"Há jogadores que passam pelo futebol.
Há jogadores que ganham títulos.
E depois há aqueles que parecem nascer para aparecer quando a história está prestes a ser escrita.
Ángel Fabián Di María Hernández pertence a essa última categoria.
Hoje, já no ocaso de uma carreira extraordinária, o “Fideo” olha para trás e vê uma história que começou muito longe dos grandes estádios europeus: começou em Rosario, onde chegou ao Rosario Central com apenas 7 anos e onde se estreou na equipa principal aos 17. Em 2007, partiu para o Benfica. O resto é uma viagem pela elite absoluta do futebol mundial.
Benfica.
Real Madrid.
Manchester United.
Paris Saint-Germain.
Juventus.
Benfica novamente.
E, finalmente, Rosario Central.
Uma carreira de 20 temporadas, seis clubes e centenas de jogos ao mais alto nível. Segundo os dados mais recentes disponíveis, soma mais de 500 jogos de liga, mais de 120 golos e cerca de 170 assistências nas principais competições nacionais contabilizadas pelo FBref.
Mas os números, por si só, não explicam Di María.
Porque Di María nunca foi apenas um extremo.
Foi velocidade.
Foi técnica.
Foi inteligência.
Foi sacrifício.
Foi assistência.
Foi golo.
Foi capacidade para jogar em várias posições.
E, acima de tudo, foi um jogador para os grandes momentos.
O HOMEM DAS FINAIS
Poucos jogadores na história tiveram uma relação tão especial com as grandes decisões.
Em 2007, campeão mundial Sub-20.
Em 2008, campeão olímpico em Pequim — e autor do golo da vitória na final contra a Nigéria.
Em 2014, protagonista do Real Madrid que conquistou a Champions League, numa final em que foi eleito Homem do Jogo.
Em 2021, marcou o único golo da final da Copa América contra o Brasil, no Maracanã.
Em 2022, marcou na Finalíssima contra a Itália.
E depois chegou o momento máximo:
a final do Campeonato do Mundo de 2022.
Contra a França, no Qatar, Di María sofreu o penálti que Messi transformou em golo e, minutos depois, marcou ele próprio o 2-0.
Mais uma final.
Mais um momento decisivo.
Mais uma vez, Ángel Di María.
A FIFA contabiliza três golos e duas assistências de Di María em 18 jogos de Mundiais, disputados em quatro edições: 2010, 2014, 2018 e 2022.
E talvez seja precisamente aí que reside uma das maiores singularidades da sua carreira:
quando a bola pesava mais, Di María parecia correr ainda mais.
A ALBICELESTE E UMA GERAÇÃO DOURADA
Pela Argentina, Di María construiu uma das páginas mais bonitas da história recente da seleção.
Foram 145 internacionalizações, 31 golos e 32 assistências, segundo os dados da CONMEBOL.
E os títulos dizem quase tudo:
🏆 Mundial Sub-20 — 2007
🥇 Jogos Olímpicos — 2008
🏆 Copa América — 2021
🏆 Finalíssima — 2022
🏆 Campeonato do Mundo — 2022
🏆 Copa América — 2024
Seis grandes conquistas com a Argentina.
E há um detalhe extraordinário: Di María marcou em todas as finais que a Argentina venceu na era Scaloni em que teve participação direta no jogo decisivo — contra o Brasil em 2021, contra a Itália em 2022 e contra a França no Mundial de 2022. A própria CONMEBOL destacou essa característica ao despedir-se internacionalmente do jogador.
Por isso, quando se fala do renascimento da Argentina, é impossível contar essa história apenas através de Messi.
Messi foi o génio.
Di María foi um dos seus grandes companheiros de batalha.
E, durante anos, foi também aquele jogador que aceitava fazer o trabalho menos glamoroso para que outros pudessem brilhar.
O TALENTO QUE NUNCA SE ESCONDEU ATRÁS DO EGO
Talvez uma das características mais bonitas da carreira de Di María tenha sido precisamente essa.
Nunca precisou de ser o centro de tudo.
Podia marcar.
Podia assistir.
Podia correr 50 metros para recuperar uma bola.
Podia jogar aberto.
Podia jogar por dentro.
Podia ajudar defensivamente.
E fazia-o.
Num futebol cada vez mais individualista, Di María construiu uma carreira baseada também na generosidade futebolística.
Era um jogador capaz de aceitar o sacrifício pelo coletivo.
E talvez seja por isso que a sua história seja tão especial.
Porque não foi uma carreira construída apenas com estatísticas individuais.
