Últimas indefectivações

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

De Jesus e a lição de humildade à pólvora seca do FC Porto

"Em Inglaterra, continua a faltar o factor-Mourinho ao Manchester United.

A derrota do Sporting em Vila do Conde surge na sequência de declarações de Jorge Jesus. Uma delas sobre as dificuldades de mudança de chip, que se confirmaram nos Arcos. A outra, bem mais polémica e pouco apropriada, a sobrevalorizar a influência que um treinador (ele próprio) tem sobre a «melhor equipa» (a sua, porque treinada por si). O resultado acentuou negativamente essas palavras, uma vez que foi-lhe acrescentado o tom de lição de humildade.
Os leões perdem os primeiros pontos, sofrem a primeira derrota e entregam a liderança. À quinta jornada, não tem grande impacto. O Benfica está a apenas um ponto e mesmo que a distância fosse um pouco maior nunca haveria contornos de dramatismo.
Depois de uma grande exibição em Madrid, penalizada com derrota no final, houve certamente algum desgaste em algumas unidades e, também, a tal dificuldade na transição descendente de níveis de exigência e de gestão da adrenalina. É verdade que num ou dois momentos poderia ter marcado primeiro e o resultado teria eventualmente evoluído mais facilmente para um sentido favorável, mas mostrou-se incapaz de reagir ao primeiro golo vila-condense e ao contínuo avolumar do resultado. 
Foi um Sporting diferente. Obviamente, para pior.
Também pareceu que olhando especificamente para o encontro dos Arcos, o Rio Ave pareceu mais preparado, mais trabalhado para o embate.
Primeiro, a atacar Bruno César, depois na forma como foi ultrapassando as barreiras que o meio-campo leonino costuma colocar às transições adversárias e, por fim, ao aproveitar as zonas descompensadas à frente de Rui Patrício. Gil Dias teve aí um papel importante, tal como as movimentações de Guedes e a presença de jogadores experientes como Yazalde e Tarantini.
Nuno Capucho ganhou claramente o duelo. O Rio Ave foi melhor equipa neste encontro.
Mais do que uma lição de humildade, Jorge Jesus ficou com a certeza dos custos de uma gestão precoce, que expôs algumas das zonas mais frágeis, como defesa e meio-campo. Apesar de claramente mais profundo, o grupo ainda precisará de mais trabalho – palavra cara a Jesus – para responder no seu todo ao mesmo nível.
O FC Porto empatou perante um Tondela que já tinha complicado as suas contas no ano passado. O adversário, no plano ofensivo, não se esticou em campo, bem pelo contrário, e conseguiu suster o candidato com relativo à-vontade.
Houve, claro, duas ou três oportunidades claras desperdiçadas e, por isso, mesmo com pouca produção, poderia ter chegado para os três pontos. O «tem de fazer golo» que Nuno Espírito Santo soltou no banco assenta bem aos vários momentos em que a festa passou perto, mas a verdade é que, tudo somado, foi muito pouco.
O treinador voltou ao 4x4x2 com Depoitre e André Silva, entregou a ala a Brahimi e a Otávio, e André André fez dupla com Rúben Neves. Os dragões abusaram do jogo directo, e chamaram em surdina por Oliver do primeiro ao 56º minuto. Tal como Adrián López deu razão à lógica de fazer mais sentido que o concorrente belga assim que entrou em campo. No entanto, foi curto. Deu nulo, e sinais inquietantes para o futuro.
Na Madeira, o Nacional somou os primeiros pontos às custas do Marítimo, que até aí só tinha uma vitória. Se os alvinegros têm ainda como atenuante as muitas lesões que afectaram a equipa, os rivais já deram razão a quem criticava um certo regresso ao passado com a aposta no treinador brasileiro Paulo César Gusmão, primeira chicotada na época. Carlos Pereira não quis esperar e emendou a mão antes que fosse tarde. Para já, um arranque decepcionante de ambos os emblemas.
No plano internacional, José Mourinho voltou a perder. Terceira derrota seguida, depois de City e de Roterdão para a Liga Europa. Os primeiros resultados camuflaram a ideia de que falta ainda muito trabalho ao Manchester United, sobretudo quando confrontado com os principais rivais na luta pelo título. Além disso, a discussão à volta da utilidade de Wayne Rooney enquanto falso dez ou mesmo a presença de Fellaini, há muito patinho-feio para os adeptos, promete alastrar. Se o inglês acrescenta muito pouco na ligação com o meio-campo, o belga é mais uma má sombra de Pogba ou um acrescento físico do que propriamente alguém que traga ideias. Além disso, se olharmos ao investimento feito, a verdade é que persistem as lacunas sobretudo no eixo defensivo.
Falta o factor-Mourinho ao Manchester United. E será o próprio a ter de reencontrá-lo.
Também o Valencia somou quatro em quatro em derrotas. A crise vai longa, e há muito que se perdeu a luz ao fundo do túnel. Tempos difíceis para João Cancelo e Nani."

Futebol, esse lugar comum

"Só um defesa-central é imperial. Não há extremos imperiais, nem sequer trincos. Imperial é o Ricardo Carvalho. É quem desarma e sai a jogar lá de trás com a bola dominada ou vai lá à frente para subir entre os seus pares e de cabeça desviar para a baliza.
Do mesmo modo, não há laterais matadores. Matador é um ponta-de-lança, que por isso fulmina ou fuzila quando chuta. Os remates, aliás, são tiros, bombas, misseis, petardos... E outros belicismos próprios da artilharia pesada.
O passe tem as suas gradações. Se for mesmo, mesmo um bom passe pode ascender a magistral. Mas se por um fenómeno qualquer nascer menina e transformar-se em assistência corre bem o risco de se tornar «primorosa». É mais raro, mas não impossível, haver passes primorosos e assistências magistrais. Talvez porque a assistência tenha uma doçura qualquer inerente ao género. Como se o primor tivesse uma delicadeza quase feminina e a mestria conotação de varão.
Já os cruzamentos só têm conta se também tiverem peso e medida. Mas só os que são feitos com régua e esquadro. Estranhamente, nunca houve um cruzamento que precisasse de balança ou máquina de calcular.
Chegados aqui, posso desde já confessar que vou com regularidade ao futebol e mesmo em pleno inverno tenho visto cantos de mangas arregaçadas. Nunca vi um canto todo agasalhado. (Bem, adiante…)
Também já vi remates com selo de golo. Golos que selam vitórias. E vitórias que carimbam passaportes para a fase seguinte de uma qualquer competição.
Por sua vez, todo o penálti é castigo máximo. Ninguém pede castigos mínimos dentro da área. Se é para castigar, é logo pela medida grande.
Na sequência, todo o guarda-redes que é batido sem apelo também o é sem agravo. Não há guarda-redes batidos sem agravo, mas com apelo. Nem com agravo, mas sem apelo. Só sem ambos.
Apelo e agravo são uma dupla quase tão inseparável na nossa memória como Baresi, sempre imperial, e Maldini, que perdia o adjectivo pomposo quando jogava a lateral-esquerdo e voltava a adquiri-lo quando voltava ao eixo da defesa.
Notem bem: o futebol é um lugar comum para todos nós que gostamos dele; os chavões democratizam a gíria e põem-nos a jogar no mesmo campo lexical. Não torço contra estes e até lhes sorrio quando os ouço passar.
Campeonato diferente é o dos lugares-comuns. Não vou à bola com eles, nem com os seus indefetíveis adeptos.
Sei que «o jogo tem duas partes distintas», que «são onze contra onze» e que depois de uma derrota «há que levantar a cabeça», porém, tenho uma certeza profunda de que falado ou escrito o futebol não pode ser sobretudo «isto mesmo».
Vai daí que aproveito as linhas que me restam para decretar: quem não aprecia entrevistas com frases polémicas ou flash-interviews que escapem estritamente ao tema do jogo merecerá entreter-se com todas as banalidades que irá ouvir ao longo desta época. E em todas as outras que se vão seguir."

Benfiquismo (CCXXVI)

Cruz,
Bicampeão Europeu... 8 vezes Campeão Nacional !!!

