Últimas indefectivações

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Glorioso SLB

"Um ano quase perfeito do Benfica: tetracampeão de basquetebol, tricampeão de voleibol, bicampeão de futebol e «o campeão voltou» em hóquei em patins e futsal. Refiro-me aqui apenas às competições masculinas colectivas com bola, mas não secundarizo outras modalidades, como o atletismo e as provas femininas (no hóquei em patins, ganhando tudo, cá e na Europa).
Um pecúlio notável que não é fruto do acaso. Nem da sorte. Como se costuma dizer, a sorte só vem antes do trabalho no... dicionário. Resulta da grandeza de um clube radicalmente eclético e de um persistente e bem estruturado plano que dá já os seus frutos em plenitude. Se juntarmos os últimos 2 anos, o Benfica conquistou 8 campeonatos, o Porto 2 (andebol), o Valongo 1(hóquei, 2013/14) e o Sporting 1 (futsal, na época passada).
Por isso, como benfiquista que gosta de futebol, mas também muito das outras modalidades, felicito os órgãos dirigentes, nas pessoas do presidente Luís Filipe Vieira e do vice-presidente Domingos Almeida Lima.
E também endereço a minha gratidão aos técnicos que souberam potenciar conjuntos de atletas excelentes. Falo de notáveis exemplos de benfiquismo e de competência como Carlos Lisboa, José Jardim e Pedro Nunes. Falo do jovem e sereno técnico de futsal Joel Rocha (soube-me bem a vitória, e logo em casa do eterno rival). Falo, evidentemente, de Jorge Jesus, decisivo para o tão ansiado bicampeonato depois de 31 anos de 'bijejum'.
Também nas camadas mais jovens tem havido títulos e futuro assegurado. Na época que se avizinha, espero mais vitórias. Com Rui Vitória e os treinadores vitoriosos que continuam."

Bagão Félix, in A Bola

O que espera Rui Vitória no Benfica

"1. O talento individual é a base para a excelência dos desportos colectivos, mesmo sabendo que o êxito mais relevante só chega depois de harmonizados todos os elementos em causa. Por isso o treinador é peça tão importante na construção de uma equipa. O futebol, como espelho da sociedade, sugere a cada um o desejo de expressar-se de acordo com os valores que defende. Num grande clube, o conceito de sucesso não comporta apenas a vitória: depende muito do modo como é alcançada. Aos 45 anos, e depois de peregrinações menores, Rui Vitória é o novo treinador do Benfica. Diz-nos o passado que nem todos os profetas escalam a montanha à primeira tentativa. Mas o caminho não tem escapatórias: o treinador só chegará ao céu se levar os jogadores a aceitar o rumo que lhes é dado.
2. Todas as decisões contribuem para dar personalidade a uma equipa: toque ou pontapé para a frente; defender à zona ou homem a homem; jogar por dentro ou por fora; com um ou dois avançados no eixo central. Se as alternativas ao modelo são reduzidas (a grandeza do Benfica abrevia boa parte das opções, ficando apenas por calibrar elementos como vertigem, equilíbrio, aventura, disciplina, risco, organização), em termos tácticos veremos se resiste o 4x1x3x2 de JJ, com dois avançados, vincada exploração dos flancos e uma dupla de médios com a funcionalidade de Javi e Aimar; Javi e Witsel; Matic e Enzo; Samaris e Pizzi. Mesmo que a exequibilidade do novo paradigma imaginado para o futebol benfiquista (mais formação e menos investimento) tenha sido posta em causa, RV só tem de juntar ao pedagogo o treinador que sempre foi.
3. Vitória beneficia também da identificação com a cultura da casa, vantagem que lhe permitirá mais consistência nas decisões. Por experiência, sentimento e sensibilidade, sabe que o Benfica, mais ainda após seis anos de ouro que interromperam o ciclo miserabilista das últimas duas décadas, recusa ver-se reduzido a equipa moldada pelos princípios estritos de pragmatismo, ordem, disciplina e profissionalismo. A riqueza da história e o brilho do troço conduzido por Jorge Jesus dão lustro ao orgulho de uma família que rejeita alterar a sensibilidade e a tendência estética definida no código genético. RV, que teve de dançar ao ritmo de diferentes músicas em Guimarães - chegou a fazê-lo na mesma temporada -, atingiu patamar cuja lógica de grandeza não tem comparação.
4. RV vai ter de adaptar inteligência e talento à construção de um exército que respeite o passado da grande potência; que gere felicidade entre o seu povo, enobreça o jogo, estimule o espectáculo, valorize os soldados e promova o negócio. Nem todos os generais triunfam debaixo de tanta pressão, marcada pelo escrutínio impiedoso dos adeptos e pela cobrança instantânea do circo imenso que gira à volta. Homem firme de perfil discreto, RV tem pela frente um mundo novo por descobrir; uma dimensão superior para testar a bagagem de saber que o trouxe ao topo sem saborear o inêxito. Só perante desafios tão transcendentes o ser humano testa a solidez do conhecimento que possui, os fundamentos da proposta que apresenta, a força das ideias que defende e a espessura da personalidade que o suporta. A tarefa é difícil mas não impossível; cumpre o sonho de uma vida mas não danifica a ambição; alimenta dúvidas mas não mata a esperança.
(...)"

