Últimas indefectivações

domingo, 18 de janeiro de 2026

Ganhar em Vila do Conde


"Em destaque nesta edição da BNews o desafio de hoje entre Benfica e Rio Ave, com início agendado para as 20h30, em Vila do Conde.

1. Focados em vencer
Em antevisão à partida com o Rio Ave, José Mourinho revela o estado de espírito do grupo de trabalho: "O moral é alto pela confiança que retirámos de um jogo muito bem conseguido, com exceção do mais importante, que é o resultado, obviamente; com a tristeza que se tem de transformar – e se está a transformar – progressivamente, até à hora do início do jogo, em motivação, em força, em energia. Estamos motivados para dar 'caça' digamos assim, respeitosamente, às duas equipas que estão à nossa frente. Depois do empate em Braga, voltar às vitórias no Campeonato."

2. Informação clínica
O Sport Lisboa e Benfica esclarece a situação do atleta João Veloso.

3. Jogos do dia
No Benfica Campus, a equipa B do Benfica recebe o Chaves às 18h00, e os Juvenis defrontam o Casa Pia às 16h00. Na Luz, o Benfica é anfitrião do UD Os Pinhelenses em futsal no feminino (15h00), do SC Espinho em voleibol no masculino (17h00) e do OC Barcelos em hóquei em patins no masculino (19h00). As equipas femininas de andebol, hóquei em patins e voleibol defrontam, respetivamente, o Colgaia (17h00), a Académica (14h00) e o Vitória SC (18h00).

4. Ao serviço de seleções
Foram 14 os atletas do Benfica integrados em estágios das Seleções Nacionais Sub-17 e Sub-16 de futebol.

5. Vitória em França
O andebol benfiquista iniciou a participação no torneio Les Rencontres Internationales de Handball com um triunfo ante o Limoges.

6. Reforços
Chegam duas jogadoras para o plantel de voleibol no feminino do Benfica.

7. Protagonista
A basquetebolista Artémis Afonso é a entrevistada da semana.

8. Chamadas internacionais
Os nadadores Diogo Ribeiro e Gustavo Ribeiro e sete jogadoras de polo aquático estão convocados por Portugal.

9. Ligação à comunidade
A equipa de Juniores do Benfica acolheu, no Benfica Campus, alunos da Escola EB1 de Miratejo.

10. História Agora
Veja a rubrica habitual das manhãs de quinta-feira da BTV.

11. Casa Benfica Caldas da Rainha
Esta embaixada do benfiquismo celebrou o 73.º aniversário.

12. Em destaque
Os principais conteúdos e temas que marcam a agenda do Sport Lisboa e Benfica nas diferentes plataformas do Clube."

PQP - Pão, Queijo, Pudim (e agradeça todos os dias)


"Onde se fala de Barrenechea e da importância das frases motivacionais Enzo Barrenechea ensinou-nos que o futebol é emoção, sim, mas também é interpretação livre, poesia de balneário e, às vezes, literatura moderna.
Afinal de contas, aquilo que qualquer pessoa minimamente fluente em palavrões pensava ser um clássico da escola sul-americana do insulto, não era nada disso.
HDMP - que para muitos significava Hijos De Mil P*** - na verdade quer dizer Humildade, Disciplina, Muito Trabalho, Paixão. Tal como LOL quer dizer Liberdade, Ordem, Lealdade e WTF é Work, Talent, Focus.
Mas há algo aqui que me inquieta. Porquê, Muito trabalho? Porque não só Trabalho? O que é que o trabalho fez para merecer um advérbio e os outros não?
Porque razão não é Muita Paixão também? Ou Muita Humildade? MMMM: Muita humildade, Muita disciplina, Muito trabalho, Muita paixão. Isso é que era. Ou será que, para Barrenechea, o trabalho é mais importante do que a disciplina e a paixão?
Enfim, são dúvidas que ficam por responder, enquanto o mundo ganha uma espécie de novo mantra de autoajuda. Já estou a imaginar os jogadores a tatuar HDMP no braço. Ou o Benfica a apostar numa nova frase motivacional: HDMP - viver com valores.
Quem perdeu nesta história? A verdade. Quem ganhou? Muita gente. O marketing do Benfica, por exemplo. Mas também os profissionais do coaching: Hidratar, Descobrir, Meditar, Partir. Ou os veterinários que tratam dos nossos animais, sejam eles o Hamster, Diabo da Tasmânia, Macaco ou Pulga. E os hipocondríacos, claro. Já os estou a imaginar a dizer que têm HDMP: Hepatite, Diabetes, Meningite, Peste.
E claro, os cozinheiros espanhóis que nos querem ensinar a fazer ovos rotos. Como se faz?
Huevos
Diente-de-leon
Mucho sal? No
Pouquito.
O futebol moderno é muito isto: coragem, motivação e aforismos. Um jogador manda o que parece ser um insulto em código e dois dias depois está a vender t-shirts com uma mensagem inspiradora.
É importante agradecer. Agradeça todos os dias. Ou então, não."

Central: Béla Guttmann: O Maior Treinador da História do Benfica!

De Fafe a Torres Vedras


"Ainda bem que o sorteio desta semana ditou a possibilidade de Associação Desportiva de Fafe ou Sport Clube União Torreense estarem na final da Taça de Portugal.
Bem sei que, para as parangonas dos jornais (sobretudo os da área do desporto) e para o clickbite digital e das redes sociais, seria muito mais atrativa uma reedição de clássico, com Sporting e FC Porto podendo disputar entre si o segundo mais apetecido troféu do futebol português.
Mas, como se viu na recente final da Taça da Liga (com todas as limitações competitivas que, na minha opinião, contribuem para uma clara desvalorização do troféu), podemos ter grandes jogos e fantásticos ambientes sem a presença de qualquer dos três mais emblemáticos conjuntos portugueses.
Por isso, ainda bem que o clássico poderá ter lugar nas meias-finais (ainda por cima a dobrar), tendo a palavra o Aves SAD para evitar que tal suceda.
A Taça de Portugal não é mais nem menos do que uma prova de sonhos concretizados. Ao longo dos anos, equipas de divisões menos cotadas estiveram em foco e, no limite, conseguiram presenças muito interessantes e dignificantes no Estádio Nacional. A história fala de David contra Golias mas, na realidade, o que quer significar é a grande capacidade de abnegação, de luta, de conquista, de crença, de motivação que a competição permite e promove, levando ao limite circunstâncias do jogo que, numa prova de regularidade, dificilmente se manteriam por muito tempo e em jornadas sucessivas.
O trabalho que a AD Fafe e o SCU Torreense assinaram, na atual edição da Taça de Portugal, é absolutamente notável, justamente porque radica nos valores que sublinhei no parágrafo anterior. Atentemos no percurso minhoto: Moreirense, Arouca, Lusitano de Évora (uma das sensações da época passada) e, agora, SC Braga regressam a casa com a porta fechada e — pelo menos na ótica também minhota de Braga — com um dos objetivos da temporada caído por terra.
Em Fafe mora Mário Ferreira, nome que estaremos mais habituados a associar, de imediato, ao audiovisual ou à indústria marítima. Porém, este Mário Ferreira, aos 31 anos, está agora a colher os frutos do que foi plantando com o grupo de trabalho às suas ordens, e com o inefável e indispensável apoio (por ele, de resto, enfatizado e agradecido), de uma generosa massa de adeptos, consegue um percurso notável, que leva a equipa à antecâmara da final do Jamor, e (com a necessária pontinha de sorte) a um duplo confronto com o Torreense. Importa dizer que a AD Fafe milita na Liga 3, a competição em muito boa hora gizada e criada pela Federação Portuguesas de Futebol (com um dedo muito importante do então diretor-geral Luís Sobral), e que, na sua génese, visou dar campo, visibilidade mediática (através das regulares transmissões do Canal 11) e patamar competitivo de entry level no profissionalismo, para atenuar as imensas diferenças financeiras e estruturais encontradas pelos clubes que, provenientes do Campeonato de Portugal, se viam projetados no âmbito das provas da Liga Portugal.
Fafe, cidade e concelho de grande ebulição desportiva, chega às meias-finais da prova rainha com o dedo do treinador Mário Ferreira, mas a base de desenvolvimento de um projeto credível na identidade local, estável na componente financeira e determinado no âmbito desportivo.
Justamente o mesmo que Torres Vedras pretende do seu SCUT. Lembro-me de imensas deslocações ao Estádio Manuel Marques, enquanto jornalista de rádio, e de perceber nos torreenses o desejo de que o seu clube não mais tivesse abandonado o convívio dos maiores.
Pode, porém, um passado histórico servir agora de motivação e de resiliência para a recuperação desejada. Atuando no segundo escalão profissional, a equipa do Oeste mudou recentemente de comando técnico, e as ondas de choque parecem ter gerado combustível e vontade para duas vitórias, uma delas, justamente, nos quartos de final da Taça de Portugal, agora com Luís Tralhão promovido dos sub-23 ao degrau mais alto.
Cruza-se a história de Fafe e de Torres Vedras, cidades muito próximas, também, na tradição do ciclismo e, por isso, vibrantes com as proezas dos seus, qualquer que seja a modalidade. Serão dois jogos inesquecíveis, os das meias-finais da Taça de Portugal entre estes emblemas. E dois, pela última vez, porque o quadro mais lógico, até em face do restante modelo da prova, é que o caminho direto para a final seja disputado apenas a um jogo.
Mas até neste detalhe, ainda bem que estaremos perante a última temporada de meias-finais a duas mãos. Porque nenhuma destas cidades, depois dos percursos brilhantes das respetivas camisolas nesta Taça de Portugal, merecia ficar fora do roteiro. Provavelmente até teremos dois clássicos para apurar o outro finalista, com o natural e habitual impacto causado nos media. O que honestamente espero é equilíbrio, equidistância e equidade na importância, no impacto e nos espaços informativos concedidos aos quatro jogos das meias-finais, para que AD Fafe e SCU Torreense vejam feita justiça absoluta ao seu mérito desportivo e à proeza que constitui o apuramento de ambos para uma tão adiantada fase da competição.
Só assim se promoverá, verdadeiramente, o espírito de Taça que honra o talento, o arrojo, o desassombro. E que, claro, nos motiva a gostar cada vez mais de Futebol.

