Últimas indefectivações

domingo, 4 de janeiro de 2026

Mourinho agarra-se ao que pode


"Em momento muito complicado, a dez pontos do FC Porto e, esta manhã, a seis do Sporting, resta pouco mais ao treinador do Benfica do que tentar que os jogadores e os adeptos não desmoralizem

Cada um agarra-se ao que pode e José Mourinho assumiu que é à matemática que está agarrado, até porque, no que à luta pelo título nacional diz respeito, pouco mais lhe resta neste preciso momento da época, à luz dos dez pontos de distância a que se encontra do FC Porto — sabendo que pode hoje reduzir para sete e pôr pressão nos dragões que só amanhã jogam nos Açores com o Santa Clara — e dos seis de atraso para o Sporting — que pode diminuir para três e, pelo menos, apimentar a luta pelo segundo lugar, o único que, além do primeiro, dá acesso à UEFA Champions League da próxima época, no caso do vice-campeão, acesso às pré-eliminatórias.
Sabe Mourinho, perfeitamente, que a missão é muito, mesmo muito complicada (para não dizer impossível, porque, lá está, a matemática não o permite), mas nunca o mais titulado treinador português de sempre baixará os braços ou permitirá que o seu grupo de jogadores ou que os adeptos baixem os braços.
É por isso que nunca hesitará na hora de apelar à união e ao foco constante, independentemente do que, do lado de fora, digam. Para Mourinho, pouco importa que analistas e comentadores tenham já atirado o Benfica para fora da corrida pelo título de campeão. Ao invés, isso é gasolina para o técnico das águias e ele usa-a o melhor que pode e sabe. E, como sabemos, Mourinho sabe muito, sabe como poucos o poder que as palavras certas ditas no momento certo podem ter.
E a verdade é que a matemática dita que o Benfica ainda está na luta em todas as frentes. No campeonato, ainda tem 54 pontos por disputar; na Taça da Liga está na meia-final, que disputará já no próximo dia 7 com o SC Braga; na Taça de Portugal está nos quartos, defrontando o FC Porto, no Dragão, dia 14 de janeiro; e, na Champions, soma seis pontos (vitórias com Ajax e Nápoles) e tem seis em jogo para conseguir apurar-se para o play-off, sabendo o duro que serão os confrontos com Juventus, em Turim, dia 21, e Real Madrid, na Luz, a 28.
Há uns dias, eram os árbitros, veio entretanto a justificação para uma classificação longe do desejado na Liga na anormalidade do que o FC Porto tem feito (só dois pontos perdidos, até hoje, na primeira volta) e, agora, Mourinho agarra-se à matemática. Veremos se chega...
Entretanto, o Sporting saiu de Barcelos só com um ponto, após o empate (1-1) com o Gil Vicente, e pode ver, amanhã, o FC Porto disparar na liderança, alargando para sete pontos a diferença para os leões, caso saia vencedor do duelo com o Santa Clara."

Zero: Mercado - Benfica e FC Porto disputam avançado italiano

Terceiro Anel: Diário...

Observador: E o Campeão é... - Super pulmão de Trincão não chega para salvar o Sporting

