bancada. Parece-me manifestamente exagerado. Não sei se vai dar, mas visto que a massa salarial dos titulares deverá aumentar significativamente, devíamos seguir o modelo do Bayern, reduzir a massa salarial dos segundas e terceira linhas, trocando jogadores que no passado eram essenciais e titulares, por jovens com potencial que possam progredir com ao trabalhar diariamente na equipa principal. Não acredito que isto vá acontecer. Nuno Santos estaria a fazer a pré-época nesse caso. Mas na minha opinião, era isto que deveria acontecer. Não vejo grande lógica em um jogador como o Samaris, internacional grego, fazer quatro jogos em seis meses e todos para Taça de Portugal. E eu adoro o Samaris.
5. Rennes na Champions League. Devido aos resultados dos jogos dos quartos-de-final da Champions League, o Rennes que inicialmente iria disputar as pré-eliminatórias da Champions League do próximo ano, agora está directamente apurado para a Fase de Grupos. O Rennes era provavelmente a equipa mais forte que poderíamos apanhar. São boas notícias. O Benfica partirá para os sorteios sempre como cabeça-de-série porque é a equipa com melhor classificação no ranking. Os possíveis adversários na 3º eliminatória serão PAOK ou Gent, o vencedor entre AZ - Viktoria Plzen e o vencedor entre Lokomotiva Zagreb - Rapid Wien. Na ronda do playoff, o número de cenários possíveis já é maior, mas a única equipa que temos a garantia que não iremos apanhar é o Dinamo Kyiv. À lista anterior, podem juntar-se ainda Besiktas e Krasnodar. Destas equipas todas, a que me parece mais talentosa e competitiva é o AZ Alkmaar.
6. Cameron Jackson reforça a Equipa Basquetebol. Parece que está encontrado o último reforço da equipa de Basquetebol e muito provavelmente das Modalidades Masculinas de Pavilhão - pelo menos até que haja alguma lesão. Cameron Jackson é um Extremo-Poste que em Portugal quase de certeza irá jogar a Poste. Vem do segundo classificado da Alemanha, depois do seu primeiro ano fora do College. Na Alemanha não era titular, mas estava numa equipa dois ou três patamares do Benfica. O Ludwigsburg na próxima época teria uma vaga na EuroCup se não tivesse abdicado de participar em competições europeias. Na Alemanha, Cameron teve como médias por jogo 7.6 pontos, 3.4 ressaltos, 1 assistência. Não são números muito impressionantes, mas Cameron não era titular, e vem de uma das melhores Ligas Europeias. O salto para a Liga Portuguesa é francamente grande. No papel parece ser um jogador interessante, jovem e com potencial para encaixar bem com Caleb Walker, que se destaca mais pelas penetrações para o cesto. O Benfica claramente que mudou o estilo que procura nos americanos este ano. Na próxima época vamos ter dois americanos que estão nos primeiros anos de carreira desde que saíram da Universidade. Eu prefiro jogadores assim a role players como Damian Hollis ou Gary McGhee. O downside acaba por não ser muito mau e o upside é incrível. Agora é preciso também que Carlos Lisboa saiba aproveitar o que tem nas mãos."