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Lixívia 5

Tabela Anti-Lixívia:
Benfica.......... 13 (-2) = 15
Corruptos...... 10 (-2) = 12
Sporting........ 12 (+3) = 9


Uma semana relativamente calma, apesar de mais uma dose industrial de hipocrisia dos Corruptos!!! Que sendo beneficiados com um penalty não assinalado, tiveram o desplante de fazer um comunicado denunciado eventuais erros, ignorando o tal penalty!!!!! Isto por parte de um Clube, profundamente corrupto... até ao tutano!!!

Nos jogos de Domingo, o grande erro foi mesmo esse em Tondela com o Filipe a derrubar o Hélder Tavares... no resto da partida o Hugo Miguel, cometeu outros erros menores... normais para apitador tão incompetente!!!! É verdade que o Tondela de Petit joga duro, mas isso acontece em todos os jogos...
O único lance que os Corruptos têm alguma razão de queixa, foi numa lei da vantagem, que devia ter sido dada... e não foi... Mas isso, é algo que acontece em todos os jogos...

Em Vila do Conde, desta vez não houve colinho e os lagartos não ganharam!!! Simples... Além disso, a 'bomba' de Madrid acusou ressaca!!!
Desta vez, a Superstar ficou no banco, até ao fim, e os Lagartos perderam... mas a culpa foi das transições defensivas dos jogadores!!!
Em relação à arbitragem, nada a assinalar de grave, alguns erros a meio-campo, para os dois lados... Recordo que este Pedro Pinheiro, também apitou o Tondela-Benfica, que vistas bem as coisas, foi a arbitragem mais imparcial do Benfica este ano!!!
Curiosa reacções do Babalu à derrota sem apelo nem agravo... ainda me recordo dos três secos em Guimarães, com o Marco Silva e da reacção do Babalu no Facebook... O Babalu sabe que o pescoço dele, está nas mãos do Judas... e portanto, pia mais fino!!!

Estava com muito receio da arbitragem de Jorge Sousa na Luz... E o jogo provou os meus receios!
No 2.º golo do Benfica, o fiscal-de-linha esteve bem, mas no resto do jogo foi uma desgraça...
Começou por não assinalar falta num empurrão sobre o Guedes, quando este 'quase' se isolava... Como o cartão respectivo seria 'alanrajado' preferiu nada marcar!!! Aliás 'fugiu' sempre aos cartões... veja-se um contra-ataque do Benfica, no início da 2.ª parte, com falta sobre o Semedo (dá bem a lei da vantagem), falta sobre o Mitroglou (dá novamente bem a lei da vantagem)... mas quando o jogo parou esqueceu-se dos cartões!!!
Agora, o grande erro, foi o penalty sobre o Pizzi! Ao ler as analises de hoje nos pasquins, ainda fiquei mais 'parvo'!!! O Duarte Gomes, diz que o Goiano não teve intenção!!! Mas desde quando a intenção, é factor, numa rasteira?!!!!
O Goiano não toca na bola, coloca a perna entre as pernas do Pizzi, e derruba-o... dentro da área. Qual é a dúvida?!!!
E além disso, o Goiano no chão ainda joga a bola com o braço, intencionalmente:



Em relação ao 2.º golo, não existe dúvidas neste caso. Não existiu um ressalto, o que houve, foi um corte mal feito... A Lei do fora-de-jogo tem algumas áreas 'cinzentas', mas neste caso não existe dúvidas... excepto para o Coroado!!!
Por acaso, eu até não concordo com a Lei do fora-de-jogo... eu acho que mesmo existindo um ressalto neste caso, nunca poderia ser fora-de-jogo, já que o Mitroglou faz um passe para trás... em direcção de outro jogador...
Uma situação que me deixa muitas vezes irritado, é quando temos um cruzamento para a área, com os avançados em fora-de-jogo; com os Centrais a cortarem a bola, para evitar que os tais avançados em fora-de-jogo, joguem a bola; mas às vezes, o corte dos Centrais é mal efectuado, e a bola vai ter com outro avançado (que nunca esteve em fora-de-jogo)...!!!
Este tipo de situações, acontecem muitas vezes, e raramente o fora-de-jogo é assinalado.
A diferença, é o destinatário do passe... e a Lei deveria fazer essa distinção!

Anexos:

Benfica
1.ª-Tondela(f), V(0-2), Pinheiro, Nada a assinalar
2.ª-Setúbal(c), E(1-1), Oliveira, Prejudicados, (1-0), (-2 pontos)
3.ª-Nacional(f), V(1-3), Soares Dias, Nada a assinalar
4.ª-Arouca(f), V(1-2), Veríssimo, Prejudicados, (0-3), Sem influência no resultado
5.ª-Braga(c), V(3-1), Sousa, Prejudicados, (4-1), Sem influência no resultado

Sporting
1.ª-Marítimo(c), V(2-0), Nuno Pereira, Nada a assinalar
2.ª-Paços de Ferreira(f), V(0-1), Hugo Miguel, Beneficiados, Impossível contabilizar
3.ª-Corruptos(c), V(2-1), Martins, Beneficiados, (0-1), (+3 pontos)
4.ª-Moreirense(c), V(3-0), Almeida, Beneficiados, (2-0), Impossível contabilizar
5.ª-Rio Ave(f), D(3-1), Pinheiro, Nada a assinalar

Corruptos
1.ª-Rio Ave(f), V(1-3), Veríssimo, Nada a assinalar
2.ª-Estoril(c), V(1-0), Luís Ferreira, Prejudicados, Sem influência no resultado
3.ª-Sporting(f), D(2-1), Martins, Prejudicados, (0-1), (-3 pontos)
4.ª-Guimarães(c), V(3-0), Sousa, Nada a assinalar
5.ª-Tondela(f), E(0-0), Hugo Miguel, Beneficiados, (1-0), (+ 1 ponto)

Jornadas anteriores:
1.ª jornada
2.ª jornada
3.ª jornada
4.ª jornada

Épocas anteriores:
2015-2016

Irrecuperável

"Mais de dezena e meia de títulos internacionais foram assinados por treinadores portugueses nos últimos 55 anos, não constante da lista Jesus

José Maria Pedroto foi o primeiro treinador português a dar ao País um título internacional: em 8 de Abril de 1961, a Selecção de Juniores sagrou-se campeã da Europa, ao derrotar a Polónia (4-0), na final do torneio, com quatro golos de Serafim. Proeza que a FPF teve o cuidado de assinalar no ano do seu cinquentenário, com uma homenagem a jogadores, técnicos, elementos do staff e ao seleccionador David Sequerra no intervalo do jogo com a Noruega (apuramento para o Euro-2012), que se realizou no Estádio da Luz.
Três anos mais tarde, em 1964, Anselmo Fernandes conquistou outro título europeu, quando o Sporting venceu a Taça dos Vencedores das Taças na finalíssima de Antuérpia, frente ao MTK de Budapeste, por 1-0, através do um canto directo apontado por Morais que deu origem a uma música que depressa de celebrizou como O Cantinho de Morais. Além deste relevante feito, nessa mesma época, o Sporting humilhou o Manchester United, ao derrotá-lo, em Alvalade, por 5-0, e virando a eliminatória (o leão perdera em Old Trafford por 1-4)!
Em 1987, pela mão de Artur Jorge, o FC Porto ganhou a Taça dos Campeões Europeus na final de Viena (2-1 ao Bayern Munique).
Em 1989 e 1991, Carlos Queiroz estabeleceu um novo paradigma para o futebol luso, ao conseguir dois títulos mundiais no escalão de sub-20, na altura inimagináveis para o nosso ainda muito curto horizonte. Foi a partir deles que se desenhou a fronteira do futuro, podendo dizer-se que nada voltou a ser como antes, expressão justificada pela mudança profunda observada ao nível dos desempenhos da nossa Selecção principal, a qual desde 2000 não mais deixou de estar presente nas fases finais de Europeus e Mundiais.
Já este século, José Mourinho, treinador do FC Porto, surpreendeu ao conquistar a Taça UEFA (Sevilha, 20003) e a Liga dos Campeões (Gelsenkirchen, 2004). À parte a quantidade de outros troféus amealhados nos países por onda passa, Mourinho voltou a destacar-se internacionalmente ao vencer a sua segunda Liga dos Campeões Europeus, em 2010, então pelo Inter de Milão (2-1 ao Bayern, em Madrid).
André Vilas Boas, deu ao FC porto, em 2011, a vitória na Liga Europa (1-0, ao SC Braga), em Dublin, em final cem por cento portuguesa.
Noutro continente, Manuel José conquistou quatro Ligas dos Campeões Africanos (2001, 2005, 2006 e 2008) e duas Supertaças de África (2001 e 2006), sendo o treinador português com mais títulos internacionais no currículo.
Já neste ano de 2016, sob o comando técnico de Fernando Santos, Portugal chegou ao topo da hierarquia, ao ver a sua Selecção erguer em Paris o troféu correspondente ao título de campeão da Europa de nações.

