Últimas indefectivações

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

A morte lenta da Taça de Portugal


"A Taça de Portugal sempre foi apresentada como a prova que melhor representa o espírito popular do futebol português. O que se observa hoje é que esse espírito é uma miragem. A cada temporada, a competição parece menos uma festa do povo e mais um percurso favorável a alguns.

Arbitragem, discurso e pressão
No final do jogo com o Vitória, Frederico Varandas abordou vários temas relevantes relacionados com arbitragem. Concordo com grande parte da análise, mas não com a tentativa de diferenciar o Sporting dos restantes clubes. Basta recuar a fevereiro da última época para perceber que, embora com outra forma, o conteúdo foi semelhante: analisou erros e tirou conclusões sobre o impacto desses erros na classificação. Se isto não é pressão nos árbitros, então o que é?
Nesta intervenção, apresentou uma sugestão de multas pesadas para dirigentes e clubes que comentem arbitragem, colocando agora a responsabilidade do lado de todos. Se houver quem recuse esse caminho, as conclusões serão inevitáveis. Varandas comparou ainda dois lances similares: o canto mal assinalado frente ao Santa Clara para o campeonato, que originou o golo da vitória do Sporting, e o livre mal marcado no Farense–Benfica, que resultou num golo encarnado. O erro foi semelhante. A reação, não.
O primeiro motivou comunicados de Benfica e FC Porto; o segundo, não. No jogo da Taça frente ao Santa Clara, reconheceu que o penálti não deveria ter sido assinalado e classificou como inexplicáveis os 12 minutos de análise do VAR. Faltou acrescentar o essencial: a ausência de explicação da reversão da decisão em campo por parte de João Pinheiro e o silêncio do Conselho de Arbitragem sobre a análise, durante 12 minutos, a um erro básico que teve uma consequência irreversível — a eliminação do Santa Clara da Taça de Portugal. Quando o erro é repetido, explicado a meio e ignorado no fim, deixa de ser acaso e passa a ser sistema.

O caso Caldas: quando a Taça deixa de ser uma festa
No final do jogo com o SC Braga, Diogo Clemente, capitão do Caldas, teve um discurso duro, sentido, mas sincero e muito clarividente. Se os factos relatados por si e por José Vala (treinador do Caldas) forem verdadeiros, estamos perante um caso grave de desrespeito institucional.
O Caldas preparou o jogo como sempre se prepararam as grandes noites da Taça: cidade mobilizada, mais de quatro mil bilhetes vendidos, investimento feito e um ambiente de festa criado. Os jogadores e treinadores sabiam que as probabilidades eram reduzidas, mas acreditavam que o ambiente poderia ajudar a criar uma surpresa. Tudo se alterou quando, às 21 horas da noite anterior ao jogo, a FPF, através de e-mail, informou o clube de que a partida não se realizaria no Estádio da Mata, dando apenas uma hora para escolher entre o campo do Torreense ou o Jamor.
Aqui estão muitas coisas em causa: a ausência de profissionalismo por parte da FPF e a desvalorização completa da mobilização e do trabalho que, de forma unida, os agentes desportivos e políticos das Caldas da Rainha promoveram. Adicionalmente, a forma como tudo foi feito demonstra também falta de contexto e sensibilidade. A Federação sabia que o Torreense é o maior rival do Caldas? Sabia do peso simbólico dessa decisão para jogadores e adeptos?
A situação torna-se ainda mais caricata quando o treinador José Vala afirma que a avaliação ao relvado foi feita por uma pessoa de uma empresa independente, sem acompanhamento do clube, e que o campo alternativo apresentava piores condições do que o da Mata. Se isto for verdade, é extremamente grave. Desde logo pelo profissionalismo da FPF e pelo respeito que deve existir para com todos os clubes. Faria a Federação o mesmo a um clube de maior dimensão?
No final do jogo, Diogo Clemente falou com indignação, mas também com clareza. As conclusões são difíceis de contrariar: a Taça deixou de ser a festa do povo; o futebol português não está unido; os clubes pequenos estão, cada vez mais, a serem peões num jogo de grandes; os valores do desporto cedem perante os interesses; e o futebol real está a perder terreno para o futebol das aparências.
Diogo Clemente deixou ainda um desabafo importante, que demonstra uma grande visão crítica do atual estado do futebol português: se os clubes pequenos se mantiverem em silêncio, por receio de represálias, o respeito diminuirá e situações como esta voltarão a repetir-se. Depois de tamanha falta de respeito com o Caldas, os seus adeptos e a sua cidade, espera-se que os responsáveis da FPF não se escondam.
A Taça de Portugal está, este ano, ferida. E a ferida não é apenas desportiva. É institucional. É moral. A Taça que outrora era a festa do futebol está-se a transformar numa competição de elites. Quem perde com tudo isto é o futebol real.

A Valorizar:
RUI BORGES
O balanço do seu primeiro ano no Sporting é muito positivo: Joga um futebol atrativo, valoriza jogadores, ganhou dois títulos, fez esquecer Gyokeres e conseguiu fazer uma transição, com naturalidade, da ideia de jogo de Ruben Amorim para a sua. Nunca se queixa das ausências e valoriza quem está. A excelente exibição em Guimarães confirma tudo isto.

A Desvalorizar:
FPF
O que sucedeu com o Caldas não pode cair no esquecimento. As acusações são demasiado graves e exigem que alguém responsável esclareça o que se passou. É a credibilidade da FPF que está em jogo."

Terceiro Anel: Diário...

Observador: E o Campeão é... - Entre Benfica e Sporting, quem tem mais gasolina depois do Natal?

Continuar a ganhar


"O Benfica regressa à competição hoje à tarde em Braga (18h00). Este é o tema em destaque na BNews.

1. Estender o bom momento
Em antevisão à partida, José Mourinho expressa o que pretende da sua equipa: "Dar continuidade àquilo que de bom temos feito nas últimas semanas. Mostrámos ou sentimos evolução em diferentes aspetos do nosso jogo, e, por isso, a esperança de conseguir um bom resultado contra uma equipa que é muito boa."

2. Seja onde for
Apoio à chegada ao hotel em Vila Nova de Gaia.

3. Ceia de Natal solidária
A iniciativa aconteceu na Sala dos Campeões Europeus do Estádio da Luz e contou com a participação do Presidente do Sport Lisboa e Benfica, Rui Costa.

4. Entrega de presentes
Uma iniciativa conjunta do Futebol Profissional e da Fundação Benfica.

5. Marca redonda
Com o tento apontado ao Famalicão, Pavlidis alcançou a meia centena de golos de águia ao peito em competições oficiais. Veja a entrevista ao avançado do Benfica.

6. Calendário atualizado
Confira as datas e os horários dos jogos do Benfica relativos às 18.ª e 19.ª jornadas da Liga Betclic.

7. Benfica District – Sessão de esclarecimento
É hoje, às 11h00, na Casa Benfica Paredes, com o vice-presidente e CFO do Sport Lisboa e Benfica, Nuno Catarino, e com os vice-presidentes José Gandarez e Manuel de Brito. A sessão pode ser acompanhada em streaming no Site Oficial do Clube.

8. Outros jogos do dia
A equipa B visita o Académico de Viseu às 11h00. No basquetebol, a equipa masculina tem embate no reduto do SC Braga às 11h00, e a equipa feminina atua no pavilhão do Sanjoanense às 16h00.

9. Mais iniciativas natalícias
Os membros do plantel e staff do escalão Sub-23 trocaram presentes. Os jogadores da equipa B João Fonseca e Francisco Neto foram concorrentes em culinária. A avaliar o seu desempenho estiveram os colegas Tomás Cruz, Federico Coletta e Jelani Trevisan. O plantel do futebol feminino entregou presentes, e algumas das jogadoras participaram num quiz dedicado às festividades. A secção de basquetebol realizou o habitual jantar de Natal. A secção de futsal realizou um torneio com a participação de todos os escalões.

10. Entrevista
Em entrevista à BTV, o treinador de futsal do Benfica, Cassiano Klein, afirma que é "um privilégio treinar o Benfica" e acrescenta: "O dia em que recebi o convite para trabalhar no Benfica foi dos mais felizes da minha vida."

11. Sorteio
Equipas masculina e feminina de voleibol do Benfica já conhecem adversários nos oitavos de final da Taça de Portugal.

12. Benfica Goalkeeper Experience
Veja a reportagem da BTV sobre mais uma edição da Benfica Goalkeeper Experience.

13. Eusébio Bola de Ouro há 60 anos
O Pantera Negra é o único jogador galardoado com este prémio em representação de um clube português."

