"1.
Depois de tudo pelo que passou - chegaram inclusivamente a vaticinar-lhe o fim da carreira ao mais alto nível -, Prestianni entrou em 26/27 a um nível absurdo: todos os indicadores ofensivos e defensivos explodiram em relação aos da época passada, época passada essa que já tinha sido a do começo da sua afirmação.
2.
Os números do Sofascore a que recorro - podiam ser do Flashscore ou do Goalpoint - não mentem nem deixam margem para dúvidas: na nossa liga, Prestianni passou de uma avaliação média de 6.97 em 25/26 para 8.50 em 26/27 até à data.
De resto, os dados são inequívocos: está mais em jogo e tem mais bola, remata mais e é mais certeiro nos remates, precisa de muito menos tempo para marcar golos, centra com mais precisão, tem mais sucesso nos dribles, sofre mais faltas, ganha mais duelos, recupera mais bolas.
Prestianni ganhou muito com a passagem para o lado esquerdo do ataque, onde se sente mais confortável e é mais desequilibrador, mas ontem mostrou que pode bem ser uma solução a ter em conta para a posição que tem sido ocupada pelo Sudakov.
Acresce que tem, sim, marcado golos, mas não só: tem marcado golos lindíssimos, golos com selo de autor, dois deles - um foi ontem - em que o golo é cem por cento dele: recupera a bola, progride com ela, finaliza com remates sem hipóteses para o guarda-redes contrário.
3.
Não obstante tudo o que acima escrevi, o que mais me tem impressionado em Prestianni é a sua força e resiliência mental: joga como se por nada tivesse passado aos 19 anos de idade - e até uma lei com com o seu nome criaram. Diria que cresceu na medida exata dos ataques que sofreu; podem, portanto, continuar a bater-lhe porque ele vai ser cada vez melhor - e cuidado que, com apenas 20 anos de idade, tem ainda uma enormíssima margem de progressão pela frente.
4.
Schjelderup e Prestianni são dois bons exemplos de que em futebol as avaliações são, não poucas vezes, precipitadas. No caso, o tempo encarregou-se de provar que estavam errados todos os que os consideraram a seu tempo uns barretes.
5.
Uma nota extra para fazer referência ao bonito gesto que Prestianni protagonizou ontem ao chamar Leandro Barreiro para lhe entregar o prémio de "melhor em campo" a si atribuído. É precisamente esse o espírito que é necessário, diria indispensável, para conduzir equipas às vitórias e aos títulos.
6.
Prestianni está efeito um homem e está feito um cracalhão. Façam o favor de meter a viola no saco todos os que vaticinaram - bem vistas as coisas desejaram - o seu fim após o episódio que protagonizou com Vinícius no estádio da Luz.
A esmagadora maioria dos Benfiquistas, onde com orgulho me incluo, estiveram inequivocamente do seu lado. Bem merecem, por isso, vê-lo agora a este alto nível competitivo."

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