Os Primos #2 - Conferência de Imprensa

O Benfica e o seu Património


"Passado
Os quase 122 anos do Sport Lisboa e Benfica ensinam-nos que este é sinónimo de desporto e vitórias, comunidade (associativismo assente numa determinada cultura) e património (material e imaterial). É esta transversalidade impactante que obriga os sócios do Benfica a serem exigentes. No Benfica, não chega ganhar. Há que ser superior, respeitando. Dominar e passar uma mensagem idiossincrática. Esta é a nossa maior herança. O legado imposto pela génese da nossa fundação e visão estratégica de dirigentes que, durante décadas, fizeram com que o Benfica alcançasse um estrondoso sucesso desportivo que acarretou a enorme implantação social.
Em termos infraestruturais, já fomos detentores de um vasto e rico património. Há um Benfica antes e pós-1954. A visão e mestria do 20.º presidente, Ferreira Bogalho, livrou-nos do cancro da dívida do Campo das Amoreiras (que hipotecou o clube desportivamente) e fez nascer o antigo Estádio da Luz pela vontade, suor e lágrimas dos nossos antepassados. Posteriormente, foi desenvolvido e exponenciado o seu complexo desportivo por sócios e Presidentes mecenas (Borges Coutinho, Jorge de Brito, entre outros). A aposta no desporto e na mentalidade vencedora eram essenciais. Já em 1985, o fecho do 3.º anel condicionou o sucesso desportivo dos anos seguintes, embora se reconheça a magnitude e valência da decisão.
A Luz de 1954 foi uma das maiores infraestruturas paradoxais criadas no desporto mundial: joia arquitetónica e inferno (para equipas e adeptos visitantes). Algo tão poderoso num país tão pequeno. Quando ativada, era força superior ao próprio país, tanta foi a vez que o representou melhor que os próprios governantes. Desfez-se em pó quando, eventualmente, podia ter sido respeitada, nutrida, atualizada e exponenciada. O Benfica perdeu poder com a sua extinção.
Em 1997, Vale e Azevedo começou a enfraquecer desportivamente o Benfica em plena Lisboa. O negócio Euroárea permutou o primeiro hectare da zona sul da Luz pelos terrenos do Campus do Seixal. Mais tarde (2001-2003) Vilarinho & Vieira aprofundaram a delapidação imobiliária desportiva à boleia do Euro-2004. Basta olhar para a marca do centro do antigo relvado da Luz no chão do atual parque de estacionamento da zona comercial. E ainda se permutou com a Câmara Municipal de Lisboa o terreno da pera (entre a Rua Prof. Reinaldo dos Santos e a Av. Lusíada) para viabilizar o licenciamento na construção de dois prédios (residencial e comercial) no relvado sintético em frente à zona comercial. Demos de borla um valioso terreno onde irá nascer o Pavilhão Desportivo da freguesia de São Domingos de Benfica.
Portanto, alienámos os alfobres que nos deram tantos títulos durante décadas para: terceiros construírem prédios (e receberem o lucro dos mesmos), erigir um estádio moderno mas que agora lembraram-se de expandir, dois pavilhões e uma piscina que nunca resolveram a logística das modalidades (daí arrendarmos espaços fora), estacionamentos interno e externo insuficientes e uma zona comercial sem brilho que é sustentada por dias de jogo, trabalhadores do universo Benfica, pais das crianças felizes no sintético, indefetíveis das modalidades entre outros que, simplesmente, fazem questão de lá ir sempre que podem.

Benfica District
Eis o resultado da análise às contribuições apresentadas pelos sócios e adeptos no Benfica District: mais de 26% questionaram o aumento do estádio, 12% desejam aumentar o estacionamento no estádio, 24% quer mais imagens do Clube, sócios e ícones no estádio e 18% anseia por melhores acessos ao estádio em dia de jogo e mais opções para famílias e crianças no seu interior. Resumindo: quase 80% dos interessados foca-se diretamente sobre o estádio, ou seja, futebol.
Assim, o Benfica District será um projeto válido e com valor acrescentado se tiver por base a seguinte premissa: criação de condições para que os atletas e sócios façam o Benfica conquistar títulos. Nos últimos 22 anos, desde a criação do atual estádio em 2003, o futebol ganhou 8 Ligas, 8 Taças da Liga, 6 Supertaças e 3 Taças de Portugal. Foi extinta a herança infraestrutural que tanto custou erigir e quebrámos a estabilidade do legado desportivo que nos foi transmitida. Estamos a falhar com a nossa própria história e em dívida para com o trabalho dos nossos antepassados. Não é para isto que vamos à Luz e enchemos os outros estádios.
Miguel Saraiva, um dos arquitetos responsáveis pelo projeto, referiu que precisamos de redefinir tudo à volta do Estádio pois «é importante para a cidade, para o Benfica, para uma cidade mais inclusiva, para a valorização patrimonial do clube e é um projeto de interesse público (...) que vem preencher um vazio urbano no lado norte do estádio». Respeito a opinião do profissional de excelência com uma nuance: o Benfica District deve ser um «projeto de interesse público» para os benfiquistas e para recolocar as equipas do Clube (modalidades) e da SAD (futebol) no topo.
Tudo o resto, vem por acréscimo. Parafraseando Ferreira Bogalho, anos antes de falecer: os sócios corresponderam generosamente para a construção da antiga Luz porque «sabiam que o Benfica tinha necessidade de uma coisa que não tinha». E o que é que o Benfica hoje não tem? Sucesso desportivo. Construa-se e modernize-se mas para voltarmos a ser hegemónicos nos relvados e pavilhões. O Benfica não se fez grande com Pritzker’s ou tornando Lisboa uma cidade mais inclusiva. Isto não é uma crítica. É factual. Os dirigentes e parceiros escolhidos para ativar o Benfica District devem respeitar a visão de quem nos trouxe até aqui e de quem está presente pelo Benfica. Tal como a Lei obriga a manter traços originais na remodelação em centros históricos urbanos.
Com a visão desportiva correta, o Project Finance do Benfica District é a chave de ouro. Será a Benfica Estádio a financiar-se ou a integrar um tipo de Joint Venture. É ela a proprietária do complexo desportivo da Luz e que o pode dar como garantia. Não parece que a FIFA vá ajudar pois no seu bid para o Mundial-2030 não há verba disponível para infraestruturas e há excesso de oferta de estádios. A FIFA vai querer negociar individualmente e tentar esmifrar ao máximo.
Finalmente, algo que deve chamar a atenção do Benfica: terrenos e edifícios da TAP no Aeroporto de Lisboa que ficarão fora da privatização da companhia. Avaliados em 200 milhões de euros e com elevado potencial imobiliário para o Estado vender. Pode ser uma oportunidade para a Cidade Benfica se o Estado descartar a alteração da afetação para habitação. Se possível, poderíamos reformular o atual projeto Benfica District para aumentar o Estádio (100.000 lugares?) e redefinir a sua envolvência. Ao mesmo tempo projetar-se-ia uma Cidade Benfica naquele local mais a norte do concelho.
Caso se aprove o District, cabe respeitar a democracia e contribuir para que seja um sucesso. Senão, trabalharemos em conjunto, sócios e Direção, para viabilizar todos os processos que conduzam o Glorioso ao sucesso desportivo, infraestrutural e social."

