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domingo, 22 de janeiro de 2023

A Verdade do Tadeia #728 - A Money League

A Verdade do Tadeia #727 - Os números da formação

22 de Janeiro


Vermelhão: Entrada decidida...

Santa Clara 0 - 3 Benfica


Entrada forte, a jogar bem e com eficácia (algo que tinha andado desaparecido...). Ao intervalo o 0-2 era enganador, pois mereciamos estar a golear, com o resultado 'fechado'!!! Tudo isto com o Draxler no 'meio', no lugar do Rafa, a resultar bem, e com o Aursnes na esquerda...
Apesar duma oportunidade no início do 2.º tempo desperdiçada pelo Gonçalo, não entrámos bem... as substituições surpreenderam, a saída do Tino pareceu arriscada, logo a seguir o Tó 'defendeu' um golo quase na linha, mas os últimos 25 minutos voltaram a ser nossos, com o golo do 'estreante' Guedes (melhor regresso era impossível)!!!


Com a lesão do Rafa, este ciclo de jogos, até ao jogo em Brugges ganhou ainda mais importância! A contar com este jogo, vão ser 6 jogos, e só um será na Luz! É verdade que o nome dos adversários não assusta, mas todo o cuidado é pouco, até porque ainda hoje o Verdíssimo andou á 'espreita' da possibilidade de nos sabotar... mas a entrada forte e a boa atitude do jogadores, não deu hipóteses!!!

Grande jogo do Enzo, o melhor no pós-Mundial, esteve nos 3 golos... Também o 'melhor' jogo do Draxler, desta vez no meio, usando a sua técnica superior para 'clarificar' alguns lances! Gonçalo continua de pontaria afinada, mas também continua a fazer muito mais além dos golos...


Mas a 'estrela' do início da noite Micaelense, foi mesmo o Gonçalo Guedes, que em pouco tempo fez um golo e demonstrou muita alegria em voltar a vestir o Manto... Agora, tão importante como a integração do Guedes e dos Nórdicos, é o regresso à forma do Neres, que tem que acordar para a vida!!!

O Verdíssimo inventou 2 Amarelos a jogadores do Benfica, mas o momento do jogo foi mesmo a falta assinalada contra o Benfica, quando um defesa do Santa Clara atropelou o seu próprio guarda-redes!!!

Novo jogo, já na Quinta, em Paços de Ferreira. No melhor momento da época do Paços, que ainda hoje merecia ter empatado com o Braga! Atitude, concentração e muita transpiração, exige-se na Quinta...

Goleada na Taça...

Benfica 5 - 0 Sporting


Avassaladoras, com um 5-0 que soube a pouco, tal o nosso domínio... Uma intensidade de jogo completamente diferente, a rodagem Champions a transformar esta equipa num rolo compressor, imparável em Portugal...

Goleada...

Benfica 12 - 0 Azeméis

Meia dúzia indiscutível, com muita juventude em campo...
Nota para estreia oficial do Serra, jovem que tem muito potencial...


Vitória em Albufeira...

Imortal 94 - 112 Benfica
23-42, 25-20, 23-25, 23-25

Entrada demolidora, e não fosse algum facilitismo 'normal' os números até tinham sido superiores...

Vitória na negra...

Sporting 2 - 3 Benfica
19-25, 18-25, 25-22, 25-20, 10-15

Dois Set's desnecessários... Mas na negra, acabámos por vencer...

Regresso às vitórias...

Benfica 4 - 2 Paço de Arcos

Não foi fácil, marcámos cedo, mas o golo da tranquilidade só apareceu a menos de 2 minutos do fim!

PS: Vitória das nossas meninas em França, na estreia da Champions, por 0-12, contra Nantes Loire AV.

Muito Benfica para apoiar


"Dia preenchido, com várias das nossas equipas a defenderem as nossas cores e emblema um pouco por todo o país. Destacamos o encontro com o Santa Clara, nos Açores, e o dérbi, na Luz, com o Sporting no futebol feminino. Mas há mais!

