Últimas indefectivações

quarta-feira, 14 de outubro de 2020

Forte ambição


"A temporada 2020/21 ficará marcada para sempre na história do Sport Lisboa e Benfica pelo feito inédito de todas as equipas seniores femininas de pavilhão competirem na Primeira Divisão. Uma aposta forte, mas feita de forma consolidada e com sentido de responsabilidade, que agora deu os seus frutos.
Começamos precisamente pelo regresso do voleibol à alta-roda da modalidade, dando seguimento à aposta feita pela Direção nestes últimos anos. A caminhada começou em 2018 na Terceira Divisão e agora chegou o ponto alto com a subida ao escalão principal, que traz mais responsabilidade para o futuro, apesar de existir plena consciência de que será uma época de consolidação na Primeira Divisão. Há emblemas com investimentos superiores e o conjunto liderado por Nuno Brites quer continuar o seu percurso sem sobressaltos, contando para isso com a ajuda dos reforços Neusa Neto, Thaynara Nunes e Kamilla Augusto. As novas "Marias" estão prontas para corresponder aos desafios exigentes desta época.
O hóquei em patins foi a nossa segunda formação a voltar à ação e a ambição será a mesma de sempre, tanto interna como internacionalmente. Para atacar 2020/21, o treinador Paulo Almeida conta com um figurino renovado. Chegaram as jovens portuguesas Rita Albuquerque, Catarina Pedro e Beatriz Figueiredo e as internacionais argentinas Flor Felamini e Agustina Fernández, não esquecendo a ambiciosa integração de Inês Severino, de apenas 14 anos, no plantel sénior. O Campeonato, nesta época com um modelo competitivo diferente, começou de forma positiva e neste domingo há um dérbi fora de casa.
No que respeita ao basquetebol, houve mudanças na equipa técnica e o novo treinador, Eugénio Rodrigues, já definiu que o objetivo é estar na discussão das diversas competições. Para isso, o Clube recrutou duas basquetebolistas norte-americanas – Japonica James e Altia Anderson – e as internacionais portuguesas Laura Ferreira e Carolina Gonçalves, que se juntaram a um grupo já de si muito valoroso que, na temporada passada, conquistou o primeiro título benfiquista ao mais alto nível na vertente feminina da modalidade. O início de época está a deixar bons indicadores para o futuro.
Já o andebol iniciará neste sábado a sua participação no Campeonato Nacional, ao receber o MaiaStars a partir das 20h00 no Pavilhão n.º 2. O grupo de trabalho sofreu diversas alterações para a nova época e precisará de tempo para ficar afinado. Entre as várias entradas, realce para a contratação da japonesa Ryoko Amitani, da internacional portuguesa Carolina Gomes e da atleta com nacionalidade lusa e moldava, Mihaela Minciuna.
O futsal, por seu turno, será a última equipa a regressar às competições oficiais, com a receção à Venda da Luísa no dia 24 de outubro. Com a hegemonia na modalidade, o objetivo passa por continuar com essa posição bem firme e lutar pela conquista de todas as provas em que estiver inserida. Para esta temporada, nota de destaque para a chegada da atleta Leninha, jovem que tem vindo a sobressair na pré-época e a confirmar os créditos que levaram a que fizesse parte da seleção que conquistou o ouro nas Olimpíadas da Juventude em 2018.
Também no feminino o Benfica participa em todas as provas com enorme ambição de conquista."

Jean-Clair Todibo | Novato no centro da defesa



"Jean-Clair Todibo foi a última contratação do SL Benfica neste mercado de transferências. O defesa central francês chega emprestado pelo FC Barcelona até ao final da temporada. O empréstimo inclui uma cláusula de compra opcional que deverá rondar os 20 milhões de euros.
Ficou bastante óbvio que o jogador francês não era a primeira escolha de Jorge Jesus para reforçar o centro da defesa. Rúben Semedo e Lucas Veríssimo eram as primeiras escolhas do técnico português, mas as suas contratações não foram possíveis. Apesar disto, Todibo tem capacidades para brilhar ao serviço do clube encarnado.
O defesa nascido na Guiana Francesa (um autêntico viveiro de talento para a seleção francesa) foi contratado pelo Barcelona em janeiro de 2019, depois de explodir ao serviço do Toulouse FC. Na Catalunha ainda realizou cinco partidas, mas foi emprestado pelo clube blaugrana ao Schalke 04 durante a última metade da temporada.
Na Bundesliga, o gigante francês impressionou e demonstrou que estava a evoluir bastante, tendo ainda um grande potencial por descobrir.
Todibo é um defesa muito possante. Do alto do seu 1.90m, o francês é um central muito forte fisicamente. Utiliza muito bem a sua compleição física para proteger ou recuperar a bola. O desarme é uma das grandes armas do jogador.
Apesar da sua altura, Todibo não é uma especial ameaça do ponto de vista do jogo aéreo. Peca ainda no timing de salto e ataque às bolas aéreas.
A enorme velocidade, tendo em conta até a sua elevada estatura, é uma das características que mais diferencia o jogador. Esta velocidade permite ao francês sair mais rápido na pressão ao portador de bola e ao mesmo tempo conseguir controlar o espaço deixado nas suas costas.
Em muitas situações, Todibo consegue mesmo ser mais veloz que muitos atacantes. Isto pode ser muito benéfico para o SL Benfica, que com Jardel, Ferro, Otamendi ou Verthonghen não conta com nenhum central particularmente rápido (muito menos com a velocidade de Todibo).
Talvez esta extrema velocidade prejudique o jogador naquelas que são as suas grandes falhas: o posicionamento defensivo e a desconcentração (própria da idade, diga-se).
Por vezes é evidente a pouca noção que ainda tem dos espaços ocupados pelos adversários. Isto é algo perfeitamente corrigível, ainda para mais trabalhando com Jorge Jesus que tanto enfâse dá ao comportamento tático (sobretudo defensivo).
Com a bola no pé, Todibo é um jogador muito capaz. Na primeira fase de construção, consegue fazer passes progressivos, tanto de forma curta como de forma longa. Tem também alguma qualidade a sair com a bola controlada, mas recorre demasiadas vezes a esta solução.
Todibo é um central com características físicas únicas e com uma crescente qualidade técnica. Tem algumas lacunas evidentes, sobretudo no lado tático e mental do jogo, mas a evolução que tem tido (e continuará a ter) é notável.
É uma excelente contratação do SL Benfica, que se demonstrar qualidade poderá permanecer de forma definitiva."