sábado, 15 de agosto de 2020

O samba chega à Luz: Everton Cebolinha assinou pelo SL Benfica

"Everton Soares, mais conhecido como Cebolinha, acaba de ser anunciado como reforço do SL Benfica (juntamente com Vertonghen e Waldschmidt). O extremo brasileiro abandona o Grémio a troco de 20 milhões de euros mais 20% de uma futura mais valia. Ou seja, se o jogador for vendido por 40 milhões de euros, o clube de Porto Alegre receberá 20% dos 20 milhões de lucro.
Everton é um dos mais entusiasmantes jogadores a chegar a Portugal nos últimos anos. Pondo em perspectiva: o extremo brasileiro de 24 anos é, neste momento, muito melhor jogador do que aquilo que era Di Maria quando chegou ao clube encarnado.
Cebolinha era um dos melhores, senão mesmo o melhor, jogadores do Brasileirão. Em 2017, foi decisivo na conquista da Taça Libertadores e subsequente Recopa Sul Americana. Esteve na equipa do ano do campeonato brasileiro de 2018. Em 2019, fez 57 jogos ao serviço do Grémio PA, de Renato Gaúcho, e apontou uns impressionantes 20 golos.
Depois das boas exibições ao serviço do tricolor, Everton foi convocado para a Copa América de 2019 (competição onde iria demonstrar todo o seu valor). Disputando a competição em casa, Everton foi o melhor marcador e muito contribuiu para a conquista do título por parte da selecção brasileira.
Everton chega para ser titular de caras na equipa encarnada. Pode fazer ambas as alas, mas é à esquerda que mais brilha, fazendo-se valer do seu excelente pé direito. Everton é muito forte a executar diagonais para o meio e procurar o remate, como indicam os seus 2.1 remates por jogo.
Apesar de procurar muito o remate e aparecer bem em zonas de finalização, Everton consegue encontrar colegas em zonas privilegiadas e fazer chegar-lhes o esférico de forma adequada. Realiza cerca de um passe chave por jogo e fez sete assistências em 2019.
O desequilíbrio individual é a grande característica do jogador. Com a bola no pé é um autêntico mágico. É um jogador capaz de levantar uma bancada. É um jogador com muita capacidade em espaço curto, quase ao estilo do samba brasileiro, mas também consegue partir para cima do adversário em velocidade (onde o seu baixo centro de gravidade muito contribui). Realiza 3.5 dribles por jogo, o que equivale a cerca de 60% dos dribles tentados por partida.
Esta capacidade de desequilíbrio é algo que não existia no plantel encarnado, sobretudo nas alas (Taarabt talvez fosse o único capaz de desequilibrar no drible). Com a chegada do extremo brasileiro e do seu conterrâneo Pedrinho, o SL Benfica fica muito bem servido neste capítulo.
Relativamente a Rafa ou a Cervi, habituais titulares à esquerda, Everton é bastante diferente. O português é um jogador que procura muito mais o espaço e o argentino dá um contributo defensivo que nunca vimos Cebolinha dar. O novo reforço de Jorge Jesus é um jogador que prefere muito mais receber a bola no pé e muitas vezes contemporizar os lances, por vezes até demais.
A nível defensivo Everton é uma debilidade, mas já vimos muitos jogadores evoluírem bastante na transição defensiva com Jorge Jesus.
Everton é, para mim, o grande reforço desta temporada no SL Benfica, mesmo que a chegada de Cavani se confirme.
As características do jogador e a sua atitude em campo vão certamente cativar os adeptos e os colegas. O samba chega à Luz!"