1
É às 18h00 (continentais), em Ponta Delgada, que a nossa equipa entra em ação frente ao Santa Clara. Roger Schmidt espera "um jogo difícil" e nota: "Os jogadores voltaram ao seu rimo e estamos ansiosos por jogar amanhã [sábado] e por lutar pelos três pontos."
O nosso treinador sabe que "vamos ter muitos adeptos do Benfica no jogo", considera-o "ótimo" e realça a importância de ter os Benfiquistas junto da equipa: "Temos tido bastante apoio nos nossos jogos fora. Contamos com eles e isso é uma grande motivação para nós, para podermos jogar a um nível alto. Eles vêm ao estádio para ver bom futebol e o Benfica a ganhar. Isso é uma grande motivação e queremos deixá-los orgulhosos."
Veja, na íntegra, a antevisão de Roger Schmidt.

2
Gonçalo Guedes está de regresso! "É uma felicidade enorme voltar a casa. Estou muito feliz e espero que todos os Benfiquistas também estejam, e isso para mim é muito importante."
Veja as primeiras declarações do nosso jogador de novo de águia ao peito.

3
É já daqui a pouco (15h00) que começa, na Luz, o dérbi com o Sporting da vertente feminina do futebol a contar para os quartos de final da Taça de Portugal. Vencer junto do máximo de adeptos possível é o objetivo.
Filipa Patão fez a antevisão ao jogo e apelou à presença dos Benfiquistas: "O que faz deste jogo especial não é o Estádio, são os adeptos. É a nossa casa e onde normalmente todos os adeptos se deslocam, pois gostam de assistir a um bom espetáculo de futebol. O que vai embelezar o espetáculo são os adeptos, se realmente vai estar cheio, bem-composto e trouxer a Mística do nosso Clube. Queremos atrair os adeptos com o nosso futebol e ganhar o jogo."
Veja a mensagem de Gonçalo Ramos e não falte! Os Sócios têm entrada livre mediante o levantamento de bilhete e os adeptos em geral pagam somente cinco euros pelo ingresso. Apoie a nossa equipa!

4
Outros jogos agendados para hoje: começou, às 12h30, a partida com o Paço de Arcos em hóquei em patins; às 15h00, desafio de voleibol com o Sporting no Pavilhão João Rocha e, em basquetebol, visita ao Imortal (15h00); no andebol feminino, deslocação a Leça (15h15); a equipa feminina de basquetebol, a disputar a Taça Federação, venceu ontem o Clube dos Galitos por 68-55 e defronta, no Pavilhão Desportivo dos Lombos, o Esgueira (16h15); às 17h00, futsal feminino na Luz com a Académica; à mesma hora, em França, a nossa equipa feminina de hóquei em patins tem jogo da fase de grupos da WSE Champions League Women com o Nantes Loire AV; às 19h00, na Luz, encontro com o Futsal Azeméis."

BI: Guedes...

Semanada!!!


"A semana foi profícua em situações pouco claras no que respeita ao SL Benfica.
António Manuel Bernardo na BTV - no programa "Aquecimento" - não deixou passar em claro o ESCÂNDALO do "vai não vai" relativamente ao processo disciplinar, protagonizado pelo CD, com a complacência da Liga de Clubes.
Carrega António Bernardo 🔴⚪🦅"

Circo...


"O Futebol Português está transformado num verdadeiro circo. Um circo onde uma equipa que tenha um paraplégico na frente de ataque mas ande às 5 ou 6 piscinadas na área por jogo, chega e sobra para ganhar. Esta merda que se joga em Portugal há muito deixou de ser futebol e o Benfica ainda não sabe jogar esta modalidade. VAR´s que agem pressionados pela máquina imparável de coação montada pela Aliança do Altis (Putedo+Lagartedo). O Benfica que continue com o banana aburguesado do Pedro Pinto a mamar milhões e desaparecido em combate. Vai no bom caminho de mais um ano em branco e com o prémio fair play da Liga no final do ano.
Nota: Amanhã entramos em campo apitados por Fábio Verdíssimo. Na semana a seguir a Soares Dias ter feito o que fez na Luz. Como é que querem ganhar alguma coisa?"

Amigos!


"Bom dia Guimarães.
Precisam de alguma ajuda?
Têm malta suficiente para ir a jogo ou o cartão do Presidente resolve essas dificuldades?
É para um amigo."

Esta ainda não tínhamos visto


"Baixar a cabeça, ir contra o adversário e rebolar. Eis a receita demais um penálti para o Sporting."

Lagartices!




