Últimas indefectivações

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Menos mística, por favor

"Durante muitos anos o Benfica teve um problema: excesso de mística. Não me entendam mal, não sou contra o conceito de 'mística'. Bem pelo contrário, o Benfica é também uma ideia que assenta, em importante medida, numa comunhão com uma realidade espiritual, 'ser benfiquista'. Há neste movimento, é claro, muito de misticismo. Uma verdade que só alcançamos através da história daqueles que vestiram e honraram as camisolas vermelhas.
A questão é outra: a mística sugere uma certa passividade, algo que surge num momento de dificuldade, que nos ultrapassa e que compensa os nossos falhanços na vida real. Enquanto apostamos na mística, num qualquer recurso redentor, passa para segundo plano tudo aquilo que nos pode guiar à vitória. E o Benfica andou demasiados anos a depender da mística, de um conjunto de ideias salvíficas, que surgiriam para contrariar todos os sinais que iam sendo dados em campo, mas também na organização do futebol.
Não digo que não seja fundamental transformar o Benfica numa comunidade de pertença, baseada na história popular e corajosa dos nossos fundadores e na glória dos que fizeram do SLB um clube grandioso. Aliás, quando fizermos o balanço da actual direcção, a forma como soube recuperar as velhas glórias e dar-lhes o papel central que merecem no presente do Benfica será certamente um dos seus legados mais relevantes.
Estamos perante mais um daqueles casos em que a asserção de George Orwell é verdadeira: 'Quem controla o presente, controla o passado, controla o futuro'. No caso não se trata de nenhuma distopia, mas sim da construção de um futuro que só será feito de vitórias se estiver ligado intimamente ao nosso passado: ao Cosme Damião, ao Rogério Pipi, ao Zé Águas, ao Mário Coluna, ao Eusébio, ao Simões, ao Toni, ao Humberto, ao Shéu Han, ao Nené, ao Bento, ao Chalana, ao Diamantino, ao Vítor Paneira, ao Rui Costa.
Mas as ideias místicas não são a matéria de que são feitas as vitórias. Um presente e um futuro ganhadores constroem-se com opções estratégicas claras, com rumo, com trabalho e uma fidelidade ao clube que vai bem para além daqueles que transitoriamente representam as nossas cores.
Precisamos de menos mística, porque precisamos de mais talento, profissionalismo e suor em campo, de mais capacidade estratégica de quem dirige, de estabilidade nas escolhas que vão sendo feitas e de fervor dos adeptos. Enquanto dependíamos do manto protector da mística perdíamos; o bicampeonato que ainda celebramos e que abre portas para o 'tri' não foi conquistado com mística. Ela, é verdade, esteve presente e fez diferença. Mas o que nos colocou na senda vitoriosa que hoje nos acompanha de novo foi o suor do Maxi, o talento do Gaitán, a liderança do Luisão, a estabilidade das escolhas estratégicas da direcção e, claro, o colinho dos adeptos.
Tudo realidades bem materiais e que de pensamento mágico nada têm."

Pedro Adão e Silva, Mística

Renovações...

São boas notícias, as renovações dos nossos jovens, ainda por cima quando dois destes jogadores (Teixeira, Semedo), têm quase garantida a presença no plantel principal, e o próprio Nuno Santos vai ter a pré-época para se apresentar...
Pessoalmente, acho que o Guzzo vai ser emprestado, porque temos muitos jogadores para aquela posição, e porque em comparação com as outras alternativas, o Guzzo, defensivamente, não tem a intensidade e a velocidade para jogar a '8'...

Branco...

De sonho!

"A nossa imensa ambição e vontade de conquistar sempre algo mais não deve toldar o espírito ao ponto de não perceber e rejubilar com a presente época desportiva do nosso Benfica.
Desde que nasci, e infelizmente já vai algum tempo desta era de Cristo, que nunca nenhum clube português conseguiu algo parecido.
O Futebol foi campeão (e venceu a Taça da Liga e a Supertaça). O Basquetebol foi campeão (e venceu todas as cinco provas nacionais). O Voleibol foi campeão (ganhando tudo em Portugal e chegando a uma final europeia pela primeira vez na nossa história). O Futsal foi campeão, fazendo a 'dobradinha'. O Hóquei em Patins foi campeão, fazendo também a 'dobradinha'. O Atletismo foi campeão nacional.
É impressionante!
De sonho esta época desportiva de futebol e modalidades. Deixem-nos festejar e festejem connosco.
Nunca uma edição da Mística foi tão pequena para tantos títulos que precisa de cotar e cantar. Neste número, que festeja êxitos e relança expectativas para os da próxima época, não deixem de ler o artigo de opinião de um dos nossos melhores, Pedro Adão e Silva, que vem a estas páginas com uma 'censura' ao nosso título. A não perder a pena afiada de um dos benfiquistas com mais 'mística'.
Sincero obrigado a todos os campeões, de todas as modalidades, em todos os escalões, que fizeram deste ano um ano de sonho para a nação encarnada.
E como por vezes cantam os nossos adeptos: 'Para o ano há mais'."