Fever Pitch - João & João... Espanha!

O Olimpismo: entre a filosofia e a religião


"Vários autores (James Mangan, Peter Mac Intosh, Richard Holt, Jean-Marie Brohm, por exemplo), já demonstraram que o nascimento do desporto moderno na Inglaterra vitoriana não poderá ser dissociado das questões económicas e políticas da época. Quando reafirmam a ligação explícita entre o desporto moderno e a ideia de progresso, estão, no fundo, a referir que o desporto, desde a sua origem, é um facto social total. O maquiavelismo de Pierre de Coubertin, que faz dele o “reitor” do olimpismo moderno, reside na faculdade de saber o pragmatismo das instituições dos pedagogos anglicanos do fim do século XIX e as reminiscências da cultura helénica desta época. Na sua origem, o desporto britânico estava despido do humanismo explícito e menos ainda helénico. Em 1883, quando se recolhe junto do túmulo do reverendo e educador Thomas Arnold (1795-1842), diretor da Rugby School (1828-1841), o barão Pierre de Coubertin confessará que rendia homenagem à “pedra angular do império britânico”, ou seja, o sistema educativo inglês, que sem ajuda de muitos anglicanos, nunca teria ensinado aos membros da sociedade britânica a crer em Deus e a jogar ao futebol. De facto, Pierre de Coubertin descobre em Inglaterra o que faltava, segundo ele, à sociedade francesa. E o que faltava? Faltavam os valores morais associados às qualidades físicas. Desta forma, músculos e inteligência deveriam andar de par, contrariamente às escolhas das universidades francesas. Segundo o jovem observador (ele tem vinte anos quando realiza a sua primeira viagem a Inglaterra), o desporto britânico apresentava muitas virtudes e convinha ensinar as futuras gerações. Ao criar o conceito de olimpismo, Pierre de Coubertin defende um conjunto de valores que têm um carácter elitista, religioso e universal. Neste quadro preciso, as noções de democracia e de liberdade rimam com a promoção do homem do ponto de vista corporal, intelectual, estético e moral. A segunda fonte de inspiração de Coubertin é a Antiguidade Grega, com a sua visão mítica de uma educação harmoniosa que desenvolvia o espírito e o corpo. A influência é manifesta com a transformação da célebre devisa de Juvénal: “mens sana in corpore sano” (mente sã em corpo são) em “mens fervida in corpore lacertoso” (um espírito ardente num corpo treinado). Coubertin fala de uma religião atlética. E, para ele, o olimpismo é a base de uma educação desportiva generalizada, que deveria ser acessível a todos. Numa mensagem radiofónica, difundida em 1936 (cf. https://www.ina.fr/audio/PH106001133), não hesitou em lembrar longamente as características essenciais do olimpismo. O desporto oferecia a ocasião de religar os homens em novas bases ideológicas. O humanismo de Coubertin pode ser qualificado de utopista. Prisioneiro do seu “habitus de classe”, ele funda o olimpismo sobre uma conceção muito particular de democracia. E teve sempre a preocupação de inscrever o desporto na evolução das relações internacionais."

terça-feira, 13 de outubro de 2020

Lista: Liga Europa

Guarda-redes:
A: Svilar, Helton Leite e Odysseas
B: Samuel Soares

Defesas:
A: Gilberto, Grimaldo, Vertonghen, Todibo, Otamendi, Jardel, André Almeida, Nuno Tavares e Ferro
B: Pedro Ganchas, Frimpong, Filipe Cruz, Tomás Araújo e João Ferreira

Médios:
A: Gabriel, Chiquinho, Pizzi, Weigl, Taarabt, Everton, Cervi, Diogo Gonçalves, Rafa e Pedrinho
B: Paulo Bernardo, Ronaldo Camará, Rafael Brito, Tiago Araújo e Umaro Embalo

Avançados:
A: Darwin, Waldschmidt e Seferovic
B: Gonçalo Ramos e Henrique Araújo

Diogo Gonçalves...

