Últimas indefectivações

quinta-feira, 16 de julho de 2020

Processos ganhos

"Foram divulgadas, ontem, duas decisões de tribunais favoráveis ao SL Benfica, ambas relacionadas com castigos aplicados devido a alegado apoio a grupos organizados de adeptos.
Sobre a interdição, de cinco jogos, do Estádio da Luz, por parte do Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), o Tribunal Arbitral do Desporto (TAD) decidiu revogar essa decisão. Foi considerado que a norma regulamentar não poderia ser aplicada neste caso, concluindo-se que "a FPF não tem competência legal para aplicação de sanções relacionadas com a concessão de apoios a grupos organizados de adeptos que não estejam registados junto do IPDJ, na medida em que tal competência é exclusiva do IPDJ".
Por outras palavras, de acordo com o TAD, "a decisão da FPF está, pois, inquinada por um vício de incompetência absoluta e, como tal, é nula". O TAD acrescenta ainda no seu acórdão que "não foi dado como provado que se tenha registado qualquer consequência negativa da utilização do material coreográfico pelas 'claques'".
A outra decisão coube ao Tribunal da Relação de Lisboa, em que, dada razão ao SL Benfica, considerou-se improcedente o recurso do Ministério Público da decisão que, em primeira instância, já absolvera o Clube do castigo de um jogo à porta fechada e multa imposto pelo IPDJ por alegado apoio ilegal a grupos organizados de adeptos.
Com este despacho, o Tribunal da Relação reitera a legalidade dos procedimentos do SL Benfica, sendo os mesmos conformes aos imperativos e às necessidades de segurança para um espectáculo desportivo, como é o caso de um jogo de futebol, e alinhados com as exigências de uma boa organização deste tipo de eventos.
Ademais, deu-se por provado que qualquer adepto, ainda que não inserido em grupos organizados, pode requerer autorização para entrada no Estádio com o mesmo tipo de material que o fazem os adeptos que se identificam com os Diabos Vermelhos ou os No Name Boys.
Reconhecendo que ambas as decisões foram alvo de notícia por parte da generalidade da comunicação social, o contraste do destaque dado comparativamente às primeiras acusações merece uma reflexão de todos.
Aí o alarido foi enorme, com primeiras páginas e aberturas de telejornais, contribuindo, então, para adensar um clima de suspeição despropositado, conforme as mais recentes decisões o demonstram.
A luta por audiências e leitores não pode justificar tudo!
É evidente que a ampliação desmesurada do anúncio de investigações, e até mesmo acusações, serve certos interesses, atropelando-se valores inalienáveis como, entre outros, a presunção de inocência, e promovendo-se julgamentos na praça pública. E este flagelo torna-se ainda mais evidente quando as decisões dos tribunais são favoráveis aos visados, não havendo semelhante divulgação, no espaço público, das mesmas.
Congratulamo-nos por estas duas decisões. Por muito empenho dos acusadores, que o houve, por muito entusiasmo dos detractores, que foi notório, e por muita insistência de alguma comunicação social, que a deveria envergonhar, ficou provado, mais uma vez, que o SL Benfica age de acordo com a lei."

Comunicado

"Desde a passada segunda-feira que circulam inexatidões, falsidades e especulações sobre o teor da imputação feita no âmbito do processo n.º 461/17.

Temos, pendente de despacho, requerimento no sentido de ser confirmada a informação verbal que nos foi dada de que o processo não se encontra sujeito a segredo de justiça. Seja como for, e uma vez que, com todos os prejuízos inerentes, continuam as especulações e as falsidades, impõe-se-nos como interesse superior e muito urgente esclarecer agora, publicamente, que a imputação feita e comunicada, nos termos e com as consequências legais, é de alegado crime de fraude fiscal.
Nada mais. Uma coisa são a verdade, o objecto do processo e as regras legais, tudo o mais é ruído."