Sílvio Cervan, in Mística

domingo, 12 de julho de 2015

Tempo pede reforços

"A menos de uma semana da partida para o estágio/digressão de pré-temporada, são várias as dúvidas que persistem no Benfica. Normal, nesta altura da época, num clube que olha para o mercado com limitações financeiras, mas condicionante para quem trabalha diariamente uma equipa. Rui Vitória tem o primeiro teste já no sábado, diante de um PSG milionário e que constitui um teste de grau de dificuldade elevado. Para o treinador, nesta fase, os resultados são a menor das preocupações, mas uma pré-época desastrosa poderá condicionar os jogadores naquilo que segue... a Supertaça.
O momento que vive Gaitán e o facto de ter o 'selo' de vendido pode ser contraproducente. Em situações normais, o argentino é titularíssimo neste Benfica. Pode o treinador preservá-lo dos jogos - a lesão de Salvio ainda está viva - e aguardar notícias do que vai acontecendo no mundo dos negócios? Pode! Mas talvez não compense o risco. O de dar um sinal ao mercado que, apesar das intransigências de Luís Filipe Vieira, o extremo é mesmo para vender; mas, ainda mais, o de preparar a equipa para um início de época que vale um troféu, e fazê-lo sem aquele que é o seu jogador mais valioso.
A mais de um mês e meio do fecho do mercado de transferências na Europa, Rui Vitória é obrigado a esperar. Tem sido prática recorrente nos últimos anos. E tal como Domingos Soares Oliveira afirmou sexta-feira na CMVM, as saídas do Benfica no final da cada temporada fazem parte normal da actividade. A realidade do futebol português explica esse facto, ao qual a grande maioria dos adeptos já se habituou. Discordo, porém, quando o responsável dá a imagem de o grupo não precisar de reforços. Certa a ideia de não cobiçar o que está a ser feito na casa dos rivais, mas, nessa observação interna, os responsáveis do Benfica têm identificadas as lacunas. E faltam soluções de primeiro plano para as alas, sobretudo se Gaitán sair, e um substituto para Maxi Pereira (tarefa difícil). O trabalho que tem vindo a ser feito na formação e equipa B são mais-valias a que Rui Vitória pode recorrer mais vezes do que vinha sendo habitual. Apenas. Trabalhar jovens requer tempo e paciência; já é positivo para o clube ter quem queira fazê-lo."

Vanda Cipriano, in Record

Mercado da Luz MF15

Tudo 'fechado' na secção de Futsal. Não foi preciso muito tempo para definir o plantel, após todos os sucessos da época anterior. Com o regresso à UEFA Futsal Cup, e com um limite de 'estrangeiros' (não formados localmente...), o Benfica foi obrigado a algumas mudanças...
Entraram: Cecilio (Braga), Wilhelm (Asti), Freitas (Fundão)... com o Tiaguinho a fazer parte do plantel principal. Saíram: Vítor Hugo, Pablito, Mancuso e Xande... com o Ivo Oliveira a ser emprestado ao Fundão.
Em Portugal só vão poder jogar 5 jogadores não-formados localmente, nós temos 6 no plantel. Na UEFA podem jogar todos, nas competições internas vamos ter que 'rodar'... Com uma época longa, com bastantes competições, com as Selecções pelo meio, creio que vai ser 'fácil' ao Joel escolher quem fica de fora, sendo que ainda existem as inevitáveis lesões. Na última época, tivemos o Henmi muito tempo de fora, e acabámos com o Chaguina condicionado... só para recordar estes dois!!!

O Fábio Cecílio e o Mário Freitas foram duas contratações esperadas (daquelas que os adeptos exigiam!!!), já que foram dois destaques da época, inclusive com chamadas à Selecção. O Fernando Wilhelm foi uma boa surpresa, um internacional Argentino (colega do Brandi...), com muita experiência do Futsal Italiano...