Nota de pesar


"O Sport Lisboa e Benfica manifesta profundo pesar pelo falecimento, aos 73 anos, do seu antigo jogador Augusto Matine, expressando as mais sentidas condolências à sua família e amigos

Matine atuou pelo Benfica durante quatro épocas (1967/68, 1969/70, 1970/71 e 1972/73), tendo contribuído para a conquista de dois Campeonatos Nacionais (1970/71 e 1972/73), uma Taça de Portugal (1969/70) e uma Taça de Honra (1972/73). O ex-médio alinhou em 95 jogos e marcou um golo (incluindo particulares), tendo ainda alcançado nove internacionalizações por Portugal (oito nos períodos em que envergou o Manto Sagrado).
Recordado como um jogador de meio-campo de enorme talento, para sempre ficará na nossa memória por tudo o que deu ao nosso Clube!"

A alegria de um dia de sol em pleno Inverno!


"Lisboa assistia ao nascimento de um novo jornal, inovador e revolucionário e, portanto, incomodativo para os tempos que corriam: em 2 de Dezembro de 1956, o Diário Ilustrado tinha o seu primeiro número nas bancas. A manchete era feita com um jogo do Benfica.

Era domingo e Dezembro. Dia 2 de Dezembro de 1956. Um novo jornal via a luz do dia em Portugal, e desculpem-me este romantismo de redactor que vai caminhando para velho, o nascimento de um jornal era algo que merecia uma satisfação profunda e especial.
Chamava-se Diário Ilustrado. O director era Carlos Branco, e, curiosamente, era propriedade da família Abel Pereira da Fonseca, mais conhecida por produzir vinho do que periódicos. A sua sede ficava no 1.º andar do n.º 137 da Rua da Misericórdia, o chefe de redacção era Miguel Urbano Rodrigues, e o núcleo principal era constituído por 20 jornalistas, gente nova na sua maioria, o objectivo era mesmo o de trazer para a imprensa portuguesa uma irreverência que nesse tempo lhe faltava, diria mais tarde Maria Antónia Palla, uma das redactoras do diário.
O Diário Ilustrado nunca escondeu ao que veio: o objectivo era conquistar leitores ao Diário de Lisboa e ao Diário Popular. Saía ao meio-dia, o que não deixava de ter o seu chiste. Pela Lisboa dessas eras, os ardinas gritavam o pregão pelas ruas anunciando o Ilustrado. Era uma forma de oferecer companhia aos seus leitores quando estes saíam dos empregos para almoçar. Foi também, um jornal do contra, como explicou José Miguel Tengarrinha, outro dos que fizeram parte do quadro: 'Rondávamos os 20 mil jornais diários, mas a PIDE rapidamente descobriu a nossa fraqueza e retinha as provas de páginas, obrigando-nos a sair quase sempre à mesma hora que os vespertinos concorrentes e tirando-nos o efeito surpresa de apresentarmos as novidades com antecipação'.
O Diário Ilustrado foi inovador e descarado: soluções gráficas inéditas e imaginativas, recurso forte às imagens de primeira página, muitas vezes ocupadas por uma só fotografia, estilo revista, suplementos temáticos, aposta nas notícias internacionais e desportivas, uma ideia progressista naquilo que se poderia considerar o progressismo na época.

Lugar ao Benfica
A esta hora já estará o meu estimado leitor a pensar em que diabo de texto se está a meter. Mas eu explico já aqui ao lado. Dia 2 de Dezembro de 1956, o Diário Ilustrado saía para as bancas pela primeira vez, e a manchete inaugural era: 'O Benfica mantém a sua supremacia!' Ora, nem mais. Para estreia, chamava-se aos berros os leitores de alma encarnada.
O tema era o campeonato nacional. A última página era ocupada com o Domingo Ilustrado, cinco imagens espectaculares de lances vistosos dos jogos entre Sporting e Barreirense, Chaves e Boavista (da II Divisão), de um remate de Coluna à baliza do Torriense, e até de um momento do embate de râguebi entre o CIF e o Sporting. Legendas curtas, facilmente absorvíveis. Páginas centrais dedicadas ao futebol do fim-de-semana e, sobretudo, à vitória do Benfica sobre o Torriense por 3-0, o que lhe permitia manter a vantagem de 3 pontos para o segundo classificado, o FC Porto.
Para um jornal novo, uma realidade batida. A força de um Benfica que se ia constituindo como a mais poderosa equipa portuguesa e não tardaria a ser, igualmente,  mais vistosa do panorama europeu. 'Numerosos sócios e adeptos do Benfica acorreram ao Estádio da Luz, não apenas atraídos pela carreira brilhante do seu clube, como também esperançados em mais uma boa exibição da equipa de Otto Glória', abria-se assim a crónica. 'As opiniões que escutámos nos breves momentos que precederam o jogo era unânimes no favoritismo concedido dos encarnados. Neste ambiente, debaixo de um sol magnífico, irrompem os primeiros aplausos ao surgirem os jogadores do Torriense, ovação muito mais clamorosa quando, pouco depois, a equipa do Benfica entrou no relvado'.
Esse Benfica - Torriense não teve história por aí além: 1-0 por Cavém, resultado que se manteve até ao intervalo, 2-0 e 3-0 por José Águas, superioridade indiscutível  e tão bem alicerçada no jogo colectivo dos encarnados, que não passaram sequer pelo mais ligeiro arrepio. Mas esse Benfica - Torriense ficou para história, quer se queira ou não. Porque abriu, de forma soalheira, tal e qual como a tarde vivida na Luz, a vida a um jornal novo que era, na verdade, um novo jornal em muitíssimos aspectos. Na página 7, um texto de nobreza indiscutível traçava o caminho que, infelizmente, nos dias que correm, poucos são os que têm coragem e vontade de percorrer: 'A missão da imprensa é informar verídica e esclarecidamente sobre o que acontece nos diversos sectores da vida e contribuir, assim, para que os homens possam abrir caminhos ao futuro. No coração humano, ainda que quando submetido a uma tirania quase total, há forças capazes de o fazer levantar-se em defesa da sua liberdade e da sua verdade. São essas forças que dão a certeza de que existirão sempre homens capazes de se sacrificar para que, cada dia, um novo jornal, verdadeiro e honesto, chegue às mãos dos que esperançadamente o esperam'. Nobres palavras que sublinhavam a nobreza de uma profissão, tão vilipendiada entretanto. O Diário Ilustrado passava a fazer parte da vida dos portugueses. E o Benfica alegrava a vermelho a primeira das suas primeiras páginas."

