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sexta-feira, 23 de outubro de 2020

#Pelé80. Biografia selecionada do homem que é Edson e é Pelé e anda há uma vida a tentar separar um do outro


"O grande Pelé faz esta sexta-feira 80 anos e esta é uma coleção de histórias conhecidas e outras nem tanto assim sobre um dos maiores mitos vivos da contemporaneidade. Aqui dentro cabem Garrincha, Eusébio, Maradona, Beckenbauer ou Romário que, algures na vida deles, se cruzaram com o Rei Pelé. Longa vida.

Pelé, Bilé e o Guarda-redes Que Virou Maior de Todos
Talvez o motivo de Pelé ter tido tanta facilidade para marcar golos é por conhecer bem seus adversários. O maior inimigo dos guarda-redes teve as suas primeiras experiências no relvado exatamente sob os postes. Mais, Pelé virou Pelé em homenagem a um guarda-redes, e não gostou muito do nome nas primeiras vezes em que foi chamado por ele..
Edson Arantes do Nascimento, conhecido como Dico durante a sua infância na pequena cidade de Três Corações, vestia uma simbólica camisola número 1 nas brincadeiras com os amigos. O homem que um dia tornou-se aquele que mais balançou as redes na história do futebol nutria uma verdadeira paixão pela posição, tanto que um de seus primeiros ídolos foi um guarda-redes. Os amigos contam que o jovem Dico gritava o nome “Bilé”, guarda-redes o pequeno Vasco de São Lourenço.
Porquê a idolatria tão incomum? O futebol corre no sangue da família. Dondinho, pai do Rei, era futebolista da pequena equipa, que contava também com o curioso Bilé. Os amigos da cidade não conheciam este homem de uma desconhecida equipa do Estado de Minas Gerais, então os gritos de Bilé aos poucos foram interpretados como Pelé.
Edson não gostou, então os amigos insistiam em chamá-lo pelo nome que seria maior do que Edson nos anos seguintes.
“Eu não queria esse nome. Pelé soa infantil em português. Edson é mais como Thomas Edison, o homem que inventou a lâmpada”, disse Pelé em entrevista para o jornal alemão “Bild” em 2006.
Com o tempo, Dico aprendeu a abraçar o nome Pelé, mas a paixão pela posição de guarda-redes nunca desapareceu. O Rei era o suplente extraoficial do Santos para proteger os postes. Numa era que eram proibidas alterações durante a partida, era Pelé quem assumia a camisola número 1 em caso de lesão do titular.
A curiosa mudança tática ocorreu quatro vezes na carreira de Pelé. A mais famosa em 1969. O Rei estava próximo do seu milésimo golo quando o Santos foi jogar na cidade de João Pessoa. Pelé marcou um, o que deixo-o com 999 golos.
O Santos notou que a equipa rival, o Botafogo-PB, estava a facilitar o jogo para que a capital do Estado da Paraíba, então com pouca expressão no futebol brasileiro, ganhasse fama. O guarda-redes Jairzão então alegou uma lesão, obrigando Pelé a substituí-lo. O golo mil então ocorreu duas partidas depois, contra o Vasco, no templo sagrado do Maracanã.

Os Portugueses Que Conheceram Pelé Antes de Ser Rei
Waldemar de Brito foi um grande futebolista. Jogou em algumas das maiores equipas brasileiras e na seleção nacional, mas o seu feito mais conhecido é o de se ter em 1953, quando já era treinador, encantado com um miúdo que jogava nas divisões de base da equipa do Bauru.
Waldemar foi o primeiro mentor de Pelé, que rapidamente chamou a atenção do Brasil pelo seu talento extraordinário. Em 1956, Waldemar usou seus contactos no mundo do futebol para então miúdo de 15 anos se tornar profissional. Uma proposta do Bangu, tradicional equipa do futebol carioca era sedutora, mas a mãe de Pelé temia que o filho caísse nas inúmeras tentações da então capital brasileira.
Foi decidido então levá-lo para Santos, cidade litoral, próxima de São Paulo. A história da cidade, da equipa e de Pelé nunca mais iriam separar.
O Santos Futebol Clube já era uma das mais fortes equipas do Brasil em 1956. Pelé chegou em uma equipa bicampeã do Campeonato Paulista, numa época em que o torneio regional era um dos mais importantes do país devido a falta de um campeonato nacional. A equipa já tinha em seu balneário atletas que viraram lendas com a camisola alvinegra, como Zito e Pepe.
Isso não assustou Pelé. Logo no seu primeiro dia de treinamento surpreendeu colegas de equipa e os jornalistas presentes, como mostra o artigo do jornal “A Tribuna”.
“Nos 40 minutos de atividades dos profissionais, destacou-se sobremaneira, o meia-direita que formou na equipe de suplentes, com um trabalho sóbrio, porém de boas qualidades técnicas, impressionando a direção técnica do campeão paulista de 1955.
Após o coletivo, a reportagem se movimentou e apurou tratar-se do "jovem Edson Arantes do Nascimento, com 15 anos de idade. [...]. O diretor do Departamento Profissional do Santos iniciou entendimentos com seu progenitor e ainda com o famoso jogador do passado, Valdemar de Brito, que é o orientador intelectual da grande promessa futebolística, presente nossa reportagem. Tudo assentado, Edson Arantes do Nascimento (conhecido por Pelé), foi contratado pelo campeão paulista de 1955.”
O Santos não queria perder o talento que tinha em mãos. Menos de um mês depois do primeiro dia de treinamento, o miúdo estreava com a camisola santista, com golo. Pelé participou de 30 jogos, com 18 golos, antes de assinar o seu primeiro contrato profissional, em 1957.
Foi neste momento que Portugal encontrou Pelé pela primeira vez. Em 1957, o Santos cedeu alguns atletas para o Vasco jogar um torneio amigável, entre eles Pelé. Uma das primeiras equipas internacionais a ser vítima do Rei foi o Belenenses. O terceiro colocado da Liga Portuguesa daquele ano viu o Vasco vencê-lo por 6 a 1. Pelé marcou três golos.
Pelo resto da vida, Pelé contou que aqueles jogos pelo Vasco que projetaram-o para o Brasil. O ano de 1957, o primeiro como profissional, é de uma ascenção meteórica. Ele termina o ano campeão paulista e maior goleador do campeonato. As boas atuações fazem ele ser aos 16 anos titular da Seleção Brasileira. Uma que está na história.

O Mundial de Pelé e a Coroação do Rei
O Mundial de 1958 tornou imortais diversos futebolistas brasileiros: Garrincha, Didi, Nilton Santos. Ari Clemente, lateral-esquerdo do Corinthians, também quase entrou na história mesmo sem nunca ter ido para o país escandinavo.
Pelé já era titular absoluto da equipa “canarinho”, mas uma entrada dura do defensor durante um amigável tirou o miúdo de 17 anos do relvado com uma lesão no joelho direito. Com apenas alguns dias até o embarque para a Europa e com a certeza que o avançado não jogará as primeiras jornadas do Mundial, o técnico Vicente Feola pensou em tirar Pelé da viagem e dar lugar para Almir Pernambuquinho, atleta do Vasco da Gama conhecido pelos grandes golos e grandes brigas.
O camisola número 10 só foi para a Suécia por pedido de Didi, Nilton Santos, os líderes da equipa, e Pepe, eterno companheiro do Rei no Santos. Pelé era jovem, capaz de mostrar boa forma física rapidamente e seu talento era impossível de subestimar.
Foi o que ocorreu. Pelé estreou em mundiais diante da União Soviética. Após um empate contra a Inglaterra, Feola decidiu colocar Pelé, Garrincha e Vavá para jogar, e fazer história. O primeiro golo de Pelé em mundiais foi no jogo seguinte, contra o País de Gales nos quartos de final, que deu a vitória para a equipa “canarinho”.
Nas meias-finais, superou a lenda francesa Just Fontaine. Fontaine, maior goleador de uma única edição de Mundial, marcou uma vez na derrota francesa por 5-2. Pelé fez três golos naquele dia.
Na final contra a Suécia, Pelé marca um dos golos mais bonitos da história. O avançado recebe uma bola erguida com o peito. O central adversário tenta tomá-la antes que Pelé tenha o controlo com os pés, mas o camisola 10 dá um leve toque para passá-la por cima do marcador. Sem deixá-la cair no chão, chuta-a para as redes.
Pelé ainda marcou mais um golo na vitória brasileira por 5 a 2. Ele aproveitou um cruzamento da esquerda e encobriu o guarda-redes de cabeça. O árbitro encerrou o jogo ali. A história estava feita, tanto para o Brasil quanto para Pelé. O miúdo de 17 anos caiu no relvado após o último golo, precisou ser erguido pelo companheiros, pois não conseguia levantar de tanta emoção.
Foi neste momento que Pelé foi “coroado” rei, diz a história, mas talvez já tenha viajado para a Suécia com sangue real. A história original é que o jornal francês “L´Équipe”, encantado com as atuações do camisola 10, usou em sua capa uma foto de Pelé a ser cumprimentado pelo Rei Gustavo VI da Suécia com a manchete “O Rei do Futebol”.
É possível que o nome se tenha popularizado antes, pelo menos no Brasil. Nelson Rodrigues, um dos grandes escritores brasileiros do século XX e apaixonado por futebol, escreveu pela primeira vez sobre Pelé em março de 1958, meses antes do Mundial.
“Verdadeiro garoto, o meu personagem anda em campo com uma dessas autoridades irresistíveis e fatais. Dir-se-ia um rei, não sei se Lear, se imperador Jones, se etíope. Racionalmente perfeito, do seu peito parecem pender mantos invisíveis. Em suma: — Ponham-no em qualquer rancho e sua majestade dinástica há de ofuscar toda a corte em redor.
O que nós chamamos de realeza é, acima de todo, um estado de alma. E Pelé leva sobre os demais jogadores uma vantagem considerável: — a de se sentir rei, da cabeça aos pés. Quando ele apanha a bola e dribla um adversário, é como quem enxota, quem escorraça um plebeu ignaro e piolhento. E o meu personagem tem uma tal sensação de superioridade que não faz cerimônias”.