Um Vieirista e um Abutre à conversa

"Numa tasca qualquer no Portugal profundo, dois Benfiquistas debatem a actualidade do clube. Um é claramente apoiante do presidente atual ("Bah, não passa é de um Vieirista..."), o outro desespera por uma alternativa ("Bah, não passa é de um Abutre..."):
Vieirista: "Olha quem é ele...já me vens azucrinar a cabeça outra vez? Aposto que até festejaste o golo do Famalicão!"
Abutre: "Oh amigo...eu já nem festejo nem deprimo. Desta equipa já não espero nada e espero tudo ao mesmo tempo. Só quero que cheguem as eleições em Outubro..."
V: "Pronto. Já cá faltava. O objectivo é só esse, não é? Tirar de lá o melhor presidente da História do Benfica."
A: "Epá...assim até me engasgo com a mini! Meu rico Borges Coutinho. O melhor presidente que vai perder 10 campeonatos em 17 para o Porto? Ou é o melhor presidente a colocar o nome do Benfica nas ruas da amargura, envolvido constantemente em polémicas e casos de tribunais?"
V: "Isso acontece porque o querem tirar de lá à força toda! Quando o Benfica não ganhava campeonatos, os nossos rivais gozavam a dizer que o queriam lá muitos anos. E agora atacam-no de todos os lados? Por alguma coisa será. Ganhaste 5 campeonatos nos últimos 6 anos, já para não falar no campeonato da credibilidade..."
A: "Mas quais credibilidade? A bem do Benfica, só espero que tudo o que se diz seja mentira. E se for, que medalha é essa da "credibilidade"? Ser honesto no Benfica é uma obrigação e não algo que deva ser elogiado."
V: "Pois é...mas vocês esquecem-se que já lá tivemos um ladrão, que deixou o Benfica só com as pedras da calçada. Entretanto, surgiu alguém que avançou para um estádio, um centro de estágio, um canal de televisão, recuperou o clube financeiramente e vai com quase 20 troféus conquistados."
A: "Eu nunca disse que ele não tem os seus méritos! Mas achas que é o único que conseguiria isso? O Porto e o Sporting também têm estádio, centro de estágio, televisão, etc. Mas há uma hegemonia desportiva que tarda em ser alcançada e se calhar fazia bem ao clube mudar em nome da democracia, não?".
V: "Pinto da Costa está lá há quase 40 anos e os portistas não se queixam. Então mas se o que Vieira fez é fácil, onde está a oposição? Vais votar no Rui Gomes da Silva que até há bem pouco tempo estava lá dentro, presume-se que a concordar com o rumo seguido?"
A: "Pois, não sei. Ainda não me decidi. Continuo à espera de um D. Sebastião que me faça acreditar que não é preciso manhosos no futebol Português e que o Benfica tem dimensão suficiente para ter equipas de futebol tão melhores que os outros, que não precise de esquemas nenhuns."
V: "Não te deixes levar pela conversa dos outros! Nada está provado. Mas também não podes ser lírico, Portugal é o país da cunha, do conhecer a pessoa certa. Como dizia o outro "Manda quem pode, obedece quem tem juízo". Precisas sempre de alguém assim...ou então terás o que tiveste nos anos 90. Um Benfica anjinho e manietado."
A: "Pois, não sei. Estou muito desiludido com isto tudo. O que queria mesmo é que não tivéssemos desperdiçado este campeonato e não estivéssemos a oferecer dois títulos em três anos numa bandeja a um Porto intervencionado pela UEFA..."
V: "Estão intervencionados, mas continuam a gastar muito dinheiro. Tem calma, que eles hão-de cair. O Benfica está numa situação financeira muito mais invejável e mais tarde ou mais cedo isso há-de passar factura."
A: "Epá, com tantas abébias que lhes estamos a dar, qualquer dia recuperam e depois arrependemo-nos profundamente destes anos em que os tivemos à nossa mercê."
V: "Tem calma, que o Presi agora vai buscar o Jesus e vai voltar a nota artística!"
A: "Quem te viu e quem te vê em relação ao Jesus! Mas vê bem o desespero: há 5 anos o Vieira deu-lhe um pontapé no traseiro porque era para apostar na formação e agora já o quer de volta. Enfim. Olha...sabes do que tenho saudades? É da antiga Luz! Do Paneira, do Magnusson, do Isaías, daquele 3º anel cheio de bandeiras, da vénia, dos 120.000 a bater com os pés no chão para assustar os outros. Sinto saudades desse Benfica puro e belo."
V: "A nostalgia pinta tudo mais bonito do que era realmente. Não podes desistir do Benfica pá! Continua a ser a mais bela ideia criada, uma frente Popular que nasceu para ser o maior clube Português e o elo de ligação de milhões de pessoas em todo o mundo.
A: "Apesar de Vieirista, agora falaste bem. Mesmo com todas as minis que já levas em cima ahah. É isso: não desistir do Benfica. Se não desistimos no Vietname, não é agora que o vamos fazer. Sabes que amo o Benfica. E se critico é porque quero o melhor para ele. E porque sinto que o actual está muito longe do potencial e da beleza que devia ter.
V: "Percebo. Lá chegaremos. No entretanto, logo à noite vens cá ver o jogo?"
A: "Claro. Se o Seferovic marcar um golo pago uma rodada à malta toda!"
V: "Ah valente!""

Sobre Pizzi, André Almeida, Rafa e Bruno Lage: o desmentido, essa arma que muitas vezes vem desmentir a mentira que se pôs a circular

