Últimas indefectivações

domingo, 8 de março de 2020

Obrigado aos intervenientes e visionários responsáveis por esta sequência de acontecimentos. Dez anos à frente, amigos

"Vlachodimos
Houve um momento ontem em que olhei para Vlachodimos e vi Michel Preud’homme. É sintomático que o titular que esteve mais próximo de ser dispensado seja hoje o jogador mais importante da equipa. Obrigado aos visionários responsáveis por esta sequência de acontecimentos. Dez anos à frente, amigos.

Tomás Tavares
Nunca tinha passado um aniversário em Setúbal e suspeito que não quererá repetir. Nem ele nem nós, que fomos convidados sem saber para uma festa num daqueles escape rooms em que somos aterrorizados pelo posicionamento, atitude e qualidade de 11 jogadores de futebol enquanto tentamos sair do estádio vivos. Morri por dentro após um cruzamento seu aos 94 minutos.

Rúben Dias
Eu não sou psicólogo desportivo e talvez esteja a subestimar as enormes complexidades da mente humana em contextos de alta competição, mas ****-se, é assim tão difícil ter mais dez gajos que joguem com a garra do Rúben? Será que é pedir assim tanto? A equipa do Benfica tem vários problemas e um dos principais nesta fase é a falta de atitude. Não há fome.

Ferro
Garantiu há poucos dias que “se há grupo de trabalho que dá a volta a momentos menos bons, é este”. Só passaram 4 dias, por isso vamos aguardar.

Grimaldo
Exibição discreta. Conquistou um penálti, o que nos dias que correm garante quase tanto como um cruzamento do Tomás Tavares. Por falar nisso, já ensinavas o miúdo.

Samaris
Falhado o propósito de assegurar a vantagem no marcador, Samaris decidiu fazer a única coisa que restava. Em vez de linhas de passe, procurou as canelas dos adversários e manifestou o seu descontentamento com o presente estado das coisas. Foi, apesar de tudo, uma das ideias de jogo mais discerníveis ao longo da tarde de ontem. No fundo, foi novamente uma extensão emocional dos adeptos, com uma diferença: os adeptos talvez tivessem acertado em alguns jogadores nossos. 

Taarabt
Apesar de ser o titular que até hoje deu mais prejuízo ao nosso clube, é também dos que teima em contribuir com mais futebol. Talvez uma fórmula bem conseguida no Microsoft Excel nos diga que foi um mau negócio, mas das spreadsheets não reza a história.

Pizzi
um desfibrilhador trazido do norte do país foi capaz de trazer Pizzi de volta ao reino dos vivos. Tem que nos dizer o que viu durante aquela hora e meia em que esteve do lado de lá. Talvez tenha visto um novo marcador de penalties para o Benfica. Não sei. As pessoas que passam por isto têm relatos muito díspares.

Cervi
Um dos responsáveis por uma das afirmações mais ouvidas ontem no Bonfim e em cafés deste país: “o Sílvio é que fazia cá falta, não?”

Chiquinho
Alguém sabe se o departamento de e-sports faz treinos de captação?

Vinicius
Duas ocasiões de golo em fora de jogo. És tu, Haris?

Rafa
Peço aos adeptos que cheguem mais cedo ao próximo jogo em casa. Vamos replicar a conhecida cena do filme Aeroplano em que os passageiros fazem fila para esbofetear uma passageira nervosa. Não faças a barba até lá, Rafa. Pode ser que doa menos.

Dyego Sousa
O próximo anúncio de emprego do Benfica devia ser para figurantes em jogos de futebol. Sai mais barato do que trazer este rapaz da China. Suspeito que nem ele sabe bem o que anda ali a fazer.

Weigl
Começa a parecer-se um pouco com aquela máquina de fazer pão pela qual pagaram demasiado, que não sabem exactamente como utilizar e que, portanto, mais valia não terem sequer tirado da caixa. Assim só serve para apanhar pó e desvalorizar. Qualquer dia nem no OLX lhe pegam."

Curtas – Benfica agrava o mau momento e a confiança como factor decisivo para a qualidade

"Primeira parte sofrível do Benfica. Demasiados jogadores a baixar em construção e pouca condução para agredir a linha média do Vitória (apenas passe, passe, passe). A par disso, procura incessante pela profundidade desde a construção (Ferro, Adel e Samaris abusaram desse tipo de bolas), mesmo tendo a linha defensiva adversária praticamente em cima da área.
Segunda parte em que o Benfica procurou mais vezes jogar curto e ligar fases, mas muitos erros técnicos por parte de quem passa e/ou de quem recebe levou a inúmeras perdas (mesmo jogadores muito fortes nesse capítulo como Ferro, Adel ou Rafa).
Vitória com extremos baixos a conseguir ter sempre igualdade ou superioridade no corredor lateral. Mesmo bolas que entravam nas suas costas, lateral ou extremo conseguiam chegar por estarem perto e por lentidão dos jogadores do Benfica quando criavam vantagem momentânea.
Benfica com as dificuldades já habituais em transição, com muitos jogadores frágeis no duelo individual defensivo a defender com muito espaço. Também no golo, apesar do ressalto ganho pelo Vitória no corredor lateral, alguns maus posicionamentos e comportamentos por parte de quem sobrou para defender o lance originou espaço entre Rúben e Tomás onde entrou um médio para finalizar.
Por fim, a confiança como factor estimulante para todas as outras componentes individuais. Há 6 meses uma equipa confiante, dinâmica e a conseguir criar e aproveitar espaços e situações de finalização como nenhuma outra em Portugal. Hoje em dia, a mesma equipa mas com demasiados erros técnicos, decisionais, com uma incapacidade gritante para criar consecutivamente e sem o atrevimento para acções decisivas (bolas em zonas de remate que nem sequer finalização dão porque tentam passar ao colega, por exemplo)."