O sucessor de João Félix: Luca Waldschmidt já veste de encarnado

"O interesse em Luca Waldschmidt não era de agora, mas finalmente o SL Benfica conseguiu convencer o avançado alemão a transferir-se para o clube encarnado. Waldschmidt assinou um contrato válido por 5 temporadas e custou aos cofres das águias 15 milhões de euros.
Jorge Jesus tem vindo a renovar o plantel do SL Benfica e desta feita renovou com um desejo passado de Luís Filipe Vieira. O interesse no alemão já vem desde a temporada passada, aquando da saída de João Félix, mas as negociações não haviam corrido da melhor forma.
Pois bem, o SL Benfica fez nova investida no avançado de 24 anos e informou hoje à CMVM a chegada do internacional alemão ao clube encarnado.
Assim, Benfica e Friburgo chegaram a um entendimento após Rui Costa e Tiago Pinto se terem deslocado à Alemanha para fechar o negócio e demonstrarem que o interesse no jogador era sério. O administrador da SAD e o Director Geral para o futebol do Benfica, respectivamente, alcançaram o objectivo e trazem consigo Waldschmidt.
O ponta de lança germânico conta com passagens pelo Eintracht Frankfurt, Hamburger SV e Friburgo e esta será a sua primeira experiência “fora de portas”. Nesta edição da Bundesliga disputou 24 jogos e apontou oito golos. No ano transacto foi o melhor marcador do Europeu Sub-21 ao apontar sete golos em apenas cinco partidas, o que lhe valeu o estatuto de melhor marcador da competição.
Tecnicamente evoluído, Gian-Luca Waldschmidt pode actuar como ponta de lança e até mesmo como segundo avançado. Joga, muitas vezes, descaído à direita do terreno de jogo, e faz das suas diagonais e grande capacidade de rematar fora da área uns dos seus pontos fortes. Com Jorge Jesus como treinador pode ainda aprender bastante tacticamente, uma vez que terá o “mestre da táctica” como seu treinador. 
A grande margem de progressão do jovem avançado, aliada às suas capacidades técnicas, fazem do alemão uma grande contratação para o Sport Lisboa e Benfica. Resta saber como se adaptará ao futebol português e se terá o mesmo impacto que teve na Alemanha.
Na Luz terá concorrência de peso, tal como Carlos Vinícius, Haris Seferovic, Chiquinho e dos regressados Ferreyra e Cádiz. Claro está que nem todos deverão ficar no plantel das águias e por isso são expectáveis transferências futuramente. Também uma possível transferência (bastante complicada) de Edison Cavani pode vir a ser mais uma “ameaça” ao lugar de Waldschmidt.
O avançado germânico virá para preencher um vazio deixado por João Félix, aquando da sua saída para o Atlético de Madrid, e, antes disso, da reforma de Jonas. Ainda que esteja uns quantos furos abaixo de qualquer um dos anteriores, penso que Waldschmidt tem potencial para brilhar em Portugal.
Assim, o Sport Lisboa e Benfica reforça o seu ataque com um jogador com qualidades acima da média, com grande margem de progressão e que chegará, certamente, para brilhar e marcar golos."

Salvação?!

"Está-se a cozinhar uma golpada de Jorge Mendes no sentido de salvar o Calor da Noite. O parceiro estratégico do Benfica, nas palavras de Luis Vieira, é o principal aliado do Calor da Noite neste mercado. O objectivo é vender miúdos que não interessam por dezenas de milhões de euros e assim conseguir manter a base da equipa da época passada sem necessidade de venda dos jogadores titulares. 
A questão é: se os próprios titulares têm pouco ou nenhum mercado, como é que Jorge Mendes consegue o milagre de vender jogadores que quase nem participaram na equipa principal?
Pois, Jorge Mendes vai fazer uso do seu carrossel (Mónaco, Wolves, Valência ou Milan) para impor a estes clubes jogadores juniores a troco de milhões, os famosos Mendilhões. Vamos falar de um exemplo prático: já foi veiculado pela imprensa dominada pelo Calor da Noite, e em especial pelo Chefe de Redacção do Record (o ex-jogador de Poker Vitor Pinto, andrade até ao tutano) que Fábio Silva vai ser vendido por 40 Mendilhões. O objectivo é repeti-lo várias vezes para que as pessoas se habituem à ideia de considerar normal a venda de um jogador que na época de 2019/2020 tem 790 minutos de competição sénior e 3 golos marcados. Fazemos uma sugestão e desafiamos a PJ a meter o Rui Pinto ao trabalho para descobrir o porquê deste milagre.
Outro exemplo: o Valência vendeu o Ferran Torres, com 20 anos e quase 2300 min na liga espanhola por 25M. E agora vai espetar 20M no Diogo Leite com 21 anos que jogou 376 minutos no poderoso campeonato Português! Tudo normal, não é Ana Gomes?
Para branquear este crime, já foi posto a circular também a ideia que Jorge Mendes fez o mesmo com o Benfica há uns anos atrás. Nada mais mentiroso. O que Jorge Mendes fez com o Benfica não foi despachar meia dúzia de miúdos por milhões. Os jogadores do Benfica, como Cancelo, Bernardo, Hélder Costa, Ivan Cavaleiro, etc, foram todos emprestados uma primeira época e os clubes apenas os compraram na época seguinte por 15M€ porque Todos eles jogaram, tiverem muitos minutos e foram relevantes nos respectivos clubes a que foram emprestados. Caso contrário, teriam vindo recambiados para o Benfica. Muito diferente do cheque em branco que Mendes está a dar ao Calor da Noite agora. 
Aguardamos serenamente os próximos desenvolvimentos, na certeza que se estes negócios avançarem e não forem investigados, será uma das maiores vergonhas de sempre do futebol em Portugal."