Central: Eusébio: O Rei

DAZN: Premier League - R19 - Golos

O Conde da Beira


"Chiquinho, o Conde da Beira, é, aos 60 anos, o elemento aglutinador da nação moçambicana para o futebol, para o sonho...

Em África, o futebol desperta paixões quase desmedidas, na exata medida do colorido das bancadas e do entusiasmo dos adeptos em cada fase final da CAN, ou de cada jogo de qualificação para o Mundial.
Este tipo de comportamento tem, evidentemente, um reverso diretamente proporcional: a crítica, os nervos à flor da pele, o imediatismo e a necessidade da justificação pelos resultados a ganharem à racionalidade, ao planeamento e à estruturação de projetos de médio e longo prazo.
E todos estes pressupostos têm ainda maior acuidade quando se fala de países que, a nível estrutural, necessitam ainda de passos profundos, quiçá complexos e, sobretudo, longos, para atingirem condições que verdadeiramente potenciem o futebol de alta competição em todas as suas áreas de desenvolvimento.
Moçambique é uma dessas terras maravilhosas, de gente comprometida, divertida e competente, mas a precisar de projetos de reorganização que abarquem as diversas vertentes do desporto-rei, da formação de jogadores à capacitação de técnicos e dirigentes, da construção de boas estruturas à projeção nacional e internacional das suas equipas e seleções. Aqui entram em equação dois fatores que podem, de facto, fazer a diferença: a vontade e o conhecimento do jogo. E entra um nome, incontornável na história futebolística e desportiva do país, e que deve ser engrandecido pela imensa capacidade de trabalho, pela experiência além-fronteiras enquanto jogador de muito bom nível, e pela resiliência na construção de um projeto que motive os mais jovens e orgulhe todos os moçambicanos: Chiquinho, o Conde da Beira, é, aos 60 anos de idade, o elemento aglutinador da nação para o futebol, para o sonho e para tudo o que o jogo pode transversalmente trazer a outras áreas sociais, muitas delas deficitárias e ainda em edificação num país do Índico que luta com imensas dificuldades orçamentais estruturais.
Uma boa parte da minha carreira, em Portugal, foi simultânea à de Chiquinho Conde, desde o final da década de 80 do século passado até ao início do século XXI. Bem me lembro da sua estonteante velocidade, do drible fácil, da pujança física que o distinguia de companheiros e oponentes. E do seu apego à causa e às casas que defendeu, do Belenenses ao Vitória de Setúbal, do Sporting de Braga ao Sporting, e da sua extensão internacional aos Estados Unidos da América e até a França, onde, já na parte final da sua carreira como futebolista profissional, representou o Créteil, clube muito querido de uma boa parte da imensa comunidade portuguesa da região da Île-de-France, que abarca Paris e os seus arredores.
O mais curioso da história desportiva do atual selecionador de Moçambique é, desde sempre, a sua visão e a sua crença num país melhor, mais uniforme, mais equilibrado e mais justo. Sempre teve esta ideia, sempre se posicionou contra malabarismos, interesseirismos, aproveitadores sistemáticos, bajuladores fáceis ou caçadores de outras honras que não fossem as diretamente emanentes da sua atividade desportiva de alta competição. Sempre uniu e sempre quis junto de si gente competente e de trabalho.
Não admiram algumas recentes quezílias, contestando mesmo responsáveis federativos, porque tudo o que Chiquinho sempre fez foi procurar melhorar as condições dos seus atletas e a sua capacidade para competir, verbo tão em voga na boca de muitos, mas tão pouco entendido na sua plenitude, e em tudo o que realmente implica, significa e requer.
Moçambique conseguiu, esta semana, a primeira vitória da sua História numa fase final da CAN, ao bater o Gabão, por 3-2. Foi, aliás, essa noite fantástica de Agadir que contribuiu decisivamente para a garantia de qualificação para os oitavos de final da grande montra africana do futebol de seleções. Os mambas que, até há bem pouco tempo, tinham de disputar os seus encontros como visitados fora de portas, uma vez que nenhum estádio do país estava certificado pela Confederação Africana de Futebol para as competições internacionais, mostraram ao país, ao continente e ao mundo que, com alguma organização, com foco, com disciplina de trabalho, com um grupo muito unido e, sobretudo, blindado a quaisquer influências exteriores, é possível, em determinados contextos competitivos, ter sucesso, mesmo que, evidentemente, a montanha chamada Nigéria pareça agora muito dificilmente transponível.
Mas há um nome que tudo une e que as move, às montanhas que se têm erguido no caminho dos mambas: Chiquinho Conde, o elo de ligação, a voz que se faz forte para corrigir, mas que afaga para consolar e para motivar. O conhecimento que vem de longe, de campos e balneários que lhe marcaram a vida desportiva e lhe moldaram o caráter, e que dele faz, agora, o maior nome da já conseguida vitória de Moçambique no panorama africano.
Porque é de um país, da sua idiossincrasia, das suas particularidades, do modo único de ultrapassar dificuldades que se trata. Hoje, todo o país vive a metáfora única da bola que une fronteiras e crenças.
E ele, o Conde da Beira, é o homem do leme, o comandante sereno, conhecedor e vencedor que, por entre marés fortes do Índico quente e místico, faz do futebol o encanto do povo, embaixador do país e bandeira para o Mundo.