Melhor de todos os tempos!


"PRIMEIRO A GANHAR A "BOLA DE OURO" ÚNICO A CONSEGUI-LO A JOGAR EM EQUIPA PORTUGUESA

Hoje é dia de recordar Eusébio da Silva Ferreira. E ninguém melhor para o fazer do que António Simões, o seu "irmão branco", como a ele Eusébio se referia. Socorro-me do livro "António Simões - As Minhas Memórias" (Prime Books, 2024), que inclui inúmeros episódios do "Rei" - difícil é escolher! -, deixo-vos oito. A palavra a António Simões.

1. A minha imagem é vê‑lo a receber a bola perto do meio ‑campo, dar um passo para a frente, dois, vá, e atirar uma “pedrada” indefensável. A bola voou. Acreditem, voou.
Uma bola das antigas, de couro, daquelas com o pipo para fora, que machucava até uma pedra da calçada. O Eusébio arrancou um pontapé à Eusébio, foi a primeira vez que o vi ao vivo e a cores. E foi deslumbrante. Não me lembro da minha reação, nem dos meus companheiros, nem dos adeptos. Só sei que foi um golo do outro mundo. Se houvesse imagens, ainda hoje espantaria qualquer um. Em matéria de remate, nunca vi ninguém como o Eusébio. Nem cá em Portugal, nem lá fora.

2. Há uma zanga mais famosa que todas as outras e tem a ver com o Freitas, um defesa calmeirão do Belenenses, que depois se transferiu para o FC Porto, e era conhecido como “115”, em alusão ao número de emergência daquela época em Portugal.
Pois bem, o 115 chamou “preto” ao Eusébio e o Eusébio passou‑se. Passou por mim no relvado e disse ‑me: “Epá, sabes que este Freitas me chamou preto? Este gajo é maluco, vai levar uma bolada na cabeça, deixa vir um livre.” Ouvi aquilo, nem fiz caso por aí além e passou‑me no instante seguinte. Não é que há um livre à entrada da área do Belenenses e o Eusébio faz pontaria ao Freitas? A bola sai ‑lhe com força e bate mesmo na cabeça do Freitas. O homem ficou prostrado e só se levantou a custo.

3. Não sei se sabe ou não, mas o Eusébio foi o primeiro jogador a ter chuteiras especificamente desenhadas para seu pé e o seu estilo de jogo. A culpa foi de um senhor chamado Rudi Dassler, dono da marca Puma, e irmão de Adolf, dono da Adidas. A ideia da Puma era agitar o mercado dominado pela Adidas e a contratação de Eusébio foi um sensacional golpe de marketing. Porque o Eusébio era o Bola de Ouro em título [1965] e porque o Eusébio calçou essas chuteiras durante o Mundial de 1966, em Inglaterra, onde foi o melhor marcador do torneio, com 9 golos. Mais e melhor publicidade era impossível. O Mundial foi transmitido para todo o planeta e Eusébio calçava Puma. (...) A marca cresceu de forma indiscutível e ganhou mais fama que nunca.Lembro ‑me bem de Eusébio chegar à Luz com as botas novas, mais flexíveis que o normal, e lembro‑me também bem de Eusébio ir assinar o contrato a Munique, onde voltaria em Agosto de 1966, já coroado como rei do golo do Mundial e ainda como Bola de Ouro em título. 

4. O Eusébio arranca por ali fora, junto à linha lateral. Que jogada fenomenal, que controlo de bola. Passou por um, dois, três, quatro. E apanhou duas valentes pancadas no joelho direito, ao qual já tinha sido operado quatro vezes. Repito‑me para ver se percebem bem a dimensão deste senhor: o Eusébio já tinha sido operado quatro vezes ao joelho direito quando foi ao Mundial. E só tinha 24 anos de idade. E marcou quatro golos seguidos à Coreia. Foi ele quem virou o jogo. O penálti que resultou daquela jogada fabulosa é mais um remate seco e certeiro. O guarda‑redes até se estica de forma elegante. Em vão. As bolas do Eusébio eram autênticos petardos. Sem remissão.

5. Em Turim o Benfica garantiu a final europeia com outra vitória, agora por 1‑0. Eusébio, pois claro, de livre direto a mais de 30 metros da baliza. Nunca vi esse golo, a não ser ao vivo. E, acreditem, é um dos melhores de sempre. E vi muitos dele. O seu remate em Turim é de uma distância considerável, muito, muito, muito considerável. Tanto assim é que o guarda ‑redes da Juventus pediu uma barreira de apenas um, dois homens. À medida que o Eusébio ia recuando, o público manifestou‑se ruidosamente. Era de muito longe, na verdade. Quando a bola entrou furiosamente na baliza, sem qualquer hipótese de defesa, esse mesmo público rendeu ‑se à evidência sob a forma de silêncio. Foi um dos momentos mais belos do desporto.

6. O dirigente Fernando Neves esqueceu‑se do dossier no quarto e pediu ‑me ajuda. Deu‑me as chaves do quarto de hotel, fui ao sítio por ele indicado e levei o dossier, com umas folhas verdes. Abri por mera curiosidade e descobri que o empresário descontava 20 mil dólares se o Eusébio não jogasse e 10 mil dólares se os ausentes fossem eu e Torres. Com todos presentes, o valor era de 50 mil dólares para cima, uma fortuna para a época. Só o Santos, por ter o Pelé, claro, cobrava mais do que o Benfica, cerca de mais 20 mil dólares.
Esse episódio fez-me recuar no tempo e pensar nalgumas atrocidades que fizeram ao Eusébio naqueles jogos antes, a meio ou no final da época, em que ele jogava uns minutos só porque sim. Há-os aos montes. Em muitos, estava em forma. E em muitos outros, estava incapacitado – mesmo assim, conseguia fazer a diferença. Lembro ‑me de alguns em que ele marcava para agradar à assistência e “encostava às boxes”. Só nessa época 1970 ‑71, um em Lima a um combinado dos melhores jogadores de Alianza e Municipal e outro em Teerão. Exatamente, Lima e Teerão. Um em Janeiro, outro em Março. Isso mesmo: a meio da época da 1.ª Divisão. Nós íamos em digressão pelo mundo para dar a conhecer a marca Eusébio, a marca Benfica, e depois voltávamos para continuar o campeonato.

7. O Eusébio era uma força da natureza. Claro que há jogadores com números melhores, claro que há jogadores com mais anos de atividade, claro que há jogadores com melhor rendimento. Agora não me venham dizer que os jogadores desses rankings foram operados aos joelhos. E por sete vezes. Seis ao mesmo joelho, não me canso de assinalar esse ponto. E é verdade, sim senhor, algumas dessas operações foram mais ligeiras que outras. Mas, caramba, uma operação é uma operação. É sempre um risco. E se corre mal? E se o tempo de paragem é mais demorado do que o previsto? E se há uma recaída? E se? O Eusébio superou todos os “ses” com a categoria de um predestinado. Como ele, senhoras e senhores, nunca vi ninguém.

8. Há uma noite engraçada, na véspera de um dérbi com o Sporting, na Luz. Eu estava meio nervoso, entusiasmado, excitado com jogo. Era só mais um nas nossas vidas, e ainda estávamos em Outubro, no início de época, mas deu‑me para ali naquele dia.
Estávamos juntos no quarto, como sempre, e eu sempre, sempre, sempre a falar do dérbi. E temos de ter atenção a este jogador e àquele, e atenção àquelas jogadas tal e tal. Bem, o Eusébio cansou ‑se de tanto falatório e despachou o assunto: “Epá, cala-te, amanhã marco três golos e arruma‑se o assunto.” Sabem uma coisa? O Eusébio marcou um, dois, três, quatro! Foi 4 ‑1 para o Benfica, o guarda ‑redes do Sporting era o Damas, de quem o Eusébio era amicíssimo."