Vitória FC 1-1 SL Benfica: Encarnados voltam a tropeçar

"A Crónica: Águias Sem Ponta de Inspiração Voltam a Tropeçar
Final de tarde bastante ameno no Bonfim. Tanto Julio Velázquez quanto Bruno Lage abordaram esta partida com um sentimento de risco zero. Foi uma primeira parte onde o Vitória FC se preocupou mais em preencher os espaços no seu meio campo, condicionando a posse de bola encarnada, e onde o SL Benfica procurou não arriscar defensivamente, actuando com Taarabt ao lado do Samaris; e, na incapacidade de colocar dinâmica no jogo interior, procurando atacar com um futebol de passes longos para as costas da defesa.
Os sadinos conseguiram a primeira grande oportunidade de golo do jogo ao minuto 27′, após uma boa combinação no meio-campo: Carlinhos, com bola, temporizou e abriu na esquerda para Mansila, que faz uma soberba recepção e cruza largo para o segundo poste, onde aparece Zequinha a finalizar de primeira e quase a inaugurar o marcador.
Já o SL Benfica só conseguiu levar perigo à baliza de Makaridze no fecho da primeira parte, num cabeceamento de Samaris após um canto de Pizzi ao primeiro poste.
Digamos que foi uma primeira parte setubalense de serviços mínimos e uma primeira parte benfiquista de grande desinspiração.
E se os golos são o principal afrodisíaco do futebol, a segunda parte animou logo com dois golos nos primeiros minutos. Aos 46 minutos, Sílvio, Nuno Valente e Zequinha trabalham a bola e o último acaba por assistir Carlinhos, que, no coração da área, finaliza sem contemplações.
Bola ao centro, passe em profundida e canto para o SL Benfica. Bola batida e, totalmente fora da jogada, Semedo comete uma falta tosca sobre Rúben Dias. Penalty para os encarnados: Pizzi bate e Pizza marca.
Um Vitória FC com os médios mais subidos na procura de oportunidades de atacar, um SL Benfica com mais espaço a conseguir construir melhor as jogadas e chegar mais vezes a zonas de perigo. O segundo tempo foi mais interessante que o primeiro, mas o empate manteve-se e Pizzi ainda falhou uma grande penalidade.
A equipa da casa fez um jogo de esforço, que lhe foi suficiente pois o adversário pouco puxou pela criatividade. O candidato ao título nunca mostrou qualidade colectiva nem inspiração individual para sair vitorioso do jogo.
Voltámos a assistir a um Benfica de futebol largo e pelo ar, com os centrais e os médios constantemente a bater bola para as costas da defesa. E assim, este outrora líder, vai facilitando a vida das defesas adversárias e desperdiçando o talento do seu plantel.

A Figura
Giorgi MakaridzeDepois da polémica da semana, esperava que o guardião sadino se apresentasse algo nervoso. Contud,o foi totalmente o oposto disso. O destaque a este guarda-redes não se prende por várias defesas de grande qualidade, mas sim pelo jogo completo em total serenidade. Abordou de forma calma todos os lances, dominou a sua área, saiu sempre bem da baliza e foi exímio com a bola nos pés, não tremendo e conseguindo sempre permitir que a equipa saísse a jogar com a bola controlada. Foi exibição de clube grande.

O Fora de Jogo
PizziA dúvida era entre Pizzi e Samaris, mas acabei por optar pelo 21 encarnado. O grego deu muito pouco à posse encarnada e acabou substituído por o treinador lhe reconhecer um total descontrolo emocional. Já Pizzi foi o capitão de toda uma equipa que passou 90 minutos a procurar más opções. Não foi pior que os seus colegas, mas foi o espelho destes. Falhou remates, falhou passes, falhou cruzamentos e ainda falhou um penalty. Como as principais estrelas, tinha de fazer a diferença e não fez. Como capitão, tinha obrigação de guiar o colectivo por caminhos mais competentes, mas também não o fez. Recebe esta distinção em nome do colectivo.

Análise Táctica - Vitória FC
Julio Velázquez lançou o seu 4-3-3 com o trinco a fazer de terceiro central no momento de posse. Optou por um jogo de risco zero, procurando principalmente condicionar a construção encarnada e preencher os espaços do seu meio campo.
A linha defensiva não jogou muito recuada ,mas toda a equipa jogou em bloco no seu meio campo. Esta proximidade de sectores obrigou o adversário a procurar constantemente as bolas em profundidade e a defesa sadina estava preparada para isso. De destacar o movimento dos laterais em constante alternância de posicionamento com os extremos.
Para a segunda parte optou por dar mais espaços ao jogo, avançando Carlinhos para as proximidades do ponta de lança. Com isso, conseguiu o primeiro golo do jogo e também deixar a imagem que em algum momento o Vitória FC poderia criar uma jogada de perigo.
Com as substituições, procurou somente refrescar os seus jogadores da frente – tanto para defenderem e atacarem com maior disponibilidade. De ressalvar que o Vitória caiu na tentação de procurar o jogo em profundidade e manteve-se fiel a um jogo de construção a partir da defesa com a procura de criar desequilíbrios com trocas de bola no centro do terreno.

11 Inicial e Pontuações
Makaridze (8)
Sílvio (6)
Jubal (6)
A. Jorge (6)
A. Sousa (5)
J. Semedo (5)
Carlinhos (6)
N. Valente (6)
Zequinha (6)
Mansilla (6)
Ghilas (4)
Subs Utilizados
Guedes (4)
Antonucci (-)
Leandrinho (-)

Análise Táctica - SL Benfica
Bruno Lage lançou o seu 4-2-3-1, desta vez deixando Weigl no banco e dando o meio campo a Samaris e Taarabt. Talvez por tanto reconhecer as fragilidades do processo defensivo da equipa, o treinador encarnado optou por um jogo de menor risco, deixando os dois médios lado a lado e muito próximos dos centrais.
E, na esquerda, voltou a actuar Cervi, na sua dinâmica de acompanhamento às subidas do lateral adversário. Desde cedo a equipa abdicou de construir jogo pelo centro do terreno e foi um SL Benfica em constante procura da profundidade e das costas dos centrais. Só alguns escassos momentos de rebeldia de Taarabt contrariaram esta tendência.
Logo no arranque da primeira part,e e ao perceber que o jogo estava com mais espaço, Bruno Lage lançou Rafa a jogo. Sim, Rafa tinha espaço para progredir. Não, o futebol encarnado não permitiu esses movimentos a Rafa. Foi lançado também Dyego Sousa para os cruzamentos e voltámos a assistir ao jogo que tanto tem sido criticado nas últimas jornadas. Futebol de muito pouca imaginação.

