Últimas indefectivações

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Manobras de diversão

"O Benfica não se pode distrair, nem atrair por manobras de diversão de adversários menores. O Benfica tem de estar focado no objectivo de ser bicampeão e este será um campeonato disputado ao limite, ao pormenor, e será decidido por margem mínima. Neste momento, os verdes de Moreira de Cónegos, excelentemente treinados, são a nossa única real preocupação. Das seis saídas que nos faltam neste campeonato, está é das que colocam mais perigos.
Pizzi fez contra o V. Setúbal o melhor jogo que lhe vi com a camisola encarnada, mas foi a atitude colectiva da equipa que fez o Benfica alcançar uma vitória clara.
Ao contrário de Jorge Jesus, penso que os dois candidatos vão perder poucos pontos até ao fim e, por isso, os deslizes vão pagar-se caro.
Estamos a 39 pontos e uma final da Taça da Liga de distância duma época de grande sucesso. Todos no Benfica o sabem e sentem.
Eu acredito que se está a fazer, com os recursos existentes, uma excelente temporada. Temos de a prosseguir em Moreira de Cónegos.
Lembro-me bem que Jorge Jesus, como treinador do Moreirense, deu o título nacional ao Benfica de Trapttoni, ao empatar com o FC Porto a duas jornadas do fim (tínhamos perdido em Penafiel na véspera). Também ali, no Comendador Almeida Freitas, se ganham e perdem campeonatos e ninguém melhor do que Jorge Jesus para conhecer a história.
Continuamos a contar os dias para o regresso de Nico Gaitán. Com opções limitadas, as lesões e os castigos que nos fustigam parecem não parar. Domingo passado, foi um amarelo, aliás injustificado, a tirar Samaris deste jogo. Tem sido a sageza de Jorge Jesus a disfarçar esta realidade. Mas as dificuldades suplementares têm de constituir avisos extra para os perigos do nosso caminho."

Sílvio Cervan, in A Bola

Vitória...

Vilacondense 0 - 3 Benfica
12-25, 20-25, 13-25

No segundo Set tivemos a perder 12-6, mas ainda fomos a tempo de rectificar, de resto tudo normal...
Amanhã nova partida em Matosinhos com o Leixões...

Eusébio: no Panteão Nacional.

Mais do que justo, a unanimidade, na aprovação da transladação do Eusébio para o Panteão Nacional.
Mas quem tem mais a ganhar com esta decisão, é o próprio Panteão... porque o King não precisava de ir para lá, para ser reconhecido!!! A 'companhia' pode não ser a melhor (Sídónio... Aquilino...), mas o Eusébio foi sempre pessoa para se dar bem com toda a gente...!!!

Juniores - 1.ª jornada - Fase Final

Benfica 1 - 1 Nacional

O ano passado 'chorava-se' o facto de no Benfica, os jovens da formação, não anteciparem subidas de escalão quando demonstram qualidade para isso... Este ano, 'chora-se', a subida de escalão de demasiados jogadores, desfalcando as nossas equipas...
Pessoalmente, acho que em determinadas situações, é essencial para a evolução dos jovens, subirem ao próximo nível competitivo. Mas este ano, acho que estamos a exagerar: Gonçalo Guedes, Renato Sanches, João Carvalho, Diogo Gonçalves... e ainda Romário (contracto), e o Sarkic. Hoje, ainda abdicámos por opção do Pedro Rodrigues (muito utilizado na Selecção, durante a semana...) e do Hugo Santos. Os dois jogadores que me fazem mais confusão são o Carvalho, e o Gonçalves, que na equipa B, têm poucos minutos (o Renato até está lesionado)...
Depois de termos dominado toda a época, até este momento... corremos o sério risco, com esta opção, de tornar esta Fase Final num pesadelo. e de mais uma vez, com o melhor plantel, não ganhar o nacional, como aconteceu o ano passado. Mais, se na UEFA Youth Cup não utilizarmos os nossos melhores jogadores, não vamos ganhar ao Liverpool na próxima terça-feira... Na estrutura da Formação do Benfica, não sei quem assumiu esta estratégia (creio que não foi o Tralhão), mas neste contexto, as expectativas têm que ser baixas...

O jogo foi mau, principalmente na 1.ª parte. Perdemos muitas bolas na 1.ª fase de construção, permitindo vários contra-ataques perigosos ao Nacional. Com o João Lima em destaque pela negativa, inclusive na 'assistência' para o golo do Nacional... Além do Yuri, que quase sempre fora de posição, deixou a equipa desequilibrada nas transições defensivas. O jovem Nigeriano Sekidika estreou-se, demonstrando muita ingenuidade táctica.
No 2.º tempo tivemos mais coração, mas não jogámos muito melhor... Sendo que o golo do empate apareceu ao minuto 96, numa bola bombeada para área, em desespero...!!!

Não posso deixar de referir (mais uma vez) o asqueroso anti-jogo praticado pelos jogadores do Nacional. Não é nada de novo... mas não se pode deixar de passar sem critica, este tipo de comportamento nojento...

André Ferreira; Issac, Dias, Lima (Rodrigues), Yuri; Guga (Esteves), Gilson; Oliveira, Buta, Sekidika (Neto); Hildeberto.

Cromo da bola

"Para os lados de Alvalade, o Carnaval veio com uma semana de antecedência. E é provável que continue muito para além da tradicional quarta-feira de cinzas.
Logo que chegou à presidência do Sporting, a postura de Bruno de Carvalho perante certas figuras parecia a de alguém capaz de trazer algo de novo ao futebol português. Rapidamente a máscara lhe caiu. Viu-se precipitação em vez de sensatez, fanfarronice em vez de coragem, e conflitualidade barata em vez de determinação.
Tratando o clube como um brinquedo, incompatibilizou-se com o FC Porto, incompatibilizou-se com a Liga, incompatibilizou com a Federação, incompatibilizou-se com a UEFA, incompatibilizou-se com os jogadores, incompatibilizou-se com o treinador, incompatibilizou-se com figuras históricas do seu clube, incompatibilizou-se com os anteriores dirigentes, incompatibilizou-se com grupo de adeptos, incompatibilizou-se com a imprensa, e faltava, obviamente, incompatibilizou-se com o Benfica. Não havia melhor ocasião de que o rescaldo de um resultado frustrante.
Uma tarja infeliz serviu de pretexto. Fosse eu a decidir, e teria ficado sem resposta desde o primeiro comunicado. Este tipo de personagem procura protagonismo, e nada melhor que uma boa dose de polémica para o conseguir. Infelizmente, já por cá tivemos igual. Conhecemos a espécie. Daqui ao descrédito total - mesmo entre os seus - é apenas uma questão de tempo.
O corte de relações não nos tira o sono. Não me recordo do Benfica ganhar alguma coisa por ter melhores ou piores relações institucionais com o Sporting. Nos momentos-chave, em que o futebol português podia dar passos no sentido da regeneração, o Sporting assobiou para o lado. Ao respeito que sempre lhes dispensámos, responderam com o ressentimento próprio dos invejosos. Não servem para nada. Não fazem falta. Não contam para o nosso campeonato. Podem ficar a falar sozinhos.
Daqui, não os ouvimos. Vamos ganhar ao Moreirense, pois é isso que verdadeiramente interessa."

