Mais um '11' que deixou muita gente de 'cabelos em pé', onde quase de certeza o Schmidt estava a 'pensar' nos próximos jogos, com o Sporting e com os Corruptos! Basta recordar a Supertaça no início da época, onde o Roger tentou o mesmo, na altura com o Aursnes nas costas do Rafa... ao intervalo mudou, mas a 'lógica' estava lá... Em Guimarães, pensou no mesmo, com jogadores em posições diferentes... e mudou ao intervalo novamente! Hoje, na véspera de mais dois jogos complicados, creio que tentou dar rotinas à equipa, num sistema que ele acredita... Alguns podem 'acusar' o Roger de 'medo', ao usar este esquema, mas o Real Madrid esta época, usa um modelo 'parecido' e outras equipas 'grandes' já usaram esquemas do mesmo género! Mas gostaria de perceber se o Tengstedt (febre) estivesse disponível, se teria sido titular...!!!
O Portimonense até joga com 3 Centrais, tal como o Sporting, mas a dinâmica é diferente (além da qualidade dos jogadores), mesmo assim, este jogo serviu para testar... Sendo que com o Sporting e os Corruptos, o Tino terá (teria) sempre que jogar, porque com o João Mário, vai ser um passador no meio-campo (temo que o Roger não concorde comigo!)...
Dando o 'desconto' ao adversário, a equipa hoje pareceu-me mais compacta, com menos 'buracos' entre-linhas! E esse parece-me ter sido um dos objetivos... dar 'estabilidade' ao nosso jogo, com bola!
Esta partida, foi decidida em 4 minutos, com os jogadores a 'fugirem' às suas posições, no golo que desbloqueou a partida, e depois não deixámos o adversário respirar, e 'matámos' o jogo, em duas transições rápidas...
Agora, na 1.ª parte, mesmo sem golos (muito desperdício), dominámos completamente o jogo, contra um adversário que não queria, nem sabia ter bola, mas foi notória a nossa melhor capacidade de reação à perda de bola... Ao contrário de outros jogos, não fomos obrigados a grandes sprint's nas transições defensivas!
O 'segredo' das melhorias deste jogo, esteve no posicionamento do Kokçu, que pela primeira vez, jogou claramente a '10', na posição habitualmente ocupada pelo Rafa. Aliás, pela primeira vez em muitos 'anos' tivemos um '10', com boa decisão nos passes, é verdade que o Kokçu muitas vezes recuou, mas ao contrário do que acontece muitas vezes (com o Rafa) o turco deu quase sempre continuidade às jogadas... E ainda fartou-se de recuperar bolas ou condicionar as saídas do Portimonense!
Afunilámos o jogo, é verdade, mas ir à linha para cruzar, também não era solução! A ausência do ponta-de-lança, obrigou que os cruzamentos fossem efectuados todos para trás... Este esquema, na minha opinião teria sido 'mel', para o Marcos Leonardo... Até pode ser heresia, já que o Rafa até foi eleito o MVP, mas hoje o jovem brasileiro tinha sido mais útil, naquela posição!
A 'pensar' mais à frente, com a mais que provável saída do Rafa no final da época, será o Kokçu o seu 'substituto! Com o Rollheiser a ser a 2.ª opção...!!!
O Rafa marcou dois golos, desbloqueou o jogo, mas para mim, o MVP foi o Neres, que mais uma vez, desmontou várias vezes as marcações... O pré-primeiro-golo, foi uma série de dribles do Neres... e depois no 2.º golo, teve calma e muita classe, para ganhar posição, não se atirar para o chão, fintar o guarda-redes e marcar...!!!
Grande jogo do Bah (pena a falta de leitura de jogo, no passe longo...); o António está em grande forma; o Aursnes voltou à esquerda, mas com os Dragartos, com extremos rápidos em cima, tenho algumas dúvidas!
Novo 'atraso' nas substituições, após o 3-0 devia-se ter feito as 5 substituições...
Arbitragem irritante, com mais uns ridículos descontos, na 1.ª parte e no fim, ao contrário do que acontece em todos os outros jogos! Ainda por cima, o Sr. 22 minutos!!!
Uma nota para o ambiente: o pessoal continua a 'achar' que é melhor ter razão nos seus ódios de estimação, do que apoiar o Benfica, sempre, durante os 90 minutos! 'Cheira-se' no ar, que está tudo à espera do mau resultado, que os profetas dos sofás, dos teclados, das televisões ou dos jornais, estão a prometer desde do inicio da época! Podemos todos discordar das opções do treinador, mas isso não é justificação para deixar de apoiar...
Para Quinta-feira, trocava o Tino pelo João Mário, até porque o João Mário já provou várias vezes que se dá mal, com as assobiadelas de Alvalixo, mas também pensava no regresso do Morato, com a subida do Aursnes para o meio-campo e a saída do Di Maria! Até porque o '11' de hoje, é 'fraco' nas bolas paradas defensivas, um dos pontos mais fortes do Sporting (e dos Corruptos)! Como acho que vamos ter 'menos bola', mantinha o Rafa a ponta-de-lança! Dito isto, acho
que o Roger vai repetir o '11' de hoje!!!
O Candoso vai bater os todos os recordes negativos do campeonato, é verdade, mas 16 golos, são 16 golos... aliás, até marcámos 17, porque o golo sofrido, foi um auto-golo!
