Últimas indefectivações

sexta-feira, 2 de agosto de 2024

A pergunta errada que fazem sobre Prestianni


"Jovem avançado argentino é o mais sério candidato a um lugar no onze ao lado de Pavlidis e não só pelo que oferece ao Benfica com bola. É uma das boas notícias da pré-época dos encarnados

A discussão, perdoem-me, já não deveria ser se Prestianni terá ou não minutos suficientes, mas sim onde jogarão Marcos Leonardo, ao qual foi aberta a vaga de Rafa perante a imediata resposta de Pavlidis, e Kokçu, que assumiu que o seu lugar é mais à frente daquele para o qual foi contratado e que até tinha desempenhado com qualidade no Feyenoord nos últimos meses.
Por muito que pareça precipitada a conclusão, quem viu o jovem argentino jogar no Vélez Sarsfield reconhece-lhe a personalidade e o talento necessários para criar forte impacto no futebol do Benfica, como já se tem visto nestes jogos de preparação. Por muito que o jovem brasileiro tenha aproveitado bem a oportunidade e não haja dúvidas da valia do turco, o companheiro ideal para Pavlidis, seja no momento com bola seja na pressão que a equipa quer tecer para recuperá-la, parece mesmo ser o miúdo da Ciudadela, terra natal de Tévez e Fernando Gago, na grande Buenos Aires. É uma das melhores notícias da pré-época dos encarnados, que procuram a solidez competitiva para atacar da melhor forma as competições internas e a Liga dos Campeões.
Prestianni, Pavlidis, o regresso de Aursnes à posição certa, a sustentação dada pelos dois médios-centro e até a agressividade de posicionamento e desarme de Bah e Beste poderão devolver aos encarnados a pressão alta e reação à perda desaprendida nos últimos meses. E, se Schmidt quiser, ainda há a inteligência de João Mário disponível para a direita, embora seja natural que Di María e Neres, se o brasileiro continuar, ganhem a corrida a esse espaço. A eventual afirmação de Prestianni empurraria Marcos Leonardo para o banco, mas assim o clube da Luz já poderia deixar sair com maior tranquilidade Arthur Cabral e Tengstedt.
Curiosamente, mesmo sem reforços exceto Beste, os encarnados também atenuaram um dos problemas do passado: a primeira fase de construção. Leandro Barreiro assume-se como pivot importante, porém o outro grande responsável é Tomás Araújo, que apresenta a excelência de passe de um bom médio. Resistirá o técnico ao regresso de Otamendi, carregado de estatuto e a ostentar a braçadeira, e apostará numa dupla só portuguesa, que até se conhece dos tempos da B e parece refletir melhor – até pela inconstância de Morato – aquilo que o Benfica precisa? O Schmidt da primeira época talvez não tivesse dúvidas. O de hoje deu já sinais que a abordagem foi repensada, mas terá sido o suficiente?"

Ódio vermelho!

Terceiro Anel: Bar do Cosme #15 - Epílogo do Negócio "Rui-noso" de Joāo Neves!!

Vamos lá agarrar esta oportunidade com unhas e dentes, crl!


"Renato Sanches de volta a casa

1. O Renato Sanches que deixou o Benfica no final da época 2015-16, na qual foi decisivo para o título nacional que brilhantemente conquistámos, e que foi ainda campeão europeu por Portugal, esse Renato Sanches seria muitíssimo bem-vindo de volta à Luz. Acontece que se estivesse a esse nível, aos 26 anos, a possibilidade do seu regresso não passaria de uma miragem.
2. Muitos estão - e com razão - desconfiados devido ao histórico recente de lesões do Renato, mas se ele se encontrar fisicamente capaz - ou, no mínimo, com evidentes possibilidades de ficar bem a curto prazo -, se Roger Schmidt vê um Renato recuperado como uma mais-valia para o plantel, se a vontade demonstrada pelo jogador de voltar a casa tem como firme objetivo dar tudo por tudo para relançar a sua carreira, e dado que vem aparentemente sem custos para o Benfica, trata-se de uma operação que não comporta riscos e pode, a correr bem, trazer benefícios desportivos.
3. Tendo garantido uma opção de compra no final da época no valor de 10M€ - no Transfermarkt o Renato está avaliado em 6,5M€ -, o Benfica não corre tão pouco o risco de estar a recuperar e a revalorizar um ativo do PSG. É outro ponto positivo.
4. Fazer o Renato voltar a ser um jogador top é um grande desafio para a estrutura e para a equipa técnica do Benfica, que tem, entre outros, um competentíssimo preparador físico; mas é acima de tudo um enorme desafio para o próprio Renato. Tem no Benfica, acarinhado pelos adeptos que tanto o estimam, provavelmente a última oportunidade para relançar uma carreira que está muito aquém daquio que prometia quando daqui saiu há oito anos atrás. Espera-se que agarre esta oportunidade com unhas e dentes, que dê tudo, que corrija o que tem estado errado, ou será tempo perdido.
CARREGA, RENATO!
É AGORA OU NUNCA!"

Modelo...




"Como não dou para a conversa da treta dos detratores aqui vai uma pequena amostra, posso puxar a fita até muitos mais anos atrás.
O modelo é o que é, meto 10 anos, podia meter 20 anos de defesos, somos o clube do povo não é?, os sócios querem mandar, então é o que é, quem tiver melhor modelo de negócio que o apresente em devido tempo, e quando for eleito que o meta em prática.
O clube tem 3 grandes fontes de receita, não nos deixaram evoluir o modelo de negócio para passarmos a contar com parceiros estratégicos que pudessem auxiliar na alavancagem do negócio, ao exemplo do que se vê no Bayern, que no entanto tem a vantagem de estar inserido num país muito mais desenvolvido, pujante financeiramente e com o tal modelo que nós recusamos/fizemos uma guerra mediática e que serviu para acusar tudo e todos.
Portanto, sim, gostava muito que o João Neves ficasse, que lhe pudéssemos dar os 5 milhões de euros ano limpos, que em Portugal equivalem a quase 10 milhões brutos, e que tivéssemos capacidade para segurar estes atletas.
Sim, houve falhas nas aquisições ao longo dos anos, mas conseguem me disser um clube no mundo que não as tenha???
Reduzir gorduras em despesas, óptimo, quando mais optimizado estiver o clube e menos despesas se tiverem melhor, mas se queremos ser competitivos, o nosso orçamento está mais do que em linha do máximo que se consegue em Portugal atualmente, é o que é, e como disse atrás, ao invés de andarem a bater constantemente para fins eleitorais, porque é o que vamos assistir todo o ano ate meter nojo, peguem e na hora, expliquem aos sócios nem que seja com desenhos o modelo de negócio que irá substituir o atual, e depois se ganharem que o metam em prática sem desculpas."