"Os adeptos do Sporting são, realmente, um verdadeiro caso de estudo.
Passou uma semana entre as duas fotos. Numa pedem penalti, na outra acham que não é.
Enfim, lagartices... 😏"

Românticos são os outros (a propósito de um Brighton encantador)


"Em Inglaterra, este é o ano de um super Arsenal, de um Newcastle que, literalmente, regressa ao futuro, de um Fulham de rendimento incrível, com Marco Silva a retocar um plantel secundário e a retirar dele o que não parecia viável, de um Brentford que concretiza um crescimento coerente e de sucesso. Todas equipas com traço de coragem, de risco, de transformarem cada jogo num resultado em aberto, que é que faz do futebol um jogo único e de Inglaterra uma pátria singular. E depois há o Brighton, que rende a nível superior e encanta de modo distinto dos demais. Acaba de destroçar o Liverpool, há uma semana, mas a questão não é tanto o que fez mas o modo como o fez. No futebol há muitas formas de ganhar, mas as melhores são quando se percebe que não aconteceu por acaso, que podia repetir-se, uma vez e mais outra, que era uma probabilidade. Já aqui volto, mas haver uma probabilidade alta de o Brighton ganhar ao Liverpool não é coisa pouca.
Este é o Brighton que resulta de uma construção firme, nos últimos quatro anos em particular. Acaba de vender Maupay ao Everton e Trossard ao Arsenal - faturando quase 50 milhões, depois de mais de 80 com Cucurella e Bissouma, todos este ano-, enquanto continua a atrair qualidade superior a um preço contido e garimpa novas pepitas que hão de render mais golos e milhões. Evan Ferguson já rende, irlandês de 18 anos, ponta de lança subido dos sub-23, já titular e impressionante na média de golos e assistências em menos de uma dezena de partidas. Começa também a ter mais tempo Jeremy Sarmiento, agitador equatoriano de 20 anos, três deles passados na formação do Benfica, enquanto espera a sua hora Gilmour, médio completo resgatado ao Chelsea, e se preparam para explodir mais dois teenagers pesquisados na América Latina: Enciso, paraguaio, avançado móvel mas vertical, e Buonanotte, criativo esquerdino argentino que acaba de chegar do Rosario Central. Há um perfil definido e uma coerência na política desportiva como é raro ver. O caminho de passos firmes tem a assinatura de um nome principal: Dan Ashworth, o Diretor Desportivo que definiu o rumo da empreitada e que acreditou em Graham Potter para comandar o barco. E num projeto assim fez o que se recomenda, mas raras vezes se concretiza: estabilizou primeiro para crescer depois. Perante o sucesso evidente, Ashworth foi, também ele, transferido, perante o apelo de um projeto milionário. E assim se fez acompanhar de gente de confiança, entre scouts e analistas, para mudar a tal história que parecia imutável no Newcastle. Vejam onde andam os magpies este ano. Nada acontece desta maneira por acaso.
Em Brighton, na debandada geral, saiu então o guru que era um Diretor Desportivo de verdade, partiram jogadores e, a meio do percurso, foi-se também o treinador dos milagres, Graham Potter, para tentar nova façanha num Chelsea à deriva. A encruzilhada era óbvia e a escolha para o comando da equipa seria decisiva. Foi quando chegou Roberto De Zerbi, italiano de Brescia, 43 anos, inveterado fumador e ortodoxo nas convicções sobre o belo jogo, qualidade provada num Sassuolo que transformou em sensação e no Shakthar para onde foi levado por mão portuguesa. De Zerbi ia ter o desafio de uma vida, num clube de crescimento estável, com qualidade de jogo cantada e onde em termos de pontos é muito difícil fazer melhor, após o nono lugar na época transata. Esta, a que só termina quando chegar o próximo verão, ainda terá muito para contar, mas há um história de encantar em curso na cidade costeira do sul de Inglaterra.
Em terra de sol (menos) e mar (sempre), brilha Solly March, que dito à portuguesa bem podia ser nome de esplanada. É ele quem mais ilumina o jogar dos sulistas, o símbolo da equipa aos meus olhos, pelo talento e pela libertação dos grilhões táticos. Como pôde um craque tão diferenciado ser visto durante anos como lateral esquerdo, quando muito um ala flanqueador, a quem se pediam movimentos repetitivos para cruzamento. Vê-lo em ações de classe no lado direito do ataque é uma delícia, pela capacidade de antever que é própria dos eleitos e pelo descaramento a finalizar seja quem for o rival. Quem não viu deveria ir mesmo espreitar o tal jogo com o Liverpool, nem que fosse só para ver Marsh. Até porque terá o brinde das fintas em aceleração de Mitoma - belo artigo de Ricardo Miguel Gonçalves aqui no Zerozero, a propósito desse novo filho do vento com dribles preparados em tese de Faculdade – mais a afirmação de Caicedo e McAllister no comando da casa das máquinas, a ressurreição de Lallana e ainda, e não menos importante, Pascal Gross, mente iluminada em papel secundário, que tanto assiste e faz golos como acerta o passo a lateral numa linha de quatro. Porque o importante mesmo, o decisivo, é ter a bola e cuidar bem dela, arriscar mesmo para não a perder, desde trás mas não apenas, sempre, seja onde for. É a marca do zorro, o Z de Zerbi neste Brighton.
De Zerbi está, pois, no catálogo dos românticos, na pantone de futebol colorido que tem Guardiola no topo. São os que acreditam que é jogando melhor e dominando mais que se está mais perto de ganhar. Juanma Lillo, ex-adjunto de Pep e pensador raro, resolveu há dias essa equação feita discussão gasta sobre românticos e pragmáticos. Tão simples como distinguir possibilidade de probabilidade (por isso prometi voltar a esta). No futebol, existe sempre a possibilidade de ganhar, desde que se leve a bola uma vez que seja até perto da baliza rival. Probabilidade é outra coisa, e aumenta na ordem direta do número de vezes que lá chegamos. Lillo diz que é nisso que trabalha, para aumentar a probabilidade. Ou seja, que pragmático é ele e outros que assim pensam. Românticos, sonhadores? Bem mais os outros, os que estão à espera de lá ir uma vez ou duas e ser felizes, nem que seja agarrados ao casaco da sorte, uma mezinha ou uma santinha no bolso."