Cartão branco
Tanto se disse, tanto se escreveu. Os dois principais jornais da área do desporto, em Portugal, puxaram para primeira página, no dia do FC Porto-Benfica, a imagem de Fábio Veríssimo, como se se tratasse de uma consequência óbvia de uma onda de polémica e exacerbação em relação à nomeação do árbitro internacional de Leiria para o clássico dos quartos de final da Taça de Portugal. Fábio (que conheço bem, e que foi meu aluno no Curso de Formação de Dirigentes da Portugal Football School), manteve-se igual a si próprio, impávido, abstraído do ruído circundante, e concentrado. Fez um trabalho notável e, no final do jogo, ninguém falou dele. Depois, André Villas-Boas sublinhou a excelência da arbitragem. Era tão bom que a Team One não preenchesse primeiras páginas, sobretudo antes dos jogos. A brilhante resposta de Fábio Veríssimo e da sua equipa foi dada no relvado do Estádio do Dragão.

Cartão branco
Chama-se Marcos Antunes. É português de Resende, foi o selecionador nacional que levou Angola aos Mundiais de futsal em 2021, na Lituânia, e em 2024, no Uzbequistão. Quando tudo parecia ter pernas para andar com os Palancas da modalidade, a nova direção da Federação Angolana de Futebol decidiu dar outro sentido ao desenvolvimento da modalidade no país. Marcos Antunes aterrou agora em Windhoek, para assumir o cargo de selecionador nacional de futsal da Namíbia. E vai, pela sua dedicação e competência, ser feliz onde verdadeiramente o querem."

BF: Rio Ave...

DAZN: Bundesliga - R17 - Golos

Gerson no zénite


"Gerson chegou ao Brasil do Zenit e no Brasil chegou ao zénite. Parece confuso mas não é: o internacional brasileiro foi contratado por Pedro Lourenço, milionário dono do Cruzeiro, ao clube de São Petersburgo por 27 milhões de euros e, dessa forma, atingiu o topo, ou seja o zénite, das transferências mais caras da história do país.
No Brasil anda a gastar-se muito — como nunca. O acordo pelo jogador, que visa voltar à lista de intocáveis de Carlo Ancelotti, superou as transferências de Vítor Roque, pelo Palmeiras ao Barcelona, de Samuel Lino, pelo Flamengo ao Atlético Madrid, e de Danilo, pelo Botafogo ao Nottingham Forest, todas no ano passado.
«Trata-se de um jogador de classe incontestável, capaz de elevar o nível de uma equipa que já apresentou bom futebol no ano passado», opinou Alexandre Alliatti, colunista do site GE, nos últimos dias. «Mas na minha opinião a questão é se Gerson, por mais inflacionado que esteja no mercado nacional, vale tudo isso. Na minha opinião, a resposta é não.»
Com efeito, Gerson tem 28 anos, terá 32 no final do contrato, e jogou apenas 12 partidas no último semestre na Rússia, só oito como titular e sendo substituído em sete delas.
Lourenço, o apaixonado investidor cruzeirense, quer a todo o custo tirar o gigante que comanda da sombra de Fla e Verdão e até do rival Atlético Mineiro, que investiu muito há uns anos, inclusive num estádio próprio, mas essa obsessão pode ser contraproducente. Já no ano passado contratou Gabigol e Dudu, não por acaso as maiores estrelas do passado recente de flamenguistas e palmeirenses, e o primeiro já foi cedido ao Santos e o segundo contratado, precisamente, pelo Galo.
Se Leonardo Jardim fez um ótimo trabalho em 2025 — terceiro lugar no Brasileirão — foi muito mais graças a Matheus Pereira, que já lá estava, e a contratações cirúrgicas menos mediáticas, como Fabrício Bruno ou Kaio Jorge.
Mas, enfim, a escalada de reais gastos não pára por aqui e Lucas Paquetá pode estar a caminho do Mengão.
Essa escalada reflete-se no top-10 de reforços mais caros: o quinto e o nono da lista são Pedro e Gabigol, que voltaram ao Brasil via Fla já na era milionária do clube carioca, o sétimo, Thiago Almada, chegou ao Botafogo em 2024 e pode estar de volta ao Palmeiras (com o Benfica atento), e o 10.º, Paulinho, é o único que transitou entre clubes brasileiros, do Atlético para o Verdão, no ano passado.
Ou seja, loucuras antigas só Tévez, em 2004, do Boca Juniors para o Corinthians, e Edmundo, contratado pelo Vasco à Fiorentina por 20 milhões de euros, em 1999, negócio que foi, por anos, o zénite das transferências no país."

Colocar Portugal no mapa do rugby mundial


"Nos últimos dias soube-se que Espanha formalizou a sua candidatura para organizar o Rugby World Cup 2035, um movimento que está a ganhar peso e legitimidade junto das estruturas internacionais. A notícia não é apenas relevante para o rugby espanhol é, acima de tudo, um alerta estratégico para Portugal. Enquanto o nosso rugby vive um momento histórico, com a segunda qualificação consecutiva para um Campeonato do Mundo, a vizinha Espanha tem-se vindo a posicionar para assumir um papel de liderança no panorama internacional. A pergunta impõe-se: poderá Portugal fazer o mesmo?