Luís Fialho, in O Benfica

Choradinho

"Na semana passada, houve dose dupla com o Vitória Futebol Clube. Sim, porque no Estádio da Luz tratam-se as equipas visitantes pelo seu nome. Mesmo aquelas que têm andado em más companhias, aliadas na secretaria e no relvado a quem presta aconselhamento matrimonial a árbitros. Lembram-se de, em 1997, os sadinos escolherem as Antas para jogar quando o seu estádio não estava disponível? Não foi com certeza pela proximidade geográfica.
Pois então, o Vitória veio à Luz e perdeu os dois jogos por três a zero. No primeiro foram assinaladas duas grandes penalidades e o Mundo parecia ter desabado. Jogadores e treinadores sadinos insurgiram-se contra a 'roubalheira'. Estavam enganados - ambos os penalties foram bem assinalados, mas como nestas coisas convém sempre reclamar muito, eles traziam a lição bem estudada. É que nem na expulsão do jogador Advíncula tiveram razão: Gonçalo Guedes estava virado para o golo, logo vermelho.
Depois veio o segundo jogo e mais queixas. Falam de um penálti por marcar a favor do Vitória nos primeiros minutos. E que no lance do segundo golo, Ola John terá feito falta sobre o defesa. Vamos lá ser honestos. A alegada grande penalidade é tão difícil de ver que nem as repetições da BTV tiram dúvidas - sim, porque a BTV passa repetições dos lances polémicos. E no ganhar de posição do holandês peço-vos atenção novamente para a BTV, desta vez para as transmissões do Futebol inglês. Deixar jogar é uma das características que mais se elogia aos árbitros em Inglaterra. E o que acontece quando algum árbitro em Portugal apita à inglesa? Chora-se como quando, em três jogos contra o Benfica, se sofrem 11 golos e não se marca nenhum."

Ricardo Santos, in O Benfica

O comediante

"De forma característica, Bruno de Carvalho continua a querer trazer para a primeira linha o cenário de instabilidade, confusão e (porque não dizê-lo?) de alguma comédia que actualmente vive o adversário da 2.ª circular. Em certa medida, continua a imaginar-se líder de uma eufórica claque, a proclamar, no Estádio da Luz, cânticos de impropérios contra 'o sistema', os 'papas do futebol português' e, em geral, contra tudo o que sirva para fazer uma manchete. Estranho? Nem por isso! Bruno de Carvalho tem aplicado sistematicamente esta estratégia: quando os resultados desportivos não surgem ou se antecipam cenários difíceis ou improváveis (preparemo-nos já para mais um conjunto de cenas antes do próximo jogo do Sporting da Liga Europa), eis que surgem polémicas (quase sempre inesperadas e de sentido único), ataques ferozes, blackouts e, mais recentemente, corte de relações institucionais. Nem sequer o facto de se explicarem os fundamentos de tal decisão no facebook ou de se utilizar casos como o do very light me parece suficientemente importante para justificar uma reacção proporcional de um clube como o Sport Lisboa e Benfica, que com estes pequenos e coléricos líderes está já mais do que habituado a lidar, tendo igualmente a excelente tradição de ignorar o que mais não é do que uma palhaçada para consumo interno. Grave, isso sim, é a linguagem de permanente recurso à violência, as ameaças de que eventualmente será alvo, as acusações infundadas a Luís Filipe Vieira, o cenário de permanente antecipação do caos e de limite. Grave não porque atinjam de qualquer maneira a dignidade do clube ou dos seus dirigentes, mas porque propiciam a criação de um ambiente nada favorável a quem dizia querer a 'pacificação do futebol português'. Mais: potencia o desenvolvimento de animosidades e de um espírito de guerrilha dentro do escopo do futebol de que o Sporting poderá, muito bem, ser uma das primeiras vítimas. Mas com os comportamentos de Bruno de Carvalho já estamos habituados. Há sempre um único perdedor: o futebol português."

André Ventura, in O Benfica

A relação que não conseguem cortar

"Na semana passada, ao tomar conhecimento do corte de relações institucionais entre SCP e SLB promovido pela direcção leonina, dei por mim a sorrir. Os acontecimentos subsequentes dar-me-iam razão. 
Luís Filipe Vieira, na sua primeira aparição pública após o dérbi e com elevado sentido de responsabilidade, condenou a exibição, na partida de futsal, da faixa alusiva ao trágico acidente ocorrido no Jamor em 1996. Levantou ainda algumas questões pertinentes sobre os incidentes ocorridos em Alvalade no dia seguinte e outros em anos recentes, expondo a hipocrisia do presidente sportinguista, tão lesto a exigir 'uma declaração de reprovação e demarcação' aos dirigentes benfiquistas, quanto autista face ao comportamento de adeptos do clube que dirige.
Escusado será de dizer que a reacção de Bruno de Carvalho não me surpreendeu. Poucas horas antes do Belenenses – Sporting, o presidente do SCP publicou, no Facebook, uma mensagem dirigida aos sportinguistas (quatro vezes maior que esta crónica!!!).
Fazendo jus a um dos traços identitários mais característicos do 'neosportinguismo', o anti-benfiquismo, pouco versou sobre o seu clube, quase se limitando a um chorrilho de insultos e acusações a Luís Filipe Vieira, algumas delas tão inverosímeis que não me admirarei se, no futuro, vier a ouvi-lo afirmar que se tratara de 'uma brincadeira'. Não seria inédito. Sobre as faixas em Alvalade: Nada!
Bem fiz eu ao desprezar o corte de relações institucionais. Até porque perdurará, entre os clubes, uma relação: a de força. E essa, como todos sabemos, resulta, qualquer que seja o parâmetro de comparação entre Benfica e Sporting, em superioridade benfiquista."

João Tomaz, in O Benfica

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

O nobre ofício de 'ironizar' já conheceu melhores dias

"Ninguém lamenta como os adeptos do Clube de Futebol 'Os Belenenses' foram tratados no anúncio da Sagres? Um equilibrista desequilibrado vestido de vermelho!

PARECE-ME injusto e mal observado vir-se dizer que o presidente do Benfica demorou cinco dias a responder às insinuações pós-derby do presidente do Sporting porque, na verdade, o presidente do Benfica não tem de responder, nem respondeu, a nada de nada.
E porquê?
Porque o presidente do Sporting não é de todo um problema do Benfica.
O presidente do Sporting é um problema do Sporting.