DAZN: Premier League - R18 - Golos

Grandes sob grande pressão


"Mais do que nunca, é proibido perder pontos na Liga e qualquer deslize pode ser fatal para os candidatos ao título; por isso, é tão 'final' uma visita a Braga como uma receção ao último

O Benfica vai a Braga, Sporting e FC Porto recebem adversários da segunda metade da tabela (no caso dos dragões o último classificado, que ainda não venceu), mas o nível de pressão que vivem nesta última jornada da Liga do ano civil é igual. O mesmo de sempre. José Mourinho definiu ontem, em conferência de imprensa, os jogos do Benfica no campeonato como finais, e são — mas não só os das águias.
A diferença de valores entre os três candidatos ao título e os outros é tal que qualquer deslize pode ser fatal, seja em Braga ou numa receção ao Rio Ave ou ao Aves SAD. Porque vão ser raros, e se no passado havia a ideia de que dois pontos perdidos em dezembro podiam bem ser recuperados, agora, pelo menos esta época, é fácil duvidar disso.
Basta ver: em 15 jogos, o FC Porto venceu 14 e só empatou, em casa, com o Benfica; o Sporting venceu 12, empatou com SC Braga e Benfica e perdeu no Dragão. E o Benfica, que ainda não perdeu, vê-se a oito pontos do líder, e a três do segundo lugar, culpa dos empates caseiros com Casa Pia, Rio Ave e Santa Clara, a juntar aos outros dois contra os rivais. Por esta altura, na época passada, 38 pontos (Benfica) chegavam para liderar o campeonato, Sporting e FC Porto tinham 37. Agora, os 38 pontos dos leões significam um atraso de cinco pontos para o primeiro lugar...
Seja em Braga, seja em casa contra adversários da metade inferior da classificação, é proibido perder pontos, e qualquer deslize pode custar o campeonato. E é com essa pressão que as equipas têm de saber conviver. Até ver, têm-no conseguido — no caso do Benfica, apenas nas últimas semanas, e a análise de Mourinho às melhorias da equipa, depois da lesão de Lukebakio, acertaram na mouche. Mas a verdade é que temos visto os grandes — os três — tremerem mais do que os resultados indicam.
Que o FC Porto só tenha perdido dois pontos no campeonato depois do que se viu nas receções ao SC Braga ou ao Estoril ou na deslocação a Moreira de Cónegos; que o Sporting tenha vencido 12 jogos considerando o que aconteceu nos Açores, com o Santa Clara, ou em Famalicão; que o Benfica não tenha perdido ainda mais pontos lembrando as dificuldades na Madeira, com o Nacional, ou na receção ao Gil Vicente — são sinais da força psicológica dos candidatos ao título.
Quem conseguir manter essa força vai ser campeão, mais do que quem jogar melhor ou pior, porque o pior é muitas vezes suficiente para vencer na nossa Liga."

O ponto de Angola na CAN...


"Escrevo, sexta-feira (26 de dezembro), a bordo de um avião da Azores Airlines, a voar entre Ponta Delgada e Lisboa, e exatamente após o final do segundo jogo de Angola na fase final da CAN-2025. A equipa agora treinada pelo francês Patrice Baumelle voltou a hipotecar pontos, após a derrota, na primeira jornada do seu grupo, frente à África do Sul, uma recorrente candidata aos lugares mais importantes das provas continentais africanas.
Depois de uma qualificação imaculada (quatro vitórias consecutivas, seguidas de dois empates, num grupo que integrava, entre outras, a seleção do Gana), as expetativas elevaram-se na exata medida das ambições e da paixão dos adeptos dos Palancas Negras, cuja reconciliação com a seleção nacional A havia acontecido, justamente, por força, engenho e mérito de uma ótima presença, em janeiro e fevereiro de 2024, na última edição da CAN, que a Costa do Marfim organizou e ganhou.
Aí, a chegada do combinado rubro-negro aos quartos de final, a carreira em ascendente exibicional, o espirito criado e passado aos retângulos de jogo não passaram despercebidos, e contribuíram de sobremaneira para retomar ligações antigas entre adeptos e a sua seleção mais representativa, talvez não tão fortes e marcantes desde a CAN-2010, realizada exatamente em quatro cidades angolanas.
Esta relação umbilical prepara-se, estimula-se e tem, claro, o fundamental respaldo os resultados, esse pormaior decisivo no desporto de alto rendimento, que redefine a história, cria protagonistas e marca gerações. Mas, afinal, o que é necessário para se ser uma equipa verdadeiramente de topo (e, aqui chegados, sublinho que Angola ocupa a 89ª posição do ranking FIFA, e é apenas número 18 na confederação africana)?
Planeamento, Estratégia, Organização. Tudo isto alicerçado numa visão que terá de respeitar dois aspetos distintos mas cumulativos: realismo e alcance.
O realismo de se perceber que um passo maior que a perna ou, sendo ainda mais objetivo, uma ambição desmedida e injustificada, pode condicionar todo o projeto estrutural e estruturante do futebol angolano. E o alcance de se projetar a médio e longo prazo, com a perspetiva temporal a marcar e definir todos os passos a dar, num plano pensado para que, finalmente, o futebol angolano possa evoluir sem demagogias, facilitismos ou reações epidérmicas do momento, que acabarão sempre por condicionar negativamente a questão de fundo: a evolução sustentada e sustentável da modalidade pelo respeito aos seus agentes, num quadrilátero que não pode, nem deve, queimar etapas de desenvolvimento: o jogador, o técnico, o dirigente, o plano.
A aposta numa rede de formação distribuídas pelas diversas geografias do território angolano, com a atenção às camadas jovens e ao seu processo de desenvolvimento pessoal, interpessoal e desportivo, é o primeiro e essencial passo para que, a médio e longo prazo, surjam valores. O diagnóstico precoce é essencial, na certeza de que, com ele, se dá sempre o primeiro passo rumo ao crescimento de cada indivíduo e da sua relação com o desporto e, particularmente, ao futebol.
Mas a modalidade não se desenvolve sem a metodologia adequada, portanto, sem os técnicos competentes e orientados para a criação e despistagem de talento. Não há, neste momento, uma matriz de jogador angolano, a não ser pela inegável propensão popular para o jogo, dos talentosos meninos de rua ao consumo de grandes competições internacionais. A colocação do talento de Angola nos grandes escaparates não se faz por decreto ou por indefetível desejo político. Faz-se por uma dimensão coordenada entre associações provinciais e clubes, por uma ligação estreita entre federação, técnicos e estruturas de desenvolvimento.
Bem sabemos que à chegada de novos dirigentes corresponde, quase invariavelmente, a necessidade de apresentação de medidas, muitas delas avulsas e de mero caráter conjuntural, visando o sucesso (ou tentativa dele…) imediato e não correspondendo a um plano de médio e longo prazo.
A gestão das competições profissionais (sobretudo no que concerne aos pressupostos financeiros que as devem balizar), a promoção do jogo entre novos players comerciais, a tentativa de venda de imagem do futebol de um país faz-se de modo integrado, tendo sempre como base os processos de organização interna e de formação de jogadores.
Só depois se atinge o auge, o topo da pirâmide, a cereja no topo do bolo, isto é, os principais patamares internacionais, com grandeza de espírito mas, igualmente, com trunfos apetecíveis para chegar às competições de ponta, ver e, talvez, vencer (sendo que este verbo não significa a obtenção de troféus, mas a consciência de que, no processo de desenvolvimento e de estruturação, finalmente se fizeram as coisas bem feitas).
Angola ainda pode continuar na CAN-2025, por força da qualificação dos quatro melhores terceiros posicionados em cada grupo, ou mesmo em melhor lugar. Basta vencer o Egito, uma das grandes potencias africanas, e que tem em Mohamed Salah e em Omar Marmoush dois dos seus principais trunfos, jogando apenas no Liverpool e no Manchester City…
Mas a maior vitória do futebol angolano acontecerá sempre quando se perceber plano e estratégia, pensamento de médio e longo prazo, tempo e espaço para que todos, e da mais qualificada forma possível, possam cumprir o seu papel e tentar concluir a sua missão.

