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quarta-feira, 27 de maio de 2026
Os americanos e o Benfica
"No passado dia 23 de abril, a Entrepreneur Equity Partners assinou um acordo para a compra dos 16,38% da Benfica SAD detidos pelo Grupo Valouro e pelo seu acionista José António dos Santos, conhecido no universo benfiquista como o rei dos frangos.
Trata-se de um fundo de investimento norte-americano ligado ao desporto e ao entretenimento, com participação na gestão de arenas desportivas e espaços de espetáculo. Com esta operação, investidores americanos passam a deter mais de 21% da SAD encarnada, uma vez que a Lenore Sports Partners já havia adquirido 5,24% do capital em 2025.
Importa, porém, clarificar uma questão essencial: o Benfica clube continua a controlar a SAD. Detém cerca de 67% do capital e é o único titular das ações de categoria A, que conferem direitos especiais. As ações agora adquiridas pertencem à categoria B e não atribuem esses privilégios. Este é um ponto importante.
Os estatutos da SAD foram desenhados precisamente para garantir esse controlo. O clube tem direito de preferência na transmissão das ações, pode amortizar ações de categoria B em determinadas circunstâncias, dispõe de poder de veto nas decisões estruturantes e pode nomear um administrador com direitos reforçados no conselho de administração.
Em resumo: enquanto mantiver a maioria do capital e o controlo dos órgãos sociais, quem manda na SAD é o Benfica. Mas isso não significa que os novos acionistas sejam irrelevantes. Muito pelo contrário.
A SAD está cotada em bolsa, depende de financiamento externo e necessita de preservar credibilidade junto de investidores e credores. Quem investe cerca de 40 milhões de euros não o faz para assistir da bancada. Quer influência, informação e capacidade de participação nas grandes decisões estratégicas.
Aliás, basta olhar para os números: a cotação bolsista recente avaliava a SAD em cerca de 170 milhões de euros, mas esta operação implicou uma valorização próxima dos 250 milhões. Quem paga muito acima do valor de mercado acredita que o ativo vale bastante mais e, como é lógico, espera retorno.
É difícil imaginar que estes investidores estejam interessados apenas nas receitas televisivas ou nas mais-valias desportivas. O potencial do chamado Benfica District, os naming rights do estádio, a expansão internacional da marca ou até futuras operações relacionadas com jogadores deverão fazer parte da equação.
A entrada de acionistas com experiência no mercado desportivo mais sofisticado do mundo pode, aliás, representar uma oportunidade. Os americanos dominam como ninguém a indústria do entretenimento e do espetáculo desportivo. Podem trazer novas competências de gestão, inovação comercial, profissionalização e valorização da marca.
O problema é outro. José António dos Santos há muito dava sinais de querer vender a sua participação. Perante esse cenário, teria sido desejável que a Direção do Benfica tivesse antecipado o processo, procurado investidores alinhados com uma visão estratégica para o clube e conduzido a operação em vez de apenas reagir a ela.
No FC Porto, e também no atual Sporting, dificilmente uma situação destas teria acontecido desta forma. Mais uma vez, a liderança de Rui Costa parece correr atrás dos acontecimentos em vez de os controlar. Reage, adapta-se, tenta limitar danos, mas raramente define o jogo. E tem mais probabilidades de perder.
E no futebol, como na gestão, quem passa o tempo a correr atrás da bola dificilmente consegue controlar o jogo.
O Direito ao Golo desta semana vai para o Torreense. Extraordinária e merecida vitória na Taça de Portugal. Parabéns aos de Torres Vedras pela inédita conquista: um clube da segunda divisão ganhar a Taça não tem precedente! E também para Afonso Eulálio, o ciclista português liderou a Volta a Itália durante nove dias, e está agora no segundo lugar da classificação geral. Fantástico!"
Do princípio ao fim
"1. Terminou para o Benfica a temporada oficial de
2025/26, que começou tão bem, em pleno verão
algarvio, com a conquista da Supertaça na decisão
com o Sporting. O Benfica chegou a essa decisão
na qualidade de finalista vencido da anterior edição da Taça de Portugal, num jogo inesquecível
pelo volume de erros da arbitragem e da videoarbitragem, erros claríssimos que mancharam a
final e que adulteraram o resultado do jogo.
2. Sim, foi há um ano que isso aconteceu no Jamor.
Alimentou uma semana de conversa pública de
todos os participantes e, na semana seguinte, deixou de ser assunto. Consequências não houve.
Penalizações aos protagonistas de situações
inadmissíveis no relvado também não houve.
Suspensões ou afastamento dos protagonistas de
decisões inadmissíveis naquela assoalhada no
complexo daquilo a que se chama Cidade do Futebol também não houve.