11 Inicial e Pontuações
Vlachodimos (5)
Tomás Tavares (5)
Rúben Dias (5)
Ferro (5)
Grimaldo (6)
Samaris (4)
Taarabt (6)
Pizzi (4)
Cervi (4)
Chiquinho (4)
Vinicius (4)
Subs Utilizados
Rafa (4)
Dyego Sousa (4)
Weigl (4)"

[FR] Désastre à Setúbal, la réflexion - Journée 24

[DE] Vitória Setúbal - SL Benfica 1:1

"Eigentlich gibt es nicht wirklich viel über den Auftritt von Benfica im nur 55 Kilometer südlich von Lissabon gelegenen Setúbal zu berichten. Unter der Woche hatte Vitórias Torhüter Makaridze mit der erstaunlichen Erklärung für Aufsehen gesorgt, es würde ihn nicht stören, alle nachfolgenden Spiele zu verlieren, wenn seine Mannschaft nur gegen Benfica nicht unterliegen würde. In Setúbal selbst störte sich niemand weiter daran, dass diese Einstellung des eigenen Torhüters ein wenig unsportlich ist und obendrein den Abstieg von Vitória zur Folge hätte. Ein weiteres Kapitel der an Folklore so reichen Liga NOS.
Diejenigen unter euch, die sich hier über das Spielgeschehen am gestrigen Abend informieren möchten, könnte ich getrost auf meine Chronik zur Partie gegen Moreirense am vergangenen Montagabend verweisen. Wieder hatte Benfica im ersten Durchgang enorm viel Ballbesitz, wusste aber mit dem Spielgerät spätestens in der gegnerischen Hälfte nur wenig anzufangen. Nach ereignisarmen 45 Minuten war der Pausenpfiff fast schon eine Erlösung.
Gleich nach Wiederbeginn kassierte der Rekordmeister den inzwischen obligatorischen Gegentreffer und agierte fortan im Panikmodus. Durch einen verwandelten Foulelfmeter gelang Pizzi nur fünf Minuten später dennoch der Ausgleich. In der 76. Minute legte sich Pizzi nach einem vorangegangenen Handspiel den Ball erneut auf den Punkt, schoss diesmal aber beherzt am Tor vorbei. Damit hat Pizzi in den letzten zwei Spielen gleich drei Strafstöße vergeben, die seiner Mannschaft streng genommen vier Punkte und damit die Tabellenführung gekostet haben.
Darüber, ob diese Tabellenführung verdient wäre, lässt sich trefflich philosophieren. Die Mannschaft ist in einer katastrophalen Verfassung, hat aber unverändert nur einen Zähler Rückstand auf den FC Porto, der im Anschluß an die Partie in Setúbal vor heimischem Publikum nicht über ein 1:1 gegen Rio Ave hinaus kam.
Zweifelsfrei erleben wir die schwächste Meisterschaft des letzten Jahrzehnts. Es ist kein Zufall, dass bereits im Februar alle portugiesischen Teilnehmer aus den europäischen Wettbewerben ausgeschieden sind. Fast erweckt es derzeit den Anschein, die beiden Titelanwärter würden sich ein wenig schämen, an der Tabellenspitze der Liga NOS zu stehen.
Da ist es nur ein schwacher Trost, dass Benfica in der vergangenen Woche einen Rekordgewinn von 104 Millionen Euro verkündete. So lobenswert und wichtig es ist, dass die Adler im Gegensatz zu ihren Konkurrenten mittlerweile finanziell wieder richtig solide aufgestellt sind, so gefährlich kann die fast schon manische Fixierung auf Gewinne mittelfristig werden. Es ist wahrlich keine bahnbrechende Erkenntnis, dass Fußballvereine vom sportlichen Erfolg abhängig sind. Künftige Ticket- und Trikotverkäufe, Sponsoren und auch Spielerverpflichtungen, alles ist mit Siegen auf dem Rasen im hier und jetzt verbunden.
In einer Zeit, in der der FC Porto unter Aufsicht der UEFA steht, verspielt Benfica wahrscheinlich gerade die historische Gelegenheit, den Erzrivalen durch eine etwas mutigere Investitionspolitik auf lange Jahre zu distanzieren.
Weiter geht es am kommenden Samstag mit dem Heimspiel gegen CD Tondela. Die Partie wird um 19 Uhr deutscher Zeit angepfiffen und von sportdigital live übertragen.
---
Vitória Setúbal - SL Benfica 1:1
Liga NOS, 24. Spieltag
Samstag, 7. März 2020, 18 Uhr
Estádio do Bonfim, 9.152 Zuschauer
Mannschaftsaufstellung: Odysseas, Tomás Tavares, Rúben Dias, Ferro, Grimaldo, Pizzi, Taarabt, Samaris (72. Dyego Sousa), Cervi (72. Weigl), Chiquinho (56. Rafa), Vinícius
Torschützen: 1:0 Carlinhos (46.), 1:1 Pizzi (51. FE)"

Benfica After 90 - Setúbal...