DOMINGO, hora do almoço, faz-se um zapping rápido e dá-se de caras com uma grande defesa do nosso Quim. É a magia da II Liga. Quim, com os cabelos cinzentos da cor do equipamento que enverga, defende agora as redes do Desportivo das Aves.
A situação era a de um livre muito perigoso mas Quim voou desviando a bola com a ponta dos dedos em grande estilo. Foi campeão no Benfica e dá satisfação ver os nossos campeões sempre em forma.

QUEM insistir, por conveniência ou ardil, que o presidente do Benfica demorou cinco dias a reagir às acusações do presidente do Sporting pós-derby, terá então de concluir que, em 2014, o presidente do Benfica demorou quase dois meses e meio a responder a um conjunto de não menos graves acusações vindas do presidente do Sporting quando, na realidade, o presidente do Benfica nunca o fez.
Tratou-se de um episódio singelo mas muito revelador que merece ser lembrado.

NO dia 19 de Março de 2014, em declarações à Rádio Renascença, o presidente do Sporting afirmou que o presidente do Benfica lhe tinha telefonado e contado que «depois de ter gasto uns milhões valentes na equipa» o melhor reforço que conseguiu «foi um jogador chamado nomeações».
A sujíssima suspeição ficou a pairar sem resposta do visado até ao dia 27 de Maio de 2014 quando um jornalista da RTP que entrevistava o presidente do Benfica se lembrou de lhe perguntar se era verdade aquilo que o presidente do Sporting tinha dito há um par de meses.
Respondeu o presidente do Benfica ao jornalista (ao jornalista e não ao seu homólogo verde) lamentando, à cavalheiro, ter de chamar mentiroso ao presidente do Sporting – «é feio dizer mas mentiu» – porque tal conversa nunca tinha existido e nunca poderia existir.
E não é que o presidente do Benfica tinha razão?
Razão que lhe foi dada logo no dia seguinte pelo presidente do Sporting: «Estávamos a ironizar. Claro que não houve nenhum telefonema!»
Era na brincadeira.
E ficou logo toda a gente esclarecida.

muitos jovens jogadores formados pelo Benfica a rodar em campeonatos estrangeiros. Trata-se do nosso programa Erasmus. Estão como os estudantes os nossos jogadores. Estudam até um determinado ponto do seu percurso em casa e depois, a ver se crescem, vão estudar para fora em ambientes que lhes são estranhos e que lhes exigem um novo tipo de responsabilidades. Depois se verá como regressam a casa, os que regressarem.

CINCO dias depois do último derby, Luís Filipe falou directamente aos benfiquistas presentes na inauguração da Casa do Benfica de Leiria e, indirectamente, a todos os outros que não estávamos presentes. Como seria de esperar, não fugiu aos temas em rescaldo nacional desde aquele preciso momento em que Jardel fez o golo do Benfica em Alvalade.
Falou bem Vieira. Os benfiquistas queriam ouvir a opinião do seu presidente e, de uma maneira geral, ficaram satisfeitos com o que ouviram porque tem uma opinião igual ou muito parecida com a da maioria dos adeptos e que, no essencial, se resume assim: repúdio total pela violência das palavras, dos actos e das imagens, respeito pelo nome e pela história do adversário e apelo às autoridades competentes para que façam o seu trabalho.

EM termos práticos, o presidente do Sporting pôs fim ao blackout para anunciar aos seus fãs e admiradores que fazia anos no dia do derby e, passados sete dias, voltou a comunicar com a referida plateia para lhes dizer que até tinha «motorista».
Isto de ter motorista não é para qualquer um.

NA tarde de domingo, durante quatro minutos o Benfica teve quatro jogadores portugueses em campo. Foi mais um pormenor satisfatório num jogo tranquilo. O Benfica começou com dois portugueses, Eliseu e Pizzi. 
A um quarto-de-hora do fim do jogo Jorge Jesus mandou entrar Rúben Amorim e Gonçalo Guedes para os lugares de Samaris e de Ola John. Quatro minutos depois saiu Pizzi para os aplausos, entrou Talisca e diminuiu para três o número de portugueses do Benfica em campo.
Patrioteirismos à parte, foi satisfatório o dito pormenor dos quatro portugueses em campo porque os quatro estiveram muito bem.
Pizzi parece-se cada vez mais com Enzo Pèrez, Eliseu parece-se cada vez mais com um defesa-esquerdo, Rúben Amorim vai a caminho de se parecer com o Rúben Amorim do passado e Gonçalo Guedes vai a caminho de se parecer com o Gonçalo Guedes do futuro.
O que se pode pedir mais?

ENTÃO ninguém pede desculpas ao Clube de Futebol «Os Belenenses»?
Ninguém lamenta o modo como os adeptos do Belenenses foram retratados no anúncio da Sagres?
Um equilibrista desqualificado em cima de uma corda e o respectivo espalhanço final. Um funâmbulo incompetente para mais vestido com uma camisola vermelha. Vermelha, sim! Não haverá aqui matéria que fira também a susceptibilidade belenense para além de outras susceptibilidades feridas?
Pode uma campanha publicitária ironizar com o Belenenses se não pode ironizar com o Sporting? Onde estão, nesta barricada, os Charlies do futebol português?
Onde está o próprio Bruno de Carvalho, o primeiro a carregar de novos e insondáveis atributos o nobre ofício de ironizar?

A «Os Belenenses» devem solidariedade o presidente da Liga em protesto pela campanha da Sagres, e ainda todos os que defendem a «verdade desportiva» em protesto pela campanha do Sporting para levar os seus adeptos até ao Restelo.
É que, na semana que antecedeu o último clássico lisboeta, o nome do Belenenses também foi muito mal tratado e ninguém se indignou nem pediu desculpas. Aconteceu no site oficial do Sporting pela pena galante de um historiador que fez questão de lembrar uma goleada imposta pelos leões ao Belenenses numa visita ao Restelo «na época de 1953/54».
Com que objectivo de concórdia se desentulham estas humilhações que, pelos vistos, deixaram de mãos atadas todos os indignados da cerveja?
Factos horripilantes que deixaram de mãos atadas, inclusivamente, os próprios adeptos do Belenenses sem saber o que responder à provocação tendo em conta que o Estádio do Restelo só foi inaugurado no dia 23 de Setembro de 1956, isto é, dois anos depois da tal goleada ironizada pelo Sporting no tal Estádio do Restelo, embora ainda não existisse.

O Benfica foi o campeão da última temporada. E, como já toda a gente sabe, este era o ano em que o Sporting tinha o campeonato no papo se Bruno de Carvalho não fosse tão orgulhoso e tivesse dado ouvidos ao presidente do Benfica sempre que o presidente do Benfica o perseguiu pelos corredores da Liga propondo-lhe, a arfar de tanto «correr atrás» dele, a alternância nas «vitórias no campeonato». Ou era isso ou estava a ironizar.
Não houve reunião de presidentes na sede da Liga em que a comunicação social de serviço não noticiasse a perseguição em corrida do presidente do Benfica, em fato de treino e de sapatilhas, ao presidente do Sporting, à paisana.
Não só no interior do edifício da Liga, escada abaixo e escada acima, como também no exterior do edifício e áreas circundantes, Rua da Constituição para cima e para baixo, o presidente do Benfica correu sem êxito “atrás” do supersónico presidente do Sporting perante o olhar consternado de um Luís Duque pouco dado a correrias e sem saber que lição colher de tão estrambólicas ocorrências.