Com o fortíssimo investimento dos Lagartos, parece que o Campeonato vai reforçar a diferença das duas principais equipas, para o resto... Sabendo que o Braga, o Fundão, o Modicus e o Olivais vão ter plantéis interessantes...

Com o Joel no banco, é garantia de entrega, concentração e eficácia, tal como no Hóquei, estou totalmente tranquilo com estas duas secções... Além das contratações, efectuamos várias renovações de contrato no final da época, garantido assim estabilidade do plantel nos próximos anos, só falta o Chaguinha renovar...!!!

Nota para a pré-época, onde vamos defrontar o Inter do Ricardinho (Campeões de Espanha...), e o Barcelona no Meo Arena, e ainda destaque para a nova competição nacional: Taça da Liga, que como é óbvio é para ganhar...

GR: Juanjo, Bebé, Cristiano
Fixo: Gonçalo, Cecílio
Universal: Jefferson, Wilhelm, Tiaguinho
Ala: Henmi, Coelho, Chaguinha, Ré, Freitas, Pinto
Pivot: Patias, Brandi

Taarabt...

sábado, 11 de julho de 2015

Entrevista...

Mercado da Luz MH15

O nosso plantel de Hóquei em patins está 'fechado'. Aliás nem tinha terminado a época, e já sabíamos o que se iria passar...!!!
Duas saídas e duas entradas. Saíram Carlos López e Tuco. Entraram Jordi Ardoher, e Marc Torra, dos internacionais Espanhóis, que praticamente já ganharam tudo...!!!

O Carlitos avisou o Benfica a meio da época, que este seria o seu último ano na Europa, o Benfica avançou imediatamente para o Adroher. Mais tarde o Carlitos mudou de opinião, acabou por ter um convite bastante favorável da Oliveirense, e vai continuar em Portugal. Apesar da qualidade e ligação sentimental do Carlitos ao Clube, o Benfica não quis voltar atrás... e fez bem. São coisas que acontecem, creio que ninguém se deve sentir culpado. A despedida na Final da Taça foi emocionada... o Carlos López ficará na história do Benfica, mas com Adroher ficamos com um jogador parecido, e bastante mais novo...
O Tuco foi diferente. Acabou o contrato e não aceitou a proposta do Benfica. Pessoalmente, até acho que o Tuco fez uma época muito abaixo do normal, mas curiosamente acabou por ser um dos melhores no jogo do 'título' com os Corruptos!!! Optou por ir para os Lagartos... com um bom contrato. O Marc Torra é um jogador de características diferentes, mas de grande nível...

Creio que o segredo do sucesso na próxima época, vai depender muito da adaptação do Diogo Rafael às novas funções. Será o Diogo que vai ocupar de facto o 'lugar' do Tuco. Tem tudo para triunfar, mas a defender tem que ser mais inteligente, não pode ir sempre à queima...
Será uma época importante também para a afirmação do Miguel Rocha, tem que acordar para a 'vida'!!!

Com o melhor do Mundo (Nicolia), como se viu no último Mundial, com um plantel recheado de talento, temos tudo, para 'limpar' tudo a nível Nacional, e inclusive competir com o Barça na Europa (os Catalães mudaram muita coisa esta defeso, podemos ter uma janela de oportunidade para emperrar a máquina Catalã). Sendo que em Portugal vamos ter um Campeonato muito competitivo, com a Oliveirense muito reforçada, com os Lagartos de 'peito feito', e os Corruptos com uma versão melhorada do Valongo Campeão de 2014!!!

Trabal, Rodrigues
Valter, Diogo, Tiago, Rocha, Torra, Adroher, Rodrigues, Nicolia