Passar com uma esponja o Benfica 2019-20? Os números de uma época histórica (no mau sentido).

"Duas semanas. Foi o período de nojo necessário para conseguir voltar a debruçar-me sobre o futebol do Benfica, e sobre o que se passou neste ano civil. Uma época a lembrar os bons tempos do Vietname, pautada por exibições paupérrimas e pela escassez de títulos: uma supertaça, naquele que (para muitos) foi o melhor jogo da época... a 4 de Agosto de 2019. Ou seja, tanto a melhor exibição como o último troféu do futebol sénior do Benfica ocorreram há mais de 1 ano.

Uma época... atípica. Talvez seja este o melhor adjectivo para o que aconteceu nesta temporada, marcada pela interrupção de jogos oficiais durante 3 meses devido à pandemia.
Comecemos pelo final de temporada: a Taça de Portugal. O Benfica tinha a hipótese de conquistar este troféu pela 27.ª vez, sendo que tinha enfrentado o FC Porto na final por 10 vezes, com um historial favorável de 9-1 (a última derrota na final deste troféu ocorreu no longínquo ano de 1958). Acresce ainda que Sérgio Conceição nunca tinha vencido a final da Taça das duas vezes que lá chegou (como treinador). Outro dado favorável ao clube: o Benfica tinha vencido 26 das 37 finais a que chegou, enquanto o FC Porto só tinha vencido 16 das 30 finais. Além disso, o Benfica tinha vencido as suas duas últimas finais, e no sentido inverso, o FC Porto tinha perdido as suas últimas duas finais da Taça, competição que não vencia desde 2011, ano em que completou a sua última dobradinha. E em campo considerado neutro, as duas equipas defrontaram-se por 15 vezes, com vantagem dos encarnados, que somavam nove vitórias, contra cinco triunfos dos portistas. Ou seja, os números estavam favoráveis ao clube da Luz.
E o Benfica, contra todas as tendências estatísticas, perdeu a final da Taça de Portugal. O FC Porto venceu, pela 4.ª na sua história, todos os jogos contra o Benfica numa temporada em que se defrontaram por 3 ou mais vezes. Foi também a 2.ª vez que o FC Porto venceu uma final em desvantagem numérica, a 1.ª sem vantagem no marcador. O Benfica de 2019-20 entra assim na história do clube azul e branco pelos piores motivos, algo que os adeptos benfiquistas detestam.
Quanto à Taça da Liga, o Benfica iguala o seu pior registo com apenas 3 pontos na fase de grupos, numa competição que já não vence desde 2016. Na Europa, o Benfica fica pela 2ª vez consecutiva em 3.º lugar na fase de grupos da Champions League (não segue para os oitavos-de-final há 3 anos), e alcançou a 1.ª vitória por mais do que um golo (!) nos últimos 23 jogos (6V - 3E - 14D). Contudo, e pela 1.º vez na sua história, o Benfica é eliminado logo na primeira eliminatória da Europa League (formato actual), e a 3.ª vez (séc. XXI) que completa uma competição europeia sem vitórias.
Quanto à Liga Portuguesa, desde 2013-14 que o Benfica não marcava tão poucos golos (71), sendo que a grande maioria desses golos (42) foi marcada na 1.ª volta do campeonato. Não admira que apesar de o melhor marcador do campeonato ter sido novamente um jogador do Benfica (Seferovic tinha sido o melhor marcador do campeonato na época passada com 22 golos), são precisos 13 anos (!) para se ver um Bota de Prata com um registo tão fraco: 18 golos. Os mesmos que Pizzi, que foi igualmente o jogador da Liga com mais assistências. A título de curiosidade, remeto os leitores para um "comparómetro" com a prestação dos 4 principais pontas-de-lança do Benfica nesta época (o artigo completo encontra-se aqui):
Registou a 2.ª pior marca defensiva e o 2.º pior goal average desde 2011-12, onde 17 golos foram sofridos de bola parada (8 de cantos, 4 de grandes penalidades, 4 de livres indirectos, e 1 de livre directo). O Benfica foi apenas a 4.ª equipa com mais posse de bola durante a temporada (FC Porto liderou esta lista), a 8.ª com menos passes falhados, a 9.ª com mais perdas de bola, a 10.ª com mais golos de bola parada, e a penúltima (!!!) em golos marcados fora da área.