"Finito. Acabou-se. Para o ano há mais. Resta, aos crentes mais devotos e insanos, o “matematicamente possível” que de matemática nada tem. As dúvidas já seriam poucas, mas as poucas que houvesse foram desfeitas pelo empate do Benfica em Famalicão e mais uma vitória cinzenta de um FC Porto cinzento. O campeonato está entregue, com justiça e sem brilho.
Mas a culpa não é da equipa de Sérgio Conceição. Afinal, um campeão é pelo menos tão bom como o melhor dos seus adversários e não precisa de mais. Se o melhor adversário é paupérrimo, problema dele que assim obriga o rival a limitar-se a ser competitivo e competente. E, com altos e baixos, o Porto foi competente e competitivo, muito mais que o melhor dos seus adversários.
Uma das vantagens de um campeonato competitiva e desportivamente pobre como este é que, por paradoxal que pareça, a contestação ao campeão diminui. Os erros próprios de quem perde são tão evidentes que, por vergonha ou sensatez, ninguém se atreve a atirar as culpas para os árbitros, a Covid, o sistema – quer o sistema entendido como o conjunto de forças obscuras que supostamente controla o futebol português, quer o sistema solar.
Não quer isto dizer que a procura activa de bodes expiatórios e o sacrifício público dos mesmos tenham terminado. Afinal, é preciso explicar aos leigos como é que o clube mais rico, com o melhor plantel e cujo presidente fez questão de não cortar salários durante a pandemia conseguiu perder o campeonato para um clube de finanças debilitadas e com um plantel desequilibrado, a galáxias de distância das melhores equipas do FC Porto.
A imolação de Bruno Lage não chega. Os deuses pedem mais. Mais sangue, mais sacrifícios. E quem melhor do que os jogadores, sobretudo os jogadores com mais peso no balneário, para representarem esse papel, poupando estrategicamente a cúpula do clube? Por essa razão, a notícia que circula há poucos dias segundo a qual Bruno Lage atribuiria o descalabro ao comportamento doloso de Pizzi, Rafa e André Almeida, e que foi desmentida pela comunicação do Benfica com uma prontidão e uma energia bastante suspeitas, chegou ao nariz dos adeptos carregando o odor inconfundível das mais engenhosas manobras de bastidores.
Vamos acreditar que Bruno Lage, qual fantasma do pai de Hamlet, anda por aí de armadura a alertar a família benfiquista – “Foi o trio! Cuidado com o trio” – em vez de permanecer caladinho a negociar os termos da rescisão. Porque é que o clube se sentiu compelido a “desmentir”? Desmentir o quê? Que Bruno Lage acha que alguns jogadores não deram o máximo? Se ele estiver convencido disso é compreensível que, ao desabafar com amigos, aponte o dedo a alguns jogadores. Seria uma atitude facilmente desculpada com o desalento, a frustração e o despeito. Mas nada que merecesse uma resposta tão longa do clube, “em defesa do bom-nome e reputação dos referidos atletas.”
E o desmentido, essa arma de comunicação que muitas vezes vem desmentir a mentira que se pôs a circular, torna-se mais suspeito do que a acusação em si. Tal como alguém que se desculpa sem ser acusado demonstra a própria culpa – excusatio non petita, accusatio manifesta – também aqueles que se excedem nas justificações apontam para si mesmos o dedo acusador. Continuando nos “latinzes”: cui bono? Quem ganha com este diferendo entre o ex-treinador e os jogadores? A quem interessa defender tão energicamente o profissionalismo e o bom-nome dos atletas que, antes desta notícia, não tinham sido postos em causa?
Uma coisa é certa, enquanto o pau vai das costas de Lage para as costas dos jogadores alguém fica de costas folgadas e a assistir de cadeirinha ao espectáculo. As manobras de diversão só não alteram a matemática e essa é clara: o campeonato, perdido ingloriamente, já foi. Mas, enfim, parece que Jesus está de volta e, se o nome não for um acaso, saberá uma ou duas coisas sobre pagar pelos pecados alheios."

Benfica After 90 - Guimarães...

quarta-feira, 15 de julho de 2020

SL Benfica ganha novo processo ao IPDJ

"Tribunal da Relação de Lisboa indeferiu recurso do Ministério Público e deu razão ao Clube, que já tinha sido absolvido na primeira instância.

O Tribunal da Relação de Lisboa deu razão ao Sport Lisboa e Benfica, ao considerar improcedente o recurso do Ministério Público (MP) da decisão que em primeira instância já absolvera o Clube do castigo (um jogo à porta fechada e multa de 56 250 euros) imposto pelo IPDJ em 2018 por alegado apoio ilegal a Grupos Organizados de Adeptos (GOA).
Com este despacho, o Tribunal da Relação reitera a legalidade dos procedimentos do SL Benfica, sendo os mesmos conformes aos imperativos e às necessidades de segurança para um espectáculo desportivo, como é o caso de um jogo de futebol, e alinhados com as exigências de uma boa organização deste tipo de eventos.
O acórdão da decisão da Relação (que pode consultar AQUI) reconhece que os adeptos inseridos em GOA não deixam de ser adeptos e têm o direito a aceder a qualquer local do Estádio desde que tenham título de ingresso válido para o requerido lugar. Caso tal não ocorra não poderão fazer-se acompanhar das bandeiras e tarjas que entram nos sectores a elas reservados, como decorre do regulamento de segurança do Benfica.
Tal material coreográfico entra apenas em sectores específicos do Estádio da Luz e que ali estão discriminados e que coincidem, sim, com os locais onde os adeptos conotados com os NName Boys e com os Diabos Vermelhos assistem aos jogos. Tal acesso e permanência, como se percebe e constata, não deve ser confundido com apoio. Como aliás ficou provado, qualquer adepto, ainda que não inserido em GOA, pode requerer autorização para entrada no Estádio com o mesmo tipo de material que o fazem os adeptos dos NName Boys ou dos Diabos Vermelhos, sendo certo que o referido material terá de ficar confinado nas zonas determinadas no regulamento de segurança."

Ensina, Chiquinho


"Inteligência Versus Acaso
Qualidade Técnica e Destreza Versus Declínio de todas as Capacidades.
A fluidez / fluência do jogo que permite mais e melhor chegada a zonas de finalização consegue-se sempre à base da eficiência do gesto.
O que é Errado, e Chiquinho Ensina."