Panenkas e formação

"Caro Raphael Guzzo, até hoje nunca usei esta minha coluna para me dirigir a alguém sob a forma de carta mas, porque há sempre uma situação em que vale a pena quebrar as regras, cabe-lhe a si ser o destinatário. 
Antes de mais quero dizer-lhe, admitindo a minha fraqueza, que me apeteceu insultá-lo pelo penalty falhado no jogo com o Brasil. Claro que apeteceu, é futebol, é ganhar, é perder. É emoção pura, e perder é sempre pior do que ganhar.
Limitei-me a um desabafo na hora, mas, acredite, não é nada contra si. Só não falham grandes penalidades os medíocres: os que não têm talento para jogar futebol; os que, tendo, não têm coragem de se chegar à frente.
E foi por isso que, no dia seguinte, voltei a ter vontade de insultá-lo, quando li no Facebook a sua emocionada mensagem. Diz o Raphael que deixou ficar mal os colegas, os amigos e a família? Desculpe o paternalismo, mas... enlouqueceu? Quem deixa ficar mal o País não são os futebolistas que falham pontapés, antes os que roubam e corrompem, os que por omissão permitem o perpetuar dos erros. Não volte sequer a pensar «não vou dizer que não têm razão» os que o insultaram com mensagens de ódio! Claro que não têm! Só gente irracional pode insultar quem falha um pontapé! Não se encolha, não carregue a culpa que não é sua. Sim, podia ter chutado ao ângulo, mas fez aquilo em que acreditava. Correu mal, é verdade, mas, convenhamos, por alguma razão aos 20 anos ainda joga nas selecções de formação.
Acredito, então, que tenha aprendido que o penalty à Panenka só era bom quando ninguém o marcava e que agora que está banalizado deixou de resultar. Ainda vamos rir juntos quando marcar o penalty que dará a Portugal o título Mundial em 2018!"

Nuno Perestrelo, in A Bola

Nome de águia

"Na primeira aparição pública à Benfica, Rui Vitória revelou inteligência e maturidade. Para já, entrou a ganhar
O novo treinador do Benfica chegou à Luz pela mão do presidente, mas previamente condenado a ter de conquistar a maioria dos adeptos, já que um passado benfiquista não é suficiente para aplacar mágoas e sentimentos de vingança provocados pela saída de Jorge Jesus, mantendo-se viva a discussão se saiu pelo próprio pé ou foi empurrado. De véspera, Luís Filipe Vieira teve o cuidado de abrir o caminho a Rui Vitória, deixando claro que não é homem para decidir por impulsos. Reforçou a ideia de o projecto estar à frente dos nomes e, na passada, respondeu a quantos defenderam a contratação de Marco Silva, ao jeito de retaliação.
A escolha de Rui Vitória aparece desde o início colada a uma projectada mudança de paradigma, fazendo da formação bandeira de futuro, ideia simpática para agradar às massas, mas irrealista de ponto de vista desportivo, pois toda a gente sabe que é de todo impossível de um ano para o outro pegar em cinco jogadores da academia, pô-los a jogar e continuar a ganhar. Foi no arrefecer dessa ideia de uma aposta incondicional na formação que Vitória começou a pontuar. O treinador anunciou ambição, mas não se esqueceu de referir o principal objectivo da temporada: o tri. Do mesmo modo avisado, deixou clara a intenção de não mexer no que encontrar bem feito, aproveitar o sistema de jogo e a estrutura da equipa e ir colocando cunho pessoal com o passar do tempo. Para além de ter nome de águia, vê longe. Ah! Está desejoso por medir forças com Jorge Jesus mas sem que nenhum deles conte a sério. Importante será o Benfica-Sporting."