CARTÃO BRANCO
Que o futebol português tenha um ano de 2026 cada vez mais pacificado, com rigor na planificação das competições profissionais, com respeito e agradecimento pelo extraordinário trabalho que as 22 associações distritais e regionais produzem, pelos jogadores que formam e pelos clubes que apoiam. Será o ano do Mundial mais desafiante da história, e em que Portugal, incontornavelmente, surge como uma das melhores equipas no cotejo das que se reunirão nas Américas, em junho e julho. Será também o ano da confirmação dos jovens valores campeões mundiais de sub-17, ou das qualidades do projeto da seleção feminina, ou da afirmação das seleções masculina e feminina de futsal no olimpo da modalidade. Mas que seja, sobretudo, um ano de tolerância e reconhecimento. De equilíbrio e de inclusão. Assim, será certamente um ano melhor…

CARTÃO AMARELO
O SC Braga não tem culpa nenhuma. Porém, a transferência do jogo dos oitavos de final da Taça de Portugal entre o Caldas e os bracarenses, do Campo da Mata, nas Caldas da Rainha, para o Estádio Manuel Marques, em Torres Vedras, tem contornos estranhos. O processo de averiguação, o modo de ação e as reações dos protagonistas, tudo pareceu envolto em polémica. Como resultado, os caldenses jogaram sob protesto, os bracarenses ganharam como poderiam ter ganho no efetivo relvado do adversário, e a prova que supostamente será a festa do futebol ficou, no mínimo, embaraçada com a situação criada. Que todos os intervenientes diretos neste processo retirem as devidas conclusões…"

Obrigado, Prof. Artur Lara Ramos


"Há homens que passam pelo desporto. E há outros que ficam no desporto, mesmo depois de partirem. Artur Lara Ramos pertence, de forma inequívoca, ao segundo grupo. Liderou servindo e sendo exemplo. Foi, ao longo de décadas, um desses exemplos silenciosos e decisivos no desporto português, em particular no atletismo, que nas últimas horas se despediu de um dos seus grandes obreiros.
O seu desaparecimento, aos 78 anos, vítima de doença súbita, deixa o desporto português mais pobre, não apenas pela perda de um dirigente, treinador ou professor, mas pela ausência de uma figura estruturante, daquelas que constroem alicerces onde outros mais tarde erguem resultados, medalhas e histórias de sucesso.
Natural do Porto, Artur Lara Ramos viveu o desporto com uma paixão transversal. Foi atleta do FC Porto e do Sporting, num tempo em que representar grandes clubes significava, acima de tudo, compromisso e identidade. Praticou atletismo, mas também ténis de mesa, râguebi, futebol e hóquei em patins, revelando desde cedo uma visão ampla e humanista do fenómeno desportivo, algo que marcaria toda a sua vida.
Licenciado em Educação Física, encontrou no Algarve o território onde viria a deixar a sua marca mais profunda. Professor em várias escolas de Faro e Olhão e, professor universitário em Loulé soube ligar, como poucos, a docência à prática desportiva, a formação académica à formação humana. Para muitos alunos e atletas, foi mais do que um técnico: foi um educador no sentido pleno da palavra.
Como treinador, os resultados falaram por si. Conduziu o Liceu de Faro e a Farauto a múltiplos títulos nacionais e foi determinante no desenvolvimento de atletas como Ezequiel Canário, entre muitos outros que alcançaram patamares elevados a nível nacional e internacional. Mas, mais do que vitórias, deixou método, exigência e valores. Enquanto dirigente, o seu impacto foi estrutural. Vários mandatos à frente da Associação de Atletismo do Algarve, funções como diretor técnico nacional e selecionador nacional, e um papel decisivo na descentralização do atletismo português. Foi um dos grandes impulsionadores da primeira pista de atletismo fora de Lisboa e do Porto, nas Açoteias, em Albufeira, bem como da pista de Faro, infraestruturas que mudaram definitivamente o mapa da modalidade no país.
Eventos como o Cross Internacional das Amendoeiras e tantas outras provas que ajudaram a projetar o Algarve além-fronteiras são também parte do seu legado. Não por acaso, a Associação de Atletismo do Algarve eternizou o seu nome no circuito regional 'Prof. Artur Lara Ramos', uma homenagem justa em vida, agora carregada de ainda maior significado.
Num tempo em que o desporto vive muitas vezes refém da urgência, do resultado imediato e da espuma mediática, a vida de Artur Lara Ramos recorda-nos algo essencial: o verdadeiro progresso constrói-se com visão, persistência e serviço. O atletismo português deve-lhe muito. O desporto nacional também.
Despedimo-nos de Artur Lara Ramos com tristeza, mas sobretudo com gratidão. Porque os homens que fazem tanto pelo desporto nunca partem verdadeiramente. Permanecem em cada pista, em cada prova, em cada atleta que correu e corre, graças ao caminho que ajudaram a abrir.
Obrigado por tudo, professor. 
Sinceras condolências a toda a família."

domingo, 28 de dezembro de 2025

Antevisão...

Terceiro Anel: React - Mourinho - Antevisão - Braga...

BI: Antevisão - Braga...

Visão: S07E16 - Boas Festas | Famalicão, SC Braga, Sidny Cabral, Otamendi

O homem da final da VARgonha do Jamor


"JAMAIS PODERIA VOLTAR A SER NOMEADO PARA JOGOS DO BENFICA

1. Tiago Martins ficou conhecido por Tiago "Moedas" Martins desde o dia em que a recolher ao balneário no estádio da Luz colocou no relatório que uma moeda arremessada da bancada lhe provocou um hematoma no peito! O Benfica considerou de enorme gravidade o facto de Tiago Martins ter escrito que foi atingido por uma moeda e assegurou que a informação era falsa, até porque, pelo que se via nas imagens televisivas, nem o árbitro foi atingido, nem em momento algum houve qualquer tipo de reação compatível com o hematoma denunciado no relatório. Mentiu!

2. Na final do Jamor, a do "pisão na cabeça", Tiago Martins era o VAR. Não chamou a atenção de Luís Godinho para o facto de ter deixado passar em claro um penálti cometido por Hjulmand sobre Dahl; depois, já chamou Luís Godinho ao monitor para que anulasse o segundo golo do Benfica, afinal não precedido de falta de Carreras no início do lance; por fim, mesmo com 17 câmeras à sua disposição, fez vista grossa ao pisão de Matheus Reis na cabeça de Belotti.

3. Tiago Martins era considerado o melhor VAR português, o VAR dos VAR, um exemplo a seguir por todos. Não sei onde foram buscar tantos elogios, tantas referências positivas, a verdade é que a publicação dos áudios da sala do VAR da final da Taça provaram uma de duas coisas, ambas de uma enorme gravidade: que Tiago Martins não conhecia o protocolo ou que agiu de má fé a favor do Sporting. Custa muito a acreditar que o VAR dos VAR não conheça o protocolo, logo tire o leitor as conclusões que entender mais adequadas à situação.

4. Até hoje, passados mais de sete meses, não se ouviu uma assunção de culpa, uma explicação plausível, uma palavra dos responsáveis pela arbitragem a explicar como aquilo pode ter sido possível, não se conhece sequer um castigo aplicado ao senhor Tiago Martins pela sua incompetência, ou pela sua desonestidade, ou por ambas as coisas juntas.

5. Não se imaginava que Tiago "VARgonha" Martins pudesse algum dia voltar a ser VAR e, pior, muito pior, que sequer pudesse entrar na Cidade do Futebol para video-arbitrar um jogo do Benfica. Mas no futebol português já nada nos surpreende: o homem foi mesmo nomeado para VAR do jogo Braga-Benfica do próximo domingo.

6. O Conselho de Arbitragem não tem juízo ou gosta de gozar connosco: todas as decisões de Tiago Martins vão ser no próximo domingo olhadas à luz de tudo o que se passou no Jamor. Se errar - e é normal que erre face ao seu histórico de erros grosseiros -, se errar, escrevia eu, a favor do Benfica vai ser sempre visto como uma compensação pela porcaria que nos fez; mas se errar a favor do Braga vai tornar as coisas muito mais complicadas para ele e para o Conselho de Arbitragem."

Mão pesada?!!!

Obviamente, tinha de ser Vítor Ferreira!


"Se foi o melhor do Mundo em 2025 (mesmo que France Football e FIFA não o reconheçam oficialmente), Vitinha só podia ser a Figura do Ano para A BOLA. Justíssimo!