A Maior Equipa Brasileira da História, o Golo Mil e o Duelo de Reis Com o Pantera
Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. A tirar Pelé, e possível que não conheça nenhum dos outros futebolistas, mas este é considerado o melhor ataque da história do futebol brasileiro. O Santos da década de 60 é a equipa mais vencedora da história do futebol brasileiro, e a que fez Pelé unanimidade internacional.
A equipa do Santos era conhecida pelos toques rápidos, muitos golos feitos e muitos sofridos. Não era incomum um jogo da equipa alvinegra terminar 5 a 2 ou 6 a 3. Dos dez maiores goleadores da história do Santos, oito jogaram pelo menos parte de sua trajetória na histórica equipa da década de 60.o. 
Curiosamente, era na defesa em que estavam os internacionais mais conhecidos daquela equipa, além de, obviamente, Pelé. Gylmar foi o guarda-redes nos títulos mundiais de 1958 e 1962, acompanhado pelo médio defensivo Zito. O central Mauro Ramos de Oliveira foi o responsável por erguer a Taça Jules Rimet em 1962. Com o passar do tempo, os nomes mudaram, mas foram sucedidos por outras lendas, como Clodoaldo e Carlos Alberto Torres, campeões mundiais em 1970.
A equipa colecionava títulos assim como golos. Foram 23 títulos na década, com os mais importantes a serem cinco da Taça Brasil, um Roberto Gomes Pedrosa (ambas as competições foram reconhecidas como campeonatos nacionais no Brasil em 2010), duas Taças Libertadores da América e duas Taças Intercontinentais. Foi neste último em que ocorreu o que é considerada uma das melhores atuações daquela equipa, e foi contra o lendário Benfica de Eusébio.
Benfica e Santos eram as melhores equipas do mundo em 1962. Como campeões da Liga dos Campeões e da Libertadores, encontraram-se para dois jogos históricos. No Maracanã, os Encarnados fizeram grande partida, com dois golos de Joaquim Santana, mas acabaram derrotados por 3 a 2.
Havia ainda a decisão na Luz. Para a dor de 70 mil benfiquistas, este foi um dos maiores jogos daquele Santos e de Pelé. O Rei marcou três golos e deu uma assistência. No final, 5 a 2 para o Santos.
Em 2012, Eusébio relembrou a atuação do camisola 10 na Luz para a rádio brasileira “Paiquerê”:
“Em Portugal, tivemos um dia para esquecer e perdemos por cinco. Foi a primeira vez que vi o Pelé a jogar a bola. Aliás, eu disse a ele: se jogasse os dois jogos normal como estava a jogar, nunca ganhava do Benfica naquela noite. Foi sem dúvida um grande jogador ali”, disse o ”Pantera”.

O Golo Mil
Com tantos títulos e golos, foi uma questão de tempo até Pelé ficar próximo da marca dos mil. Ele veio em 11969, mas não de forma fácil. Para alguém tão acostumado balançar as redes, Pelé teve dificuldades para marcar após o golo 999. Primeiro foi obrigado a jogar como guarda-redes (ou preferiu ir, como contamos). No jogo seguinte, na Bahia, viu o central adversário salvar o golo em cima da linha, e por isso levar uma grande vaia dos próprios adeptos.
O palco então foi o Maracanã. O árbitro assinalou penálti aos 78 minutos de jogo durante a partida contra o Vasco da Gama, para delírio dos dos adeptos, inclusive da equipa do Rio de Janeiro, Pelé foi cobrar.
Apesar de ser o principal jogador do Santos, o camisola 10 nunca gostou de bater penáltis, Pepe era o jogador designado para a função. Pelé admitiu que sentiu medo antes de fazer história.
“Não é fácil. Quando coloquei a bola na marca, o Maracanã inteiro começar a gritar ‘Pelé, Pelé’. Eu só pensei: ‘meu Deus! Se eu perder esse golo. Eu tremi a perna”, contou Pelé durante um evento em 2016. 
Ele não perdeu. O jogo foi interrompido por causa da invasão dos repórteres que queriam registar as primeiras palavras após o golo mil. Pelé não tinha discurso preparado, então, espontaneamente, pediu apenas para que fosse dada maior atenção aos miúdos brasileiros. “Pensem no Natal, pensem nas criancinhas”.
No Livro “Pelé, Minha vida em Imagens”, o Rei conta que a ideia de dedicar o golo às crianças brasileiras surgiu pela lembrança de ter testemunhado um grupo de miúdos a roubar um carro enquanto saía de um treinamento do Santos semanas antes.

A Dor Nos Mundiais Que Levaram ao Sonho de 70
Se pensarmos no sucesso do Santos e da seleção brasileira na década de 60, é fácil imaginar que também é o período das maiores glórias de Pelé com a camisola amarela. Não foi.
Os mundiais do Chile e Inglaterra foram marcados por lesões e uma das piores participações brasileiras no torneio, mas motivou Pelé a participar do Mundial de 70, com uma das equipas mais celebradas da história.
Apesar de o Brasil ter-se sagrado bicampeão mundial em 1962 e Pelé ter oficialmente participado da conquista, ele pouco pode fazer no Chile. Pelé era titular absoluto e candidato a melhor jogador da competição, mas uma lesão na virilha ainda na terceira jornada tirou-o do resto do torneio. Coube a Garrincha mais uma vez brilhar e ser o herói brasileiro.
Em 1966, o Brasil era bicampeão, Pelé estava no auge e tudo indicava que o Rei do Futebol como o futebolista a brilhar em Wembley sob os olhares da rainha Isabel II. A violência rival, uma nova lesão e a falta de organização brasileira antes do mundial impediram isso.
Os problemas começaram antes mesmo da viagem para a Inglaterra. O Brasil chegou a ter 49 atletas a treinar, sendo que apenas 22 foram para o Mundial. No relvado, Pelé machucou-se ainda no primeiro jogo, diante da Bulgária, voltou apenas na terceira jornada, diante de Portugal. Eusébio, com dois golos, e António Simões, fizeram com que o Brasil não avançasse de fase e tivesse a sua segunda pior participação na história de um Mundial. Pelé, e os brasileiros, nunca perdoaram uma suposta violência dos Búlgaros e portugueses. Pelé chegou a dizer que nunca mais disputará um Mundial, dada a violência sofrida. Ao analisar o jogo contra Portugal, as acusações não sustentam-se. Foram 12 faltas de portuguesa contra 21 do Brasil.
Os relatos da época citam um golpe violento de Morais, mas apenas esta. Pelé revidou no fim do jogo , o que iniciou uma pequena briga no relvado.
O facto é que não foi a violência rival que eliminou o Brasil, mas sim a falta de organização de uma equipa que sofreu para aliar jogadores campeões mundiais, mas longe do auge, como Garrincha, com outros novos demais, como Tostão e Jairzinho. Diante deles, estava Portugal com Eusébio em sua melhor forma, naquela que é a melhor equipa portuguesa na história dos mundiais. Apesar da ameaça de retirar-se, a frustração com o desempenho na Inglaterra é o que motivou-o a jogar em 1970.
“Foi uma deceção, uma coisa triste. Tinha sido campeão em 58 e em 62. Em 66, seria a minha despedida. Eu ia me despedir. Aliás, ganhamos em 70 porque eu queria ter me despedido como campeão (em 1966) e não deu, porque me machuquei”, disse Pelé, em entrevista para o canal brasileiro “Sportv” em 2018.
Sorte do futebol. No México, os miúdos de 1966 eram líderes de suas respetivas equipas. Carlos Alberto Torres, Gérson, Rivelino, Jairzinho, junto com Pelé, lideraram aquela que para muitos é a melhor equipa da história dos mundiais. Se a camisola 10 é sinónimo de grande jogador, a “canarinho” de 1970 é exemplo que há espaço para muitos. Cinco titulares vestiam a famosa camisola em suas equipas no Brasil. A 10, obviamente, ficou com Pelé.
Naquele que foi o primeiro Mundial transmitido à cores, e em direto pela primeira vez em muitos lugares do mundo, o imaginário de gerações foi preenchido pelo futebol técnico e de toques calmos da camisola amarela brasileira. Foram seis vitórias, 19 golos marcados e sete sofridos. A Taça Jules Rimet foi erguida pela terceira vez pelo Brasil, desta vez em definitivo.
Curiosamente, Pelé é lembrado por jogadas espetaculares, mas golos perdidos. Contra a Checoslováquia, quase surpreende o guarda-redes com um chute do seu próprio campo de defesa. Nas meias-finais diante do Uruguai, faz um dos lances mais famosos de sua carreira. Pelé recebe passe em diagonal de Tostão, e corre para a esquerda, mas deixa a bola passar pela direita, um drible no guarda-redes sem tocar na bola. Com os postes vazios, Pelé chuta cruzado, para fora.
Ele marca o primeiro na vitória por 4-1 na final contra a Itália, mas seu lance mais famoso é o último golo. A bola passa por quase todos os brasileiros desde a defesa sem nenhum italiano tomá-la. Pelé a recebe próximo da área, mas ao invés do chute, toca para Carlos Alberto Torres marcar o golo do título. A jogada que tornou-se símbolo do jogo coletivo daquela equipa.