As codificações sociológicas das prática desportivas

"As observações (de 1915 a 1918) de Bronislaw Malinowski (1884-1942), etnólogo polaco, nas Ilhas Trobiand juntam-se às análises antropológicas realizadas por Marcel Mauss (1872-1950), sobrinho de Émile Durkheim (1858-1917). Elas revelam que as trocas nas sociedades tradicionais se organizam segundo um contrato geral e são, permanentemente, submetidos a uma tripla obrigação: “dar-receber-devolver”. É o dom e contra-dom de que fala Marcel Mauss. As partes envolvidas no contrato são pessoas morais: clãs, tribos, famílias, que se enfrentam e se opõem em grupo ou por intermédio dos seus chefes, ou pelos dois ao mesmo tempo. O que eles trocam são delicadezas, festins, ritos, danças, etc. Estas prestações e contraprestações, aparentemente voluntárias pelas oferendas, são, no fundo, obrigatórias.
Os sociólogos não estiveram envolvidos nas operações de codificações das práticas desportivas. Eles limitam-se a registar essas práticas nas sociedades, mas as operações de recenseamento não são apenas simples constatações de realidades pré-existentes, prontas a ser “contadas” como tal. A descrição da realidade social é sempre prescritiva, sobretudo quando ela parte do Estado ou das entidades delegadas, com a responsabilidade de gerir essas práticas. Podemos então perguntar qual é a autonomia das práticas desportivas? Evocando o trabalho de codificação, poderemos pensar que aceitamos uma definição do tipo construtivista, isto é, a de que o desporto se reduz a uma construção, multiforme e indefinida, de uma actividade que se apoia no uso agonístico-lúdico. O desporto seria, então, uma realidade exterior das interpretações dos dirigentes, dos treinadores e dos praticantes. Apoiados em Malinowski e Mauss, recusamos esta ideia. O desporto é uma invenção cultural. As práticas desportivas mobilizam o corpo dos indivíduos que, em função do contexto histórico e social, e do trabalho de codificação realizado pelas entidades envolvidas, acumulam significados mais abertos e mais diversos."

Vitória da eficácia

"Ontem, vencemos o Vitória de Guimarães por 2-0, com o resultado a espelhar a superioridade da nossa equipa na maior parte da partida. Ao contrário de alguns jogos anteriores, fomos eficazes e aproveitámos duas das oportunidades de golo criadas, além de não termos concedido qualquer golo ao adversário, o que já não acontecia desde o embate frente ao Tondela.
Tratou-se de um bom triunfo ante uma equipa que luta pela entrada nas competições europeias e que, meritoriamente, tem sido elogiada pela generalidade dos analistas.
Chiquinho e Seferovic foram os autores dos nossos golos. O primeiro há muito que procurava voltar a fazer o gosto ao pé e já o merecia, enquanto o segundo, cujos 42 golos em competições oficiais ao serviço do Benfica igualam, embora em mais jogos, a soma conseguida por Filipovic, beneficiou de uma excelente assistência de Rafa. Dois jogadores vindos do banco a protagonizarem o lance que consolidou o triunfo.
Uma menção especial a Florentino que, mesmo entrando na equipa um pouco a frio, por volta da meia hora de jogo, e estando afastado das opções técnicas desde Fevereiro, fez uma exibição muito sólida e consistente.
Quando Veríssimo assumiu a equipa, o objectivo passava por vencer os últimos cinco jogos da Liga e a Taça de Portugal. Ao fim dos primeiros três jogos, alcançámos duas vitórias (Boavista e Vitória de Guimarães) e um empate (em Famalicão, onde FC Porto e Sporting haviam perdido), com três exibições positivas.
Com este triunfo, o segundo lugar passou a ser o pior desfecho possível nesta edição da Liga, garantindo-se a participação na Liga dos Campeões na próxima temporada.
Faltam agora duas jornadas e mantém-se a ambição e a exigência de somarmos mais três pontos em cada jogo, para só depois nos focarmos na final da Taça de Portugal, a qual queremos muito ganhar. 
#PeloBenfica"

Uma vez que o MP investiga tanta coisa sobre o Benfica, que descubra porque não jogava Florentino desde 9 de Novembro

"Vlachodimos
Um dia talvez possamos ouvir da boca deste observador privilegiado dos nossos jogos uma explicação para nos termos tornado uma espécie de orador motivacional em versão equipa de futebol. Não há equipa que não volte a acreditar em si quando joga contra nós. É verdade que ontem essa situação se limitou aos primeiros 45 minutos, mas enfim, resta-nos saber que Vlachodimos lá está, munido de luvas e pessimismo antropológico, preparado para evitar embaraços maiores.

André Almeida
alguns anos que não era batido pelo Ola John. Deveria aproveitar os próximos dias para uma profunda reflexão sobre o sucedido.