3. Continuou tudo igual no futebol português.
E, quando continua tudo igual, é de esperar que os
resultados sejam os mesmos. O Benfica não vai
estar na final da Taça de Portugal de 2026 e
pedem-nos agora que torçamos pelo nosso rival
de sempre, no domingo, no Jamor, para evitarmos
o incómodo de começar a temporada de 2026/27
mais cedo por conta das pré-eliminatórias e do
playoff de acesso à Liga Europa. Pois, pois…
4. Voltemos ao início da conversa. A temporada de
2025/26 começou muito bem com a conquista da
Supertaça, mas o balanço só pode ser negativo
porque será sempre negativo o balanço quando,
numa época desportiva, a equipa principal de
futebol do Benfica apenas vence 1 dos 4 troféus
internos pelos quais tem de lutar em Portugal.
Foi o que aconteceu.
5. O Benfica chegou à antepenúltima jornada no
2.º lugar e perderia esse lugar com uma arbitragem e uma videoarbitragem que o Conselho de
Arbitragem da FPF viria a julgar como duplamente
“insatisfatórias”. Que uma coisa destas não sirva
de consolo a ninguém, por favor. Até porque, na
próxima temporada, haverá mais destes momentos. Haverá os que forem necessários.
6. Saiu a lista de convocados para o Mundial. Não é
um assunto que diga respeito diretamente ao
Benfica, mas não há como não comentar uma
explicação do selecionador Martínez sobre as
suas escolhas: “António Silva? Não é ele que sai,
mas sim o Tomás Araújo que entra.” Pensando
melhor, perante semelhante raciocínio… comentem os caros leitores.
7. Parabéns ao futebol feminino do nosso Clube.
As hexacampeãs nacionais arrastaram milhares
e milhares de adeptos até ao Jamor para as ver
conquistar a Taça de Portugal ao FC Porto. Foi
tudo à Benfica do princípio ao fim."
Leonor Pinhão, in O Benfica
Antes dos ídolos, houve Brito
"EM 1942, CARLOS BRITO
TORNOU-SE NO PRIMEIRO
MOÇAMBICANO A VESTIR
DE ÁGUIA AO PEITO
Ser o primeiro de uma terra distante a partir para um palco
maior é, ao mesmo tempo, um
ato de coragem e um fardo
silencioso. Não se leva apenas talento
na bagagem, leva-se a esperança de
muitos. Cada passe, cada golo, cada
erro deixa de ser apenas individual
para passar a representar um povo
inteiro. Se resulta, abre-se caminho. Se
falha, fecha-se uma porta que muitos
sonhavam atravessar. É o peso de uma
nação nos ombros de um só homem!
Em 1942, Carlos Brito chegou a Lisboa para desafiar o destino e vestir a
camisola do Benfica. Vinha de Lourenço Marques, onde representava o
Desportivo. Tal foi a honra de ter
atraído o interesse dos encarnados
que “o seu ‘custo’ terá sido o da passagem para Lisboa”.
A estreia não tardou: na 1.ª jornada da segunda volta do Campeonato
de Lisboa, frente ao Atlético. O avançado iniciou o encontro nervoso, querendo desfazer-se da bola rapidamente. Com o passar dos minutos,
ganhou confiança e, antes do intervalo,
apontou o segundo golo do Benfica. Os
encarnados acabaram por vencer por 5-2 e o
moçambicano mereceu elogios por parte da
imprensa: “É batalhador, não fugindo ao
embate com a defesa contrária. Eleva-se
muito bem, pulando com facilidade. Não
tem, contudo, características de avançado-centro.” Nos jogos seguintes, marcou a
todos os adversários distritais: CUF de Lisboa, Fósforos, Sporting e Belenenses.
Manteve o registo nos jogos de preparação
para o Campeonato Nacional, mas só foi
opção para a competição na 4.ª jornada, frente à CUF. Aproveitando a indisponibilidade de Julinho, apesar
da forte oposição do defesa
Lino, marcou o primeiro golo da
vitória benfiquista por 3-2.
Remetido depois para as reservas, apenas voltaria a atuar pela
equipa de honra em jogos oficiais na partida da segunda
volta, novamente frente à CUF.
Esses encontros foram suficientes para integrar a lista de campeões nacionais.
Nas três épocas seguintes,
atuou maioritariamente pelas
reservas, com aparições esporádicas ao serviço da equipa de
honra, que lhe valeram mais um
título em 1944/45. Na temporada
1946/47, ingressou no Futebol
Benfica, onde permaneceu durante três épocas, regressando
depois a Lourenço Marques.