Motricidade Humana aplicada ao Futebol

"Por mais que se ande, por mais que se peregrine, como dizia o velho De Maistre: “ninguém caminha senão à roda do seu quarto”. Não se estranhe, por isso, o meu conforto inalterável, quando me refiro à minha teorização da “motricidade humana”, ou quando algum Amigo a ela criticamente, ou até bondosamente, se refere. Os meus olhos dilatam, engrandecem as pessoas e os factos, quando relembro aquele almoço em que os Doutores José Tolentino Mendonça (hoje Cardeal da Igreja Católica e a trabalhar em Roma, junto do Papa) e Alfredo Teixeira me anunciaram a criação da “Cátedra Manuel Sérgio”, na Universidade Católica Portuguesa. Ou quando o jovem treinador de futebol, Bruno Dias (hoje, com 32 anos de idade) me procurou, há um ano tão-só, para dizer-me: “Já li três livros da sua autoria e fiquei tão convencido que pretendo escrever um livro sobre a motricidade humana, aplicada ao futebol”. E continuou, numa franqueza aberta e forte: “Ao aconselhar a prática do futebol, à luz da metodologia típica das ciências humanas; ao fazer portanto do desporto uma das valências de uma nova ciência humana; ao afirmar, com frequência, que o desporto é o fenómeno cultural de maior magia no mundo contemporâneo – para quem, como eu, conhece a prática do futebol, estas suas três afirmações resumem a teoria e a prática desportivas”. Jorge Valdano, um desportista que faz poesia, quando se ocupa do futebol, escreveu, há pouco, no jornal A Bola (2020/2/29): “A nossa missão é encontrar a chave do jogo, falar da gama de talentos que o decidem muito mais do que de dispositivos tácticos, ou reparar nos movimentos telúricos, que precedem os estados de alma. Buscar a epicidade que atrai a emoção. Humanizar o futebol e, em resumo, aceitar as suas contradições”. Num relâmpago de luminosidade, Jorge Valdano escreveu que é preciso humanizar o futebol. E, no meu modesto entender, disse bem. É, na tentativa de humanizar o futebol, que pode compreender-se o que de mais verdadeiro o futebol tem, o que de mais autêntico o futebol é…
Acaba de chegar às livrarias o livro de Bruno Dias, Motricidade Humana Aplicada ao Futebol, editado pela Prime Books. Um livro, editado pela Prime Books, chega às nossas mãos com uma certeza: é visto e revisto por um editor de larga erudição e de incontestável inteireza moral, o Dr. Jaime Cancela de Abreu. Depois, o Bruno Dias, além de treinador de futebol e de comentador da Sport TV, é um insaciável estudioso do “fenómeno desportivo” e que sabe o que deve estudar (no futebol, em grande parte dos casos, nem se estuda nem, o que é pior, se sabe o que se deve estudar). Vaticino-lhe, se enveredar pela profissão de treinador de futebol, um futuro de mérito relevante. Porque o Bruno faz o favor de ser um leitor rigoroso e assíduo das minhas obras, principia o livro, invocando o meu nome: “Para o professor Manuel Sérgio, não existem remates, existem homens que rematam. Por isso afirmo que, quando falamos de futebol, falamos essencialmente de pessoas. Na actualidade, o futebol reproduz e espelha as tendências da sociedade altamente competitiva em que vivemos (…). Existe uma pressão enorme para ganhar e as equipas técnicas, que procuram desenvolver projectos inovadores e a longo prazo, sentem-se fortemente condicionadas (…). É minha convicção que no futebol o Homem/Atleta deve ser o ponto de partida e o ponto de chegada” (p. 25). Mas, estudar o homem-jogador-de-futebol, ou seja, quando se estuda o futebol num ambiente propiciador de meditação e de reflexão, longe portanto da “cultura zapping” em que vivemos imersos, logo nos cerca uma desconfiança de muitos (e são a maioria) dos que, no praticante do futebol, não descortinam o homo ludens, o homo festivus – mas o homo economicus, um homem que se define, sobre o mais, pelo mecanicismo dos gestos, pela espetacularidade das suas qualidades atléticas e que se admira (também)pelos rendimentos, pelo salário que aufere, pelas mulheres que o acompanham, pela vida faustosa que exibe. Enfim, pelo ter e não pelo ser.
Há um excelente texto de Roland Barthes, incluído no seu livro Mitologias, assinalando o seguinte: “A revista Elle oferece-nos, quase todas as semanas, uma bela fotografia a cores de um prato preparado: perdizes douradas, incrustadas de cerejas, frangos com geleia rosada, travessas de caranguejos rodeados de conchas vermelhas, tostas ornadas de desenhos de frutos cristalizados, bolos de nata multicolores, etc. (…). A ornamentação procede por duas vias contraditórias: por um lado, afasta-se da natureza, graças a um barroquismo delirante (espetar cerejas num limão, aloirar um frango, servir pamplumossas quentes; e, por outro, tenta reconstruí-la, através de um artifício extravagante (dispor cogumelos merengues e folhas de azevinho sobre um cepo de Natal, colocar cabeças de caranguejos à volta do bachamel sofisticado que lhes tapa o corpo). A cozinha da Elle é uma cozinha de ideias. A sua invenção, confinada a uma realidade feérica, deve incidir de forma exclusiva sobre os confeites, porque a vocação da revista proíbe-a de abordar os problemas reais da alimentação”. Também as mulheres, os carros, os aviões, as piscinas, as vivendas de nova e resplandecente arquitectura, na abundante riqueza das suas cores dão a sensação aos “torcedores” (perdoem-me o brasileirismo) que o essencial no futebol é o luxo, o ornamento, o epidérmico. Bruno Dias, ao invés (e muito bem) diz-nos que o essencial, no futebol altamente competitivo, é a transcendência: “Considero a transcendência (ou superação) o fundamento que melhor define o rendimento e a competição. Quero ser melhor todos os dias, porque todos dias nós somos uma tarefa por realizar. Todos os dias queremos alcançar novos limites porque, pela transcendência, revelamos que não somos só reflexo do que nos ensinaram, mas projecto de um mundo possível”. Poder fruir de um exagerado sucesso material, enquanto há tanta fome e miséria por esse mundo além, empurra-nos a uma visão defeituosa da sociedade. Assim como a submissão a uma cultura mediática gera, em cada um de nós, o hábito de não pensar criticamente, A transcendência é também um problema ético ou, se assim quiserem, ético-político.
Fez o prefácio deste primeiro livro do Bruno Dias, o treinador de futebol, José Peyroteo Couceiro. É, de facto, um conceituado e respeitado treinador de futebol e com lugar relevante na estrutura directiva da Federação Portuguesa de Futebol. No prefácio, José Peyroteo Couceiro esclarece: “Nas conversas que fomos mantendo, percebi que a importância que o Bruno Dias dava ao processo de treino era idêntica à atenção que dedicava aos relacionamentos entre todos os elementos da equipa. Na verdade, nós lidamos com pessoas, diferentes, mais ou menos sensíveis, provenientes de diferentes áreas e níveis sociais, que fazem no seu conjunto uma equipa. Esta é muito mais que a soma das partes e essa é a mais importante. Gerir, com respeito por todos, as áreas e elementos do grupo, as suas divergências e exigências. Uma tarefa que requer capacidade e conhecimento”. Quando assinala o papel da liderança, no processo de transformação da equipa; quando afirma que “a boa comunicação promove uma liderança mais eficaz”; quando escreve que “mobilizar e descobrir a alma do clube é uma das principais funções do treinador”; quando sublinha que “é fundamental que tenha uma enorme capacidade de se relacionar com todos e com cada um”; Quando nos diz o que é um modelo de jogo e como construí-lo; quando não esquece os valores de uma equipa e que “um treinador deve ter sempre presente que o clube é feito por pessoas e para as pessoas e que estas têm uma cultura e um contexto que devem ser respeitados” – o Bruno Dias faz ciência e ciência hermenêutico-humana, ou seja, ele sabe onde está, quando estuda e pratica o futebol, o que nem sempre sucede com alguns “especialistas do futebol”.
Quero salientar ainda que o Bruno Dias, licenciado e mestre pela Faculdade de Motricidade Humana, numa das nossas habituais conversas, me questionou: “Professor, eu gostava de saber o que é, para si, a motricidade humana. Podemos dialogar um pouco, a este respeito?”. Há momentos, na vida, que passam por nós, como os relâmpagos, numa correria tão luminosa quanto vertiginosa e que, só mais tarde, merecem uma leitura demorada, miúda, com algum rigor. Com o Bruno Dias, ao invés, esta sua pergunta levou-me a uma resposta pronta: “A motricidade humana, para mim, é o movimento intencional e solidário da transcendência (ou superação). Significa, antes do mais, que o Desporto, o Jogo Desportivo, a Dança, a Ergonomia, a Reabilitação não são tão-só Actividades Físicas mas, de facto, Actividades Humanas. A expressão Actividade Física é uma tradição, nada tem de linguagem científica, pois que, em qualquer destas actividades, é a complexidade humana que encontramos e não, unicamente, a dimensão física. E, porque “é a complexidade humana”, a motricidade humana tem as condições necessárias e suficientes para transformar-se numa nova ciência hermenêutico-humana”. Aqui, lembro-me bem, o Bruno Dias atalhou, para acrescentar: “Também, para mim, é evidente que, quando exerço a profissão de treinador de futebol, estou a trabalhar no âmbito das ciências humanas. Não esqueço a frase que o meu Amigo repete, inúmeras vezes: Não há jogos, há pessoas que jogam, se eu não compreender as pessoas jamais entenderei o jogo que as pessoas jogam”. Bruno Dias, o autor do livro Motricidade Humana Aplicada ao Futebol, editado pela prestigiosa Prime Books. Bruno Dias, um autor a reler, um treinador de futebol que sabe que, pela transcendência, o ser humano toma consciência que não é objecto da história, mas sujeito construtor da sua própria história!"

