Últimas indefectivações

quinta-feira, 28 de maio de 2026

A Verdade do Tadeia - O Mundial vai ao Bar #4 - Um mundo em mudança

A Verdade do Tadeia - O Mundial vai ao Bar #3 - Do Mundial à Liga

A Verdade do Tadeia - O Mundial vai ao Bar #2 - A batalha do Rio da Prata

Pep Guardiola, o homem que mudou o jogo


"Há treinadores que conquistam troféus. Há treinadores que deixam um legado eterno. E depois há Pep Guardiola, uma figura rara que conseguiu fazer as duas coisas ao mesmo tempo com um futebol de encantar.
Quando um dia se fizer a história do futebol do século XXI, os números ocuparão inevitavelmente algumas páginas. 42 troféus em 18 temporadas como treinador principal são uma marca impressionante. Mas reduzir Guardiola aos títulos seria como tentar explicar uma sinfonia apenas contando as notas. Os troféus contam o que venceu. O futebol que criou explica o porquê de ser lembrado para sempre. Guardiola não mudou apenas equipas. Mudou a forma como o jogo é pensado.
Quando assumiu o Barcelona em 2008, herdou um clube que procurava reencontrar-se. O que construiu foi muito mais do que uma equipa vencedora. Foi uma ideia. Uma filosofia. Um modelo de futebol baseado na posse de bola, na ocupação inteligente dos espaços, na pressão alta após a perda da bola e na convicção de que a “redondinha” deveria ser uma ferramenta de criação e não apenas um objeto de disputa.
O seu Barcelona tornou-se uma obra-prima coletiva. Com jogadores extraordinários como Lionel Messi, Xavi Hernández, Andrés Iniesta, Sergio Busquets, entre outros, Guardiola criou uma equipa que parecia jogar alguns segundos à frente das restantes. Não era apenas eficaz, era bela. Muito bela. E num desporto onde tantas vezes o resultado apaga a memória da forma, aquela equipa conseguiu unir as duas coisas.
O impacto ultrapassou rapidamente as fronteiras da Catalunha. A seleção espanhola que dominou o futebol internacional entre 2008 e 2012 encontrou no trabalho desenvolvido por Guardiola uma das suas maiores inspirações. O título europeu em 2008, o Mundial de 2010 e o Euro 2012 foram conquistados por uma geração extraordinária de jogadores, mas também por uma ideia de jogo que tinha raízes profundas naquilo que se via semanalmente em Camp Nou.
Mais tarde, Guardiola levaria os seus princípios para outros palcos. No Bayern de Munique continuou a desafiar convenções, reinventando posições, criando novas dinâmicas e provando que o sucesso não precisava de ser inimigo da inovação. Mas foi em Inglaterra, no Manchester City, que voltou a transformar o impossível em rotina.
A Premier League era frequentemente descrita como um campeonato incompatível com o futebol de controlo absoluto que Guardiola defendia. Demasiado física. Demasiado intensa. Demasiado imprevisível.
Ano após ano, o City tornou-se a expressão mais refinada das suas ideias. Laterais transformaram-se em médios. Médios transformam-se em laterais. Centrais passaram a construir como criativos. A pressão tornou-se uma arte. A posse de bola deixou de ser estatística para se tornar domínio emocional do jogo. E então chegou o tão desejado “Treble”.
A conquista da Premier League, da Taça de Inglaterra e da Liga dos Campeões na mesma temporada não representou apenas o auge competitivo do Manchester City. Foi a confirmação definitiva de que a visão de Guardiola podia triunfar em qualquer contexto, contra qualquer adversário e em qualquer país.
Mas os grandes legados não se medem apenas pelas vitórias. Medem-se pela influência.
Hoje, em praticamente todos os campeonatos do mundo, é possível encontrar equipas, treinadores e academias que carregam traços do pensamento de Guardiola. Alguns imitam-no. Outros adaptam-no. Muitos tentam contrariá-lo. Todos, de alguma forma, tiveram de reagir à sua presença. Porque Pep não mudou apenas a maneira de atacar ou defender. Mudou, sim, a linguagem do futebol.
Na sua despedida do Manchester City, as palavras da filha, Maria Guardiola, emocionaram muitos adeptos. Não porque falassem dos troféus, dos recordes ou das noites europeias. Mas porque lembravam algo mais importante. Por trás do treinador revolucionário existe um homem. Um pai. Uma pessoa que dedicou a vida a perseguir uma ideia de excelência no futebol. Uma família que deu a volta ao mundo em troca de um lugar privilegiado na história do desporto-rei.
E talvez seja essa a imagem que ficará quando o tempo passar. Não apenas a do treinador que ganhou tudo. Mas a do sonhador que acreditou que o futebol podia ser jogado de forma diferente.
Os troféus ficarão nos museus. Os recordes serão ultrapassados. As estatísticas acabarão por perder relevância. Mas as ideias sobrevivem. E poucas ideias marcaram tão profundamente o futebol moderno como as de Pep Guardiola. Por isso, quando se fala da sua despedida, talvez a melhor homenagem não esteja nos números. Mas sim na herança.
Porque vários treinadores vencem campeonatos. Pep Guardiola mudou o jogo."