Afonso de Melo, in O Benfica

Pela estrada enlamenada


"O Grupo Sport Benfica foi o vencedor da primeira Corrida da Marathona Portugueza

Augusto Jorge, António Fernandes e Carlos Marques aguardavam o sinal de partida, na manhã de 20 de Outubro de 1907, ostentando no peito o símbolo do Grupo Sport Benfica. Como Augusto Jorge recordaria, 46 anos depois: 'O meu treino habitual consistia apenas em ir a pé para o meu emprego e, além disso, umas voltinhas ao Campo Grande com o fato vulgar. Não havia fatos de treino, meu amigo (...). E, nas provas, corríamos equipados, mas sapatos velhos, de tacões, de tipo vulgar'.
Ao seu lado, estavam os seus adversários, do Cruz Negra e do Carcavellos Club, na primeira prova de resistência realizada em Portugal, organizada pela revista Tiro e Sport. Foi designada por Corrida da Marathona Portugueza, mas tinha apenas 17 quilómetros, num percurso entre a Cruz Quebrada e Cascais, 'por os nossos corredores não se acharem ainda em condições de tomar parte n'uma prova tão árdua e violenta como é a Marathona regulamentar de 42 kilometros'. O júri era composto pelos conhecidos sportsmen Guilherme Pinto Bastos e Carlos Villar, entre outros. Os fiscais do percurso seriam ciclistas sócios da União Velocipédica Portugueza.
Às 9:40 foi dado o sinal de partida. As estradas estavam em muito mau estado, por causa do aguaceiro que caíra, naquela manhã, mas os atletas 'seguiram sempre ávante, sendo muito victoriados nas differentes povoações'. O primeiro a cortar a meta foi Carlos Marques, completando o percurso em 1 hora e 10 minutos, com quase 1 Km de avanço sobre os outros competidores, excedendo todas as expectativas. Este foi seguido pelo seu companheiro de equipa, António Fernandes. A fechar o pódio, foi A. S. Cooper, do Carcavellos Club.
Augusto Jorge classificou-se em 5.º lugar, depois de ter sido acometido por violentas cólicas por altura de Carcavellos. Este chegou a ir em 8.º lugar, conseguindo recuperar três posições, em luta com os ingleses do Carcavellos Club. Os atletas de Benfica causaram admiração por se apresentarem muito bem treinados, chegando à meta sem fadiga, tendo sido vista, também, como uma 'victoria do grupo portuguez', provando que os atletas nacionais 'podem hombrear sem desdouro com os melhores estrangeiros'.
O Grupo Sport Benfica venceu colectivamente, com o dobro dos pontos do segundo classificado, o Carcavellos Club. Os vencedores foram recebidos pela multidão com uma brilhante apoteose e o 'próprio rei D. Carlos aguardava (...) os briosos rapazes', e 'felicitando-os vivamente'. Depois dos concorrentes terem tornado banho e se preparado foi-lhes servido 'um profuso almoço, que decorreu com grande animação, sendo muito brindados os vencedores'.
Saiba mais sobre este dia inesquecível para todos os participantes e estreia auspiciosa para as provas de resistência em Portugal na área 14 - Lisboa e Benfica no Museu Benfica - Cosme Damião."

