Últimas indefectivações

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Derrota na Hungria...

Alba Fehérvár 90 - 71 Benfica
26-20, 18-19, 25-17, 21-15

Tinha alguma esperança para o surpresa hoje, e a primeira parte reforçou as minhas expectativas... mas na 2.ª parte voltámos à 'terra'!!!
Onde se nota uma maior diferença, na Europa, a este nível, é no jogo interior... é verdade que hoje, com a não marcação de faltas nas nossas penetrações, os jogadores 'intimidaram-se' e começaram a exagerar no jogo exterior... mas nas outras partidas, já tínhamos assistido ao mesmo problema!!!
O resultado acaba por ser 'pesado' porque a equipa desistiu nos últimos minutos, e isso pode ser decisivo no apuramento dos melhores 3.ºs... Ganhar ao Bruxelas, na Luz, pode não ser suficiente... muito provavelmente temos que vencer também os Franceses do Chalon, algo que será muito complicado...!!!

92: o acaso no ocaso

"O Benfica foi feliz ao empatar com o Porto. Manteve 5 pontos para os adversários, ainda que o caminho para o tetra continue difícil e longo.
O clássico decorreu (antes, durante e depois) com elevação. Para isso, muito contribuíram os dois treinadores, homens elegantes no trato e sem soberba no temperamento e estilo. Bem como uma excelente arbitragem, à boa maneira inglesa.
O FCP efectuou uma primeira parte de grande nível, perante um Benfica que - como é habitual, mas incompreensível - entre sempre no Dragão muito receoso. Mesmo assim, as boas oportunidades do FCP foram travadas por Ederson e a única do Benfica foi impedida pelo poste. Na segunda parte, depois do excelente golo de Diogo Jota, surgiu um Benfica mais equilibrado e calibrado. Para tal, muito contribuíram as substituições de Vitória e as de Nuno Espírito Santo, habituais quando um treinador quer defender um golo de diferença. O treinador do FCP trocou os 3 melhores jogadores em campo (exaustos, talvez) por defesas e médios defensivos. A consequência foi um deles - Herrera - ter feito um canto infantil e dois dos suplentes do Benfica (Horta e Lisandro) produzirem, com mestria, o golo do empate.
O Benfica teve agora a sorte que, na época passada, não teve na Luz contra o FCP. E expiou o fatídico minuto 92. O de Kelvin e o do Chelsea, entre outros. E também de outros jogos no Dragão em que a vitória do Porto surgiu no fim (o ano passado e em 2006 com o golo aos 92m de Bruno Moraes). Desta vez, foi o Porto a provar o veneno. É difícil, mas o futebol alimenta-se também dos minutos 92. Afinal, ninguém está imune aos acasos no ocaso das partidas."

Bagão Félix, in A Bola

Cadomblé do Vata

"A euforia com que os benfiquistas celebraram o desrespeitoso espezinhamento da memória do minuto 92 no Dragão por parte do Lisandro, tem sido vista pelos nossos mais acérrimos e fiéis detractores, como uma confirmação do abaixamento do nível de exigência por parte dos adeptos do SLB em relação aos objectivos do clube, olvidando eles que tal modo de festejo teve origem nas circunstâncias e não na substância.
Aos olhos dos que nos julgam do outro lado da trincheira, os festejos dos sobreviventes do desastre do Titanic ao pisarem solo americano, foram reveladores de mentalidade pouco exigente, de passageiros que chegaram tarde ao destino e nem protestaram... em nada tiveram a ver com o facto de terem sobrevivido a um desastre antes de alcançarem o outro lado do Grande Charco.
Para que bem entendam o que o SLB alcançou, comparativamente aos sobreviventes do trans-atlântico, sair do Dragão (que é a eterna cruz que o SLB carrega às costas) com um empate, após entrar em campo desfalcado de 5 presumíveis titulares, perdendo ao quarto de hora o capitão e líder, é como alcançar Nova York no Titanic partido ao meio, depois de arrasar com um iceberg. Isto tudo apostando numa postura de "cada catástrofe é uma oportunidade", que é como quem diz "um copo de leite derramado pela manhã, é uma oportunidade de começar o dia a beber vinho sem a mulher poder reclamar".
Cumpre-nos pois, a obrigação de não só aplacar as críticas externas, como também de sublinhar os méritos do responsável por este e outros pequenos milagres, um verdadeiro mestre do escapismo futebolístico, um autêntico Ruidini, que contorna obstáculos com a mesma destreza com que se aborda o sinuoso traçado da Rampa da Falperra… a grande velocidade. Desde que aportou ao SLB, Ruidini já teve que dobrar a desconfiança, vencer a herança, chutar as lesões ou esquecer os castigos. Sair vencedor do jogo da época, perdendo o titular das redes no dia do jogo, discutir uma eliminatória europeia tendo no camarote os dois principais craques ou ostentar 5 pontos de vantagem contabilizando 16 casos clínicos em 4 meses é como ser atirado para um bidon de ácido sulfúrico, acorrentado, todo nú e sair de lá vivo.
Terminando como se começou, com uma palavrinha aos fiéis detractores, desafio-vos a um exercício. Peguem no vosso FCPorto e retirem dele 5 titulares (exercício impossível de realizar com SCP, pois os danos causados por 1 mês sem 1 jogador, retiram qualquer interesse a uma suposição de 4 meses sem 5 atletas). Mas calma, não retirem à vossa escolha… saquem do 11 titular o Marcano (entra Boly). Agora retirem Telles (Layun). Façam o mesmo com Danilo (sei lá… Rúben Neves?). Ainda não acabou, falta o Otávio (Varela ou López, não inventem Brahimi que o NES não gosta dele). Na frente deixo escolher se querem jogar sem Jota ou Silva (Depoitre lá para dentro). Temos pois: Casillas; Maxi, Felipe, Boly e Layun; Neves, Corona, Torres e Varela; Jota e Depoitre (Silva e Depoitre seria demasiado)… apareçam assim na 2ª volta na Luz se faz favor… ah, não se esqueçam: aos 15 minutos sai Felipe e entra Chidozie… Boa Sorte (sim, estão dispensados de utilizar o Herrera)."