Torreense, setenta anos debaixo de terra


"Há quem esteja convencido de que o Torreense surgiu no Domingo passado. Mas não. Esteve ali o tempo todo. Não enterrado: semeado. Plantado na terra. À espera. Até que, como uma dessas velhas árvores que um dia acordam, começou a mexer-se

Há quem tenha ficado surpreendido com o que o Torreense fez no Domingo passado. “Inédito”, “incrível”, “inesperado”, etc., etc. Mas permitam-me: só se surpreendeu quem anda há demasiado tempo distraído. Se até Napoleão se vergou em Torres Vedras, qual é exactamente o espanto com a queda do Sporting? A conquista da Taça foi, tão-somente, o reerguer de um clube que esteve setenta anos à espera, com uma Taça atravessada na garganta.
Uma surpresa vem do nada. O Torreense vem da terra. Já sei no que estão a pensar. Mas não têm razão. Não se trata aqui de mais uma apologia sentimental do “clube da terra”; é antes a descrição literal de um clube feito dos pequenos montes, das encostas suaves e dos terrenos fertilíssimos da região saloia, como li algures sobre Torres Vedras.
Para compreender isto é preciso recuar ao princípio, ou quase. O princípio, neste caso, não é uma fotografia de onze bigodes. É o chão. O Estádio Manuel Marques foi erguido num antigo campo de semeadura. Sabiam? Eu também não. Mas sabia Luís Manuel Santana, o sócio número um, que o disse numa entrevista dada, em tempos, ao jornal do clube. O campo do Torreense, antes de ser para a bola, era para semear. Este texto podia acabar aqui.
O Torreense nasceu no lugar onde as coisas nascem. É possível imaginar melhor certidão de nascimento? A metáfora vem pronta a usar. Basta respeitá-la. O Torreense tem dinheiro novo, claro. Ninguém chega à final da Taça e às portas da Primeira Divisão alimentado a saudade e a bifanas. Mas há dinheiro que se injecta e há dinheiro que irriga. Num clube assim, o dinheiro não poderia cair do céu; teria de subir do solo. Depois da aventura chinesa (há sempre uma aventura chinesa), o Torreense voltou a crescer com a ajuda do ecossistema empresarial local. Nuno José Feliciano de Carvalho, ligado à Agriloja, vem daí.
Até as cores concorrem. Hoje diz-se “azul-grená”. Como hoje se diz “Oeste”. Mas a região saloia fazia parte da Estremadura. E nos estatutos de 1950 estava escrito: “camisa vermelha, calções em azul-vivo e meias pretas com canhão vermelho.” Uma equipa que vem do lugar de onde os franceses bateram em retirada, vestida com as cores da libré da Casa de Bragança, que foram também as das tropas portuguesas e do partido legitimista? De D. Miguel? Desculpem, mas isto não se interpreta com prudência.
Depois de ter perdido a final de 1956 contra o FC Porto do azul-e-branco liberal, com um penálti roubado, podia uma equipa que regressa ao Jamor para pedir contas à história vestir outra coisa? Tinha de ser azul-grená.