Lídia Jorge, in O Benfica

Mão quente a abrir


"Foi com uma deslocação ao recinto do CAB Madeira que a nossa equipa masculina de basquetebol iniciou a sua caminhada no Campeonato Nacional. Naquele que foi apenas o seu segundo jogo oficial – após a luta dada até ao fim diante do FC Porto para a Taça de Portugal – o conjunto encarnado deixou indicadores de que já está a recuperar progressivamente do período de interrupção prolongada da preparação para esta nova temporada. Muitos atletas foram afetados pela COVID-19, o que condicionou o arranque competitivo a diversos níveis, nomeadamente na sua questão física e também na planificação prevista pela equipa técnica.
O primeiro jogo na Liga Placard chegou e permitiu ver um Benfica com solidez no capítulo defensivo (66 pontos sofridos) e certeiro na hora de lançar ao cesto. Foram 92 pontos marcados, distribuídos por nove basquetebolistas, com destaque para o poste norte-americano Cameron Jackson. Foi o MVP da partida com 32.5 de valorização (14 pontos, 10 ressaltos, 2 assistências, 4 roubos de bola e 1 desarme de lançamento). Este encontro com o CAB Madeira ficou marcado também pela estreia de Bruno Araújo, basquetebolista do plantel de Sub-22, além de mais um jogo de Guilherme Saiote com a camisola oficial.
Esta semana será de preparação para o primeiro jogo oficial da equipa no Pavilhão Fidelidade. A partir das 15h00 deste sábado, a nossa equipa irá receber os algarvios do Imortal, recém-promovidos ao escalão principal, e que iniciaram com um triunfo sobre o Lusitânia. É verdade que será ainda sem adeptos, mas este regresso aos jogos na Luz não deixará de ser especial para todo o grupo de trabalho.
É no pavilhão que a equipa treina diariamente e de forma intensa para chegar da melhor maneira aos desafios. Para 2020/21, há algumas novas caras no plantel e com a ambição de ajudar a colocar o basquetebol de novo na rota das conquistas. Os experientes Tweety Carter (ex-Start Lublin) e Caleb Walker (ex-Fos Provence), bem como os mais novos Scottie Lindsey (ex-Erie Bayhawks) e Cameron Jackson (ex-Riesen Ludwigsburg) serão "peças" importantes num plantel composto por jogadores que já conhecem bem a casa e que querem somar títulos com esta camisola.
Vivemos tempos muito complicados por causa da pandemia e há consciência que esta caminhada será extremamente longa. O basquetebol está pronto para a exigência de defender a camisola do Sport Lisboa e Benfica em todos os jogos, a começar já pelo próximo sábado!"

Darwin Núñez | Um motor (quase) afinado na locomotiva encarnada


"Darwin Núñez chegou ao SL Benfica no último mercado de transferências como a contratação mais cara de sempre a ser realizada por um clube português – foram 24 milhões de euros -, apesar de grande parte dos benfiquistas nunca ter sequer ouvido falar do nome do jovem ponta de lança uruguaio. 
Seguiu-se um breve período de adaptação às dinâmicas de Jorge Jesus e, aos 65 minutos da partida frente ao PAOK, o jovem é lançado às feras, com o peso de ter nos ombros a esperança de milhares de benfiquistas que acreditavam ser ainda possível o acesso à Liga dos Campeões.
Tal não aconteceu, sendo que esses 40 milhões da fase de grupos, que agora não entrariam nos cofres da Luz, significavam que o Benfica, devido aos mais de 96,5 milhões de euros investidos no mercado, teria de vender alguns dos seus principais ativos de modo a equilibrar as contas. Apenas vendeu Rúben Dias, por 68 milhões de euros, sendo que para o seu lugar contratou Nicolás Otamendi, por 15 milhões. 
De qualquer das formas, esqueçamos o descalabro europeu – que não é o tema deste artigo – e voltemos ao que realmente importa discutir: Darwin Núñez. Um jovem de 21 anos, natural de Artigas, que, no espaço de um ano, afirma-se no plantel principal do CA Peñarol, é contratado pelos espanhóis do Almería por sete milhões e meio de euros, onde joga meia época, sendo que, no mercado de transferências seguinte, e em plena pandemia, é contratado pelo Benfica por uns impressionantes 24 milhões de euros.
No total, foram 20 golos e quatro assistências no espaço de um ano – quatro golos e uma assistência pelo CA Peñarol, 16 golos e três assistências pelo UD Almería -, levando, ironicamente, a que o uruguaio tenha custado aos cofres encarnados cerca de um milhão de euros por cada participação em golo.
No entanto, e apesar de ainda não ter marcado pelas “águias”, é visível que Darwin é sinónimo de golo. O uruguaio soma já quatro assistências em três jogos na Primeira Liga, tendo o mesmo já ameaçado, também, as redes adversárias por diversas ocasiões.
Móvel, combativo, pressionante e com um bom entendimento técnico-tático do jogo, o uruguaio encaixa que nem uma luva no modelo de Jorge Jesus, daí já se ter afirmado como a primeira opção para o lugar.
Apesar de ainda não se ter estreado na lista de marcadores das “águias”, Darwin acrescenta muito ao jogo dos encarnados, merecendo, por parte dos adeptos, algum tempo e paciência.
Não é um avançado vistoso e chegou por um preço bastante inflacionado, mas penso que não há duvidas de que Darwin é sinónimo de raça, crer e ambição.
Darwin é também sinónimo de Benfica e de certeza que ainda dará muitas alegrias aos benfiquistas e, porventura, também um grande encaixe financeiro no futuro."

Nós sabemos, Rui


"Autarca e Presidente do Conselho Superior do Calor da Noite. Conflito de interesses claro e óbvio, mas "tá tudo" bem!
Agora imaginem por breves segundos que esta afirmação saía da boca do Presidente da Câmara de Lisboa..."Centralismo, compadrio, esquemas, o Benfica manda nisto tudo..., ..., ..."
Ninguém pia quando é ao contrário.
O que faz o Benfica? Nada. Zero."

Futebol, empresas e a “prata da casa”


"É fácil perceber que estas organizações terão de fazer ajustes, não apenas na otimização da sua estrutura de custos como na reinvenção das suas fontes de receita.