Idade das luzes ou das trevas?

"Lisboa é a capital mundial, por estes dias, da tecnologia digital, num megaevento que está a ser coberto por cerca de dois mil jornalistas. Por aqui se intui, imediatamente, relevância planetária desde evento que coloca o nosso Páis no olho do furacão. E com agrado que se constata que uma percentagem altamente significativa das intervenções nacionais no certame estão a cargo de pessoas ligadas ao desporto, particularmente ao futebol. Trata-se de um sinal extremamente positivo de modernidade, urbanidade e desempoeiramento de ideias, susceptível de nos fazer olhar o futuro com optimismo redobrado.
Este é o verso de uma moeda que ainda tem um reverso anacrónico, bafiento e rasteiro, que teve tradução, recentemente, no deplorável incidente no túnel do estádio de Alvalade, logo após o apito final do Sporting-Arouca.
Infelizmente, o futebol português, quando devia seguir o caminho do futuro, da profissionalização, da prossecução de um objectivo comum e da civilidade entre protagonistas, ainda tem recaídas medievais, próprias de uma idade das trevas que teima em persistir e não se deixa erradicar completamente. Estou certo, quando escrevo estas linhas, de que estes retrocessos civilizacionais (vistos há poucos dias em Alvalade mas também, infelizmente presenciados noutros palcos) tenderão a tornar-se cada vez mais raros. Mas, até lá, enquanto os comportamentos não forem voluntariamente adequados, que haja, pelos menos, na justiça, desportiva e não só, a coragem de punir os prevaricadores, na certeza de que os métodos trauliteiros não podem prevalecer e ser vistos como uma fórmula para o sucesso."

José Manuel Delgado, in A Bola

2016: o ano 'doping'?!

"O ano de 2016 aproxima-se inexoravelmente do fim! O ano que parecia talhado para ficar impresso na história do desporto sobretudo como aquele que permitira que uma das mais mediáticas organizações desportivas mundiais, os Jogos Olímpicos, se deslocasse para um área do globo nunca por ela visitada, vai muito provavelmente ser lembrado como o ano em que o doping atingiu proporções que o colocaram quase fora de controlo!
De facto, o doping e as questões colaterais ocuparam um tão vastíssimo espaço da discussão que, hoje, os resultados, muitos deles de excelência, conseguidos no Rio de Janeiro parecem distantes no tempo e são as questões relacionadas com o doping que se mantêm como foco de atenção.
A Agência Mundial Antidopagem (AMA) acaba de publicar o relatório, elaborado por uma Comissão Independente, sobre o que se passou nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio de Janeiro e o seu conteúdo quase se pode considerar a cereja no topo de bolo! O relatório de 55 páginas chama, entre outros aspectos relevantes, à atenção como o combate ao doping é encarado em muitos cantos do Mundo. Por exemplo, verificaram que dos 11.470 presentes no Rio, 4.125 (36 por cento do total) nunca foram testados durante o ano de 2016! Mas ainda mais preocupante foi a constatação que, em face da desorganização em torno das várias fases do processo de controlo no Rio, dias houve em que as equipas encarregadas de o levar à prática não conseguiram encontrar 50 por cento dos atletas que deveriam testar!
Com a AMA ou com uma nova agência independente há muito a fazer. Um trabalho eficaz depende sobretudo do querer e das vontades das entidades de controlo em cada país. De outro modo, será impossível. É altura de reconhecer que, entre nós, os problemas de acreditação do LABD estão em curso e o trabalho desenvolvido pacientemente pelos responsáveis do sector é de louvar."

Carlos Cardoso, in A Bola

O lado humano de um superatleta: os casos de Phelps e Iniesta

"A Psicologia do Desporto é uma especialização que recorre ao conhecimento e competências na área da psicologia, para dar resposta a questões do bem-estar dos atletas, da sua performance óptima, dos aspetos sociais e desenvolvimentais da participação desportiva, bem como as questões sistémicas relacionadas com o contexto e as próprias organizações desportivas (American Psychological Association).
De uma forma geral, podemos encontrar psicólogos de diferentes áreas (Clínica, Social e das Organizações, Educacionais, entre outras), que optaram por enveredar por este ramo de especialização e intervenção
Os atletas (treinadores, árbitros, ou qualquer outro agente desportivo, para o efeito) recorrem, ainda muito frequentemente, a este tipo de "apoio" por se encontrarem a vivenciar um qualquer episódio crítico das suas vidas (pessoal ou desportivo).
Por esta razão, é ainda pouco frequente que seja uma procura na perspetiva de desenvolver as suas competências psico-emocionais para a optimização da sua performance desportiva.
Dadas as características altamente resilientes (capacidade de lidar com o sofrimento) que muitos atletas possuem ou, por outro lado a pouca consciência que possam ter do "avolumar" de emoções negativas, muitas vezes o pedido de ajuda surge já numa fase de grande alteração comportamental. 
Abordemos 2 exemplos:

1. Michael Phelps
"Naquele ponto, não tinha absolutamente nada. Era estranho, estando no ponto mais alto da minha carreira e da minha vida - tendo acabado de vencer 8 medalhas olímpicas - e dizer: 'ok, para onde vou agora?' Não estava motivado e não fiz nada, literalmente nada, durante muito tempo." (Phelps, 2012, Details Magazine)
Phelps é, provavelmente, um dos casos mais mediáticos de um fenómeno comum em atletas que, de uma forma muito precoce, iniciam a sua ligação a uma modalidade e, igualmente muito rápido, atingem o topo da sua carreira: desmotivação e burnout emocional.
O processo de autoflagelação de Phelps começou a instalar-se, possivelmente de forma gradual e subtil, logo após os Jogos Olímpicos de Pequim, onde bateu o recorde de medalhas de ouro numa só edição (oito).
"Depois de 2008, mentalmente, estava terminado. Mas sabia que não podia parar de nadar, por isso forcei-me a fazer algo que não desejava. Durante quatro anos faltava a pelo menos um treino por semana. Pensava: 'Que se lixe. Fico a dormir. Falto sexta-feira e tenho um fim de semana prolongado...'" (Sports Illustrated, 2015)
A derrocada de Phelps passou pelos não menos comuns casos de abuso de substâncias (droga e álcool) e a instalação de um quadro depressivo que se arrastou durante um longo período.
A exposição mediática da sua prisão por condução sob o efeito de marijuana, viria a "empurrá-lo" para o primeiro passo da sua recuperação, dado o processo de internamento (para resolver a questão - adição - de abuso de substâncias) que iniciou nessa mesma data.