Benfiquismo (MCDLXV)

Não está fácil...

Vermelhão: Empatas...!!!

Setúbal 1 - 1 Benfica


Depois de tantos jogos, sempre a ganhar, parece que ficámos 'presos' às não vitórias depois do primeiro desaire; agora, depois de tantos jogos sem saber o que era um empate, parece que ficámos 'agarrados' aos empates!!!

Basicamente, independentemente de tudo o resto, em duas jornadas, perdemos 4 pontos, depois de desperdiçar dois penalty's!!! Em Novembro/Dezembro, quando andávamos a ganhar, mesmo sem grandes exibições, tudo parecia ter um final feliz, hoje, com as coisas a saírem mal, tudo parece que acaba mal!!! É preciso sair deste ciclo negativo rapidamente... O empate dos Corruptos com o Rio Ave esta noite, acabou por 'diminuir' a dor deste empate, mas se tivéssemos ganho, neste momento estaríamos novamente na liderança da Liga!!!
O onze, foi um regresso ao passado! Recuperámos o tal onze de quando as coisas até 'corriam' bem, com a cara 'nova' do Samaris!!! E mais uma vez, fazendo uma análise pragmática, defensivamente até 'melhorámos' o Setúbal fez duas jogadas 'perigosas' nos 90 minutos (e marcou numa delas)... Ofensivamente, na 1.ª parte o jogo foi jogado longe das balizas, mas o domínio era nosso... Na 2.ª parte, o domínio acentuou-se, mas voltámos a decidir mal, demasiadas vezes! A ida para o banco do Rafa e do Weigl, acabou por normal tendo em conta as exibições negativas do extremo após o regresso da lesão, e das exibições discretas da contratação alemã...

Sendo que em Setúbal existem sempre algumas variáveis 'diferentes': com o relvado em mau estado, não é fácil jogar a bola na relva; com a agressividade muito acima do normal do adversário, é quase impossível fazer 3 ou 4 passes nos 'últimos' 40 metros, sem o jogo parar... existem momentos do jogo, onde parece que estamos jogar 'rugby' tal é a vontade do adversário em 'atropelar' os nossos jogadores, que muitas vezes parece que querem 'ver-se' livre da bola, antes que chegue a 'placagem' - isto até acontece nos jogos particulares que fazemos em Setúbal!!! Esta 'atitude' até poderia ser elogiada dentro de certo critério, mas o problema é que por exemplo no jogo com os Corruptos, neste mesmo relvado, os jogadores do Setúbal, demonstraram menos energia do que o 'famoso' animal conhecido como Preguiça!!!
Haverá seguramente outros jogadores no plantel que sabem marcar penalty's! Neste momento, até para 'protecção' do Pizzi, é tempo de outro assumir as responsabilidades!