Apesar de estarmos longe da normalidade que a pandemia veio quebrar, começa a ser hora de fazer alguns balanços, projetar alguns cenários e construir novos modelos. E isto aplica-se transversalmente à nossa vida pessoal e profissional, bem como à vida das organizações. E a este propósito – uma vez mais – julgo fazer sentido compararmos o contexto empresarial com o contexto desportivo, nomeadamente com o futebol.
Sabemos que ao nível do futebol profissional as receitas são provenientes de direitos de transmissão televisiva, bilheteira, prémios de competições publicidade e merchandising. Mas é no mercado de transferências que os clubes portugueses (SAD- Sociedades Anónimas Desportivas) veem assegurada a sua subsistência, sendo esta uma parcela muito significativa das suas receitas e, por essa razão, um alicerce importante dos seus modelos de negócio.
Tal como acontece na esmagadora maioria das empresas e atividades por todo o mundo, a atual situação pandémica veio também refletir-se na indústria do futebol. A partir do momento em que o modelo deste negócio passou a estar descaracterizado (jogos sem público, quebra de receitas, redução do grau de espetacularidade, etc.), isso teve indubitáveis consequências ao nível do valor dos jogadores. Há estimativas que indicam que essas quebras possam oscilar entre os 15 e os 30%, o que significa que, em poucos meses, alguns atletas de topo mundial podem ter desvalorizado na casa das dezenas de milhões de euros.
Perante o exposto, é fácil perceber que estas organizações terão de fazer ajustes, não apenas na otimização da sua estrutura de custos como também na reinvenção das suas fontes de receita. E é neste contexto que a esmagadora maioria das SAD portuguesas (e não só) vai ter de redefinir as suas estratégias e prestar maior atenção à forma como gerem o seu principal ativo: os jogadores.
Deste modo, os clubes passam a olhar para as suas estruturas de futebol de formação de forma mais atenta, percebendo que a resposta pode residir nos jogadores formados nas suas academias. Por outro lado, começa a haver um cuidado acrescido na escolha do perfil de treinadores, passando-se a apostar mais em alguém cujo perfil seja mais dado ao desenvolvimento do potencial do atleta. Tenta-se valorizar os atletas existentes nessas estruturas, dando-lhes oportunidades e criando-lhes um projeto de desenvolvimento de carreira. Deste modo, os clubes poderão estar a descobrir potenciais talentos que podem gerar receitas extra muito significativas.
E nas empresas, a situação será diferente? Acredito que não. A maior parte das organizações tem visto significativamente reduzida a sua atividade e consequentes receitas. Como tal, torna-se necessário rever o modelo de negócio, otimizar a sua estrutura e, naturalmente, colocar a gestão das pessoas no centro dessa redefinição de estratégia.
Tal como nos clubes, existe seguramente muito potencial nas nossas empresas, muito talento por descobrir e por desbloquear. As organizações devem olhar para a “prata da casa” como um verdadeiro ativo que necessita ser rentabilizado, envolvido e auscultado. E, tal como no futebol, os líderes devem ser preparados para agir como treinadores (de pessoas), dotados de genuína vontade em potenciar a performance das suas equipas e em criar programas de desenvolvimento para cada um dos seus “atletas”. E com equipas bem lideradas, a motivação e respetiva produtividade tendem a aumentar, abrindo-se espaço para que as pessoas tragam novas ideias e novos conceitos de negócio, podendo esta ser a receita extra que ajudará as empresas a adaptarem-se aos novos tempos."

Fever Pitch - João & Markus... Alemanha!

Fever Pitch - João, Pablo e Viktor... Manolos!

segunda-feira, 12 de outubro de 2020

A vida e obra do senhor Ângelo


"No dia da Morte, glorifique-se a Vida. Ângelo Martins, o senhor Ângelo, bicampeão europeu pelo Benfica, foi um grande jogador. Mas foi também ele quem deu corpo a um fantástico projecto de formação na Luz, onde desenvolveu jogadores de enorme dimensão e profissionais de grande gabarito. Se o Benfica de hoje, que tanto tem flutuado entre a quimera do Seixal e o pragmatismo do mercado, quiser encontrar um padrão, que ponha os olhos no tempo de Duarte Borges Coutinho, que soube apostar na formação e na aquisição externa de forma inteligente, equilibrada e com resultados extraordinários. A prospeção trabalhava de forma ímpar, estivesse Nené no Ferroviário da Beira, Shéu no Beira e Benfica ou Jordão no Sporting de Benguela, e todos eles aterraram em Lisboa para serem burilados no oficina do mestre Ângelo, de onde saíram inúmeros jogadores de gabarito Mundial. Os tempos eram outros, com abordagens menos pedagógicas e mais severas, e ao contrário do que é desenvolvido por várias teses que acabaram por vingar, cada jogo era para ganhar. O Benfica de 1974/1975, ano da chegada de Fernando Chalana, foi campeão nacional de juniores só com vitórias e essa era a cultura que os mais velhos procuravam incluir nos mais novos: ganhar ou ganhar.
Com o senhor Ângelo desaparece um pedaço da história do futebol português. Fica a memória. E o agradecimento pelo legado...

PS - 51 meses depois da gloriosa jornada do Stade de France, o campeão da Europa empatou em casa do campeão do Mundo. Portugal, entretanto vencedor da Liga das Nações, é uma estrela de primeira grandeza."