2. Andrés Iniesta
"As pessoas vêem os futebolistas como seres diferentes, como se fossemos intocáveis, como se nada nos acontecesse, mas somos iguais a todas as pessoas" (Iniesta, The Artist, 2016).
A instalação de um estado de humor alterado com consequências profundas na sua felicidade a jogar (logo, no seu rendimento), aconteceu após a morte do seu amigo Dani Jarque (26 anos, capitão do Espanyol), conforme o próprio atleta relata.
A reação a eventos desta natureza provavelmente merecia a dedicação de um (ou mais) artigo(s) completo(s). São, na realidade, eventos altamente traumáticos com consequências psico-emocionais muito evidentes, aliás, como o atleta tão bem descreve: "Existem momentos em que a tua mente está muito vulnerável. Sentes imensas dúvidas. Cada pessoa é diferente, casa caso. O que estou a tentar explicar é que podes passar de estar muito bem para muito mal, muito rapidamente (...) Parecia que nada estava bem (...) Estava em queda livre". (Iniesta, The Artist, 2016).
Iniesta e Phelps são, antes de mais, um fortíssimo contributo para a nossa consciência de que "Sim, é possível descer muito fundo... mas, também temos a capacidade de nos reerguer". E, com facto de terem dado visibilidade ao seu ciclo de "queda e ascensão", acabam por vir a poder inspirar outros que, não acreditando já na possibilidade de melhorar, possam, a partir deste seu mesmo gesto, procurar a ajuda certa.
Esta competência (de nos "reerguermos") está, na verdade, na essência de cada um de nós. 
Contudo, e uma vez mais, o desfecho positivo destes dois casos resulta essencialmente de:
- O exercício da competência de saber pedir ajuda: muito frequentemente confundido com "fragilidade" mas que, na realidade, é uma das competências mais importantes do ser humano e que, na realidade, está mais frequentemente associada a níveis de confiança elevada;
- A identificação do tipo de ajuda mais adequada: no caso, de entre de todas as opções que possam existir, escolher alguém que cruze a expertise em Psicologia do Desporto e a experiência clínica (idealmente, alguém que exerça na área da Psicologia Clínica Desportiva), pois estamos a falar de casos que, quase sempre, abalam a estrutura de personalidade do individuo, e por último...
- Um forte compromisso com o próprio processo de "retorno à normalidade" do sujeito - envolver-se e co-responsabilizar-se pelo retorno aos seus níveis anteriores de bem-estar e performance. 
Exemplos como estes (e outros) são e serão sempre altamente pedagógicos para o contexto em que se inserem, na medida em que, de uma forma ou outra, apontam um caminho, uma saída... às vezes, tão "perto" mas tão difícil de identificar."

Taça da Liga 2016/17

Sorteio da 3.ª fase da Taça da Liga, sem muitas escolhas, acabou por sair em sorte ao Benfica, provavelmente, o Grupo mais complicado!

Paços e Vizela na Luz, e temos ainda a difícil deslocação a Guimarães... aliás vamos jogar em Guimarães para o Campeonato, mais ou menos na mesma altura!!!

A primeira jornada será no dia 29 Dezembro, Benfica-Paços...

Já agora, o vencedor do nosso Grupo, vai defrontar nas Meias-finais o vencedor do Grupo B, na situação de visitante.

Grupo A
Sporting
Arouca
V. Setúbal
Varzim

Grupo B
FC Porto
Belenenses
Moreirense
Feirense

Grupo C
Sp. Braga
Rio Ave
Marítimo
Sp. Covilhã

Grupo D
Benfica
Paços de Ferreira
V. Guimarães
Vizela

Benfiquismo (CCLXXXI)

Primórdios...

Maré vermelha em 1.ª mão !!!

Red Web Summit !!!

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Entre os mortos havia um que respirava

"Minervino Pietra. Lembro-me de o ver jogar de camisola azul com uma cruz de Cristo no peito. E de jogar de encarnado em qualquer posição que lhe pedissem. E de um golo inesquecível contra uns suecos em férias...

Apetece-me escrever sobre Pietra. Figura única, diria. Minervino José Lopes Pietra. Lembro-me dele em tantos jogos do Benfica, que já lhes perdi a conta. Imenso! Tinha uma disponibilidade de santo à procura de um altar. Teve-o. O altar digo eu. Um altar vermelho de jogador eterno. Depois ficou. Ainda aí está, no banco, ajudando com os seus conhecimentos extraordinários sobre o jogo que os ingleses inventaram e ao qual chamaram association. Olhem para lá, para o banco, insisto, e vejam como vive os acontecimentos em seu redor. Confesso: a primeira vez que o vi jogar envergava uma camisola azul com a cruz de Cristo ao peito. Era do Belenenses. Esteve lá cinco anos. Equipas boas essas, do Belenenses. Valentes e inesperadas. Pietra mandava. Sempre teve um jeito especial para mandar dentro do campo.
Depois veio para o Benfica. Acho que foi o clube ideal para ele. Entre 1976 e 1987 vestiu a camisola vermelha com a águia de asas abertas, como num abraço. Era duro, inquebrantável. Agora está na moda ser jogador à isto ou àquilo. Jogador a qualquer coisa. Eu não tenho paciência para essas coisas. Não tenho paciência para modas e modinhas. Estou-me nas tintas para os desenhos em papel cavalinho que explicam, por A mais B, como se os jogadores fossem desprovidos de personalidade. Se me perguntarem se Pietra era um jogador à Benfica, eu respondo que Pietra era um jogador à Pietra. E não vi mais nenhum igual a ele. Nem parecido.