Tivemos dois penalty's assinalados a nosso favor, um pelo VAR e outro pelo árbitro de campo, ambos confirmados pelas imagens, mas mais uma vez, fomos prejudicados: além de um outro penalty, no lance onde anularam o golo ao Vinícius por fora-de-jogo, mas esqueceram-se de verificar se tinha havido um corte com o braço; o jogo acabou por ficar marcado pelo critério disciplinar: a entrada sobre o Chiquinho logo nos minutos iniciais é para Vermelho directo, e depois foi um festival de entradas a 'matar' com Amarelos atrás de Amarelos que foram ficando no bolso... Sendo que no penalty sobre o Rúben, numa jogada onde o defesa não tenta jogar a bola, devia ter visto o Vermelho, pois aquilo foi uma agressão... não foi uma acção negligente, como os expert's vão defender!!!
Como tem sido defendido por muitos, após a confirmação das excelentes Contas apresentadas ontem, não faz sentido existir tantas debilidades no plantel! A aposta no Seixal não pode ser fundamentalista, momentos como aquele que estamos a viver actualmente provam a necessidade de existirem jogadores experientes, com 'calo', em todos os sectores... E pessoalmente, nem acho que as vendas 'prematuras' sejam o factor mais negativo (também o são...), o problema tem sido as 'não contratações' de jogadores como o Aimar ou o Saviola, ou o Ramires...!!!
O Lage como alvo fácil e o Presidente a pensar nas próximas eleições são os álibis das frustrações, mas até ao final da época, nada vai mudar nesses 'campos', e ainda temos objectivos para cumprir... Ainda esta semana, um conhecido Lagarto andou na Net, anonimamente, a tentar 'criar' uma manifestação à porta do Campo Pequeno, antes da Gala Cosme Damião, portanto é preciso ter cabeça fria e não ir em ondas...!!!
Se nós estamos a jogar mal e em clara maré negativa, os Corruptos, com todos os empurrões do mundo, continuam na minha opinião a jogar ainda pior do que nós, e não fossem as ajudas arbitrais e os fretes de alguns adversários, nem sequer dariam luta... Mas para não existir um Campeão que praticamente só marca golos de bola parada - além de todas as outras 'raridades' - temos que ganhar as 10 Finais que faltam, pois tenho a certeza que eles não vão ganhar os jogos todos... nem com todos os 'empurrões' que vão ter!!!

sábado, 7 de março de 2020

Liderança...

Benfica 3 - 1 Braga

Depois do empate na 1.ª volta, o Braga tem confirmado ser uma equipa difícil, e hoje não foi diferente... e com o Benfica a continuar a desperdiçar as 'bolas paradas' torna tudo mais complicado!
O Braga reduziu para 2-1 a 6 minutos do fim, e o 3-1 só surgiu a 40 segundos do fim...
Com o Pedrão a ser mais uma vez decisivo a defender muitas 'bolas paradas' e não só!

Vitória em Ovar...

Ovarense 81 - 90 Benfica
21-26, 32-27, 18-26, 10-11

Jogo com bastante intensidade, em alguns momentos até se passou do aceitável, com muita culpa dos árbitros, que acabaram o jogo completamente 'perdidos', com algumas decisões completamente absurdas...  quase sempre contra o Benfica!

O Betinho está a 'segurar' a equipa, com as ausências de vários jogadores, com o Ireland abaixo do que pode fazer, tem sido o Betinho com a ajuda do Zé Silva e os Triplos, a ganhar os jogos para o Benfica!

Micah, Hollis e o Coleman, continuam de fora... além do Tomás.

Vitória na última jornada, da 1.ª fase

Boa Hora 19 - 27 Benfica
(9-10)

Segunda parte de boa qualidade (10-17), depois de um primeiro tempo em modo 'descanso'!!!

Vitória a 'baixa rotação'!!!

Benfica 3 - 1 Azeméis

Entrada morna, apesar do domínio... Com o Azeméis a marcar primeiro (auto-golo do Cecílio), acordámos, e ainda na primeira parte demos a volta... com o Jacaré a confirmar já no 2.º tempo!

Vitória nas Caldas...

Sp. Caldas 1 - 3 Benfica
12-25, 25-23, 22-25, 13-25

Não tem sido normal esta equipa 'oferecer' facilidades, mas neste jogo houve alguns momentos 'anormais'!!! Mas no final, vencemos... e mantivemos a invencibilidade interna.


Contas...