Depois do Mundo, o Cosmos
Com o Mundial em mãos, Pelé foi rápido na decisão de que não estará na Alemanha quatro anos depois. Já em 1971 retirou-se da seleção brasileira, em uma amigável diante da Jugoslávia. Jogou ainda mais três anos com a camisola do Santos. Em 2 de outubro de 1974, fez a última partida oficial no Brasil, aos 33 anos.
É possível dizer que foi apenas uma férias. Oito meses depois, Pelé tirava fotos com a camisola do New York Cosmos. O futebol estava a começar a ter a sua primeira liga profissional nos EUA, e o plano era atrair as maiores estrelas do mundo para que as finais do soccer atraíssem tanta atenção quanto os espetáculos do “Super Bowl”, do futebol jogado com a bola oval.
Pelé publicamente disse que a ideia de popularizar o desporto mais famoso do mundo também nos EUA é o que motivou-o a vestir novamente as chuteiras, mas é difícil também descartar o lado financeiro. No final da década de 60 descobriu que a maior parte do dinheiro recebido do Santos e de contratos de publicidade desapareceu devido a ação de seu empresário e estava basicamente falido. Os U$ 2,8 milhões por ano durante três épocas foram sedutores.
Independente do motivo, Pelé ajudou, pelo menos por um breve período de tempo, a fazer o americano gostar desse estanho desporto com apenas um ou dois pontos por jogo. Em 15 de junho de 1975, cinco dias depois de desembarcar nos EUA, ele fez sua primeira partida nos EUA, um amigável contra o Dallas Tornado que terminou empatado 2-2. Pelé fez um golo e deu passe para outro. Se o objetivo era esquentar o coração americano para o futebol, o primeiro jogo mostrou que a aposta podia dar certo.
“A atmosfera sobrecarregada lembrou as digressões americanas dos Beatles e do Papa - especialmente do último. Pelé não é uma figura imponente, com menos de 1,76 m, com cabelo bem cortado e olhos arregalados, quase infantis. Mesmo assim, conseguiu manter-se sereno diante do tumulto causado e tinha um senso de propósito quase messiânico. Como disse repetidamente: ‘vim ao seu país pois sei que sou o único que pode ajudar o futebol daqui. Espalhem a notícia de que o futebol finalmente chegou aos EUA’”, escreveu a revista “Sports Illustrated” sobre aquele dia em Nova York.
Pelé foi importante, mas não o único imortal a criar uma estranha geração de adeptos americanos naquele fim de década de 70. O Cosmos, com o dinheiro do conglomerado Warner, trouxe também nomes como Carlos Alberto Torres e o “Kaiser” alemão Franz Beckenbauer para a equipa. Mas não foi apenas o clube da “Grande Maçã” a contratar grandes nomes. Eusébio também aventurou-se na terra do “Tio Sam”.
Os rivais, e amigos, tiveram nos EUA o duelo mais bizarro de suas carreiras. Em junho de 1975, o Cosmos jogou contra o Boston Minutemen, de Eusébio. O estádio da Universidade de Boston tinha apenas 14 mil lugares, mas recebeu 20 mil adeptos naquele dia.
Eusébio marcou primeiro, em um golo de direto. Pelé igualou o placar logo depois, mas o golo foi anulado. Os adeptos não ligaram e invadiram o relvado para saldar o brasileiro. A partida foi interrompida e Pelé substituído por machucar o joelho e tornozelo direito com o ataque da multidão. O jogo terminou empatado. Pela regra na liga americana, era decidido um ponto extra com penalidades, vencida pela equipa de Eusébio. Após protestos do Cosmos, o jogo foi anulado e remarcado. na nova partida, vitória dos Minutemen por 5-0.
Eusébio jogou apenas 11 partidas em Boston, com 11 golos. O Pantera chegou a voltar ao EUA, mas já em outra época do futebol local. Já o Cosmos de Pelé, apesar de grandes nomes, conquistou apenas uma vez a liga com o camisola 10, em 1977. Pelé fez seu último jogo naquele ano, um amigável entre Cosmos e Santos. Ele jogou um tempo em cada equipa.
Apesar da promessa de Pelé, o futebol não conquistou os EUA com o Cosmos. A NASL (Sigla em inglês para Liga Norte-Americana de Futebol) ainda contou com outras lendas nos anos seguintes, com Johan Cruijff, mas perdeu popularidade na década seguinte, tendo o seu fim em 1984. O futebol só voltou aos EUA em 1996, com a atual MLS.

Entre Edson, Gestor da Marca Pelé
Pelé nunca foi um estranho para o marketing. Já quando jogador tinha a maior parte do seu rendimento não como futebolista mas sim por emprestar o seu nome para múltiplas marcas, mas após retirar-se, dedicou-se completamente à publicidade. O sucesso com o Cosmos transformou-o em estrela nos EUA. Em 1982, ao lado de Sylvester Stallone e Michael Caine estrelou no filme ‘Fuga para a Vitória”, do realizador John Huston (outros futebolistas, como Bobby Moore e Osvaldo Ardiles também atuaram no filme).
Uma correção: Edson é que faz tudo isso. Pelé é uma marca, Edson Arantes do Nascimento é quem a gerencia. Ouvir Edson citar “o Pelé” é comum, prática para manter incólume o futebolista que encantou multidões das palavras ditas fora do relvado.
Pelé nunca quis ser treinador. “Não sou louco”, disse uma vez. Talvez seja uma decisão sábia. Entrou para o folclore brasileiro as previsões erradas do rei em mundiais. Em 1994, disse que a Colômbia seria campeã, não passou da primeira fase. Em 2002, disse que o Brasil não avançará para os oitavos de final, foi campeão. Quando sugeriu que o avançado brasileiro Romário deverá retirar-se em 2005 (Romário estava a buscar a marca de mil golos, a contar jogos não-oficiais), recebeu como resposta: “Pelé calado é um poeta”.
Também se envolveu na política, campo onde foi contraditório por toda a vida. Disse que retirou-se da seleção pois estava satisfeito com o título de 70 e infeliz com a violenta ditadura militar brasileira a usar sua imagem para popularizar o regime. Na mesma década, defendeu que o “brasileiro não sabe votar”. Em 2013, grandes protestos dominaram o Brasil, em parte por causa dos grandes gastos com estádios para o Mundial de 2014. Pelé pediu publicamente para que não houvessem protestos contra o a competição e o futebol.
A atuação política mais forte foi durante a década de 90, em defesa a melhores condições para os futebolistas brasileiros. Em entrevista para a revista “Playboy”, criticou a corrupção no futebol brasileiro e a situação dos futebolistas nacionais, presos aos clubes mesmo após o fim do contrato de trabalho. Foi ministro do Desporto entre 1995 e 1998, quando foi redigida a nova lei de transferência para os futebolistas, a “Lei Pelé”. Ele criticou o facto que o texto final retirou diversas medidas da lei original, e chegou a pedir que retirassem seu nome dela.
Todas as contradições são parte de um Edson que responde perguntas com o mesmo improviso e espontaneidade que Pelé com a bola, mas sem o mesmo talento. É o homem que passou décadas a trocar provocações públicas com Diego Maradona por este ser considerado por alguns o melhor jogador da história, mas apareceu em 2005 a trocar passes com o rival, que entrevistou-o em seu programa de televisão.
A espontaneidade e desejo de agradar é que fazem Pelé ser o homem ideal para a publicidade. Já aceitou fazer comerciais de sandes, refrigerantes e até do medicamento Viagra, e recebe hoje milhões a mais do que quando futebolista. Nas inúmeras homenagens que recebeu, mostrou reverência ao futebol e a próprio mito. Conta as histórias da bola sempre a sorrir, e a referir-se na terceira pessoa.
“Tento sempre separar o Pelé do Edson. O Edson é uma pessoa normal de carne e osso, e o Pelé é eterno”, disse ao promover o documentário de sua vida, lançado em 2004, sem perder o senso de publicidade, já que a obra é chamada “Pelé Eterno”.
O número de aparições reduziu-se com o tempo. Uma série de cirurgias no quadril dificultaram a sua locomoção. No sorteio do grupos para o Mundial de 2018, participou em uma cadeira e rodas. Em um evento no Rio de Janeiro em 2018, usou um andador para chegar até o palco.
“Discutíamos ali atrás. mas decidi entrar assim. Deus me deu essa chuteira nova e decidi mostrar”, brincou Pelé, ao seu estilo. Talvez haja um pouco de futebolista no publicitário."

Que modelo económico para os clubes, Associações e Federações desportivas?