Liga do Dinheiro


"Publicado o relatório anual Deloitte Football Money League, fica demonstrado que, eliminadas as restrições do combate à pandemia, o negócio do futebol regressou rapidamente aos níveis anteriores.
A análise às receitas dos 20 clubes que mais faturaram em 2021/22, apesar de ainda um pouco afetadas em alguns países no acesso de espetadores aos estádios, permite constatar, de novo, o fenómeno do futebol em que se observam, sempre (até quando?), incrementos, tanto totais como parcelares (comerciais, televisão, bilheteira). As temporadas 2019/20 e 2020/21 devem ser excluídas da análise devido às consequências da pandemia.
Desta constatação resulta outra (com recurso a outros relatórios). As melhorias no conjunto dos resultados líquidos ocorridas nos últimos anos estão relacionadas, sobretudo, com a implementação, pela UEFA, do fairplay financeiro: o crescimento das receitas é quase todo absorvido pelos custos operacionais, em particular, salários e amortização de passes (excetuando-se os casos de clubes que construíram novos estádios).
Constata-se também que se tem acentuado a predominância de clubes ingleses neste ranking. Pela primeira vez, mais de metade das posições do top 20 é ocupada por clubes da Premier League (11; e são 16 no top 30). E talvez já não faça sentido a referência aos Big 5. Se é verdade que a representação de outros países está limitada ao Benfica (24) e ao Ajax (27), não menos o é que só um clube francês consta na lista (Paris SG - 5).
Outra questão interessante é o peso dos tipos de receitas. Os únicos clubes no top 20 com receitas comerciais acima de metade do total de receitas são Manchester City, Paris SG e Bayern Munich. City e Paris são acusados, porventura com razão, de beneficiarem de um empolamento de patrocínios de detentores do seu capital (torneando as restrições aos suprimentos). O Bayern é um caso diferente: 25% do capital é distribuído por três parceiros comerciais fortíssimos e implementa uma política de preços baixos na bilhética."