Relatório e Contas do 1.º semestre 2019-2020

"O Benfica apresentou o seu relatório e contas ontem à noite. Aqui vão uns pontos sobre o assunto.
1. O Relatório diz respeito aos meses entre 1 de Julho de 2019 até a 31 de Dezembro de 2019. E os resultados financeiros são monstruosos. O resultado líquido do período são 104 milhões euros. Os rendimentos totais acrescem a 244 milhões de euros. O Activo ascende até aos 608 milhões de euros. Estes resultados só vêm questionar ainda mais a falta de aposta na equipa de futebol do Benfica.
2. O Passivo cresceu 5.7%. É importante aqui clarificar que o Passivo cresceu em determinadas rubricas. As rubricas dos “Empréstimos Obtidos”, ou seja aquelas em que se pagam juros, baixaram ligeiramente. E segundo o Benfica, em Janeiro, fora do período que este relatório avalia, fizeram uma antecipação parcial de um Empréstimo Obrigacionista no valor de 25 milhões de euros. O resto da “Empréstimos Obtidos” não podia ser antecipado - o contrato não o permite - e nem venceu neste período, portanto era impossível ter baixado mais. O Passivo acaba por aumentar devido à conta “Fornecedores”, onde se inclui transferências de jogadores para o Benfica. O Benfica neste período contratou RDT e Carlos Vinícius, e não terá pago a pronto, tendo aumentado a rubrica. Nada a dizer aqui.
3. A dívida líquida do Benfica que são os “Empréstimo Obtidos” menos o dinheiro que o Benfica tem em caixa e outros equivalentes a caixa está nos 45 milhões de euros. Em Junho de 2019 estava nos 129 milhões de euros. E em Junho de 2017 nos 229 milhões de euros. A menos que o Benfica gaste o dinheiro todo que tem em caixa a pagar dívida, que não deverá acontecer, esta dívida líquida deverá aumentar para algo entre os 129 milhões de euros de Junho/2019 e os 45 milhões de euros de Dezembro/2019. Mas ainda assim, é um facto que está a chegar a níveis muito baixos.
4. Os negócios entre Luís Filipe Vieira e José António dos Santos, que existem desde 2017, já aparecem discriminados no R&C do clube. Ambos os negócios tinham sido reportados pelo Expresso há umas semanas. Por algum motivo o clube agora decidiu revelá-los.
5. Transferências para o Benfica neste período:
a) RDT custou 20.875.000€ (foi vendido por 20M+2M)
b) Vinícius custou 17.592.000€
c) Morato custou 7.550.000€ (85% do passe)
d) Chiquinho custou 5.250.000€ (50% do passe, outros 50% já eram nossos)
e) Caio Lucas custou 4.085.000€ por (75% do passe)
f) Cádiz custou 2.750.000€
6. Renovações do Benfica neste período:
a) A renovação do Salvio custou 2.936.000€
b) A renovação do Samaris custou 1.180.000€.
7. Saídas do Benfica neste período:
a) Félix gerou uma mais valia de 108.238.000€
b) Carrillo foi vendido por 8.3 milhões de euros, mas tinha um valor contabilístico de 5.65 milhões de euros, o que deu uma mais valia de 2.645 milhões de euros
c) Salvio foi vendido por 6.8M, mas tinha um valor contabilístico de 3.3 milhões de euros - uma parte devido à renovação - e como tal gerou uma mais valia de 3.5 milhões de euros.
8. Zivkovic é o único jogador cujo contrato acaba a 2021. Ferreyra, Krovinovic, Pedro Pereira e Svilar acabam a 2022. Ninguém acaba em 2020. Todos os outros têm contrato até 2023 ou 2024. O único com contrato até 2025 é o Yony Gonzalez.
9. A rubrica de “Fornecimento de Serviços Externos” aumentou de 27 milhões de euros no primeiro semestre da época passada, para 39 milhões de euros neste semestre. Um aumento de 12 milhões de euros, sendo que 9 milhões de euros foram gastos em "rendas e alugueres". A Benfica SAD paga renda à Benfica Estádio, estando "a renda dependente dos gastos incorridos". Ou seja, ou houve muitas obras na Benfica Estádio ou a troca dos dois relvados custou vários milhões. O Benfica não divulgou ao certo o motivo deste aumento.
10. Os gastos com pessoal - boa referência para a massa salarial da equipa de futebol - baixou ligeiramente. Está agora nos 46 milhões de euros (6 meses). Estava nos 47 milhões de euros. Ou seja, por época a nossa massa salarial está nos 92 milhões de euros. Tendo em conta que saíram Salvio e Jonas, dois dos jogadores que mais recebiam, seria de esperar que estes valores baixassem significativamente. Mas não foi o caso. O Benfica renovou com imensa gente. Os seus salários não são públicos, mas provavelmente temos alguns jogadores medianos a receberem salários muito acima da média.
A 31 de Dezembro de 2019 a Benfica SAD tinha 98 milhões de euros em caixa. Parados no banco. E mesmo assim, não quiseram trazer o Bruno Guimarães, nem ninguém para o lugar que seria dele. Não quiseram reforçar a equipa. E até foram capazes de manter uma massa salarial alta renovando com uma série de jogadores medianos. O Benfica precisa de evoluir e dar o próximo passo. Esse passo já podia ter sido dado este ano. Havia mais do que manobra financeira para o fazer. Mas esta Direcção já provou que não consegue ser mais do que isto. Não consegue libertar-se do rigor financeiro desmesurado e pôr alguma qualidade no relvado, que no fundo é o core do negócio do Benfica - ou está alguém no Marquês a festejar estes resultados financeiros? Temos uma equipa limitada em diversas posições, ao mesmo tempo temos 98 milhões de euros parados no banco, e andamos a pagar 4 milhões de euros e 2.75 milhões de euros por jogadores profundamente medíocres. Não faz sentido nenhum."

Vitória FC x SL Benfica: Um clássico intemporal

"Um Clássico Intemporal Entre Setubalenses e Lisboetas
Não é de agora, mas a história que reúne as cores do Vitória FC e do SL Benfica é extensa e cheia de episódios marcantes. Os sadinos constituem um dos grandes pólos tradicionais do futebol português, ainda que o século XXI não tenha trazido grande impacto à competitividade de um clube que já discutiu campeonatos nacionais e se intrometeu na Europa dos grandes.
Vamos por partes. As relações institucionais entre lisboetas e setubalenses tornou-se também em fenómeno social e cultural, adjacente à rivalidade que existe entre margem Norte e Sul do Tejo, o que explica também a aversão recíproca entre os adeptos dos dois clubes.
As transferências de Jaime Graça e Vítor Baptista para a Luz, o segundo em troca de Torres, Praia e Matine, impactaram sobremaneira as duas instituições e as suas conquistas nos finais dos anos 60 e início dos anos 70, período de ouro dos sadinos.
Aí, o Vitória assumir-se-ia como equipa de topo, com a presença em inúmeras finais de Taça de Portugal – duas conquistas – e o segundo lugar no campeonato de 1971/1972, atrás do Benfica, e que permitiram as grandes aventuras na Taça das Cidades com Feira, na sucessora Taça UEFA e na Taça das Taças, onde foram derrotados no Bonfim clubes de estirpe continental como o Inter de Milão, a Fiorentina, o Lyon ou o Leeds United. Nessas sucessivas incursões de qualidade pelo continente fora, não faltava liderança forte com José Maria Pedroto no banco e Jacinto João no relvado, num período que durou até 1974.
O jogo de sábado, porém, opõe duas forças distintas na actualidade, e nem a melhoria com a entrada de Julio Velázquez elevou o Vitória à categoria anterior de quarto grande, em confronto constante com Boavista FC e CF “Os Belenenses”.
As três Taças de Portugal e a Taça da Liga existentes no museu sublinham argumentos, ainda que a segunda década do novo milénio tenha sido uma constante tentativa de se manter à tona na Primeira Liga, tornando habitual o desespero por pontos nas últimas jornadas.
Este ano é diferente, ainda assim, pois com a entrada do treinador espanhol a equipa começou a soltar-se das amarras resultadistas e os princípios de bom futebol postos em prática levaram a um aumento substancial da capacidade finalizadora, numa equipa que se destacou com Sandro pela defesa de betão e pelos empates a zero.
O Vitória tem melhorado substancialmente na qualidade de jogo, mas os resultados não foram os melhores nos últimos cinco jogos, com apenas dois empates a ajudarem à contagem dos pontos: os jogos com FC Porto e SC Braga podem justificar a fase menos positiva, onde só a derrota caseira contra o Gil Vicente se apresenta como dispensável.
As visitas às margens do Sado nunca foram acessíveis para o Benfica. A fase deprimente que a equipa atravessa, onde o rendimento fantasmagórico de muitos titulares atirou Bruno Lage para a figura de corpo presente e impotente para alterar o rumo das circunstâncias, prevê uma luta acesa pelos pontos. Lembrar que, com as segundas linhas, o Benfica já empatou este ano no Bonfim para a Taça da Liga.