Nasceu em Santo Tirso há 25 anos mais uns meses e chamaram-lhe Vítor, tal como o pai, o mítico Vítor Manuel que fez carreira como médio centro entre 1987 e 2006, maioritariamente no Desportivo das Aves, mas também no Belenenses, no Campomaiorense, no Farense e no Varzim, balneários onde se cruzou com Nuno Espírito Santo, Raul Meireles, Beto ou Bino, o atual selecionador sub-17, campeão da Europa e do Mundo.
Com a paixão pelo futebol nos genes, desde cedo que Vítor Machado Ferreira começou a dar nas vistas e, depois dos primeiros pontapés na Vila das Aves, no Póvoa do Lanhoso e nas escolinhas locais do Benfica, aceitou o convite para integrar a formação do FC Porto. Tinha, então, 11 anos e não mais parou de crescer e de voar, já com a alcunha, Vitinha, a vingar sobre o nome constante no cartão de cidadão.
Chegou à equipa principal dos dragões em 2020, foi cedido por uma época ao Wolverhampton, então treinado pelo ex-companheiro de equipa do pai, Nuno Espírito Santo, e voltou aos azuis e brancos para se consagrar como titular absoluto do conjunto orientado por Sérgio Conceição e para, ao lado de Otávio e Uribe, fazer mexer o meio-campo portista rumo à conquista do título de campeão.
Terminava essa época e chegava a transferência, a troco de 41,5 milhões de euros, para o PSG, gigante francês no qual, três anos e meio depois, Vitinha se transformou mo melhor jogador do Mundo da atualidade. O mais completo, o mais imprevisível, o mais importante na arquitetura e no design de jogo dos parisienses e da Seleção Nacional de Portugal. E se é o melhor do Mundo e foi o melhor futebolista de 2025 (mesmo que France Football e FIFA só o reconheçam oficialmente como terceiro melhor na Bola de Ouro e 7.º no The Best, respetivamente), Vitinha só podia ser a Figura do Ano para A BOLA. Inevitável e obviamente! Sucede a Gyokeres e a nomes como Bernardo Silva, Sérgio Conceição, Cristiano Ronaldo, José Mourinho ou Ruben Amorim.
E justíssimo num ano em que, coletivamente, o médio português conquistou a Europa e o Mundo, vencendo a Liga das Nações por Portugal; e, pelo PSG, a Liga dos Campeões, a Taça Intercontinental, a Supertaça Europeia, a Ligue 1 francesa e a Taça de França. E ainda se sagrou vice-campeão do Mundo de clubes — o PSG perdeu a final do Mundial de Clubes com o Chelsea. Seis troféus num 2025 de ouro e que deixa água na boca para 2026, o ano do Mundial, que Estados Unidos, México e Canadá organizam. Pode Portugal sonhar, caro Vítor Ferreira?"

Com união assim, quem precisa de inimigos?


"«O futebol português vive hoje um momento de grande união. Acreditem que digo isto com convicção. O futebol português está vivo e está bom»
Pedro Proença, presidente da Federação Portuguesa de Futebo

«Fala-se que isto atingiu um ponto insustentável. Insustentável? Para paraquedistas que chegaram agora. Insustentável foram 40 anos de fruta!»
Frederico Varandas, presidente do Sporting

«O Presidente do Sporting teve mais uma das suas habituais tiradas, plenas de hipocrisia e de memória seletiva sobre a história do futebol português»
André Villas-Boas, presidente do FC Porto

A semana começou com Pedro Proença, presidente da Federação Portuguesa de Futebol, a declarar, na inauguração da fase 4 da Cidade do Futebol, que o futebol português «está vivo e está bom» e que «vive um momento de grande união».
Para o caso de alguém não ter percebido que era uma piada, Frederico Varandas veio, na terça-feira, depois do jogo do Sporting com o Vitória de Guimarães, desviar atenções do erro (que reconheceu) que beneficiou os leões nos Açores, frente ao Santa Clara, com ataques aos rivais Benfica e FC Porto — e não apenas a questões do passado, falando do penálti sobre Otamendi ou do caso Veríssimo no Dragão.
Um dia depois, na revista Dragões, Villas-Boas respondeu a Varandas, acusando-o de hipocrisia e voltando ao tema do penálti por alegada falta sobre Hjulmand no jogo do Sporting com o Santa Clara.
Foi pena ser Natal, que é uma quadra pouco dada a isso, caso contrário estaríamos imersos em união..."

BF: Mercado...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Observador: E o Campeão é... - Sidny vem para ser titular, Samu volta ao radar do Tottenham

Terceiro Anel: Bandeira Lateral #1

Recital de hipocrisia...


"Ontem o Dr. Varandas resolveu vir a terreiro dar um recital de hipocrisia, o normal quando os ventos sopram a seu favor!
Depois do “nós pisa na cabeça”, dos casos atrás de casos a favorecer o Sporting Clube de Portugal, eis que este teve o desplante de tentar colar o Sport Lisboa e Benficaa qualquer ato que seja praticado ao nível de corrupção desportiva em Portugal!
Bem sei que essa foi a filha da putice lançada pelos estrategas dos email, das reuniões do hotel Altis, os verdadeiros fundadores do estado atual do futebol nacional!
Esses são os pais da corrupção atual da qual Varandas se serve numa bandeja de ouro!
A pouca vergonha é uma matriz verde e azul!
Depois sim de 40 anos de calor da noite, agências cosmos, reuniões na Mealhada, pagamentos à árbitros em vésperas de jogos levados a cabo por PAULO PEREIRA CRISTÓVÃO, VICE PRESIDENTE SAPAL EM FUNÇÕES, depois do caso de corrupção ativa nas modalidades de seu nome CASHBALL, depois de terem um presidente que reconheceu publicamente em plena SIC que comprou árbitros, o famoso BIGODES que fugiu para África, depois de GÓIS MOTA o presidente que ia aos balneários dos árbitros de pistola no coldre para os cumprimentar, vem este sem vergonha colar o Benfica ao Porto ou sequer a qualquer outro clube em matéria de corrupção!
É a pouca vergonha total!
Beneficiados jornada após jornada, levados num andor sem precedentes, onde o erro se tornou banal a seu favor e tem a pouca vergonha de vir arrotar postas de pescada!
Sim é Frederico Varandas que instiga o clima de guerra atual, sentiu-se esse pulso quando conseguiu ir as antas bater em tudo e todos e ser protegido no final, quando conseguiu que um jogador com 5 amarelos nunca cumprisse castigo na liga, quando o seu capitão de equipa vive acima da lei, quando jogadores de clubes adversários forçam amarelos de forma infantil para falhar a partida contra os mesmos!
Sim é este o legado de VARANDAS, um legado de HIPOCRISIA E CORRUPÇÃO!"

Rayan não engana


"No jogo da segunda mão das meias-finais da Copa do Brasil entre o Vasco da Gama e o Fluminense, o atacante Rayan, 19 anos e primeira época entre os profissionais cruzmaltinos, pegou na bola aos 90+3’ e, num rasgo individual, passou, no drible e na força, por três rivais até ser derrubado.
O lance, até esse momento, já o colocaria numa prateleira diferente da maioria dos ponta de lança. Mas o que, de facto, o distinguiu veio depois.
Rayan levantou-se em milésimos de segundo, colocou a mão na bola e bateu a falta num ápice, apanhando o árbitro e, mais importante, os defesas do Flu de surpresa, todos eles habituados a que, numa jogada do tipo, a vítima ficasse rolando no relvado, a contorcer-se com dores e a pedir cartão.
Descobriu logo um companheiro na ponta, que cruzou para Vegetti finalizar e fazer um golo decisivo para o apuramento do Vascão para a final.
E isso, sim, coloca o atacante que o Football Observatory nomeia entre os 10 teenagers mais promissores do mundo (ao lado de Quenda e Mora), numa prateleira não apenas diferente mas sim exclusiva.
No Gigante da Colina desde os 11, Rayan foi uma das figuras de dois títulos estaduais sub-17 e de dois títulos estaduais sub-20 ganhos pelo clube, além do Sul-Americano sub-17, de 2023, e do Sul-Americano sub-20, já em 2025.
Todos os anos saem do Brasil rumo à Europa potenciais craques — uns confirmam as expectativas, outros nem tanto. Este ano foi Estevão, no ano anterior o potente Endrick, que teve agora de dar um passo atrás, antes foi Vítor Roque, devolvido ao futebol brasileiro via Palmeiras, ou Reinier, idem, via Atlético Mineiro.
E já o início da colaboração com A BOLA como correspondente no Brasil há 15 anos, este mesmo colunista, armado em olheiro, listou as cinco joias seguintes do futebol local e errou o alvo em umas quantas.
Falou em Leandro Damião, ponta de lança forte mas habilidoso já então na seleção, aos 21, mas que se eclipsou no futebol japonês. Dedé, patrão da defesa do Vasco aos 22, que esteve mais tempo lesionado do que apto a jogar ao longo da carreira e, por isso, nem do Brasil saiu. Ganso, 21 anos, camisa 10 à moda antiga, tão à moda antiga que não se adaptaria ao ritmo moderno do Sevilha, de La Liga e da Europa. Um moleque de 18 anos chamado Marcelinho, por se ter formado na escolinha de Marcelinho Carioca, ídolo corintiano, que, já nos profissionais do São Paulo, mudaria o nome para Lucas, ou Lucas Moura, com bela carreira no PSG e no Tottenham.
E, claro, Neymar, já classificado como uma espécie de Djokovic pronto para tirar do trono a médio prazo os eternos Messi (Federer) e CR7 (Nadal). Neymar era mais (talvez muito mais) talentoso do que Rayan, mas já naquela altura, quando sofria faltas, ficava horas a fio no chão."