sexta-feira, 10 de julho de 2015

As contratações da concorrência

"Esta pré-época está ao rubro. A verdade é que muitos dos nomes sonantes que se anunciam têm sido de facto contratações neste defeso. Ao contrário de outros anos, este verão tem havido fumo e fogo. Com a overdose de vitórias do Benfica, a concorrência resolveu empenhar o que pode (e nalguns casos não pode) para não ver tanta festa encarnada repetida. É muito bom para a competição que assim seja. Corro o risco de me enganar redondamente mas parece haver mais critério naquilo que vi do Sporting do que no FC Porto. Habitualmente, é ao contrário e costuma ser o FC Porto muito mais assertivo e competente. Neste defeso, os azuis e brancos parecem, por agora, fazer as contratações mais para vender camisolas e internacionalizar a marca do que melhorar a equipa. Pelo contrário, para os lados de Alvalade, vejo tiros que parecem mais certeiros. Em resumo: mesmo com galhardetes do Benfica no quarto, não julgo ser Iker Casillas em nada melhor que Helton. Pelo contrário, cheira-me que num campeonato como o nosso Bryan Ruiz pode ser de extrema utilidade. Sempre me dirão que o Sporting tem que salvar Agosto para não perder a época e Benfica e FC Porto têm algum tempo mais. Até dia 31 de Agosto tudo pode mudar a velocidade vertiginosa, aquela que hoje parece ser a realidade pode não ser mais que uma quimera no fim de Agosto. Resta ao Benfica fazer uma equipa à altura e vencer outra vez.
Depois de lido o sorteio realizado no Algarve, vemos que há todas as condições de entrar consistentemente a vencer, rumo ao 35.º. Começamos na Luz campeões e o objectivo é acabar na Luz contra o Nacional a festejar mais um título nacional. Este ano, a serenidade do Benfica parece competente, e por isso a tranquilidade dos adeptos é justificada, mesmo que como se compreende haja ansiedade pelas novidades."

Sílvio Cervan, in A Bola

Sem abanar

"Foi muito pouco que mudou no Benfica nos últimos meses, mesmo perante a surpresa inicial da 'traição' feita por Jorge Jesus. A pré-temporada segue como estava previsto - Rui Vitória parece perfeitamente enquadrado com as ideias da SAD para o futebol; a grande maioria dos jogadores continua de águia ao peito; Luís Filipe Vieira mantém em linha recta aquilo que tinha planeado para este defeso. E isso passava também por uma venda avultada com um produto 'made in' Seixal. A Ivan Cavaleiro, já antes considerado como uma das pérolas da formação, faltou espaço para evoluir ao mais alto nível na Luz. Foi pelo trabalho que desenvolveu e protagonizou na Liga espanhola que o extremo conseguiu a mudança para França, possibilitando novo encaixe milionário nos cofres das águias. Bernardo Silva será o jogador que mais custa aos adeptos do clube terem visto partir. Mas até por ele, na altura pouco mais do que um jovem desconhecido, a SAD fez um reforço financeiro gigante. Era isso ou ter ficado na Luz sem jogar."

Vanda Cipriano, in Record

SLB - Clube empresa

"Com a melhor temporada desportiva a nível nacional da história do SLB quase a terminar e 2015/16 a nascer, o destaque vai, esta semana, para os planos associativo e empresarial, com a organização do evento dedicado às Casas do Benfica e Escola das Modalidades e o anúncio da compra, pela BTV, dos direitos de transmissão televisiva das ligas italiana e francesa.
O evento das Casas oferece visibilidade a um eixo importante da vida associativa do nosso clube, cuja acção se repercute em vários níveis, notabilizando-se, sobretudo, em se constituírem como polos de fixação clubista. O Mundial de Sueca envolve a participação de milhares de Benfiquistas por todo o Mundo, que têm, deste modo, mais uma razão para frequentarem estes espaços de Benfiquismo. O mesmo se aplica ao Torneio de Futsal.
A Escola de Modalidades fez, este ano, parte deste evento, tendo sido dado um passo importante neste projecto, que se poderá tornar, no futuro, num meio privilegiado de captação de novos talentos espalhados pelo país, à semelhança das Escolas Geração Benfica.
Finalmente a BTV, a confirmar a sua postura agressiva no mercado televisivo, demonstrando a capacidade de realização do SLB e o poder da sua marca e caminhando paulatinamente rumo à sua afirmação enquanto agente relevante neste sector, com os benefícios económicos que daí advêm e, consequentemente, a superior capacidade de investimento no futebol.
Este é o maior desafio que, no presente, se coloca aos dirigentes e aos profissionais do SLB, um clube cuja dimensão enorme exige uma visão empresarial, sem que esta coloque em causa o seu carácter associativo. Não é fácil, mas creio estarmos no caminho certo."