Até ganhar ao Sporting vem daí. De um lugar longínquo. A primeira taça contra o Sporting foi contra a versão torreense do Sporting: uma taça de cristal, assente numa peanha de madeira. Em 1955/56, o Torreense foi a Alvalade vencer contra o Sporting a sério. E em 1991/92, na última época da equipa de Torres Vedras na Primeira Divisão, os de Lisboa vingar-se-iam com um golo de Luís Figo — o primeiro do futuro Bola de Ouro na Primeira Divisão — e outro de Cadete. O Sporting de Lisboa acabou por funcionar como a possibilidade nacional da rivalidade de província. O leão do Lumiar foi, para o Torreense, o testa-de-ferro do leão saloio.
E, por esta ordem de ideias, à falta de Benfica, o Torreense fez as vezes do Glorioso contra o Sporting. Como quando, no final dos anos 90, o Torreense eliminou o Porto da Taça, em plenas Antas. Lembram-se disso? Um jovem benfiquista perdedor, como o cronista que vos escreve, sentiu-se justificado. Foi uma loucura. O Porto fazia do futebol português a sua sala de estar. Havia cães de loiça e cheiro a bafio. Era o Porto do Penta, treinado por Fernando Santos. O mesmo que uns anos antes, ao serviço do Estoril, levara oito a um do Torreense. Oito. A um. Convém repetir para fixar.
Sem saber muito bem como, fui dar com um trabalho de escola sobre o Torreense, feito em 1998. Assinam “Viviana” e “Sandra”. Nas páginas finais, ao dar com aquela parte normalmente reservada a agradecimentos e apoios, vi ali uma espécie de Lei Fundamental do Reino: os Presidentes de Junta e os Vereadores, o Sr. João Camilo e o Sr. Manuel Candeias do jornal “Badaladas”, os professores, o Nelson e o Edgar, glórias do clube, “todos os amigos e turma de desporto”, e, claro, as empresas agrícolas da região.
Antes de tudo, o Torreense pertence ao chão. Ao solo. Em 1992, na celebração dos 75 anos do clube, houve Missa na Igreja de São Pedro e, depois, romagem ao túmulo de Luís Manuel Santana, o tal sócio número um. Romagem à raiz, melhor dito. Tudo o que interessa ser dito sobre o Torreense (e sobre futebol) disse-nos este homem, numa frase que vale por uma lápide e uma tarja para os Ultras levarem para todo o lado: “Aos desafios em Torres assisto sempre, até mesmo quando resolvo deixar-me disso.” A isto chama-se pertencer. Perdão: a isto chama-se estar plantado.
Há quem esteja convencido de que o Torreense surgiu no Domingo passado. Mas não. Esteve ali o tempo todo. Não enterrado: semeado. Plantado na terra. À espera. Até que, como uma dessas velhas árvores que um dia acordam, começou a mexer-se."

Nem com muito dinheiro se quer Inglaterra: o fator vida que pesou mais que os milhões na saída de Bernardo Silva


"O dinheiro compra muita coisa no futebol moderno, resulta em títulos, infraestruturas e os melhores plantéis do planeta, mas continua sem conseguir comprar o sol, a proximidade da família e a leveza do estilo de vida mediterrânico. A saída oficial de Bernardo Silva do Manchester City, consumada este fim de semana, é o reflexo perfeito de que, para as grandes estrelas do futebol, os contratos milionários da Premier League já não bastam quando a balança pessoal exige outra qualidade de vida.
Aos 31 anos, o internacional português despediu-se em lágrimas do Etihad Stadium após nove épocas de uma hegemonia incontestável sob o comando de Pep Guardiola. Contudo, o adeus não foi motivado por divergências financeiras ou falta de espaço na equipa. Bernardo saiu porque, simplesmente, cansou-se de Inglaterra.