Texas Jack
Vi Pietra ser defesa direito e defesa esquerdo. Vi-o ser trinco e até ponta-de-lança como no jogo contra uns dinamarqueses toscos do BK 1903, mas davam água pela barba de tanto correrem e de tanto massacrarem aquela equipa do Benfica que ganhou os dois jogos para a Taça dos Campeões por 1-0 e 1-0. Golos de Pietra. Na Luz e em Copenhaga. Também o vi marcar um golo contra a Suécia, no Estádio da Luz, pela selecção nacional. Jogo nojento, como diria o meu bom amigo Luiz Filipe Scolari. Portugal precisava de vencer e perdeu. Os Suecos já estavam eliminados da fase final do Campeonato do Mundo de 1982, na Espanha, e vieram passar uns dias de férias lá para os lados de Cascais. A imprensa caiu-lhes em cima como o gato se faz ao bofe. Havia fotografias nas primeiras páginas com rapazes altos e loiros deitados ao sol, à beira da piscina, acompanhados por namoradas altas e loiras. Não era possível perder com gente tão aligeirada, tão displicente. E ainda assim, perdeu-se. Pietra não perdeu, sublinho eu, testemunha dessa noite desiludente. Uma multidão encheu o estádio e viu aquilo que vi e agora conto: com um à-vontade de vilão em casa de seu sogro, os suecos, esturricados de sol lusitano, foram ganhando, ganhando sempre. Mas alguém não se deu nunca como derrotado. Como se dizia nos velhinhos livros aos quadradinhos de cowboys: 'Entre os mortos havia um que respirava - Texas Jack.' E Pietra era Texas Jack. Subiu lá no meio de todos aqueles suecos loiríssimos e desferiu o seu golpe como se sacasse do Colt num duelo ao pôr-do-sol. O seu tiro foi certeiro. Os índios suecos destruíram os cowboys portugueses. Mas Pietra manteve-se de pé, inteiro, e o seu revólver fumegava."

Afonso de Melo, in O Benfica

O moço tem jeito para o samba!

"Adeptos, atletas, técnicos e dirigentes juntaram-se para festejar 'à Benfica' o nono título de campeão nacional.

'Raramente se terá visto em Portugal uma festa tão extraordinária como a que no passado domingo se realizou na Luz'. Assim iniciava, o jornal O Benfica, o relato das festividades que, a 14 de Abril de 1957, a Comissão Central organizou para comemorar mais um título conquistado pelo futebol benfiquista: o de campeão nacional.
Embora tivesse como primordial pretexto a consagração da equipa, com a entrega simbólica das faixas de campeões, a 'bela tarde primaveril' contou com cinco horas de animação non stop. 'Festa rija, bonita, colorida, «à Benfica»', 'onde apenas se respirou o perfume estonteante e delicioso de uma vitória do campeonato'.
Cedo começou a '«romaria» das gentes encarnadas para a Luz'. 'Por todos os lados se viam, agitadas pelo vento ou pelos frenéticos aplausos, bandeiras do Benfica'. Foram milhares de adeptos que quiseram confraternizar com os seus ídolos.
Do programa constaram inúmeras actuações. Entre elas, números de ginástica, entregas de troféus, números musicais e até um jogo de futebol, entre a primeira categoria e a equipa de aspirantes, em que a 'gentil filhinha de José Ricardo Domingues' (presidente da secção de futebol) 'com todo o estilo possível' deu o pontapé de saída. Porém, um dos momentos altos de tarde foi, sem dúvida, o protagonizado por Costa Pereira.
Após um conjunto de números musicais 'no qual tomarem parte os conhecidos artistas Luís Piçarra, Tristão da Silva e Frutuoso França', guarda-redes 'encarnado' deu o seu show. No centro do relvado, acompanhado pelos brasileiros Irmãos Guarás, 'fez a sua estreia - e muito bem! - com artista de variedades', noticiou o Diário de Lisboa. A actuação, a que não ficou alheia a objectiva de Roland Oliveira, proporcionou aos benfiquistas ali presentes, um 'momento folclórico de pura inspiração brasileira' e revelou um artista de grande talento e excelente sentido de humor. O insólito e pitoresco episódio captado na fotografia, em que Costa Pereira cantou e sambou, alcançou tal êxito entre os presentes que, no final, os colegas de equipa o ergueram em ombros perante uma entusiástica ovação do público.
Pode ver esta e outras fotografias na exposição Roland Oliveira, em exibição na Rua do Jardim do Regedor, em Lisboa."

Mafalda Esturrenho, in O Benfica

Os presidentes dos túneis

"Lamentável final do jogo em Alvalade, com uma feia troca de acusações, de ofensas e de tentativas de agressão que envolveram directamente os nomes dos presidentes do Sporting e do Arouca.
Imagem de um futebol marginal e terceiro-mundista, que não tem qualquer razão de coexistir com um futebol maior que, felizmente, Portugal tem oferecido ao mundo.
Não sei quem foi o culpado do início da triste refrega, mas sei que os dois presidentes, Bruno Carvalho do Sporting, e Carlos Pinho, do Arouca, ficaram com os seus nomes ligados a um género de cena canalha de rufias de bairro e basta isso para ensombrarem o nome dos seus clubes.
Admitamos que um dos presidentes, seja ele o do Sporting, seja ele o do Arouca, não tivesse tido culpa directa no lamentável incidente que foi suficientemente zaragateiro para alguém ter chamado a polícia. Mas a verdade é que ambos estavam no lugar errado à hora errada. Um presidente de um clube e, aqui, em especial, no caso do Sporting pela grandeza e responsabilidade histórica da instituição, deve entender que o seu lugar não é no banco de suplentes, algures entre o médico e o massagista de serviço.
No calor das emoções de um jogo de futebol, sobretudo aqueles que mais dificilmente controlam os seus sentimentos, acabam por estar sujeitos a momentos irracionais e o episódios que não são dignos de gente que deveria ser responsável e respeitada.
Um presidente de clube no banco de suplentes é um atestado de menoridade para esse mesmo clube e um atestado de desconfiança para a estrutura que envolve a equipa de futebol."

Vítor Serpa, in A Bola

Benfiquismo (CCLXXX)

Capitão...