"A cerimónia anual de entrega dos Anéis de Platina e Emblemas de Dedicação contou com a participação e emoção de milhares de Benfiquistas que, ao longo da manhã de ontem, marcaram presença no Pavilhão Fidelidade. Este é o tema em destaque na BNews.
1. Amor pelo Benfica
Foram 1789 os sócios homenageados na edição do presente ano daquele que é um dos momentos mais altos da vida associativa do Sport Lisboa e Benfica. Foram entregues 44 Anéis de Platina pelos 75 anos de sócio, 185 Emblemas de Ouro (50 anos) e 1560 Emblemas de Prata (25 anos).
O Presidente do Clube, Rui Costa, salientou, na sua intervenção inicial, que "desde fevereiro do ano passado até ao dia de hoje, contamos com mais 25 mil sócios no Sport Lisboa e Benfica", e que "são os sócios os únicos donos do Clube". "São os sócios a figura central do Sport Lisboa e Benfica. São os sócios a sua razão de existência e o nosso principal compromisso", frisou.
Rui Costa referiu, também, os muitos títulos e troféus conquistados recentemente como mote para os almejados sucessos vindouros: "Queremos mais, sempre mais. Por isso, com humildade aqui digo: há muito onde temos de fazer ainda mais e ainda melhor. Para os próximos meses são vários os projetos que exigem toda a nossa ambição e que vão, com toda a certeza, projetar ainda mais o nosso estatuto de maior e melhor clube português. Da mesma forma que exijo total inconformismo às nossas equipas, também o exijo a mim e à minha direção, sempre na defesa e elevação do Sport Lisboa e Benfica."
2. Momento ainda mais especial
Manuel Vilarinho, antigo Presidente do Sport Lisboa e Benfica, foi um dos sócios agraciados com o Anel de Platina pelos 75 anos de filiação no Clube. Emocionado, dirigiu-se aos Benfiquistas: "Hoje conseguem pôr-me a chorar. Não imaginam o conforto que uma pessoa tem quando dá muito por uma coisa grandiosa que é o Benfica. E todos vós, nesta família, deram-me hoje outra grande alegria."
3. Objetivo: três pontos
O Benfica defronta o Portimonense nesta tarde, na Luz, às 18h00.
4. 10 anos de eterna saudade
Mário Coluna, o Monstro Sagrado, faleceu há 10 anos, uma efeméride assinalada pela BTV em reportagem especial.
5. Missão renovada
Já está disponível, no canal oficial do Sport Lisboa e Benfica no YouTube, o terceiro episódio da série "Missão renovada", que conta como foi o percurso bem-sucedido das Inspiradoras na fase de grupos da Liga dos Campeões da presente temporada.
6. Resultados
No futebol de formação, a equipa B recebeu e venceu o Länk Vilaverdense por 2-0. Nesta manhã, os Sub-17 triunfaram, por 0-2, na deslocação ao Casa Pia, e os Sub-15 ganharam ao Belenenses, por 2-1 no Benfica Campus.
No que respeita às equipas masculinas das restantes modalidades, triunfo caseiro frente à AA Espinho (3-0), vitória por 33-26 ante a Águas Santas em andebol, e sucesso, também, no hóquei em patins no rinque do Murches (3-4). Na Taça de Portugal de râguebi, derrota, por 26-29, com o Belenenses.
No que concerne às equipas femininas, triunfos, no andebol, na visita à Academia São Pedro do Sul (18-31), e ao Nun'Álvares, em futsal, por 1-4, a contar para os quartos de final da Taça de Portugal. Na Liga dos Campeões de hóquei em patins, desaire, por 2-1, no pavilhão do CP Vila-Sana.
7. Jogos do dia
Na Luz, o primeiro desafio é de voleibol, às 14h00, frente ao Ala Nun'Álvares. Passada uma hora, a equipa feminina de basquetebol recebe o Esgueira. De seguida, às 17h30, há jogo de voleibol no feminino frente ao Braga. E, às 20h00, é a vez de a equipa masculina de futsal ser anfitriã do Candoso.
8. Protagonista
Pedro Buaró, novo recordista nacional do salto à vara com presença garantida nos próximos Jogos Olímpicos, é o entrevistado da semana, para ver, na íntegra, na BTV, ou ler no jornal O Benfica.
9. Casa Benfica Santarém
Esta embaixada do benfiquismo, a primeira a implementar o conceito 2.0, celebrou 63 anos de vida e a BTV esteve presente para assinalar o momento.
10. Em destaque
Alguns dos conteúdos em destaque, nesta semana, nas várias plataformas de comunicação do Sport Lisboa e Benfica."
O 2º golo do Sporting, se fosse o Benfica a marcar, amanhã fazia capa em todos os jornais, abria telejornais e haveria especiais CM até às 4 da manhã a dizer que o Benfica tinha comprado o jogador.
"Uma análise ao que esperam ainda Benfica, FC Porto e Sporting numa fase decisiva da época. E os bons exemplos de Artur Jorge e João Neves
Depois de uma jornada europeia positiva, onde infelizmente o SC Braga ficou pelo caminho no último minuto, aproximam-se semanas intensas. Os três grandes, que estão em todas as frentes (campeonato, Taça de Portugal e competições europeias), vão ter uma carga competitiva muito intensa, com jogos decisivos e de grau de dificuldade elevado. De uma forma racional, podemos analisar cada uma das equipas e perceber quais são as que estão mais bem preparadas para os obstáculos que vão ter pela frente. Esta análise deverá ter em conta que o futebol não é matemática e que tudo muda muito rapidamente. Contudo, também é fundamental ter a noção de que aqueles que trabalham melhor estão mais perto do sucesso!