O "déjà vu" pode ser útil

"Até agora, ainda não há defeitos visíveis nos controversos Jogos Europeus
Apanhados em cheio pelo escândalo FIFA e entregues a um país tão puro e cristalino como o Azerbaijão, os primeiros Jogos Europeus resvalaram num instante para a suspeita. Jornais tão fidedignos como o inglês The Guardian escreveram que eram apenas uma forma de os Comités Olímpicos da Europa acederem ao negócio tão apetecido (e sinuoso) dos grandes eventos "a la FIFA". Em parte, é por causa disso que são combatidos pelas confederações do atletismo e da natação, que já vão tirando lucro dos seus próprios campeonatos continentais e não querem concorrência. É verdade que as medalhas portuguesas no ténis de mesa, no taekwondo e na canoagem são repetições do que sucedeu nos respectivos Europeus (as mesmas competições e os mesmos competidores deram nos mesmos vencedores, que surpresa), o que faz estes primeiros Jogos parecerem uma espécie de prova dos nove de luxo. Mas também é verdade que trazem aos vencedores uma ratificação valiosa, em ambiente já muito próximo do Olímpico, que por cá é sempre tido como perturbador para os portugueses. E ainda, obviamente, um prolongamento da glória e de um momento de superioridade competitiva que não faz mal nenhum aproveitar. O ténis de mesa, o taekwondo, o triatlo e até a canoagem não sofrem, propriamente, de excesso de atenção. Ou seja, para os interesses de Portugal, ainda não vi defeitos nos Jogos Europeus. E menos ainda verei se, como desconfia o The Guardian, daqui por alguns quadriénios eles começarem a render muito dinheiro e a produzir Blatters. Não me importaria nada que o Comité Olímpico de Portugal, que vai buscar 85% das receitas ao Estado, tivesse a conta bancária da FPF."

Segredos Cristante (completo)

O filho do mestre do jogo da pata

"Teve convites para jogar no Atlético de Madrid e no Real Madrid, mas teimava: «A sair da minha terra, só para jogar no Benfica». Domingos Carrilho Demétrio foi uma das grandes lendas do futebol português: chamavam-lhe Patalino.

Hoje, se me dão licença, falarei de alguém que nunca jogou no Benfica. Não deixou, por isso, de ser uma das mais lendárias figuras do Futebol português. Domingos Carrilho Demétrio: o Patalino. Não jogou no Sport Lisboa e Benfica, mas jogou no Sport Lisboa e Elvas, clube da cidade onde nasceu em 1922 e filial do Sport Lisboa e Benfica, como está bem de ver.
Numa entrevista à famosa revista «Stadium», já na altura adiantadíssima para a época, Patalino confessou a sua alma 'encarnada'. Que sim, que tinha uma paixão pelo Benfica, que o Benfica seria o único clube que o faria deixar o seu Alentejo natal, mas que não conseguia, que as saudades eram mais fortes, que nada o arrastava para fora da sua zona raiana por mais convites que tivesse.
E teve. Imensos! O Sporting pensou nele para jogar ao lado de Peyroteo e poder um dia substituir o homem de Humpata. Patalino não foi.
Houve o Bordéus, até o Real Madrid... E Domingos Carrilho Demétrio aferrado ao seu rincão, preso ao Alentejo, às suas paisagens melancólicas, à sua gente pacífica.
Quando Patalino começou a jogar, Elvas era terra de Futebol. Havia o Sport Lisboa e Elvas, filial n.º 6 do Sport Lisboa e Benfica, havia o Sporting Clube Elvense, filial do Sporting Clube de Portugal, havia o Clube de Futebol «Os Elvenses», filial do Belenenses.
O Sport Lisboa e Elvas ganhou destaque ao conseguir ascender em 1946, à I Divisão. Patalino era a estrela da companhia, que contava com gente como Massano, Toninho, Morais, Aleixo ou Rosário, por exemplo.
Gente finíssima.
Esse dia 9 de Maio de 1948
No dia 13 de Janeiro de 1946, Patalino estava no Campo Grande para defrontar o Benfica.
Rezam as crónicas (não juro, porque não tenho elementos para isso) que foi o primeiro jogo oficial entre um clube e uma das suas filiais.
Vitórias, sobre a Oliveirense,Vitória de Guimarães e Boavista tinham feito recair o interesse sobre a equipa alentejana.
Por isso, o público não faltou.
Escrevia Ribeiro dos Reis, um dos grandes mestres: «O Sport Lisboa e Elvas tem um grupo curioso, que faz um futebol agradável de seguir e que representa condignamente a sua região. O sector do ataque, especialmente o trio central, deixou bom cartel. Movimentam-se todos bem, sabendo desmarcar-se e lutando com brio e entusiasmo. Mostraram-se decididos em frente da baliza, o que constitui virtude de grandes méritos. O seu segundo e último 'goal' foi um modelo de boa execução e mereceu plenamente os vibrantes aplausos do público».
O segundo «goal» foi de Alcobia; o primeiro de Patalino.
O Benfica marcou cinco: Rogério Pipi (2), José da Luz, Moreira e Aleixo na própria baliza. O encontro ficou, portanto, para a história.
E Patalino continuaria a marcar golos e golos.
Alguns ao Benfica.
No dia 9 de Maio de 1948, a três jornadas do fim do Campeonato, dá uma machadada decisiva na hipótese de o Benfica vir a ser campeão. Senhor de uma categoria rara nos avançados do seu tempo. Patalino faz desgraça no Campo Grande com dois golos em 30 minutos, fazendo da resposta de Rogério Pipi na segunda parte um mero acaso estatístico.
Nessa altura já Patalino jogava n'O Elvas - Clube Alentejano de Desportos, resultado da fusão entre Benfica e Sporting, ou seja, entre Sport Lisboa e Elvas e Sporting Clube Elvense, vindo a tomar o lugar do primeiro no Campeonato Nacional da I Divisão.
Patalino?, perguntarão os meus estimadíssimos leitores... Sim, Patalino de alcunha. O seu pai tinha fama de ser grande campeão do jogo da pata, um jogo tradicional disputado com dois paus, e daí Domingos Carrilho Demétrio, ter ido dar em Patalino.
Antes do Sport Lisboa e Elvas (e a seguir O Elvas), jogou n'Os Elvenses e no Lanifícios de Portalegre. Rápido, eficaz, com uma capacidade física impressionante, foi émulo de Peyroteo, embora à distância, e foi chamado à Selecção Nacional lado a lado com o mesmíssimo Peyroteo, com Rogério Pipi, Bentes, Jesus Correia, Araújo, Travassos e todos os grandes da sua geração.
Em 1947 recusa 150 mil pesetas e um ordenado de 2500 pesetas para jogar no Atlético de Madrid. «Para abandonar a minha querida terra só o faria pelo Benfica».
Nunca veio para Lisboa. E saiu de Elvas pouco tempo depois de O Elvas ter baixado de divisão. Não foi para longe. Assinou pelo Lusitano de Évora e voltou a jogar na I Divisão e a defrontar o Benfica.
Em 1956 estava no Serpa. Depois veio o Luso do Barreiro e o Arrentela onde ainda se cruzou com aquele que viria a ser por muitos anos dono da baliza do Benfica: José Henrique.
No Futebol, como no firmamento, as estrelas têm por hábito cruzar-se. E deixar atrás de si o rastro brilhante das lendas..."