Espanha acelera e com um plano sólido
A estratégia espanhola para desenvolver o rugby é clara: crescer dentro de campo e fora dele. Além do investimento nas suas seleções, Espanha tem apostado fortemente na organização de grandes eventos. Nos últimos anos conseguiu impor-se como país organizador de provas de relevo, tais como etapas do HSBC World Sevens Series, finais do European Professional Club Rugby (EPCR) e Rugby Europe Championship.
A organização da Rugby World Cup 2035 seria o culminar de um processo que tem vindo a ser trabalhado nos últimos anos, imediatamente após o rugby espanhol ter passado por movimentos difíceis pela eliminação na secretaria da presença dos RCW 2019 e 2023, por culpa própria diga-se. Esta nova abordagem tem efeitos concretos: aumenta a visibilidade da modalidade, impulsiona o número de praticantes, mobiliza investimento público e privado e coloca o país no centro das decisões estratégicas do rugby mundial.
Não é um caso isolado, outros países seguem a mesma estratégia e procuram mostrar-se ao rugby mundial para garantir crescimento. Note-se que a World Rugby anunciou recentemente que vai investir cerca de €250 milhões no desenvolvimento do rugby nos Estados Unidos, numa estratégia que pretende transformar o mercado norte-americano antes da realização do Mundial de 2031.
Face a isso, é legítimo questionar porque Portugal continua a posicionar-se de forma tímida neste contexto global? Na minha opinião, Portugal tem condições reais para seguir este caminho, tendo mesmo condições para se afirmar como um Hub Internacional de Rugby. Portugal e o Rugby português têm vantagens objetivas que já não podem, nem devem ser ignoradas:
— Com temperaturas amenas durante grande parte do ano, Portugal reúne condições ideais para treinos, estágios e competições ao ar livre. A localização, acessível e bem conectada a partir de qualquer ponto da Europa, reforça ainda mais a atratividade.
— O turismo desportivo cresce em Portugal acima da média europeia. A realização de torneios, estágios e grandes competições tem impacto direto na hotelaria, restauração, serviços e mobilidade. O rugby pode tornar-se um dos principais motores deste segmento, com benefícios distribuídos por várias regiões do país.
— Portugal tem estádios, centros de treinos, equipamentos desportivos e uma cadeia logística preparada para eventos internacionais. Não são exclusivos de rugby é um facto, mas podem facilmente ser adaptados.
— A comunidade portuguesa residente em França é uma das maiores diásporas do mundo, com centenas de milhares de pessoas orgulhosamente ligadas às suas raízes. Nos Mundiais de 2007 e 2023, esta comunidade foi um verdadeiro 16.º jogador, enchendo estádios, criando ambiente, gerando impacto mediático e mostrando ao mundo uma paixão nacional difícil de ignorar. Esta força social deve ser vista como parte integrante da estratégia para captar eventos internacionais de rugby. É uma ferramenta de promoção, marketing, influência e identidade que distingue Portugal e que amplia qualquer candidatura.
Se Espanha está a posicionar-se com visão e ambição, Portugal não pode continuar a limitar-se à participação em torneios, deve ambicionar organizá-los. Reforço, a organização regular de grandes eventos internacionais teria efeitos imediatos, no aumento do número de praticantes, na criação de notoriedade e consequente atração de investimento e retorno financeiro e no aumento de prestígio internacional e influência institucional. Receber competições europeias e mundiais fortalece a posição de Portugal junto da World Rugby e da Rugby Europe, abrindo portas a programas de financiamento e parcerias estratégicas.
Mais, a equipa portuguesa dos Lusitanos disputará hoje a meia-final da Rugby Europe Super Cup contra os Brussels Devils, da Bélgica. Independentemente do resultado, que esperamos que seja uma vitória, Portugal jogará nos Países Baixos no próximo fim de semana, uma vez que tanto a final como o jogo de atribuição do 3.º e 4.º lugares serão disputados no evento Rugby Europe Super Cup Finals. Mais uma vez, trata-se de uma oportunidade perdida para o rugby português, que vê um momento decisivo do panorama europeu ser centralizado noutro país, e por um selecção com menor expressão histórica e competitiva que Portugal, mas que aproveitou esta ocasião para se mostrar no cenário internacional.

O que falta a Portugal? Vontade e uma estratégia clara
A evolução do rugby português tem sido extraordinária, fruto de talento, esforço e paixão, mas já não é possível sustentar o crescimento apenas com entusiasmo. É necessária uma estratégia nacional que coloque o rugby no radar das grandes decisões nacionais e internacionais. Portugal pode avançar facilmente com candidaturas para torneios europeus quer seja sub-18, sub-20 ou seniores, provas do Circuito Europeu e Mundial de Sevens, competições europeias de clubes, torneios internacionais de pré-época, estágios de seleções estrangeiras, entre outros. Isto não exige sonhos impossíveis, exige visão, coordenação institucional e ambição.
Espanha está a mover-se com rapidez e inteligência. Os Estados Unidos preparam um investimento histórico. O rugby global está em mudança profunda e os países que ficarem parados serão simplesmente ultrapassados. Portugal tem talento, tem clima, tem segurança, tem turismo, tem infraestruturas, tem paixão e tem, sobretudo, uma Seleção Nacional que mostrou ao mundo que merece estar entre os melhores.
O próximo passo é transformar esse capital desportivo num projeto estratégico para o futuro. Portugal pode e deve tornar-se um destino internacional de rugby. Oportunidades como esta não aparecem muitas vezes. E quando surgem, não podem ser ignoradas.
Por último, segue um grande abraço para o jogo de hoje aos Lusitanos. O sucesso em campo é o início de sucesso para todo do rugby nacional, reforçando a credibilidade e demonstrando que Portugal tem talento e ambição para competir ao mais alto nível."

sábado, 17 de janeiro de 2026

Antevisão...

Terceiro Anel: Antevisão - Mourinho - Rio Ave

COMO CONDICIONAR UM ÁRBITRO E SAIR A BEM DA TRAPALHADA


"André Villas-Boas

Ato 1
Arranja-se um pretexto para carregar forte e feio na nomeação e, assim, deixar o árbitro condicionado.

Ato 2
O árbitro, condicionado, decide todos os lances duvidosos a favor da sua equipa.

Ato 3
Tendo ganho, elogia-se à grande o trabalho do árbitro para passar uma esponja sobre tudo o que de mau foi dito antes do jogo. Sem mais comentários."

A falta de vergonha... mais uma vez!

Na defesa dos seus


"O BENFICA TEM QUE IR ATÉ ÀS ÚLTIMAS CONSEQUÊNCIAS 

A última vez que estive no Dragão foi na goleada de 4-1 na época passada. Desde o arranque da caixa de segurança no ponto de encontro até estar sentado na bancada não foi preciso sequer uma hora. Por outro lado, não me pediram ou eu vi alguém a ter que se descalçar para entrar no estádio. Tudo correu bem.
Se sabem fazer as coisas bem, porque é que ontem correu tão mal? A resposta parece óbvia: por má vontade.
Os adeptos são a essência do futebol. Os adeptos são a razão de ser dos clubes. O Benfica tem que ir até às últimas consequências nesta questão.
Já vimos adeptos do Benfica a ser desconsiderados em vários estádios, a ter que despir camisolas, a serem obrigados a deixar do lado de fora qualquer tipo de objeto identificável com o seu clube. Ontem, no Dragão, conseguiram ser piores, passaram das marcas mais abjetas.
Acompanho habitualmente a equipa nos jogos fora. Sei bem os sacrifícios por que passam os adeptos fora de casa. Estou solidário com todos os que foram mal-tratados ontem no Dragão e não deixarei cair o assunto nas minhas participações televisivas nem na crónica da edição de domingo n'O Jogo.
Deixo a ligação para o post de um dos prejudicados ontem no Dragão.
👇

BI: Antevisão - Rio Ave

Benfica Podcast #578 - January Ending

Lanças...