Corria o mês de Janeiro e o Benfica estabelecia, em Alvalade, a melhor 1.ª volta de sempre de uma equipa numa Liga com 18 equipas (batendo o recorde estabelecido pelo FC Porto de António Oliveira, em 1996-97, com 47 pontos), e o 6.º melhor aproveitamento de pontos (94%), bem como o recorde de vitórias fora (17, que depois seriam 18 com o jogo em Paços de Ferreira já na 2.ª volta). Tudo parecia correr sobre rodas. O universo benfiquista já sonhava.
Mas, à semelhança de épocas anteriores, a mesma equipa que deslumbrou no passado, acaba por engasgar nos melhores momentos. Na 2.ª volta, o Benfica totalizou 29 pontos contra 41 do FC Porto. Aliás, no campeonato da 2.ª volta, o Benfica terminaria no 5.º lugar, a 12 do clube azul e branco. Teve, na 2.ª volta, um rácio de 1.71 pontos por jogo, o 5.º pior rácio de pontos por jogo nas últimas 50 voltas de campeonatos (ou seja, desde que as vitórias valem 3 pontos). Enquanto na 1.ª metade do campeonato só encaixa 6 golos (com 12 "clean sheets"), na 2.ª encaixa 20 (apenas 5 "clean sheets"), sendo apenas a 6.ª melhor defesa nestas últimas 17 partidas. Mas a tragédia continua.
Os adeptos benfiquistas tiveram de esperar 16 jogos para ver uma vitória por 2+ golos (em casa frente ao Boavista, a 1.ª na Luz no ano de 2020), 7 meses para ver uma goleada (4+ golos, contra Desp. Aves), e 19 jogos para ver 2 jogos consecutivos sem sofrer golos... e porque o adversário era o Desp. Aves, lanterna vermelha do campeonato e um clube a passar por gravíssimos problemas desportivos. Com 4 derrotas na 2.ª volta, o Benfica totalizou 5 em 2019-20, o seu pior registo desde 2010-11.
Em sete partidas em Fevereiro (2V, 2E, 3D), o Benfica só venceu dois jogos, frente ao Gil Vicente [F] e FC Famalicão na Luz para a Taça de Portugal. Não se via um mês tão negro desde Dezembro 2017 com Rui Vitória (2V, 3E, 2D). Mas a série negativa continuou, e o Benfica faz 13 jogos onde somou apenas 2 vitórias, 6 empates, e 5 derrotas – uma série onde esteve sem vencer em 5 jogos consecutivos, e onde não venceu na Luz também em 5 jogos consecutivos (a 1.ª vez que tal ocorreu neste século). Mas não foram os únicos registos históricos.
Há 20 anos que não ficava em branco nos Barreiros (jogo que ditou a saída de Lage); foi a 1.ª vez neste milénio que sofreu 4 golos em casa (frente ao Santa Clara, equipa que nunca tinha vencido um dos 3 grandes fora de portas, e a 1.ª a marcar 4 golos no Estádio da Luz); foi a 1.ª vez na sua história que o Benfica deixa fugir a vitória após uma vantagem de 2+ golos em jogos consecutivos (Shakhtar e Portimonense); e também a 1.ª vez na sua história que teve 5 empates consecutivos. Se acham que o pesadelo termina aqui, enganam-se. Eu é que não tenho estômago para aqui colocar os outros registos históricos ocorridos nesta segunda metade do campeonato.
«Convém que o Benfica se esqueça rapidamente da época que acabou», dizia recentemente Nuno Gomes no programa MaisFutebol da TVI (07/08/2020). Discordo, em toda a linha.
É essencial que o Benfica nunca se esqueça da época 2019-20: das 3 derrotas contra um dos piores FC Portos do séc. XXI; do retorno à incapacidade para encontrar soluções na dinâmica ofensiva; das evidentes dificuldades em defender bolas paradas; da problemática falta de opções com qualidade na frente de ataque, no eixo defensivo, e na baliza; e sobretudo, da preocupante falta de maturidade para conseguir não só manter a constância exibicional, mas também dar a volta aos maus resultados.
Numa altura em que há muita esperança nos novos reforços que chegam agora à Luz, é imperativo que a nova equipa técnica do Benfica identifique e minimize estas fraquezas, antes de poder partir para uma época que, esperamos todos, seja de retoma aos títulos mas acima de tudo, que volte a entusiasmar o universo benfiquista."