Afonso de Melo, in O Benfica

Proeza que bateu de longe todos os prognósticos

"Nem os furúnculos, nem a chuva impediram José Maria Nicolau de vencer a X Porto-Lisboa num impressionante tempo recorde.

Em 1932, após cinco anos de interregno, foi retomada a Porto-Lisboa em ciclismo. Seria a primeira vez que José Maria Nicolau participaria nesta dura prova de 340 quilómetros percorridos de uma só vez entre o Porto e a capital.
Mas por azar, seis dias antes da prova, após um treino que fez no Porto, foi atacado por uma grande quantidade de furúnculos nos pés, a ponto de quase não poder andar. Convenceu-se de que se estava impossibilitado de participar - chorou lágrimas amargas! Ao sujeitar-se a um tratamento rigorosíssimo, melhorou. Porém, às vésperas da partida, por efeito do tratamento, o pé esquerdo a inchar desmedidamente a ponto de não conseguir calçar o sapato! Mas a estrela da sorte estava de seu lado, com tratamento o pé desinchou e pôde tornar o seu sonho realidade.
Partiram do Porto às 2h30 da madrugada de 17 de Julho. O tempo mudou e a chuva que começava a cair em pleno verão fustigou os corredores em quase todo o percurso. Porém, o entusiasmo pela prova era tal que isso não impediu que milhares de pessoas vibrassem com a passagem dos corredores. Desde a aldeia mais pequena até à cidade mais populosa não faltou público a saudar e a encorajar.
José Maria Nicolau impôs um andamento vigoroso à prova. Já perto de Lisboa, imprimiu à corrida o máximo de velocidade que lhe era possível. Era surpreendente a sua energia para quem já tinha feito 300 Km.
Apenas aguardado por volta das 16h, entrou na pista do Estádio do Lumiar pouco depois das 14h30. Ainda chegavam pessoas ao Estádio e muitas só chegaram depois! Fez sem esforço as seis voltas complementares sempre delirantemente aplaudido. Pela primeira vez venceu a Porto-Lisboa e conseguiu a proeza de baixar o tempo da prova em 2h 35m e 11s. No final, os colegas levaram-no aos ombros para mais uma volta à pista em apoteose de triunfo.
Poderá recordar esta e outras conquistas deste grande nome do ciclismo português na área 2. Ídolos de sempre do Museu Benfica - Cosme Damião."

Ana Filipe Simões, in O Benfica

Samaris...

Cristante...

Maxi...

terça-feira, 16 de junho de 2015

O anti-Jesus?