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Lixívia 10

Tabela Anti-Lixívia
Benfica.......... 26 (-2) = 28
Corruptos...... 21 (-2) = 23
Sporting........ 21 (+2) = 19

Começo por dizer que não vi o jogo dos Galos nos Túneis de Alvalixo!!!! Dentro das quatro linhas, disseram-me que Adrien voltou em grande forma... fartando-se de aviar porrada, até levou um Amarelo (algo bastante raro...), mas quem acabou expulso foi um jogador do Arouca!!!
Jogo decidido cedo, sem grande oposição...
Em relação aos Túneis, cheira-me a novela longa...
ADENDA: Sou obrigado a mudar a minha opinião! Só hoje vi o lançamento lateral do João Pereira, dentro do campo, no 1.º golo do Sporting!!! Claramente irregular...
Com os tais cartões do Adrien, com uma entrada do William... tudo somado!!!


A azia provocada pelo Lisandro esgotou muitas farmácias em Portugal... Aliás, já antes da partida, aparentemente, houve corrida às farmácias, a forma conflituosa como os jogadores dos Corruptos encararam o jogo, deixou claro que houve medicação especial... mas pronto, nada de novo!!!!
Talvez por isso, o critério disciplinar torto, acabou por ter influência na forma como o jogo decorreu... Foi claro desde do primeiro minuto, que os Corruptos iam dar porrada e protestar tudo...!!!
Para mim, o grande erro é a não expulsão do Filipe após a agressão ao Horta: corta a bola com um pé, e varre o Horta com o outro... Ao contrário do que muitos afirmaram, não ficou um Amarelo por mostrar, ficou um Vermelho... Recordo que o árbitro nem sequer marcou falta neste lance!!!!


Depois houve várias faltas sobre o Guedes, sobre o Salvio, sobre o Cervi... houve constantes faltas sobre o Mitro... algumas assinaladas, mas sempre sem cartões...
Sendo que ainda houve outra variável importante: a realização da PorkosTV!!! Nada de novo, neste aspecto...!!! Por exemplo, ainda estamos à espera da repetição de um lance com o Cervi dentro da área dos Corruptos na 1.ª parte...!!! Além das muitas jogadas onde houve dúvidas nos foras-de-jogo e quase nunca houve repetições!!!!
Outra regra ignorada, foram as simulações! Foram constantes, dentro e fora da área... Descaradas tentativas de enganar e condicionar a arbitragem, repetidas à exaustão... Se os Amarelos tivessem sido mostrados, haveria muita gente a não acabar o jogo!!!!
A pérola final, foi a cuspidela do Porco do Otávio no Ederson!!! Mais porco, só mesmo a tentativa de manipular a informação, como foi feito no Rascord, dizendo que o Ederson estava-se a queixar de um objecto que caiu da bancada!!!!!!! Em condições normais, exigia Sumaríssimo, mas já nem me canso com isso...!!!
As únicas notas positivas para a arbitragem do Soares Dias, foi não ter marcado nenhuma das pifías penalidades pedidas pelos Corruptos... e foram muitas!!


Anexos:

Benfica
1.ª-Tondela(f), V(0-2), Pinheiro, Nada a assinalar
2.ª-Setúbal(c), E(1-1), Oliveira, Prejudicados, (1-0), (-2 pontos)
3.ª-Nacional(f), V(1-3), Soares Dias, Nada a assinalar
4.ª-Arouca(f), V(1-2), Veríssimo, Prejudicados, (0-3), Sem influência no resultado
5.ª-Braga(c), V(3-1), Sousa, Prejudicados, (4-1), Sem influência no resultado
6.ª-Chaves(f), V(0-2), Martins, Prejudicados, (0-3), Sem influência no resultado
7.ª-Feirense(c), V(4-0), Luís Ferreira, Prejudicados, (5-0), Sem influência no resultado
8.ª-Belenenses(f), V(0-2), Hugo Miguel, Nada a assinalar
9.ª-Paços de Ferreira(c), V(3-0), Esteves, Nada a assinalar
10.ª-Corruptos(f), E(1-1), Soares Dias, Prejudicados, Impossível contabilizar

Sporting
1.ª-Marítimo(c), V(2-0), Nuno Pereira, Nada a assinalar
2.ª-Paços de Ferreira(f), V(0-1), Hugo Miguel, Beneficiados, Impossível contabilizar
3.ª-Corruptos(c), V(2-1), Martins, Beneficiados, (0-1), (+3 pontos)
4.ª-Moreirense(c), V(3-0), Almeida, Beneficiados, (2-0), Impossível contabilizar
5.ª-Rio Ave(f), D(3-1), Pinheiro, Nada a assinalar
6.ª-Estoril(c), V(4-2), Capela, Beneficiados, (4-3), Sem influência no resultado
7.ª-Guimarães(f), E(3-3), Soares Dias, Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado
8.ª-Tondela(c), E(1-1), Rui Costa, Beneficiados, (0-1), (+1 ponto)
9.ª-Nacional(f), E(0-0), Vasco Santos, Prejudicados, (0-1), (-2 pontos)
10.ª-Arouca(c), V(3-0), Xistra, Beneficiados, Impossível contablizar

Corruptos
1.ª-Rio Ave(f), V(1-3), Veríssimo, Nada a assinalar
2.ª-Estoril(c), V(1-0), Luís Ferreira, Prejudicados, Sem influência no resultado
3.ª-Sporting(f), D(2-1), Martins, Prejudicados, (0-1), (-3 pontos)
4.ª-Guimarães(c), V(3-0), Sousa, Nada a assinalar
5.ª-Tondela(f), E(0-0), Hugo Miguel, Beneficiados, (1-0), (+ 1 ponto)
6.ª-Boavista(c), V(3-1), Almeida, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
7.ª-Nacional(f), V(0-4), Rui Costa, Beneficiados, Sem influência no resultado
8.ª-Arouca(c), V(3-0), Manuel Mota, Nada a assinalar
9.ª-Setúbal(f), E(0-0), Pinheiro, Nada a assinalar
10.ª-Benfica(c), E(1-1), Soares Dias, Beneficiados, Impossível de contabilizar

Jornadas anteriores:
1.ª jornada
2.ª jornada
3.ª jornada
4.ª jornada
5.ª jornada
6.ª jornada
7.ª jornada
8.ª jornada
9.ª jornada