História Agora


Benfica: quando a cabeça tem de mandar


"Há momentos numa época em que somos obrigados a fazer um exercício que custa mais do que qualquer derrota. Olhar para o clube que amamos e aceitar que o tempo da esperança imediata pode ter acabado. Não por falta de amor. Não por falta de vontade. Mas por excesso de realidade. E essa realidade, por mais que custe, acaba sempre por se impor, mesmo aos clubes grandes, mesmo aos adeptos mais resilientes.
A eliminação da Taça de Portugal no Dragão não foi apenas mais um jogo perdido. Foi um ponto final simbólico. Não porque o Benfica tenha sido inferior. Pelo contrário. Houve atitude, houve organização e, na maior parte do tempo, até superioridade. Houve uma equipa preparada para competir. Mas também houve aquilo que tem sido uma constante ao longo desta época: faltou qualidade na hora de decidir.
E quando falta qualidade, a atitude deixa de chegar. Pode ajudar a discutir jogos. Pode ajudar a equilibrar forças. Mas raramente chega para vencer títulos. É duro dizê-lo numa fase ainda relativamente precoce da época.
É duro dizê-lo quando os adeptos estão feridos, cansados e cada vez mais desconfiados. É duro dizê-lo sabendo que o treinador e os jogadores não podem, nem devem, alinhar neste discurso. Eles têm de continuar a correr, a lutar, a honrar a camisola em cada minuto. Isso é inegociável. É o mínimo exigível a quem representa o Benfica.
Mas quem dirige o clube não pode pensar com o coração do adepto. Tem de pensar com a frieza de quem tem a obrigação de preparar o futuro. E essa frieza não é desistência nem falta de ambição. É responsabilidade. É perceber que há momentos em que insistir no discurso da esperança permanente apenas adia decisões que têm de ser tomadas.
O Benfica ainda tem objetivos esta época. Passar à próxima fase da Liga dos Campeões. Lutar pelo melhor lugar possível no campeonato. Garantir, pelo menos, o segundo lugar que dá acesso à Champions da próxima temporada. Mas sejamos claros: esses objetivos já não são desportivos no sentido emocional. São financeiros. São estruturais. São meios para garantir estabilidade e margem de manobra na próxima temporada.
Porque, olhando para esta equipa, não se vislumbra capacidade para vencer o campeonato ou para uma surpresa europeia. Falta talento individual. Falta magia. Falta aquele jogador que, quando tudo está bloqueado, resolve sozinho. Falta o Rafa que acelerava quando ninguém conseguia. Falta o Di María que inventava quando o jogo parecia morto. Falta aquele rasgo que muda uma noite inteira e altera o destino de um jogo, mesmo quando o coletivo está preso.
E isso percebe-se mesmo nos jogos em que o Benfica está bem. Mesmo quando há atitude, mesmo quando há compromisso, mesmo quando a equipa está organizada, o problema aparece sempre no mesmo sítio. Na incapacidade de criar desequilíbrios. Na falta de magia no último terço. Na dificuldade em transformar posse e domínio territorial em oportunidades claras. Uma equipa que cria pouco, marca pouco e, por isso, ganha pouco.
Há também aqui uma questão de perfil. O Benfica construiu um plantel com muitos jogadores corretos, fiáveis, disciplinados taticamente, mas poucos capazes de desequilibrar por si próprios. Jogadores que precisam de contexto favorável para render, quando tantas vezes os jogos exigem precisamente o contrário. Exigem improviso, risco, talento individual que rompa com o guião.
Houve jogos recentes em que o problema não foi apenas a qualidade. Foi a atitude. As primeiras partes frente ao SC Braga, no campeonato e na Taça da Liga, são exemplos claros. Não se entra assim num jogo. Não se pode. E esses momentos contam, porque revelam fragilidades competitivas que não surgem por acaso. Revelam uma equipa que nem sempre reage bem à pressão.
Mas mesmo quando a atitude surge, como no Dragão, a história repete-se. A atitude sem talento raramente chega para ganhar títulos. Pode chegar para competir. Pode chegar para discutir. Mas dificilmente chega para decidir épocas.
É por isso que este momento da temporada tem de ser encarado como aquilo que verdadeiramente é: o início da preparação da próxima época. Não como abdicação. Não como rendição. Mas como planeamento. Como lucidez estratégica.
É agora que o Benfica tem de olhar para a formação e perceber quem pode fazer parte do futuro. É agora que tem de dar minutos, responsabilidade e contexto competitivo a jovens que podem crescer. Não para cumprir agenda, mas para criar soluções. É agora que tem de perceber quem já não acrescenta, quem chegou ao seu limite e quem pode ser útil noutro papel. É agora que estes meses têm de funcionar como uma pré-temporada prolongada para 2026/2027.
Porque, se o Benfica continuar apenas a reagir jogo a jogo, a tentar salvar emocionalmente uma época que, desportivamente, já não se salva, arrisca-se a chegar à próxima temporada com os mesmos erros, as mesmas ilusões e a mesma frustração acumulada. E isso seria repetir um ciclo que já dura há demasiado tempo.
O mercado ensina-nos isso todos os dias. Jogadores medianos custam hoje 20 ou 30 milhões. Exige-se que sejam craques instantâneos. E depois surpreendemo-nos quando não o são. O Benfica tem de ser cirúrgico. Tem de errar menos. Tem de contratar melhor. E isso não se faz em cima do joelho.
Eu sei que o coração do adepto não aceita isto. Sei que custa olhar para os meses que faltam e pensar mais no amanhã do que no hoje. Mas há momentos em que a cabeça tem de mandar. E, neste momento, mandar significa preparar o Benfica para voltar a ser dominante. Não em discursos. Não em promessas. Mas em campo.
Porque o Benfica não pode viver eternamente a tentar sobreviver a épocas falhadas. Tem de aprender com elas. E esta, goste-se ou não, é uma dessas épocas."

É o Benfica, sem qualquer surpresa!


"A época acabou na Luz e não surpreende, após tantos erros. Estamos apenas em janeiro. No Dragão, colhem-se os frutos da simplicidade: do processo, da mensagem e da escolha de rumo