"Os recursos financeiros dos clubes, das associações e das federações desportivos(as) são constituídos, essencialmente, por:
· Quotizações: trata-se da adesão dos membros relativamente ao funcionamento das estruturas. São muitas vezes necessárias para poder beneficiar dos serviços propostos.
· Receitas: podem vender produtos, serviços ou propor atividades. Essas receitas são muitas vezes de origem privada, mas podem ser também dos serviços públicos.
· Financiamento público: o Estado (e outras instituições estatais) apoia, concedendo subvenções públicas. São atribuídas para financiar ações e projetos.
· Mecenato e dons: as empresas, como os particulares, apoiam. Os incentivos fiscais contribuem para desenvolver o modo de financiamento.
Em Portugal, não existe um estudo técnico-científico sobre o modelo económico dos clubes, das associações e das federações desportivas. O mesmo se passa para se saber o número de trabalhadores que empregam oficialmente. Estes estudos eram necessários para se ter uma ideia da evolução do modelo económico no desporto no seu conjunto, colocando em evidência as grandes tendências existentes. Numa crónica de jornal (Negócios, 13.10.2020), o Presidente do Comité Olímpico de Portugal, José Manuel Constantino (JMC), sublinha que “o financiamento público ao desporto é garantido em cerca de 70% pelos municípios. Em Portugal (dados de 2018) é ligeiramente superior (73%). Se nos municípios o apoio cresce, existe “um desinvestimento das políticas governamentais”, explica JMC.
O setor desportivo oferece uma resposta única a uma necessidade social. A necessidade é claramente identificada: praticar desporto, e as atividades dos clubes e das associações respondem a esta necessidade. No entanto, a diversificação crescente das atividades destas estruturas organizacionais pode colocar em causa esta questão. O modelo de financiamento através dos fundos públicos e privados leva a uma certa autonomia, à capacidade de projeção e uma liberdade de ação, mas tende também para o sentido da esfera mercantil, o que leva a algumas fraquezas: risco de enfraquecimento do compromisso voluntário, risco de fiscalização, afastamento das pessoas, etc. Um inquérito eletrónico deveria ser colocado em prática para todos os clubes, associações e federações desportivos(as), procurando as suas respostas relativamente ao seu modelo económico, na esperança de que as respostas pudessem ser válidas para efeitos de tratamento estatístico. Claro que uma amostra nacional representativa poderia facilitar o trabalho. Nesta altura de pandemia pela Covid-19, um estudo desta natureza era bem-vindo."

Sem vivência, não há competência


"Toda a nossa vida se faz de incongruências, de sobressaltos e das mais diversas paisagens. Percorri a Europa, de Lisboa a Moscovo, visitando boa parte do que mais estremecido e delicado ela tem; passei pelos USA e conheci a América Latina, de almas atravessadas de desejos e revoltas, como de espadas, onde beijei as mãos de D. Helder Câmara e acolhi sábios conselhos de Paulo Freire; e de África, onde todo o português que o pudesse fazer deveria vir em romagem, relembro, sobre o mais, o Tarrafal, principalmente o Tarrafal, que conserva ainda um sabor agressivo, agoniante e jamais esquecerei a viagem que o Presidente da República de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, meu excelso Amigo e escritor da mais alta vibração poética, me proporcionou; visitei alguns retalhos da China, fascinei-me com Hong-Kong e com Macau e… não cheguei às terras longínquas da Oceania. Mas, mergulhando, uma vez mais, no ardente e fluido curso das minhas recordações, é do Brasil de quem mais saudades sinto. De facto, na pátria de Machado de Assis muito aprendi, principalmente a conjugar, no conhecimento científico, o rigor metodológico e a motivação política. Registo, com emoção, o nascimento do Partido dos Trabalhadores, ao lado de colegas brasileiros de sensibilidade social admiravelmente bem modulada, quase todos eles também finíssimos saboreadores da “res musicalis”. Demais, era o tempo de vigorosa e sentida atenção à música de Tom Jobim, Vinicius e João Gilberto. Descobria-se, na experiência estética desta música brasileira, uma abertura a um amplo universo de significados e caracterizava-se por centrar-se sobre a própria mensagem – que não era unicamente política. Quem não se lembra do Samba de uma nota só?:
“Eis aqui este sambinha 
Feito numa nota só
Outras notas vão entrar
Mas a base é uma só
Esta outra é consequência
Do que acabo de dizer
Como eu sou a consequência
Inevitável de você
Muita gente existe por aí
Que fala fala e não diz nada ou quase nada
Já me utilizei de toda a escala
E no final não sobrou nada não deu em nada
E voltei pra minha nota
Como eu volto pra você
Vim mostrar com minha nota
Como eu gosto de você
Quem quiser todas as notas: ré, mi, fá, sol, lá, si dó
Fica sempre sem nenhuma
Fique numa nota só”…
Dialoguei, com demora, no Brasil, e aplaudi com entusiasmo, a rejeição de um discurso moralista e puritano, que não cessa de desvalorizar o corpo e que julga que a via da humanização passa pela purificação dos instintos “mais baixos”. E assim se confina a sexualidade à alcova, ao silêncio. A visão platónica do corpo dissociava, como inimigos figadais, o amor carnal do amor espiritual. Na Reforma protestante, na vida de um homem probo, esclarecido e realizador, toma parte relevante o trabalho e redescobre-se o sexo e a ociosidade como os grandes inimigos da riqueza e da prosperidade (será preciso recordar a teoria da predestinação?). A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, de Max Weber, e Eros e Civilização, de Marcuse, dois livros fascinadores e complexos, esclarecem-nos como a “teoria do desempenho” burguesa promove a dessexualização do corpo e da própria sociedade. O princípio de adestramento do corpo, inclusive no desporto, incita o trabalho a transformar-se não apenas num freio para o sexo, mas a promover, mesmo nos Ronaldos e nos Messis e noutros prodígios iguais, um processo de dessexualização e deserotização do corpo. Se bem me lembro do que li em Marcuse, no seu livro Eros e civilização, posso adiantar que se assiste a uma “super-repressão sexual” no “princípio do desempenho”. Quero eu dizer: podem convergir, demasiadas vezes, no desporto altamente competitivo, eficiência e repressão. A consequência de uma sociedade dualista (dualista, na economia, nas finanças, na sociedade) é, também na família, uma “dupla moral”. Frequentemente, embora cada vez menos (graças a Deus!), na educação dos jovens, a educação do rapaz difere da educação da menina, pois que esta existe, sobre o mais, para ser uma boa mãe – tranquila e sonhadora, quieta e desambiciosa e vítima de uma educação que faz dela um ser dessexuado. Lembram-se do romance de Mário de Andrade, Amar verbo intransitivo, em que um pai contrata uma governanta alemã, sob o pretexto de educar os filhos (um rapaz e duas meninas) mas com o objetivo oculto de iniciar o rapaz, só o rapaz, na vida sexual? Enfim, não é verdade que o antropocentrismo se confunde, frequentemente, com androcentrismo?...
Com tanta e tão sofisticada tecnologia, tenho receio que os campeões desportivos, ao contemplarem-se no espelho, passem a duvidar, se são homens ou máquinas. E, numa sociedade chagada pelos vícios do capitalismo, onde a máquina se afirme mais pelo poder do que pela sabedoria, mais pela arrogância do que pela humildade, mais pela vontade de auto-afirmação do que pela sinergia entre filhos do mesmo Pai. “O universo é em tudo cooperativo, pois todos os seres são interdependentes entre si. A lei orientadora na evolução dos seres vivos não visa à sobrevivência dos mais fortes (se assim o fosse, os dinossauros estariam ainda entre nós) mas à preservação do equilíbrio dinâmico, para que todos possam estar inseridos, possam viver e se desenvolver (Leonardo Boff, A voz do arco-íris, Sextante, Rio de Janeiro, 2004, p. 131). Um “quidam” qualquer, como eu, percebe que todos os seres vivem impregnados de espírito, quero eu dizer: em todos eles é possível visionar um sentido! Em todos eles, encontramos horizontes de espiritualidade, o “fiat” criador que os põe na constituição do real e a transcendência que os faz caminho do Absoluto. Todas as criaturas, mais do que seres, são um “tornar-se”, pois que num mundo de paz imperturbada, sem réstea de movimento, jamais poderíamos respirar esta sensação capitosa de sol e de risco de quem sabe o sentido e a significação da existência, mas não sabe, se a não vive, a originalidade de uma profunda vida interior. E… sem dúvidas? Só com certezas? Sim, com dúvidas, dado que a fé é um caminhar na noite mas com a coragem de instalar a Esperança onde a complexidade é mais complexa e mais condicionante a própria educação. Também eu tenho para mim que Deus fez-nos pouco, seres limitados e agónicos, para que nós nos pudéssemos fazer muito. Há um vazio axiológico, na educação e no desporto. São muitas as normas, as leis e os decretos, mas quem acredita na mundividência de tudo isto se, no ensino, nas universidades, nos grandes clubes, são inúmeros os aspirantes a técnicos, a especialistas, com um fascínio aviltado do “ter”, mas que se esquecem de crescer, simultaneamente, como pessoas?
“Sem vivência, não há competência”. E, porque a vida é, sobre o mais, um “tornar-se”, um sujeito histórico com a necessária competência deve acrescentar à tecnociência o sentido que a vida tem, ou seja, a busca incessante do Absoluto, sem esquecer as condições objetivas ou as injustiças sociais. É patetice pretender inovar a realidade, com teoria apenas. Mas não é menor estultícia julgar que a prática transforma, abdicando de princípios, de valores, de uma certa motivação emocional. Qualquer projeto sério de mudança implica engajamento ideológico e recebe deste motivação decisiva. Um ponto ainda a salientar: aplaude-se ainda, com mesura, que a democratização do conhecimento possa significar apenas simplificação apressada do saber para as camadas populares. Com isto, mesmo sem o dizer, propagando mesmo uma doirada orgia de promessas, admite-se que ao pobre cabe um saber mascarado de ciência. E continuamos bem longe do anelo de Alceu Amoroso Lima de “elitização das massas e massificação das elites”. Recordo o Eduardo Prado Coelho, em Tudo o que não escrevi – II: “é preciso ver como se fosse o olhar de um pobre, como se fosse dar a ver a um pobre”, no seio de uma sublime operação de “conduzir a força do amor até à invisibilidade de si mesma” (pp. 58/59). Quando se passa por Roma e por Florença e por Nápoles, três cidades que me seduzem, cada uma das pedras de um monumento alberga um segredo, detém uma evocação, que se escutam com vagares de admiração e amor. Aliás, em Teilhard de Chardin, o Universo converge, pelo amor de Deus e de todas as criaturas, para um estado superior de consciência que tornará capaz a este nosso mundo de dar ao ato de caridade, à solidariedade em suma, uma amplidão cada vez mais cósmica. Sempre o Amor! Sempre um Amor tapetado de Esperança! “E Deus será tudo, em todos”."

quinta-feira, 22 de outubro de 2020

Vermelhão: Complicado...