Benfica: o que esperar?
Esta época nunca sabemos qual a cara que o Benfica vai apresentar. Tanto faz um jogo equilibrado como a seguir tem outra exibição menos conseguida. Esta discrepância tem a ver com a forma como os jogos são preparados. A incerteza em torno das opções de Roger Schmidt, ao longo de todo o ano, não tem ajudado. Conforme tenho referido, coletivamente, a equipa não apresenta nem consistência nem melhorias. Depois de uma goleada contra o Vizela qual o motivo para o Benfica ter feito uma exibição tão frágil frente ao Toulouse? Um dos fatores que diferencia os treinadores uns dos outros é a leitura de jogo, dentro do relvado e na preparação dos desafios. Ora, este é um dos pontos em que o treinador encarnado demonstra debilidades. O jogo com o Toulouse é um exemplo claro. Depois de uma vitória folgada contra o Vizela, Roger Schmidt não percebeu que essa vitória aconteceu não só por mérito do Benfica mas também porque pela frente teve um dos adversários mais frágeis da nossa (pouco competitiva) Liga. Não perceber que o Benfica é muito superior a 15 clubes em Portugal é não ter a noção da realidade. Dito isto, o treinador encarnado, em função do resultado do fim de semana, adotou a mesma estratégia para o jogo da Liga Europa. É verdade que o Toulouse não é nenhum tubarão, mas em casa consegue criar um ambiente adverso e, temos de reconhecer, é muito superior ao Vizela. As equipas que vencem consecutivamente são aquelas que têm um processo definido, que sabem avaliar a realidade, que conhecem os adversários e que não se deixam iludir com um ou outro jogo. Juntando a tudo isto, temos algumas decisões, no mínimo, questionáveis, como a saída de Aursnes das opções iniciais ou mesmo a substituição de Arthur Cabral, que estava a passar pelo seu melhor momento, por Tengstedt! A realidade é que, felizmente para o treinador encarnado, o Benfica tem um plantel com enorme qualidade que vai resolvendo individualmente os jogos nas competições internas. A grande questão que se coloca é: apenas a qualidade individual dos jogadores será suficiente para o Benfica alcançar os objetivos, frente a adversários bem trabalhados e com qualidade similar?
FC Porto: a recuperação da confiança
O FC Porto, versão Liga dos Campeões, voltou a aparecer frente ao Arsenal. O jogo foi muito bem preparado. Sérgio Conceição conseguiu limitar o espaço de ação de Martinelli e Saka e, em simultâneo, preparar a saída para o ataque com o posicionamento defensivo de Francisco, Galeno e Pepê. Defendeu preparando o ataque. Foi humilde, deu a bola ao adversário, teve de saber esperar pelo seu momento, foi intenso, foi focado e concentrado durante todo o jogo. Esta foi a grande diferença deste para os jogos contra o Barcelona. No jogo de quarta-feira passada não existiram erros individuais que comprometessem o coletivo. O compromisso dos jogadores e dos adeptos foi total. A confiança aumentou numa altura importante da época até porque, no próximo domingo, o FC_Porto recebe o Benfica e esse jogo pode ter um papel importante na luta pelo primeiro, segundo e terceiro lugares. Para que o jogo com o Arsenal possa ser um empurrão para a fase final da época, será fundamental para o FC_Porto vencer hoje em Barcelos e na quinta-feira nos Açores…
Sporting: mais garantias
O Sporting tem sido a equipa mais consistente esta época. Raramente apresenta oscilações. Tem uma dinâmica de jogo bem trabalhada e rotinada. Tem vindo a rodar todo o plantel, o que permite que, neste momento, tenha muitos jogadores em boa forma e com capacidade para resolver. Coletivamente, em Portugal, é a equipa mais fiável. As próximas semanas vão ser intensas e decisivas para os objetivos do Sporting. O ponto de partida é muito positivo. Porém, convém não esquecer que estamos em Portugal e que dadas as desigualdades entre grandes e pequenos, tudo se pode resolver num jogo apenas. Na próxima quinta-feira teremos a primeira mão das meias-finais da Taça de Portugal entre Sporting e Benfica. Desportivamente todos percebemos a dimensão do jogo em causa. A vertente anímica também não deve ser descurada. Uma vitória, de qualquer um dos lados, será uma injeção de confiança e motivação para o difícil calendário que ambos têm pela frente. Contudo, antes desse esperado desafio o Sporting terá de continuar a fazer o seu trabalho em Vila do Conde. Posteriormente, na quinta-feira, iremos perceber quem vence: a qualidade individual ao serviço do coletivo (Sporting) ou um Benfica muito dependente da imaginação, inspiração e individualidade.
Artur Jorge
Foi marcante no desporto. Enorme jogador e com uma carreira marcante como treinador. O primeiro treinador português a vencer a Taça dos Campeões Europeus e um dos primeiros a abrir as portas do mundo aos treinadores portugueses. Contudo, gostava de destacar o lado fora do relvado. Tinha uma cultura acima da média, com um enorme gosto pelas artes, pintura e poesia. Já na altura tinha um perfil muito diferente dentro do mundo do futebol. Não teve uma vida fácil. Tenho pena que se afastem do futebol pessoas que pensam de forma diferente. Tenho pena que as devidas homenagens só surjam depois da morte. Num mundo cada vez mais rápido e instantâneo é muito importante não esquecer aqueles que, pela sua presença, desempenho e capacidade contribuíram para a evolução do desporto e da sociedade.