Acaba o clássico e a sensação que fica é que, embora tenha corrido alguns riscos, o FC Porto controlou a partir do 1-0. Pouco ou nada se importou com conclusões redutoras ou a ideia de vitória moral extraída pelo rival, que vislumbrou um par de oportunidades flagrantes e ainda viu sustentado o argumento do penálti sobre Barreiro. Ironia das ironias, os meios foram mais importantes para Mourinho e companhia do que o próprio fim.
A crise existe, no entanto, a miragem de um outro resultado não deixa que ganhe contornos sufocantes. Além de no epicentro, claro, estar um dos melhores da história, ainda que há muito tenha saltado em andamento para apeadeiros em que esse comboio dificilmente irá parar.
Dizia eu: acaba o clássico e a imagem que me surge é de um coletivo, em que as coisas podem ser simples, mas não deixam de fazer sentido, a superiorizar-se a uma soma de jogadores, sem qualquer tipo de química entre si. Pelo perfil sim, e pela forma como os distribuem em campo.
Claro que o Benfica se apresentou organizado, unido pelo objetivo primário de não sofrer golos. Contudo, mais à frente, não foram assim tão poucos os momentos em que foi cada um por si a tentar ligar com Pavlidis. Aliás, tem sido esse o caminho que as águias têm percorrido, em contraciclo com os rivais e os maiores de outras ligas.
Enquanto o coletivo, com expoente máximo em PSG, Arsenal e Bayern, e a um nível menor, pela perda de alguma identidade, no Manchester City, parece ter virado finalmente paradigma — as individualidades servem e servem-se do processo — na Luz procuram-se soluções de desequilíbrio para fechá-lo, quase como se aí não fossem precisos treino e ideias. Apenas pura inspiração. Se os maiores do planeta já não abdicam dos jogadores multifuncionais, capazes de defender, mas também de atacar com engenho e qualidade, de roubar a bola, porém ainda de a colocar curta ou longa, ou levá-la colocado ao pé no drible e no sprint, ao mesmo tempo, no Benfica escolhem-se futebolistas unidimensionais, só capazes de pressionar para recuperar e aparecer para finalizar como Barreiro. De fintar ou cruzar como Lukebakio. De acelerar e centrar como Sidny. Até Roger Schmidt, que vivia na vertigem, precisava de jogadores de pausa, de inteligência, de controlo. Teve de criá-los, recuperar proscritos como Florentino e João Mário, inventar Chiquinhos, dar depois a batuta a João Neves. Que depois perdeu como Enzo, sem substituto à altura.
Não foi surpresa a eliminação do Benfica. E o FC Porto nem precisou de fazer muito. Marcou, não fechou com o segundo golo e entregou-se à gestão, conhecendo não só as debilidades do adversário na criação como as próprias forças em tapar caminhos para a baliza de Diogo Costa. Podia ter corrido mal, sim, todavia as probabilidades de que seria bem-sucedido sempre foram superiores.
A partir do 1-0, mas sobretudo daquele falhanço de Pavlidis já depois de Diogo Costa ter brilhado no final da primeira parte, vende-se a imagem de um Benfica infeliz e do resultado injusto. Da atitude diferente. Sim, a agressividade nos duelos subiu, a par com a condescendência do adversário, confortável com o que se estava a passar. E o Benfica, ferido e a lutar pela vida na única competição que poderá realmente vencer, foi apenas esforçado. A 15 de janeiro, ainda que possa prolongar um pouco mais a presença na Champions e lutar pelo segundo lugar do campeonato e, assim, pela próxima edição da mesma competição, a época praticamente acabou. E nem é surpresa.
Leio entretanto que não é a altura para abdicar de Mourinho, que o Benfica precisa de um manager, alguém com cultura de vitória para fazer o clube sair do momento que vive no futebol profissional (talvez precisasse de mais uns quantos para as modalidades). Por muito que concorde com a ideia que face ao vazio de liderança, legitimado pela larga maioria que o escolheu, seja preciso alguém que encontre rapidamente um rumo e tome as decisões certas, é preciso acertar que rumo deverá esse.
Escrevi aqui que o Benfica tem de saber o que quer. Que tipo de futebol pretende colocar em campo, a fim de atingir os seus objetivos. Qual é a sua cultura de clube? Em que é o que os adeptos se reveem? Em ganhar, sim, mas como? Enquanto andar a saltar de ideia para ideia, ou atrasar aquela que será sempre a dominante na sua história, o seu ADN, estará a perder tempo. Mourinho escondeu a equação atrás do ganhar e agora, sem resultados, pouco lhe resta mais do que um futebol desfigurado que se encolhe diante do futuro. Se não é a solução como técnico, o que parece evidente, também não o será como manager.
Já ninguém se lembra de onde o FC Porto partiu. Das dificuldades financeiras, do plantel pouco competitivo, do ano zero que se anulou a si próprio. Enquanto a sul se falava da falta de tempo para introduzir três ou quatro novos jogadores e, depois, um novo processo, no Dragão começava-se quase do início. Com novas ideias. A mensagem passou logo na pré-época e, com um ou outro sobressalto, consolidou-se ao ponto de, jornada após jornada, se ganhar. Seguro da decisão, Villas-Boas renovou com Farioli, tal como Rui Costa fez com Schmidt. Ambos bem, a meu ver, mas com sustentação diferente. Sobretudo a nível da liderança. Porque um bom técnico não chega, a não ser que seja muito mais do que isso, que também seja um pouco presidente. Sobretudo, líder.
Roger Schmidt não o era. Lage também não. O velho Mourinho poderia sê-lo. Não este. Amorim mostrou-o antes e talvez pudesse devolver o rumo que esta direção nunca encontrou, ainda que pouco ou nada mereça ser salva pelo que não fez até aqui. Porque, no fundo, por vezes basta não complicar o que é simples.
Villas-Boas, que já falhou feio e tantas vezes se perdeu no discurso, talvez ainda a dialogar com a sombra do antecessor, se ganhar agora fá-lo-á por uma razão essencial: sempre soube o que queria. Definiu um caminho, sustentou-o e foi coerente.
No futebol, ganhar pode ser consequência. Saber quem se é — e agir de acordo com isso — devia ser sempre o princípio."

Do clássico do detalhe à «situação difícil» de Mourinho


"O detalhe que decidiu o clássico da Taça não esteve só no golo de bola parada e no falhanço incrível, mas fica também uma frase de José Mourinho que talvez precise de ser analisada com pormenor

De um lado a cabeçada de Bednarek a evocar Jorge Costa, do outro o falhanço de Pavlidis a lembrar Bryan Ruiz. O clássico da Taça de Portugal caiu para o lado do FC Porto, mas o detalhe que decidiu o apuramento para as meias-finais não esteve apenas no aproveitamento de um pontapé de canto como expoente máximo da eficácia.
O Benfica jogou acima daquilo que tem sido o padrão da temporada, mas o crescimento coletivo — com uma atitude competitiva que nada ficou a dever ao rival — ficou órfão do plano individual, incapaz de fazer a diferença no Dragão.
Como tantas vezes no futebol, a nódoa caiu no melhor pano, o de Pavlidis, tão só na companhia de Prestianni, Barreiro e Sidny Lopes Cabral. Isto perante uma muralha azul que já era impressionante, e que agora ainda foi reforçada com a contratação de Thiago Silva. Embora mais discreto do que Bednarek, o brasileiro teve uma estreia arrebatadora, tanto a proteger a sua baliza como a construir jogo (aquela dobra na lateral direita, concluída com um passe entre as pernas de Sudakov…) 
A coesão defensiva do FC Porto começa em Samu, mas já por aqui escrevi que o maior upgrade na equipa deste ano é mesmo a qualidade dos elementos da linha defensiva.
José Mourinho já teve mais razões para apontar o dedo aos jogadores, mas no adeus a outra taça fez questão de realçar que foi contratado pelo Benfica «numa situação difícil».
Favorável não era, seguramente, ou não teria sido chamado a substituir Bruno Lage, mas Mourinho não deve estar a fazer contas à luta pelos títulos internos, que o prejuízo atual já vai além daquele que herdou.
Talvez a «situação difícil» esteja relacionada (também) com o plantel que herdou, mas aí o técnico perdeu margem para pedir reforços, tendo em conta a ambição limitada com que a equipa pode encarar a segunda metade da temporada.
Talvez a «situação difícil» esteja relacionada com o processo eleitoral que o clube atravessou, ou com carências que Mourinho possa identificar na estrutura do Benfica. Talvez.
Ficou por entender a real dimensão das palavras do técnico encarnado, mas seria importante — para sócios e adeptos, acima de tudo — que a mesma fosse explicada um dia destes, pelo próprio.
Hoje não será, que Mourinho não fará conferência de imprensa de antevisão da visita a Vila do Conde."