José Manuel Delgado, in A Bola

SL Benfica | Os 5 melhores mercados neste século


"Depois de uma revolução na abordagem ao mercado de transferências, o SL Benfica volta à aposta na qualidade diferenciada fora de portas, relegando a produtividade do Seixal para a simples exportação, depois de anos de aposta séria nos craques que a cada ano se destacam nos escalões mais jovens.
A chegada de Jorge Jesus foi a decisão final nesse sentido, conhecendo-se de antemão a aversão do técnico à qualidade local e a preferência pelo mercado externo como base de reforço da equipa. Foi, nestes pressupostos, o mercado mais mediático da última década na Luz, com a entrada de vários titulares nas cinco principais ligas europeias, especial incidência na Premier League – os membros da mais provável dupla titular no eixo da defesa eram, até à última época, titulares importantes em equipas de ataque ao título em Inglaterra.
Verthongen e Otamendi são os rostos mais vincados desse volte-face benfiquista na construção de plantéis, tendência que se iniciou na contratação de Julian Weigl em Janeiro último e que marca um regresso da aposta encarnada em grandes nomes – tal e qual há 12 anos, quando a chegada de Pablo Aimar e José António Reyes fizeram explodir os cabeçalhos da imprensa portuguesa e internacional. Nesse sentido, relembramos os melhores mercados deste século, os mais mediáticos e os que proporcionaram melhores resultados desportivos, a curto e longo prazo.

1. 2014-15 – Houve Samaris, Jonas, Júlio César, Talisca e Eliseu: cinco titulares no fabuloso título de 2015. Os três primeiros assinaram em cima do fecho, depois de exigências de Jorge Jesus quanto à qualidade de um plantel que tinha sido esquartejado depois de todos os sucessos do ano anterior. 
Faltava banco à equipa, as restantes contratações foram cartas fora do baralho (Benito, César, Bebé, Derley, Djavan, Mukhtar, Jonathan Rodríguez, Candeias e Cristante, apesar da qualidade demonstrada anos depois em Itália), mas apenas é passível de crítica a demora no reforço cirúrgico do plantel, já que a qualidade evidenciada pelas chegadas tardias demonstraram competência na identificação das deficiências.

2. 2011-12 – Chegou Axel Witsel para corrigir desequilíbrios evidenciados a meio-campo na Liga dos Campeões do ano anterior, onde Javi e Aimar mendigaram auxílio contra miolos mais recheados e mais físicos.
Só o golo de Lacazette nos minutos finais da última jornada da fase de grupos, no confronto do Lyon frente ao Hapoel, salvou aos encarnados um lugar na Liga Europa, mas o aviso estava dado: o 4-4-2 dos primeiros tempos de Jesus em contexto europeu era insuficiente e o Benfica acertou em cheio na contratação de Axel Witsel ao Standard Liége, por soma a rondar os oito milhões de euros. Com ele ao lado do trinco espanhol e a apoiar o playmaker argentino, o Benfica cumpriu como suposto na prova milionária – três vitórias e três empates na fase de grupos e caminhada até aos quartos-de-final, onde seria eliminado pelo futuro campeão europeu Chelsea.
Outras movimentações acertadas foram o recrutamento de Nolito (FC Barcelona B), Bruno César (Corinthians), Artur Moraes (SC Braga), Matic (Chelsea, negócio de David Luiz), Ezequiel Garay (Real Madrid CF), Enzo Peréz (Estudiantes La Plata), Melgarejo (Independiente do Paraguai), André Almeida (Belenenses) ou Emerson (Lille), ainda que o brasileiro tenha suscitado dúvidas ao longo da temporada acerca da sua competência enquanto lateral-esquerdo: a sua melhor exibição foi como… central, no jogo em Stanford Bridge frente ao Chelsea FC, onde jogou lado-a-lado com Javi García – as melhores soluções quando uma onda de lesões e castigos inundou o eixo da defesa.

3. 2007-08 – O quarto lugar no final desse campeonato não revela a competência benfiquista nesse mercado, que atribulado foi devido à venda da estrela da companhia, Simão, e a incerteza quanto ao futuro do treinador, Fernando Santos, que acabaria por sair ao fim de uma jornada. A maioria das apostas desse Verão de 2007 foram essenciais nos anos seguintes, com muita qualidade recrutada na América do Sul – base dos campeões de 2010.
Óscar Cardozo (Newell’s Old Boys), Dí Maria (Racing), Maxi Pereira (Defensor), Fábio Coentrão (Rio Ave FC) e Cebola Rodríguez (empréstimo do PSG) revelaram-se apostas acertadas a curto e longo prazo, dependendo dos casos; Hans Jorg Butt (vindo do Bayer Leverkusen, com quem marcou presença na final da Liga dos Campeões de 2002), incompreensivelmente, nunca conseguiu agarrar a titularidade e sai no Verão seguinte para o… Bayern de Munique, para voltar à final da principal prova de clubes dois anos depois, sob o comando de Louis Van Gaal; Freddy Adu chegou como a coqueluche do futebol americano e mundia,l mas perdeu-se nas exigências competitivas do futebol europeu; Edcarlos, Sepsi, Andrés Diaz, Marc Zoro, Halliche, Stretenovic e Luís Filipe não apagam o que de bom se fez.