Épocas anteriores:
2015-2016

Rui Vitória, o que fazes para eles não tremerem

"Este é um artigo sobre os miúdos e os minutos do Benfica. Dos jovens que entraram nesta e na época passada e que raramente tremem. Se jogam mal ou menos bem por vezes é outro tema. Mas o denominador comum durante o trabalho de Rui Vitória no Benfica tem sido este, relativamente aos jovens que o treinador português vai lançando na equipa benfiquista: Ederson, Nélson Semedo, Grimaldo, Lindelof, André Horta, Renato Sanches, Gonçalo Guedes e, porque não, também Cervi. 
Ainda neste domingo no Dragão lá estavam alguns deles (mérito também para o Nuno Espírito Santo com André Silva, Diogo Jota, etc.). Um na baliza, dois na defesa, um a extremo e outro no apoio ao avançado. Depois ainda entrou mais um. E o que há de curioso nestes acontecimentos constantes é perceber que a ciência vai demonstrando que estas cognições dependem – claro que o jogador tem de ser talento, qualidade, autonomia e ser exigente – do relacionamento e do tipo de comunicação que o treinador consegue estabelecer com os jovens jogadores.
Percebe-se que não há medo de errar. E isto não significa que o erro seja sempre tolerado, mas o facto de não existir medo de errar possibilita uma maior propensão para enfrentar o possível erro (e possível sucesso) com mais à vontade. Isso tem impacto na confiança e na auto-responsabilidade com que se avança para as diferentes tarefas."

O engodo, a demora, o medo, o ausente e os pontos (cinco pontos para discutir o clássico)

"A forma como todos no FC Porto se mexeram para que um ficasse solto e mandasse a partir da bola. Ou um treinador que mexeu bem, mas tarde, e outro que se pôs a mudar coisas cedo, e mal. Olhámos para o FC Porto-Benfica e destacamos cinco aspetos a partir do que se passou no Dragão

Corona era um engano
Era só pensar um bocadinho sobre o assunto, que Nuno Espírito Santo chegaria lá rápido. Sem a velocidade, tração à frente e pulmão de Grimaldo, à esquerda, o Benfica ficaria com a lentidão, o peso e a contenção de Eliseu. A melhor forma de chatear alguém tão preso à relva é por um jogador irrequieto e rápido a desmarcar-se. Tudo o que Corona é e Herrera não é, por isso jogou o primeiro e o treinador do FC Porto fez-nos pensar que seria no lado do campeão europeu sem ritmo que os dragões iriam carregar. Enganou-nos, Benfica incluído.
O mexicano manteve-se, de facto, perto de Eliseu, mas a equipa apenas usou-o mais para criar um engodo. Muitas jogadas começavam à direita para atrair a atenção dos encarnados, chamar jogadores e, aí, colocar a bola do outro lado do campo - onde esteve sempre Óliver Torres. A equipa preocupou-se sempre em ter a bola junto do pequeno espanhol, que joga de peito feito e parece ter um cordel a puxar-lhe sempre a cabeça para cima, e em dar-lhe espaço para ele decidir o que fazer. Diogo Jota ou André Silva colocavam-se nas costas de Nélson Semedo, ou entre ele e o central. Fixava-se o lateral direito. Alex Telles avançava no campo como um extremo e esperava junto à linha. Fixava-se Salvio. 
E como o FC Porto tinha outro avançado para prender o outro central do Benfica, o trinco Samaris recuava para a equipa não ficar em igualdade numérica na defesa. Isto deixava Pizzi a correr sozinho e a chegar atrasado a todo o lado, incluindo até Óliver, que ficou muitas vezes sozinho como resultado de tudo isto. E com tempo para receber, tocar, passar e fazer jogar. O espanhol foi quem mais vezes (65) tocou na bola nos dragões e acertou 91% dos passes que tentou. Os dragões mexeram-se para deixarem o espanhol com bola, de frente para a baliza, a mandar nos ataques da equipa, o que resultou até ele sair.

Nuno encolhe-se
O golo de Diogo Jota foi aos 50’ e nem mudou nada logo aí: os dragões continuaram a ser melhores. Deixaram de o ser quando o treinador mexeu no que estava bem e alterou uma equipa que já estava habituada ao que tinha de fazer para, sem a bola, pressionar rápido, lá à frente e perto da baliza adversária. Nuno Espírito Santo disse que a ideia dele, quando pôs Rúben Neves, Layún e Herrera, era que eles “sustentassem o jogo, com pressão intensa, condicionando o adversário”. O plano saiu-lhe furado e uma equipa que era ladra de bolas lá à frente passou a fechar-se na sua metade do campo.
Sem Corona, deixou de haver o extremo que impedisse o melhor lateral do Benfica de avançar uns metros na pressão. Pareceu tentar corrigir isso com Layún, mas tirou Óliver e, sem o espanhol, a equipa perdeu tempo (e critério, que é como quem diz, boas decisões) com a bola. E sem Jota, perdeu um homem que roubava o tempo aos centrais do Benfica e deu um sinal à equipa - porque entrou Herrera, um médio - que era mesmo altura de fechar a loja e guardar o 1-0. Mesmo que diga que não foram, “de todo”, mexidas “de cariz defensivo”.

Rui corrigiu-se muito tarde
O treinador dos dragões começou a mexer aos 67 minutos no que estava bem, mas Rui Vitória demorou 59 a tentar corrigir o que mal funcionava. Há uma diferença de oito minutos entre as decisões. Foi o tempo que passou até os sintomas da presença de André Horta se sentirem. O médio, apenas por ele, não fez nada do outro mundo, porque Samaris não o deixava afastar-se por se manter lento e colado aos centrais. Mas o português deixou Pizzi ir para a esquerda e a, por fim, preocupar-se mais com ter a bola do que em roubá-la aos outros.
Rui Vitória viu a equipa a crescer, a já conseguir ligar cinco passes sem avarias e a roubar bolas na outra metade do campo. Os jogadores avançaram todos dois ou três metros, encheram o peito, começaram a agir mais do que reagir e a ter um terceiro homem (Samaris, Horta e Pizzi) com queda para brigar no meio do campo. Só que isto tudo apenas se viu já com uma hora de futebol jogado.
O treinador do Benfica demorou a tentar mudar coisas e a substituição queimada na lesão de Luisão (aos 12 minutos), mesmo que o tenha feito hesitar - teria menos margem para corrigir uma mudança errada - não pode explicar tudo. Vitória até acertou no que mudou, mas foi ajudado pela quebra de intensidade que as substituições de Nuno causaram no FC Porto, que recuou, deixou de reclamar todas as segundas bolas e ficou desconfortável com a pressão que os encarnados fizeram no último quarto de hora, com um segundo ponta de lança a sério (Jiménez) em campo.