Como Jogará o Vitória FC?
Julio Velázquez deverá manter a maioria dos titulares da última partida, no empate em Portimão. A equipa gosta de ter bola e construir curto desde trás, entregando a criação em fase intermédia a Carlinhos e Éber Bessa, o verdadeiro playmaker da equipa. Depois da lesão aparatosa de João Meira, Artur Jorge deverá regressar; dúvidas quanto aos carrileros Zequinha e Mansilla, já que Antonucci é reforço vindo da Roma e exige minutos, que já os teve, mas sempre a sair do banco. O argelino Ghilas, pesado, mas com as qualidades de segurança no controlo de bola e no jogo de costas intactas, deverá manter-se na frente de ataque e servir como pivot às incursões dos criadores em zona central. 

Jogador a Ter em Conta
Éber BessaÉ a figura da equipa e o mais irreverente em campo. A sua imprevisibilidade sem bola ajuda à criação de oportunidades de golo, tornando-se então o seu jogo muito mais fluído e eficaz quando surge com liberdade nas costas do ponta-de-lança. É assim que tem actuado nas últimas partidas e não existem índicios de qualquer mudança para o jogo frente ao campeão nacional, definindo-se assim como a maior ameaça sadina ás pretensões encarnadas.

XI provável 4-3-3:
Makaridze; Sílvio, Jubal, Artur Jorge e Nuno Pinto; Semedo, Carlinhos e Éder Bessa; Zequinha, Mansilla e Ghilas.

Como Jogará o Benfica?
A principal dúvida consiste na tentativa de André Almeida ir a jogo, que está quase recuperado da insistente lesão que o tem apoquentado. Numa equipa em queda livre, a titularidade de Samaris deverá manter-se para dar estabilidade a um meio-campo tenebroso nas suas rotinas e a uma defesa demasiado frágil para as exigências de uma divisão principal. Os processos simples, mas eficazes, do Vitória serão obstáculo na transição defensiva, se se mantiver a habitual distância entre a linha defensiva e Odysseas.

Jogador a Ter em Conta
Ferro Pelas piores e melhores razões, Francisco será o dínamo de um jogo que se pode tornar assombrado caso o rendimento abaixo do exigível se mantenha. A esperança dos benfiquistas pode ser um bom ponto de partida para a melhoria em termos emocionais, o que catapultaria o seu jogo para níveis condizentes com todo o seu potencial. No seu melhor, a saída com bola do central português permite à equipa actuar muito mais pressionante e próxima da área adversária, além da liberdade que dará aos criadores de serviço, que receberão sempre a bola com maior segurança e em zonas muito mais próximas da baliza adversária: esperemos então que Ferro esteja em dia sim.

XI provável 4-4-2:
Vlachodimos; Tomás Tavares, Rúben Dias, Ferro e Grimaldo; Pizzi, Samaris, Weigl e Rafa; Taarabt e Vinícius."

Benfiquismo (MCDLXIV)

Preparados...

Somos o Benfica!

"Somos, como Bruno Lage lembrava no discurso que fez na Gala Cosme Damião, um clube onde até o assobio é importante e genuíno

Festejar 116 anos de história, num misto de sentimentos, fez da Gala de quarta-feira um acontecimento estranho e especial.
A alegria de um campeonato histórico, de umas contas únicas e invejáveis, de um ecletismo vitorioso e imparável pode ser ensombrada por um empate em casa com o Moreirense?
Pode, porque somos o Benfica, onde tudo tem uma importância extrema única. Pode, porque estamos numa situação onde a vitória é banal e o desaire é trágico. Pode, porque somos, como Bruno Lage lembrava no discurso, um clube onde até o assobio é importante e genuíno. Registo as fantásticas declarações de Samaris, minutos depois do final do jogo de segunda-feira, pela sua autenticidade e capacidade de ler o clube onde está: «Não foi um empate foi uma derrota».
Ao contrário de cartilhas sem alma, de funcionários sem noção ou de adversários sem escrúpulos, Andrea Samaris mostrou que sabe e sente o que é o Benfica e só assim se poderá rumar ao êxito, de preferência já amanhã, frente ao Vitória de Setúbal.
Para quem como nós, tem na ideia de Cosme Damião (e 16 amigos) a mais bonita história dos últimos 120 anos, sabe que quando Samaris falou sem relativizar o sucedido, falou um profissional comprometido e falou um Benfiquista dos autênticos.
Será desse profissionalismo e dessa autenticidade que se deverá fazer o futuro do nosso Benfica.
Eu quero o Pizzi a chorar por falhar um penálti, eu preciso de uma equipa obcecada com o jogo de Setúbal como se não houvesse amanhã. Desta Gala terei, pela minha parcialidade conhecida, de salientar a justiça do prémio para o voleibol do Benfica, entregue nas mãos do Hugo Gaspar (ganharam tudo na última época).
A Mariza cantava na Gala, e eu conseguia ler profecias nas suas melodias.
As coisas vulgares que há na vida, não deixam saudades, há gente que fica na história, na história da gente e percebemos o que está para acontecer quando nos (en)cantou com herdar a sorte...
Amanhã, na baliza do Vitória de Setúbal, estará honesto profissional, que com verdade nos transmitiu sentimento que sabemos ser frequente: o ódio ao Benfica.
Quer roubar pontos ao Benfica e depois pode perder os jogos todos. Essa é dura realidade, há o Benfica e a pequenez alheia do azedume, do ódio e da inveja. O nosso campeonato tem mais jogos que o de alguns adversários.
Sabemos isso e os vários relatórios e contas mostram os vários futuros possíveis."

Sílvio Cervan, in O Benfica

Derrota na Amoreira...

Estoril 3 - 2 Benfica


Não foi um jogo brilhante, mas merecíamos mais, principalmente pela nossa capacidade de luta! Mais uma vez tivemos uma semana 'complicada', com os jogadores a 'saltarem' entre equipas e competições, defrontando um adversário bem mais rotinado, e que ultimamente tem subido de forma...