Mama...!!!




"MERCADO PORTUGUÊS
▶️ Al Musrati: queriam 20M€ do Benfica mas venderam por 12M€ + 2,5M€ ao Besiktas
▶️ Pedro Malheiro: queriam 5M€ do Benfica mas venderam por 2M€ ao Trabzonspor
▶️ Jota Silva: queriam 20M€ do Benfica mas venderam por 7M€+3M€ ao Nottingham Forest
Percebem agora porque o SL Benfica não contrata jogadores em Portugal? 🤷🏻"

Baralhar para ficar tudo na mesma...



""A SAD do Portimonense vai ter um novo dono, num negócio a envolver verbas elevadas. O Suning Holdings Group, da China, prepara-se para investir 80 milhões de euros na compra da sociedade (...).
A transição entre a atual SAD - propriedade de Theo Fonseca e presidida por Rodiney Sampaio - e os futuros donos vai ser feita durante um período de 12 meses." - segundo o site zerozero.pt
... E assim Theo Fonseca e Rodiney Sampaio desaparecem do radar das autoridades portuguesas, sem prestarem contas sobre as famosas NEGOCIATAS que envolveram, o FC Porto de Pinto da Costa.
A justiça a Norte NUNCA funciona para o FC Porto"

É tudo espantoso!!!

Lanças...


5 minutos: Diário...

Zero: Mercado - Trubin, Franco Israel e Rui Patrício

Simples: Benfica 24/25

Visão: João Neves...

Águia: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Entra Renato Sanches, sai João Neves: benéfico para o Benfica?

Os Zés das Medalhas


"Numa novela dos bons tempos havia a figura de um comerciante extremamente ganancioso que fazia fortuna a fantasiar os efeitos milagrosos da morte do santo, numa árvore que despertava moribundos, e que acabou morrendo ele próprio sufocado no meio das suas medalhinhas quando o poético feitiço foi desfeito pela prosaica realidade.
Era o Zé das Medalhas original que parece encarnar na figura dos portugueses desportivamente iletrados que, de quatro em quatro anos, encarnam a tal figura ignorante e gananciosa que pretende enriquecer o seu palmarés à custa dos pobres atletas, até “morrer” também sufocado no banho das medalhas olímpicas que, na realidade, são tão falsas como a morte fingida do Roque Santeiro. A reaparição de uma Missão de Portugal despojada de soberba, transparente como os resultados possíveis que alcança no dia a dia dos Jogos, acabará por também revoltar a populaça que se sente enganada por esses Zés das Medalhas proféticos que encarnam na figura dos jornalistas, enviados especiais ao mundo do faz-de-conta em que o desporto mais subdesenvolvido da Europa alinha no areópago dos Deuses do Olimpo.
Da minha experiência, sei que há dois tipos de Jogos Olímpicos para os portugueses. Os que correm muito bem, como Atenas 2004, em que caiu do céu uma medalha na prova de ciclismo logo no primeiro dia. E os que correm muito mal, como os de Pequim 2008, em que vivemos uma semana de frustrações agudas até ao voo picado de Nelson Évora.
Em Atenas, ganhámos três medalhas. Em Pequim, conquistámos duas, mas uma de ouro. E em Londres, apenas uma. E no Rio de Janeiro, outra. E, finalmente, em Tóquio, longe, em pandemia e sem febre olímpica, o recorde de quatro, com mais um ouro de Pedro Pichardo. É isto o desporto português e ganhar uma medalha olímpica será uma das proezas mais difíceis e complexas de alcançar por qualquer ser humano, ainda que se afigure banal quando olhamos para a Simone Biles, por exemplo. Acontece que a ginasta americana não é deste mundo terráqueo onde vivem estes Zés de um povinho que não se educa nem se deixa educar.
Os primeiros Jogos de que me lembro são os do México 1968, com os velocistas americanos e, sobretudo, uma parafernália de modalidades desportivas que eu nem imaginava existirem. E em Munique 1972, sentado a um canto de um café em São Martinho do Porto, fugindo da praia e do sol, me locupletei com as sete medalhas de Mark Spitz, o meu primeiro herói fora do futebol.
Demorei até chegar à idade adulta para ver um português conquistar uma medalha olímpica, o grande Armando Marques, numa competição tão emblematicamente lusitana como o Tiro com caçadeira. E só depois a prata do Carlos Lopes, “roubado” em Montreal, oito anos antes do primeiro ouro português, em Los Angeles 1984, quando eu já era pai de família.
Como este processo é longo e intrincado! Como a experiência nos molda para a realidade inexorável! Como é surreal, fantasioso, enganador, este permanente piscar de olho dos media e dos seus profissionais pouco profissionais que são capazes de perguntar a um atleta, que sabe ir defrontar uns vinte ou trinta melhores que ele, se espera (ou sonha) com as medalhas.
Escolhi esta figura do Zé das Medalhas - que também podia ser aquele comerciante da Baixa que fazia aparecer milhões de euros do BES em contas secretas na Suíça - para encarnar a figura de todos os que alimentam este “sonho” irrealizável na ânsia de fazerem Portugal parecer o que não é, não foi e não será nos próximos 40 anos, o tempo de atraso estimado do nosso Desporto relativamente ao espanhol, por exemplo.
Nesta equipa olímpica só há dois medalhistas encartados, o Fernando Pimenta, que vi nascer no FOJE de Lignano, faz agora 18 anos, e o Pedro Pichardo, que foi adoptado. Seriam deles as tais duas medalhas que nos afogariam, perdão, que nos afagariam o ego no final deste ciclo, portanto, até abaixo dos objetivos optimistas do COP, na sua diplomacia negocial por mais apoios do Estado.
Não quer dizer que não haja olímpicos milagres como os que excitavam Asa Branca. Ainda ontem vi um judoca francês abaixo do 30.° lugar do ranking chegar à medalha de prata perdendo à justa com o n.° 1 mundial. Mas não pode ser vendida como uma probabilidade, nem sequer uma possibilidade.
A realidade do Desporto português é existir uma atleta, só uma, a Filipa Martins, que por mérito e trabalho, conseguiu voar perto das Simones Biles deste tempo. Dizem que fez História, mas nunca terá o seu nome escrito a ouro ou prata no mural da Travessa da Memória, porque ainda está a anos-luz de, realmente, fazer História: ela ou uma sua neta ou bisneta.
Quando penso em Domingos Castro, em Gustavo Lima, em Miguel Maia e João Brenha, em João Rodrigues, em João Costa, super-atletas que não chegaram ao pódio olímpico, basta-me para não exigir algo que não faço ideia de como possa ser alcançado.
E prefiro ajudar a sufocar num banho de medalhas de aplauso e reconhecimento todos os que no dia mais belo das suas vidas desportivas, por vezes em escassos segundos ou minutos, tocaram a glória de participar nos Jogos Olímpicos, do que na frustração gananciosa e tão lusitana de fingir, à boleia de qualquer proeza individual como a prata do Sérgio Paulinho, que somos, afinal, tão bons como os melhores.
Porque somos, apenas, o que somos."