João Tomaz, in O Benfica

Vieira vs. Bruno

"Tenho alertado todos os meus amigos e adeptos que o Benfica está, ao contrário do que muitos possam pensar, a fazer o caminho certo. O que se tem ouvido é de bradar aos céus: Bruno de Carvalho está a impor o domínio no futebol português, o Sporting está a juntar os melhores talentos técnicos e desportivos, o espaço mediático está rendido ao clube verde e branco com a chegada de Jorge Jesus, etc. Tudo inconcebíveis disparates que nos obrigam a serenar os ânimos e olhar com racionalidade para a época de defeso que temos diante dos nossos olhos. Tudo no Sporting é espalhafato, novos treinadores, despedimentos sensacionais, afastamentos camuflados mas amplamente noticiados (caso de Inácio), novos pavilhões, auditorias disto e daquilo, parece um verdadeiro circo que tomou conta de algumas televisões e jornais.
Luís Filipe Vieira, por sua vez, nótula de experiente gestor, está a concluir uma verdadeira revolução silenciosa no Benfica: a capacidade de manter uma estrutura unida e coesa independentemente do nome concreto de jogadores ou equipa técnica. A marca do Benfica neste momento é a de uma gigantesca e sólida estrutura sem igual no panorama português, com uma ligação aos sócios impossível noutras instituições, e um caminho feito o mais possível longe dos jornais e de nomes sensacionais. Vieira sabe que é a estrutura do Benfica - que ele laboriosamente construiu ao longo dos últimos 11 anos - que ditará o sucesso das próximas épocas. Não gosto, entenda-se, de conferir protagonismo aos adversários, mas arrisco dizer que o próximo campeonato vai ser muito mais do que disputa de bola e golos. Vai ser o modelo consolidado de Vieira contra o castelo de cartas espalhafatoso de Bruno de Carvalho. A vitória, claro, todos sabem a quem caberá."

André Ventura, in O Benfica

Triste figura

"Apenas 40 dias decorrem entre duas imagens fortes. Primeiro, vê-se uma criatura, aos saltos, no relvado da Luz, acompanhando os cânticos dos adeptos do Benfica, na comemoração de um título. Depois, a mesma criatura, aos saltos, no relvado de Alvalade, acompanhando os cânticos dos adeptos do Sporting, como novo membro da tribo.
Benfica e Sporting são rivais há mais de um século. Em apenas 40 dias, salta-se num lado, salta-se no outro, e salta-se de um lado para o outro, como se a história não existisse, e como se não fosse a história, e a paixão do povo, a permitir que um simples treinador de futebol possa hoje auferir quatro, ou cinco, ou seis milhões de euros por ano.
Chamem-me romântico, chamem-me ingénuo, chamem-me até retrógrado. Mas este não é o futebol de que aprendi a gostar – no qual havia algum pudor, e uns quantos zeros não legitimavam todo o tipo de comportamento. O futebol resume-se à emoção, e quem dele pretender retirar essa componente, corre o risco de lá não deixar nada.
Cresci a chorar pelo Benfica. E a respeitar, também, quem chorava por outros emblemas. Não aprecio cristãos novos, e muito menos traições.
Não embarco no discurso da gratidão. Nós, que pagamos quotas, cativos, bilhetes, deslocações, e ainda compramos camisolas e cachecóis, que apanhamos chuva, sol e trânsito, para nos sentarmos no nosso lugar a sofrer pelo clube que amamos, nunca seremos devedores de nada, neste meio que se vai tornando cada vez mais indiferenciado e obscuro.
Os que nele ganham milhões, esses sim, devem a todos nós o estatuto de que desfrutam. E devem-nos, sobretudo, respeito."

Luís Fialho, in O Benfica

Eles que venham!

"A equipa de Futebol já está a trabalhar. As novas contratações estão no processo de adaptação, os mais antigos do plantel mostram a casa aos membros mais recentes, a equipa técnica recorda os cantos da casa. Um dos rivais directos tem o homem-forte da sua SAD envolvido em mais um esquema com a justiça (nada de novo a Norte), o outro adversário continua no mundo da fantasia e sem conseguir contratar nenhum jogador que valha a pena mencionar. Vocês querem ver que o super-empresário fechou a posta ao mestre da táctica?...
Nós por cá, tudo bem, obrigado. No dia 19 de Julho, em Toronto, começamos a lutar pela conquista da Champions Cup com o PSG. Seguem-se Fiorentina (olha, olha... o Paulo Sousa) e o NY Red Bulls. A 29 de Julho, lá estará o SL Benfica no México para defrontar o America, onde irá permanecer até 2 de Agosto para estreia da Eusébio Cup fora de casa, com o Monterrey (é também a inauguração do estádio do clube que o Pantera Negra representou).
Só depois disso o Bicampeão Nacional regressa a casa para preparar o primeiro jogo oficial da época. Depois de jogar com o campeão francês, virá o quarto classificado italiano, o sexto da conferência Este norte-americana, o vencedor da Liga dos Campeões da CONCACAF e o semifinalista da Taça do México. Tudo isto até à Supertaça, a 9 de Agosto no estádio do Algarve. Teoricamente será a partida mais fácil. Afinal, estamos a falar de um clube que conquistou o último campeonato há 13 épocas e que, até ao mês passado, não vencia qualquer troféu há sete anos. Sim, tem um treinador novo, mas com a cabeça no cepo em caso de derrota com o maior clube português de todos os tempos. Tranquilos, caros consócios."