O peso do quotidiano britânico
Não é segredo para ninguém que a adaptação ao clima cinzento e à cultura do norte de Inglaterra sempre foi um desafio para o jogador e para a sua família. Em declarações recentes, o camisola 20 assumiu que o fator cultural e o quotidiano pesaram de forma decisiva na sua escolha.
Para quem cresceu à beira-mar em Lisboa e viveu no Mónaco, a rotina de Manchester, marcada por invernos rigorosos e dias curtos, fora o que não foi dito, tornou-se um preço demasiado alto a pagar, independentemente do salário astronómico que o City estivesse disposto a oferecer para renovar o vínculo que termina a 30 de junho. Bernardo optou por cumprir o contrato até ao fim precisamente para ter o destino nas suas próprias mãos, rejeitando a opulência britânica em busca de um quotidiano mais quente e familiar na Península Ibérica.

A última oportunidade de mudar
"É a minha última oportunidade de ter um desafio e algo diferente", confessou o atleta à imprensa, revelando que esta decisão já estava tomada na sua cabeça há dois anos. Mais do que fugir da chuva de Manchester, Bernardo Silva procura novas motivações desportivas numa liga que se enquadre melhor no seu estilo de vida ideal.
Com o Atlético de Madrid na linha da frente para garantir os seus serviços a custo zero, o destino do craque português parece firmemente traçado em direção à capital espanhola. Em Madrid, Bernardo encontrará a competitividade ao mais alto nível europeu que tanto exige, mas com o bónus de viver num país com raízes, clima e gastronomia muito mais próximos do seu Portugal natal. No braço de ferro entre os milhões da liga mais poderosa do mundo e o bem-estar pessoal, Bernardo Silva provou que há coisas que o dinheiro de Abu Dhabi não consegue comprar. A Premier League perde uma das suas maiores lendas para o "modo de vida" do sul da Europa.
Esta decisão de Bernardo Silva espelha um fenómeno psicológico contemporâneo em que o sucesso financeiro e o estatuto profissional já não anulam o desgaste de um quotidiano cinzento e culturalmente distante, algo que ganha ainda mais força num mundo globalizado onde a saúde mental e o bem-estar pessoal foram redefinidos como o verdadeiro luxo. Curiosamente, este movimento do craque português faz o caminho inverso, mas partilha exatamente dos mesmos motivos, de uma tendência migratória crescente: a de cidadãos britânicos que optam por deixar o Reino Unido e escolher Portugal como refúgio de vida. Procurando escapar ao stresse urbano, ao clima rigoroso e ao custo de vida sufocante das cidades inglesas, estes imigrantes procuram em solo luso a segurança, o ritmo desacelerado, o sol e a hospitalidade que a riqueza material da Premier League ou o dinamismo financeiro de Londres simplesmente não conseguem oferecer, provando que a verdadeira qualidade de vida se mede pela harmonia entre o corpo, a mente e o ambiente que nos rodeia."