Benfica e o desafio de gerir as lesões no ombro


"O Benfica informou que Richard Ríos sofreu uma luxação anterior traumática do ombro direito durante o jogo da Taça de Portugal frente ao FC Porto, no Estádio do Dragão.
É uma das lesões mais comuns nas articulações do corpo humano e está associada à prática desportiva.
Não propriamente ao futebol. É uma das lesões mais comuns nas articulações do corpo humano e está associada à prática desportiva. A luxação ocorre quando a cabeça do úmero (osso do braço) se desloca da cavidade glenóide (a parte da escápula onde deveria encaixar). No caso da luxação anterior, o úmero move-se para a parte da frente do corpo com possível rotura de estruturas como ligamentos e cápsula articular.
Os encarnados para já preferem descartar a cirurgia e optar por avaliar diariamente a evolução clínica do jogador internacional colombiano para, posteriormente, tomar uma decisão mais concreta.
Tanto o tratamento cirúrgico como o conservador são opções viáveis e ponderadas caso-a-caso.
A preferência do atleta do Benfica neste caso também desempenha um papel importante na tomada de decisão para o tratamento, isto porque tanto o tratamento cirúrgico como o conservador são opções viáveis e ponderadas caso-a-caso.
Após a primeira luxação traumática do ombro anterior, a articulação pode tornar-se mais instável.
Por outro lado, após a primeira luxação traumática do ombro anterior, a articulação pode tornar-se mais instável e continuar a deslocar-se, de forma progressivamente mais simples. Não há informação clínica pública para saber se esta foi a primeira vez que aconteceu.
No mesmo dia em que Richard Ríos se lesionou, outro jogador do Benfica, João Veloso, foi submetido a uma intervenção cirúrgica para tratamento de instabilidade anterior do ombro. O mesmo diagnóstico. Tal como tinha acontecido com Tiago Gouveia. Este ano, Sudakov já ficou indisponível por lesão no ombro e Enzo Barrenechea ainda está em recuperação após lesão no treino, também no ombro."

Renascença: Jogo da Palavra - Armando Sá: "No Villarreal, vejo Riquelme, Forlán, Sorín... E eu 'estou no sítio certo'"

SportTV: Mercados - Tudo de olhos postos no regresso de Rafa Silva 👀

BF: Rafa...

Zero: Mercado - Confirmada proposta por Rafa

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Vendaval de lesões em Alvalade: que explicação?

Observador: E o Campeão é... - Que "Puzzle sem peças" fará Rui Borges com o Casa Pia?

Observador: Três Toques - O que faz um treinador quando chega a um clube?

Tailors - Final Cut - Especial - Óscar Botelho - Clássico

SportTV: Primeira Mão - ⚽ Do clássico à surpresa em Fafe

BolaTV: Toque de Bola - S01E07 - Giovanni Branchini: «Rui Costa foi amor à primeira vista»

ESPN: Futebol no Mundo #528

TNT - Melhor Futebol do Mundo...

Terceiro Anel: DRS #34 - ARRANQUE DA NOVA TEMPORADA!! 🏎️🏁

Nomeação de árbitros e good governance: uma reflexão necessária


"As federações desportivas não são meros organizadores de competições. São entidades reguladoras, guardiãs da integridade das provas, da confiança pública e da credibilidade do sistema desportivo. No futebol, esta responsabilidade assume particular relevo quando estão em causa decisões suscetíveis de influenciar a perceção de justiça, imparcialidade e verdade desportiva, como sucede, de forma muito especial, no domínio da arbitragem.
A nomeação de árbitros para competições oficiais não é um ato neutro, nem meramente técnico. Trata-se do exercício de um poder discricionário, que deve ser orientado por critérios de prudência, transparência, razoabilidade e alinhamento com os valores institucionais da Federação Portuguesa de Futebol (FPF). Estas decisões não produzem efeitos apenas no plano do jogo: têm impacto direto na confiança dos agentes desportivos, na perceção pública da arbitragem e na própria autoridade institucional da Federação.
O Regulamento de Arbitragem da FPF é claro ao estabelecer que compete ao Conselho de Arbitragem «defender o prestígio da arbitragem». Esta competência não se esgota na avaliação técnica do desempenho dos árbitros. Envolve, necessariamente, uma dimensão institucional e reputacional, que obriga a ponderar o contexto em que cada nomeação é efetuada e a forma como ela pode ser percecionada no espaço público.
Esta missão articula-se com o Regime Jurídico das Federações Desportivas, que impõe princípios de organização e funcionamento baseados, nomeadamente, na transparência e na boa governação. A atuação dos órgãos federativos deve, por isso, refletir não apenas conformidade formal com os regulamentos, mas também uma cultura de responsabilidade institucional e de gestão prudente do risco.
O Código de Ética e Procedimentos da FPF densifica estes deveres ao consagrar como princípios orientadores a credibilidade, a imparcialidade e a responsabilidade, sublinhando que os atos da Federação devem ser avaliados também pela forma como são percecionados. A ética desportiva, neste plano, não se limita à ausência de ilegalidade: exige uma atuação que proteja ativamente a confiança pública e a integridade das competições.
No mesmo sentido, os Estatutos da FPF impõem a defesa dos valores da ética, da lealdade, da verdade desportiva e do fair play. Estes comandos normativos traduzem uma ideia essencial: os órgãos federativos não são apenas aplicadores de regras, são responsáveis pela salvaguarda da integridade institucional do sistema.
Importa ainda sublinhar que o modelo português de designação de árbitros não assenta em sorteios automáticos, mas num sistema de nomeações. Esta opção organizativa implica um nível acrescido de exigência institucional. Quando a escolha resulta de uma decisão humana e discricionária, torna-se ainda mais relevante que os princípios de boa governação - transparência, prudência, imparcialidade e proteção do prestígio da arbitragem - sejam cumpridos de forma escrupulosa e visível.
É neste enquadramento que a nomeação de árbitros deve ser compreendida como um verdadeiro exercício de governação. Sempre que se escolhe um árbitro para determinado contexto competitivo, não se está apenas a selecionar um agente técnico, mas a gerir expectativas, perceções e confiança. Em cenários de elevada exposição mediática ou tensão competitiva, essa responsabilidade é naturalmente acrescida.
A boa governação exige, nesses casos, uma ponderação especialmente cuidada de todos os fatores relevantes, não apenas sob o prisma da competência técnica, mas também da proteção do prestígio da arbitragem e da salvaguarda da aparência de imparcialidade. Como a conhecida máxima recorda, não basta ser, é preciso parecer.
Por fim, importa sublinhar que, no plano estritamente desportivo, o jogo desta semana entre FC Porto e Benfica decorreu sem incidentes relevantes, tendo mesmo merecido palavras públicas de elogio à equipa de arbitragem por parte do presidente dos dragões. Esse dado deve ser reconhecido.
Ainda assim, uma reflexão serena de good governance permite concluir que determinadas nomeações, em certos contextos, podem colocar o próprio árbitro numa posição especialmente exigente, sujeitando-o a um nível acrescido de pressão e escrutínio que poderia ser evitado.
Em jeito de conclusão, a forma como são pensadas e comunicadas as nomeações no futebol profissional constitui um verdadeiro teste à maturidade da governação desportiva. Mais do que atos técnicos, são atos institucionais, que devem refletir rigor, sentido de responsabilidade e atenção ao impacto das decisões. A autoridade de uma federação constrói-se não apenas na letra dos regulamentos, mas na coerência entre esses regulamentos e a forma como são concretamente aplicados. É nesse plano sereno, construtivo e pedagógico que esta reflexão se impõe."