Rúben Dias
Muito bem a esclarecer os adeptos na flash interview, explicando que o segredo da sua boa exibição cá atrás se deve ao desempenho colectivo, e que é “preciso a equipa querer ganhar”. Atentem na importância desta declaração. Estamos a cinco pontos do mais que provável campeão nacional, que em breve se tornarão oito. Acabámos de assegurar uma vitória que nos poupa à humilhação suprema de ter que ver com quem é que o Sporting joga até final do campeonato. Tivemos o campeonato entregue numa bandeja pelo nosso adversário. Se a competição se resumisse à segunda volta, estaríamos em oitavo lugar. Perante tudo isto, um dos nossos capitães esclarece que a receita desta vitória com as favas quase todas contadas foi, pasmem-se, a equipa querer ganhar. Por oposição a quê? Digam-me, por favor: isto está mesmo a acontecer ou tenho que ligar para a NOS a reclamar? Pode ser um problema da box. Também não podemos culpar a estrutura e a direcção por tudo. Estas operadores fartam-se de meter água.

Jardel
A época está quase a terminar e há muito que não recomendo um vinho, o que não significa que não os ande a beber. Desta vez falo-vos do Casal Sta. Maria Pinot Noir 2017, uma benção de uva fermentada que em muito beneficia do terroir de Colares, ali entre a serra e o mar, essa visão profética que nos acompanhou neste final de época. Acompanha muito bem massas frescas e peças de carne, bem como um segundo lugar no campeonato. Não é o pairing que desejávamos, mas sim o que merecemos.

Nuno Tavares
Raramente lhe parece faltar intensidade, mas nem sempre a inspiração ajuda. Ontem jogou como se estivesse numa Rage Room, mas em vez de objectos partidos e martelos para furar paredes, Nuno Tavares chutou sucessivamente para onde estava virado. É verdade que numa dessas ocasiões criou o lance para o nosso primeiro golo, mas o resto foi algo sofrível: umas vezes acertou nos colegas como se fossem matraquilhos humanos, noutras ocasiões entregou a bola em condições privilegiadas a adversários directos, e ainda lhe sobrou um tempinho para ser comido pelo magnífico Marcus Edwards. Foi estranho.

Weigl
Às vezes também me apetece abandonar o visionamento de alguns jogos à meia hora de jogo depois de distribuir uns pontapés em adversários. Até a bater Weigl parece mais civilizado do que a maioria. Só lhe falta cumprimentar o adversário e explicar os motivos por que o fez. Acrescente-se que a misericórdia extrema do árbitro Hugo Miguel conseguiu o mais improvável: transformar uma festa iminente no hotel do rival em mais umas horas de choro por causa das arbitragens. Foi o pretexto ideal para a turba reivindicar o mais que certo título nacional conquistado “contra tudo e contra todos”, apesar de todos sabermos a verdade: este título foi conquistado com o alto patrocínio do Benfica. Esqueçam a guarda de honra. Isso não seria uma ilustração adequada do que significa entregar este título. Como dizem os Diabos, só nos falta ir para os Aliados festejar com eles. 

Gabriel
Vai sofrer tanto bullying do Jesus… não corras que não é preciso.

Pizzi
Não sei se é local adequado, mas peço aos jornalistas do Correio da Manhã que publiquem as suas histórias sobre balneários que destroem treinadores 30 minutos antes de cada jogo do Benfica, para o Pizzi poder usar a raiva de forma construtiva e presentear-nos com melhores exibições do que a de ontem. Quando for assim ganhamos todos.

Chiquinho
Conforme já aqui expliquei, Chiquinho continua a fazer calmamente um caminho que culminará com o golo da vitória na final da Taça. O golo de ontem foi bom, mas foi só uma espécie de treino. Vai melhorar até Agosto.

Vinicius
O seu corpo continua em Portugal, mas a alma parece já estar em Bom Jesus da Selvas, Maranhão, a grelhar picanha enquanto explica aos familiares que a culpa não foi só dele.

Cervi
Momento digno da saga Chucky no lance do primeiro golo. Quando todos o davam por morto, Cervi encontrou energia para colocar a bola no Nuno Tavares, que fez o resto.

Florentino
Frescura física e mental, intensidade em todos os momentos, abnegação com e sem bola, capacidade de antecipação, inteligência no desarme, pressão alta sempre à procura da bola, e qualidade na circulação da mesma. Florentino está a uma licenciatura na Clássica de ser a melhor defesa que este Benfica pode ter. Já agora: uma vez que o Ministério Público investiga tanta coisa sobre o nosso clube, peço-lhes que tentem descobrir porque é que este miúdo não jogava na Liga desde 9 de Novembro. Não olhem a meios e não tenho medo de confrontar os poderes instituídos. Já somos arguidos de qualquer das formas.

Zivkovic
O seu jogo continua a denotar uma certa impaciência face aos poucos minutos passados em campo, uma pressa de mostrar qualquer coisa que convença a estrutura de que Zivkovic é, na verdade, o novo Taarabt. Resta saber se o Jorge vê o mesmo que nós.

Seferovic
Tenho curiosidade em saber como é que o Jorge pretende transformar o Seferovic no MVP do próximo campeonato. Isso ou qual o próximo clube do suíço.

Rafa
Barba aparada e uma assistência para golo. Sinto que não se pode pedir muito ao Rafa nesta fase.

Jota
A presença do Jota no relvado assemelha-se à vida sexual de um casal de meia idade: 5 minutos algo sôfregos e pouco memoráveis que ainda assim nenhum dos cônjuges rejeitará na semana seguinte."

Cadomblé do Vata (38!!!)