Jordânia: Amer Shafi, o guarda-redes irascível que marcou de baliza a baliza


"Em 2011 agrediu um árbitro e ficou um ano sem jogar. Sete anos depois marcou um daqueles golos impossíveis, de ponta a outra do campo. As emoções, assume, por vezes apoderaram-se de si em demasia. Amer Shafi está nas listas dos melhores guarda-redes de sempre da Ásia, mas faltou-lhe levar a sua seleção ao Mundial - a nova geração fê-lo agora. Olhando para os dados de Amer Shafi na seleção nacional da Jordânia, há um incomum pormenor. A seguir ao 171, já de si um impressionante número de internacionalizações pela seleção asiática, que neste 2026 fará a estreia em Mundiais, surge um “1”. De golos.
É incomum ver ali um “1” porque Shafi foi guarda-redes e os guarda-redes, salvo raras exceções, não costumam marcar golos. Shafi não era bom a marcar livres e penáltis, como Chilavert ou Rogério Ceni, nem foi à área em horas extraordinárias tentar um golo salvador para a sua equipa, como Trubin, por exemplo, esta temporada na Liga dos Campeões frente ao Real Madrid.
O golo de Shafi aconteceu aos 25 minutos de um encontro de preparação frente à Índia, em 2018. Shafi viu o guardião rival ligeiramente adiantado lá do outro lado do campo e aqui vai disto: o chuto bateu à entrada da área e o ressalto transformou-se num chapéu perfeito a um desamparado Gurpreet Singh Sandhu.
Não se vê todos os dias um golo de baliza a baliza, convenhamos.
O número 1, diga-se, é ubíquo na carreira de Amer Shafi: não só foi com ele nas costas que se tornou no mais internacional de sempre pela Jordânia, como foi o número de anos que esteve suspenso, 12 meses inteirinhos, depois de agredir um árbitro em pleno jogo da liga jordana, em 2011. Talvez um perfil publicado em 2015 pelo Comité Olímpico da Jordânia tenha encontrado a definição perfeita de um homem feito das suas próprias contradições: “Às vezes sem rodeios, quase sempre controverso, mas sempre brilhante.” 
Nascido em Amã há 44 anos, Amer Shafi até começou como jogador de campo no Al-Yarmouk, antes de encontrar o seu pouso natural na baliza. Relativamente baixo para a posição (1,83m), cedo se destacou pelas defesas acrobáticas, cheias de reflexos e agilidade, com uma atitude e presença forte não só entre os postes mas também como líder na seleção e no Al-Wehdat, clube que representou durante onze temporadas.
Figura de proa da seleção durante quase duas décadas - a primeira internacionalização aconteceu em 2002 e o adeus em 2021 -, Shafi, conhecido por “A Baleia”, esteve na Taça da Ásia de 2004, 2011, 2015 e 2019 e não ficou longe de conseguir o que a nova geração jordana finalmente logrou em 2026: a qualificação para um inédito Mundial. Depois de uma memorável exibição frente ao Usbequistão - curiosamente, outro dos estreantes em 2026 -, a Jordânia ficou a apenas uma eliminatória do Mundial do Brasil 2014, perdendo com o Uruguai no derradeiro play-off.
Só o nascimento dos filhos, diria mais tarde, suplantou a alegria de estar tão perto de fazer história pelo seu país.

A Europa que nunca chegou
Respeitado e admirado na Ásia, frequentemente presente nas listas de melhores guarda-redes de sempre do seu continente, Shafi nunca teve, no entanto, oportunidade de jogar na Europa, pontuando períodos no Egito e Arábia Saudita com uma carreira que se fez quase exclusivamente no seu país.
“Houve interesse [da Europa] ao longo da minha carreira, mas nunca se materializou”, confessou em 2015, culpando a falta de “agentes profissionais” de futebolistas na Jordânia como fator decisivo para o deserto de propostas concretas.
Talvez o seu temperamento, que nem sempre lhe permitia manter a calma em campo, não tenha ajudado. Shafi era tão lesto a sair a bolas como a barafustar com árbitros. Até ao dia em que agrediu um. “Eu adoro este desporto e sou mesmo muito apaixonado por futebol, pela minha equipa e pelos meus colegas e isso às vezes leva a melhor sobre mim e mete-me em problemas quando eu sinto que há uma injustiça a acontecer”, sublinhou nesse perfil escrevinhado pelo Comité Olímpico jordano, onde se assumiu fã de Cristiano Ronaldo e Lionel Messi."

quarta-feira, 27 de maio de 2026

BolaTV: Fora de Jogo - 90+3 - S03E34 - Valdo

Novelas...

Entre a imoralidade e a 'chico-espertice'

30 dias


"Época terminada. Tempo para repousar, para reflectir... e daí talvez não.