O sorriso do João Neves
João Neves recebeu a pior notícia. Perder uma mãe com 19 anos é muito duro. As mães e os pais são os nossos pilares ao longo da vida. Todos percebemos que o João é um menino bem formado, com os valores bem presentes. Humilde, trabalhador, dedicado, confiante, que não se atemoriza e que respeita todos com quem interage. A maturidade que apresenta aos 19 anos é invulgar. Uma grande parte desta personalidade é mérito dos seus pais e daqueles que estão à sua volta. Sem dúvida que este foi um grande soco no estômago. O que espero e desejo é que o João e a sua família (irmã principalmente) se consigam manter estáveis. Há poucos jogadores que conseguem jogar com um sorriso nos lábios e que conseguem criar uma empatia instantânea com todos os adeptos. O João é esse jogador. No final do jogo com o Toulouse o João Neves proporcionou-nos uma imagem real, dura mas incrível. Mesmo com todos estes acontecimentos o miúdo foi para o relvado para homenagear a sua mãe. O que desejo é que esta tristeza possa ser o combustível para o João poder ter a carreira que todos lhe perspetivamos. Por fim, não posso deixar de valorizar a solidariedade de muitos dos seus colegas. Pedro Gonçalves deu o exemplo. Rivais dentro do relvado, unidos e solidários fora das quatro linhas. Arrisco-me a dizer que se dessem mais tempo de antena aos protagonistas, e não aos dirigentes, o futebol em Portugal já estaria com outro rumo…."
"Futuro pode já nem estar dependente de títulos por disputar
Rúben Amorim está contratualmente ligado ao Sporting até 2026, mas já deixou claro, com a frontalidade habitual, que não fica em Alvalade se terminar a época sem títulos.
Já passaram dois anos da última conquista, no caso a Taça da Liga, e o treinador leonino já mostrou, em diversas ocasiões, que é muito firme nas suas convicções. Não esqueçamos, contudo, que o Sporting está em três frentes, e na Liga, mesmo colocado no segundo lugar da tabela classificativa, por força da derrota na Luz, tem uma oportunidade pendente para reassumir o topo, ainda que esse adiamento do jogo de Famalicão tenha vindo também baralhar consideravelmente a gestão do calendário.
Um fracasso total não deixará margem para a continuidade de Amorim, mesmo que a administração de Frederico Varandas tenha outras ideias, pelo que a dúvida reside sobretudo no peso que cada uma das provas terá na decisão do técnico. Conquistar a primeira Taça de Portugal será o mesmo que festejar um segundo título nacional? E qual seria a relevância de erguer a Liga Europa, tendo em conta até a cobiça que isso alimentaria?
Os silogismos permanecem por descodificar, mas cada dia que passa reforça a ideia de que a conclusão passará pela saída do técnico. Mesmo perante a conquista de um troféu. Se uma eventual conquista da Taça de Portugal pode ser curta para salvar a época, conquistar o título nacional, ou mesmo a Liga Europa, pode representar uma saída em glória. Não só pela consciência de que é difícil aspirar a mais, como também pelo possível aparecimento de quem possa prometer mais. Não apenas do ponto de vista financeiro, mas também dos objetivos no horizonte.
Nesse cenário, Frederico Varandas enfrentaria o maior desafio da sua liderança. Reduzir o papel do presidente na estabilização do Sporting pode ser tremendamente injusto, mas não restam dúvidas de que Rúben Amorim — de forma quase irónica, dado o seu passado enquanto jogador — tornou-se o elemento aglutinador em Alvalade.
No Dragão o contexto agrava-se logo com a proximidade do final de contrato de Sérgio Conceição, e também com as eleições para a liderança do FC Porto. Mesmo sem assumir um apoio formal, o treinador lá apareceu na apresentação da candidatura de Pinto da Costa para um abraço que — embora legítimo para a ligação que os une — revela um certo desprendimento.
Sérgio Conceição tem sido um escudo para a atual direção, mas André Villas-Boas também não se pode dar ao luxo de prometer um futuro sem o técnico, sabendo do peso que este conquistou junto da massa associativa. Ao escolher um lado, mesmo disfarçadamente, talvez Sérgio Conceição tenha assumido um passo rumo à porta de saída. E, também neste caso, a sensação de final de ciclo pode estar acima de qualquer balanço de títulos, mesmo sabendo que essa decisão já foi adiada em anos anteriores."
"O beijo de António Silva em João Neves podia ter sido o beijo de todos os que gostam de futebol. E de pessoas
João Neves decidiu ir a jogo na quinta-feira, em Toulouse, para a Liga Europa, depois de ter dito adeus à mãe, que morrera na madrugada de segunda-feira. O médio do Benfica enfrentou com coragem o adversário francês e só no final do desafio soltou as lágrimas, enquanto agradecia o apoio dos adeptos nas bancadas.