Exercícios desportivos e espirituais


"Frequentemente, a tradição espiritual separa o corpo e a mente, dando a cada um o seu próprio ponto de referência e lógica. No entanto, o papel primordial do corpo sempre foi uma realidade espiritual amplamente experimentada e conhecida pelo clero. Treinar, lutar, relaxar, mortificar, conhecer o melhor possível as mais pequenas reações do próprio corpo são indispensáveis para o tornar mais dócil possível à receção da vontade de Deus.
É, por isso, que os exercícios desportivos podem ser experimentados como um exercício espiritual, um meio de progredir na vida espiritual e na busca de Deus. E não apenas como metáfora para a dinâmica gerada pela fé. Os Exercícios Espirituais de Inácio de Loyola (1491-1556), padre jesuíta e fundador da Companhia de Jesus, deixam isto claro. As primeiras linhas dos Exercícios Espirituais desenvolvem uma comparação entre os exercícios corporais e espirituais. A primeira frase define o que se entende por “exercícios espirituais”: “Qualquer forma de examinar a própria consciência, meditar, contemplar, rezar vocal e mentalmente, e outras operações espirituais...”. Depois, Inácio faz uma comparação: “(…)caminhar, passear e correr são exercícios corporais, mas também são chamados exercícios espirituais qualquer forma de preparar e dispor a alma para afastar todos os apegos desordenados e, tendo-os afastado, procurar e encontrar a vontade divina na disposição da própria vida para a salvação da própria alma”. Na verdade, “propondo o seguimento de Jesus, os EE expõe-nos a ação de Deus e ao seu convite para que tenhamos uma vida plena de serviço gratuito. No fundo são uma ginástica espiritual, uma experiência pessoal de Deus que transforma a vida e liberta o coração de tudo o que o impede de ser livre e fazer a vontade de Deus”
(cf. https://pontosj.pt/jesuitas/exercicios-espirituais).
No seu texto, Inácio reúne três verbos importantes: andar, passear e correr. A dimensão desportiva da corrida é óbvia: requer treino, aprendizagem, concentração para encontrar um ritmo, uma respiração, formas de fazer as coisas que serão encontradas nos exercícios espirituais; tanto como caminhar e passear são gestos bastante naturais que não requerem nenhuma preparação ou ambiente em particular. Há, contudo, dois pontos em comum nestes três verbos: eles expressam um movimento que tem um início, um fim e uma duração, e os três incluem uma repetição; não se pratica apenas uma vez, repete-se constantemente este movimento. Assim, a superação de si próprio, o desempenho desportivo, não está apenas presente na corrida, mas, desde o início, na repetição, na tenacidade, na regularidade, etc., essencial ao progresso espiritual e desportivo.
O objetivo dos Exercícios Espirituais de Inácio de Loyola é sermos mais livres para melhor escolher. E a liberdade é expressa no corpo. O exercício, como se costuma dizer, é eminentemente libertador."

sábado, 21 de janeiro de 2023

O que faz o futebol pelos direitos humanos?