Liga espanhola conquista adeptos em Portugal


"Várias futebolistas portuguesas estão na Liga F

Um crescimento sem paralelo. Um estudo divulgado recentemente pela Women's Sports Trust, a que a BBC deu eco, revelou que em 2023 o futebol feminino foi o desporto mais popular entre todas as pessoas que assistiram a desportos femininos na TV. Segundo este estudo, só em Inglaterra o ano passado bateu todos os recordes de audiências com 46,7 milhões de pessoas a assistiram a desportos femininos na TV e o futebol obteve 74% das horas de audiência.
Eventos como o Campeonato do Mundo de futebol feminino ajudaram a este aumento consolidado nas audiências. A derrota da Inglaterra contra a Espanha na final do Mundial Feminino foi vista por 12 milhões de espectadores na BBC One, com uma audiência total de 21,2 milhões de espectadores a assistir à cobertura televisiva do torneio pela BBC.
De acordo o mesmo relatório, o TikTok foi a plataforma que obteve o maior aumento de visualizações de vídeos, sendo a Women's Super League (WSL) de Inglaterra a principal liga feminina nacional na plataforma, após um aumento de 268% para 150 milhões de visualizações.
As audiências refletem o facto de cada vez mais pessoas participarem de eventos desportivos femininos. Em Inglaterra, em 2023 foram 2,6 milhões as pessoas que assistiram ao vivo contra 2.1 milhões no ano anterior, recorrendo aos dados fornecidos pela agência Two Circles.
Números que ajudam a perceber a razão pela qual o futebol feminino em Inglaterra (e também em Itália e Alemanha, onde as ligas tiveram também um exponencial aumento de adiências) conquista cada vez mais interesse, fruto de uma gestão profissional, rigorosa e com regras que patrocinam o seu desenvolvimento.
Campeonatos como o inglês, francês ou espanhol estão – não há outra forma de o dizer – a muitos anos-luz do que por cá se passa. E por falar nisso, vai ser interessente seguir esta temporada a Liga F (Espanha) onde Kika Nazareth (Barcelona), Tatiana Pinto (Atl. Madrid), Inês Pereira (Deportivo), Diana Gomes (Sevilha), Andreia Jacinto (Real Sociedad) e Sofia Silva (Valência) vão mostrar o que valem e dar muito que falar numa das melhores ligas do mundo. Serão muitos os portugueses a olhar com (mais) interesse para o que se passa em Espanha."

Aquela Última Ceia em Paris2024: eu, católico, não me senti ofendido


"Haverá coerência em permitir-se a recreação artística da Última Ceia e ao mesmo tempo proibir um atleta de competir no surf com uma prancha que tinha o Cristo Redentor estampado?

Já passou quase uma semana da cerimónia de Abertura dos Jogos Olímpicos e o debate mantém-se em relação à recreação de A Última Ceia por drag queens.Da Igreja a muitos políticos, passando pelo debate nas redes sociais, choveram críticas e acusações deataque gratuito aos valores do cristianismo e aos pilares da cultura europeia, judaico-cristã. Posso garantir que eu, católico, antigo seminarista salesiano, e acérrimo defensor da Igreja não me senti ofendido. E lembro que a tão propalada cultura europeia tem também por pilar a liberdade de expressão.
Para mim, aquela recreação é um ato artístico e situa-se no estrito domínio do bom ou do mau gosto, e esse é por natureza subjetivo. Eu, acima de tudo, não entendi o objetivo. E o erro não é meu, a avaliar pela quantidade de explicações que o coreografo da cena e a organização tiveram de dar a explicar o que pretendiam e que tudo era bem intencionado. E se a crítica é apenas pelo facto de serem drag queens a recrear essa Última Ceia, isso diz mais de quem se sentiu ofendido do que das drag queens.
A liberdade de expressão não é uma causa à la carte que defendemos quando concordamos e pomos de lado quando discordamos ou lidamos com posições que contrariam as nossas crenças. Por outro lado, a minha Fé não precisa de ser artificialmente respeitada, não está dependente da aprovação dos outros e resiste bem a quem defende posições opostas.
Quando, em 1992, o então secretário de Estado da Cultura, Sousa Lara, censurou O Evangelho Segundo Jesus Cristo, de José Saramago, retirando a candidatura ao Prémio Europeu da Literatura por não respeitar a moral cristã, fiquei com os cabelos em pé. Tudo porque naquela obra de ficcionada, repito, ficcionada, Maria Madalena e Jesus Cristo vivem maritalmente. Eu não dei o poder a ninguém para decidir em meu nome o que deve ou não ser dito, deve ou não ser lido, respeita ou não a moral cristã que por acaso até é a minha. Para mais, o livro e é uma obra prima de José Saramago, que até tratou Jesus Cristo, volto a insistir, nesta obra ficcionada, com enorme respeito.
A liberdade de expressão deve ser intocável. Mesmo para o disparate. Mesmo para ouvir coisas que não gosto de ouvir. Se alguém se põe a decidir em nome de todos o que deve ou não ser dito, o que é ou não ofensivo em termos de expressão artística, mais tarde ou mais cedo alguém vai querer censurar o que penso, digo ou expresso. Por isso, a forma mais eficaz na defesa da liberdade de defender aquilo em que acredito é eu defender o direito de expressão a quem não acredita. Como disse Voltaire, podia opor-se firmemente à opinião de alguém, mas daria a vida se preciso fosse para que o mesmo a pudesse expressar.
Para ser sincero, o que me incomodou mesmo nestes Jogos Olímpicos foi a organização ter proibido o surfista brasileiro Chumbinho de participar com uma prancha que tinha um desenho estampado do Cristo Redentor. Oficialmente por violação do artigo 50, que se estipula que «não é permitido nenhum tipo de manifestação ou propaganda política, religiosa ou racial».
Em primeiro lugar, o Cristo Redentor é uma marca do Brasil, Património da Humanidade, eleito como umas das Sete Maravilhas da Humanidade do Mundo Moderno. Em segundo, não é propaganda, Chumbinho não anda a surfar e a pregar o Evangelho, o Padre António Vieira é que fez um sermão aos peixes… Pensando bem, e se andasse a pregar, qual o mal? Em terceiro, o respeito pela liberdade começa pelo respeito pelas crenças e vivência da fé das pessoas. Qualquer dia estão a proibir os atletas de fazer o sinal da cruz antes de cada prova, de festejar apontado as mãos ao céu, de agradecer a Deus nas entrevistas ou de publicarem nas redes sociais fotografias dentro de uma igreja.
A liberdade de expressão tem de ser sagrada para todos. Também para o Chumbinho e para mim, que sou católico. Avesso à ideologia do politicamente correto que, fazendo um esforço por não desagradar a ninguém, acaba por, indiretamente, ser mais compreensivo com posições defendidas por grupos menores de pessoas e restringir posições de uma maioria. Repararam que eu não uso a palavra minorias. Estigmatiza. Odeio a palavra minorias. Somos todos homens e mulheres, as nossas posições não se validam por números do que defendem o mesmo que nós. A tolerância é inegociável. Para todos. Todos, todos, todos."