Mais de dezena e meia de títulos internacionais foram assinados por treinadores portugueses nos últimos 55 anos, não constando dessa sublime lista o nome de Jorge Jesus, nem deverá constar algum dia, creio eu, ao contrário de outros mestres do mesmo ofício, mais jovens, mais cultos e mais bem preparados, os quais, espalhados um pouco por todos os continentes, vão granjeando respeito, essencialmente pela competência.
São em maior número do que se supõe, porque em Portugal as perspectivas de construir carreira enxergam-se mal. É preciso fazer pela vida em outros países, na Europa ou fora dela: Leonardo Jardim, Carlos Carvalhal, Paulo Fonseca, Paulo Sousa e Paulo Bento, só para citar os que preenchem a cabeça do pelotão.

Na arte de ganhar (muito) dinheiro, porém, Jesus tem-se revelado imbatível. É hábil a vender o produto e, nos últimos anos, em função da conjuntura favorável, o seu agente secreto ajudou-o a recolher importantes dividendos ao criar-lhe condições para se insinuar na má relação de vizinhança entre águias e leões. Se o que recebia antes era escandaloso, passou a ser ofensivo. Mas, lá está, se ganha o que ganha é porque arranja alguém que lhe paga...
No Benfica, durante os seis anos que lá esteve fez o que qualquer outro teria feito com as mesmas condições de trabalho e a mesma disponibilidade para satisfazer-lhe todas as vontades na aquisição de jogadores. Jesus ganhou três campeonatos que saíram caro aos encarnados.
Ao contratá-lo, o Sporting pensou ter adquirido um diamante ainda por lapidar e do qual poderia extrair riqueza e poder. Até agora tem sido só promessas e... pacotes de reforços a entrar rumo ao objectivo supremo, que é o título nacional. O limite, porque Jorge Jesus é um bom treinador... para consumo interno, como já se deve ter percebido.
Jesus só destaca os seus méritos, ocultando as suas limitações. Quais pesam mais, não sei. Até chegar à Luz, com 20 anos de carreira, títulos nem um, era igual a zero. Melhor, a zero vírgula qualquer coisa, pois tinha apurado para a UEFA através da Intertoto quando treinava o Braga.
O Benfica deu-lhe notoriedade, gerou um monstro e não conseguiu dominá-lo, porque, tendo gás, é incontrolável, no que diz e no que faz. Pior, como assumiu por estes dias, é irrecuperável: não muda. Ele está certo, o mundo é que está errado..."

Fernando Guerra, in A Bola

Gil Dias para o futuro, e um Benfica líder no seu momento mais difícil

"Gil Dias. A história da quinta jornada da Liga escreveu-se com um miúdo de 19 anos como grande protagonista. O outro foi Mitroglou, que regressou à competição com um bis que muito ajudou à liderança isolada do Benfica, mas a verdade é que o internacional grego está mais habituado às parangonas.
Um muito bom Rio Ave impressionou não só a forma como aproveitou os erros de transição defensiva do Sporting, colocando-se em posição muito confortável no marcador, mas também como até ao golo de Bas Dost manteve um perfeito controlo do encontro, mérito óbvio de Nuno Capucho. A proposta de jogo do Rio Ave continua a ser das mais interessantes do campeonato.
O jovem avançado português do emblema vila-condense começou por fazer a cabeça em água a Bruno César, novamente lateral depois de boas exibições por terrenos mais centrais, sobretudo perante adversários de exigência máxima, como FC Porto e Real Madrid. Alto, forte fisicamente, mas ao mesmo tempo com excelente técnica e capacidade de drible em progressão, sustentada por um bom pé esquerdo, Gil Dias destroçou depois a defesa do Sporting com a sua inteligência, a partir da criação de desequilíbrios para os companheiros aproveitarem e da sua movimentação, que lhe valeu também um golo, o terceiro.
Emprestado pelo Monaco, iniciou a temporada em grande estilo e merece um olhar muito atento nos próximos meses.
É o exemplo dos bons jogadores que Portugal continua a fazer sair do forno, mesmo que o caminho não seja muitas vezes uma linha reta e, por vezes, haja que trilhar caminhos alternativos. Gil Dias não vingou no Sporting, mas cresceu na Sanjoanense e no Sp. Braga, onde se sagrou campeão nacional de juniores, antes de seguir para França. Que continue a crescer!

O Benfica é líder isolado. À quinta jornada, não vale muito e não permite grandes conclusões. Para Rui Vitória a boa notícia é que o primeiro lugar chegou com meia-equipa na enfermaria: Jardel, Jonas, Raúl Giménez, Rafa e Samaris são apenas os exemplos mais recentes do trabalho anormal que o departamento médico tem tido.
A equipa tem muito por onde crescer, se olharmos para a influência que esses jogadores apresentam, e terá obrigatoriamente de o fazer.
Os encarnados demonstram dificuldades no controlo dos jogos, com bola ou sem ela, sendo que nesta última situação sempre se sentiram antes um pouco mais à vontade. Os encontros são mais partidos, mais divididos, e mesmo assim o Benfica tem somado todos os pontos, excepção feito ao empate caseiro com o Vitória Setúbal. Se é o melhor ataque, também sofreu golos desde o triunfo em Tondela na primeira jornada. Ou seja, sofre sempre há cinco jogos, incluindo o Besiktas, e quatro foram de bola (só o do Arouca nasceu de jogada corrida).
Fejsa e Grimaldo têm sido dos jogadores em maior destaque no conjunto de Rui Vitória, sustentado ainda por defesas importantes de Júlio César e intercaladas também com bons momentos de Pizzi, André Horta, Salvio, Gonçalo Guedes e, agora, Mitroglou. Longe ainda do seu melhor, algo resultadista a espaços até, nem que seja pelo esforço despendido em várias frentes, o campeão chega ao primeiro posto.

O sexto lugar de Desportivo de Chaves e Feirense com nove pontos poderá ser boa sustentação para o projecto de manutenção dos recém-promovidos. Com filosofias diferentes, já que o primeiro emblema assentou mais na mudança enquanto o segundo apostou numa perspetiva de continuidade, têm mostrado argumentos para chegar ao fim em festa. Mais equilibrado parece, para já, o conjunto orientado por Jorge Simão, que ainda não perdeu, com duas vitórias e três empates, antes de agora receber o líder Benfica, enquanto o clube da Feira tem três triunfos e dois desaires, um em casa perante o Moreirense do seu ex-treinador.

Lá por fora, num fim de semana sem Cristiano Ronaldo, voltaram a brilhar Messi e Griezmann. O Manchester City de Guardiola e o surpreendente Everton mantêm o excelente arranque em Inglaterra – que assistiu à primeira manifestação da grande qualidade de Islan Slimani –, tal como o Monaco de Leonardo Jardim por terras francesas. João Mário contribuiu ainda para a vitória do Inter frente à poderosa Juventus, entregando a liderança ao Nápoles do empolgante Milik. Na Alemanha, o Borussia Dortmund entusiasma, mas a liderança é repartida por Bayern e Hertha."