Carlos Brito talvez não tenha
sido a estrela maior, mas foi a
faísca inicial. Foi ele quem mostrou que o talento africano podia
vestir de encarnado e vencer. Por
isso, “quando, na Luz, o público
se levanta para aplaudir o Costa
Pereira, o Coluna, o Eusébio,
algumas dessas palmas também
são devidas, por direito de conquista, a um homem que teve a
coragem” de vir jogar no Benfica.
Saiba mais sobre este e outros jogadores
do Benfica oriundos de Moçambique na
mostra temporária Etnografia do Golo –
O Património Cultural de Moçambique no
Futebol, patente no piso 2 do Museu Benfica
– Cosme Damião."
António Pinto, in O Benfica
A Taça é nossa
"Não, esta crónica não é sobre a
Taça de Portugal masculina da
época passada – que era nossa,
devia ser nossa, mas alguém
exterior ao campo de jogo en -
tendeu encaminhar para outros
destinatários. Também não é
sobre a Taça de Portugal masculina desta temporada, a cuja
final chega uma equipa que não
devia sequer ter passado dos
oitavos, mas a quem, 12 minutos de observação vesga, e uma
subsequente decisão estapafúrdia, ofereceram a eliminatória nos Açores. Não é, ainda,
sobre a Taça de Portugal masculina de há dois anos, em cuja
meia-final foi anulado um golo
limpo a Di María, o qual acabou
por nos impedir de disputar a
final. E cabe aqui um parêntesis
para sublinhar o quanto estas
evocações nos elucidam sobre
a subversão do palmarés futebolístico deste país.
Não. Esta crónica é sobre a
nossa brilhante equipa feminina, e a Taça conquistada no
Jamor, perante mais de 22 mil
pessoas, naquele que foi o primeiro clássico Benfica-FC
Porto da história do futebol
feminino. Dois golos de Caroline
Møller arrumaram a questão
ainda na primeira parte. Houve
algumas oportunidades desperdiçadas, mas o resultado
não se alterou. A Taça é nossa!
A dobradinha é nossa!
O futuro vai dar-nos, um dia, a
real medida e o alcance destas
conquistas. Agora, estiveram
presentes 22 mil pessoas. Não
tenho dúvidas de que, em
breve, estas equipas esgotarão
um estádio. Essa é uma tendência inelutável, que valorizará os
triunfos de quem a entendeu
antes de todos os outros. Desde
que a nossa equipa feminina foi
criada, com a pandemia pelo
meio, somamos já 17 troféus.
E é para continuar.
Do último fim-de-semana, não
podemos deixar de realçar
também a vitória do râguebi,
que, 25 anos depois, voltou a
sagrar-se campeão nacional.
E, não sendo propriamente
novidade, mais um campeonato
de polo aquático feminino – o
7.º consecutivo!"
Luís Fialho, in O Benfica
Crescer
"É isso que faz o projeto Para ti Se
não faltares!: vai ao encontro dos
jovens, desperta a sua atenção,
incentiva a sua ambição e esforço, e ajuda cada um deles a crescer dentro do seu ideal de vida.
Este projeto acontece na escola
porque, na verdade, a escola,
com todos os defeitos que muitos
teimam em apontar-lhe, continua
a ser a grande instituição que alimenta as sociedades com cidadãos que as compreendem, que
as fazem funcionar e que lhes
dão sentido na sua pertença e
identidade.
A escola oferece uma porta aberta
para o conhecimento, mas também se posiciona cada vez mais
como um complemento da família,
como um motor de desenvolvimento económico e um elevador
social. É disto que falamos quando
pronunciamos, de uma só vez, a
palavra escola. Não é coisa pouca,
é, na verdade, muito, e os países,
as sociedades, em particular a
portuguesa, devem à escola muito
do que são na atualidade, bem
como a preservação da sua
memória e projeção no futuro.
Infelizmente, a escola é massificada, porque tem de atingir as
massas, e não consegue chegar
da mesma maneira a todos, por
mais que tente, e tenta muito. Por
isso, é preciso aumentar a atratividade da escola, garantir que
toca todos da mesma maneira e
ajudar esta instituição fantástica a
fazer o que faz melhor: desenvolver o potencial de cada um de nós.
Mas também é preciso atuar do
lado dos jovens para que entendam a importância desta instituição e entendam o inestimável
valor que ela tem para cada um
destes jovens extraordinários.
Ora, é isso mesmo que faz a Fundação Benfica com o projeto Para
ti Se não faltares!: pega na bola,
junta-lhe o Benfica na sua totalidade, do futebol à mística, vai ao
encontro dos jovens e permanece
na sua escola, fala com as famílias, incentiva e premeia, ajuda-os
a levantar quando tropeçam, e a
voar sempre mais alto. É o Benfica a ser Benfica e a dar a Portugal
de volta um pouco do tanto que
Portugal lhe dá!"
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