quinta-feira, 1 de agosto de 2024

Visão: Koçcu: como jogará neste Benfica?

O Cantinho Benfiquista #177 - Honrar o King!

Zero: Mercado - Ioannidis, João Cancelo e Jota Silva

5 minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Golaço #47 - Que peut-on attendre du FC Porto en 2024/2025 ?

Lutar por todos os títulos


"A entrevista a Carreras e o notável 5.º lugar de Vasco Vilaça no triatlo dos Jogos Olímpicos são os destaques nesta edição da BNews.

1. Vasco Vilaça em evidência
O triatleta do Benfica terminou a prova de triatlo no 5.º lugar, igualando a melhor prestação de sempre de um português nos masculinos dos Jogos Olímpicos. Recorde-se que, em 2016, no Rio de Janeiro, o também benfiquista João Pereira estabelecera o registo máximo luso na vertente masculina da modalidade.

2. Ambição
Carreras refere a boa preparação para a nova temporada, assume objetivos ambiciosos partilhados por todo o grupo de trabalho e conta com o apoio dos adeptos: "Treinámos muito bem para os jogos, e penso que isso se notou. Agora é continuar a tentar vencer todos os jogos e continuar a treinar para uma boa temporada. O mais importante é continuarmos unidos. Sentir o apoio para conquistarmos o máximo de títulos e sempre a jogar bom futebol."

3. Os lugares mais procurados
Começa hoje a fase de venda dos últimos 136 Red Pass disponíveis para os sócios do Sport Lisboa e Benfica em lista de espera.

4. Jogos Olímpicos
Além de Vasco Vilaça, foram vários os atletas do Benfica em ação, com destaque para Otamendi, capitão de equipa e peça-chave no apuramento da Argentina para os quartos de final dos Jogos Olímpicos, e Maria Inês de Barros, a primeira mulher portuguesa nos Jogos Olímpicos em tiro com armas de caça, que disputou, sem sucesso, o desempate no apuramento da sexta finalista.

5. Empréstimo
Pedro Santos vai evoluir no Moreirense.

6. Inspiradoras fortemente apoiadas
Em sessão de autógrafos na Benfica Official Store do Centro Comercial Colombo, Rute Costa, Andreia Norton, Anna Gasper e Marie Alidou receberam o carinho de muitos Benfiquistas presentes no evento.
Entretanto, o boletim clínico da equipa feminina de futebol do Benfica revelou as intervenções cirúrgicas programadas para Andrea Falcón e Lena Pauels.

7. Renovações e reforço nas modalidades de pavilhão
O poste chileno Nico Carvacho chega ao basquetebol benfiquista. Na mesma posição, Daniel Relvão renovou o contrato. E, no voleibol, o zona 4 Pablo Natan continua de águia ao peito.

8. Nova parceria
Vai abrir a primeira Benfica Residential Academy nos Estados Unidos da América, na Florida, em parceria com a Saint Leo University.

9. Atividade da Fundação
A Fundação Benfica participa na Genuine World Cup, uma competição, realizada em Houston, que visa promover a inclusão de pessoas com deficiência intelectual e autismo na sociedade através do desporto.

10. Casas Benfica Reguengos de Monsaraz e Santo Tirso
A embaixada do Benfiquismo em Reguengos de Monsaraz inaugurou a nova imagem e a de Santo Tirso comemorou o 22.º aniversário."

Segunda Bola...


Mais um para a luta pelo lugar do Rafa


"Gianluca Prestianni

1. Não é só pela coincidência de também ser argentino, de baixa estatura - Saviola 1,68, Prestianni 1,66 - e jogar atrás do ponta-de-lança: é pelo futebol que vai mostrando que PRESTIANNI me faz lembrar SAVIOLA. A diferença maior é que, fruto da idade e da experiência, Saviola fazia tudo com base na classe, ao passo que, jovem a querer mostrar valor, Prestianni entrega-se a cada lance como se não houvesse amanhã.

2. PRESTIANNI tem mostrado capacidade para se movimentar entre linhas adversárias, tirando partido do facto de jogar facilmente com os dois pés e de ser capaz de o fazer em espaços curtos - uma mais-valia nestes tempos em que os jogadores têm cada vez menos tempo para decidir e espaço para executar.

3. PRESTIANNI tem mostrado à vontade, atrevimento e ousadia com a bola nos pés, gosta de assumir o jogo, tem rotatividade quanto baste, tem técnica, procura muito as combinações com os colegas e, qual carraça, dá forte na pressão em cima dos adversários.

4. PRESTIANNI tem golo: vimo-lo marcar dois - aliás, dois belíssimos golos - nesta pré-época. O primeiro, com o pé direito, de fora da área, num remate muito bem colocado, contra o Farense; o segundo, com o pé esquerdo, em arco, ao segundo poste, indefensável, contra o Feyenoord. Somam-se vários outros remates perigosos, uma bola ao poste, também indefensável, e um penálti sofrido e escandalosamente não assinalado. Nada mal para os 225 minutos que tem até agora acumulados na pré-época.

5. Calma, não se precipitem a dizer que estou a exagerar: é evidente que PRESTIANNI tem um longo caminho a percorrer até se poder dizer que é um novo SAVIOLA; contudo, os sinais que tem dado na pré-época para aí apontam. Assim continue a evoluir rapidamente, porque do que o via fazer na equipa B não imaginava que pudesse mostrar já tanto na equipa principal. Tudo para confirmar nos jogos a doer, onde o nível de dificuldade e exigência será inevitavelmente maior.