CAN 2025: o peso do treinador em torneios curtos


"Em competições como a CAN, o impacto do treinador torna-se mais visível do que em qualquer campeonato de regularidade. O tempo é curto, o contexto muda rapidamente e a margem de erro é mínima. Aqui, liderar é decidir bem — e decidir depressa.
O treinador nacional trabalha num cenário único. Pouco tempo de treino, jogadores vindos de contextos distintos, cargas físicas diferentes e expectativas nacionais elevadíssimas. Não há espaço para construir tudo de raiz. Há, sim, a necessidade de escolher o essencial, simplificar ideias e criar rapidamente um quadro de confiança coletiva.
Os melhores treinadores da CAN entendem o torneio como um jogo de momentos. Saber quando baixar linhas, quando acelerar, quando proteger um resultado e quando assumir risco faz a diferença. Muitas vezes, ganhar não passa por dominar, mas por controlar e quando o assumimos com bola e sem bola a vitória ficou muito mais perto. Chamamos a isso - gestão do CAOS.
Outro fator decisivo é a gestão emocional. A pressão externa é enorme, a arbitragem varia, o ambiente é intenso e o erro amplifica-se. O treinador tem de ser o ponto de equilíbrio: proteger o grupo, filtrar o ruído e manter a equipa ligada ao plano, mesmo quando o contexto parece fugir ao controlo.
Uma das principais preocupações de nós, treinadores de seleções nacionais, é criar um sistema que consiga associar a qualidade individual a um modelo que permita vencer. No fim, nada é mais importante do que isso: vencer. Mas vencer sem trair os jogadores.
Havia uma preocupação clara em estarmos próximos do grupo e perceber como cada jogador se sentia dentro do sistema criado. O mister José Peseiro e eu passámos horas a ouvir jogadores no final dos jogos e durante a semana, através de meetings individuais, onde existia espaço para a autoavaliação, para a avaliação tática e para a leitura das circunstâncias contextuais. Tudo era registado. Tudo era considerado.
Esse processo revelou-se fundamental para a saúde do grupo: a diminuição do ruído na dinâmica relacional e na expressão do sistema. Menos ruído, mais clareza. Menos ansiedade, mais compromisso. Funcionou. Chegámos à final.
Na CAN, o treinador não é apenas um estratega. É gestor de homens, de emoções e de decisões críticas. E, muitas vezes, não vence quem tem o melhor plano no papel, mas quem melhor lê o jogo enquanto ele acontece."

Terceiro Anel: F1 - DRS #33 - A crise dos motores e os spec's de 2026!

sábado, 27 de dezembro de 2025

Pavlidis...

Treino...

Hub: Benfica District - Miguel Saraiva

Zero: Mercado - Benfica e Sporting atacam promessas brasileiras

Os primeiros reforços de inverno


"Durante a pré-temporada, os treinos e os jogos amigáveis permitem aos treinadores avaliar o desempenho individual e coletivo, mas é num contexto competitivo que as fragilidades coletivas ficam mais evidentes.
Os primeiros jogos oficiais normalmente revelam padrões de jogo, lacunas táticas e desequilíbrios nas posições que, muitas vezes, não eram visíveis em treino ou jogos de preparação. Uma defesa pode mostrar dificuldades frente a adversários com maior aceleração ou com equipas de transição rápida ou o meio-campo pode ter problemas na transição entre defesa e ataque. Estes sinais tornam-se fundamentais para orientar decisões estratégicas, seja na adaptação de esquemas táticos, seja na necessidade de reforços durante o mercado de transferências.
Por outro lado, no decorrer da época e com o acumular de jogos, há lesões e jogadores que não correm ou jogam aquilo que o treinador esperava deles. Só com o decorrer da época é possível identificar com clareza onde a equipa precisa de reforços e onde é possível otimizar a performance coletiva, garantindo que as soluções adotadas correspondam às exigências reais do campeonato e restantes competições.
O mercado de reforços de inverno no futebol só abre no início de janeiro, mas há quem pense numa fase zero dessa janela de oportunidade para melhorar a equipa: o regresso dos lesionados. Nessa base, vou elaborar o meu top-10 de reforços de inverno com esse critério: jogadores praticamente recuperados e que perderam a maioria ou a totalidade dos jogos da primeira metade da época.
Este ranking de jogadores que regressam de lesão é baseado em diversos fatores como o nível do jogador e a sua importância para o clube, sendo que tem de haver uma probabilidade real de impacto após o regresso.
1.º Debast (Sporting). A recuperar de lesão desde o final de outubro, está neste momento perto do regresso. Será uma grande ajuda para a equipa de Rui Borges, já que não pode contar com Diomande nas próximas semanas, por estar presente na CAN.
2.º Manu (Benfica). O médio já teve alguns minutos de jogo, mais de 10 meses depois de ter sido submetido a cirurgia de reparação do ligamento cruzado anterior e pode ser um reforço de peso para José Mourinho. Contratado para ser um elemento importante do meio-campo do Benfica, pode provar agora que tem um futuro brilhante.
3.º Daniel Bragança (Sporting). Em fevereiro de 2025 teve uma rotura total do ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo, sendo que já tinha tido a mesma lesão no joelho direito, em 2022. Após um processo exigente de fisioterapia e reintegração aos padrões normais de movimento, está de regresso para confirmar o seu talento em campo.
4.º Gustavo Silva (Vitória Sport Clube). O extremo brasileiro era um dos indiscutíveis do Vitória, uma vez que foi titular nos seis primeiros jogos da Liga. Lesionou-se no dérbi do Minho. Foi submetido a uma intervenção cirúrgica e iniciou um processo de recuperação longo, estando previsto estar pronto para jogar no início de 2026. Será importante para ajudar o Vitória a aproximar-se dos lugares europeus.
5.º Léo Chú (Alverca). O extremo foi operado ao joelho direito quando estava ainda no Dallas, no final da época passada. Contratado para dar velocidade aos alverquenses, procura ainda regressar à melhor forma física.
6.º Bah (Benfica). Finalmente, o Benfica tem um lateral direito que pegou de estaca, mas Bah assim que estiver apto conseguirá ser um possível substituto à altura. No dia 8 de fevereiro de 2025, sofreu uma rotura do ligamento cruzado anterior, no mesmo jogo que o seu companheiro Manu Silva. Após a lesão, iniciou um longo processo de recuperação e regressa no início de 2026. O dinamarquês traz equilíbrio defensivo e largura ofensiva, algo essencial no modelo dos encarnados.
7.º Xeka (Estoril). O médio conquistou a titularidade no final da primeira volta da época 2024/2025 e manteve esse estatuto até contrair uma lesão ligamentar no joelho direito, da qual ainda recupera. Pode ser um excelente reforço para a segunda metade do campeonato.
8.º Mateo Flores (Arouca). O médio está lesionado e fora da competição desde o início da época devido a uma lesão meniscal e estará apto para voltar a jogar em breve. É um jogador de equilíbrio com boa leitura de jogo e será um elemento importante para o Arouca garantir a manutenção na liga portuguesa.
9.º Nuno Santos (Sporting). Depois de mais de 400 dias após a rotura do tendão rotuliano do joelho direito, o esquerdino continua em recuperação. Apesar da ausência prolongada, tem hipóteses reais de voltar a jogar no Sporting e ser opção ao longo da segunda metade da época.
10.º Jónatas Noro (SC Braga). O defesa-central português sofreu uma rotura total do tendão de Aquiles direito ainda no decorrer da época passada, numa altura em que estava a ser chamado várias vezes aos trabalhos da equipa principal, pela qual chegou a jogar para o campeonato e taças. Continua a ser uma promessa do futebol português e estará em breve a jogar.
Há outros jogadores que poderão ser considerados reforços, mas apenas para a próxima época. Casos como Luuk de Jong, Bruma ou Vasco Sousa têm uma recuperação longa pela frente e não devem jogar mais esta temporada. Um jogador em processo de recuperação deve ser lembrado. Sem minutos de jogo, o jogador acaba por desaparecer do radar emocional do adepto, mesmo continuando a fazer parte da equipa, mas acredito que todas as equipas técnicas percebem a importância do lado silencioso da recuperação de lesão e da importância que estes jogadores ainda podem ter nas suas equipas."

Amigos, tenham juízo!