"O maior erro que Rui Vitória podia cometer na sua afirmação como treinador do Benfica seria surgir como o anti-Jesus, alguém que se pretendia afirmar renegando o modelo que foi consolidado nos últimos anos. Por muito que um treinador tenha uma ideia de jogo que deseja imprimir, esta não se pode traduzir numa ruptura radical. Principalmente quando pega numa equipa que vem de campanhas vitoriosas.
Num dos poucos momentos em que foi convidado a falar sobre futebol ontem, Rui Vitória disse isso mesmo. Entre perguntas sobre contratações, confiança, renovações e aposta em jovens, o novo treinador do Benfica lá conseguiu dizer alguma coisa sobre o que pretende fazer futebolisticamente. Na entrevista à Benfica TV sublinhou que não ia 'cortar com o passado', nem 'estragar nada', mas acrescentou uma ideia diferenciadora: 'Vamos trabalhar para ter solução para as diversas competições' e desenvolver 'alternativas tácticas', que tornem o Benfica 'mais versátil'.
Para bom entendedor, estas palavras bastam. Jorge Jesus tem muitas qualidades como treinador, mas o Benfica dos últimos anos tinha também uma debilidade, arriscaria dizer, estrutural. Era uma equipa com um sistema de jogo quase único, com pouca versatilidade táctica: ou apresentava um carrossel atacante estonteante ou sofria a bom sofrer para controlar as partidas. Não por acaso que, contra equipas do seu nível, o Benfica ficou aquém das suas possibilidades (na Champions, mas, também, nos jogos com os principais rivais).
Se Vitória conseguir manter-se fiel a um modelo de jogo de clube grande, atacante e de posse, mas for capaz de acrescentar uma versatilidade táctica que Jesus, de facto, nunca imprimiu, concretizará o que prometeu. Continuará o trabalho feito até aqui, mas juntará uma dimensão que faltou nos últimos anos. Versatilidade é a palavra-chave para continuar o percurso ganhador já iniciado."

Falamos pelo Natal

"Até Mano Menezes, antigo seleccionador do Brasil, em declarações à RTP Informação, estranhou a campanha desajustada, na forma e no tempo, que, num ápice, se generalizou acerca da mudança de Rui Vitória, de Guimarães para a Luz, como se não houvesse vida e clube além de Jesus e renegando-se a carreira relevante, apesar de curta, de quem foi escolhido para o substituir: levou o Paços de Ferreira à final da Taça da Liga e ao serviço do Vitória Sport Clube, em quadro complexo, chegou em duas ocasiões à Liga Europa e conquistou uma Taça de Portugal, feito único na história do emblema vimaranense, em 2013, a 26 de maio, ao vencer o Benfica, por 2-1, em jogo traumatizante para os benfiquistas e que só não determinou o despedimento de Jesus porque Vieira foi capaz de resistir à tentação de decidir por impulso, como deixou entender na cerimónia de apresentação do novo treinador dos encarnados.
Se Vieira tivesse optado pela não prorrogação contratual, como se esperava, muito provavelmente Jesus não passaria de um actor vulgar, daqueles que não conseguem agarrar as oportunidades, pois, à data, no quarto ano de contrato, só apresentava um Campeonato no currículo, precisamente na época de estreia, com uma equipazinha que tinha Aimar, Saviola, Di María, Ramires, David Luiz, Javi García e por aí fora. Na seguinte, ficou a 21 pontos do FC Porto, que festejou na Luz o título, e em 2012 e 2013 quem se divertiu foi Vítor Pereira, o adjunto de Villas Boas, que em dois anos foi por duas vezes campeão nacional: eficácia total.
Prudência, portanto, na avaliação de méritos porque o futebol é assim, imprevisível e... traiçoeiro. O Jesus actual pode valer o peso em ouro e terá sido por isso que Bruno de Carvalho apostou nele, mas há dois anos a sua cotação andava pelas ruas da amargura, motivo por que alguma comparação que se pretenda estabelecer, por uma questão de coerência, deva cingir-se ao ponto de partida e não propor medições de conveniência, em que se extrai de um dos lados o que dá jeito para embaciar a imagem do outro que, como se percebe, nada tem para contrapor...
Creio que a herança de Rui Vitória é muito menos pesada do que se apregoa. Como Luís Filipe Vieira destacou na sua intervenção ontem, findou um ciclo, que lhe mereceu palavras de agradecimento e inicia-se outro com o firme propósito de abraçar o futuro e de pôr todo o edifício futebolístico da águia a falar a uma só voz, tendo recordado que o Benfica alcançou conquistas importantes nos últimos tempos, mas uma há que se destaca de todas as outras, a da união...
Não vale a pena alimentar mais discussões no sentido de tentar adivinhar o que poderá reservar o próximo campeonato. Sugiro que se espere pelo Natal para mais rigoroso exame em função das classificações e por, nessa altura, ser possível avaliar a saúde dos clubes portugueses nas competições da UEFA.
Bruno de Carvalho é o que ficou com a encomenda mais difícil de desembrulhar. Porquê? Jesus, com o contrato milionário que o Sporting lhe ofereceu e as garantias de recebimento que deve ter acautelado, sente-se tranquilo por ser o primeiro ano em Alvalade (adaptação à casa nova) e por não aceitar que lhe exijam títulos sem jogadores com qualidade para tal; e sabe-se como ele é caprichoso nessa matéria. Se correr bem, os aplausos vão para o treinador; se correr mal, o problema passa a ser do presidente, com perigo de colapso da estrutura...
Pinto da Costa, por seu lado, carrega o estigma de fracassar há duas temporadas e pode pagar pela teimosia em manter Lopetegui no comando técnico do FC Porto. A verdade, porém, é que o treinador basco, mau feitio à parte, revelou personalidade e conhecimentos que justificam segunda apreciação.
Luís Filipe Vieira, dos três, é o mais despreocupado: o Benfica é campeão de futebol, domina no universo do desporto português (basquetebol, atletismo, futsal, hóquei em patins e voleibol; apenas lhe escapou o andebol) e, como referiu, «com estratégia, organização e competência, de certeza que os resultados aparecem». Por isso, Jesus é passado e Vitória é presente que vai ligar ao futuro..."