Sporting vs. Braga: o desaparecimento ou a emergência de (mais) um grande?

"Discute-se hoje o encurtamento das distâncias entre SC Braga e Sporting CP. Será esta uma moda de curta duração ou uma tendência emergente? Estaremos perante um quarto grande ou deveremos deixar de colocar Sporting no lote dos três grandes, dadas as distâncias cada vez mais evidentes para SL Benfica e FC Porto?

Tradicionalmente, no futebol português são identificados três grande clubes: FC Porto, SL Benfica e Sporting CP. Isto deve-se, possivelmente, aos seus números de associados, palmarés ou questões financeiras. Contudo, discute-se hoje o encurtamento das distâncias entre SC Braga e Sporting CP. Será esta uma moda de curta duração ou uma tendência emergente? Estaremos perante um quarto grande ou deveremos deixar de colocar Sporting no lote dos três grandes, dadas as distâncias cada vez mais evidentes para SL Benfica e FC Porto?
Parece-me claro: o Sporting é um clube grande, e por muito que o Braga venha encurtando as diferenças, não é um clube grande. Vamos a números: em termos sociais, o Sporting tem cerca de quatro vezes mais sócios que o Braga (107.000 v 28.000); em termos de palmarés, e considerando apenas quatro maiores troféus nacionais (campeonato, taça, taça da liga e supertaça), o Sporting tem 49 títulos e o Braga apenas 4; e em termos financeiros, o Sporting tem um activo 4.23 vezes superior (301M€ v 71M€) e receitas operacionais 4.75 vezes superior (76M€ v 16M€) do que o Braga. Isto permite que o valor (contabilístico) dos jogadores do Sporting per si seja reconhecida pelos mercados financeiros como sendo 5.56 vezes superior à do Braga (89M€ v 16M€). Por inerência, a sua folha salarial é também 3.73 vezes superior (69M€ v 18.5M€).
Não obstante, isto vale o que vale, porque nos últimos 10 anos, o Sporting não ganhou nenhum campeonato, e conquistou apenas duas taças de portugal, duas taças da liga e uma supertaça. No mesmo período, o SC Braga ganhou o mesmo número de campeonatos e taças da liga, e menos uma taça de portugal e uma supertaça. Pelo meio, Braga tem ainda uma final europeia e o Sporting não. E na última época Braga terminou o campeonato à frente de Sporting… Parece claro que existem formas de mitigar o impacto desportivo da diferença de dimensão entre clubes, e o Braga aparenta saber como.
Do ponto de vista estratégico, de gestão, financeiro, comunicação e, sobretudo, desportivo, o Braga aparenta ter os seus processos muito mais bem definidos e estáveis. Possui hoje uma cultura organizacional muito mais clara e definida, tendo uma estabilidade directiva grande que lhe permite ser mais consequente e clarividente na comunicação com os seus stakeholders. Este clima positivo permite o desenvolvimento de talento de forma sustentável. Tem demonstrado outputs dos melhores em Portugal, tanto no seu departamento de scouting (ex., Paulinho) e como no seu departamento de formação (ex., Pedro Neto, Trincão e Bruno Jordão), servidos por instalações de excelência. Até nas transacções com Sporting é no sentido Sul-Norte que tem fluído a valorização de activos (ex., Esgaio, Palhinha e Wilson Eduardo) e o fluxo do dinheiro proveniente de transferências (ex., Rúben Amorim). Por incrível que possa parecer, o Braga tem hoje uma estrutura financeira muito mais equilibrada que o Sporting. O seu endividamento é de 73%, considerando os capitais próprios positivos de 19M€. Já o Sporting, continua em falência técnica, com um endividamento de 108% e capitais próprios de -24M€. Isto permite que o Braga invista apenas menos 30% em aquisições de jogadores que o Sporting (8.4M€ v 12M€).
Em 2019/20, Portugal recuperou o 6º lugar do ranking de clubes de UEFA, garantido que o 3º classificado da liga portuguesa possa ter acesso à UEFA Champions League (UCL) de 2021/22. Considerando que cada clube ganha (i) por participação na UCL 15.25M€ mais 1.1M€ por cada lugar no ranking dos 32 participantes da UCL, e (ii) por desempenho 2.7M€ por vitória e 0.9M€ por empate, bem como 9.5M€ se passar aos 1/8° final, é possível admitir que em 2021/22 Sporting ou Braga consigam uma receita de cerca de 40M€ na UCL. Ou seja, para Braga um 3.º lugar na liga portuguesa em 2020/21 pode valer um aumento de 2.5 vezes da sua receita anual operacional ou o pagamento de 77% do seu passivo a pronto. Para o Sporting um 3.º lugar na liga portuguesa em 2020/21 pode significar um aumento de 53% na sua receita anual operacional ou o pagamento no imediato de 58% da sua folha salarial. Mais, o maior mediatismo do Sporting e respectiva instabilidade directiva pode também ser utilizada em benefício do Braga: a expectativa dos associados leoninos é lutarem lado a lado com Benfica e Porto. Voltando a não cumprir essa expectativa, será muito mais fácil (re)instalar-se uma crise social que prejudique inclusive a manutenção do 3.º lugar. Este ano promete ser de importância extrema para ambos os clubes."