"Obviamente que saio insatisfeito [com esta época]. O Benfica não sendo campeão, deixa-me sempre insatisfeito, como é natural, tal como acontece com todos os Benfiquistas. Uma palavra de apreço para todos os Benfiquistas que aqui estiveram hoje. (…) Isto é o Benfica, e, por isso mesmo, também por esta grandeza, a exigência do Benfica. Dentro dessa exigência, é natural que esta época tenha sido completamente negativa, porque não atingimos os objetivos que queríamos. (…) Finalizando, e como já disse, nesta semana farei o balanço da temporada e falarei aos sócios do Benfica."
— Rui Costa, presidente do SL Benfica, 17 de Maio de 2026

A época do futebol sénior do Benfica terminou a 16 de Maio, e vai recomeçar daqui a um mês. É que graças à vitória do Torreense na final da Taça de Portugal, o Benfica irá entrar na 2.ª pré-eliminatória da Liga Europa. Com 90.000 pontos de coeficiente UEFA acumulados, o Benfica é, provavelmente, a equipa com melhor ranking de sempre a participar nesta fase de qualificação da prova secundária da UEFA. Para entrar na fase de liga da competição, o Benfica terá de disputar 3 eliminatórias sendo que o primeiro jogo está agendado para 23 de Julho. Por outras palavras, os adeptos irão ver o Benfica em acção 4 dias após o Mundial FIFA. Para quem gosta de futebol, são óptimas notícias. Para quem gosta do Benfica, nem por isso. É que os benfiquistas estavam descontentes com a época que agora terminou, até saberem que afinal têm menos de um mês até começarem a ficar descontentes com a época que se avizinha.
A pré-época do Benfica começa com o Mundial em andamento. Mais precisamente, 2 dias depois do 2.º jogo de Portugal na competição (entre a 2ª-3ª jornada do Torneio). O clube tem 8 jogadores na competição, fora outros que também irão competir em amigáveis ou selecções mais jovens. Ou seja, o treinador não terá toda a equipa à sua disposição no recomeço dos trabalhadores, o que está longe de ser ideal. Mas os problemas não acabam aqui.
Para um treinador que conhece o plantel, este problema não seria tão impactante. O problema está em saber se o Benfica terá um treinador que conhece o plantel. Para isso seria importante definir rapidamente o treinador para a próxima temporada que, relembro, começa daqui a 30 dias. E é esta indefinição que prejudica o Benfica.
Saber quem é o treinador da próxima época é essencial. À falta disso, saber quem não será o treinador da próxima época também seria importante. Mas o futebol sénior masculino do Benfica vive neste limbo, onde o clube se vê refém da decisão do actual treinador em continuar ou não. E a decisão do actual treinador está associada ao resultado das eleições de outro clube. Ou seja, o Benfica está dependente de terceiros para saber como preparar a próxima temporada. E entretanto o tempo vai passando, e potenciais treinadores que o clube tenha em mente para assumirem as rédeas da equipa poderão tomar outros rumos, de outros clubes que já tenham definido o projecto que querem para 2026-27 e os contactem para esse propósito. E quem diz treinadores diz jogadores, visto que é normal, antes de se transferirem, de quererem saber se são uma escolha do novo treinador e que projecto há em mente. O processo de decisão está afastado das mãos do clube. Isto não augura nada de positivo.
Abordado pela RTP no rescaldo da final feminina da Taça de Portugal, o Presidente do Benfica disse que "até prova de contrário", o Benfica ainda tinha treinador. Em jeito de remate, disse igualmente que "em relação a tudo o resto" iria, "durante esta semana, falar aos sócios do Benfica para explicar a época e fazer o balanço". Isto aconteceu a 17 de Maio. Entretanto, não houve qualquer entrevista, não houve qualquer balanço. A justificação é óbvia: o Benfica ainda não sabe quem será o treinador da próxima temporada, porque tal como referido anteriormente, está dependente de outros. E quando não há capacidade de decisão nem controlo do processo em andamento, existe o risco de vir para a televisão fazer promessas que não vão ser cumpridas.
O Benfica acabou uma época onde ficou aquém das expectativas, no 3.º lugar e atrás dos nossos maiores rivais. É o próprio presidente do clube que classifica esta época como "completamente negativa". Eu sou daqueles que acham que mais do que ganhar tudo, tem de haver mínimos olímpicos. E nem me considero tão exigente como alguns dos benfiquistas com quem privo (ou vou lendo por aí). Não exijo que o Benfica tenha sempre de lutar pela Champions. Apesar do coração sentir que sim, não exijo que o Benfica seja campeão todos os anos. Para mim, a cada época que acaba, o Benfica tem de estar em todas as fases de decisão até o mais tarde possível. E é imperativo que no decorrer da época (e não apenas no final), se faça uma análise profunda não só aos resultados, mas sobretudo ao projecto, ganhe-se ou não. É que uma análise implica que se está a pensar nos problemas, em vez de se estar a reagir aos problemas. É inadmissível, a este nível e com esta magnitude financeira, não haver um projecto, uma ideia que se possa defender.
As pessoas que estão à frente de um clube têm obrigação de saber mais de futebol que o comum dos adeptos. Os adeptos querem ganhar a curto prazo, e para muitos, ganhar é a prioridade, jogue-se bem ou não. Quem não ganha tem a cabeça a prémio. Mas quem está à frente do clube tem de pensar para além disso. Tem de mostrar preparação, prever em vez de reagir. Tem de saber controlar os momentos, ter capacidade (e coragem) para certas decisões difíceis. Não pode ceder a terceiros e abdicar do controlo dos acontecimentos. Tem de saber comunicar com os adeptos, fazer-lhes ver que apesar dos resultados, há uma ideia de fundo, um projecto em curso que assegure os benfiquistas que o futuro trará melhores dias. Por outras palavras, os adeptos querem poder acreditar que não se precisam de preocupar mesmo quando a época não corre como esperado. O Benfica tem 30 dias para tomar decisões difíceis e preparar uma nova época que tem obrigatoriamente de ser melhor do que esta. O que leva à seguinte pergunta: a actual direcção causa preocupação?"