"No tempo das promessas fáceis e memória curta, Portugal continua refém do ruído e da incapacidade de pensar em conjunto. Mas vem aí um novo ano e temos de desejar o melhor

É nesta altura que se pedem desejos. Olha-se para o ano que aí vem e espera-se que seja sempre muito melhor do que aquele de que nos despedimos às janelas e varandas, enquanto batemos quase enlouquecidos em tachos e panelas, após engolirmos dozes passas mastigadas à pressa e despejarmos umas flutes de espumante. Queremos afugentar todas as amarguras que nos trouxe para bem longe de nós, a fim de o futuro imediato se instale, comodamente, à frente do nosso caminho, escrito a cor de rosa, cheio de unicórnios e construções de açúçar e algodão-doce. Somos pueris a esse ponto. Ingénuos. Nem os santos levam vida santa, bem pelo contrário. Foram mártires antes de ascenderem, hoje os que os veneram martirizam-nos com pedidos de tudo e mais alguma coisa. Até pelo resultado de um jogo. Um caneco qualquer. Ainda que seja outra realmente a religião que professam. E já foi o tempo em que erguíamos mosteiros que demoravam literalmente séculos a levantar para agradecer a Santa Maria da Vitória.
O desporto e o seu rei futebol, da nossa perspetiva desde o ponto mais ocidental da Europa, são, disse-o Arrigo Sacchi, o melhor treinador-sapateiro da história do jogo e reinventor do totaalvoetbal neerlandês, em versão rossonera, «a coisa mais importante das menos importantes da vida». Tinha razão. Também poderia ser a menos importante das mais importantes, que quereria dizer praticamente o mesmo. Porque todos sabemos que a vida continuará na mesma sem que o tenhamos connosco, mas nunca será a mesma coisa. E talvez nem seja bem vida. Não esqueçamos do papel que a prática do desporto tem para a saúde e para a vida em sociedade e o que influencia em tudo o resto. Algo que neste país pouco entusiasmou os governantes, mais preocupados em aparecer bem na fotografia no momento dos triunfos do que em trabalhar para vulgarizá-los, para que se tornem parte do dia a dia, apontando ao mesmo tempo o caminho para uma nação mais saudável.
Não sei se já repararam, mas somos um país incrível. Sempre fomos pequenos, mesmo quando o que era nosso era maior do que nós, fruto de uma vontade férrea que, desde que consigamos calar os Velhos do Restelo, nos empurra para uma dimensão muito superior ao que está entre as nossas fronteiras e dentro dos nossos limites de gestão e governação. Olhamos para quem se candidata ao poder e provavelmente não lhes confiaríamos uma empresa de condomínio quanto mais as chaves do país, de uma Câmara Municipal, de um clube ou de uma organização. No entanto, ao mesmo tempo, exportamos talento. Em múltiplas áreas. No desporto, ganhamos em modalidades que ninguém apoia e de que ninguém se lembra durante 11 meses e a partir do futebol que temos, do campeonato esfarrapado que organizamos e que maltratamos a cada minuto apenas para depois nos servirmos dele, dele sorvendo tudo sem dar nada em troca, criámos provavelmente o melhor plantel presente no próximo Campeonato do Mundo. Daqui por alguns meses vamos estar de bandeirinhas nas janelas e nos automóveis a apoiar à distância uma Seleção que é muito maior do que futebol de onde nasceu.
Não acredito que 2026 venha a ser muito melhor do que foi 2025, mas está na tal altura dos desejos e vou deixar-me levar. O desporto e o futebol português não se vão resolver num único ano, mas bastaria que os líderes usassem um pouco do bom senso que tantas vezes lhes falta para espoletarem a mudança tão necessária. Uma mudança que lhes interessa, embora achem que não, que é melhor se isolarem, fecharem-se no seu castelo e dispararem misseis em forma de comunicados que vão fragilizando a estrutura do dos rivais. É com esse pensamento medieval que deixam por vezes o burgo, rodeados pela respetiva corte, e falam, constrangidos por uma memória seletiva e coletiva que deixa de lado escândalos próprios e até terem estado pouco antes do outro lado da barricada. Vistam-se de verde, vermelho ou azul, e apesar de dominarem a cena mediática, há outros que se calhar teriam bem mais a reclamar. A clamar por justiça.
No próximo ano, já que não o fizemos antes, deveríamos começar a tratar bem o nosso desporto. O nosso futebol. Desde 1 de janeiro. E não esqueço nenhuma obrigação ou dever, seja os do jornalista ou do dirigente, os do treinador ou do jogador, e até os dos árbitros, que, com tudo isto, também perderam o bom senso, quando deviam ser as pessoas mais equilibradas, distantes e lógicas, enfim, os adultos na sala. Quando os melhores perdem a noção do que é claro e óbvio, e do que realmente é falta ou não, seja em que campo for, então é tempo de fazer uma pausa, respirar fundo e recomeçar. Se há muito acho que a rigidez das regras está a estragar o jogo, só os donos do apito conseguirão evitar o excesso de zelo e aplicar o critério justo. Acreditemos. Frederico Varandas, que de cada vez que é anunciado aos jornalistas se espera que acorde de novo o Vesúvio, mas depois acaba por acrescentar muito pouco à discussão, sente-se agora tão confortável que saiu em sua defesa, esquecendo-se das vezes que protestou e deu murros na mesa. Sugere 100 mil euros de pena por se falar na arbitragem, acrescento a perda de pontos. Já que falamos nisso, porque não? E sem providências cautelares possíveis emitidas em qualquer tribunal a norte ou a sul. O próximo desafio é que os árbitros não se sintam inimputáveis, mas essa é outra discussão.
Li vários elogios à forma como os clubes se portaram nas últimas reuniões de trabalho em conjunto. Li aí esperança de que fosse finalmente desta que todos tenham visto the big picture, entendido que podem alcançar muito mais em conjunto do que cada um por si. Não foi há muito tempo. Basta haver um jogo e tudo se esquece. Em janeiro, decide-se a primeira fase na Europa, a Taça da Liga e há clássico na Taça de Portugal. No início de fevereiro, joga-se mais um clássico que muito poderá decidir do campeonato e até maio haverá, em tese, três grandes a lutar por dois lugares na Liga dos Campeões. Mesmo assim, o meu desejo para 2026 é que ganhem juízo de vez. Ou só por vos contar já não se concretiza?"

Chegou a altura de fazer balanços


"Com o fim do ano de 2025 a aproximar-se, está na hora de olhar para o que mudou (ou não) ao longo deste ano civil. Nos três grandes houve um que se transformou – e está em primeiro

Depois do Natal, manda a tradição que comecemos a olhar para o novo ano, fazendo um balanço do que passou. Nos três grandes do futebol português, eis o tanto que mudou (ou não…) entre uma época desportiva e outra.
O FC Porto, há um ano, era treinado por Vítor Bruno, que foi despedido pouco depois de ter sido considerado o melhor treinador do mês de dezembro. Coisas da vida, em especial do futebol… Internamente, a divisão pós-eleições mostrava um clube sempre pronto a explodir e a pressão foi tanta que André Villas-Boas foi ao México buscar um jovem treinador com uma ideia. Spoiler alert: a ideia foi péssima. A partir daí foi sempre a descer até um Mundial de Clubes miserável e nada mais havia a fazer senão iniciar um novo ciclo. Chegou então Francesco Farioli, rotulado como o treinador que perdeu no fim, mas com ele veio um belo camião de jogadores e todos parecem ter comprado de imediato o projeto da famiglia portista. O primeiro futebol apresentado foi arrasador, bonito, entusiasmante, a roçar a perfeição. Depois o FC Porto tornou-se mais pragmático e é neste momento o merecido líder da Liga, com 14 vitórias e 1 empate, e apenas 4 golos sofridos, que é meio caminho andado para ganhar. O plantel é hoje mais valioso, o treinador sabe bem os perigos de tirar o pé do acelerador e o presidente trabalha com maior tranquilidade. Não é estranho, já se sabia: tudo depende do que acontece em campo.
Já o Sporting, há um ano, teve um Natal conturbado, com troca de treinador incluída. Ruben Amorim já lá ia (e que belo presente foi aquele Man. United…), João Pereira foi-se num instante e chegou Rui Borges, com muita humildade, para conquistar um histórico bicampeonato. O verão trouxe a novela Gyokeres, mas os leões têm outros protagonistas que garantiram que as saudades do arsenal sueco não iam ser assim tão grandes. Contas feitas, o Sporting está melhor do que no finalzinho de 2024, mas precisa de um bocadinho mais frente aos grandes para chegar a líder.
No Benfica parece que um ano teve muito mais do que 365 dias. Bruno Lage arrancou 2025 com aquela sensação de que tudo estava melhor do que com Roger Schmidt, depois perdeu tudo no fim e arrancou a nova época com muitos milhões em reforços, mas a uma derrota com o Qarabag de ser despedido. Chegou José Mourinho, houve o furacão eleições e começa finalmente a surgir a sensação de que há uma equipa sólida, capaz de fazer melhor. Se for possível manter os altos e conter os baixos, 2026 será mais animado. Até para o ano!"