Ricardo Santos, in O Benfica

quinta-feira, 9 de julho de 2015

O Benfica é o campeão da austeridade

"Mini Pereira tem agora 4 anos para ficar multimilionário e, se puder, que aproveite para finalmente gozar férias e poder descansar. É que ele merece. E nós também.

O Benfica é o campeão da austeridade e do desinvestimento. Não gasta o que não tem, não pede dinheiro emprestado a ninguém.
É o melhor aluno português das medidas de contenção propaladas pelas grandes instâncias nacionais e internacionais. Sem pestanejar, vê alguns dos seus mais eficientes activos passarem-se para emblemas rivais em fase de grande euforia no que diz respeito aos mercados.
E é assim, pobrezinho, que o Benfica se vai deitar à reconquista do título.
Se der, deu. Se não der, não deu.
A pressão está toda do lado dos adversários directos, unidíssimos no pressuposto que é fulcral impedir o Benfica de voltar a ser campeão.
Ambos se vão reforçando com gente de grande categoria porque sabem bem que é com gente valiosa que se ganham os títulos.
O maior reforço comum do Porto e do Sporting em termos de arbitragem é Pedro Proença que, segundo o Diário de Notícias fez a ponte diplomática entre Alvalade, onde já trabalha, e o Dragão na tentativa de impor o sorteio dos árbitros.
É uma notícia curiosa mas que não traz novidade alguma. Pedro Proença está agora em termos teóricos onde sempre esteve em termos práticos.

MAICON, o central do Porto, regressou ao trabalho pedindo a todos os santinhos que não haja empurrões a decidir o título. Referia-se ao seu golo ilegal na Luz que deu um título ao Porto sob o beneplácito de Pedro Proença, agora e uma vez mais o homem certo no lugar certo, embora num lugar diferente.

DE acordo com a imprensa, o Benfica ofereceu 6 milhões de euros a Maxi Pereira por 3 anos e o Porto ofereceu-lhe 16 milhões de euros por 4 anos.
Perante isto, nem eu que tanto gostava do lateral uruguaio, me arrepio de o ver sair.
Maxi Pereira, doravante Mini Pereira, é um herói do nosso tempo. O dinheiro é tudo e não há romantismos que lhe resistam.
Mini Pereira esteve 8 anos no Benfica e foi de um profissionalismo exemplar. Basta dizer que nesses 8 anos raramente gozou férias, sempre em viagens e em compromissos com a selecção uruguaia por ocasião dos defesos no futebol europeu. E regressava sempre à Luz fresco que nem uma alface para mais uma temporada de trabalho.
Mini Pereira tem agora 4 anos para ficar multimilionário e, se puder, que aproveite para finalmente poder gozar férias e poder descansar. É que ele merece. E nós também.