6. Impressiona como a vontade de atacar RUI COSTA leva alguns benfiquistas a criticar a hipótese de o Benfica emprestar PRESTIANNI, ao invés de elogiarem a oportunidade e o mérito da sua contratação. Também li críticas ao facto de entre janeiro e maio da época passada PRESTIANNI ter evoluído na equipa B, em vez de se reconhecer o trabalho com ele feito nesse período e a capacidade de ROGER SCHMIDT o estar agora a lançar, ainda com 18 anos, na equipa principal. O seu a seu dono.

7. O que vai acontecer a PRESTIANNI quando KÖKCÜ e DI MARÍA forem de novo opções? Não faço ideia do que passa pela cabeça de ROGER SCHMIDT, mas não me parece que vá querer deitar fora o que de bom se tem visto na pré-época. A ver vamos."

Infalíveis...

Jogos Olímpicos: em Portugal, acreditamos em milagres


"Num país onde só o futebol move multidões e fortunas, e não se chega à base da pirâmide, as expetativas são sempre desproporcionadas face às reais hipóteses de sucesso

De quatro em quatro anos, a ilusão atinge dimensões insustentáveis. Os atletas, que trabalham duramente durante o ciclo que colocam a exame, partem com malas carregadas de sonhos e expetativas. Deixam fermentar na mente a sua própria imagem num pódio com a medalha ao pescoço que os tornará heróis temporários, e não desilusão, de um país que nunca quis os conhecer, e sim, ao mesmo tempo, lendas para toda a vida para os seus, os que realmente importam. Escrevem uma estória para contar e ser recontada décadas a fio.
Muitos transportam em 100 metros, numa maratona, centenas de braçadas, em todos os golpes, histórias incríveis de superação, muitas conhecidas apenas quando atingem o objetivo e reclamam objetivas, espaço nos blocos de notas e na memória dos telemóveis ou obrigam a pesquisas que lhes dão enquadramento. Como sempre, a política recebe comitivas, oferece-lhes palavras protocolares de incentivo, posa para fotografias e selfies, e deixa, possivelmente, à comunicação do gabinete mensagens de parabéns já formatadas, com espaços em branco no nome e na modalidade, para que sejam enviadas assim que haja festa. Porque o sucesso desportivo sempre foi para os líderes, sem grandes exceções, propaganda. Todos querem estar ligados ao sucesso e afastados o mais possível do insucesso.
O resto do país programa o alarme para a primeira hipótese de medalha. Depois, para as seguintes. Acumula frustração sobre frustração, descarrega-a nas redes sociais. Não o sabe, todavia, o menos responsável é quem carregava o sonho.
Os Jogos são a expressão máxima do desporto num país onde, à exceção do futebol, não tem expressão. Há quem veja aí culpa dos jornais, e até posso admitir alguma responsabilidade, mas antes de haver réus, há primeiro que gerar interesse, como acontece em França, Espanha e por aí fora. E esse nasce de uma cultura desportiva, que ninguém soube semear.
Para um país tão pequeno e pouco populoso, a dificuldade de criar foras de série será sempre muito maior do que nas grandes potências, que têm, depois, mais dinheiro para investir e uma política estruturada. A solução está à vista de todos, exposta noutros países. Não há como não passar pelas escolas e universidades, que podem gerar mais atletas e, ao mesmo tempo, mais e melhores adeptos. Um desporto escolar forte beneficiará clubes e competitividade em grandes eventos. Enquanto não mudar o contexto, cada medalha será um pequeno milagre."

Erros olímpicos


"Insistir em fazer a natação do triatlo e as águas abertas no Sena e aceitar que as provas podem ser adiadas quatro vezes parece uma falta de respeito

Organizar uns Jogos Olímpicos, com a dimensão e impacto social e financeiro que têm nos dias de hoje, com exigências muito diferentes de outros tempos face ao profissionalismo dos intervenientes, é uma tarefa hercúlea e falhas irão sempre acontecer, mesmo que da atribuição no evento tenha acontecido sete anos antes. Mas, ainda nem uma semana de Paris-2024 decorreu e há alguns que poderiam ter sido evitados.
Nem me refiro à cerimónia de abertura que meteu água porque alguém, como nos casamentos no verão, não colocou a hipótese que chovesse a cântaros naquele dia. Todos ficaram encharcados, público e atletas. Pior, enquanto num estádio os segundos até poderiam ir embora mais cedo, ali não tiveram hipótese. Sem coletes salva vidas para se atirarem ao Sena e irem para casa, aguentaram a carga de água e, apesar da maioria não competir nos dias seguintes, houve quem depois não tivesse treinado por constipação.
Lindo! Uma vida a treinar para chegar aos Jogos e, na véspera, ficam doentes porque decidiram fazer tudo no rio. Bom espetáculo, mas quebrando um momento mágico que quem já viveu nunca mais se esquece: desfilar num estádio olímpico lotado e naqueles momentos ter um convívio único com estrelas de outras modalidades e países que não terão outra hipótese quando começarem as competições. Em Tóquio-2020 não aconteceu devido à pandemia. Em Paris-2024 por diluvio.
Enquanto decorria o desfile e o acender da pira olímpica, portanto, a cerca de 12 horas de início das competições, no Grand Palais Éphémère, onde está o judo, havia ainda obras para reforçar, de forma a ser seguro, o pódio onde estão montados os tatamis e reparavam-se os tetos que metiam água da chuva há dois dias. As balanças das pesagens oficiais, na véspera de cada categoria e no dia de prova, tiveram de ser arrancadas do chão porque este estava… desnivelado. E conto o resto.
Entretanto, na Paris La Défense Arena, recinto onde está a natação, já se sabia que a profundidade da piscina é de 2,15 m em vez dos 3 m que são exigidos pelo COI e em que foram disputados os quatro Jogos anteriores. O tanque até é de montar, será levado para outro lado, por isso tudo poderia ter sido tratado quando começaram a construção. Antes a piscina era utilizada igualmente para a natação artística, mas agora, com tal profundidade, servirá apenas para o polo aquático.
Ao longo do anos os engenheiros de piscinas analisam tudo e, por exemplo, foi-se descobrindo que por onde entra e sai a água afetava a competição, passou a existir as pistas 0 e 9, sem ninguém, para que quem vai na ponta não seja prejudicado no retorto da água na parede lateral e sabe-se que a profundidade, com a impulsão das braçadas no fundo, também influi na velocidade, assim como o material.
Ora, até ao momento em Paris -2024 não caíram recordes do mundo e não há sucessivos máximos nacionais. Pensa-se que a estrutura e profundidade estão a ter influência e para piorar o fundo, entre outros objetos técnicos, está cheio de câmaras, para transmissão e controlo, e também isto prejudica.
Por fim, o impensável. Nadar no rio Sena no triatlo, já adiado uma vez, e na maratona de águas abertas. O que interessa políticos irem lá chapinhar meia dúzia de metros, onde só falta levarem a bóia do patinho à cintura. Fazem eles ideia da velocidade a que os nadadores vão? Do que são as cotoveladas e pontapés que acontecem nos 10 km de águas abertas e a quantidade de água que os atletas engolem? Como é, se adoecerem por causa da bactéria E-coli é considerado doping ou suplemento?
Sou a favor que se tente despoluir o Sena e se tenha investido milhões no sistema de esgotos num projeto de futuro, agora, depois de já ter sido adiado no ano passado o test event, continuar a existir poluição insistir que as provas têm de ser ali e manter atletas, que se prepararam ao pormenor para aquela data, em dúvida até meia dúzia de horas da competição, se vão ou não competir e dizer que só ao quarto adiamento é que a prova será transferida para outro local já parece desrespeito.
E as federações internacionais que tanto visitaram Paris ao longo os últimos anos, o que é que andaram a fazer? A ver a Torre Eiffel? São demasiados erros olímpicos e ainda nem fez uma semana e já se sabe de tudo."