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Fever Pitch - Domingo Desportivo - 2026 Sem Nenhum Título para o Benfica

No Dragão não chega futebol


"No Dragão voltou a ganhar quem estava melhor preparado para enfrentar o fervor da batalha. E quem quis mais foi quem percebeu que ali não se joga apenas futebol. Sobrevive-se, para ganhar

É no Dragão que se separa o futebol jogado do futebol sentido. O Benfica não perdeu apenas jogo decisivo da Taça de Portugal, da época, perdeu - outra vez... - o confronto com a sua própria imagem, sem a noção inabalável do que é jogar num estádio destes como quem entra numa batalha - física e mental — sabendo que cada bola dividida vale mais do que um esquema bonito no quadro tático.
No Dragão voltou a ganhar quem quis mais, quem estava melhor preparado para enfrentar o fervor da batalha. E quem quis mais foi quem percebeu que ali não se joga apenas futebol. Sobrevive-se, para ganhar.
O Porto percebeu isso desde o apito inicial. O Benfica, quando percebeu, já estava a perder. Há derrotas que se explicam por detalhes. Esta explica-se por um vazio. Vazio competitivo, vazio emocional, vazio de liderança dentro de campo. Não basta ter bola se não se sabe o que fazer com ela. Não basta criar se se falha com a leveza de quem não sente o peso do símbolo ao peito. No Dragão, a displicência paga-se caro. Sempre pagou.
O FC Porto fez pouco, é verdade. Mas fez o suficiente. E fez o que tinha de fazer: jogar o jogo que o jogo pedia. Defender como equipa, morder em cada lance, transformar cada canto num momento de perigo e viver do erro alheio. Futebol também é isto. Sobretudo em jogos grandes.
O Benfica, esse, continua à procura de si próprio. Procura uma identidade que não aparece, uma confiança que não existe, uma reação que nunca chega. Janeiro expõe tudo. E os números não mentem: eliminado cedo nas taças, longe do título, irrelevante na Europa. Uma soma de fracassos que já não cabe no discurso da transição, do projeto ou da paciência.
Para o adepto, a época acabou. Acabou emocionalmente, acabou na crença, acabou na esperança. O resto é contabilidade. Para a SAD, para os relatórios, para os 40 milhões da Champions. Para quem está na bancada, isso não aquece nem consola. O futebol vive de vitórias, não de balanços financeiros.
Quanto a Mourinho, o crédito existe — porque o nome pesa e a história conta. Mas o crédito não é infinito. O Benfica não pode normalizar épocas falhadas. Não pode aceitar como destino aquilo que devia ser exceção. Começar a próxima temporada será um direito já conquistado. Legítimo."

Terceiro Anel: Bola ao Centro #176 - E agora Zé Mário?!

BI: Megafone - Voo Picado #9 - A comunicação do Benfica e as memórias antigas que se vão

Falar Benfica - Conversas Gloriosas #37

O Benfica Somos Nós - S05E36 - Corruptos...

Vermelho em Branco #27 - Especial Taça de Portugal

Zero: Canto - Foi-se tudo... até a esperança. E agora?

3 Toques - OS MILHÕES QUE NÃO RESOLVEM, ADEUS A ÉPOCA...

SportTV: Mercados - Rodrigo Ribeiro sai por empréstimo, mas tudo à espera de Faye 🤝

Zero: Mercado - Obrador vai mesmo sair e Faye está a chegar

BF: Quem vai substituir Ríos no onze?

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Melhorias do Benfica, passagem do FC Porto

Observador: E o Campeão é... - Muralha portista sem "falhas" perante um Benfica "incapaz"

Observador: Três Toques - Ténis. Amador ganhou como um profissional

Zero: Saudade - S04E19 - João V. Pinto

Euro Fut: Fracasso

BolaTV: Lado B #22 - O Norte tem mais clubes que Lisboa!!

Farioli na senda de Amorim ou… Schmidt


"Percebo a decisão de Villas-Boas em renovar contrato com o treinador, mas considero-a precipitada.

André Villas-Boas renovou o contrato com Francesco Farioli, até 2028, pouco mais de seis meses após o treinador chegar ao FC Porto. Uma enorme prova de confiança e também uma jogada de antecipação.
Numa altura em que Farioli já estava a ser apontado à Premier League, primeiro ao Chelsea e depois ao Manchester United, o presidente dos dragões não quis esperar mais e chegou a acordo com o italiano para ampliar o vínculo.
Percebo Villas-Boas. O FC Porto está bem e recomenda-se. O percurso no campeonato é absolutamente fantástico, com uma primeira volta extraordinária, sem derrotas e com 16 vitórias em 17 jogos. Isto depois, convém não esquecer, da desoladora temporada transata, que só poderia terminar como terminou: com o despedimento do erro de casting que foi Martín Anselmi.
Depois de não acertar na escolha do treinador argentino, como também não foi bem-sucedida a aposta em Vítor Bruno, Villas-Boas quis premiar Francesco Farioli, que já convenceu tudo e todos no universo azul e branco.
Esta decisão do presidente dos dragões recordou-me as dos homólogos de Sporting e Benfica. Em 2022, Frederico Varandas renovou contrato com Ruben Amorim, que tinha chegado dois anos antes a Alvalade, por quatro épocas. Ninguém a questionou, até porque o agora ex-treinador do Manchester United foi campeão logo na primeira temporada completa no Sporting e quebrando um longo jejum de 19 anos.
No Benfica, situação idêntica. Roger Schmidt chegou à Luz em 2022 e logo na primeira época conquistou o título nacional. Antes de o celebrar, Rui Costa e o alemão renovaram, em março de 2023, o contrato, também até 2026. Então, a decisão do líder dos encarnados também foi bem aceite por todos.
Tudo, contudo, mudou rapidamente. Com o Sporting a sagrar-se campeão no ano seguinte, Roger Schmidt perdeu créditos na Luz. O segundo lugar soube a muito pouco e o alemão acabou despedido no início da época 2024/2025, tendo o Benfica de o indemnizar. Com muitos milhões, claro, por mais dois anos de contrato.
Já Amorim acabou por não resistir ao encanto da Premier League e rumou a Inglaterra, deixando o Sporting, no qual era endeusado, a meio da época transata. Neste caso, de nada serviu o vínculo contratual entretanto prorrogado, limitando-se os leões a receberem o valor da cláusula de rescisão.
Como já escrevi, percebo a decisão de Villas-Boas, mas considero-a precipitada. Afinal, Farioli estava ligado aos dragões até 2027 e ainda não ganhou nada. Mesmo que ganhe — o mais provável é que vença, pelo menos, a Liga —, como se viu com Ruben Amorim, não é o contrato que impede qualquer tubarão europeu de pescar em Portugal. E se não ganhar, como Rui Costa muito bem sabe…, o problema obviamente agrava-se."

Às vezes dá vontade de 'martelar' um sorteio


"FC Porto intenso, Benfica com objetivos de pé e um desejo pouco secreto para o sorteio das meias-finais da Taça: um Torreense-Fafe e a consequente certeza de um 'não grande' na final do Jamor

Fugiu, a boca de Diogo Costa, para o lado da verdade ao assumir, na flash interview após o clássico de ontem, que «às vezes o trabalho vale mais que a qualidade». Claro que nada é assim tão simples, mas a leitura imediata é certeira: foi na intensidade, no esforço e na forte crença que o FC Porto alicerçou uma importantíssima vitória, que o deixa em excelentes condições de procurar a dobradinha nas principais provas portuguesas.
Foi num pormenor que se decidiu o jogo e isso era expectável. O Benfica, de lição bem estudada, fez quase tudo o que podia ter feito para seguir em frente e manter a chama de um título acesa. Só não marcou, e isso paga-se caro (inacreditável o falhanço de Pavlidis).
Quanto a títulos parecemos, portanto, conversados no que respeita à segunda metade da época encarnada. Só uma enorme hecatombe de FC Porto e Sporting juntos permitiria reunir fatores que levassem os encarnados ao primeiro lugar da Liga. Sobre a UEFA Champions League manda o bom senso que nenhuma equipa portuguesa pense no assunto nas próximas décadas. E a tendência não vai para melhor neste aspeto, mas isso fica para discutir noutra altura.
O Benfica tem, porém, um enorme objetivo ao alcance, pelo que é prematuro anunciar uma espécie de final antecipado de temporada. A diferença entre ficar em segundo ou em terceiro lugar pode determinar muito do futuro da equipa e do clube, e o Sporting está, no limite, à distância de uma vitória no dérbi de Alvalade na segunda volta.
Um eventual apuramento para a fase seguinte da Liga dos Campeões não está fora de horizonte e poderá ajudar a construir pensamentos mais positivos para o que falta da época. De qualquer forma, talvez haja uma decisão importante a tomar... já, e não apenas no final da temporada: Mourinho tem, no Benfica, um projeto ou uma missão a prazo? Se for para continuar após o verão há muitos passos em direção ao futuro que podem ser dados entretanto; se a ideia é vencer o mais possível dentro do possível, então teremos os encarnados, em junho, a começar tudo de novo.
Voltando à Taça de Portugal, uma inconfidência de que não me envergonho: gostava que o sorteio de hoje ditasse um Fafe-Torreense nas meias-finais. A ordem é irrelevante, já que ainda se jogarão a duas mãos (felizmente pela última vez).
A certeza de ter uma equipa de escalão inferior no Jamor seria um belo alento para a Prova Rainha."