O «Ruivo» - três dias depois do Natal

"Jogou sete anos nos grandes rivais do Benfica, mas nunca escondeu a preferência pela cor vermelha. Duas vezes campeão nacional na Luz, era um jogador de ir-a-todas-a-dar-e-levar e fez imagem desse seu futebol guerreiro e combativo.

No dia 28 de Dezembro de 1975, o Benfica recebeu o Sporting para a 14.ª jornada do Campeonato Nacional. Nessa altura não havia cá «suspenses» à filme policial. O Benfica ganhava campeonatos atrás de campeonatos, haveria ganhar esse e também o do ano seguinte, os dois que nos interessam para este caso particular que envolve uma figura bem conhecida e um bom amigo, Romeu Fernando Fernandes Silva, o Romeu, que acabou por ser mais visto com a camisola do FC Porto e do Sporting do que com a de águia ao peito. Pouco importa. Romeu esteve duas épocas no Benfica, não jogou muito, é verdade, mas foi duas vezes campeão, primeiro com Mário Wilson, que o treinara em Guimarães, em seguida com John Mortimore, um caso raro de técnico prático e funcional.
Voltemos a Dezembro de 1975, três dias após o Natal, sim, que nesse tempo não se usava a desculpa das festividades para parar o futebol durante semanas a fio, como se faz hoje em dia num critério que ainda está para ser entendido por entes menos espertos.
O Boavista comandava o Campeonato com assinalável surpresa, treinador por José Maria Pedroto, que como se sabe dedicava um ódio muito intenso a Mário Wilson, chegando mesmo ao exagero de insultos racistas ao «Velho Capitão» quando este dirigia a Selecção Nacional. Romeu não tardaria a trabalhar com Pedroto no FC Porto, mas nessa tarde de Inverno estava na Luz vestido de encarnado.

Estreia sem golos mas contra o Sporting
Não se pode dizer que o jogo tenha sido entusiasmante - Da Costa falhou um «penalty» a favor do Sporting à meia-hora, mas foi certamente excitante para o jovem Romeu, nascido em Vila Praia de Âncora, no dia 4 de Março de 1954, tendo depois emigrado para Moçambique com a família, de onde só regressou em 1972. Aos 69 minutos, Mário Wilson lançou-o no jogo; substituindo Vítor Martins, o popular «Garoupa», juntando-o no meio-campo a Toni e Shéu, gente do maior máximo respeito. À frente deles jogaram Moinhos, Jordão e Nené.
Nessa época o Benfica marcou 94 golos no Nacional, mas nenhum ao Sporting na Luz. Por outro lado, em Alvalade marcou três,na segunda volta - dois de Nené e um de Jordão. Só que Romeu não assinou o ponto na equipa.
O «Ruivo» era um homem de raça, de antes quebrar que torcer, capaz de ir-a-todas-a-dar-e-levar como costumava dizer o Carlos Pinhão, mas demasiado novo para um Benfica cheio de craques, embora já sem Eusébio.
Na segunda época de encarnado vestido jogou um pouco mais, mas não o suficiente para se manter no plantel dos bicampeões nacionais (que ele também foi), regressando a Guimarães e ao Vitória, antes de quatro anos no FC Porto e mais três no Sporting, terminando a carreira no Salgueiros e no Amora.
Internacional por 11 vezes, Romeu é uma das figuras queridas do futebol português, estimado em todos os clubes pelos quais passou, arrastando consigo uma imagem de combatente e profissional de mão-cheia. Ainda passou pela prospecção do Benfica e foi várias vezes visto a comentar na Benfica TV, ele que nunca escondeu o seu benfiquismo a despeito de sete anos passados com as camisolas dos grandes rivais.
Volta e meia sentimos necessidade de relembrar alguém, de falar de um companheiro de muitos anos de futebol, cada qual no seu posto. É o que acontece comigo, nestas páginas que dedico à vossa infinita paciência. É como um abraço... Fica dado, que o Romeu merece."

Afonso de Melo, in O Benfica

Futebol artístico na Campanha Pró-Estádio

"Artistas do cinema e da rádio deram espectáculo num desafio de futebol no Campo Grande.

Ao longo de 1953, foram muitas as campanhas de angariação de fundos para a construção do Estádio do Sport Lisboa e Benfica. Entre as várias iniciativas, realizou-se, a 21 de Março de 1953, um jogo de futebol entre artistas do cinema e da rádio.
O Campo Grande estava repleto, que até parecia 'que se ia jogar ali alguma partida de Campeonato'. Sob uma enorme ovação, as duas equipas entraram em campo equipadas 'à Benfica', uma com o equipamento principal e a outra com o alternativo branco. De um lado, a equipa do cinema, que tinha como capitão o antigo jogador benfiquista o actor Eugénio Salvador; do outro, a equipa da rádio, que era liderada pelo tenor Luís Piçarra, que viria, nesse mesmo ano, a imortalizar a canção 'Ser Benfiquista'.
O pontapé de saída foi dado pela belissima atriz Helga Liné e fê-lo com tanta energia, que o sapato saltou e foi parar mais longe do que a bola! Um momento bastante animado, que fazia prever um desafio igualmente divertido.
A assistência tinha agora a oportunidade de ver ao vivo grandes nomes do espectáculo a mostrar os seus dotes futebolísticos. E foi uma bela partida... e bem 'pregada, a quem não esperava que os seus ídolos fossem ignorantes da arte de bem chutar!'. O encontro decorreu animado, com 'Humberto Madeira (que), apesar do peso da barriga, se apoderava do esférico e «galgava ligeiro» um metro de terreno driblando a própria sombra', enquanto o 'Tony de Matos punha admiradoras de olhos em alvo, seduzidos pela elegância com que pontapeava'.
A equipa dos artistas de cinema venceu por 3-1, com dois golos de António Gonçalves e um de José Teixeira, que 'decidiram levar a coisa a sério em frente da baliza... e vá de atirar a bola de maneira que o Almeida Mendes foi «falar ao micro» lá para o fundo da baliza'. Os artistas da rádio só não ficaram a zeros porque 'Tony de Matos se enganou a certa altura e deu um chuto que valeu um golo'. Ainda tiveram oportunidade de reduzir a diferença no marcador através de uma grande penalidade sobre Luís Piçarra, que sofreu uma rasteira, mas o guarda-redes Tomás Macedo 'não foi em cantigas' e defendeu.
As artistas femininas não quiseram ficar de fora e também contribuíram para o êxito do evento, vendendo selos, vinhetas e postais durante o desafio. Foi mais uma iniciativa de sucesso a favor do Estádio da Luz, que pode ser recordado na área 17. Chão sagrado do Museu Benfica - Cosme Damião."

Ana Filipa Simões, in O Benfica

Benfiquismo (CCXXV)

Marias... do Volei !!!

Vermelhão: Líderes...