Tem apenas 19 anos, mas em Toulouse, num jogo que certamente foi muito duro para ele, terminou 0-0 e foi até de profunda desinspiração para a equipa (que seguiu em frente na competição, graças ao 2-1 que levava do Estádio da Luz), João Neves voltou a mostrar que é uma das maiores referências desta equipa, do Benfica atual e para todos os que gostam de futebol. Porque não é apenas um jogador de futebol. Ele lembra-nos porque é que nos apaixonámos por este desporto e ajuda-nos a acreditar que há esperança além do produto em que foi transformado para alimentar uma máquina que tritura emoções e pessoas.
A alegria de João Neves a jogar transporta-nos para a rua onde crescemos e fizemos tantos jogos com tantos amigos e agora, quando lá voltamos, parece impossível como couberam ali. João Neves parece um menino feliz com a bola nos pés como nós fomos e é fácil sentir nele o que sentíamos quando as horas passavam ao ritmo dos remates, das fintas, dos cortes, até ser quase de noite e só haver tempo para um último lance e um conclusivo ‘quem marcar, ganha’, porque a janta estava na mesa.
João Neves é João Benfica e é João Futebol. E neste jogo em França comoveu-me. Não pelo drama dele, mas por me fazer sentir lá e principalmente por me fazer lembrar que há coisas na vida mais importantes do que o futebol mas que o futebol foi, é e sempre será das mais importantes da minha.
Há um futuro promissor à espera de João Neves e ele mostra ter as competências para o agarrar, mas desejo que consiga continuar a jogar com a mesma paixão.
O beijo que o companheiro de equipa e amigo António Silva deu em João Neves no final do jogo de Toulouse é o beijo que ele merece de quem gosta de futebol. E de pessoas."
"Impressionante atitude num direto televisivo mostrou bem como Diogo Ribeiro encara qualquer desafio sob pressão. Cria a sua forma de o vencer
Vi o Diogo Ribeiro no programa do Ricardo Araújo Pereira e confesso que muito me impressionou pela invulgaridade da atitude. Numa palavra: desarmante. Um daqueles entrevistados que um jornalista deve saber temer. Por muito preparado e experiente que seja o entrevistador, é difícil ler-lhe as emoções e encontrar o caminho certo para tirar o máximo partido do seu pensamento, que, aliás, parece guardado no fundo, muito fundo, da sua personalidade.
Confesso que sempre me apaixonou a relação entre cada ser humano e a sua forma de comunicar. Ao longo da minha vida profissional, acho que encontrei pelo caminho todas as variáveis possíveis e aprendi a perceber que no género jornalístico da entrevista, que vai muito para além de se saber fazer perguntas, é preciso que o entrevistador saiba com quem está a falar, perceba o homem ou a mulher que está diante de si, sabendo neutralizar-se, reduzindo ao mínimo a influência que possa exercer sobre os menos esclarecidos ou os menos fortes psicologicamente, e procurando evidenciar o caráter da personagem que deseja expor ao público na maior dimensão possível da sua verdade.
Percebeu-se, no início, uma certa intimidação do Diogo perante a força comunicacional do Ricardo Araújo Pereira e perante o desconforto de um direto televisivo. Mas tornou-se particularmente significativo a forma como o jovem campeão do Mundo se defendeu do universo estranho em que o colocaram, falando pouco, mostrando-se esfíngico na reação a qualquer piada e deixando sorrisos mais enigmáticos que o de Gioconda.
Parece haver, de facto, uma natureza diferente neste jovem quando se confronta com a pressão. Não se desvia do que é ou do que quer ser naquele momento. Enfrenta o desafio com uma serena determinação e nunca parece perder o domínio das suas capacidades.
É, isto, um campeão. Alguém que tem um dom natural, um talento treinado até à exaustão, mas também alguém que é psicologicamente forte e dominador de espaços. Alguém que, por isso, e como diria Fernando Pessoa, se aproxima mais de um herói do que de um santo e, assim, é mais amado por Deus.
Diogo Ribeiro tem apenas 19 anos e um mundo inteiro à sua espera. Lembro-me, quando ele era ainda júnior, de ter tido conhecimento das suas primeiras grandes marcas internacionais. Confesso que, nessa altura, não me entusiasmei demasiado. Havia, na minha memória, demasiados casos de jovens promessas da natação portuguesa que, com os anos, começaram a nadar pior e nunca atingiram, nem de perto, as esperanças precocemente anunciadas. Havia, mesmo, quem acusasse os treinadores portugueses de obrigarem jovens ainda em formação a treinarem demais. Também me lembro de ter admitido que o Diogo só poderia evoluir para uma dimensão mundial se fosse acolhido numa boa universidade americana e que, em Portugal, nunca teria as condições necessárias a um campeão da Europa, muito menos do Mundo. Enganei-me e é justo dizê-lo aqui, com a humidade de quem, pelo menos conscientemente, nunca se comportou como um iluminado.
A verdade é que este jovem campeão do Mundo não pára de me surpreender. Desde as suas finais em que, a meio da última piscina, parecia atrasar-se e acabava por galgar metros e metros aos adversários principais, até à atitude de uma inacessibilidade mental que conseguiu fabricar para seu conforto no programa televisivo e passando pela superação das condições espartanas em que vive nas modestas residências do Centro de Alto Rendimento do Jamor."
"Fernando Pimenta, por exemplo, foi nove vezes a melhor pessoa do mundo a desempenhar determinada função
DIOGO RIBEIRO não tem dúvidas sobre o que quer ser no futuro. O nadador português do Benfica saltou para as manchetes deste jornal – e já são três – por conquistar medalhas numa modalidade em que o país dificilmente acreditaria, o que até poderia ser estranho, ou irónico, tamanho mar tem Portugal (eu sei bem a diferença para águas abertas). Mas as condições para vencer não são as naturais de um país. São as de um atleta, conjugadas com a vida em que é forjado.