"O plantel principal de pontapé no esférico Benfiquista deve um sincero e enorme pedido de desculpa aos jovens lagartinhos que hoje vão estar na primeira fila a assistir à coroação do novo campeão nacional. O departamento de futebol do Glorioso merecia que a passagem de testemunho se fizesse num FC Porto - SL Benfica. Tudo fizeram para estar em campo hoje à noite, a levar com os festejos portistas nas trombas, a ver jorrar hectolitros de champanhe rosqueiro nas cabeças pintadas de azul e branco, a entregar com pompa e circunstância a nossa taça ao rival e a aguardar 3 horas junto ao túnel, até que os alcoolizados vencedores da Liga começassem a recolher aos balneários entre a guarda de honra encarnada.
As opiniões na Nação Benfiquista dividem-se quanto à solução para o problema que assola a modalidade rainha do nosso Clube. Há os que dizem que temos de eleger um novo Presidente, outros apontam a necessidade de formar um plantel novo, uma corrente defende estar nas mãos de Jorge Jesus a panaceia para o insucesso e desde ontem tudo se parece resumir à titularidade de Florentino. Se me permitem deixar a minha sugestão, julgo que o que o Glorioso fundamentalmente precisa é de um médico legista de bisturi afiado na mão à procura de respostas, que evitem a morte prematura da próxima temporada.
A segunda metade desta infindável temporada tem que ser extensiva e urgentemente autopsiada. Cingindo-me apenas às 32 jornadas já disputadas na prova principal do calendário português, lamento mas ninguém me vai conseguir convencer que se passa de 18 vitórias em 19 jogos, para 4 sucessos em 13 partidas, apenas devido a questões técnicas, tácticas ou de escolha de 11 titular. Mesmo colocando em causa as qualidades futebolísticas dos nossos “craques”, é bom que se note que disputamos a Liga Portuguesa, onde nem um nacionalismo rampante nos permite nivelar a qualidade acima de baixa. O pior a treinar diariamente no Seixal, é dos melhores a jogar semanalmente em Portugal.
O féretro que jaz na Catedral tem a cabeça toda metralhada, mas tamanha evidência pode ser apenas manobra de diversão, para ocultar um homicídio bem mais perverso que um carregador esvaziado na marmita da vítima. É preciso escarafunchar bem fundo, para encontrar a real causa do falecimento do Benfica Campeão 19/20. Precisamos de um “Verão de 2013”, porque não há produção de Rennie suficiente no Mundo, para combater 3 anos seguidos a cantar "Benfica dá-me o 38"."

O socorrista com Tino

"A primeira regra dos primeiros socorros será evitar que a situação escale ou se prolongue, e Nélson Veríssimo, homem que foi chegado à frente para substituir Bruno Lage, estancou – pelo menos – o sangramento de resultados negativos – não evitando, ainda assim, um empate contra o Famalicão que colocou o FC Porto com uma mão no título. O problema é que essa promoção para o braço-direito de Lage surge como a aceitação do facto de que a Liga estaria irremediavelmente perdida, facto que poderá gerar algum desapego essencial para o regresso de alguma tranquilidade, mas também uma descrença que provoca falta de desejo e de ambição. E quem viu o Benfica-Vitória, desta terça-feira, pôde aperceber-se de que todas essas características do momento encarnado estão lá. Muitíssimo tempo sem bola, falta de reacção à perda, número de duelos ganhos baixíssimo (até à entrada de Florentino) e displicência notória em figuras como Pizzi e Rafa (que entrou já no segundo tempo). 
Por outro lado também a tal aceitação de que o título está irremediavelmente entregue pode ter ajudado a que o Benfica recuperasse uma característica que andou presente não só na 1.ª volta desta edição da Liga, como aqui e ali com Jorge Jesus e Rui Vitória. A capacidade de marcar estando por baixo no jogo foi comprovada por Chiquinho e por Seferovic que em diferentes, mas ao mesmo tempo iguais, momentos deixaram os vimaranenses sem hipóteses de reacção. Diferentes porque Chiquinho facturou na primeira metade – depois do Vitória ter acertado nos ferros (de uma assentada Edwards apanhou no travessão e no poste) e de Vlachodimos ter sido chamado duas vezes a intervir e a salvar a equipa – mas iguais porque a semelhança de ser o Vitória a equipa que mais procurava o golo resultou, por duas vezes, no oposto do que Ivo Vieira pretenderia.
E aqui, numa altura em que o descontentamento com a prestação do técnico se vem acentuando em Guimarães, há que referir que a falta de acerto no último terço tem sido o ponto baixo de um colectivo que muito prometeu e que, aqui e além, fez jus à expectativa. Mas se recuarmos uma volta e recordarmos a recepção a este mesmo Benfica, veremos um Vitória que faz tudo bem até chegar perto das zonas de definição. E lá são já clássicas as finalizações a 200 à hora, ou com o coração junto aos atacadores, que um dia a ciência há-de conseguir explicar com bloqueios nos corpos de identidade, e nos corpos mentais e emocionais dos atletas. Até lá, fiquemo-nos com as explicações de que não chega controlar o Benfica em 451, oscilando com uma linha de 5 sempre que a bola chegava à ala (Mikel juntava aos centrais) ou até de 6 (quando Edwards e Ola John fechavam os flancos) e não chega porque o Benfica marcou o primeiro golo numa situação dessas, e porque mesmo que o Vitória preenchesse muito do tempo a dividir protagonismo, a falta de killer instinct não só enviesará as análises como os marcadores. E o Benfica, nesta terça-feira, encontrou parte da sua eficácia como ponto mais importante do jogo, sendo que o segundo é a constante descrença e desacerto de um Vitória que jogou ao tiro ao boneco com Ody e com os ferros, e que no lance em que fez abanar o cordame o marcador do golo estava… em posição irregular. Sintomático. E se falámos dos dois momentos do jogo, é também de referir que a entrada de Florentino )por Weigl aos… 33 minutos) resultou numa ocupação de espaços e num raio de acção que há muito não se via no futebol das águias.
Benfica-Vitória SC, 2-0 (Chiquinho 37′ e Seferovic 87′)"