4. 2004-05 – Relega 2008-09 para fora da lista por uma única aquisição, importantíssima no contexto daquela temporada: Nuno Assis foi uma das mais importantes contratações benfiquistas da era recente, pela importância na manobra de uma equipa orfã dum organizador na primeira metade da temporada em que se terminou a espera de 11 longos anos.
Trapattoni desesperava por um complemento a Simão no último terço e o ‘10’ do Vitória SC veio suprimir várias deficiências daquela equipa que até aí confiava no verdinho Manuel Fernandes para assegurar toda a construção do futebol ofensivo encarnado. Com a entrada do organizador português, a equipa equilibrou-se, o treinador italiano encontrou o seu onze base e só assim se sobreviveu a uma segunda volta muito difícil, sendo alcançado o ressurgimento do orgulho encarnado.
Os outros reforços dessa temporada? Amoreirinha, Yannick Quesnel, Karadas, Everson, Paulo Almeida, Carlitos, André Luís, Delibasic… Manuel dos Santos e Quim, os únicos que se revelaram boas apostas neste leque de contratações falhadas.

5. 2001-02 – Numa equipa que ficou conhecida à época como a ‘Dream Team’, foi o primeiro plantel construído sob a supervisão de Luís Filipe Vieira – como director desportivo – e revelou-se, na maioria das apostas, como um excelente mercado de transferências nos efeitos a longo prazo, com a entrada de varíadissimos jogadores que assentaram arraiais na Luz e constituíram a espinha dorsal do rejuvenescimento encarnado na Primeira Liga, com o título de 2004-05, além da Taça de Portugal do ano anterior.
Simão Sabrosa (FC Barcelona), Mantorras (FC Alverca), Tiago (em janeiro, SC Braga), Sokota (GNK Dinamo Zagreb), Zahovic (Valencia CF), Andersson (Aalborg), Caneira (Reggina) e Jankauskas (Real Sociedad) foram nomes que se evidenciaram com a águia ao peito, com a maioria a subsistir várias temporadas na equipa principal."

Ângelo...

Eterna glória


"Faleceu Ângelo, um dos maiores vultos da gloriosa história do Sport Lisboa e Benfica, um dos que melhor personificaram a mística benfiquista, enormemente respeitado e admirado por colegas, adversários e adeptos. Tinha 90 anos.
Bicampeão europeu titular em ambas as finais, campeão nacional sete vezes, vencedor de cinco Taças de Portugal e de uma Taça de Honra da Associação de Futebol de Lisboa, Ângelo, ao longo de 13 temporadas, representou o Clube em 385 partidas, das quais 290 em competições oficiais, marcando quatro golos.
Portuense de raiz, benfiquista de berço, chegou ao Clube em 1952. Começou como médio, mas seria na defesa, principalmente à esquerda, mas também à direita, que se eternizaria no restrito patamar reservado aos melhores de sempre de águia ao peito.
Disse, num encontro de benfiquistas realizado em 28 de fevereiro último, dia de aniversário do Clube, que "a coisa mais bela que pode existir no desporto é ser do Benfica". E Ângelo não só foi do Benfica como foi dos que mais contribuíram para a causa benfiquista.
O seu percurso no futebol é sobejamente conhecido e justamente enaltecido. Após a brilhante carreira de futebolista, Ângelo passou a "Míster Ângelo", desempenhando um papel igualmente fundamental para o sucesso do Clube, nomeadamente nas décadas de 70 e 80. Por ele passaram gerações de aspirantes a futebolistas, cujas ambições de representar o Glorioso beneficiaram do privilégio de receber ensinamentos sobre futebol e sobre a responsabilidade de carregar ao peito o símbolo do maior e mais amado clube português, dando largas ao potencial de cada um deles e ajudando-os a materializar o seu sonho, para benefício dos próprios e do Benfica.
Foi, possivelmente, o treinador mais vezes campeão nas camadas jovens do futebol português, e pelas suas mãos passaram Artur Correia, Chalana, Humberto Coelho, João Alves, Jordão, Nené, Shéu ou Vítor Martins, entre tantas então futuras glórias do Benfica.
Conhecida a triste notícia, o Sport Lisboa e Benfica decretou três dias de luto em sua homenagem e o Presidente Luís Filipe Vieira declarou que "é com profundo pesar que toda a Família Benfiquista vive este momento de dor, luto e de eterna saudade perante a partida de Ângelo Martins", e confessou a profunda admiração, qualificando-o como "um dos obreiros da imagem e mística de jogar à Benfica". 
Hoje realiza-se o velório a partir das 17 horas, na Igreja São João de Brito, em Alvalade, Lisboa. O funeral está agendado para amanhã, dia 13, no crematório do cemitério dos Olivais, em Lisboa. 
Descansa em paz, campeão. Obrigado!

P.S.: Parabéns aos nossos triatletas que contribuíram para que o Benfica se tenha sagrado vice-campeão europeu de estafetas mistas de triatlo. Foi a quarta vez que o Benfica atingiu o pódio, tendo sido campeão europeu em 2017. Nota ainda para Vasco Vilaça e Melanie Santos, que conquistaram o primeiro lugar do pódio no Campeonato do Mediterrâneo de triatlo."

Modalidades: fim-de-semana!