CAS Ad Hoc para os Jogos


"O Tribunal Arbitral do Desporto de Lausanne (CAS) pode criar divisões Ad Hoc para os Jogos Olímpicos de Paris 2024, tendo sido criadas duas unidades específicas: uma de resolução de litígios e outra de Antidopagem.
Durante o período de duração do evento – em rigor, de 16 de julho a 11 de agosto –, as divisões Ad Hoc do CAS solucionam, por recurso à arbitragem, determinados litígios que caem sob a sua jurisdição. Apesar de garantir todos os procedimentos e princípios inerentes a um processo dito normal, os processos julgados pelas divisões Ad Hoc são extremamente céleres – podem ser tomadas no espaço de 24 horas.
Levando em consideração todas as circunstâncias do caso, o painel poderá fazer uma sentença final ou submeter a disputa à arbitragem pelo CAS. O painel também pode decidir só uma parte do litígio e encaminhar outra para o procedimento regular junto do CAS.
As instalações e serviços das Divisões Ad Hoc, incluindo os encargos com os árbitros, são gratuitos. No entanto, as partes suportarão as suas próprias despesas de representação legal, peritos, testemunhas e intérpretes.
Também estará disponível um serviço de representação e aconselhamento jurídico Pro Bono, para atletas que precisam de aconselhamento jurídico. Este serviço é fornecido pela Ordem dos Advogados de Paris.
Desde a data de início dos Jogos Olímpicos deste ano, já foram tomadas várias decisões, sobre as mais variadas matérias (desde casos de dopagem, elegibilidade, entre outras), as quais podem ser consultadas – ou, pelo menos, as notas de imprensa sobre as mesmas – no site de internet do Tribunal."

Filipa Martins, és grande. Pena que Portugal só recorde quando ganhas


"A vitória histórica é dela e dos dela. Não é de Portugal. Filipa Martins classifica-se, aos 28 anos de idade, para a prova mais disputada na ginástica e os Jogos Olímpicos de Paris 2024 terão sempre um gosto especial.

Filipa Martins é uma atleta incrível. Esteve dez anos a treinar para executar um “Yurchenko com dupla pirueta”. A duração do movimento? Cinco segundos de magia, de extrema elegância, de mestria pura.
Nunca o tinha feito em competição e aconteceu esta semana. A felicidade da atleta também encheu páginas de redes sociais e jornais, mas a felicidade é dela, Portugal não pode reivindicar nada. Porque os apoios são parcos, afinal somos um país que privilegia o futebol e não as outras modalidades.
A campeã do mundo de patinagem artista ganhou, há dias, o campeonato europeu. Tem 14 anos. Apoios? A determinada altura, para participar numa competição que lhe deu mais um título, recorreu ao crowfunding.
Há anos, Rosa Mota treinava na estrada.
Os atletas paraolímpicos portugueses têm prémios atrás de prémios. Mas, mais uma vez, os apoios são o que são: poucos. Dá que pensar, ou será que não?
A predominância do futebol parece apaziguar a necessidade de desporto para a grande maioria da população alargada, mas existem tantas modalidades, tantos atletas incríveis que a sensação que tenho é esta: estamos a perder a oportunidade de conhecer outras histórias de sucesso, de supressão, de uma extrema dedicação e capacidade de trabalho. Histórias que são, verdadeiramente, inspiradoras. Não metem bola, é certo, mas a bola, meus senhores, não é tudo na vida.
Sempre vos quero ver a olhar para a Filipa Martins no solo, na trave, nas paralelas assimétricas, no salto. Se não conseguirem vislumbrar a beleza de tudo o que faz, lamento informar, mas não conseguirão entender como vive a outra parte da população que não precisa de uma bola para ser feliz."

Tadeia: Reis da Europa - Eslovénia 2024

quarta-feira, 31 de julho de 2024

Visão: Os novos craques do Benfica

5 minutos: Diário...

5 minutos: Diário...

Benfica – reflexões de pré-epoca!