Fernando Guerra, in A Bola

Vitória com os pés no chão

"Tranquilo, confiante e obviamente bem-disposto. O primeiro retrato de Rui Vitória como treinador do Benfica acentuou os traços da sua personalidade e que o fizeram encarar o momento solene da apresentação com evidente naturalidade mas também com enorme sentido de responsabilidade. 'Se há coisa que não sou é tonto', afirmou, a dado passo, durante a conferência de imprensa, e se a frase foi dita num determinado contexto (no caso, respondendo a uma questão sobre as oportunidades a dar aos jovens) a verdade é que se aplica muito bem a Vitória.
Das respostas do treinador, ficam vários (e bons) 'sound bites', sendo incontornável aquele que abriu noticiários e perdurou nas primeiras páginas dos 'sites': 'Darei a vida por este clube.' Rui Vitória preparou-se uma carreira inteira para chegar à sua cadeira de sonho e, portanto, não está minimamente inseguro em relação ao desafio que tem pela frente. O desafio é enorme? É. Mas se o Benfica pode deixar Vitória nas nuvens, a verdade é que o treinador não tirou os pés do chão neste primeiro dia de águia ao peito.
Sem medo do passado e muito menos do futuro, Vitória assumiu a herança de Jesus com vontade de a enriquecer. Marcou, contudo, diferenças nalguns aspectos: não prometeu títulos; abriu a porta aos produtos da formação; admitiu um Benfica mais versátil do ponto de vista táctico e falou quase sempre na terceira pessoa do plural.
Objectivos também ficaram traçados: conquistar o tri e fazer melhor na Champions. Aí, a palavra dada por Vieira terá peso determinante. Tratando publicamente o treinador por tu, o líder encarnado garantiu que Vitória terá equipa competitiva. Virão por certo mais reforços."

Vitória & Vitória

"O Romário, o Romário que nasceu na miséria da favela do Jacarezinho e agora é senador, não é só a memória na relva daquele encanto que o Galeano pôs em poesia:
- Vindo sabe-se lá de que região do ar, o tigre aparecia, desferia o golpe com as garras abertas e esfumava-se e o guarda-redes, apanhado na sua jaula, não tinha nem tempo de pestanejar...
é também o frasista tão notável como o tigre que era - e que uma vez disse:
- Treinador bom é treinador que não atrapalha!
Porém, ainda melhor frasista é o Valdano - que contou que perguntando a um técnico esperto e experimentado o que é que os dirigentes querem quando contratam um treinador, recebeu dele, em resposta, fulminante e cínico:
- Querem que lhes mintam!
Não, nem todos os dirigentes (ou nem sempre...) querem que o treinador lhes minta, lhes dê só o sonho de acreditarem que o futuro pode ser o paraíso num castelo de ilusões. Luís Filipe Vieira não quis - e fez o que fez, sem ceder à tentação emocional dum impulso ao jeito de olho por olho, dente por dente o Marco Silva...
E fê-lo bem. Porque Rui Vitória não é só treinador bom por ser dos que não atrapalham, é treinador bom por não ser dos treinadores que são bons a atiçar delírios - é bom por outras coisas. Por juntar na mesma personalidade a inteligência, a esperteza, a criatividade e o destemor - e ter bons fígados e melhor carácter. Por viver interessado em aprender para além do que sabe - e saber que no futebol o pior cego é o que só vê a bola ou a táctica. Por não ser colérico e irritadiço - e não ter medo de riscos ou fantasmas. Por ser sensível a emoções e lealdades - mais do que a si próprio e a caprichos. Por não se perder na petulância de ter na cabeça um deus em nome próprio - e não se preocupar mais como seu ego do que com o resto. Por tudo isso é que no paradigma deste novo Benfica melhor do que ele era impossível e sendo o Vitória o treinador a vitória é de Vieira- cada vez mais à Pinto da Costa..."

António Simões, in A Bola

PS: Esta coluna termina com um suposto a Vieira!!! Comparando-o 'positivamente' com o Pintinho... Está gente não aprende, continua a confundir a xico-espertice do trafulha, com competência...!!!