OS nossos rivais andam pela Suíça e pela Alemanha e nós vamos no sábado a Moreira de Cónegos que é o que interessa. Respeitinho pelo adversário e 100% de concentração será o caminho para a felicidade."

Leonor Pinhão, in A Bola

Minutos: primeiro e último

"Entre tempos úteis, inúteis e fúteis, um jogo tem, em regra, entre 90 a 95 minutos. vividos intensamente e de maneira diferente. Julga-se o cronómetro com a imaginação de um antiquado e lento relógio de pêndulo, quando o desejo é que o tempo voe, ou, então, como uma cebola que se adianta desmesuradamente, quando se anseia por mais tempo de jogo. Um tempo dentro da pressa e uma pressa fora do tempo.
Isso é mais evidente nos derradeiros minutos. Um golo decisivo marcado ou sofrido nos últimos instantes é uma dádiva celeste ou uma tragédia diabólica. Como, aliás, se acha bizarro haver golos nos primeiros segundos. E, no entanto, todos esses segundos são iguais a quaisquer outros. Apenas o não são na subjectividade que desafia a teoria das probabilidades.
É como numa viagem de automóvel. A um quilómetro de chegar ao destino, depois de um longo percurso, achamos que já nada irá acontecer, ainda que a menor probabilidade se possa transformar numa arreliadora certeza.
A propósito destes momentos no futebol, fiz algumas contas até à última jornada (21.ª). Quanto aos instantes finais, o líder das emoções é o Sporting:
Benfica (saldo 0) - ganhou 1p. (Sporting) e perdeu 1p. (P. Ferreira)
Porto (saldo +1) - ganhou 1p. (Estoril)
Sporting (saldo +2) - ganhou 6p. (Arouca, 2; Moreirense, 1; Braga 2; Belenenses, 1) e perdeu 4p. (Académica, 2; Benfica, 2).
Quanto aos primeiros minutos, o Benfica marca duas vezes (Estoril e Braga) e sobre com o Nacional. Curioso é que, no fim, acabou por perder com o Braga e com o Nacional venceu. Já quanto ao Porto e o Sporting apenas no jogo entre eles houve um golo prematuro (do SCP)."

Bagão Félix, in A Bola

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

'Black' ('out') e outras cores ('in')

"Está confuso o mundo de cores no futebol. Não falo dos equipamentos alternativos que, para se diferenciarem das cores estatutárias, desfiguram a própria tradição. Escrevo, antes, sobre cores 'activistas' ou 'dirigistas': as que enquadram acções, omissões ou decisões fora dos relvados.
A primeira cor tem a ver com a usada e abusada, expressão blackout. É uma espécie de silêncio, com ruído. De irresponsabilidade, com despeito. De não capacidade de argumentação, com o incómodo do escrutínio. De ingratidão de fechar a boca para quem, de seguida, vai mendigar a 'notícia do dia'. Sobretudo na chamada yellow press (imprensa sensacionalista).
É claro que o efeito do blackout é tanto maior quanto for out of the blue (expressão idiomática inglesa que significa inesperadamente). Até se faz gala nisso, em estilo peitudo e raçudo. Ou seja, num ambiente que se quer red hot (quentíssimo).
Para accionar um qualquer blackout não há nada melhor que uma simples white lie (uma mentirinha insignificante), para simular combater um qualquer imaginário white elephant.
Ah, já agora: o blackout tem muitas vezes associada uma outra expressão de raiz black: black list. Observando tantos blackout que se sucedem no futebol, a expectativa é maior quando quem o decide is too green (inexperiente) nesta prática, seja em estilo black tie ou blue jeans. Claro está os blackout são bem mais divertidos, caso o twitter, o facebook ou o instagram a ele não aderirem...
Desculpem-me este jogo de cores em inglês, mas é a única maneira séria que tenho de olhar para estes caleidoscópios de disparates."

Bagão Félix, in A Bola

Chefe de orquestra

"Quando o Benfica contratou Pizzi, observei-o com uma curiosidade que cedo se transformou em decepção. Jogava a extremo-direito e era um jogador banal.
Sem surpresa, foi emprestado a um clube espanhol, onde não se destacou. Estranhei, por isso, o seu regresso à Luz - e nos poucos minutos em que jogou revelou a mesma ausência de qualidade que lhe conhecia.
Eis senão quando...
Eis senão quando, no último jogo da Liga dos Campeões, onde já nada se decidia, Pizzi entrou a jogar na linha média - e foi uma revelação. O homem sabia segurar a bola, variar o flanco, temporizar, fazer passes de ruptura - apresentado-se como o sucessor de Enzo Pérez, que mais dia menos dia deixaria o clube. Até fisicamente Pizzi fazia lembrar Enzo - baixo de estatura e jogando curvado sobre a bola. E tendo chegado ao Benfica, tal como o outro, a jogar a extremo.
Mas Jesus, que o descobrira para esta posição, não ficou convencido. Quando Enzo saiu, meteu Talisca no seu lugar. E não funcionou: Talisca não gosta de segurar a bola, virar-se, solicitar os companheiros. Gosta de correr com a bola e chutar à baliza.
No domingo, porém, Jesus deu o passo que eu esperava: meteu Pizzi a titular - e o resultado foi o que se viu. Ele mostrou-se um verdadeiro chefe de orquestra, fazendo mexer todo o conjunto. Passou, rodou, fez passes de ruptura sobrevoando metade do campo e isolando companheiros. Pizzi foi a referência que faltava à equipa.
Talvez não tenha a 'raça' que sobrava a Enzo Pérez: a capacidade de sacrifício para lutar pela bola, pressionar o adversário, meter o pé. Mas para mim o sucessor de Enzo está encontrado."

Empate concedido...!!!

Madeira SAD 20 - 20 Benfica

Empate frustrante, num jogo onde tivemos sempre na liderança, chegámos mesmo a ter uma boa vantagem (num jogo com poucos golos), e permitimos o empate nos últimos segundos...
Quando estes resultados negativos aparecem, é impossível fugir à tentação em criticar a excessiva rotação do plantel... mesmo sabendo que tivemos dois jogos fisicamente duros no último fim-de-semana.
Falta uma jornada, vamos jogar com os Corruptos, o nosso adversário na 1.ª ronda do play-off será provavelmente o Águas Santas, equipa que até temos tido bons resultados e boas exibições esta época, mas se quisermos chegar às Meias-finais, temos que melhorar...

Derrota na Serra...