"Estamos no início da época desportiva de futebol profissional 2024/25 e a exibição na Eusébio Cup deixou todos os benfiquistas a sonhar com mais uma época ao mais alto nível, depois de algumas exibições contraditórias. Bastou uma exibição mais pálida ante o Brentford, em que apesar de algumas fases francamente boas, qual prenúncio do que se viu contra o Feyenoord, para de imediato surgir a conturbação adormecida que espera ansiosamente o momento para se libertar.
Somos todos inquestionavelmente benfiquistas, pese embora a verbalização da nossa fé. Mas enquanto uns clamam que as vitórias são o mais importante até nestes jogos e ao mais ínfimo pretexto, indiferentes ao ruído que podem causar, saltam a tecer comentários depreciativos sobre a equipa e sobre a incapacidade do treinador e suas teimosias quantas vezes, na realidade, inexplicáveis para todos, outros defendem que é precisamente nestes jogos que há que testar e fazer experiências que durante a época não se podem fazer.
Para já, uma coisa é certa: começámos com Schmidt a treinador! Ou porque sim (a Administração acredita no profissional), ou porque não havia outro remédio (a Administração não tinha dinheiro e/ou espaço nos prejuízos já de si agravados de 2023/24 para o despedir). Os meus círculos mais próximos sabem que eu alinho pela alternativa de reconhecer a sua competência e, com tantos adversários "a jurar pela nossa pele", quaisquer contestações mais ou menos inflamadas, só ajudam a destabilizar. Deixem lá Schmidt construir o plantel, fazer opções sobre quais os jogadores para enfrentar uma época de mais de 50 jogos, deixem lá a equipa consolidar e assimilar os novos ou antigos processos e… apoiemos os nossos, em vez de alegrarmos os nossos adversários a assistir "de cadeirinha" ao digladiar interno.
Para já, a imprensa assegura que João Neves vai até Paris possibilitando encher os cofres do Benfica que anualmente tem de suprir o seu "gap" financeiro estrutural (uns 60 M euros?) com estas transações, infelizmente na linha de tantas a privilegiar a vertente financeira em detrimento da valia do plantel, como a de Renato ou João Félix, sem esquecer Bernardo, G. Ramos, Cavaleiro e diversos outros. Então a propalada oferta de renovação feita ao João Neves (a ser verdade) que compara com outros ordenados bem chorudos, parece um autêntico convite à emigração do jogador, corroborando a convicção de que os cofres andam bastante em baixo e tudo isto sem se percecionar qualquer racionalização de custos.
Sobre o plantel, aguardemos mais uns dias porque ainda está longe de estar estabilizado. Seguramente irá haver mais algumas saídas e não farei futurologia sobre quais, mas quaisquer ofertas que apareçam sobre determinados jogadores seguramente ajudariam (i) Schmidt a clarificar o seu núcleo duro e (ii) a rechear os cofres/baixar custos, vendendo quem certamente pouco irá acrescentar durante a época. Com tantas incertezas, entretanto, Rui Costa e Schmidt decidiram de forma extemporânea perorar sobre o "estado da nação", seguramente ansiando tranquilizar os Sócios, mas com considerações desnecessárias. Fiquei surpreendido pela inoportunidade destas comunicações e atrevo-me a dizer que talvez fosse preferível aguardar uns tempinhos até se ter uma melhor visão e maiores certezas do que iremos ter para a época.
A verdade é que, na sequência de uma época desportivamente perdida, nada surpreenderia que este defeso fosse bem turbulento. Ou por causa do Europeu ou porque os Sócios quiseram ir a banhos, este período de transição entre duas épocas até foi bem mais calminho do que se poderia imaginar. Quase ninguém falou da realidade que a todos os benfiquistas deveria preocupar, ou seja, qual será o resultado económico da SAD em 2023/24 sem vendas de jogadores em junho, a indiciar que o ano irá fechar com grave prejuízo (o lucro apresentado no 1º semestre foi de 18 M euros, para o que contribuiu significativamente o lucro de 56,9 M euros da venda de atletas – G. Ramos, em particular). Fazendo contas "de merceeiro", qualquer um diria que o montante do prejuízo do ano pode atingir os 20 ou 30 M euros!
No entanto, como disse Jaime Antunes em recente entrevista, o prejuízo num exercício pode nem ser grave se os exercícios vindouros permitirem a sua recuperação (por estas ou outras palavras). Aqui precisamente reside o busílis da questão: o futuro e a capacidade de juntar resultados financeiros aos desportivos e vice-versa. Uma inopinada entrevista que até se entenderia se ele tivesse assumido o lugar de Luís Mendes (que se demitiu em vésperas das assembleias gerais de 15 de junho) que inexplicavelmente aguarda ser substituído nesta função crucial na Administração da SAD. Assim, apesar de diversas mensagens apaziguadoras, algumas até bem controversas face ao seu passado oposicionista, muitos ficámos sem perceber o objetivo da mesma, mas o tempo certamente virá clarificar a sua oportunidade.
Mas, neste defeso, algo deveria ter sido dito pelos dirigentes do Benfica sobre as amadoras, em que a época 23/24 ficou marcada por imensos sucessos no desporto feminino e alguns no masculino. Vemos enormes mudanças nos plantéis de algumas delas e o comum dos sócios e adeptos não percebe muitas das saídas que até podem ter uma explicação lógica. Pelo meio, no hóquei, vimos sair Nicolia e em vez de ter ao seu lado Rui Costa a homenageá-lo após 10 anos de enormes serviços ao Benfica, sentimos que sai pela "porta dos fundos". Também ouvimos Paulo Moreno, após uns 16 anos de Benfica tecer alguns comentários sobre a mentalidade dos atletas do andebol, que parecem mais turistas de desporto do que atletas profissionais. Não acham que está no momento de se dizer algo, ou a opção é esperar que todos esqueçam? 
Voltemos ao futebol, fazendo figas para que o início da época corresponda aos anseios de todos os benfiquistas. Porque depois da demissão de Luis Mendes, Rui Costa ficou claramente mais frágil. Agora, saiu Gustavo Silva, líder do Departamento Jurídico. Estamos de fora, desconhecemos as razões, mas sabemos que entrou pela mão de Luis Mendes e enquanto lá esteve terá reestruturado alguns contratos na área jurídica. A pergunta que fica: os lugares ocupam-se em função da competência ou das amizades internas?
Na altura da saída de Luis Mendes, escrevi que Rui Costa poderia (deveria) ter tido a iniciativa de ir para eleições e recompor as suas listas com novas gentes. Recentemente, Mauro Xavier, em entrevista que prenuncia uma candidatura, disse o mesmo. Como sabem todos os líderes, há momentos para "ficar quietinho" e outros em que o agir é fundamental para o futuro. Assim, como estamos, tudo depende do sucesso do futebol no princípio da época, dado que se correr "menos bem", Rui Costa poderá ver o seu eletivo ruir como um baralho de cartas!

PS. O Benfica no seu futebol TEM de ter uma estrutura altamente profissional. Pergunto: quem autorizou a equipa profissional do Benfica a jogar em Águeda? Porque Pavlidis poderia, na sua queda, ter fraturado a espinha nas escadas para um balneário subterrâneo junto à linha lateral. Mas como correu tudo bem com "apenas" um dedo fraturado, siga…"

Terceiro Anel: Lanterna Vermelha - S01E15 - Filipe Teixeira VS António Pita!!

Tadeia: Reis da Europa - Eslováquia 2024

O que mais se quer


"1. Nicolás Otamendi está em Paris com a equipa argentina que disputa o torneio olímpico de futebol. Otamendi elogiou o Benfica por lhe permitir a realização de um sonho. 'É uma competição que nunca joguei. O Benfica compreendeu e deu-me autorização para vir, considerando a minha idade e a minha vontade. Eles sabem que a seleção nacional é sempre uma prioridade. Sacrifiquei as minhas férias para poder estar no Jogos Olímpicos', disse Otamendi.

2. Otamendi tem 36 anos e no seu currículo um título de campeão do mundo, duas Copas América para lá dos títulos de campeão em Portugal, em Inglaterra e no seu país natal, pelo Vélez Sarsfield. Falta-lhe uma medalha de ouro olímpico. O Benfica compreendeu a ambição do seu capitão e permitiu-lhe, nove dias depois da concluída a Copa América, 'saltar' para os Jogos Olímpicos. Estas notícias, por muito respeito que devemos ao grande profissional que é Otamendi, não deixaram de inquietar os adeptos do Benfica.