Sem o Fejsa será sempre complicado
Não era preciso haver um clássico para concluirmos uma coisa - sem Fejsa, o Benfica fica pior e jogar pior. A forma como o sérvio compensa os espaços abertos por outros, vai às laterais fazer contenção e fechar a porta aos adversários, ou impede a equipa de se encostar muito atrás (encosta nos médios dos outros, sem os deixar virar para a baliza) faz com que toda a gente tenha mais tempo para fazer tudo. Sem ele, e com Samaris, um médio que não é trinco e está sem ritmo e intensidade, a equipa encolheu-se e viu o melhor médio (Pizzi) a pensar apenas em defender.
Diz-se que o médio pode demorar, pelo menos, três semanas a cuidar do tornozelo, e isto não é mau para o Benfica só por causa do que ele dá à equipa a defender. Fejsa é terceiro jogador que mais passes acerta (89,7%) no campeonato, segundo a Opta e o WhoScored.com, e à frente só estão Rúben Semedo, um central que costuma ter mais tempo com a bola e menos jogadores por perto, e Danilo Pereira. O sérvio não deixa os adversários jogarem tanto quanto ajudar a fazer o Benfica jogar. Isto pode não se notar por aí além contra umas 13 ou 14 equipas, mas a ausência de Fejsa será sempre tramada contra os grandes, o Vitória e o Braga.

Mais pontos este ano?
Rui Vitória ganhou a época passada, foi campeão e ninguém lhe pode apontar o dedo, apesar de o ter sido com apenas três pontos conquistados em quatro jogos feitos contra FC Porto e Sporting. É por títulos desses que se diz que os canecos ganham-se a fazer o que se compete contra os pequenos para precaver o salve-se quem puder nos clássicos. O treinador do Benfica viu a equipa a ser pior e a ser ultrapassados em muitos momentos no seu primeiro clássico da temporada. O golo nos descontos deu-lhe um ponto, mas terá que crescer mais nos próximos jogos contra os rivais."

Esta é a palavra que mais se adequa à época do Benfica

"No futebol praticado, nas oportunidades criadas, no número de ataques, o FC Porto foi melhor.

A palavra que mais se adequa à campanha do Benfica esta época é sobrevivência.
Sobreviveu ao mar de lesões que devastou a equipa em largas semanas da temporada, voltou a sobreviver agora a mais duas, sobretudo a de Fejsa, antes do clássico. Sobreviveu a ganhar, até aqui, mas o empate é meia-vitória. Pelo menos.
No Dragão, sobreviveu a erros posicionais, a exibições frágeis de três ou quatro jogadores, até a um golo mais consentido por parte do seu guarda-redes. Que negou outros, sublinhe-se.
No futebol praticado, nas oportunidades criadas, no número de ataques, o FC Porto foi melhor. Até ao golo de Jota, a equipa de Nuno Espírito Santo foi mesmo muito melhor.
Depois, o campeão puxou dos galões e tentou forçar o empate. Não o fez sempre da melhor forma, longe disso, mas foi-se aproximando de Iker Casillas, ao mesmo tempo que Nuno recuava com uma ou outra substituição. Ao contrário de Rui Vitória, bem mais assertivo.
O FC Porto foi perdendo terreno, e numa bola parada, nos descontos, o Benfica igualou. Tem mérito pelo esforço, tal como teve demérito em grande parte do resto do tempo pela falta de controlo que teve na partida. Mas, e parece que ficou claro, cumpriu o objectivo: sai como entrou, com cinco pontos de avanço sobre o rival directo.
Os dragões precisam de juntar regularidade à irreverência e ao talento individual que existe. Óliver. André Silva. Otávio. Todos eles tiveram bons momentos. O FC Porto esteve muito perto de vencer o campeão e recuperar boa parte do atraso, mas a verdade é que voltou a falhar ao segundo clássico. Tem um ponto em seis possíveis.
Sim, o Sporting voltou à normalidade. O normal é que bata o Arouca em Alvalade, como bateu. Recuperou dois pontos a Benfica e FC Porto, já tem de novo Adrien, um jogador que acrescenta intensidade e agressividade ímpares dentro do grupo, e Jorge Jesus já sabe mais algumas coisas sobre os (muitos) reforços. O normal é que entre em velocidade de cruzeiro rapidamente.
Grande trabalho de Pedro Martins em Guimarães, depois de outros em outras equipas. O Vitória é quarto, a um ponto de FC Porto e Sporting, e a par do rival Sp. Braga. Bom futebol, filosofia ofensiva e muito boa organização fazem dos minhotos uma excelente notícia para o campeonato português. Frente ao Nacional, ainda teve de virar um resultado negativo frente ao Nacional reduzido a dez, depois da expulsão de Marega. É obra. Obra de um excelente treinador.
Já aqui elogiei, mas nova nota para os trabalhos de Leonardo Jardim no Monaco, e Antonio Conte e Jurgen Klopp, respectivamente no Chelsea e no Liverpool. São projectos que entusiasmam. Muito."

De Boateng a Marega, passando por Herrera


"Quando a cabeça não ajuda... 