Benfica 3 - 1 Braga


Não foi uma exibição perfeita, o resultado até foi lisonjeiro, o 3-0 era exagerado, mas a vitória foi justa. O Braga teve oportunidades, o Júlio foi decisivo, mas o Benfica foi quem criou mais perigo, durante os 90 minutos...
Cometemos alguns erros infantis, principalmente na 1.ª parte: Lisandro e Fejsa... passes errados em zonas proibidas e idas à queima parvas, foras de tempo... mas felizmente, o bola não entrou na baliza do Imperador!!!
O regresso do Mitroglou foi decisivo... mas mesmo assim ainda falta o Jonas, o Jiménez, o Rafa, o Danilo, o Samaris e o Jardel!!!! Aliás, quando as bancadas começaram a desesperar pelas substituições, foi notório que as opções que estavam no banco, eram 'curtas'!!!!
Com os meus parceiros de bancada, antecipei que o único jogador que podia acrescentar alguma coisa ao jogo do Benfica era o Carrillo... e acertei!!! Não só por aquilo que o Carrillo trouxe ao jogo, mas também por ter permitido o regresso à sua posição do Pizzi... que cresceu enormidades na Direita!!! Aqueles primeiros momentos da 2.ª parte foram complicados, porque o 1-0 era curto, e o Benfica não estava a conseguir ter a bola... e atacar, com a entrada do Carrillo tudo mudou...
O jogo com mais trabalho do Júlio César, e esteve sempre bem... inclusive nas saídas... algo que não vinha a fazer! Não sei o que se passa com os pontapés de baliza do Imperador, parece que não quer chutar com força, para evitar uma lesão muscular...!!! Mas a bola tem que chegar mais longe...!!!
O Lisandro teve uma 1.ª parte desastrosa, a defender, com várias entradas à queima, suícidas... e depois na 1.ª fase de construção com vários passes errados... melhorou muito na 2.ª parte.
O Lindelof continua a cumprir na Esquerda, mas nota-se que não está à vontade...
O Semedo ofensivo da última época, está de volta... defensivamente, ainda vai cometendo alguns erros, principalmente nas disputas corpo a corpo... precisa de algumas lições de matreirice!!!
O Grimaldo é neste momento o melhor defesa esquerdo em Portugal, e muito sinceramente não me recordo do Benfica ter nas últimas décadas, um jogador tão bom, naquela posição (para mim, já é melhor do que alguma vez foi o Coentrão no Benfica)!!! Hoje, por exemplo, esteve sempre bem a defender..  e se cometeu alguns erros, foi na parte final, no processo ofensivo, já com a fadiga a atrapalhar a decisão!
Fejsa, voltou a varrer todo aquele meio-campo... praticamente sozinho na pressão e recuperação de bola! Nos últimos jogos tem arriscado alguns passes longos de belo efeito, com bastante sucesso... Hoje, cometeu dois erros de passe... mas a ele, perdoou-lhe!!!
O Horta ofensivamente continua a dar boas indicações, ou variando o flanco, ou entrando nos 'bicos' da área com a bola controlada... mas defensivamente continua a dar pouco à equipa... E hoje, o adversário jogou somente com dois médios-centro (ao contrário do habitual trio), mas mesmo assim tivemos muitos problemas...
O Salvio fez um dos piores jogos da época, muita luta, mas pouco discernimento... Sendo que o Toto contra adversários muito pressionantes, tem sempre muitas dificuldades, porque não tem a capacidade de fazer passes médios ou longos... decide quase sempre pelo jogada individual, e acaba por perder muitas bolas.
O Pizzi fez um dos melhores jogos da época: hoje, razoável na Esquerda, mas quando passou para a Direita 'explodiu'!!!
O Guedes voltou a não marcar, voltou a correr muito, voltou a decidir mal em várias ocasiões! Arrisco, afirmando que o Guedes nunca será o menino bonito do 3.º anel...!
O Mitrglou regressou e marcou... simples!
Excelente entrada do Carrillo... deu capacidade de posse de bola à equipa, mudou de flanco, fintou... é verdade que tem pouca intensidade defensiva, mas neste momento acredito que o Rui Vitória está a pensar na dupla Pizzi/Carrillo para Chaves!!!
O puto Zé estreou-se na Catedral e esteve quase a marcar... a Luz vinha 'abaixo'!!!
O outro regressado da noite foi o André Almeida, mesmo 'mascarado' regressou... desta vez para o meio-campo... e arrisco: para Nápoles, o André poderá ser opção para a Lateral Direita!!!
O golo do Braga marcado no final, com o Benfica em descompressão, não é novidade... o ano passado, aconteceu várias vezes (Benfica-Arouca por exemplo...), pontualmente não tem influência, mas é sempre um bom princípio manter a concentração até ao fim...

O 2.º golo do Benfica, vai dar polémica. Não vi programas televisivos esta noite, mas se os próprios adeptos do Benfica na Luz, estavam com dúvidas!!!!
Não existe qualquer irregularidade, não existe fora-de-jogo. Existe um corte defeituoso feito pelo jogador do Braga, que colocou a bola no Pizzi, ponto final!
Se o Mitrolgou tivesse tentado um passe para o Pizzi, a história seria diferente, mas assim, é clarinho.. Golo limpo!
Já agora, inacreditável penalty não assinalado sobre o Pizzi...

Quem diria, depois de tantas lesões, exibições cinzentas, pessimismos (eu, por exemplo...), o Benfica é líder à 5.ª jornada!!! Como afirmou o nosso treinador, ninguém é Campeão à 5.ª jornada, e ninguém perde o Campeonato à 5.ª jornada...
Vamos ter Champions, Selecções e Taça de Portugal nas próximas semanas, tudo com algumas jornadas pelo meio... Independentemente do nome dos adversários, temos que levar todos os jogos a sério... e com o regresso de alguns dos lesionados (espero ter o Jonas em Chaves...), até podemos aspirar a ter jogos 'sossegados'!!!!

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Jorge Jesus e a apologia do 'EU'

"Para quem se dirigiu o discurso de autoelogio de Jesus? Para os seus antigos patrões? Para os actuais? E os jogadores, o que terão comentado?

O que terá levado Jorge Jesus a autoelogiar-se na conferência de imprensa do último sábado? De repente, como se os seus méritos não fossem suficientemente reconhecidos, o treinador do Sporting tratou de desvalorizar todos os que têm trabalhado com ele - staff, jogadores, dirigentes - assumindo-se como o Rei-Sol que ilumina o futebol português e a causa do sucesso das equipas por onde passa (está, pela oitava vez consecutiva,a lutar pelo título, que conquistou em três ocasiões). Para quem, imediatamente após a tremenda exibição de Madrid, estaria a falar o técnico leonino? Para os seus anteriores patrões? Para os actuais? De facto, aquele discurso, de que não desdenharia Mohammed Ali (esse sim o Maior) caiu do céu aos trambolhões, tanto mais que Jesus acabava de receber um quinhão apreciável de elogios, na sequência do jogo do Bernabéu. Estava ainda o mundo do futebol a dirigir as palavras de Jorge Jesus quando, em Vila do Conde, os planetas se alinharam, criando uma justiça cósmica contra o egocentrismo, que acabou com a estrondosa derrota do Sporting por 3-1.
É evidente que os leões não perderam por causa do exercício narcisista de Jesus na véspera. Saíram derrotados do estádio dos Arcos porque pagaram a factura do que fizeram em Madrid. Um jogo como aquele, com uma derrota fora de horas a servir de balde de água gelada, deixa sempre marcas não só físicas mas sobretudo psicológicas. Por isso, foi um Sporting desconcentrado aquele que se apresentou em Vila do Conde, com o azar adicional, para os leões, da equipa de Nuno Capucho ter arrancado uma exibição valorosa. Mas as palavras do treinador - que dificilmente fará um acto de contrição, não lhe está nos genes o exercício de humildade - não podem ter caído bem nem junto dos adeptos, nem dos jogadores e dirigentes.
Jorge Jesus é um excelente treinador de futebol, um homem que estuda o jogo há muitos anos e que, finalmente, numa fase adiantada da carreira, teve oportunidade de mostrar o que valia. Mas parece que de vez em quanto precisa de ser chamado à realidade, umas vezes em forma de Kelvin, outras como ontem se viu.
Jesus, quando anda com os pés bem assentes no chão e se preocupa apenas com o seu mister, é um mister de enorme valia.

ÁS
Gil Dias
É deveras impressionante a capacidade do futebol  português nos surpreender com boas novidades. Ainda ontem, em Vila do Conde, sobressaiu um jovem de 19 anos, Gil Dias, natural da Gafanha da Nazaré, que mostrou talento para voos mais altos, dando razão à prospecção do Mónaco, que o contratou e o mantém a rodar.

REI
Petit
O Tondela precisava de pontos como se pão para a boca e tratou de fazer pela vida, empatando o FC Porto. A equipa de Petit, que à imagem do seu treinador mostra a raça que fez dele o melhor pitbull do futebol português, ainda mantém a lanterna vermelha e tem muito para penar até ao fim da Liga. Mas agora acredita mais...

DUQUE
José Mourinho
Para qualquer treinador, perder três jogos seguidos é um péssimo cartão de visita. Se esse técnico é um dos melhores do mundo e se o clube em causa é o Manchester United, a situação piora exponencialmente. Para tomar o panorama ainda mais sombrio, há que dizer que os jogadores de Mourinho parecem descrentes...