Rescaldo...

Benfica Podcast #372 - It is, what It is

Recordações: Ana Sobral...

BnR TV - Rony Lopes...

Vermelhão: Vitória...!!!

Benfica 2 - 0 Guimarães


Curiosamente no jogo mais 'dividido' dos últimos tempos, acabámos por obter uma das vitórias mais 'fáceis'!!! Ao contrário dos últimos jogos, o adversário 'equilibrou' nas ocasiões de perigo, o Ody teve 'trabalho' (duas defesas enormes... e os ferros!!!), mas o jogo pareceu controlado... quando já na 2.ª parte, estávamos a 'segurar' o 1-0!!! Já com o Boavista tínhamos entrado mal, marcámos contra a corrente do jogo, e depois gerimos bem a vitória... Hoje, o Guimarães entrou melhor, teve as melhores oportunidades, mas fomos nós a marcar antes do intervalo...

Comunicado

"A Sport Lisboa e Benfica – Futebol, SAD informa, nos termos e para os efeitos previstos no artigo 248.º-A do Código dos Valores Mobiliários, que a Sport Lisboa e Benfica – Futebol, SAD e a Benfica Estádio – Construção e Gestão de Estádios, S.A., assim como o Presidente Luís Filipe Vieira e o Administrador Domingos Soares de Oliveira, ambos por serem representantes legais daquelas sociedades, foram constituídos arguidos pela alegada prática de um crime de fraude fiscal qualificada, por se entender que aquelas sociedades obtiveram nos anos 2016 e 2017 uma vantagem patrimonial indevida à qual está associada uma possível contingência fiscal calculada pela Autoridade Tributária no valor total aproximado de €600.000."

SL Benfica

terça-feira, 14 de julho de 2020

Recepção ao Vitória de Guimarães

"Hoje, às 21h30, no Estádio da Luz, a nossa equipa receberá a sua congénere do Vitória de Guimarães, em jogo a contar para a antepenúltima jornada da Liga NOS. O objectivo é vencer. 
Veríssimo, em conferência de imprensa de antevisão à partida, vaticinou um Benfica "à procura da vitória e do jogo, e que vai tentar fazer os golos para ganhar". Repetir a exibição conseguida na visita ao Famalicão, mas sendo mais eficaz no aproveitamento das oportunidades de golo criadas, é a receita. O nosso treinador confessou, acerca do estado de espírito da equipa após o último jogo, que perdura um "sentimento de injustiça e revolta" pelo resultado obtido tendo em conta as oportunidades de golo desperdiçadas.
A recepção ao Vitória de Guimarães é, no entanto, outro jogo, embora haja um denominador comum em relação ao nosso adversário anterior: ambos se encontram, aparentemente, na luta pela quinta posição na classificação. Conforme Veríssimo analisou, esperamos um adversário forte, competitivo e que gosta de ter bola.
Vencer, conquistar três pontos e só depois pensar no jogo seguinte. Independentemente das circunstâncias, o Benfica é obrigado a lutar sempre pelo triunfo em cada jogo.
O dia de ontem ficou marcado pelo anúncio de grande sucesso da emissão do empréstimo obrigacionista 2020-23 da Benfica, SAD.
Inicialmente, o montante era 35 milhões de euros, porém a elevada procura permitiu que esse fosse aumentado para 50 milhões de euros, os quais foram integralmente subscritos. A procura rondou os 70 milhões de euros, havendo, por conseguinte, a necessidade de rateio de obrigações entre os investidores.
Trata-se de um sinal de confiança inequívoco por parte dos investidores, motivado pelo histórico da Benfica, SAD no cumprimento escrupuloso dos seus compromissos, também neste tipo de operações, e pelo percurso ascendente da sua situação económica e financeira, com sete exercícios consecutivos a gerar lucro e o subsequente fortalecimento significativo dos capitais próprios.
De acordo com Domingos Soares de Oliveira, administrador da Benfica, SAD, este encaixe financeiro permitirá acautelar a gestão de tesouraria em função de eventuais perdas de receitas derivadas da evolução incerta da pandemia e suas consequências. Paralelamente, tornará mais confortável a manutenção do forte investimento na equipa de futebol."

Quando o duende tomou conta de Julinho


"Era Lorca que falava da arte e do duende. Nessa tarde de Abril de 1947, o Benfica desfez a Sanjoanense por 13-1 numa ventania pintada de vermelho. Por entre todos os que estavam em campo, havia um homem a lutar para além de si própria. Cada golo seu brotava em flor. Foram seis!