Lech Poznan 2 - 4 Benfica


Resultado enganador, os polacos deram muita luta, correram muito, e o Benfica voltou a demonstrar debilidades defensivas, principalmente no controlo da profundidade, tanto nas 'costas' dos centrais, como no espaço entre os centrais e os laterais! O conceito 'bola aberta', 'bola fechada' ainda não foi entendido na totalidade pelos jogadores da linha mais recuada... A protecção dos extremos aos respectivos laterais, também ficou muito aquém do que seria necessário! E logo contra uma equipa que praticamente em todas os ataques, envolvia os seus laterais...

Ofensivamente, com o regresso do Taarabt até tivemos mais armas, mas acabámos por ser demasiado perdulários! Por exemplo, o falhanço duplo (Darwin/Luca) no início do 2.º tempo, que daria o 1-3, praticamente no ataque seguinte deu o 2-2!!! A presença do Pizzi no lugar do Rafa, trouxe problemas de equilíbrio ofensivo e defensivo...

Enguiço quebrado e logo com um hat-trick! Os dois primeiros golos, são grandes golos em qualquer lado... Aquela 'cornada' no 1.º golo, mais uma vez, fez-me comparar o Darwin, ao Ronaldo! Não tem o mesmo talento, mas as características são parecidas!!!
Mas neste momento o jogador mais importante do esquema do Benfica é o Gabriel... tanto na circulação de bola, como na recuperação... Sendo que hoje, os polacos, acabaram por encarrilar o jogo todo pelas alas, 'fugindo' ao Gabi...
A questão dos Centrais hoje 'assustou-me'! É verdade que a maioria dos nossos adversários não têm as características do Lech, mas a combinação entre velocidade, com caparro, com alguma qualidade de passe, realçaram os problemas da nossa linha defensiva... E só a entrada do Jardel perto do fim, como 3.º central acabou por 'tapar os buracos'!!!
Odysseas muito bem, até nos cruzamentos!!!
O Gilberto foi ultrapassado uma ou duas vezes, no um contra um, porque foi 'passarinho', mas no geral até não esteve mal... Agora, tem que continuar a ouvir as 'palavras amigas' do Jesus, pois tem potencial para fazer melhor...

Com a vitória do Rangers em Liége, podemos ter um grupo decidido a dois, o que seria excelente, pois iria permitir uma rotação total nas últimas jornadas! O calendário desta época é brutal... E o jogo de hoje, foi extramente desgastante a nível físico... muita correria, muitos contactos duros, algo comum a todos os nossos adversários deste grupo da Liga Europa!

Mais uma vitória...

Boa Hora 25 - 31 Benfica
(14-17)
Moreno(6), Djordjic(4), Kiko(4), Pais(3), Nyokas(3), Belone(3), Rahmel(3), Arnau(2), Martins(1), Kukic(1), Matic(1), Loureiro, Cavalcanti, Tavares; Capdeville, Hernandez

Obrigação cumprida...

Taça de Portugal: UCS Paredes


Realizou-se hoje o sorteio da 3.ª eliminatória da Taça de Portugal, calhando em sorte ao Benfica, o 
Paredes. Terra de muitos Benfiquistas...
Recordo as dificuldades que o ano passado tivemos em Vizela!

Arouca FC - Vitória SC
Real SC - Belenenses SAD
Felgueiras/Valadares Gaia - Tondela
Monção - Rio Ave
União de Leiria - Portimonense
Sacavenense - Sporting
União Paredes - Benfica
Penafiel - Marítimo
Trofense - Braga
União Oliveirense - Paços de Ferreira
Fabril Barreiro - FC Porto
Oriental - Famalicão
Beira Mar . Santa Clara
Vizela - Boavista
Casa Pia - Nacional
Merelinense - Moreirense
Oleiros - Gil Vicente
Clube Futebol Estrela - Farense
Estoril Praia - Lusitano
Ginásio Vilafranquense - Sanjoanense
Montalegre - Vitória FC/Académico de Viseu
Vilaverdense/Lourinhanense - Olímpico do Montijo
Anadia - Pinhalnovense
Académica Coimbra - Rebordelo/Varzim
Oriental - Dragon
Leixões - Feirense
Amora - Espinho
Gondomar - Os Limianos
Fontinhas - Pedras Rubras/Salgueiros
Covilhã - Marinhense
Cova da Piedade - União
Torreense - Alverca
Fafe - Vilar Perdizes

Informação


"Face à decisão anunciada hoje pelo Conselho de Ministros que estabelece a proibição de circulação entre concelhos entre os dias 30 de outubro e 3 de novembro, o que colide diretamente com a data de realização das Eleições dos Órgãos Sociais do Sport Lisboa e Benfica para o quadriénio 2020-2024, informa-se que o presidente da Mesa da Assembleia Geral convocou e ouvirá amanhã representantes das candidaturas para análise da situação."

Escândalos!!!


"Meus amigos, o pináculo da hipocrisia está a passar nas TV´s e redações de jornais de todo o País. Hoje à noite fala-se de palavras como "escândalo", "vergonha" e até se chega ao cúmulo de pedir desculpa aos árbitros e VAR´s de Portugal. Os mesmos árbitros e VAR´s que em TODOS os jogos do Calor da Noite desde a primeira jornada têm beneficiado de forma despudorada essa associação de escumalha! Fazem o que querem e ainda gozam com este estado deplorável da arbitragem em Portugal. Que siga este festival pornográfico sem que o Benfica diga ou faça nada.
Aqui não houve "vergonha", nem "escândalo":

Aqui não houve "vergonha", nem "escândalo":

Aqui não houve "vergonha", nem "escândalo":

Aqui não houve "vergonha", nem "escândalo":

Aqui não houve "vergonha", nem "escândalo":

Aqui não houve "vergonha", nem "escândalo":

Aqui não houve "vergonha", nem "escândalo":

Aqui não houve "vergonha", nem "escândalo":
."

Um jornal, duas redações???!!!

 

"O jornal que dizem ser “benfiquista” a mostrar hoje, mais uma vez, a coerência de sempre."

Ambição assumida


""Não queremos passar por esta Liga Europa, queremos chegar ao fim desta Liga Europa, estar em Gdansk. Esse é o nosso objetivo, mas um objetivo de cada vez. O primeiro é passar esta fase de grupos, e o jogo de amanhã [hoje, às 17h55] visa esse pensamento. Começar bem é começar com uma vitória." 
Foi com esta declaração que o nosso treinador, Jorge Jesus, manifestou a ambição que norteia a participação benfiquista na Liga Europa na presente temporada. Ter a oportunidade de disputar a final, e vencer, é o objetivo primordial do Benfica na competição, sabendo-se que estão ainda bem vivas na memória coletiva benfiquista as finais disputadas em anos recentes, também com Jorge Jesus ao leme da equipa, e que só por infelicidade não foi possível trazer as taças para o magnífico Museu Benfica - Cosme Damião.
Mas como também referiu o nosso treinador, para que esse desígnio possa ser alcançado, outros objetivos terão de ser cumpridos, desde logo passar a fase de grupos. E nada melhor para consegui-lo do que começar com um triunfo já hoje, na Polónia, frente ao Lech Poznan.
O Benfica não enjeita o estatuto de favorito neste confronto com a equipa polaca, mas sabe que é no campo que se confirma esse propalado favoritismo, pois terá do outro lado, certamente, um adversário apostado em contrariar a teoria e que Jorge Jesus reconheceu tratar-se de uma equipa que "tem as suas ambições e uma ideia de jogo muito interessante".
E o histórico praticamente inexistente não nos ajuda a perspetivar a partida desse ponto de vista: Benfica e Lech Poznan nunca se defrontaram e só por duas vezes o Benfica se exibiu na Polónia em competições oficiais (dois empates, com o Katowice e o Ruch Chorzów, ambos a contar para a extinta Taça dos Clubes Vencedores das Taças).
Começar bem a participação na Liga Europa, com um triunfo, é o que todos ambicionamos, e só depois redirecionaremos o foco para os desafios que se avizinham. O jogo na Polónia será o segundo de uma série de sete em apenas 22 dias. Força, Benfica!"