Dragão de Nuno não consegue cuspir fogo
«Vínhamos com a intenção de conquistar os três pontos e não podíamos sair daqui com este empate»
Nuno Espírito Santo, treinador do FC Porto
Depois de uma exibição agradável com o V. Guimarães, dois maus resultados lançam um manto de dúvidas sobre o FC Porto de Nuno Espírito Santo. Parece claro que o técnico ainda não deu com a tecla certa e a sua equipa voga ainda num mar de incertezas tácticas, limitada por um plantel manifestamente mal construído. Obviamente nada está perdido, mas é preciso mostrar mais...

E agora, qual será o futuro de Talisca?
Nem foi pelo golo que marcou, nem pelo forma como o celebrou. Foi pelo que disse e como o disse que Talisca tornou impossível o regresso ao Benfica (pelo menos para entrar nas contas do treinador), com quem mantém vínculo contratual. Uma situação mal avaliada por Talisca, que não retirará quaisquer benefícios...

Grande jogo
Benfica e SC Braga defrontam-se esta noite com a liderança do campeonato no ponto de mira. O que vencer passa a ser a candeia que alumia duas vezes, se empatarem, serão os leões a manter o primeiro lugar. Há meia dúzia de meses, José Peseiro, então técnico do FC Porto, venceu Rui Vitória na Luz (e quem diria nessa noite que o Benfica acabaria por sagrar-se campeão...) acentuando a característica de bête noire do técnico encarnado. Hoje, apesar da lesões que não lhe largam a porta, Vitória procura a primeira vitória oficial em casa na presente temporada. Um teste difícil, ou não fosse, nos dias que correm, de forma incontestada no plano desportivo, o SC Braga o quarto grande de Portugal."

José Manuel Delgado, in A Bola

Benfiquismo (CCXXIV)

Em 2015 foi assim...
... e hoje...

domingo, 18 de setembro de 2016

O ano do Trap !!!

Tradição e motivação

"O Benfica tem de dar tudo, mesmo tudo, até ao último minuto, para ultrapassar o bem organizado SC Braga de José Peseiro.

(...)
2. Ainda sou do tempo em que todos os jogos de cada jornada do campeonato se disputavam às três da tarde. E lá para as sete da tarde o Diário Popular e, salvo erro, mais tarde A Capital e o Norte Desportivo tinham edições especiais com a reportagem dos jogos realizados, equipas e golos. Agora somos do tempo em que temos todos os jogos do campeonato - agora Liga! - a horas distintas de forma a que a televisão com os direitos em exclusivo - ou as televisões - possam atrair mais assinantes e, logo, mais receitas. E no nosso caso criando canais, sem ser canais pagos, que provocam a atracção e tentam sugerir a motivação de novos assinantes. Ditos mais assinantes.
Nesta quarta jornada da liga espanhola cada um dos seus dez jogos realiza-se em horário diferente. E neste domingo não haverá nenhuma siesta para amante espanhol de futebol. O Valência joga às três, o Villarreal às cinco e o Real Madrid às oito menos um quarto! Não querendo ficar atrás, a nossa Liga copia a liga espanhola e na sua próxima jornada - a sexta - tem todos os seus nove jogos em diferentes horários. Em razão também da segunda jornada das Ligas dos Campeões, Porto e Sporting jogam na sexta-feira. Um às sete da noite - o Porto - e o outro às nove. No sábado há três jogos e um deles é a visita - milionária em razão do preço de alguns bilhetes - do Benfica a Chaves. Que é um regresso que vivamente se saúda. E a jornada só acaba na segunda-feira, vinte e seis, com o confronto, no Restelo, entre o Belenenses e o Arouca. E com Lito Vidigal a regressar a um estádio onde também foi feliz. Como está a ser neste Arouca que bem precisa de um alento de pontos!

3. Mas esta quinta jornada motiva um domingo quente e uma segunda-feira motivante. E com a nota que os primeiros quatro classificados da nossa Liga têm o mesmo número de golos marcados: oito. O Sporting apenas sofreu um, o Braga dois e o Benfica e Porto ambos três. Hoje o Futebol Clube do Porto visita Tondela e o Sporting vai invadir Vila do Conde. Ambos os clubes, saídos com motivações bem diferentes da primeira jornada da Liga dos Campeões, sabem que não podem perder pontos. A ambição deste Sporting assim determina e a necessidade deste Porto assim o exige. O Sporting quer manter o pleno dos pontos. O Benfica, face ao número de lesionados, tem de fazer tudo, mesmo tudo, até ao último minuto do jogo, para ultrapassar o bem organizado Sporting de Braga de José Peseiro. Com a consciência de que há lesionados a recuperar e de que o seu regresso é bem fundamental para os três ciclos que se aproximam. O primeiro que culmina a vinte e oito deste mês com a visita a Nápoles. O segundo, na segunda quinzena de Outubro, e que termina com os confrontos na primeira semana de Novembro com o Dínamo de Kiev e com o Futebol Clube do Porto. Aqui, no Dragão. E o terceiro, no arranque de Dezembro, e que impõe a visita à Luz do Nápoles e do Sporting. E, espero, no final destes ciclos que o conjunto da família benfiquista esteja bem sorridente.
(...)"

Fernando Seara, in A Bola

Benfiquismo (CCXXIII)

Sempre presentes...

Consistência

Freamunde 0 - 0 Benfica


A nota principal é a consistência das últimas jornadas. Jogando melhor ou pior, a equipa já não se 'perde' em campo, como acontecia...
Muita dessa consistência, deve-se ao facto da equipa ser cada vez mais da 'casa'!!! Do onze de hoje, praticamente todos os jogadores são da casa... praticamente todos, jogaram juntos nos Juniores, nos Juvenis e alguns nos Iniciados... e isso dá consistência!!!
Para mim, só falta mais algum esclarecimento nos últimos 30 metros...

Nota especial para a estreia do João Félix, com 16 anos... o mais novo de sempre na equipa B. Neste momento o Félix é o meu jogador 'coqueluche' da Formação, desde que o vi dar uns toques o ano passado, 'converti-me'!!! Tem um potencial enorme...

sábado, 17 de setembro de 2016

Realidade

Corruptos 26 - 18 Benfica
(12-9)

O derrota acaba por ser esperada, os números demasiado exagerados, mas a nossa falta de eficácia ofensiva, explica quase tudo!
Sofrer 26 golos, está dentro da normalidade, mas hoje foi notória a nossa falta de poder de fogo...

É de conhecimento geral, que existe uma diferença enorme entre os investimentos dos Clubes neste campeonato. Corruptos e Sporting, sem play-off's, com estes plantéis têm obrigação de só perder pontos, entre eles...!!! Independentemente do pior ou melhor dia, o Benfica em condições normais, com o actual investimento, poderá lutar pelo 3.º lugar... e tentar um 'bom dia' nas Taças!!!!


PS: Não foi um dia agradável para as modalidades:
- No Futsal, numa competição oficial, organizada pela AFL, perdemos na Meia-final com os Leões de Porto Salvo por 3-2, depois de estarmos a vencer por 0-2 !!! Jogámos sem o Bebé, o Coelho, o Cecílio, o Ré, o Ângelo, o Patias, o Jefferson, o Fernando e o Hemni... mas mesmo assim, o Joel tem toda a razão para ter ficado chateado!!!!
- No Hóquei, num torneio de pré-época, perdemos com os Lagartos. Esta pré-época, está a ser má...!!! Aliás no Hóquei isso tem sido habitual. O problema é que esta época, os nossos adversários estão mais fortes, e o Benfica está efectivamente mais fraco com a saída do Torra...
O Benfica jogou quase sempre mal, mas mesmo assim, conseguimos recuperar, e disputar o resultado... mas aquele absurdo 2.º azul ao Miguel Rocha acabou com o jogo...