O treinador português ainda está na moda?


"Principais técnicos lusos estão na iminência de mudar de ares mas, à exceção de Mourinho, nenhum deverá ser o escolhido para um grande clube do 'top' 5 europeu

Os jogadores são os principais ativos do mercado de transferências, mas as próximas semanas prometem muitas mudanças de treinadores, num daqueles alinhamentos cósmicos e com efeito de roda dentada, com entradas e saídas dependentes e interligadas.
Não é vulgar, por exemplo, termos um defeso com tantos técnicos portugueses de nomeada na iminência de mudar de ares - e alguns disputando os mesmo lugares. Partindo do pressuposto de que José Mourinho tem o futuro reservado (será o Real Madrid, mais semana menos semana) é curioso verificar que Jorge Jesus, Sérgio Conceição, Marco Silva ou Rúben Amorim estão em simultâneo no mercado, numa lista que pode estender-se eventualmente a Nuno Espírito Santo.
O que têm estes homens em comum? Todos passaram pelos três grandes de Portugal e à exceção do (ainda) líder do Fulham só um pode mesmo ser opção para o mercado de topo nacional. Os outros deverão manter-se pelo estrangeiro, mas dificilmente assumirão os principais clubes do Velho Continente, confirmando uma tendência recente: é difícil vermos um treinador português assumir o comando de um gigante de um dos cinco principais campeonatos europeus.
Mourinho será uma exceção e fruto de um contexto muito específico relacionado com a grande proximidade ao atual presidente dos blancos, Florentino Pérez, que busca desesperadamente alguém que ponha um balneário em ordem - é até redutor para Mourinho ser apontado ao lugar apenas e só pela personalidade e menos pelo que pode fazer do ponto de vista puramente técnico, tático e estratégico.
Recordando o que foi a temporada 2025/26, temos apenas os casos de Paulo Fonseca no Lyon (levou a equipa à pré-eliminatória da Champions e esteve muito tempo em zona de acesso direto numa luta em que o PSG não dá espaço à concorrência), Luís Castro que conseguiu o milagre de garantir o Levante na liga espanhola e o trio Marco Silva/Vítor Pereira/Nuno Espírito Santo na Premier League que andou entre o meio da tabela e o fundo (NES não evitou mesmo a descida do West Ham). E depois a experiência falhada de Amorim no Manchester United.
Começa a ser cada vez maior o fosso que separa a tão elogiada escola de treinadores portugueses, por exemplo, da espanhola - de longe, a melhor do mundo na atualidade. Porque o efeito-Mourinho de há 20 anos já passou: agora só abre a porta para ele."