Lech Poznan x SL Benfica | Os 4 jogos contra polacos na UEFA



"Há uma qualquer atracção do Lech Poznan pelos portugueses. Quando defrontar o SL Benfica, esta quinta feira (17h55), será a terceira vez que defrontam clubes nacionais em três participações uefeiras: SC Braga (16 avos, 2010-11) e Belenenses (Fase de Grupos, 2015-16) não passaram no frio polaco, não conseguindo melhor que uma derrota e um empate, estatística que acentuou ainda mais a dificuldade lusa nas deslocações aquele país – no total, apenas duas vitórias em 13 jogos, registo fraco e que amedronta as aspirações do Benfica no confronto da Liga Europa.
Jesus muito menos tem boas recordações da capital, Varsóvia, onde perdeu pelo Sporting CP frente ao Legia (1-0) em 2016-17. O treinador português não espera facilidades e não deverá alterar muito em relação ao onze de Vila do Conde, sabendo de antemão que é essencial entrar com o pé direito na prova.
Os polacos são comandados por Darius Zuraw, técnico de 47 anos que foi promovido da equipa secundária no final de 2018-19. Criado numa cultura futebolística que tem como primeiras referências os nomes de Lato, Boniek e Lewandowski, não admira que o treinador baseie o seu sistema em ousados ideiais ofensivos, construíndo o onze titular sobre um habilidoso triângulo de meio-campo composto por Pedro Tiba, Moder e Daní Ramírez.
Perto do português, que funciona como ‘8’, Moder afirma-se nos grandes palcos e interpreta o papel de médio mais defensivo. Polaco, de 21 anos, é um dos grandes destaques da equipa e faz, por estes dias, as delícias dos scouts europeus pelas características singulares do seu jogo: a técnica e visão de jogo que possui permitem-lhe funcionar como o pêndulo do 4-2-3-1, orquestrando o onze desde a primeira fase de construção e permitindo liberdades a Ramírez, o ‘10’ declarado.
Espanhol formado no Leganés e com passagem pelos escalões inferiores do Real madrileno, será a principal dor de cabeça para a defensiva encarnada pela criatividade e movimentações no apoio ao ponta-de-lança de serviço, Mikael Ishak, internacional sueco já com sete golos em 2020-21.
Há boas notícias para o Benfica, no que toca a ausências. Djordje Crnomarkovic e Ljubomir Satka, centrais habitualmente titulares, estão de fora por razões díspares. O primeiro por estar infectado com Covid, o segundo pela expulsão no play-off, o que permite a titularidade à quarta opção, Tomasz Dejewski.
Pormenores que os encarnados têm em atenção e que podem facilitar e muito a missão portuguesa em Poznan. Se a isso juntarmos o histórico benfiquista contra equipas do país, menos preocupações haverá quanto às possibilidades de sucesso. Nas duas vezes que se deslocaram à costa do Báltico, houve empates em casa do Katowice (1-1, 93-94) e Ruch Chórzow (0-0, 96-97), ambas as ocasiões a contar para a extinta Taça das Taças e que permitiram resolver as eliminatórias no calor de Lisboa. Recordemos esses encontros, com direito a ficha de jogo.

1. SL Benfica 1-0 GKS Katowice
15 de Setembro de 1993
Taça das Taças 1993-94, Primeira eliminatória

Onzes Iniciais:
Neno; Abel Xavier (64’, Rui Águas), Mozer, William, Schwarz; Paneira, Rui Costa e Isaías; João Vieira Pinto, Aílton e César Brito.
Janusz Jojko; Krzysztof Maciejewski, Kazimierz Wegrzyn e Grzegorz Borawski; Marek Swierczewski, Miroslaw Widuch, Dariusz Rzezniczek e Adam Kucz; Zdzislaw Strojek, Marian Janoszka e Dariusz Wolny.
Marcadores: Rui Águas (86’)

O golo tardio de Rui Águas não fez justiça a uma tarde dominadora do Benfica, ainda que a exibição tenha sido muito aquém do que aquela equipa podia fazer. Depois de três empates a abrir a Liga, esta vitória europeia lançou os encarnados para uma série de sete vitórias consecutivas, que só terminou no final de Novembro, no Bonfim (5-2), jogo marcado pelo vendaval atacante, resultado de um tornado chamado Yekini e pela mudança tática de Toni, que a partir daí começou a contar com Kulkov a ‘6’, de forma a proteger Rui Costa e companhia.

2. GKS Katowice 1-1 SL Benfica
29 de Setembro de 1993
Taça das Taças 1993-94, Primeira eliminatória

Onzes Iniciais: Neno; Abel Xavier, Mozer, William e Veloso; Paneira, Schwarz e Rui Costa e Isaías; João Vieira Pinto e Rui Águas
Janusz Jojko; Krzysztof Maciejewski, Kazimierz Wegrzyn e Marek Swierczewski; Grzegorz Borawski, Miroslaw Widuch, Dariusz Rzezniczek e Zdzislaw Strojek; Marian Janoszka, Adam Kucz e Dariusz Wolny.
Marcadores: Adam Kucz (45’) e Vítor Paneira (70’)

Foi antes de uma ida a Famalicão que o Benfica viajou para a Polónia para confirmar a passagem à próxima fase. Chegados ao GKS Stadion, as bancadas á pinha foram ilusão de glória para os da casa, ainda que o ímpeto os tenha permitido ir para o intervalo a vencer e com a eliminatória empatada. Porém, a experiência do Benfica sobrepôs-se à histeria e Paneira, golpeando de cabeça bola perdida ao segundo poste, acabou de vez com as todas esperanças.
O próximo adversário seria o CSKA de Sófia, antes de Leverkusen (e os míticos 4-4) e, finalmente, o Parma.
O GKS Katowice está neste momento a competir na segunda divisão.

3. SL Benfica 5-1 Ruch Chorzow
12 de Setembro de 1996
Taça das Taças 1996-97, Primeira eliminatória

Onzes Iniciais:
Preud’Homme; Calado, Hélder, Bérmudez e Dimas; Jamir e Bruno Caires; Valdo e Panduru; Donizete e João Vieira Pinto.
Piotr Lech; Gasior, Gesior, Baszczynski e Jaworski; Pieniazek e Arkadiusz Bak; Rowicki, Mosór e Miroslaw Bak; Srutwa.
Marcadores: Donizete (24’), JVP (26’), Jamir (31’), Valdo (68’ e 90’) e Gesior (71’)

Havia entusiasmo no inicio de época, esperanças renovadas em temporada de sucesso assente na chegada do treinador campeão brasileiro Paulo Autuori, contratações sonantes como Donizete e Paulo Nunes e em inovações táticas como o 4-2-2-2, conhecido entre o povo benfiquista por alcunha inusitada. Balde de águia fria na Supertaça frente ao FC Porto, com derrota por 5-0 na Luz (!), procurava-se na Europa o oxigénio que permitisse respirar melhor perante pressões exteriores – ainda para mais depois do descalabro frente ao Bayern de Munique na Taça UEFA 95-96, com 7-2 no agregado e seis golos do alemão Klinsmann, justificando a alcunha de… Kataklinsmann. Frente ao Ruch, à altura 16º classificado da Ekstraklasa, tirou-se a barriga de misérias e acentuou-se o entusiasmo geral em torno das novas circunstâncias da equipa. Ingenuamente…

4. Ruch Chorzow 0-0 SL Benfica
26 de Setembro de 1996
Taça das Taças 1996-97, Primeira eliminatória

Onzes Iniciais: Piort Lech; Pieniazek, Fornalak, Wawrzyczek e Basczynski; Arkadiusz Bak e Gesior; Mizia, Mosór e Rowicki; Srutwa.
Preud’Homme; Pedro Henriques, Hélder, Bermúdez e Marinho; Tahar El-Khalej e Jamir; Valdo e Panduru; João Vieira Pinto e Donizete.

Era assim que o Programa de Jogo apresentava o conjunto forasteiro, antes da primeira mão: «Da equipa polaca, muito jovem e com alguma habilidade, que hoje se apresentará no nosso Estádio pelas 21h30, fazem parte os internacionais Gesior e Dabrowski. O técnico Jerzy Wynorek, que foi figura grada do clube nos anos setenta, tem uma equipa onde o setor mais forte é o defensivo, com um guardião muito experiente (mais de 155 jogos de campeonatos) e que dá pelo nome de Kolodziejczyk. 
No meio-campo, a “despesa” é feita por Gersior – o estratego – e Mosor e, no ataque, conta com Miroslaw Bak (já alinhou no Athinaikos, da Grécia), avançado experiente e que costuma fazer dupla com Mariusz Srutwa. 
Uma formação que irá apresentar-se no nosso Estádio, após ter eliminado na pré-eliminatória o Liansntffraid, do País de Gales, com quem empatou a um golo e venceu por 5-0.»
Não sem antes terminar com premonição curiosa, «No seu estádio, que comporta 40 mil pessoas, deverá querer rectificar, daqui a quinze, com certeza, o desfecho de hoje…»
Como se previa, a evidente diferença de qualidade individual permitiu ao Benfica gerir esforços e avançar para uma caminhada onde encontraria o Lokomotiv de Moscovo (4-2) e a Fiorentina de Rui Costa e Batistuta (1-2).
O Ruch Chorzow é, por estes dias, também concorrente na Segunda Liga Polaca. O seu maior feito de sempre é uma final da Intertoto perdida em 1998, frente ao Bolonha."

Big Six: a insurreição dos super-ricos está em marcha na Premier League


"Descobriu-se um (outro) alegado plano para formar, a partir de 2022, uma nova Superliga europeia, envolvendo os clubes mais ricos de cinco países e, portanto, o Liverpool, Manchester United, Arsenal, Chelsea, Manchester City e Tottenham; por outro lado, estes também planeiam uma nova Premier League e chamam-lhe Project Big Picture. São os chamados Big Six, os Seis Grandes de Inglaterra, e esta não foi a primeira vez, só este mês, que aparecem ligados a planos para mudar a organização geral das coisas no futebol. O que conta: quem é mais endinheirado fora do campo ou quem mais faz lá dentro?