Cartão branco
Não alinho muito em desejos de Ano Novo. Um bom amigo costuma dizer-me, a propósito da noite do réveillon, que «acaba um dia e começa outro». Só faz sentido pensar em 2026 se o relacionarmos com 2025, com os projetos que estão em andamento ou que foram pensados para colocar em prática. Nesse sentido, a vida portuguesa é um roller coaster, da política à economia, do desporto à educação, da saúde à cultura. Não alinho muito em desejos mas, se me é permitido o desabafo de janeiro, muito gostava eu que Portugal fosse um país mais equilibrado, mais inclusivo no respeito por todos e também pela matriz cultural que nos marca há séculos. Que houvesse uma aposta forte na cultura. País que olvida o setor cultural é país parado no tempo. Que a política fosse encarada como atividade de missão, e nunca como carreira ou profissão. Que os modelos educativos se aproximassem aos japoneses ou aos escandinavos, com menos carga e melhores condições. Que pudesse ir a um médico sem ter de levar saco-cama, e que pudesse viver todos os dias com um sorriso, para aproveitar o realmente muito pouco tempo que temos e em que estamos neste mundo. Sei que são já desejos a roçar a utopia. É, afinal, o que nos move. Sermos hoje melhores que ontem e conseguirmos honrar o dia inicial inteiro e limpo."