Terceiro Anel: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Análise ao que Sidny Cabral pode dar ao Benfica

Observador: E o Campeão é... - “Depois querem adeptos". O que aconteceu ao Boxing Day?

Observador: Três Toques - Clube ganha lotaria e sonha com compra de Vinícius

Terceiro Anel: Balanço...

BolaTV: Toque de Bola - S01E04 - Um quarto de século no futebol português. O que mudou nestes 25 anos?

Até o Espanhol!!!

CAN 2025: valor económico vs rendimento em campo


"Os números do mercado ajudam a contextualizar a CAN, mas raramente explicam o que acontece dentro do campo. Os dados do Transfermarkt mostram diferenças enormes no valor económico das seleções ainda em competição — e é precisamente aí que o futebol africano desmonta leituras simplistas.
Marrocos lidera a hierarquia económica com um valor global a rondar os 435 milhões de euros, seguido de perto pelo Senegal (405 M€), Costa do Marfim (370 M€) e Nigéria (281 M€). No papel, este quarteto confirma o estatuto de favorito. No campo, essa condição só se valida quando o coletivo acompanha o talento individual.
Mais abaixo surgem realidades distintas. O Egipto, avaliado em cerca de 136 M€, mantém-se competitivo graças à sua organização, experiência e inteligência de jogo. A República Democrática do Congo, com aproximadamente 133 M€, continua a provar que clareza tática e compromisso coletivo conseguem equilibrar diferenças financeiras relevantes.
O contraste torna-se ainda mais evidente quando olhamos para seleções como a África do Sul (44 M€), Angola (52 M€) ou Tunísia (69 M€), equipas cujo rendimento em campo supera claramente o valor económico atribuído pelo mercado. Do outro lado, seleções como Botsuana (3 M€), Tanzânia (6,7 M€) ou Uganda (8,3 M€) competem com limitações claras, mas sustentadas em organização e dignidade competitiva — valores que não entram em avaliações financeiras.
Em maio de 2023, quando em Dallas iniciámos o primeiro estágio com a Seleção Nacional da Nigéria e tivemos o primeiro contacto com os jogadores, tive uma percepção muito clara: o valor económico individual é determinado pelo contexto e pela sociedade. Os jogadores são, antes de tudo, humanos que fazem aquilo que mais gostam e para o qual estão naturalmente preparados.
Lembro-me da primeira palestra. À minha frente estava um grupo cujo valor global rondava os 400 milhões de euros. Victor Osimhen, avaliado na altura em cerca de 120 milhões, era apenas um miúdo-homem com um coração gigante e uma vontade imensa de vencer. Esse valor não existe isoladamente — é o coletivo que o constrói.
O valor económico ajuda, cria margem e oferece soluções. Mas não ganha jogos sozinho. Na CAN, o mercado não entra em campo. Entram homens, decisões e identidade. É aí que o rendimento real se separa do valor económico."

SportTV: Primeira Mão - 🎅 Futebol e Natal: como vivem os 3 Grandes

Zero: Fantasy - S03E16 - Jornada curta, mas com opções inevitáveis

Agentes de futebol e licença FIFA: entre a intenção regulatória e a inutilidade prática


"A FIFA voltou a prometer ordem num setor historicamente caótico: o mercado dos agentes de futebol. Exames, licenças, formação contínua e um foro próprio pareciam anunciar uma nova era de profissionalização e controlo. Mas entre o anúncio e a realidade prática, o Regulamento de Agentes de Futebol acabou por tropeçar e hoje levanta uma pergunta simples, mas incómoda: para que serve, afinal, a licença FIFA?
Aprovado em dezembro de 2022 pelo Conselho da FIFA, no Qatar, o novo Regulamento de Agentes de Futebol (FFAR) foi apresentado como um «instrumento equilibrado e razoável para proteger a integridade do futebol e o bom funcionamento do sistema de transferências». O discurso institucional apontava para maior transparência, profissionalização da atividade e proteção dos intervenientes mais frágeis do sistema. Ou seja, um regulamento embrulhado em boas intenções.
O FFAR entrou parcialmente em vigor em janeiro de 2023 e, na íntegra, a partir de outubro do mesmo ano, reintroduzindo um sistema de licenciamento obrigatório, sujeito a exame de acesso, formação contínua e um sistema próprio de resolução de litígios, através da criação da Câmara de Agentes no Tribunal do Futebol da FIFA.
A realidade, porém, rapidamente se encarregou de expor as fragilidades deste modelo.
Em dezembro de 2023, na sequência de várias impugnações apresentadas por federações e associações de agentes e, sobretudo, após a decisão do Tribunal de Dortmund que decretou uma providência cautelar suspendendo a aplicação de determinadas normas, a FIFA decidiu suspender parcialmente o regulamento.
Essa decisão foi formalizada através da Circular n.º 1873, de 30 de dezembro de 2023, aguardando-se agora uma pronúncia definitiva do Tribunal de Justiça da União Europeia sobre a legalidade das regras suspensas.
Nesse contexto, a FIFA recomendou que as federações membro suspendessem temporariamente as disposições em causa dos seus regulamentos nacionais, salvo se estas coincidissem com normas imperativas do direito interno.
Nesta senda, em Portugal, a Federação Portuguesa de Futebol reconheceu essa realidade, suspendendo as normas do FFAR abrangidas pela providência cautelar que não sejam simultaneamente impostas pela legislação nacional, mantendo-se em vigor as regras estruturantes já previstas na Lei n.º 54/2017, de 14 de julho.

Na prática o que quer isto dizer?
Significa que a regulação da atividade de agente continua a assentar, sobretudo, no direito interno, sendo a licença FIFA um requisito de valor jurídico limitado e de utilidade funcional discutível enquanto o núcleo do FFAR permanecer suspenso.
Importa ainda sublinhar que a suspensão do regulamento não se limitou a disposições controversas, como o teto remuneratório ou as regras de pagamento das comissões. Atingiu, de forma particularmente significativa, um dos pilares estruturantes do novo modelo: a Câmara de Agentes.
O FFAR previa, no seu artigo 20.º, um quadro disciplinar e jurisdicional próprio, com um foro especializado para resolver litígios entre agentes, jogadores, treinadores e clubes. Dada a complexidade dos contratos neste setor, incluindo os celebrados entre agentes e clientes, as situações raramente são tão simples quanto parecem.
A Câmara de Agentes surgia, assim, como resposta necessária à crescente litigância do setor, oferecendo, pelo menos, alguma segurança quanto ao foro para apreciar litígios relacionados com agentes, oferecendo previsibilidade, especialização e uniformidade nas decisões.
Todavia, com a suspensão do artigo 20.º do FFAR, os agentes ficam num verdadeiro vazio jurídico.
A licença subsiste formalmente, a formação contínua está em curso, mas o sistema que justificaria essa exigência encontra-se inoperante.
É certo que não é incomum que tais litígios sejam submetidos ao Tribunal Arbitral do Desporto (CAS), quando o contrato prevê expressamente que este seja a instância final de resolução.
Contudo, nem sempre os custos e a celeridade do CAS são compatíveis com este tipo de disputas, situação semelhante a outros mecanismos de arbitragem. Os encargos processuais podem escalar rapidamente e o simples acesso a uma audiência pode levar tempo considerável, quanto mais a obtenção de uma decisão final e a resolução efetiva do litígio.
Perante este cenário, as perguntas impõem-se quase naturalmente: qual é, hoje, a utilidade prática da licença FIFA? Serve para legitimar um sistema regulatório que não se aplica? Para certificar agentes num quadro jurídico suspenso? As respostas, essas, continuam adiadas...
A suspensão parcial do FFAR transformou a licença FIFA naquele típico presente de Natal que não serve, mas não dá para trocar ou devolver.
A médio prazo, a grande incógnita reside no desfecho do contencioso europeu. Caso o TJUE venha a declarar ilegais partes substanciais do regulamento, a FIFA será forçada a repensar profundamente o modelo. Até lá, agentes, clubes e jogadores operam num regime híbrido, fragmentado e instável, em que a licença FIFA existe apenas como um mero selo formal, mas desprovido de conteúdo normativo relevante.
Assim, num contexto em que as principais normas estão suspensas, em que a Câmara de Agentes não funciona como sistema eficaz de resolução de litígios e em que os ordenamentos jurídicos nacionais continuam a assumir o papel central na regulação da atividade, o Agente de Futebol não deixa de parecer aquele parente adulto que se senta na mesa das crianças na ceia de Natal: presente, reconhecido por todos, mas claramente deslocado."