SE Iker Casillas assinar pelo Oporto o campeonato português vai, pela primeira vez na sua história, passar a existir para os nossos vizinhos espanhóis. E a existir, jornada a jornada. Com direito a nomes e a números e a notícias nos jornais.
Só por isso, Casillas já seria mais do que bem-vindo à nossa Liga a quem, na verdade, ninguém ligava nenhuma para lá de Badajoz.
O sentido da contratação do lendário guarda-redes do Real Madrid é claro. Tal como o Sporting foi buscar a lenda Schmeichel para voltar a ser campeão quase vinte anos depois do seu último título, tal como o Benfica foi buscar a lenda Júlio César para revalidar o título na temporada passada, também o Oporto vai buscar uma lenda para as suas redes a ver se recupera o estatuto de campeão que lhe foge há dois anos.
Tudo, de bom ou de mau, começa na baliza. Ou não é?
Fui fã de Casillas nos anos de ouro da sua carreira. E confesso: há mais de dez anos, quando a lotaria do Euromilhões chegou ao nosso país, prometi-me que ofereceria um Iker Casillas inteiro ao Benfica se me saísse um primeiro prémio daqueles bem gordos.
Está visto e comprovado o meu azar ao jogo.
Vem agora, no ocaso da sua carreira esse excelente guarda-redes reforçar a equipa de um adversário directo.
Enquanto lá estiver, uma coisa é certa: não contem com o regresso de José Mourinho ao clube que o lançou para os seus fulgurantes voos internacionais.
Outra coisa também é certa: tal como os adversários do Benfica aspiraram em vão a um Júlio César, ao nível da sua infeliz prestação no último Mundial, também os adversários do Oporto aspiram agora a um Iker Casillas ao nível das prestações que levaram Chamartin a vaiá-lo sem dó nem piedade. O resto é lenda. E mistério por resolver.

ANTIGAMENTE dizia-se o tesoureiro. Hoje diz-se CEO que é uma sigla importada das grandes empresas multinacionais. Na verdade, tanto faz. É do dinheirinho que se trata, amigos.
Tesoureiro ou CEO, Domingos Soares de Oliveira é o homem do lugar em questão no Benfica e, na semana passada, deu uma entrevista ao Expresso tendo descrito em pormenor aquilo que considera ser o irrevogável caminho da recuperação económica do clube.
Do muito que falou ao Expresso o nosso tesoureiro, uma frase apregoada saltou para título da entrevista: «O Benfica conseguiu ser independente do BES e da PT.»
Bravo! A ser um facto, que bela vitória no campeonato das finanças.
Agora a ver se conseguimos uma coisa ainda melhor: o tri no campeonato da bola. Isso é que era lindo a valer.
No entanto, deve ser bem mais difícil conseguir o tri do que conseguir a independência do BES e da PT, tendo em conta que os tesoureiros dos nossos adversários directos, ao contrário do nosso, vivem épocas de incontestado esplendor e dispõem de uma insuspeitada largueza de meios.
É este o ponto da situação quando falta um mês para o arranque da temporada e logo com um Benfica-Sporting mais especial do que nunca porque permitirá ao público em geral precipitar-se para as primeiras conclusões:
Quem é melhor treinador, Jesus ou Vitória?
Qual é o tesoureiro mais esperto, mais competente, mais atrevido, Soares de Oliveira ou José Maria Ricciardi?
Ah, mas que grande animação vai ser a temporada de 2015/2016.

O sorteio da Liga já foi. O Benfica começa em casa e a receber o Estoril que nos fez tanto mal em casa na época de 2012/2013, lembram-se?
O Porto, por sua vez, estreia-se na Liga recebendo o Vitória de Guimarães onde pontificará o jovem Tózé que o Porto vendeu agora aos de Guimarães depois de o ter emprestado um ano ao Estoril.
Tózé deu que falar no ano passado por ter apontado de forma irrepreensível (para alguns) uma grande penalidade contra a sua verdadeira entidade empregadora, o que custou pontos ao Porto na sua deslocação à Amoreira, lembram-se?
Foi a partir desse instante que os jogadores emprestados pelo Porto e pelo Benfica a outros clubes passaram a ter sobre si um foco impiedoso de atenção e uma carga de maleitas que lhes deve ter sido penosa de suportar.
Felizmente que a lei mudou: A partir desta época os emprestados não podem defrontar os emblemas empregadores. Muito bem, tudo pela transparência.
E se Tózé marcar um golo de penalty ao Porto, na primeira jornada, esse facto já será encarado com toda a normalidade mesmo por Casillas que, como se sabe, foi contratado sem dar garantias de impedir que toda e qualquer bola entre na sua baliza.
Quanto ao Sporting, a sua estreia na Liga está marcada para Tondela. Desconfio que Vítor Paneira vai ser o treinador português mais falado na semana a seguir ao jogo. Por mérito próprio, evidentemente.
Vítor Paneira, lembram-se?

FALTA ainda efectuar-se o sorteio das competições europeias de clubes.
Ao Benfica, desejo que fique livre de aventesmas e que calhem boas e simpáticas companhias na fase de grupos da Liga dos Campeões o que, só por si, já seria uma bela novidade.
Em prol das estrondosas emoções internacionais, engraçado seria - aliás, engraçadíssimo seria... - calhar ao Porto o Real Madrid e, para compor o ramalhete, ao Sporting calhar o Olympiakos.
Teríamos, assim, um regresso de Iker Casillas a Chamartín e um regresso de Marco Silva a Alvalade.
Quem é que não pagaria para ver estas coisas a acontecer?

