"1.
André Villas-Boas deu-se a conhecer como um dirigente dos novos tempos, como alguém que vinha para ser o motor das mudanças de que o futebol português tanto carecia e carece, uma nova mentalidade, novos métodos de atuação, em suma, uma lufada de ar fresco. Pinto da Costa, porém, doutorado que era em bastidores de arbitragem, deixou o aviso na campanha eleitoral - e pouca gente o levou a sério ou se lembra agora disso: "A partir do momento em que apareceu uma candidatura do André Villas-Boas a arbitragem mudou, coincidência...". Lufada de ar fresco?
2.
Árbitro condicionado no Dragão com lance ocorrido na primeira parte passado em vídeo interminável no seu balneário no intervalo do jogo, bolas escondidas pelos apanha-bolas para retardar o reinício do jogo em que o Porto vencia o Sporting pela margem mínima, frases intimidatórias no balneário do visitante no Dragão, temperatura de sauna no mesmo balneário, o primário discurso anti-clubes de Lisboa como a Santa Aliança ou o "manto marrom", a vitimização quando é beneficiado, os comportamentos do banco e as cenas no túnel, tudo isto é velho, tudo isto, sob uma ou outra forma, nós conhecemos há dezenas de anos. Lufada de ar fresco?
3.
André Villas-Boas tem que decidir, se é que quer ter alguma coerência naquilo que vai sucessivamente afirmando, normalmente na revista da casa ou à entrada para um qualquer summit, tem que decidir se Rui Costa é um malfeitor que faz alianças espúrias com o doutor Varandas para tramar o Porto, ou se é, como afirmou não há muito tempo, mais precisamente em 28 de maio último, "um senhor do futebol, uma pessoa digna e humana", com quem tem "uma relação muito estreita e franca". A técnica de mudar radicalmente o discurso conforme serve às circunstâncias de cada momento também não é nada de novo por aqueles lados, era uma das técnicas mais utilizadas por Pinto da Costa. Lufada de ar fresco?
4.
Pegando na divulgação de emails roubados, descontextualizados e truncados para fazer passar uma ideia que não estava de todo nos seus conteúdos, crime esse já condenado pelo tribunal de primeira instância e sucessivamente confirmados pelo Tribunal da Relação, pelo Supremo Tribunal e pelo Tribunal Constitucional, pelo qual teve o Porto que indemnizar o Benfica em cerca de oitocentos mil euros, fora o que aí vem por danos reputacionais, pegando na divulgação criminosa desses emails veio André Villas-Boas dizer que o Benfica queria um padre no clássico do Dragão. A técnica de deturpar a verdade e baralhar assuntos para esconder escandalosos benefícios próprios também não é nada de novo por aqueles lados. Lufada de ar fresco?
5.
A consideração de que André Villas-Boas era uma lufada de ar fresco no futebol português só pode ter vindo de gente ingénua e completamente descontextualizada da realidade. Até quando?"

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