Cultura de exigência

"É dos mais novos treinadores a ser campeão de futsal em Portugal. Joel Rocha, aos 33 anos, encheu de alegria milhares de benfiquistas com a conquista do título, fazendo uma abordagem diferente quando contextualiza as suas ideias sobre a modalidade em Portugal. A nova vaga de treinadores portugueses, a que se junta Nuno Dias, do Sporting, acrescenta um discurso interessante, bem sustentado, equilibrado e que soa bem ao ouvido.
A cultura de exigência não foi adquirida no Benfica. Quando o ano passado estava à frente do Fundão, levando o clube à conquista da Taça de Portugal, Joel Rocha encheu o coração dos jogadores da Beira Interior. 'Todos os jogos são do nosso campeonato', repetiu várias vezes o técnico. Frases que fizeram todo o sentido e que tiveram o efeito prático com a envolvência da equipa a ser um quebra-cabeças quando defrontava os chamados grandes.
Não demorou muito tempo a que o Benfica fizesse uma proposta tentadora. Sem qualquer tipo de receio, o desafio era muito maior que a zona de conforto. E para quem nunca foi um praticante de excelência, a paixão pelo treino e por todo o envolvimento das suas componentes pedagógicas falou mais alto. A experiência que teve como técnico de uma equipa feminina de futsal e o facto de ter sido professor de educação física numa escola referenciada numa zona bastante problemática em Lisboa terão ajudado a construir as paredes mestras como formador de jovens.
A cultura de exigência preconizada pelo Benfica - e que tem sido consolidada nos últimos anos - também tem possibilitado novas experiências para os seus responsáveis técnicos. Já lá vai o tempo em que os dirigentes aprovavam contratações avulsas, mas nessa altura não havia sequer o devido enquadramento técnico. Agora, as responsabilidades são outras e este conceito também se aplica tanto ao Sporting como ao FC Porto. O problema é saber chegar ao sucesso reduzindo a margem de erro. E para que isso seja uma realidade os clubes têm de falar a mesma linguagem nos mais diversos escalões. No fundo, quem tiver mais dinheiro está mais perto de ter sucesso, mas se o treinador não conseguir gerir os egos ao longo da temporada arrisca-se a não fazer parte da história."

A nova fronteira de Rui Vitória

"Rui Vitória foi, enfim, oficialmente apresentado como treinador do Benfica. Cerimónia curta e simples, embora digna, como seria aconselhável para um evento que não trazia impacto pela novidade. Importante assinalar o discurso responsável e pleno de maturidade do novo treinador. Satisfação sem euforias, optimismo sem promessas vãs, afirmação de uma linha de aproveitamento de jogadores jovens, mas sem fundamentalismos.
Não menos importante e interessante o discurso de Luís Filipe Vieira. Pelo lado quase intimista que procurou usar, numa mensagem de «bom regresso a casa» a um treinador que já trabalhou nos escalões jovens do clube e, acima de tudo, pela dimensão elevada e pela dignidade como agradeceu a Jorge Jesus os méritos na ajuda ao crescimento dos últimos seis anos do Benfica.
Pode pois dizer-se que a apresentação de Rui Vitória foi injustificadamente tardia, mas teve a compensação de declarações inteligentes e bem ponderadas dos principais protagonistas. A partir de agora, Rui Vitória entrará numa nova e especial fase da sua prometedora carreira. Na geração dos jovens treinadores portugueses, Vitória será um dos que têm tido resultados de sucesso mais consistente, sem nunca ter mostrado qualquer ambição mediática. O Vitória de Guimarães, onde fez, de facto, um trabalho notável, trouxe-lhe um patamar de clube médio, mas exigente. Surge, agora, o Benfica e Rui Vitória sabe que isso significa que a fasquia sobe muito, sobretudo ao nível da pressão do dia a dia. É a fronteira que todos os grandes treinadores têm de saber passar."

Vítor Serpa, in A Bola

... ainda o Futsal !!!

A ESPN Brasil esteve em Lisboa para fazer umas reportagens sobre o Benfica e Sporting. Vejamos como são vistos Benfica e Sporting pelos olhos brasileiros.

Posted by Jarbas on Terça-feira, 16 de Junho de 2015

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Lealdade

A entrevista do Maxi Pereira publicada n'A Bola, hoje, tem provocado discussão. Primeiro porque deixou dúvidas sobre aquilo que o Maxi disse realmente, mas depois a meio da tarde, a Bola TV transmitiu a entrevista (via telefone creio...) na integra, e as dúvidas ficaram dissipadas.
Continuo confiante que a renovação vai ser assinada. Aliás o acordo de principio já existe desde da semana passada. Desconfio que o trafulha do empresário, tenha usado o Maxi (conscientemente, ou não...), para pressionar um pouco mais o Benfica...
Será sem dúvida o último 'grande' contrato do Maxi, e portanto é normal a vontade do jogador em obter as melhores condições possíveis. Logo pela manhã, interpretei estas palavras como uma tentativa de 'esticar a corda', tal como outros jogadores já o fizeram, e acabaram por renovar... E se no 'antigamente' estas coisas não aconteciam, era porque a legislação laboral desportiva, não permitia... porque senão alguns dos nossos ex-jogadores pré-anos 80, não tinham feito as suas carreiras inteiras no Benfica...