"Reflectir sobre um Mundial de futebol em que os oitavos de final renderam cerca de 16,4 milhões de Euros à Federação Portuguesa de Futebol e uma indemnização de 4,5 milhões de Euros a Fernando Santos será reflectir não só sobre economia mas também sobre política.
Mas para levarmos a cabo este exercício teremos de ter em conta aquilo que ele poderia ter sido – o possível – e aquilo que foi na realidade – o real. “(…) o possível é quase infinito, ao passo que o real possui fronteiras rigorosamente delimitadas. O real é sempre um possível único, eleito numa série de possíveis. Um caso particular do possível. Esta a razão por que o pensamento pode abordá-lo de várias maneiras. Ingressar no possível corresponde a modificar a nossa perspectiva do real.”
Tudo começou, apesar de todas as objecções que já foram apresentadas, com a atribuição do Mundial ao Qatar. No campo do possível, seria mais bonito (talvez até politicamente mais correcto) organizar o Mundial de futebol de 2022 nos Estados Unidos porque seria logo a seguir ao Mundial organizado na Rússia – tal como desejava Blatter, presidente da FIFA na altura. No campo do real, Platini, presidente da UEFA, foi chamado ao Eliseu (estávamos em 2010) e de lá saiu já com o voto pronto para o Qatar… porque o presidente Sarkozy necessitava de vender cerca de 14,6 mil milhões de Euros em caças Mirage ao Qatar (o que veio a acontecer algum tempo depois).
A partir daqui foi tudo aquilo que se sabe e já foi denunciado. A partir daqui tudo foi uma bola de neve até se chegar ao ponto – real – do Qatar seduzir 34 parlamentares britânicos e com eles ter gasto cerca de 300 mil Euros a fim dos mesmos promoverem uma imagem positiva deste país. De tal maneira real que dentro dos muitos possíveis, um veio à luz do dia: a Vice-Presidente do Parlamento Europeu, Eva Kaili, foi detida em flagrante delito em Bruxelas e acusada de branqueamento de capitais, corrupção e participação em organização criminosa (“o Qatar está entre os países líderes na defesa dos direitos dos trabalhadores” é uma frase sua!).
É facto assente que o futebol não sai da política, nem a política sai do futebol. Tal como a economia. A economia não sai do futebol nem o futebol sai da economia. Ou o negócio… diríamos nós!
De 20 de Novembro a 18 de dezembro estivemos hipnotizados, apesar de todo o anátema deste Mundial, por aquilo a que alguns autores franceses chamam o “ópio do povo” num duplo sentido, como refere Pierre Laguillaumie (2): “por um lado, obscurantismo das faculdades críticas (evasão, fuga, êxtase); por outro lado, compensação, substituição e esquecimento das reais infelicidades”. Apesar de todos os atropelos do Qatar aos direitos humanos denunciados, o espectáculo e o consumismo levaram-nos a uma trégua tornando-nos cúmplices desses atropelos. A melhor confirmação vem precisamente de uma jogadora de futebol: “Já que, infelizmente o país organizador não promove a normalização dos direitos humanos, o que é habitual do campeonato do Mundo, estejamos cá para desfrutar de um bom espectáculo de futebol”. Afirmação de Madalena Marau, defesa do Lank Vilaverdense («O Jogo», 27.11.2022).
No jogo entre Portugal e o Uruguai o italiano Mário Ferri invadiu o campo tendo na parte de trás da ‘t-shirt’ escrita a frase “respeito pelas mulheres iranianas” e na parte da frente “salvem a Ucrânia”, ao mesmo tempo que transportava na mão uma bandeira LGBTQIA+… O marroquino Jawad El Yamiq celebrou a passagem aos oitavos de final com a bandeira da Palestina dentro de campo… Nas bancadas múltiplas manifestações estiveram presentes… Uma adepta do Irão foi expulsa do Estádio Ahmed Ben Ali por ter homenageado Mahsa Amini apresentando a imagem desta numa ‘t-shirt’…
Jogadores e adeptos do Irão permaneceram calados durante o seu hino no jogo contra a Inglaterra enquanto antes do pontapé de saída os jogadores ingleses colocaram um joelho no chão para assinalarem a importância de se respeitarem os direitos humanos… Jogadores alemães, antes de jogo com o Japão, protestaram contra a decisão da FIFA de impedir uso da braçadeira "One Love" deixando-se fotografar com a mão sobre a boca…
Como respondeu Portugal? Depois de altos dignatários terem estado presentes como forma de apoio aos nossos jogadores, só depois da eliminação da nossa selecção nacional o nosso Parlamento aprovou um projecto de resolução que propunha a condenação da realização do Mundial 2022 no Qatar… Só depois!
Como respondeu a FIFA? Alargando o Mundial de Clubes para 32 equipas e o Mundial de futebol em 2026 para 48 selecções nacionais sem ter em conta o desgaste dos jogadores ou os calendários nacionais.
Entretanto a Supertaça de Espanha vai para Riade, na Arábia Saudita, tal como a Supertaça de Itália. País em que entre 10 e 23 de novembro foram executadas 17 pessoas (das quais 4 sírias, 3 paquistanesas e 3 jordanas). País em que ao todo houve 144 execuções em 2022 de acordo com uma contagem da Agence France-Presse, mais do que o dobro de todo o ano anterior. E em Março do ano findo, num único dia, 81 pessoas acusadas de terrorismo foram executadas. Grandes competições saem dos seus próprios países para se realizarem num país que não respeita os direitos humanos… Motivos? O negócio!
Agora temos, também na Arábia Saudita, o encontro entre o Paris Saint-Germain e uma selecção do próprio país naquilo que se designa como o encontro entre Messi e Cristiano Ronaldo. É o poder do dinheiro!
Já em 1976 – ano em que Carlos Lopes venceu o Campeonato do Mundo de corta-mato e conquistou a medalha de prata nos J. O de Montreal –, Brohm (3) nos dizia que o desporto é “em todas as áreas, uma empresa florescente, um «big business» capitalista, que incentiva numerosos grupos financeiros, empresas industriais, entidades comerciais, públicas ou privadas, municípios, até países, a envolverem-se na organização de grandes eventos desportivos, torneios, competições e Jogos Olímpicos, cujas repercussões económicas são enormes.” Quase há cinquenta anos!
Talvez o título deste artigo não devesse ser o que o encima. Porque a questão é: o que fazem os dirigentes desportivos pelos direitos humanos?"