3. Será que Nicolás Otamendi vai regressar em boa condição à nossa casa que é, na realidade, a casa dele? E quando é que isso acontecerá? E vai, finalmente, gozar as férias depois dos Jogos ou regressa a Lisboa mal termine a prestação argentina nos Jogos de Paris?

4. As questões são muitas e legítimas. Como é legítima outra questão que se prende ao destino da equipa argentina em Paris: devemos nós, benfiquistas, torcer para que o nosso Otamendi se sagre campeão olímpico e acrescente mais uma honraria ao seu palmarés individual? Ou, pelo contrário, devemos receber com satisfação uma saída precoce dos argentinos do torneio de modo a termos Otamendi o mais cedo possível a trabalhar no Seixal?

5. Nesta sua entrevista pré-Jogos, Otamendi proferiu uma frase - 'o Benfica sabe que a seleção nacional é sempre uma prioridade' - que causou inevitável impacto entre os benfiquistas. Para os adeptos e sócios do Benfica não há outra 'prioridade' que não seja o Benfica. Devemos e podemos exigir o mesmo aos nossos atletas nacionais e estrangeiros? Sim, dizem muitos com convicção. Depende das circunstâncias, dirão outros mais maleáveis em função, justamente, das ditas 'circunstâncias'.

6. Serão, por certo, as circunstâncias do arranque oficial da época do Benfica que ditarão a sentença das bancadas sobre as declarações de Otamendi. As circunstâncias são os resultados factuais.

7. Tomem, assim, nota do mais importante dos factos. Domingo, 11 de Agosto, 18h00, em Famalicão. È o nosso arranque na Liga 2024/25. O Benfica entrará em campo com um capitão. Que saia de campo com uma vitória. Isso é o que mais se quer."

Leonor Pinhão, in O Benfica

Edite Cruz, a Rainha do Patim


"Em 1949, a atleta benfiquista brilhou no rinque da Associação Académica da Amadora e conquistou um importante título em patinagem artística

"Em 8 de Outubro de 1933 nascia, em Lisboa, Edite Cruz. Aos seis anos, ingressou no Benfica, onde começou a frequentar ao aulas de ginástica, mas foi na patinagem artística que se destacou. Em agosto de 1945, com apenas 11 anos, Edite Cruz foi eleita Princesinha do Patim, num festival de patinagem artística organizado pela Associação Académica da Amadora. Em 1949, essa associação resolveu reavivar a iniciativa e eleger a Rainha do Patim de 1949. Não se pouparam esforços 'para que a eleição da Rainha do Patim tivesse ambiente festivo e agradável'', incluindo uma boa instalação sonora e um projetor de luz que foram colocados à disposição das concorrentes.
Em 18 de junho de 1949, no rinque da Associação Académica da Amadora, 'vistosamente ornamentado e repleto de público', apresentaram-se as quatro candidatas ao título: Maria Elvira de Sousa Braga e Maria Alice Ferreira, representantes do Hóquei Clube de Portugal, Maria Virgínia de Aguiar Santos, pelo Sporting, e Edite Cruz, pelo Benfica.
'As condições essenciais a que todos os correntes tinham de obedecer eram: mérito absoluto, valor técnico, graciosidade e bom gosto'. Edite Cruz foi a terceira patinadora a apresentar-se. Dançou A Última Valsa, deslizando suavemente, cautelosa e certa no desenho das figuras. Depois de todas as apresentações e da reunião do júri para decidir a classificação dos atletas, a eleição de Edite Cruz como Rainha do Patim foi unânime. A atleta benfiquista foi a concorrente que mais figuras desenhou durante a sua apresentação, e a segurança e elegância eram pontos inegáveis a seu favor: 'O primeiro lugar não teve discussão, pois Edite está uma grande patinadora, mercê de trabalho apurado e de uma dedicação ao seu desporto favorito, sem limites'.
Além do título de Rainha do Patim, Edite Cruz recebeu duas taças. O certame contou também com a participação de uma orquestra e artistas de rádio que contribuíram para a animação da festa 'que teve ainda a valorizá-la um animado baile'.
Saiba mais sobre Edite Cruz na área 2 - Joias do Ecletismo, do Museu Benfica - Cosme Damião."

Marisa Manana, in O Benfica

Tenham respeito pelos atletas olímpicos


"Começam hoje, sexta 26 de julho, os Jogos da XXXIII Olimpíada. Os eventos decorrem na região de Paris até 11 de Agosto e juntam mais de 10 mil atletas de quase todo o mundo. Para os praticantes e adeptos das modalidades extrafutebol, esta é a maior competição mundial, o sonho de tantos anos. Vai haver muito para assistir, já que serão cerca de 330 eventos de 32 diferentes modalidades, horas e horas de transmissões televisivas e online. Nos países onde a cultura desportiva ainda não está enraizada, talvez o acontecimento passe um pouco ao lado. Ou talvez o grande público só tenha ficado a saber mais sobre os atletas da Missão Olímpica portuguesa nas última semanas, graças às tradicionais reportagens e perfis, quase sempre pouco criativos e preguiçosos. No resto dos quatro anos da Olimpíada (que neste caso foram três, depois de Tóquio 2021), a atenção e o mediatismo estão quase sempre nos relvados de futebol onze, esquecendo a tradição olímpica e os excelentes resultados portugueses no atletismo, na canoagem, no judo, no tiro, na vela ou na equitação, entre outras modalidades.
Este é aquele momento do ano em que alguns aproveitam a boleia do Euro 2024 para deixar a bandeira nacional pendurada na janela. E já não é nada mau, tendo em conta a falta de apoios com que vive a maioria dos atletas olímpicos em Portugal. Num desses trabalhos jornalísticos de última hora, a fechar um qualquer jornal da tarde ou da noite, falava-se de Camila Ribeiro, recente campeã europeia de natação nos 200 metros costas. É atleta do clube Louzan Natação/EFAPEL e essa informação nunca foi referida na notícia. O mesmo se passaria se fosse atleta do SL Benfica (e temos lá muitos) ou de qualquer outra agremiação. Parece que há vergonha em referir quem tem a maior responsabilidade, a seguir aos atletas e às suas famílias, na carreira destes predestinados do desporto que conseguem chegar aos Jogos Olímpicos. Não tenham vergonha de dizê-lo, as federações são importantes, mas não são quem move o desporto em Portugal. E, já agora, basta da conversa das expectativas de medalhas. Se não lhes prestam atenção no resto do tempo, fiquem sossegados e apreciem apenas a qualidade dos 10500 melhores atletas do planeta."

Ricardo Santos, in O Benfica