Sp. Covilhã 3 - 0 Benfica B

Depois do bom resultado e boa exibição do fim-de-semana, mais um mau resultado, numa partida realizada fora... Sofremos o 1.º golo num penalty duvidoso (mão na bola ou bola mão?!), e logo a seguir surgiu o 2-0, tudo nos últimos minutos da 1.ª parte...
No 2.º tempo beneficiamos de um penalty, mas desperdiçamos (estranha a escolha do Lindelof para marcar as penalidades!!!), nos últimos minutos da partida voltámos a sofrer um golo...
Não é fácil jogar na Covilhã: o campo, a altitude, mas... como já disse aqui várias vezes, a equipa está em reconstrução, depois de muitas saídas, e com muitos Juniores nas opções (ainda por cima sem o Renato Sanches, que se vinha afirmando como o 'patrão' da equipa...), portanto os resultados negativos não devem ser surpresa, temos que esperar por melhores dias...

Na próxima semana vamos ter jogo da UEFA Youth League, no Seixal com o Liverpool. Espero que os Juniores que têm sido opção na equipa B (alguns mal têm saído do banco), sejam opção para o Tralhão...

Varela; Semedo, Lystcov, Valente, Alfaiate (Gonçalves, 60'); Lindelof, Dawidowicz; Teixeira, Santos (Flávio Silva, 73'), Andrade; Sarkic (Carvalho, 80').

Tribalismo

"Aquilo que o actual presidente leonino tem para apresentar, e é muito, já lá estava, por iniciativa e esforço de outros. Bruno de Carvalho não fez nada, Filipe Vieira fez tudo.

BRUNO DE CARVALHO interrompeu o blackout antes do jogo com o Estoril por ter percebido que se corresse mal a família sportinguista não se indignaria com o treinador, por não enxergar motivo para tal, mas existia o perigo de apontar ao presidente o dedo acusador, responsabilizando-o pelo ambiente de tensão gerado em redor de Marco Silva. Na véspera de receber o Benfica, em Alvalade, decidiu abolir a lei da rolha e na terça-feira seguinte, em comunicado, o conselho directivo leonino cortou relações institucionais com o Benfica, na sequência de idêntico procedimento que havia tomado com o FC Porto e com a Liga de Clubes.
Não vou tomar partido sobre nenhuma das partes, mas por dever de ofício compete-me expressar a minha opinião, a qual não pode ser favorável ao presidente sportinguista, que me parece ter-se enredado nas teias que criou.
Rompeu com a Liga por não apoiar a escolha de Luís Duque, sem alguma vez ter enfrentado os restantes parceiros em sede própria.
Cortou com o FC Porto sem se incomodar com a deselegância nas referências a Pinto da Costa, uma personalidade complexa, que se admira e odeia, mas que vai deixar um legado notável quando resolver passar a pasta a outro.
Provocou, agora, outro conflito, desta vez com o Benfica, traduzindo em medida avulsa e sem substância e mais uma vez caracterizada por linguagem que viola as fronteiras do razoável. Refugiando-se nas chamadas redes sociais, em que o despudor se espraia com estranha impunidade, utilizou termos raiam o insulto, através de insinuações poucos claras e despropositadas entre pessoas que lideram instituições cuja honorabilidade não deve ver-se despromovida a banais questiúnculas de bairro.

BRUNO DE CARVALHO ainda não enxergou essa destrinça e por isso enfrenta nítida dificuldade em comportar-se como primeira figura de um clube grande e respeitado como é o Sporting, tal como deve entender-se o desempenho institucional do cargo, em vez de manifestar-se como simples chefe de tribo, com especial preocupação pelos ecos que lhe chegam dos grupos de pressão, ou claques organizadas, como se queira designá-los. Dá a ideia de confundir tribalismo com rivalidade, o que não só é perigoso, como despiciendo. Nada me move contra BdC, obviamente, mas julgo que a estratégia turbulenta por ele seguida não o beneficia, nem ao clube. Pelo contrário, as mudanças que repetidamente proclama (ou proclamou) no futebol português só terão sucesso pela razão e não pela confrontação.

ALÉM de se zangar com quantos o contrariam, que mais fez Bruno de carvalho nestes quase dois anos de consulado? Contestou os fundos quando na primeira tentativa presidencial ele mesmo agitou como bandeira o apoio financeiro de um fundo russo. Aliviou a despesa com a redução de pessoal sem olhar a nomes e provocando mal entendidos dispensáveis e desagradáveis. Interveio na área da formação, tirando e pondo gente com as consequências que o futuro revelará. Pactuou na encenação de despedimento de Marco Silva, sabe-se lá com que intenção. Comunicou em assembleia geral a construção de um pavilhão até final do próximo ano (!) e, em simultâneo, anunciou a entrada de 18 milhões de euros sem divulgar, no entanto, a sua origem devido a uma cláusula de confidencialidade. Ou seja, em concreto, BdC prometeu muito, mas concretizou pouco e... quanto a obra visível, nada, ao contrário de Luís Filipe Vieira que construiu um estádio emblemático, ergueu um complexo desportivo fantástico e apresenta um museu de referência e um centro de treinos ao nível dos melhores do mundo, além de ter em projecto a Casa do Jogador, sinal inequívoco de que um presidente não deve limitar-se a contar os troféus e se calhar, por isso, as ditas claques o têm incomodado...
Aquilo que o actual presidente leonino tem para apresentar, e é muito, já lá estava, por iniciativa e esforço de outros. Bruno de Carvalho não fez nada, Filipe Vieira fez tudo: eis a diferença entre ambos. São incomparáveis!"

Fernando Guerra, in A Bola

Damas e Eusébio

"Meu caro Bruno de Carvalho:
Estava 1973 a caminho do fim, houve um Benfica-Sporting - e no regresso ao Porto, o árbitro despistou-se a alta velocidade e morreu. Porém, do que lhe quero falar é de outra coisa. Aos 54 minutos, Fernando Leite assinalara livre contra o Sporting, Artur deu toque subtil para o lado e... não foi um remate, foi um morteiro. A bola bateu no suporte da rede - e voltou em carambola para fora da baliza. Damas, convencido (mas convencido mesmo...) de que fora na barra que batera, agarrou-se e pô-la em jogo:
- Como era livre a 30 metros da baliza, não quis barreira. Deu no remate fulminante, como eu nunca vira. Deixou-me atarantado, sem sequer perceber se tinha sido golo. Eu e mais gente. Aliás, o primeiro a perceber foi ele, o Eusébio. A festa que fez é que levou à festa do Terceiro Anel. No fundo, esse lance mostrou que o Eusébio via sempre primeiro e mais longe do que qualquer um de nós, era um génio, um daqueles raros jogadores que jogariam em qualquer equipa 100 anos antes ou 100 anos depois...
Nunca me esqueço: sempre que esse lance lhe saltava à memória de uma cavaqueira, Eusébio deixava-se ir numa espécie de contracorrente à fascinação:
- Toda a gente fala desse golo, mas eu dou mais valor a outro que marquei ao Damas, um em que fui do meio-campo à baliza a driblar, houve gajos que eu passei duas vezes... Aliás, mesmo nesse jogo do golo do livre, o segundo golo é que foi um espectáculo e para mim o melhor prémio foi o que o Damas fez depois...
Foi um golpe de cabeça, de costas para a baliza, na sequência de canto do Vítor Baptista. Tão assombroso que Damas se desembrulhou das redes e correu a tirar o Eusébio de magote onde estavam Artur, Toni e Nené em euforia para o abraçar, dar-lhe parabéns. Era, era disso que lhe queria falar. Para lhe dizer, na força da metáfora, que o resto em que você tem andado nos últimos dias, não é futebol, nem sequer folclore - é uma vergonha, para o futebol. (Mas, sim: muito pior é a tarja, foi a tarja do Very Lught 1996 - que nem sei como qualificar...)"