A voz de comando

"Esta semana voltaram à agenda as competições europeias, que bom. Não foi uma jornada particularmente brilhante para as equipas portuguesas visto que nenhuma delas conseguiu vencer o seu jogo, que pena. Vi-os todos.
Depois do Benfica-Besiktas, o que mais me interessou foi o jogo do Sporting de Braga com os belgas do Gent, porque o Braga é o próximo adversário do Benfica naquilo que verdadeiramente interessa a toda a gente. É depois de amanhã que o Braga vem à Luz. Ou seja, ainda temos três dias para se lesionarem mais jogadores do Benfica até à hora do pontapé de saída. Como se tem lesionado um jogador por dia, é bom mentalizarmo-nos para mais três baixas e, de preferência, sem fazer disso drama. As lesões dos jogadores do Benfica podem ter-lhes custado 2 pontos no jogo com o Vitória de Setúbal e outros 2 pontos no jogo com os turcos para a Liga dos Campeões, mas têm servido para pôr à prova um manancial de jovens soluções que não deixaram ficar mal nem o emblema nem o treinador. Aliás, os treinadores. Foi o adjunto de Rui Vitória que esteve na terça-feira a dirigir a equipa, visto que Rui Vitória se viu expulso nos minutos finais do encontro com o Bayern Munique da época passada. E sabe-se lá o que teria acontecido se Vitória tivesse ficado no banco até ao fim do jogo com os alemães...
Foi coisa que não aconteceu a Jorge Jesus em Madrid, ficar no banco até ao fim do 'partido'. Fez-se expulsar, como tantas vezes lhe acontece, e não se penitenciando pelos cartão vermelho que, segundo ele, tanto prejudicou o Sporting, acabou por penitenciar o seu adjunto a quem não reconheceu competência para estes altos transes competitivos. Respeitando a opinião do treinador do Sporting, ainda estará fresca na memória de todos aquela recuperação que o Benfica encetou na temporada de 2013/14 quando se viu com 5 pontos de atraso em relação ao Porto e viu o seu treinador, Jorge Jesus, suspenso por 30 dias por comportamento incorrecto num Vitória de Guimarães - Benfica. A verdade é que Raul José, o mesmo adjunto, foi para o banco e quando, um mês depois, o treinador do Benfica voltou a poder exercer as suas funções, a diferença para o FC Porto já tinha sido substancialmente reduzida. O que, por ironia ou convicção, levou muita gente da facção anti-Jesus na Luz a concluir que, se calhar, melhor seria prolongar-lhe o castigo e deixar as coisas tal como estavam no que respeita à voz de comando. Mexer é estragar, ainda que nem sempre."

Minas em casa

"Mais do que os rivais, para já é o Benfica que vai pondo em perigo o inédito tetra

O número invulgar de lesões no Benfica numa fase tão precoce da temporada dá que pensar e exige apuramento de responsabilidades por parte de quem manda no clube e lidera a gestão do futebol profissional.
Num quadro de normalidade no plantel, arrisco mesmo que, na terça-feira, com golo ou sem golo marcado, o regresso de Talisca à Luz teria produzido razões só para metade do falatório a que vimos assistindo. Porque é abissal a diferença entre descarregar na equipa Jonas, Mitroglou e Jiménez - que na temporada anterior, em conjunto, valeram "apenas" 73 golos - e não poder lançar nenhum dos arrombadores de balizas.
Neste "detalhe" que é o ataque, concedamos, será injusto apontar o dedo ao controlo preventivo do Benfica LAB ou à actuação do departamento médico, porque o trio de avançados foi parado por fatalidades comuns. Já a repetida ausência de Jonas, e a "misteriosa" infecção no seu pé direito, poderá levar a que se pense mais em aselhice, seja de quem for, do que propriamente em azar.
Indiscutível e inquestionável é o desarmamento objectivo do tricampeão - se a perda de pontos no início da Champions, num grupo que a teoria descreve como acessível, tem valor relativo, o mesmo não se aplicará no que à campanha na I Liga diz respeito. E o presidente dos encarnados, Luís Filipe Vieira, foi explícito: todas as forças têm de ser orientadas para um inédito tetra. Fasquia bem alta, para que ninguém duvidasse.
Mas pelos vistos, e para já, a maior ameaça às probabilidades de sucesso parece estar dentro de casa e não tanto (ou apenas) na capacidade dos crónicos rivais."

Desculpa Salvio, deixei-te ficar mal

"Tenho uma relação de amor/ódio com o desporto. Eu amo-o, ele odeia-me. Por mais que adore futebol, nunca tive jeito para dar mais do que dois toques seguidos. Três em dias bons. Estar fora de forma (bom, é uma forma de colocar as coisas) também não ajuda. Ainda assim, foi com orgulho que representei A BOLA a convite de uma marca desportiva, ontem, no Seixal.
Tivemos oportunidade de experimentar o já famoso simulador 360s. Fiquei na equipa treinada por Salvio. Grimaldo orientava a outra equipa. O objectivo era simples. Um exercício de recepção e passe. Durava 30 segundos, cada jogador tinha cinco bolas. O simulador disparava a bola a 40Km/h, tínhamos de receber e passar a um colega projectado no simulador. Se não tivéssemos linha de passe, podíamos jogar direto, isto é, acertar num ângulo superior. Visto de fora parece mais fácil. Disseram-me que o segredo era a recepção. Acreditem, ninguém recebeu melhor a bola do que eu. O pior foi o resto. Não acertei qualquer passe, nem bolas ao ângulo. A máquina também não ajudou. Disparou duas bolas seguidas. A minha pontuação foi de 0.0. Não fui o único. A minha equipa perdeu e desiludimos Salvio.
Mas nenhuma camarada de A BOLA faria melhor que eu. Acreditem."

Rui Miguel Melo, in A Bola

Estará o desporto mundial contaminado?

"As informações roubadas à agência antidopagem por 'hackers' russos levantam uma discussão mundial sobre o 'doping' nos atletas de elite.

Quando surgiram as primeiras acusações de uso regular de doping no desporto russo e da respectiva conivência do sistema de controlo antidopagem do país, logo se entendeu que o problema, assim enunciado e anunciado, iria ter uma implicação directa na participação olímpica dos atletas russos, até porque seria impossível, no actual sistema político de Putin, que o modelo desportivo fosse autónomo das decisões do Estado.
Foi assim que se chegou à convicção de que o Estado russo era o primeiro responsável por um sistema que não apenas permitia o uso de substâncias dopantes nos atletas de alta competição, como o promovia e encobria.
A notícia consequente surgiu sem surpresa. Em muitas disciplinas, a Rússua estaria impedida de participar nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro a acabaria, mesmo, por ser banida dos Jogos Paralímpicos.
Os ecos da indignação russa não interessaram especialmente os media ocidentais. Apenas algumas referências soltas sobre a reacção de Putin a acusar o ocidente de intolerável perseguição, mas o assunto acabaria por ficar no âmbito da discussão técnica.
Dividiram-se, então, posições essenciais. Desde os que afirmavam a sua satisfação porque, na prática, o sistema universal de controlo antidoping funcionou, até aos mais cépticos, que admitiram que o desporto mundial, ao mais alto nível, e sobretudo nos países mais desenvolvidos, estava, definitivamente, contaminado, embora os seus atletas de elite estivessem oficialmente defendidos pela própria Agência Mundial Antidopagem, porque aceitava sem questionar todos os procedimentos legais que permitem o uso de substâncias proibidas, tolerando-as pela anterior prescrição médica e com base em argumentos de prestação de um serviço clínico que deveria continuar a ser pessoal e de intimidade defendida.
Nunca se conheceria a verdadeira extensão do problema que encerra essa tolerância legal do sistema de controlo antidopagem se não tivesse surgido, agora, e com verdadeiro estrondo mundial, a informação dos dados secretos da Agência Mundial sobre alguns dos atletas mais mediáticos do mundo. As informações foram roubadas por um grupo de hackers russos e que, ao que indicam fontes policiais americanas, serão conhecidos especialistas na prática de espionagem electrónica.
A Agência já veio reconhecer que esses dados são verdadeiros e entre os que causaram maior impacto estavam os do ciclista Chris Froome, vencedor de três Tours (2014, 2015 e 2016) a quem a Agência permitiu, no quadro legal da prescrição médica, que alguns dos resultados dos testes antidoping tivessem indicado o uso de corticosteroides, sob a forma de um medicamento chamado prednisolona/40 mg (do grupo dos esteróides) que consta na lista de produtos absolutamente interditos.
Além disso, os hackers trouxeram ao conhecimento do mundo que a grande campeã olímpica de ginasta (quatro medalhas de ouro) e grande ídolo dos Estados Unidos, Simone Biles, acusou substâncias proibidas no controlo feito durante os Jogos do Rio, embora com o consentimento oficial, por ter apresentado prescrição médica. O mesmo sucedeu no ténis, com as irmãs Williams. Tanto Serena como Venus teriam tomado, sob orientação clínica, medicamentos proibidos.
Jornais como o New York Times dedicam, agora, espaço à discussão do tema e questionam: até que ponto a tolerância oficial da prescrição médica está a permitir que alguns atletas de elite atinjam resultados que, sem esses medicamentos, não seriam possíveis?
Os hackers russos prometem mais e inquietantes revelações.
(...)"