A germanização do Brasil


"O Brasil, dominado pela força de Flamengo e Palmeiras, duas forças, por estes dias, muito acima dos outros 10 grandes do país, teme perder uma das vantagens competitivas de que dispõe em comparação com as principais ligas da Europa: a imprevisibilidade.
Se em Inglaterra ainda há dúvidas no início de cada campeonato sobre quem vai levar o troféu da Premier League e em Itália, ultimamente, também vai havendo em relação ao scudetto, na Liga espanhola só muito de vez em quando o título escapa do duopólio Real Madrid e Barcelona, a quem vêm sendo comparados, por alguns observadores, o mengão e o verdão.
Porém, há quem sonhe com um Brasileirão em forma de monopólio — e não duopólio — decalcado dos modelos da Ligue 1 francesa ou da Bundesliga alemã, torneios de um contra todos em que o Paris Saint-Germain e o Bayern Munique são crónicos campeões — os gauleses 11 e os teutónicos 12 vezes nos últimos 13 anos. 
Esse clube é o Flamengo. O portal UOL chamou-lhe até «estratégia Bayern».
Com mais de dois mil milhões de reais [acima de 300 milhões de euros] de faturação em 2025, os cariocas deixaram os paulistas, com apenas 1,6 mil milhões [cerca de 250 milhões], à distância graças aos títulos e ao volume da torcida (o Fla tem a maior do Brasil, o alviverde a quarta).
De 2024 para 2025, aliás, o atual campeão da Taça dos Libertadores da América e do Brasileirão cresceu o equivalente a 120 milhões de euros, que é a faturação do São Paulo — ou seja, num ano ficou um São Paulo mais rico.
Como o domínio no cofre vai passar para o campo é a tal «estratégia Bayern». Se ainda não consegue desviar por ora atletas do verdão, pelo menos vai enfraquecendo os plantéis dos outros emblemas que incomodam na classificação.
Já contratou Vitão, referência defensiva do Internacional, dono de um dos melhores elencos do país apesar do 16.º lugar de 2025. E agora pressiona pela aquisição de Kaio Jorge, goleador do Brasileirão pelo cada vez mais ambicioso Cruzeiro, que por acaso fizera de tudo para ter Vitão mas não conseguiu.
Assim como os bávaros são uma espécie de, se não seleção alemã, pelo menos seleção da Bundesliga, o Flamengo, embora conte com nove internacionais canarinhos no grupo, também pretende ser uma espécie de seleção do Brasileirão com um onze de sonho no campo e outro onze de sonho no banco.
E no sub-continente sul-americano? Bom, aí o projeto do Fla, já o verbalizou o presidente Luiz Eduardo Baptista, é ser «um Real Madrid das Américas», tendo em conta que o gigante espanhol levou metade das últimas 12 Ligas dos Campeões e o colosso brasileiro vai em três Libertadores das últimas sete.
Espanholização, portanto, só no plano internacional. No nacional, o objetivo flamenguista é a germanização."

sábado, 3 de janeiro de 2026

Antevisão...

Terceiro Anel: React - Antevisão - Mourinho - Estoril

BI: Antevisão - Estoril

Terceiro Anel: Bola ao Centro #172 - Ano Novo, Vida Nova!!!

É impossível ignorar situações passadas


"COMPAREM LÁ BEM AS DECISÕES DOS ÁRBITROS NESTES DOIS LANCES!

1. No jogo que decidiu o título de 2017-18 o lance sobre o Zivkovic, já depois do minuto 90, foi desconsiderado pelo árbitro e, assim, o Benfica perdeu a oportunidade de empatar o jogo - Herrera tinha adiantado o Porto no marcador uns minutos antes. Empatando o jogo, ficávamos na frente do campeonato, e quem saísse daquele jogo na frente do campeonato dificilmente deixaria de ser campeão - e o Porto saiu na frente e foi campeão. Mas hoje em dia já ninguém se lembra deste lance e só se fala que o Vieira vendeu jogadores e com isso perdeu o penta.

2. No jogo de domingo passado, o árbitro resolveu anular um golo ao Benfica por alegada falta de Ríos. Ora o golo anulado a Dahl teria levado muito provavelmente o Benfica à vitória no jogo de Braga e, assim, manter-se-ia à mesma distância dos dois primeiros.

3. Quanto mais equilibrados são os jogos e/ou as competições, mais peso têm as decisões arbitrais nos jogos e/ou nas competições. É um facto indesmentível.

4. Não estão aqui em causa os nossos erros próprios, que existem, claro, mas que só nos penalizam a nós. Estão aqui em causa as diferenças de critérios dos árbitros que decidem jogos e/ou competições."

Janeiro já tem muito para decidir


"Novo ano não dá tempo para respirar. Benfica está encostado à parede e precisa de um mês perfeito para não sentenciar a época. Consistência de FC Porto e Sporting à prova até ao clássico