É a cultura, estúpido!


"Em 1992 surgiu a expressão «é a economia, estúpido!», por James Carville, estratega da campanha de Bill Clinton, como forma de explicar, e sem ser dirigida a ninguém em particular, o que estava a acontecer na sociedade norte-americana e de recentrar o debate no tema que realmente explicava um dos principais problemas do país. Parece-me mais do que apropriado adaptar essa expressão para explicar muito do que se passa em determinados contextos e o impacto da existência (ou inexistência) de uma cultura organizacional e desportiva forte num clube desportivo, tenha ele um cariz financeiro, empresarial ou multifundos muito marcado.
O tema divide-se, à partida, em dois mundos distintos. Existem aqueles que acreditam que o que se passa numa direção, nas reuniões de administração ou nos corredores dos bastidores do clube tem pouca influência no rendimento das equipas dentro das quatro linhas. E existem outros, onde me incluo, que acreditam que é extremamente difícil haver rendimento desportivo consistente dentro das quatro linhas sem uma cultura organizacional forte, sem uma direção, estratégia ou liderança sólidas, focadas nas decisões estruturais e não apenas nas fragilidades momentâneas.
Este é daqueles temas que, em alguns meios ou contextos, nem chega a ser considerado um tema. Não se investe, não se avança para a esquerda ou para a direita sem existir uma relação direta com aquilo que se pretende alcançar, alinhada com a estratégia, o propósito e a cultura organizacional existente, e sem se avaliar se contribui ou não para o que está definido.
Sei, por experiência própria, que a emoção, o impacto da gestão de fora para dentro e as consequências quase sempre imediatas dos resultados no desporto de alto rendimento, particularmente no futebol, em Portugal e em muitos outros países, tendem a destruir e a desorganizar quando se tenta colocar na mesma a estratégia, a cultura, os planos e os resultados. Ou existe uma estrutura sólida e robusta, ou o resultado vai anarquizar tudo ao ponto de fazer com que qualquer montanha-russa pareça insignificante em comparação com aquela mesa.
O que é então uma estratégia e estrutura sólida e robusta num clube desportivo? Antes de mais, nos dias de hoje, designações como clube-empresa ou clube multifundo não deveriam chocar ninguém. Esta é a primeira dimensão a sublinhar: o ecossistema atual é muito diferente. É necessário existir um enorme equilíbrio entre a flexibilidade que a vertente desportiva deve ter com as áreas de negócio, mas, por outro lado, cabe à direção defender, a todo o custo, aquilo que é a dimensão desportiva e de rendimento das equipas, porque esse continua a ser o core de qualquer clube desportivo.
É evidente que o resultado tem e terá sempre muito impacto no dia a dia de um clube. O que não pode, nem deve, permitir é a constante alteração das decisões tomadas ontem. Um plano ou uma estratégia devem ter um caminho definido, com limites claros, mesmo sabendo que não existe uma percentagem exata da flexibilidade a existir.
Por fim, para situações excecionais, medidas excecionais. Mas quando o acaso passa a ser normal, aquilo que deveria ser investimento começa a confundir-se com simples despesa. Não é por se ter que se deve gastar."

No dia de Oxalá, porque não o Candomblé?


"A razão da Inteligência Artificial ver melhor o óbvio do que nós e o recurso a tradições religiosas que serão tão crendice quanto as decisões dos sócios de vários clubes.

A inteligência artificial consegue surpreender-nos. Talvez porque faça melhor do que nós humanos um exercício que nos seria muito útil na vida: saber ver o óbvio. Para esse exercício ser bem feito um dos requisitos essenciais é o profundo controlo das emoções, área onde a inteligência artificial nos vence. Uma inteligência desprovida de emoções está melhor habilitada a ver a solução mais óbvia e, por norma, mais certa. Já para as grandes decisões, a busca do impossível, os grandes saltos da humanidade, a emoção é decisiva porque o petisco é proporcional ao risco.
Para a inteligência artificial, com quem esta manhã trocava dois dedos de conversa – os dois que uso no teclado do computador… - «o problema do futebol português não está no investimento privado, está antes no investimento sem enraizamento, sem regulação e sem compromisso com o clube. Isto enquanto conversávamos sobre o Boavista, que a qualquer momento pode ver decretado por decisão judicial o encerramento de toda a atividade depois de ter falhado um depósito na massa insolvente dos credores. E logo vem à liça o que aconteceu com clubes como Belenenses, Vitória de Setúbal, União de Leiria, Académica – estes a fazer pela vida, evitando a extinção e tentando recuperar – Beira Mar e Desportivo das Aves.
Num futebol onde a emoção, o aventureirismo, o lucro fácil, o experimentalismo, a gestão danosa, mas também a falta de regras, de controlo e de supervisão levaram ao desastre. Como pode um campeão nacional estar a um pequeníssimo passo da extinção? Às vezes encho-me de ímpetos justiceiros e – lá está, também com emoção – exclamo que mandaria prender uma série de pessoas que, ao longo dos anos, destruíram instituições que são também, ou deveriam ser, reservas morais e memórias coletivas.
Eu sei que há casos como o Estoril e, mais recentemente, Casa Pia cujos investimentos externos trouxeram estabilidade e solidez. Lá está, o problema não está no dinheiro nem na nacionalidade do mesmo. Está numa gestão correta, objetivos realistas ou tempo para colher os frutos. Será coincidência serem dois clubes que não tem das maiores massas adeptas?
Os adeptos e sócios são vítimas, mas são muitas vezes também culpados. Deram luz verde a decisões de risco, a saltos no escuro em assembleias gerais inflamadas. Foram no canto da sereia em alguns casos, esquecendo uma velha máxima: se algo parece bom demais para ser verdade há boas hipóteses de… não ser verdade.
Depois de se ter tentado de tudo, talvez os adeptos do Boavista possam experimentar o Candomblé e Umbanda, tradições religiosas de matriz africana. Em várias partes do mundo, não de forma oficial, pratica-se hoje, com maior solenidade, o culto a Oxalá, um dos orixás mais importantes. O orixá da criação, da fé e da espiritualidade, associado à paz, sabedoria, pureza e equilíbrio. Há que usar roupas brancas, rezar e cantar pela paz e prosperidade. Depois, o tempo de recolhimento, o silêncio absoluto. Terminar com uma oferta simples. E esperar pelo resultado.
Crendice? Não maior do que algumas decisões em vários clubes, nos quais os sócios abriram mão do controlo para a darem a investidores que ninguém conhecia. Ou que deram luz verde para decisões despesistas e irrealistas. Ou terem dado o voto a quem foi mais demagogo e prometeu algo que era bom demais para ser verdade. Pelo menos o Candomblé não leva clubes à extinção… Sendo que eu continuo a preferir uma velha máxima que foi transmitida pelos meus antepassados ao meu avô, este ao meu pai e o meu pai a mim: «Vive do trabalho das tuas mãos; não gastes o que não podes pagar; se tiveres de pedir emprestado paga as tuas dívidas sem falhar um único dia; não durmas sem cumprir religiosamente a tua palavra». Se resultou para eles, porque não para mim?"