Cabeça. Ou a falta dela. De Boateng a Marega, passando por Herrera.
O que passou pela cabeça de Boateng? Marcou, tirou a camisola e mostrou a inscrição My Time is Now. O problema é que já tinha visto um primeiro amarelo e foi expulso. O Moreirense, que se tinha colocado nesse momento na frente do marcador, perdeu.
Herrera, ao querer chutar contra Eliseu, pontapeou sem nexo na direção da linha final e ofereceu um canto ao Benfica. O canto. O canto que Lisandro converteu no empate no segundo minuto de descontos do clássico do Dragão. O mexicano não pode ser nunca o bode-expiatório do resultado com o Benfica, mas não ajudou nada ao seu estatuto para alguns críticos, que já o apontam como o elo mais fraco do meio-campo portista.
Depois de na semana passada ter ficado chateado com a sua substituição, o goleador Marega agrediu Sequeira, do Nacional, e viu o vermelho direto. Melhor marcador do campeonato, resistiu 25 minutos num jogo importante para o entusiasmante percurso da equipa de Pedro Martins na Liga.
A caminho dos balneários, avisou a família que ia para casa.
Reduzido a dez, a perder por 1-0, os minhotos tiveram de dar a volta ao marcador. Tiveram a cabeça que o maliano não teve. E viraram mesmo.
O futebol, já todos sabemos, não é só talento. Precisa de muita cabeça."

O 'momento Kelvin' de Lisandro López

"Quando Herrera teve aquele pontapé disparatado que deu canto ao Benfica no minuto 90+2, ficou no ar que algo ia acontecer...

No que toca a jogos entre FC Porto e Benfica no Estádio do Dragão, é indesmentível que o minuto 90+2 é special. Foi o special one quando Kelvin fez ajoelhar Jorge Jesus, tirando um título que parecia certo ao Benfica e ontem foi o special two, com aquela cabeçada de Lisandro López que tornou infrutífera a estirada de Iker Casillas.
Há momentos, no futebol, que também são specials. Quando acontecem, fica no ar a sensação de que estará para acontecer alguma coisa relevante. Ontem, esse instante bizarro aconteceu no pontapé de Herrera que deu o canto que haveria de dar o empate ao Benfica. O mexicano, que nunca entrou realmente em jogo, quis atirar a bola contra Eliseu e acabou por dar chutão pela linha de fundo. E assim foi reescrita uma história que parecia ir terminar com a vitória dos dragões. Que seria, diga-se, justa. O FC Porto assumiu o clássico com uma enorme irreverência e mostrou que jogadores como Otávio, Diogo Jota, André Silva e Oliver Torres estão no bom caminho. À saída do Dragão, interrogados pelas televisões, vários adeptos portistas chamaram contra o facto de Nuno Espírito Santo ter reforçado o meio-campo portista no derradeiro quarto de hora. Normalmente, estes comentários são feitos em função do resultado. Se tivesse ganho por 1-0 gabar-lhe-iam, muito provavelmente, a frieza e o pragmatismo; assim, como empatou, rogam-lhe pela pele. Creio que o treinador do FC Porto, cuja equipa actuou com uma intensidade supersónica durante mais de uma hora, se limitou a ser razoável. O desgaste começava a notar-se, o Benfica iria, como foi, subir linhas e expor-se mais e aquilo que Nuno Espírito Santo fez não creio que mereça censura. O resto é futebol.
Para o Benfica, que ficou em dezasseis o novo recorde nacional de vitórias fora de casa consecutivas para o campeonato nacional, o golo de Lisandro foi deveras importante. Porque manteve o FC Porto a cinco pontos; porque não deixou que o Sporting se aproximasse mais do que a manita de pontos; e porque num hipotético desempate com os dragões tem a vantagem de jogar em casa na segunda volta.
A nova paragem do campeonato também deverá ajudar Rui Vitória. Porque Grimaldo, Fejsa, Jonas e Rafa têm lugar no melhor onze da Luz. Muita gente, não é?

Na época passada, no Estádio da Luz...
«Era importante vencer. Pelo minuto em que sofremos o empate, este jogo vai deixar-nos magoados...»
Nuno Espírito Santo, treinador do FC Porto
É verdade que o empate não foi um bom resultado para o FC Porto, mas a boa noticia para Nuno Espírito Santo terá vindo da qualidade da exibição da sua equipa. Na última época, o Benfica perdeu com os dragões na Luz (exibição fenomenal de Iker Casillas) mas aproveitou o bom jogo que fez para alavancar o resto da temporada. E a verdade é que depois dessa derrota só somou vitórias...

ÁS
Lisandro López
Entrou no clássico para substituir o lesionado Luisão e não tremeu em nenhum momento. Realizou uma exibição serena e segura e entendeu-se às mil maravilhas com Vítor Lindelof, estabelecendo uma muralha de aço na protecção a Ederson. O golo que marcou foi uma espécie de cereja no topo do bolo numa grande noite.

ÁS
Diogo Jota
Um dos mais excitantes projectos de grande jogador do futebol português. A evoluir desta forma, o Atl. Madrid vai retirar dividendos de tê-lo enviado para a incubadora do Dragão (não é crível que, com o aperto financeiro em que vive, o FC Porto possa bater os 22 milhões de opção). Mais um nas contas de Fernando Santos...

REI
Cristiano Ronaldo
Numa altura em que o frasco de ketchup está entupido quanto aos golos merengues, o fora de série português vê hoje prolongado até 2021 o contrato com o Real Madrid. Os valores envolvidos aliviaram, por certo, o défice de Centeno, mas o que interessa é que esta estabilidade pode fazer regressar a melhor versão de CR7.

Ederson ainda invicto
Ederson, de águia ao peito, ainda não conheceu a derrota em competições nacionais. Ontem esteve muito perto de perder essa invencibilidade - e deve rever o golo de Diogo Jota para avaliar posicionamento e atenção ao seu primeiro poste -  mas o golo tardio de Lisandro salvou-lhe o registo. Trata-se de um jovem de enorme valor, um dos melhores a jogar com os pés, que se viu projectado para o futebol por um ex-guarda-redes, Nuno Espírito Santo, que também teve responsabilidades na ascensão de Jan Oblak. Quem sabe, sabe...

Como canta Sinatra, Chicago, my kind of town
Chicago é a cidade onde se matam borregos. Na mesma semana, no basebol os Cubs venceram as World Series, que lhe fugiam há 108 anos e no râguebi, a Irlanda derrotou pela primeira vez a Nova Zelândia, após 111 anos de duelos. O jornal neozelandês The Press fez capa com esse feito, dizendo que até foi bom para a modalidade."

José Manuel Delgado, in A Bola