2025 já ficou para trás, muitos balanços foram feitos mas o calendário de janeiro está de tal forma sobrecarregado que nem sequer há tempo para fazer grandes reflexões. E, depois do polémico empate em Braga, que na Luz se garantiu ter-se tratado de uma vitória, o Benfica entra em 2026 entre a espada e a parede e José Mourinho e os jogadores terão pela frente um mês verdadeiramente infernal. Jogos com SC Braga e possivelmente Sporting na Taça da Liga já na próxima semana, deslocação ao Dragão para a Taça de Portugal e a Turim na Liga dos Campeões antecederão a receção de honra ao Real Madrid, no último jogo do mês.
Na Liga, Estoril (c) Rio Ave (f) e E. Amadora (c) aparentam ser jogos de menor grau de exigência, mas o passado recente dos encarnados no campeonato obriga a muitas cautelas, pois foi com Santa Clara, Casa Pia e Rio Ave, precisamente, que se registaram três inaceitáveis tropeções para quem quer lutar pelo título. Só aqui ficaram seis dos dez pontos de atraso e à águia de pouco valerá continuar a pressionar o botão da vitimização e das arbitragens, porque isso não tornará a equipa mais competente e algo terá de mudar para que a temporada não fique praticamente sentenciada no final do mês.
A distância para a liderança já é de dois dígitos e ainda nem a primeira volta acabou, a missão na Champions está muito difícil mas não impossível e as Taças serão, por isso, boias de salvação para que, como em épocas anteriores, os últimos meses não sirvam para sacudir as culpas do capote e prometer que em 2026/2027 tudo será diferente.
Se na Luz o ano começa com nuvens muito cinzentas, no Dragão e em Alvalade o mood é outro, pelo menos até ao clássico aprazado para o início de fevereiro, porque dragões e leões têm passeado em muitos dos jogos no campeonato e parece difícil que até lá existam escorregadelas. O Sporting de Rui Borges está bem e recomenda-se, inclusivamente na Champions, mas terá de correr atrás do cinco pontos para o tão desejado tri.
Quando jogou bem, o FC Porto ganhou, assim como ganhou quando jogou menos bem e até mal, e a consistência que Francesco Farioli conseguiu entregar à equipa é admirável e merecedora de que Villas-Boas o premeie com alguns presentes no mercado. É dessa regularidade que se fazem os campeões, porque nem sempre é possível mostrar futebol champanhe. Será interessante perceber que gestão fará o italiano quando a Liga Europa entrar nas fases a eliminar."

Que Benfica haverá depois de Mourinho?


"O que se passa na Luz era previsível, mas não aceitável. O naufrágio tinha sido anunciado. Agora, tenta-se jogar à bola no convés, ignorando que um porto seguro está cada vez mais longe