Dito isto, e respeitando o direito legal do jogador em procurar o melhor para si, e para a sua família, existe um argumento que discordo:
O negócio do Futebol, baseia-se na militância dos adeptos. Quem paga os ordenados aos jogadores, não são as TV's nem os proporcionadores; quem paga os ordenados são os sócios e os adeptos, que tornam proveitoso para as televisões e para os patrocinadores investirem no Futebol. Sem os adeptos, o negócio do Futebol não existe. Portanto existem deveres e obrigações que os funcionários dos Clubes devem ter, que vão muito além dos 90 minutos...

No caso do Maxi, tenho que reconhecer que nos 8 anos que veste o Manto Sagrado, o seu comportamento dentro e fora do campo tem sido exemplar. Tendo em várias ocasiões se sacrificado em nome do Clube, quando nada o obrigava...

Agora, o respeito por aqueles que lhe proporcionam uma vida de sonho (sim, ser jogador profissional num Clube como o Benfica, é um enorme privilégio), não termina quando o contrato acaba. A ligação sentimental que os jogadores (e técnicos) acabam por potenciar com os adeptos, não termina no dia em que eles deixam o Clube. Tal como nós adeptos, hoje, continuamos a a glorificar as nossas Glórias do passado, apesar dos contratos de trabalho já terem expirado há muito tempo... Os ex-jogadores, não fazem favor nenhum, se quando deixarem o Clube (sócios e adeptos incluídos, como é óbvio...), que sempre os tratou bem, continuarem a respeitar todos aqueles que os aplaudiram, os adoraram como Deuses, choraram, gritaram e comemoram com eles... Chama-se a isto, cuidar da Herança. Não é fácil contabilizar financeiramente o valor da Herança que cada jogador (ou técnico) pode deixar dentro de um Clube, mas nem é muito importante. Quem gere as carreiras dos atletas devia-se preocupar com estes pormenores, pois como em muitas outras actividades, o curto prazo, nem sempre é o mais vantajoso... Ter uma visão a longo prazo, não pode ser penalizador...
Esse contrato sentimental, tem várias vertentes, mas a mais óbvia, é um compromisso de lealdade, e isso impede as transferências para os rivais. Especialmente quando são feitas de forma directa. Ainda por cima quando o jogador tem outras ofertas idênticas de outros Clubes (ou pior ainda, do próprio Clube!!!), e portanto a tal necessidade financeira, não é um factor... Trocar, o eterno respeito de uma massa de leais seguidores, por uns trocos (a curto prazo), é absurdo. Se o Clube lhe tivesse faltado ao respeito, se os adeptos tivessem dado azo a algum sentimento de vingança ou algo parecido, ainda se poderá compreender... mas sem nenhum incidente grave pelo meio, este tipo de comportamentos é inaceitável.

Repito, acredito que o Maxi vai renovar. Acredito que estas palavras foram consequência da 'estratégia' do empresário (que ainda a semana passada, aceitou as condições do Benfica), apesar do Maxi ser maior e vacinado, e portanto já ter idade, para não ser manipulado...

Agulha ajeitada

"O Benfica não está para brincadeiras na corrida ao 'tri'. Jesus motiva ainda mais
As aparências são, muitas vezes, inimigas da percepção. Olhe-se para o que se passa no Benfica: ao trocar de treinador, fechando um ciclo de seis anos de trabalho com Jorge Jesus, e ao proclamar a abertura do aproveitamento do que de melhor tem sido capaz de produzir na formação, mudou realmente a agulha no futebol profissional ou ajeitou-a? Sou pela segunda concepção. Contem-se as histórias que se contarem, os encarnados alteraram o principal rosto técnico porque quiseram. E a maior prova disso é a forma convicta e firme como o presidente resistiu à onda de histerismo em seu redor para que desistisse de Rui Vitória e chamasse Marco Silva, acabado de despedir no Sporting, numa decisão legítima, mas mal conduzida. Marcando os seus tempos, Luís Filipe Vieira segurou o treinador que há muito tinha escolhido para guiar um plantel com padrão de qualidade diferente do das últimas épocas, mas que não terá de ser necessariamente menos competitivo ou ambicioso. Nas entradas, para garantir qualidade (acabada ou por aperfeiçoar) e reduzir custos, o truque é acreditar na labuta silenciosa dos olheiros, escolher bem e atacar pela certa. As contratações de Taarabt e Carcela são uma singela amostra de que o Benfica, no plano das intenções, não está para brincadeiras na corrida ao tricampeonato, ao contrário do que se possa imaginar. A reconversão faz-se também com frieza e lábia negocial na hora de facturar a sério com a venda ou câmbio de peças, mas, mesmo que ninguém o admita, a passagem de Jesus para o banco do rival é uma motivação para se fazer mais e melhor - desde a preparação até aos resultados na Liga dos Campeões. Coincidência ou não, Carcela vê nos "quartos" o objectivo na prova milionária..."