António Simões, in A Bola

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Choveu em Santiago...

"Foi um dos momentos mais dramáticos da história do Benfica. No dia 28 de Janeiro de 1967, em Santiago do Chile, Augusto Silva »acordou morto para o Futebol». Já aqui relembrámos a sua carreira; relembremos agora o seu suplício.

Em Janeiro de 1967, o Benfica estava no Chile. Como sempre costumavam fazer, os dirigentes dessa equipa fantástica que encantava o Mundo, aproveitaram uma pausa no Campeonato Nacional para levarem Eusébio, Coluna, José Augusto, Simões, e mais e mais e mais, numa digressão longa e cansativa mas que valia uns bons punhados de dólares.
No dia 25 de Janeiro, o dia de anos de Eusébio, o Benfica defrontou o Universidade Católica e empatou 2-2. No dia 28, foi a vez de jogar contra um misto do Universidade Católica com o Universidade do Chile. Derrota por 1-2. Uma derrota que foi um mal menor.
Na manhã de 28 de Janeiro, Augusto Silva, um dos mais dedicados jogadores do clube, dá entrada no Hospital de Neurocirugia Del Salvador, em Santiago. Diagnóstico precoce: hemiplegia. Não jogará nessa noite no estádio Nacional Julio Martinez Prádanos. Não voltará a jogar Futebol. «A Bola», no dia seguinte ao trágico acontecimento titulou com a mestria dos velhos grandes: «Acordar morto para o Futebol».
Disseram depois que, na véspera, se deitara cedo. Era um cumpridor. Jogara a sua partida de cartas, como habitualmente depois de jantar. A viagem que se iniciara cinco dias antes fora cansativa. Ainda pesava no corpo de todos os jogadores. Rezam as crónicas dos jornais chilenos que, tirando alguns movimentos ofensivos, a exibição 'encarnada' frente ao Universidade Católica deixará a desejar. Nessa altura, exigia-se tudo ao Benfica que fora há bem pouco campeão da Europa.
Houve, seis anos mais tarde, um filme que ficou famoso: «Chove em Santiago». Contava a queda de Salvador Allende, tinha Jean-Louis Trintignant, Annie Girardot, Bibi Anderson, tudo gente famosa à época. E música do incomparável Astor Piazzola.
Parece que choveu em Santiago nessa manhã. E choveu, choveu muito na alma de Augusto Silva.
Os médicos chilenos foram muito claros logo no segundo dia do seu internamento: não voltará a jogar Futebol!
Um acidente vascular cerebral provocara-lhe a paralisa geral do lado direito do corpo, retirando-lhe ao mesmo tempo o uso da fala. Augusto Silva estava consciente, percebia tudo o que lhe diziam e tentava responder com gestos desenhados pela mão esquerda. Era-lhe ministrada Papaverina, uma substância que servia para a dilatação vascular.
A equipa regressa a Portugal. Ferida na asa.
Fernando Riera, o treinador, chileno de nascença, fica com Augusto Silva em Santiago mais uns dias, procurando acompanhá-lo, ir sabendo da evolução do seu estado.
Lá longe, em Lisboa, há a prece.

Sob o signo do sete
Foi longa a estadia de Augusto Silva em Santiago do Chile. Só regressaria a Portugal no dia 17 de Fevereiro, entrando em seguida para o Centro de Reabilitação de Alcoitão.
Aos poucos foram-se sabendo pormenores daquela sinistra manhã. Ao acordar, Augusto Silva sentira uma comichão no braço e, pouco depois, perdia a sensibilidade. Seriam os seus companheiros de quarto, Iaúca e Camolas, a encontrá-lo, já prostrado. O destino tirou-lhe o futebol, mas a fibra de que era feito não o atirou para a margem da vida.
A sua chegada a Lisboa teve momentos dolorosos. A imagem da sua saída do avião, para ser recebido pelo filho pequeno que o esperava, ficou na memória de muitos. O último filho que iria perder, depois de ter visto morrer dois ainda tão meninos.
Recuperou como pode. Trabalhou para o Benfica anos a fio como funcionário.
A sua estria do Futebol de I Divisão tinha sido, curiosamente, no Estádio da Luz, pelo V. Guimarães, onde iniciara a carreira. A vitória encarnada nesse encontro foi esmagadora: 7-0.
De volta ao campeonato, depois da triste digressão ao Chile, o Benfica defronta, na Luz, o V. Guimarães: todos os colegas jogam por Augusto Silva, querem oferecer-lhe a vitória. E que vitória: 7-0.
Sob o signo do sete.
Augusto seria campeão, como os outros. Talvez um pouco mais campeão até.
Nesse seu último campeonato actuara por duas vezes, frente ao FC Porto, na Luz (vitória 3-0) e em São João da Madeira, contra a Sanjoanense (vitória 3-1), sempre a defesa. Para a Taça de Portugal, defrontou a Ovarense na Luz (3-0, com o primeiro golo da ser da sua autoria), e para a Taça das Cidades com Feira, muito pobre para o Benfica nesse ano, tinha sido utilizado contra o Spartak Plovdiv e contra o Lokomotiv Leipzig.
E nada voltaria a ser como dantes.
Os «Luar na Lubre», grupo da Galiza, também cantou «Chove em Santiago».
E diziam:
«Chove en Santiago
na noite escura.
Herbas de prata e sono
cobren a valeira lúa».
Choveu em Santiago sobre Augusto Silva. Mas não lhe afogou a coragem. Ficou para sempre como exemplo da vitória do crer contra a adversidade. Que não caia no esquecimento."