Não tenho dúvidas de que Cristiano Ronaldo é o maior português da História. Aquele que mais pessoas toca. Mais do que um secretário-geral da ONU, sim; ou do primeiro europeu no Brasil.
Há partes em que Ronaldo e Diogo Ribeiro se cruzam e onde cabem outras figuras da nossa história desportiva. Debruço-me muitas vezes sobre o que, realmente, é mais difícil. Se ser uma estrela da Premier League, Serie A, La Liga ou Bundesliga ou vencer uma medalha com Portugal como bandeira.
Fernando Pimenta não pode ser o maior atleta português de todos os tempos? São mais de cem medalhas na carreira, nove de ouro em mundiais seniores e mais seis em europeus. Claro está, portanto, que o problema não está em Pimenta. Estará, isso sim, na canoagem. Ou talvez no nosso país. Pimenta foi a melhor pessoa no mundo a desempenhar uma função por nove vezes!
O ténis português tem pouca expressão, mas já alguém parou para pensar que Nuno Borges é um dos 50 melhores do mundo naquilo que tem para fazer? Ou que João Sousa esteve entre as 30 melhores pessoas a jogar ténis, no mundo? Quantos de nós estamos nos 50 melhores do planeta a fazer alguma coisa?
Ronaldo, repito, é o maior da história, mas neste país será sempre mais fácil ser futebolista de elite do que atleta de ouro noutra modalidade qualquer.
Essa coisa de o melhor de todos os tempos tem a importância que deixamos. Eu diria que o que é relevante mesmo é o que as coisas nos provocam. Eu, por exemplo, jamais esquecerei aquela última volta de Fernanda Ribeiro em Atlanta 1996. E será mesmo esse o feito maior de Fernanda Ribeiro ou a medalha de bronze em Sydney, por tudo o que a penafidelense passou, foi bem mais difícil do que o ouro nos EUA?
Para mim está claro que maior é o feito quanto maior é a superação. Pode haver tanta glória num segundo lugar como num primeiro e pode haver isso mesmo só por se chegar ao fim.
Diogo Ribeiro quer ser boa pessoa e campeão olímpico. Está tudo bem se não conseguir a segunda, até porque este é um país em que se exige o primeiro lugar nos Jogos Olímpicos quando pouco ou nada se acompanhou nos restantes momentos da carreira. Diogo Ribeiro já venceu duas medalhas de ouro e uma de prata, mas, acima de tudo, passou por cima do que a vida lhe atirou. No desporto ou não, esses são os maiores campeões de todos."
"O Sporting estabeleceu novo marco defensivo da Liga o Benfica parece ter (re)encontrado um “abre-latas”, o Porto definiu novos máximos da equipa em termos de passe e conduções, mas talvez o feito mais impressionante pertença ao bracarense Simon Banza, que conseguiu algo que ninguém antes fez, desde que há GoalPoint. Aqui ficam mais cinco factos da jornada 22 da Liga 23/24, daqueles que apenas o nosso Antunes descobre, para ti.
1. “Leão” fecha a porta para a sua baliza
O Sporting continua a bater recordes. Após tornar-se na equipa mais concretizadora da Europa, agora passou a ser a única da Liga portuguesa com dois jogos nos quais não consentiu qualquer remate enquadrado, ambas as vezes como visitante. O facto de ser a formação do nosso campeonato com menos remates permitidos (7,8), menos disparos consentidos na área (4,1) a mais baixa média de enquadrados permitidos aos adversários (2,5) ajuda a explicar o feito.
2. O “abre-latas” que o Benfica precisava?
David Neres esteve lesionado, é certo, mas já vinha pedindo alguns minutos a Roger Schmidt. Frente ao Vizela, no meio de uma autêntica revolução no “onze” inicial benfiquista, Neres começou a titular e encantou, com dois golos, duas assistências, uma eficácia de remate (golos – xG) de 1,4 e três disparos enquadrados em três tentados. Entre jogadores com mais de 180 minutos no campeonato, só Simon Banza, do Braga, marca ou assiste em menos minutos (63) do que o extremo do Benfica (64).
3. Quem pára Geny?
Quando Rúben Amorim quer manter o “momentum” ofensivo e atacar com tudo, Geny Catamo é uma das armas a utilizar. O ala-direito moçambicano fez um belo jogo em Moreira de Cónegos e foi bem mais um extremo do que outra coisa. Comparando, o Moreirense acumulou um total de sete acções com bola na área leonina. Só Geny assinou 11 destes lances na sua conta pessoal, das 37 dos homens de Alvalade. Quem pára o Geny?
4. Mestres a defender penáltis estão em Portugal
Anatoliy Trubin defendeu uma grande penalidade na recepção do Benfica ao Vizela. Esta é a terceira vez que o guardião “encarnado” trava um castigo máximo na Liga e, com isso, igualou Oliver Baumann, do Hoffenheim, na liderança europeia de grandes penalidades paradas. Luiz Júnior, do Famalicão, surge também no Top 5 com duas defendidas, pelo que é caso para dizer que a Primeira Liga tem alguns dos melhores especialistas na matéria.