Torreense: André Sabino e a ciência prática das decisões no futebol


"André Sabino, aos 34 anos, representa uma rara combinação entre juventude e maturidade decisional num contexto em que o futebol profissional tende a premiar a reação em detrimento da reflexão. A sua intervenção enquanto Diretor Desportivo do Torreense, observada na participação no programa Futebol Total do Canal 11 a 25 de maio de 2026, impressionou.
André Sabino revelou um perfil profundamente pragmático, orientado para objetivos claros de sucesso sustentado e assente num processo estruturado, sem nunca perder de vista a sensibilidade humana do atleta.
A forma como articula decisões não decorre de impulsos, mas de uma lógica interna coerente em que cada escolha parece servir um propósito maior. No futebol moderno, com a pressão do imediato frequentemente a distorcer prioridades, este tipo de clareza não é apenas uma competência. É um ativo estratégico.
O impacto deste perfil torna-se ainda mais evidente quando se observa o percurso recente do Torreense e a forma como a equipa se posicionou em jogos de alta exigência, incluindo a final da Taça de Portugal frente ao Sporting. Independentemente do resultado, há uma leitura estrutural que transcende o jogo: a construção de uma equipa que responde a uma ideia consistente de competitividade, sustentada por organização interna e pragmatismo coletivo.
Pelo que foi possível observar na sua participação no canal 11, o que distingue André Sabino não é apenas a capacidade de definir objetivos, mas a forma como os traduz em comportamento organizacional. A sua liderança não se impõe pelo ruído, mas pela direção. Não depende da instabilidade emocional do contexto, mas de uma matriz de decisão que privilegia continuidade, adaptação e foco.
Ressaltou também um outro elemento particularmente relevante no seu perfil: a gestão da relação humana dentro do rendimento. Num ambiente em que o atleta é frequentemente reduzido a métrica, a sua abordagem preserva a individualidade sem comprometer a exigência. Esse equilíbrio cria condições para que a performance não seja apenas episódica, mas sustentável.
O que se observa, em última análise, é uma arquitetura de liderança em que a estratégia, processo e pessoas não competem entre si. Complementam-se. E é precisamente essa integração que explica a evolução competitiva do projeto e a sua capacidade de se afirmar em cenários de elevada pressão.
O melhor exemplo desta lógica está na forma como, no programa do Canal 11, André Sabino sublinha a qualidade da equipa integrada que assegura a dimensão física dos atletas. Não é por acaso que a frescura física acontece nos momentos decisivos: ela resulta de uma construção cuidada, em que o detalhe operacional é tratado como parte essencial do desempenho global.
Num futebol cada vez mais acelerado, em que muitos decidem tarde e poucos decidem bem, a diferença está em quem consegue manter coerência quando tudo à volta pede exceção. André Sabino demonstra precisamente essa capacidade de permanência racional e intocável na linha do objetivo, mesmo quando o contexto exige algum improviso. O futuro não tem limites para um jovem como o André Sabino."

Zero: 5x4 - S06E36 - O adeus a uma lenda no meio das decisões

Zero: Mercado - Mourinho quer levar Aursnes do Benfica

BF: Mourinho e Marco Silva...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Surpresas e deceções nos principais campeonatos europeus

Observador: E o Campeão é... - O recorde da vergonha do SCP e o "Coelho" da alegria do SLB