Previsível, ainda assim inconcebível, o que se passa no Benfica. E é um Benfica ainda mais esvaziado de esperança, sem alma, desprovido de todo o inconformismo que ainda embalou as últimas eleições até se diluir por fim em duas voltas de recorde e se misturar com o betão do estádio. O clube afunda-se e parece estar tudo bem. Se ouvirmos com atenção, o som do violino mistura-se com o das ondas desde o salão. Há quem dance. Os que embarcaram na continuidade e se tornaram cúmplices não tardarão a acorrentar-se ao mastro principal, com medo de serem cuspidos como barris de rum borda fora e o «Homem ao mar!» não venha acompanhado por mãos que os traga de volta.
Está tudo bem, mesmo com a Liga a dez pontos, a Champions do ano que vem a cinco e, sobretudo, a tendência de que as distâncias aumentem, não diminuam, apertem e devolvam a fé, à falta de algo mais palpável, a Rui Costa, José Mourinho e companhia. Se «resignação» é a palavra que melhor resume o que se passa no burgo encarnado, os grande rivais podem tranquilamente dividir o grande prémio e o mal menor, o 1.º e o 2.º lugar, fazendo depender do clássico de daqui a um mês e picos, no Dragão, o tira-teimas da segunda discussão mais importante do ano. A primeira é se foi ou não penálti. Ou pontapé de canto.
Claro que há muitas contas a fazer e até um passado recente de recuperações e perdas pontuais impensáveis, inclusive para Francesco Farioli, o técnico que menos tem falhado até aqui, porém, não tendo eu capacidades de adivinhação do futuro, parece de todo improvável que quem para já anda pior em tudo, a defender e a atacar, numa Liga em que se ataca mal e ainda pior se defende, vire em pouco meses duas lutas (e não apenas uma) a seu favor. É que mesmo que contratasse três ou quatro foras de série continuar-lhe-ia a faltar o essencial: em nenhum dos casos depende de si.
A crónica vitimização de José Mourinho arrancou desde cedo e a sua desculpabilização não demorou a vir do lado de uma oposição que nunca conseguiu resolver o último trunfo apresentado por Rui Costa para também ele se amarrar ao leme de um navio que há muito perdeu o rumo e entrou bem no coração da tempestade.
Talvez a lógica nos dissesse a todos que manter Bruno Lage, mesmo com o ruído que já havia à volta e depois de ter passado incólume ao verão — aí sim, o momento para mudar — carregasse menos anticorpos para o sucesso, já que trabalharia com os jogadores que tinha escolhido e para os quais tinha um plano, fosse este bom ou mau. Porque se a direção encarnada entendeu que lutar até ao fim por várias competições era motivo de esperança para a nova época, o que poderá estar a dizer daqui por algumas semanas, depois das decisões do acesso à fase a eliminar da Liga dos Campeões, Taça da Liga e Taça de Portugal, se não tiverem efeito positivo? Qual será o discurso? Como estará então a aura de Mourinho? Porque se depender apenas de si, é muito provável que, à falta de interesse de outros emblemas, o setubalense comece na Luz a próxima temporada, a correr os mesmos riscos de ser despedido que Roger Schmidt e Bruno Lage correram. E com menos moral.
Os sinais no mercado apontam para um Benfica a querer ser cada vez menos dominador, a viver no cinismo e na transição ofensiva, sem querer realmente tirar a bola aos seus rivais. Nesse sentido, o plantel vai igualmente emagrecer, não fossem já insuficientes, nas opções para o ataque posicional, um dos problemas transversais a todos os técnicos da era Rui Costa. Falo de Andreas Schjelderup, que desde cedo se percebeu não ser jogador para Mourinho, ainda que não necessariamente para os encarnados, que nunca foram firmes na aposta no jovem norueguês. Claro que cometeu erros e, por vezes, se esqueceu de defender, porém não é desta forma que se trabalha um jovem talento, sem lhe dar contexto para poder vingar. A decisão isola ainda mais Sudakov na tomada de decisão, pressiona Ríos para fazer o que não sabe, Barreiro a assumir aquilo em que é muito fraco e o bom Aursnes a expor debilidades que tantas vezes soube esconder.
Talvez seja cedo para pensar na próxima época, porém resta muito pouco a que os benfiquistas se possam agarrar. José Mourinho terá este e o próximo mercado para moldar a equipa à sua imagem e acrescentar-lhe aquilo que muitos ainda veem no técnico, apesar dos últimos anos menos bem-sucedidos: a cultura de vitória. Não o fará, neste último aspeto, sem acrescentar prata ao Museu. Talvez para isso lhe deem carta branca. Não um livro de cheques por estrear, mas deixá-lo tomar todas as decisões. E, imediatamente, lavar as mãos.
Se o Benfica daqui por um ano estiver mais à imagem de Mourinho também parece mais ou menos evidente que andará mais longe de ser controlador, dominador, ou seja, estará ainda mais longe de jogar como equipa grande. E isso também devia preocupar os encarnados. Mesmo que os troféus acabem por compensar a curto prazo, o que nem sequer é certo perante dois rivais que se vão mostrando mais consolidados, fortes e até racionalmente mais competentes e Mourinho também ele ande menos certeiro no toque de Midas, a equipa estará bem mais longe da identidade que o próprio Rui Costa admitiu como sua, quando avançou para Schmidt.
Esqueçam o jogar bonito. Não é disso que se trata. É o trabalhar para jogar bem, não é ornamentar jogadas, fazer passes e jogadas espetaculares. É, sim, possuir os comportamentos corretos coletivos e individuais para se estar sempre mais perto de vencer todas as partidas. Não fazer depender os ataques apenas das individualidades. Ou todos golos consequência de uma bola parada ou de momento de pressão alta. Porque há dias em que nada funciona e é preciso… jogar à bola.
Um Benfica em que Mourinho decida tudo levará a uma equipa cada vez mais à sua imagem, mas eventualmente apenas preparada para treinadores do mesmo perfil. Trabalhar para o presente apenas significará abdicar de uma ideia diferente para o futuro próximo. E a equipa ficará a anos-luz da que deveria ser. A precisar novamente de muitos milhões. Talvez de 25 novos jogadores."