5. Banza, a fortaleza voadora
O Braga regressou aos triunfos e fez de tudo para o conseguir, partindo para cima do Farense numa procura desenfreada pelo golo. Para tal recorreu muito aos cruzamentos de bola corrida, tendo realizado 37, que é o quarto valor mais alto num jogo do campeonato 23/24. Com isto, os jogadores bracarenses fizeram 11 remates de cabeça ante os algarvios, novo máximo da prova num só encontro, e Simon Banza, sozinho, fez sete, valor que nunca foi atingido desde que há GoalPoint (2014)."
"Quando um pai grita que um menino de outra equipa «morreu? Enterra-se!» está tudo mal. Mesmo muito mal.
Na mesma semana, dois extremos sobre o que é o desporto (e a vida, e a sociedade), o que é andar no desporto (e na vida, e na sociedade), sobre o que é ser-se ou não, na essência, uma boa pessoa, um bom cidadão e alguém civilizado.
Comecemos pelo melhor, para não descrer de vez na Humanidade: o Sporting venceu o seu jogo do campeonato; Pedro Gonçalves foi falar à TV e as primeiras palavras que teve foram de solidariedade para com momentos difíceis que dois colegas do maior rival e maior adversário na luta pelo título passavam. Mandou um abraço a João Neves e António Silva porque «há coisas mais importantes que o futebol».
Numa excelente reportagem do Sapo Desporto, assinada pelo nosso antigo colega Afonso Trindade de Araújo, ficamos a saber que um pai, durante um jogo de infantis — vou repetir: infantis! — gritou para o relvado que aquele jogo nunca deveria ter sido adiado pela morte de um menino da outra equipa. «Morreu? Enterra-se!».
E assim se enterram, logo pela base, os valores do desporto, da vida e da sociedade.
Os casos de violência no futebol de formação: "Morreu? Enterra-se!"
De chorar por mais
É uma honra ter aqui ao lado o João Almeida Moreira e o Nélson Feiteirona. Queremos A BOLA com mais opinião dos seus jornalistas.
No ponto
Está no texto acima, mas não é de mais realçar a excelente atitude de Pedro Gonçalves ao lembrar-se da dor pessoal de colegas de profissão.
Insosso
As redes sociais são o demónio, mas são um demónio com que todos temos de lidar. E Pinto da Costa lá apresentou a recandidatura num site.
Incomestível
Não há mortes mais importantes que outras. Mas quando desaparece alguém como Artur Jorge o mundo fica definitivamente mais pobre."
"No futebol (como na vida) há coisas que simplesmente (ainda) não se explicam: só acontecem
O escritor Nelson Rodrigues inventou uma personagem que, nos longínquos anos 50, pairava sobre os jogos do Flu, clube do coração do autor, e influía, quase sempre negativamente, nos resultados. Chamou-lhe Sobrenatural de Almeida (sem parentesco com o autor deste texto).
Entretanto, na era dos batalhões de analistas de desempenho, dos big data e megadata acumulados, da soma de terabytes com petabytes e ainda mais zettabytes de informação, o Sobrenatural de Almeida, que na conceção original já era um fantasma, corre o risco de morrer outra vez.
No final do jogo entre Palmeiras e Corinthians, de domingo passado, para o Paulistão, o Verdão vencia por 2-0, que podiam ter sido três ou quatro, porque a obra de Abel Ferreira está pronta e a de António Oliveira ainda na fase de terraplanagem, quando o Timão reduziu para 1-2 e se animou.
No entanto, logo a seguir, com as substituições já esgotadas, o guarda-redes corintiano, Cássio, foi expulso e o autor do golo, Yuri Alberto, fraturou uma costela.
Mesmo com nove, porém, aos 90+10’ o Corinthians ganhou um livre a larga distância. Garro, um argentino que se estreava no dérbi paulistano, decidiu então enganar toda a gente, incluindo os companheiros de equipa a quem jurara bombear para a área, e chutar direto para o 2-2, com a contribuição do habitualmente impecável Weverton.
E a seguir, um defesa alvinegro evitou o golo alviverde em cima da linha, já a bola havia passado pelo zagueirão travestido de goleirão Gustavo Henrique.
Minutos depois desta tragicomédia, Abel é confrontado na coletiva com aqueles últimos minutos — o que se passou, o que houve, o que poderia ter sido feito, como evitar no futuro — e, irritado, disse que a partir de agora iria incluir nos treinos exercícios para impedir que acontecessem todos os inexplicáveis acontecimentos que aconteceram.
Claro que há respostas dentro das fronteiras da lógica aritmética para o empate: o Palmeiras de 2023 precisava de rematar menos para marcar o mesmo número de golos que o de 2024 vem marcando e neste Paulistão o clube já perdeu seis pontos por sofrer golos no fim; ou seja, falta melhorar os índices de eficácia barra número de remates e os registos de concentração barra minutos de compensação e todas as demais operações matemáticas que os zettabytes dos computadores dos analistas de desempenho comportarem.
Mas temos, nesta era da informação, de admitir que no futebol (como na vida) há coisas, seja por causa do ritmo das marés, da influência dos astros, das vibrações cósmicas ou lá pelo que for, que simplesmente (ainda) não se explicam: só acontecem. Como aconteceu aquele 4-3 do Palmeiras na casa do Botafogo que virou o Brasileirão do ano passado de cabeça para baixo.