A Liga dos Campeões há muito que desonra o nome, não é só um direito de quem ganha, não é recompensa para quem ganhe caneco, isso são tempos idos; é, sim, fruto a ser colhido por quem termina lá em cima no seu campeonato nacional e por isso lá vai, cifrões a reluzirem nos olhos, para dentro de uma competição em que até se pode perder todos os jogos da fase de grupos, mas cerca de €15 milhões ninguém tira a cada clube.
É a liga do dinheiro, a liga dos milhões, em que zeros à direita ganharam maior peso que os zeros à esquerda no campo. O torneio quer celebrar o campeão dos campeões dos segundos, dos terceiros e até dos quartos lugares e, porque joga também com coisas como direitos televisivos, coeficientes da UEFA e fatias de mercado, o lado financeiro é muitas vezes o elemento mais celebrado. 
Quando, na terça-feira, a “Sky Sports” deu conta de um suposto plano secreto em marcha para criar uma nova Superliga, sem que campeões ou classificações nacionais sejam chamados ao barulho, o que se leu na primeira linha do texto foi a ideia principal que o futebol parece cada vez mais querer rematar: “a nova prova é apoiada por um pacote financeiro de €5 mil milhões”.
Os cifrões nos olhos.
O complô descoberto pela televisão britânica dizia respeito apenas ao futebol inglês e a seis clubes em particular. O Liverpool e o Manchester United, à cabeça, deduz-se que por serem o atual campeão da Premier League e o clube mais rico do país - e por serem eles quem estão a negociar a criação da competição, seguidos do Arsenal, do Chelsea, do Manchester City e do Tottenham.
São os chamados Big Six em Inglaterra, assim conhecidos não necessariamente pelos títulos, troféus ou historial vencedor, mas por serem os clubes que mais faturam no país. Os mais ricos, segundo a mais recente Football Money League, ranking mundial atualizado pela Deloitte todos os anos e que tem, há vários, esta meia dúzia no top-20.
Os clubes mais ricos, sendo já ricos, têm mais riqueza para comprar os treinadores, jogadores e infraestruturas que pretendem. O resto é um exercício simples: quem tem mais dinheiro para comprar os melhores, provavelmente forma as melhores equipas e lógico será que os seus jogos suscitem maior interesse nos adeptos.
Com esta nova Superliga europeia, os ricos ficarão mais ricos, porque será uma competição só para os endinheirados de Inglaterra, Espanha, Alemanha, França e Itália até se completar um formato com 18 equipas que terá sido desenhado pela FIFA - é suposto que seja jogada durante o calendário normal da temporada, como se houvesse oxigénio em barda para ser respirado.
Porque todos esses países já têm, pelo menos, duas competições internas que se entrelaçam com a Liga dos Campeões e a Liga Europa, organizadas pela UEFA. Depois, há os amigáveis de seleções que ainda se fazem nos intervalos inexistentes, mas forçados, da chuva da Liga das Nações e da qualificação para o próximo Europeu ou Mundial, dependendo da volta ao sol que esteja em andamento.
“Há dois anos que jogo sem descanso. Ninguém ouve os jogadores. Às vezes fico preocupado”, desabafou, há tempos, Kevin de Bruyne, queixando-se da sobrelotação do calendário. Pouco depois, de Bruyne, do City, lesionou-se.
Nada que, pelos vistos, importune os Big Six. Estarão agora em conversas com a FIFA, alegadamente sem a UEFA ao barulho, para que se crie mais uma prova na agenda do futebol europeu que envolva mais dinheiro (com o alegado apoio da JP Morgan, gigante americana de gestão de fundos) para quem participar nela - por sinal, os clubes que geram, faturam e mexem com mais euros.
Uma Superliga para super clubes: a ideia é essa. E não foi a primeira vez, este mês, que Liverpool, Manchester United, Chelsea, Arsenal, Manchester City e Tottenham apareceram juntos e associados a ideias de mudar coisas.
Na semana passada, o “Daily Telegraph” revelou o conteúdo de uma versão editada, umas 17 ou 18 vezes, do “Project Big Picture” e o conteúdo do documento pode ser resumido assim: a Premier League deveria ser reduzida de 20 para 18 equipas; as duas últimas classificadas passariam a descer automaticamente e a 16.ª jogaria um play-off com o terceiro lugar do Championship, a segunda divisão; o fim da Taça da Liga Inglesa; e os pagamentos milionários aos clubes despromovidos, conhecidos como "paraquedas", acabariam, em detrimento de contribuições anuais da Premier League às divisões inferiores.
O rascunho desta eventual proposta, até aqui, poderia fazer sentido, tendo em conta as desigualdades cavadas no futebol inglês desde 1992, quando se criou a Premier League e o dinheiro foi respondendo ao encanto do seu chamamento, para mal das finanças dos 72 clubes nos três degraus abaixo e da English Football League (EFL), que os organizaA propósito, quem toma conta da entidade é Rick Parry, um dos supostos três redatores do “Project Big Picture”.
Os outros são John Henry e o Joel Glazer, ambos americanos, os dois com fortuna germinada fora do desporto. O primeiro manda no Manchester United, o segundo no Liverpool.
Os mesmos clubes que, alegadamente, privaram com a FIFA para congeminar a nova Superliga europeia, tiveram os donos a magicarem também um plano para a Premier League que eriçou críticas vindas um pouco de todo o lado. Não apenas pelas mudanças já descritas, mas por manigâncias propostas para os bastidores. Para onde se tomam decisões.
O documento defendia que os nove clubes com mais épocas feitas na Premier League tivessem poder de aprovação, ou veto, em certos assuntos, como os direitos televisivos ou o calendário, por exemplo. Desses clubes mais experientes, três são o Everton, o Southampton e o West Ham; os outros são os seis que nós sabemos, que, além de mais ricos, ficariam mais poderosos em lugares onde potencialmente se decidem temas relativos ao engordar ou emagrecer dos seus cofres.
Disse-se que os restantes 14 clubes da Premier League não gostaram, o oposto também se disse em relação aos 20 que competem no Championship e à maioria dos que habitam na League One e Two, onde os acordos para os pacotes conjuntos das receitas de direitos televisivos são negociados em outros planetas, mais terrenos e humildes: para o ciclo 2019-22, o acordo do campeonato prevê receitas a ronda os €9.5 mil milhões; o Championship ficou em cerca de €399 milhões.
A posição favorável dos andares debaixo do futebol inglês também teria algo a ver com o "Project Big Picture" prever, também, a criação de um fundo, de €277 milhões, que ficaria disponível para a EFL resgatar clubes em dificuldades - e, sobretudo, a promessa de a entidade ficar com 25% das receitas televisivas geradas pela Premier League.
Dias depois de ser noticiado, contudo, os 20 clubes do principal campeonato inglês reuniram-se virtualmente, comprometeram-se a não apoiar o plano e a trabalharem em conjunto num programa de reforma.
Dinheiro e poder de voto decisivo em matérias sobre dinheiro. Foi isso que levou o plano a ser visto como uma tentativa gananciosa de dois dos Big Six para criarem mais condições para essa meia dúzia continuar a usufruir do berço em que se encontra. "Estamos desiludidos e surpresos que, numa altura de crise, em vez de as altas instância do futebol se unirem para ajudarem os clubes das divisões inferiores, parece haver acordos a serem cozinhados para criar uma loja fechada no topo do futebol", lamentou até, à "CNN", um porta-voz do Departamento de Desporto do governo britânico.
Os tais dois clubes cujos donos se chegaram à frente e também estariam a negociar, com a FIFA, a criação da tal nova competição europeia - mas sem o aval de quem ordena o futebol europeu -, fizeram-no para os mais ricos jogarem entre si e partilharem mais riqueza entre eles.
Seriam esses seis clubes ingleses mais ricos a terem a sua palavra com maior peso em matérias de dinheiro segundo o "Project Big Picture" que, vendo as coisas a partir da base da pirâmide, até faria sentido. Seria "um novo começo para revigorar os clubes nas divisões inferiores e as comunidades onde estão baseados", argumentou Rick Parry, único dirigente que defendeu publicamente o plano.
Mas, tanto na base como no topo, a questão é o dinheiro e, lá em cima, Manchester United, Liverpool, Arsenal, Manchester City, Chelsea e Tottenham, além de serem quem mais o tem, iriam ser quem mais manda."

Responsabilidade individual (em tempo de covid): uma escolha ou uma necessidade?


"Não somos uma cultura que se caracterize por uma parametrização correta dos comportamentos a ativar (ou aumentar) – muito menos pela sua monitorização e consequente validação.
Tal não sucede no contexto académico, onde muitas vezes se valida a “performance competitiva” (ou seja o desempenho em contexto de teste – efetivo ou decorrente de outras “competências” com menos “fair-play”) ao invés do compromisso com todo o processo, deixando os alunos que desenvolvem maior taxa de esforço muitas vezes em “maus lençóis” uma vez que, por razões emocionais (ansiedade) veem os seus desempenhos diminuídos na altura da “prova”.
Nas empresas também não (embora muitas considerem que sim), uma vez que na generalidade das funções os “comportamentos de sucesso”, não só se encontram mal parametrizados (porque privilegiam, por exemplo, unicamente o desempenho individual e não o desempenho de um indivíduo integrado na sua equipa de referência) como tendencialmente não abarcam todas as funções deixando, quase sempre, de fora (por ignorância de quem estabelece os esquemas de avaliação e retorno de benefícios) as funções que, parecendo “invisíveis” (ex: backoffice), são na realidade o “sistema vascular” da organização que permite a sua existência.
Estas, e outras razões que poderíamos aqui integrar (mas não o faremos por razões de extensão do artigo), vão-nos “treinando” desde cedo em dois “princípios” de vida que, indelevelmente, se vão instalando no nosso “software” e que, em boa verdade, em nada abonam para uma noção de responsabilidade vincada:
1 – O esforço não compensa – porque não é validado ou “visto” por quem nos rodeia (indivíduos e/ou organizações), pelo menos no imediato;
2 – Por essa mesma razão, acreditamos que as nossas ações têm um impacto reduzido no meio que nos rodeia (seja porque não retornam a atenção imediata para a qual fomos igualmente “treinados” a procurar, seja porque as consequências das mesmas podem vir num médio/longo prazo que não estamos habituados a valorizar).