UM vice-presidente do Porto anda a contas com uma investigação criminal e o Porto emitiu um sereníssimo comunicado confirmando as buscas e diligências policiais bem como a prontificar-se a uma colaboração com a Justiça em tudo o que for necessário.
Os tempos mudaram do ponto de vista formal.
Aparentemente, já não há teorias «da cabala» nem ataques «do centralismo lisboeta» à vida do Dragão.
Isto e mais o Casillas, são coisas que fazem prometer um Porto ainda mais diferente para 2015/2016."

Leonor Pinhão, in A Bola

Silêncio de ouro

"A agitação em Alvalade e no Dragão, que têm às portas um engarrafamento de estrelas, contrasta com a calma que se vive na Luz. Confortavelmente apoiado num bicampeonato e, por isso, sem nenhuma "pressão extra" na próxima edição da Liga, o Benfica está longe de entrar em pânico com as contratações dos dois principais rivais. Por enquanto, apenas saiu um titular da equipa da época passada (Maxi Pereira), a que se junta a marcante perda, de Jorge Jesus, um treinador que tinha bem gravado o seu cunho após seis anos de empatia, um mérito da chamada 'estrutura' que não deve ser menosprezado.
Por isso, e apesar de Imbula, Casillas e Bryan Ruiz, e de todos os outros nomes que estão perto de ser contratados por FC Porto e Sporting, este Benfica está longe de ser um coitadinho nas contas do título. Rui Vitória já disse que quer manter as (muitas) coisas boas que Jorge Jesus deixou na equipa. Se o conseguir, e mesmo com a praticamente certa saída de Gaitán, ficará com uma equipa de muita qualidade e, acima de tudo, muito experiente, rotinada e conhecedora da realidade do futebol português. O que poderá ser um enorme vantagem, sobretudo no arranque da temporada.
A Rui Vitória faltam os 'sound bites' de Jesus, muitas vezes amplificados devido ao estilo do agora técnico do Sporting, mas isso não é um critério de avaliação de competências. O treinador natural de Alverca não tem quem glorifique a sua dedicação à causa, nem as horas que dedica aos clubes onde trabalha, nem a extrema atenção que dedica aos pormenores técnicos e tácticos. O mais certo é que não precise disso. Até porque, para já, o silêncio à volta do novo Benfica é o melhor aliado que pode ter. A qualidade do jogo e, acima de tudo, os resultados lá virão para o avaliar."

O Tour

"Por esta altura do ano e desde que tenho o gosto de assinar esta coluna de opinião, escrevo sobre o Tour de France.
Este ano, a Volta à França é mais precisamente a Volta da França. É que a esplendorosa 102.ª edição começou na brisa atlântica da Holanda. As primeiras etapas têm-nos mostrado, com uma beleza quase inexcedível, não apenas o colorido e longo pelotão (pela primeira vez, com uma representação de África, através do país de Mandela), como também a paisagem envolvente, as terras por onde passa, os ex-líbris dos percursos, o pavé, as pessoas a acolher os ciclistas.
Poderá vir a ser uma das mais competitivas edições deste século, ainda que com uma injustificada escassez de etapas de contra-relógio. Ao invés, a imperial montanha pirenaíca e alpina foi reforçada e antevejo emocionais finais de etapas, sobretudo na penúltima etapa, no Alpe d'Huez, antecedendo a consagração em Paris.
Há sinais de que foram superadas, ainda que não esquecidas, as sequelas das batotas, do anti-desportivismo e do doping endémico. A prevenção e o maior investimento no jogo do rato e do gato contra a dopagem (não esquecendo, porém, o enigma que paira sobre o doping tecnológico já não do homem, mas de um motor quase indetectável na própria bicicleta...) dão um certo ar de alivio de um nova fase na festa de La Grande Boucle.
E que bom haver esta prova para passar por cima dos defesos futebolísticos que, entre sonhos e decepções, nos oferecem, à saciedade, não-notícias antes do gong das 24 horas do dia 31 de Agosto. Por agora, chega-me ver a camisola amarela. Depois, voltarei à camisola encarnada. A do Sport Lisboa e Benfica."

Bagão Félix, in A Bola