João & Patrick... França!

Everton


A grande contratação do defeso (até agora!), e mesmo se o Cavani vier, muito sinceramente, creio que esta acaba por ser a 'entrada' mais surpreendente! Devido à idade e à qualidade do jogador...
Contratar um titular da selecção brasileira, ainda por cima um jogador de características ofensivas (são mais caros do que os defesas...), que na última competição internacional de selecções que o Brasil participou foi o melhor jogador... que era praticamente o único titular da selecção que ainda jogava no Brasileirão... tudo isto, parece 'impossível', mas tornou-se realidade!
Ainda me recordo das chegadas do Valdo, do Ricardo Gomes, do Mozer, do Aldair, do Elzo (e também do Paulo Nunes e do Donizete.... e do Roger!!!)... Nos últimos tempos, só a chegada do Luisão (muito jovem...) e do Ramires se podem aproximar à importância desta movimentação...
Tenho poucas duvidas sobre o impacto do Everton no Benfica... e o período de adaptação será curto, porque vem com ritmo, e nas pré-eliminatórias da Champions, será seguramente decisivo...
Drible, boa chegada na área, com remate potente, faro de golo, velocidade e força... sendo que defensivamente não se esconde...
A minha única preocupação, é que um jogador desta qualidade, no Benfica, treinado pelo Jesus, vai despertar o interesse dos tubarões rapidamente... Portanto, desfrutem...!!!

Waldschmidt


Jovem alemão, talentoso... aquele que devia ter sido o substituto do Félix, na época que terminou, que acabou por só chegar este ano!
Nas grandes selecções Alemãs dos anos 80 e 90, normalmente tínhamos 10 jogadores de qualidade, trabalhadores, disciplinados tacticamente, fisicamente fortes e depois havia sempre um criativo lá no meio, um Thomas Hassler!!! O Luca, parece-me ser um desses...!!!
A minha única dúvida, está ligada ao estilo de jogo do Benfica: no seu anterior Clube, jogava muitas vezes, contra equipas 'superiores', que depois permitiam 'saídas' rápidas... no Benfica, na maior parte das vezes, vai jogar contra equipas muito fechadinhas, vamos ver como se adapta!