Afonso de Melo, in O Benfica

Meio-morto

"No domingo, na Luz, ainda a segunda parte ia a meio, já o Vitória, a perder por 3-0, defendia o resultado, com duas linhas de jogadores em frente à área. Enquanto isso, o árbitro fazia o que os árbitros teimam em fazer entre nós. Sem cometer erros decisivos, dava todos os contributos possíveis para estragar ainda mais o jogo, apitando por tudo e por nada (32 faltas) e começando a distribuir amarelos a ritmo apreciável (seis amarelos, cinco dos quais nos últimos 20 minutos). No fundo, é o futebol português em todo o seu esplendor. Jorge Jesus disse na conferência de imprensa que, a partir de certa altura, o Vitória estava meio-morto. Temo bem que não seja assim. É o campeonato português que está a ficar meio-morto.
Passam as jornadas e parece que a tendência se consolida. Um campeonato de jogos desinteressantes. Entretanto, o fosso entre três ou quatro clubes e os restantes acentua-se, com uma agravante: contra adversários de qualidade duvidosa, o futebol dos grandes tenderá a degradar-se também. É penoso assistir a 90 por cento dos jogos da 1.ª Liga e há demasiados sinais de que é uma tendência que veio para ficar. Devemos agradecer a todos aqueles que se bateram pelo alargamento da 1.ª Liga e que agora defendem o fim dos fundos e a aposta no jogador português. Por este caminho, bastarão dois ou três anos para o nosso campeonato estar ao nível do escocês, holandês e belga.
Se nada for feito para parar esta deriva, o cenário será mais ou menos este: Portugal deixará de ser porta de entrada para jovens talentos que querem singrar na Europa e que não podem entrar directamente nos clubes espanhóis e ingleses de topo; os jovens jogadores portugueses de qualidade deixarão o pais antes de se afirmarem nas equipas principais dos três grandes; e o campeonato português será nivelado (ainda mais) por baixo. Façam bom proveito."

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Lixívia XXI

Tabela Anti-Lixívia:
Benfica.............. 53 (+1) = 52
Corruptos........ 49 (+11) = 38
Braga............... 40 (+4) = 36
Sporting.......... 44 (+10) = 34


A 21.ª jornada, será outra daquelas rondas, onde os anti's vão tentar colar a imagem do suposto 'colinho', mesmo quando nada aconteceu que o justifique... Bastou ouvir os programas de Domingo à noite, no pós-jogo, para confirmar a ânsia, como qualquer lance onde o Benfica é supostamente beneficiado, é analisado. Todos os critérios que servem para analisar os 'casos' nos outros jogos, de um momento para o outro, deixam de interessar...!!!

Aos 2 minutos na Luz, existe um desses lances duvidosos. A jogada começa com um fora-de-jogo não assinalado ao avançado do Setúbal, depois o Jardel atrapalha-se com o Rambé, e vão os dois ao chão. O fora-de-jogo anula qualquer discussão, mas revendo as repetições o penalty, para mim, não existe: primeiro o Jardel parece tocar na bola com o pé esquerdo, não é evidente, mas a bola muda ligeiramente de trajectória, muda inclusivamente de 'rotação'... agora, o Jardel não toca com o pé esquerdo no adversário, o contacto, dá-se quando o Rambé, tenta apoiar o pé direito, e acaba por tropeçar na perna esquerda do Jardel, para mim, não seria penalty...
Pouco depois, o Rambé desvia a bola com o braço, e só não marca golo, porque o Artur defende. No Estádio, estava perto do lance, e não vi o Braço... pareceu-me um quase auto-golo!!! Mas o Rambé, que se fartou de fazer faltas, devia ter visto um Amarelo... pouco depois na cotovelada que deu ao Samaris, devia ter visto o 2.º amarelo!!!
No 2.º golo do Benfica, muito se tem falado... Este é daqueles lances que só no Tugão são discutidos. O defesa entra desequilibrado no lance (dá inclusive um saltinho antes do contacto!!!), o Ola John é mais forte, ganha o lance, e o Setubalense rebola para a piscina... O critério no resto do jogo foi parecido, o Benfica não beneficiou de uma falta, durante os 90 minutos, num único lance parecido com este. Aliás no resto da partida, só o Miguel Pedro e o André Horta, conseguiram 'sacar' faltas destas (ambos jogadores do Setúbal)... Basta recordar que o Benfica, com 70% da posse de bola, teve 1 ou 2 Livres Laterais no jogo todo, enquanto o Setúbal, que só defendeu, beneficiou de 5 ou 6 Livres Laterais!!!
O critério disciplinar nos últimos 30 minutos, foi completamente absurdo. Só o Samaris saiu do jogo com um castigo directo, mas a acumulação de amarelos, vai prejudicar o Benfica, nas próximas jornadas...
A forma como trocou um pontapé de canto, por um lançamento lateral... e ainda a forma como trocou alguns pontapés de canto, por pontapés de baliza, demonstrou falta de atenção, no mínimo...!!!

No Dragay estava tudo muito nervoso com 1-0 nos últimos minutos... o Cafú levou um amarelo alanrajado, que podia no limite ser vermelho, mas nada de anormal... Mesmo assim, com os protestos, lá conseguiram sacar um livre indirecto dentro da área, nos últimos minutos, num corte legal!!!
Em Belém além dos Frangos do Patrício (só um concretizado!!!), não houve grandes casos: não me parece penalty no lance com o William; o Cedric foi bem expulso; houve uma lei da vantagem muito mal decidida, mas...
Em Braga tivemos festival!!! Penalty e expulsão perdoada ao Braga, que daria o 1-1, e nos últimos minutos, com o Arouca totalmente 'partido', o Éder fez o 2-0 em fora-de-jogo...!!!

Anexos:
Benfica
1.ª-Paços de Ferreira(c), V(2-0), Cosme, Prejudicados, Sem influência no resultado
2.ª-Boavista(f), V(1-0), Marco Ferreira, Prejudicados, (2-0), Sem influência no resultado
3.ª-Sporting(c), E(1-1), Proença, Nada a assinalar
4.ª-Setúbal(f), V(0-5), Capela, Nada a assinalar
5.ª-Moreirense(c), V(3-1), Luís Ferreira, Prejudicados, (4-1), Sem influência no resultado
6.ª-Estoril(f), V(2-3), Vasco Santos, Nada a assinalar
7.ª-Arouca(c), V(4-0), Hugo Miguel, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
8.ª-Braga(f), D(2-1), Marco Ferreira, Prejudicados, (2-3), (-3 pontos)
9.ª-Rio Ave(c), V(1-0), Manuel Mota, Nada a assinalar
10.ª-Nacional(f), V(1-2), Bruno Paixão, Prejudicados, Beneficiados, (2-2), (+2 pontos)
11.ª-Académica(f), V(0-2), Jorge Ferreira, Beneficiados, (0-1), Sem influência no resultado
12.ª-Belenenses(c), V(3-0), Manuel Oliveira, Nada a assinalar
13.ª-Corruptos(f), V(0-2), Jorge Sousa, Nada a assinalar
14.ª-Gil Vicente(c), V(1-0), Capela, Beneficiados, (0-0), (+2 pontos)
15.ª-Penafiel(f), V(0-3), Paulo Baptista, Nada a assinalar
16.ª-Guimarães(c), V(3-0), Rui Costa, Nada a assinalar
17.ª-Marítimo(f), V(0-4), Xistra, Nada a assinalar
18.ª-Paços de Ferreira(f), D(1-0), Paixão, Nada a assinalar
19.ª-Boavista(c), V(3-0), Hugo Miguel, Prejudicados, Beneficiados, Sem influência no resultado
20.ª-Sporting(f), E(1-1), Sousa, Nada a assinalar
21.ª-Setúbal(c), V(3-0), Manuel Oliveira, Prejudicados, Sem influência no resultado