Em suma, na era do big data, o Sobrenatural de Almeida, mesmo fantasma, continua vivíssimo da Silva."
"Sanfilippo podia ter nome de menino de coro, mas ninguém como ele para dar cabo da cabeça aos adversários
José Francisco não era fácil de assoar mas, vendo bem, qual é a equipa que quer um avançado fácil de assoar. Tinha nome de acólito, ou de santinho de catequese, Sanfilippo, mas quando pegava na bola e corria para a baliza dava ares de pássaro bisnau. Fininho, enleante, com mais curvas que uma das donzelas de Modgliani, preferia a conclusão malandra, em habilidade, fazia parte da sua idiossincrasia, se pudesse irritar os adversários até estes começassem a chamar-lhe nomes à mãe, à avó, às cunhadas, à vizinha do quinto esquerdo e à porteira, alvoroçava-se como um galo madrugador e arrepiava a crista. No minuto seguinte, estavam os defesas a tentar caçá-lo à patada convencidos de que perseguiam uma ratazana, e o guarda-redes a calcular como lhe acertar em cheio com os punhos na cartilagem da tiroide, e já a bola tinha ido colar-se no fundo das redes enquanto José Francisco arrepanhava os lábios num sorriso escarninho de quem acabou de fazer uma patifaria valente e ficou feliz da vida com ela.
Às vezes, nos treinos, Sanfilippo pedia para ir à baliza. Achava que era um bom keeper mas, se é de José Francisco que falamos, podem estar certo de que o homem se achava bom em tudo. De qualquer forma baseava essa mania com uma palavreado científico de meia-tijela: «É importante perceber a posição de guarda-redes. Nós, os avançados, já sabemos o que vamos fazer. Eles têm de adivinhar…». E como adivinhar o que ia na cabeça de Sanfilippo quando estava perto da baliza adversária e a bola vinha, como por devoção divina, ter com ele? O público do San Lorenzo de Almagro, onde começou, começava a conter as gargalhadas. Depois era a chacota geral quando José Francisco fazia a sua tratantada favorita: enrolar aquele objeto redondinho, do qual gostava tanto, nos calcanhares para, num gesto que parecia simples mas era tudo menos simples, fazê-lo passar sobre a cabeça do adversário e recolhê-lo do outro lado para carimbar o golo suavemente.
Se alguém afinava com Sanfilippo era Roma, que jogava no Boca Juniors. À baliza, claro, essa é fácil de adivinhar. António Roma era um armário vitoriano, sem arrebiques. Parecia feito de pau-ferro. Só mesmo um sujeito com um descaramento divino, daqueles descaramentos queirosianos de fazer o Raposão levar ao estupor da Titi a camisa de noite da prostituta Mary embrulhada em papel pardo, anunciando antecipadamente que era nem mais nem menos do que a verdadeira coroa de espinhos do Cristo, é que poderia pensar sequer em querer dar baile naquela tremenda peça de mobiliário. Sanfilippo era tão ruim que, numa concentração da seleção Argentina, quando resolveu armar confusão, metendo ao barulho o responsável técnico Don Victorio Spinetto. Como dizem os argentinos, Don Victorio gostava de criar um ambiente que envolvesse «los chistes y las jodas». Então Sanfilippo resolveu mesmo dar cabo da cabeça (e que dura era) de Antonio Roma: «Don Victorio, para a semana há um San Lorenzo-Boca Juniors. Vamos combinar uma coisa: se eu marcar dois golos, o Roma para a próxima não vem à seleção; se não marcar você dispensa-me a mim». Spinetto riu a bom rir. Gostava das tramoias de José Francisco, alinhava em tudo o que pudesse alegrar o grupo, dessa vez nem se importou de deixar Roma com as orelhas a deitar fumo e alinhou no desafio. No dia 12 de outubro de 1962, no Estádio Viejo Gasómetro, na Avenida La Plata, Antonio foi direito ao seu adversário antes de começar o jogo e disse-lhe com tanta fúria que lhe cobriu a cara de perdigotos: «¿A quién le vas a hacer dos goles, enano podrido..?». O anão podre fez um ar compungido como se já arrependido do acordo com Don Victorio. Ou cara podre, se quiserem. Mas, cinco segundos (ouviram bem o que escrevi?), cinco segundos após o início do jogo, Sanfilippo tratou de mostrar ao supedâneo Antonio de que material era feito, e não era de pau-ferro, não senhores, era da mais pura platina, já que estávamos na foz rio de La Plata. Recebeu um passe longo, adiantou-se à bola e, sem que ela tocasse o relvado, deu-lhe de calcanhar sempre em corrida, passando-a por cima de Roma com altura suficiente para que o ‘arquero’ matulão não lhe conseguisse tocar nem mesmo saltando e elevando os braços a uns três metros de altura. Depois, claro, foi golo. José Francisco tinha a plena consciência de que deixara todos os parafusos da cabeça de Antonio fora das rodilhas. No final diria: «Me queria poner lejo de él – era mejor que te agarrara un tren». E deixou-se estar, lá pelo meio-campo, esperando que o keeper digerisse toda aquela bílis. O Boca chegou a dar a volta mas, à beirinha do fim, penálti para Sanfilippo marcar. Não foi de calcanhar mas foi golo. Roma soltou um ferro de fazer apavorar hipopótamos. No jogo seguinte da Argentina, Don Victorio chamou os dois. Brincadeiras à parte, não podia dispensar nenhum deles."