Ah! Que tarde! No Campo Grande homenageava-se o falecido Álvaro Gaspar com o descerramento de uma placa.
A malta viera contente. Um dia ameno. Nada fazia fazer a tempestade que se desenrolou sobre o relvado: esperava-se apenas a natural vitória benfiquista e nada mais. O adversário não estava à altura. Era a Sanjoanense.
Havia, entre os encarnados, um que tinha duende. Sabem do duende, de Garcia Lorca? Esse duende que nenhuma filosofia explica. «O maravilhoso cantor El Lebrijano, criador da Debla, dizia: 'Nos dias que canto com duende não há quem possa comigo!' (...) Eu ouvi um velho violinista dizer: 'O duende não era na garganta; o duende sobe por dentro a partir da planta dos pés'».
Nessa tarde o duende estava nos pés de Júlio Correia da Silva, o Julinho. No primeiro minuto marcou um golo. 'Esse poder misterioso que todos sentem e nenhum filósofo explica e é, em suma, o espírito da terra, o mesmo duende que abraçou o coração de Nietzsche que andava à sua procura sobre a Ponte de Rialto'.
Se há algo de maravilhoso na história da literatura, isso é a Teoria e Prática do Duende.
E Julinho com o duende dentro dele, subindo a partir da planta dos pés.

Sorrisos de sol
Julinho era de uma valentia, de uma generosidade e de um empenho sem limites. Nestes dias de hoje em que vemos treinadores agradecerem o empenho de homens que ganham fortunas obscenas, Julinho cuspiria para o chão, arregaçaria as mangas e diria: 'Vou mostrar-vos o que é empenho e vontade e ganas de lutar pela vitória até cair para o lado de exaustão'. Era assim o homem que nasceu em Ramalde e chegou ao Benfica em 1942 para ficar na memória dos benfiquistas para todo o sempre.
Nessa tarde estava ladeado de gente tremenda: Espírito Santo, Rogério, Arsénio e Baptista. A Sanjoanense tinha um guarda-redes chamado Barbosa. Pobre Barbosa, coitado! E coitados dos defesas à sua frente: Joaquim, Costa Leite e Santa Clara. Foram arrastados pelo tufão dominado pelo duende.
Aos 5 minutos, Arsénio fez 2-0. Depois Julinho, aos 6 e aos 14, marcou mais dois. Ao quarto de hora já tinha assinado um hat-trick.
O povo deixava-se encantar. 'Todo o homem, cada degrau que sobe na torre da sua perfeição é às custas de luta que trava com o duende'. Julinho e o duende entraram num baile macabro, diabólico. Uma dança selvagem por entre as camisas negras dos jogadores de Sanjoanense.
Uma avalancha! E todos, no final, de acordo: se tivessem querido desfazer por completo os seus adversários, humilhá-los e destratá-los, os encarnados teriam marcado vinte golos. Mas havia um cavalheirismo intrínseco. Lutava-se por cada milímetro do campo, mas com honradez. Não se desgraçava um opositor ferido, triste, cabisbaixo. O Benfica podia muito bem ter marcado vinte golos, mas marcou apenas treze: 13-1 com seis golos de Julinho.
Barbosa, na baliza, era de uma fidalguia digna de um grande de Espanha. Como se enfrentasse um touro a mãos nuas. Estava numa ponta do campo, mas estava, ao mesmo tempo, no centro da arena. E David marcou um golo heróico, aos 23 minutos, impedindo os nortenhos de ficarem a zero.
Arsénio também fez um hat-trick: 13, 60 e 72 minutos.
Rogério Pipi marcou dois: 66 e 77 minutos, este de penálti.
Baptista, o Vítor, também dois: 49, 83 minutos.
Julinho concluiu o seu pacto com o duende aos 30, 53 e 65 minutos.
Muita gente, nas bancadas do Campo Grande, baralhava-se com as contas. Era natural. Havia golos a chover de todo o lado, e os dedos de duas mãos não bastavam para contá-los. Outros ficavam de olhos pregados na ferocidade de Julinho, embasbacados, queixo caído até ao externo, as palmas doridas de tanto estralejarem.
A musa do avançado soprava forte. Um redemoinho incontrolável arrastava consigo opositores desesperados.
Gritos de exclamação soltavam-se inesperadamente de gargantas já roucas. Havia quem assistisse a algo de único. Os próprios companheiros de Julinho alargavam as passadas para conseguir acompanhar o seu ritmo irresistível. O duende ouvia-se ao longe com um toque de violino de cordas esticadas, prestes a rebentar. O duende tomara conta do homem a partir da planta dos pés, como mandava Lorca, e o homem ia para além de si próprio nessa luta infinita que conduz à simplicidade da arte.
Não, nada conseguiria parar Julinho nessa tarde de 27 de Abril de 1947. Os golos brotavam-lhe a imaginação como flores. Tomado por uma sensação incrível de liberdade, soltou-se para lá das fronteiras dos números e da aritmética. Cada golo seu foi uma mensagem de alegria. E o povo, feliz, sorria daqueles sorrisos que se transformam em espelhos do Sol..."

Afonso de Melo, in O Benfica