Vítor Serpa, in A Bola

Benfiquismo (CCXXII)

A arder...!!!

Ronaldo é um Talisca melhorado

"O Benfica fez uma exibição muito boa em Arouca. Foi um daqueles jogos que podiam ter acabado com cinco ou seis golos sem escândalo.
Terça-feira tivemos noite europeia ingrata. Com uma equipa limitada pelas lesões, fomos desviados da rota e vimos em ex-jogador marcar no último minuto. Tenho que ser justo: no dia seguinte quando vi o infortúnio leonino fui forçado a reconhecer que o traidor deles é melhor que o nosso. Ronaldo é um Talisca melhorado. O Sporting perdeu com naturalidade, mas fez um bom jogo em Madrid. Bruno de Carvalho queixou-se da arbitragem sem referir se a culpa era do Benfica ou do Vítor Pereira seus habituais culpados. Este Sporting está muito forte, tem imensas soluções e tem condições para disputar todas as competições. Jorge Jesus sente isso e por isso a sua tristeza no fim era indisfarçável.
O FC Porto mantém-se uma incógnita, foi quase ridícula a prestação europeia (embora se apure facilmente no grupo) no entanto a nível doméstico irá ser candidato seguramente.
O Benfica que ainda não ganhou um jogo na Luz este ano (ganhou todos fora) vai receber um SC Braga bem melhor que o Besiktas. Não sejamos hipócritas: Jiménez, Mitroglou, Jonas, Rafa, Jardel, Zivkovic... são muitas baixas e de muita qualidade. Não há equipa do mundo que não se sinta com seis dos seus melhores lesionados. Esperamos também ver Fejsa recuperado porque são enormes as suas exibições. As dificuldades não impedem os que entrarem de o fazer com os olhos postos na vitória, pois só os três pontos podem ser objectivo num jogo entre candidatos ao titulo. O Benfica joga com o SC Braga um dos jogos mais difíceis que terá este ano quer pela qualidade do adversário quer pela enfermaria colectiva que reside na Luz. Neste momento cada adepto almeja pela notícia de uma ou outra recuperação. Rui Vitória não se lamenta porque de nada adianta, mas tinha razões suficientes para o fazer."

Sílvio Cervan, in A Bola

Miss Piggy

"(...)
Miss Piggy é um elemento do seriado infantil de fantoches americano criado por Jim Henson, The Muppets. É uma porquinha muito talentosa que, ao longo dos anos, lançou seu próprio perfume, escreveu um livro, actuou em filmes, ganhou roupas exclusivas (de maisons como Chanel), fez propagandas e muito mais. Ela é a diva do grupo e namora Kermit, o sapo, também conhecido como Cocas. Tem cabelo loiro e gosta de cantar. É cinto negro em Karatê e sempre pinta as unhas de cores diferentes.
Eles, os americanos, como são mais que muitos, inventam tudo e têm um mercado de biliões de pessoas para poderem divulgar os seus produtos. É como remar contra uma corrente, se quisermos vender alguma coisa. Mas a verdade é que em Portugal também existem réplicas da Miss Piggy.
Confesso que quando olho para determinada pessoa, a mesma faz-me lembrar a radiosa Miss Piggy. E como ela, é provecta em arranjar meios de Comunicação Social que exprimem e divulguem as suas ideias.
Falta-lhe apenas lançar a sua colecção de perfumes, porque face à sua dimensão física, creio que vai ser difícil conseguir lançar uma marca de roupa universal.
Não vou obviamente dizer quem é a, ou o, Miss Piggy português. Deixo tal descoberta à imaginação dos portugueses, observando as fotografias dos jornais. Mas que é muito parecido, disso não tenho dúvidas! Só duvido de que tenha o mesmo sucesso!"

Pragal Colaço, in O Benfica

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Elucidativo

"A norte ouve-se um discurso datado e ridículo, que apenas tenta iludir problemas internos, e já não impressiona ninguém. Os nossos vizinhos da Segunda Circular insistem numa diarreia verbal, que parte da mistificação e acaba no ódio. Enquanto isso, o Presidente do Benfica dá uma entrevista notável a um canal televisivo, onde sobressai o fair-play, a humildade, a serenidade, e uma certeza inabalável no rumo a seguir.
É tranquilizador para os benfiquistas ouvir Luís Filipe Vieira.
Ao contrário dos rivais, o nosso Presidente percebe perfeitamente os requisitos de uma comunicação própria do século XXI, em que se fala para uma massa adepta cada vez mais jovem, cada vez mais instruída, e cada vez mais exigente.
Não se refugia em banalidades. Não deixa questões sem resposta (nem mesmo as mais incómodas). Aborda todos os temas com a segurança de quem sabe muito bem aquilo que já alcançou, mas ainda melhor o que pretende alcançar.
Obviamente existem certas matérias - nomeadamente no âmbito da negociação de jogadores - para as quais todos compreendemos a necessidade de manter alguma reserva, na defesa dos altos interesses do Clube. Expormo-nos em demasia dar trunfos, presentes futuros, aos adversários. Também isso o Presidente soube deixar claro, com a frontalidade de quem nada tem a esconder.
Não são precisas declarações diárias (ou bidiárias), nem facebooks, ou comunicados inflamados, para fazer passar uma mensagem. Numa hora, o nosso Presidente disse tudo o que tinha a dizer.
E o que disse assegura-nos que o Benfica continua, e continuará, no caminho certo."

Luís Fialho, in O Benfica

Não aprendem

"Depois de, há duas semanas, ter partilhado aqui a minha aventura com um taxista inchado como um sapo, hoje venho contar-vos como tenho analisado os posts dos meus amigos e conhecidos sportinguistas no Facebook. Há meia dúzia deles que são bastante activos nas redes sociais. Mais do que as fotografias de apoio do seu clube, o que els gostam de 'postar' são recados ao SL Benfica, a Luís Filipe Vieira ou a Pedro Guerra.
Não há dia que passe sem um claramente do abismo para onde caminha o seu clube. Nada disso me espanta. Afinal, estamos a falar de adeptos que nunca puderam festejar um título de campeão nacional no Facebook. Nem no Twitter. Muito menos no Instagram. Daí terem de usar as redes sociais para atacar quem o faz de forma absolutamente normal há, pelo menos, três anos.
Pois bem, esses meus amigos e conhecidos andam loucos de alegria. Para eles, já não há volta a dar. Já esfregam as mãos (gastas pelos anos de sofrimento) anunciando, depois de apenas quatro jornadas do campeonato. Gosto disso. Não me interpretem mal, gosto porque já sei no que vai dar: no mesmo de sempre. Vai ser uma profunda desilusão misturada com ataques de fúria contra tudo o que mexa.
Não vale a pena. Há malta que não aprende com os erros. Cá por mim, sigo com calma, com confiança no trabalho do meu clube e com a mesma vontade de sempre de ir ao Marquês. Não se preocupem, quando lá chegar faço uma selfie e ponho no Facebook, à semelhança do que tenho feito nos últimos anos."

Ricardo Santos, in O Benfica