Desejo de Ano Novo


"Iniciamos um novo ano e, antes de mais, quero desejar a todos os leitores um bom 2026. Que seja um ano de saúde, de estabilidade e de pequenas vitórias quotidianas, dessas que não dão manchetes, mas fazem a diferença. Desejo-o a quem me lê e desejo-o também para mim. E mesmo não sendo pessoa de superstições, lá fui, na viragem do ano, cumprir o ritual das doze passas, uma a uma, cada uma com um desejo. Talvez mais por tradição do que por crença, mas confesso que este ano houve um desejo que se destacou claramente dos restantes.
Não vou expor listas nem partilhar intimidades. Mas há um desejo que faço questão de assumir publicamente: que a arbitragem em Portugal melhore. Que melhore mesmo. Pode parecer estranho gastar um desejo de Ano Novo nisto, quase um desperdício quando há tanta coisa mais importante e que tantas vezes não está ao alcance da vontade humana. Mas começo a achar que, se não for por intervenção divina, dificilmente será por ação humana. E isso diz muito sobre o ponto a que chegámos.
Não vou falar de lances concretos nem de jogos específicos. Não é isso que me move hoje. O problema já não são apenas os erros, por mais gritantes que sejam. O problema é a reação aos erros. A normalização. A forma como o futebol português aprendeu a conviver com a suspeita, como se ela fosse parte natural do espetáculo. Hoje, como no passado, cada decisão polémica não é analisada apenas como erro ou acerto, retirando-se as devidas ilações e correções a fazer, mas é imediatamente enquadrada numa narrativa antiga, reciclada e profundamente tóxica.
Uma narrativa onde os erros nunca são apenas erros. Onde há sempre uma intenção escondida, um poder oculto, um beneficiado e um prejudicado. Onde se insinua que o futebol português foi, é e continuará a ser controlado por esta ou aquela figura, por este ou aquele clube. Esta ideia está instalada. Não nasceu ontem. Foi sendo construída ao longo de anos. É verdade que houve erros que deveriam ter sido corrigidos, mas, em vez disso, esta narrativa foi sendo alimentada por discursos inflamados, por comunicados estratégicos e por silêncios cúmplices quando dava jeito.
E pior ainda, é reforçada por quem devia ser o primeiro a desmontá-la. Quando ouvimos dirigentes máximos do futebol português sugerirem, mesmo que de forma indireta, que durante anos a arbitragem esteve condicionada por interesses específicos, estamos a validar a desconfiança no presente. Estamos a dizer aos adeptos que, se o passado foi viciado, o presente é apenas uma consequência natural dessa história mal resolvida. Mesmo quando se acrescenta, logo a seguir, que agora os erros acontecem a favor e contra todos, a mensagem implícita já foi passada: se antes fomos prejudicados, agora talvez estejamos apenas a viver uma espécie de justiça tardia.
Este tipo de discurso serve para dar declarações rápidas, para aliviar pressões momentâneas, para falar para dentro e mobilizar adeptos. Serve para o ruído imediato. Mas nunca servirá para melhorar o sistema. Pelo contrário, corrói-o. Porque transforma cada árbitro num suspeito permanente e cada decisão num ato de fé ou de desconfiança, conforme a camisola que se veste ou a bancada que se ocupa.
Enquanto em Portugal andamos presos a este ciclo vicioso, insistindo em discutir o passado para justificar o presente, noutros países discute-se outra coisa. Discute-se como melhorar efetivamente a arbitragem. Como dar melhores condições aos árbitros. Como reforçar a sua independência real. Como protegê-los da pressão mediática, institucional e até pessoal. Não para eliminar o erro, isso será sempre impossível, mas para garantir que, quando ele acontece, ninguém duvide da sua natureza humana. Este discurso continuará a ser feito por todos nós, com diferentes interesses e motivações, é certo, até que quem tem responsabilidades e competências para isso queira e possa mudar alguma coisa.
O VAR nasceu precisamente com esse objetivo. A tecnologia como aliada do jogo, não como substituta do árbitro. Em Portugal, transformou-se num novo foco de desconfiança. Não porque a tecnologia falhe, mas porque a forma como é usada, explicada e enquadrada falha repetidamente. Continuamos sem discutir como poderíamos ter mais transparência, continuamos sem pedagogia e sem uma estratégia clara que proteja o sistema de arbitragem e os próprios árbitros de um escrutínio que, muitas vezes, roça o linchamento público. E, com isso, proteger o futebol.
Às vezes nem precisávamos de ser particularmente criativos. Bastava olhar para fora. Bastava olhar para campeonatos onde os debates são constantes, públicos e incómodos. Onde se testam soluções, onde se assumem erros, onde se tenta melhorar, mesmo sabendo que a polémica nunca desaparecerá por completo. O que muda é a confiança no sistema e a perceção de independência.
É este o debate que devia estar no centro do futebol português, a par da formação e da preparação. Não faz sentido continuarmos a formar alguns dos melhores jogadores e treinadores do mundo e não termos uma ambição clara de formar também alguns dos melhores árbitros do mundo. Não por milagre, mas por método, investimento e coragem nas decisões tomadas.
Estas discussões talvez não encham capas de jornais. Talvez não expliquem derrotas ou vitórias. Talvez não deem conforto imediato ao adepto ferido. Mas são as únicas que interessam a quem quer ver o futebol português crescer, evoluir e ganhar credibilidade.
Quem continuar a fazer exatamente o mesmo que se fez até aqui terá de assumir essa escolha. E assumir também que, no fundo, talvez não queira mudar nada. Talvez apenas queira que o erro mude de lado."

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BI: Reforço - Lopes Cabral