Representações sociais de ser ou não responsável
De há um anos a esta parte esta “coisa de ser responsável” começou a ser conotada negativamente, como se se tratasse de uma espécie de “fardo” ou da última característica a ter se se quiser ser o(a) extrovertido(a) da escola/empresa ou equipa.
Como se o(a) tipo(a) “responsável” tivesse que ser igualmente enfadonho(a) – como se preferíssemos privilegiar os momentaneamente arrojados, extrovertidos e, supostamente, divertidos.
Na realidade, o atleta, o aluno, o profissional que teimosamente trabalha na “sombra” (dia após dia) as suas competências e que aguarda o seu “sucesso” (porque acredita no esforço que desenvolve a médio longo termo), muito frequentemente assiste ao surgimento relâmpago de muitos “talentos” extraordinariamente validados no imediato – este fenómeno, muitas vezes, introduz a dúvidas momentâneas no processo, rapidamente extintas porque, também demasiadas vezes, este “talento inato” por este “imediato” se ficam.
Daqui se alimenta também a sua determinação, ao sentir que indo contra o que é “socialmente validado” (demasiadas vezes, privilegiamos, enquanto sociedade, a “chica espertice” de quem dá a volta à regra, de quem não é “apanhado” e de quem, sem esforço, leva a melhor), e com o tempo seu aliado não só verá a sua determinação reforçada como o seu esforço compensado – afinal, uma cultura de talento sem a alavanca da responsabilidade com o trabalho não é, em boa verdade, cultura alguma. 

Responsabilidade em contexto de pandemia – o caso COVID
Pede-se responsabilidade aos cidadãos e ameaça-se com medidas mais restritivas - como se ainda estivéssemos todos na “primária” (o que, já agora, para muitos, em termos de coeficiente emocional, é bem verdade).
Como?
Como se pode esperar que, do nada, as pessoas avaliem o impacto das suas ações com maior seriedade, com a noção clara de que sermos responsáveis é uma necessidade imperativa (de proteção da saúde pública por exemplo) e não uma escolha?
O tal “software” (o que a cultura nos imprime) não está programado para esta realidade – e aqui sim, por esta razão, a implementação de medidas de grupo mais restritivas poderá acabar por ser a única ação possível.
A única ação possível, porque a “programação” a que temos vindo sendo sujeitos impregna a nossa essência nas mais pequenas ações do quotidiano, como sejam, a título de mero exemplo:
Deitar papéis no chão, beatas, máscaras, bater no carro do vizinho, abandonar/maltratar animais... se ninguém vir, não há problema algum;
Porque o treinador, professor ou diretor continua a ser reconhecido socialmente pelos resultados que apresenta e não pelos gritos, mal-estar, humilhação, bullying e lesões (físicas e emocionais) que promove;
Porque todos nós, em algum momento das nossas vidas, assistimos já a tudo isto e nada fizemos por considerar que “não ia valer a pena”... a nossa ação não iria ser suficiente para alterar a situação.

A oportunidade COVID
A situação de pandemia que vivenciamos traz-nos desafios múltiplos que, necessariamente, deveriam empurrar-nos enquanto indivíduos, organizações e sociedade para uma profunda reflexão.
O que fazemos bem e devemos manter? Que características temos andado a treinar? Que “softwares” temos instalado nos jovens e nas instituições que irão governar o nosso futuro?
O que podemos fazer agora? O que podemos fazer desde já? Quais são as micro-ações que podemos desde já implementar?
Como posso desencadear na minha casa, na minha organização e na minha comunidade ações que possam trazer visibilidade ao esforço desenvolvido, à responsabilidade que é escolhida e não imposta? 
Como posso proteger os “ditos responsáveis”, validando os seus comportamentos e ancorando o seu esforço com a aquisição de competências alcançadas? Validando as suas características como algo a que deve ser dada visibilidade em contexto de grupo e não algo que deve guardar para si (a eterna questão dos líderes, isolados, de tarefa e os líderes afetivos que angariam a simpatia das equipas – e que, muitas vezes, as colocam em sub-rendimento).
Como posso aproximar-me dos tais momentaneamente “arrojados” (os tais “lideres afetivos”, principalmente se estivermos a falar de crianças/jovens) e fazê-los entender que não precisam atuar tais “coreografias” para animar a vida dos adultos que têm à sua volta (e que, por isso, validam o seu comportamento fazendo-o confundir com afeto) e que, na realidade, o entusiasmo e desafio genuínos vêm da confiança alavancada pelo esforço de longa duração envolto, muitas vezes numa capa de invisibilidade?
A resolução desta pandemia recoloca a importância das coisas no local certo – no indivíduo e nas suas pequenas escolhas diárias, que resultam num exercício necessário de responsabilidade consigo próprio e com o outro.
Por esta razão, o desafio que permanece será sempre: Como manter o indivíduo no centro da equação? É que, em bom rigor, ele esteve sempre lá (dos temas mais leves aos mais fraturantes da nossa sociedade) ... a pandemia “apenas” lhe trouxe essa visibilidade."

Fever Pitch - João & David... Inglaterra!

Antevisão...

Treino...

Antevisão: Lech Poznań x Benfica


"O Início do plano B europeu
Esta quinta feira (22 de Outubro) pelas 17:55 começa oficialmente a nossa campanha europeia na Liga Europa. Já se retiraram as ilações necessárias ao desastre grego e agora é o momento perfeito de continuar a série de bons resultados e boas exibições (excepto com o Farense em casa), onde Jorge Jesus tem demonstrado que com o Mister as coisas são realmente diferentes.
É o nosso primeiro confronto de sempre com o Lech Poznan e esperam-se novidades. Começando pelo SL Benfica, podemos esperar mudanças, não só devido à sobrecarga de calendário, mas também ao historial de rotação em jogos na Liga Europa, que Jorge Jesus demonstrou ao longo da sua carreira. 

Benfica
Não conseguindo prever exatamente todas as mudanças, penso que devemos contar com Gilberto a titular na ala direita da nossa defesa, porque tal como ele demonstrou principalmente na segunda parte do jogo com o Rio Ave, Gilberto é um jogador com potencial e acredito que entrando no “comboio” do JJ dificilmente sairá, principalmente devido à sua grande capacidade ofensiva. Acredito que Nuno Tavares possa ter minutos, não apenas por querer dar minutos a jogadores com menos tempo de jogo, mas também devido ao passado do Grimaldo com as lesões.
No meio campo, estando ainda sem Samaris e Adel Taarabt, não espero grandes mudanças no miolo. Embora Weigl seja a grande incógnita do Benfica neste momento, porque sendo um dos jogadores mais caros da história previsivelmente seria um titular absoluto, a verdade é que Gabriel tem conseguido segurar muito bem o meio campo a nível defensivo e Pizzi, embora seja um jogador que não consigo apreciar em termos futebolísticos, tem cumprido na sua principal função de criação de jogo maioritariamente no último terço do campo.
Por fim, acredito que existam mudanças na linha da frente, mas, para contrariar o sonho de muitos Benfiquistas, Jorge Jesus apenas vai descansar o Darwin pelo Seferovic. A nossa nova esperança (Gonçalo Ramos), provavelmente terá de ficar na bancada novamente. (Espero estar muito enganado principalmente neste aspeto)

Lech Poznan
Feita a análise do Benfica, passemos agora a analisar alguns pontos importantes do nosso adversário:
- É uma equipa onde o factor casa não representa uma grande mais valia, porque nos últimos 10 jogos fora conseguiu 6 vitórias, 2 empates e 2 derrotas. Sendo que em casa, conseguiu 6 vitórias, 3 empates e 1 derrota. Sei por experiência que jogar na Polónia e neste caso, em casa do Poznan é complicado, mas não acredito que o factor casa vá ter peso;
- A solidez defensiva é o seu grande trunfo, assentando o seu modelo num 4-3-3, preferencialmente tentando explorar as transições ofensivas com jogadores como Kaminski;
- O grande pilar em quase todos os momentos do jogo, desde a sua entrada no futebol polaco, tem sido o nosso compatriota Pedro Tiba. Geralmente é o 8 com instruções box to box onde tem sempre algumas tarefas defensivas, mas nunca deixa escapar a oportunidade se chegar mais perto da área adversária e representar uma grande ameaça. Esperemos que não esteja muito feliz neste jogo para nosso fortúnio. 

Nunca gostando de fazer previsão de resultados, acredito que o Benfica tem todas as condições para começar a campanha europeia com uma vitória esclarecedora.

Nota final: Sendo este texto, mais direccionado para o nosso primeiro jogo na Liga Europa esta época, não posso passar a oportunidade de deixar de dar uma palavra de força ao André Almeida. Para mim é um dos que não poderia estar num plantel com objetivos sérios europeus, mas estando no plantel do Benfica e acreditando que dá tudo o que tem, resta-me desejar uma rápida recuperação."