Sporting
1.ª-Académica(f), E(1-1), Soares Dias, Beneficiados, (2-1), (+1 ponto)
2.ª-Arouca(c), V(1-0), Nuno Almeida, Prejudicados, (2-0), Sem influência resultado
3.ª-Benfica(f), E(1-1), Proença, Nada a assinalar
4.ª-Belenenses(c), E(1-1), Cosme Machado, Nada a assinalar
5.ª-Gil Vicente(f), V(0-4), Xistra, Beneficiados, (1-4), Sem influência no resultado
6.ª-Corruptos(c), E(1-1), Benquerença, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
7.ª-Penafiel(f), V(0-4), Rui Costa, Beneficiados, Impossível contabilizar
8.ª-Marítimo(c), V(4-2), Manuel Oliveira, Beneficiados, (4-3), Sem influência no resultado
9.ª-Guimarães(f), D(3-0), Hugo Miguel, Prejudicados, (2-0), Sem influência no resultado
10.ª-Paços de Ferreira(c), E(1-1), Bruno Esteves, Beneficiados, (1-2), (+1 ponto)
11.ª-Setúbal(c), V(3-0), Soares Dias, Beneficiados, Impossível contabilizar
12.ª-Boavista(f), V(1-3), Jorge Sousa, Nada a assinalar
13.ª-Moreirense(c), E(1-1), Jorge Ferreira, Nada a assinalar
14.ª-Nacional(f), V(0-1), Duarte Gomes, Beneficiados, (1-1), (+2 pontos)
15.ª-Estoril(c), V(3-0), Soares Dias, Nada a assinalar
16.ª-Braga(f), V(0-1), Hugo Miguel, Nada a assinalar
17.ª-Rio Ave(c), V(4-2), Nuno Almeida, Beneficiados, (2-2), (+2 pontos)
18.ª-Académica(c), V(1-0), Rui Costa, Beneficiados, (1-1), (+2 pontos)
19.ª-Arouca(f), V(1-3), Jorge Ferreira, Beneficiados, (2-2), (+2 pontos)
20.ª-Benfica(c), E(1-1), Sousa, Nada a assinalar
21.ª-Belenenses(f), E(1-1), Paulo Baptista, Nada a assinalar

Corruptos
1.ª-Marítimo(c), V(2-0), Xistra, Nada a assinalar
2.ª-Paços de Ferreira(f), V(1-0), Mota, Beneficiados, (1-1), (+2 pontos)
3.ª-Moreirense(c), V(3-0), Bruno Esteves, Nada a assinalar
4.ª-Guimarães(f), E(1-1), Paulo Baptista, Nada a assinalar
5.ª-Boavista(c), E(0-0), Jorge Ferreira, Nada a assinalar
6.ª-Sporting(f), E(1-1), Benquerença, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
7.ª-Braga(c), V(2-1), Proença, Beneficiados, (2-2), (+2 pontos)
8.ª-Arouca(f), V(0-5), Xistra, Beneficiados, Prejudicados, (1-6), Sem influência no resultado
9.ª-Nacional(c), V(2-0), Nuno Almeida, Nada a assinalar
10.ª-Estoril(f), E(2-2), Soares Dias, Beneficiados, (3-2), (+1 ponto)
11.ª-Rio Ave(c), V(5-0), Benquerença, Beneficiados, (1-2), (+3 pontos)
12.ª-Académica(f), V(0-3), Manuel Mota, Nada a assinalar
13.ª-Benfica(c), D(0-2), Jorge Sousa, Nada a assinalar
14.ª-Setúbal(f), V(4-0), Manuel Oliveira, Beneficiados, (2-0), Sem influência no resultado
15.ª-Gil Vicente(f), V(1-5), Nuno Almeida, Nada a assinalar
16.ª-Belenenses(c), V(3-0), Manuel Mota, Nada a assinalar
17.ª-Penafiel(f), V(1-3), Soares Dias, Beneficiados, (1-0), (+3 pontos)
18.ª-Marítimo(f), D(1-0), Capela, Nada a assinalar
19.ª-Paços de Ferreira(c), V(5-0), Marco Ferreira, Beneficiados, Impossível contabilizar
20.ª-Moreirense(f), V(0-2), Xistra, Nada a assinalar
21.ª-Guimarães(c), V(1-0), Nuno Almeida, Nada a assinalar

Braga
1.ª-Boavista(c), V(3-0), Vasco Santos, Beneficiados, (1-0)?!, Impossível contabilizar
2.ª-Moreirense(f), E(0-0), Paixão, Prejudicados, (1-0), (-2 pontos)
3.ª-Estoril(c), V(2-1), Hugo Miguel, Prejudicados, (3-1), Sem influência no resultado
4.ª-Arouca(f), D(1-0), Proença, Nada a assinalar
5.ª-Nacional(f) E(1-1), Jorge Tavares, Prejudicados, Impossível contabilizar
6.ª-Rio Ave(c), V(3-0), Bruno Esteves, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
7.ª-Corruptos(f), D(2-1), Proença, Prejudicados, (2-2), (-1 ponto)
8.ª-Benfica(c), V(2-1), Marco Ferreira, Beneficiados, (2-3), (+3 pontos)
9.ª-Académica(f) E(1-1), Bruno Paixão, Nada a assinalar
10.ª-Gil Vicente(c), V(2-0), Manuel Oliveira, Beneficiados, (0-0), (+2 pontos)
11.ª-Penafiel(f), V(1-6), Hugo Miguel, Nada a assinalar
12.ª-Guimarães(c), E(0-0), Xistra, Nada a assinalar
13.ª-Belenenses(f), V(0-1), Paulo Baptista, Nada a assinalar
14.ª-Paços de Ferreira(c), V(3-0), Manuel Mota, Nada a assinalar
15.ª-Marítimo(f), D(2-1), Jorge Sousa, Nada assinalar
16.ª-Sporting(c), D(0-1), Hugo Miguel, Nada a assinalar
17.ª-Setúbal(f), V(1-3), Paulo Baptista, Nada a assinalar
18.ª-Boavista(f), D(0-1), Duarte Gomes, Beneficiados, Sem influência no resultado
19.ª-Moreirense(c), V(1-0), Soares Dias, Nada a assinalar
20.ª-Estoril(f), V(0-2), Manuel Oliveira, Prejudicados, (0-3), Sem influência no resultado
21.ª-Arouca(c), V(2-0), Tiago Martins, Beneficiados, (1-1), (+2 pontos)

Cota... e o Rei do Carnaval de Ponte de Lima!!!