Foi construída com momentos que deram títulos aos outros.
DO ROSARIO PARA O MUNDO… E DO MUNDO DE VOLTA A ROSARIO
Há ainda outra dimensão que torna a história de Di María particularmente bonita.
Depois de conquistar praticamente tudo na Europa, voltou.
Não para um clube qualquer.
Voltou para casa.
Em 2025, depois de 18 anos, regressou ao Rosario Central, o clube onde tinha crescido e começado a sua carreira profissional.
E não regressou simplesmente para receber homenagens.
Continuou a competir.
Em 2025, Rosario Central terminou no topo da tabela anual argentina e foi reconhecido como campeão da Liga 2025.
Em 2026, já aos 38 anos, continuou a marcar, assistir e decidir jogos.
E em setembro de 2026 aconteceu mais um capítulo extraordinário: Di María marcou dois golos na vitória por 3-1 sobre o Estudiantes na final da Supercopa Internacional, ajudando o Rosario Central a conquistar mais um troféu.
É difícil imaginar um final mais simbólico.
O rapaz que saiu de Rosario para conquistar a Europa regressou à sua cidade para continuar a ganhar.
29 TÍTULOS NA EUROPA. E AINDA MAIS NA MEMÓRIA.
Antes do regresso à Argentina, a CONMEBOL contabilizava 29 títulos conquistados por Di María, incluindo a Champions League e o Mundial de Clubes pelo Real Madrid.
Na Europa, ganhou praticamente tudo:
🏆 Champions League
🏆 Mundial de Clubes
🏆 Campeonatos nacionais
🏆 Taças nacionais
🏆 Supertaças
Foi campeão em Portugal, Espanha e França.
Foi protagonista no Real Madrid.
Foi uma das grandes figuras da história recente do Paris Saint-Germain.
E mesmo quando mudou de clube, a sua qualidade permaneceu.
SERÁ DI MARÍA O TERCEIRO MAIOR ARGENTINO DE SEMPRE?
Esta é uma discussão inevitável.
Messi e Maradona ocupam, para a esmagadora maioria dos argentinos e dos amantes do futebol, um lugar absolutamente singular na história do país.
Depois deles, começa uma discussão muito mais aberta.
E há quem coloque Di María nesse terceiro lugar, pela longevidade, pelos títulos, pela importância na seleção, pelo peso nas finais e pela carreira de elite construída durante duas décadas. Essa avaliação foi publicada, por exemplo, na sequência da sua despedida da seleção em 2024.
Não é uma classificação oficial — e dificilmente poderia existir uma classificação objetiva deste tipo.
Mas é perfeitamente legítimo perceber por que razão o nome de Di María entrou nessa conversa.
Porque são poucos os argentinos que podem apresentar uma combinação semelhante de:
talento + longevidade + títulos + seleção + Champions + Mundial + ouro olímpico + protagonismo em finais.
E, sobretudo, são poucos os que podem dizer:
“Eu marquei nas maiores finais da minha geração.”
O ÚLTIMO CAPÍTULO
Agora, no crepúsculo da carreira, talvez seja altura de olhar para Di María não apenas como o extremo veloz que corria pela esquerda.
Mas como aquilo que realmente se tornou:
uma lenda.
Um jogador que saiu de Rosario ainda menino.
Que atravessou a Europa.
Que vestiu algumas das maiores camisolas do mundo.
Que caiu.
Que foi criticado.
Que perdeu finais.
Que sofreu lesões.
Que continuou.
Que voltou a perder.
E que continuou novamente.
Até chegar ao ponto mais alto.
Campeão da América.
Campeão do Mundo.
Campeão olímpico.
Campeão europeu.
E, finalmente, de volta ao clube que lhe ensinou a amar o futebol.
Di María não precisou de ser sempre o protagonista.
Mas quando a história chamou por ele…
ele apareceu.
E talvez essa seja a melhor definição de Ángel Di María:
não foi apenas um jogador que ganhou títulos.
Foi um jogador que ajudou a escrever alguns dos momentos mais importantes da história do futebol argentino.
Do pequeno “Fideo” de Rosario ao campeão do mundo.
Do menino que sonhava com o futebol ao homem que conquistou quase tudo.
Obrigado, Ángel.
Por cada corrida.
Por cada assistência.
Por cada golo.
Por cada sacrifício.
Por cada final.
E, sobretudo, por nunca ter deixado de jogar pelos outros.
Ángel Di María.
Um dos grandes.
Um dos inesquecíveis.
Um homem das finais. ❤️⚽"

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