Últimas indefectivações

segunda-feira, 14 de setembro de 2020

A actividade física e desportiva... em nova da vida (3)


"No recente e último artigo tínhamos ficado na Idade Contemporânea (meados do sec. XVIII até aos dias de hoje), recomeçando a aparecer a prática do exercício e da actividade física como fim terapêutico … e dissemos ainda que para além de caber a responsabilidade do lançamento das bases directivas do desporto organizado à Inglaterra, foi de facto nas escolas públicas e nas universidades que encontramos o gérmen aglutinador de paixões que o mundo adoptou e fez um crescendo de entusiasmo.
A partir do sec. XIX, mais propriamente do último quartel, elaboram-se regras ao pormenor em diferentes modalidades, e o desporto começa a perder um carácter puramente lúdico.
Como nota de brevíssima referência poderemos anotar o exemplo da participação nos Jogos Olímpicos modernos (fundados pelo Barão Pierre de Coubertin em 1894). Tiveram em Atenas em 1896 a sua abertura, com a presença de atletas totalmente amadores, tendo como essência de prática, a simples mas honrada participação, não sendo a coisa mais importante vencer, assim como a coisa mais importante da vida não era o triunfo mas a luta. É claro que os requisitos do amadorismo foram gradualmente desaparecendo com o implacável mercado publicitário, venda de imagens e marcas em que o atleta amador passou a ser trabalhado ao sabor da conquista das medalhas, em tempo integral, vendo no Estado, ( e não só), a batuta para o acórdão numa possível subida ao pódio com o foco da cores da bandeira “clamar” com lágrimas o hino da Pátria amada!...
Esta tendência da especialização competitiva assume dois aspectos a ter em atenção: os governos a preocuparem-se com a oficialização e regulamentação do desporto, tornando a sua prática obrigatória, passando o atleta a ser olhado para o movimento das bilheteiras, começando a reclamar a sua percentagem nos lucros. Surge então o profissionalismo, encoberto e tímido nos seus primórdios, para se tornar um caso sério na indústria circulante universal.
Nos tempos que correm a Actividade Física e Desportiva desempenha um padrão promocional do espectáculo entre as multidões que comentam, ouvem, praticam, veem, escrevem, leem, etc … sendo cada vez mais amplas as secções desportivas dos diários noticiosos, crescendo o número de periódicos das diversas especialidades, devorados por um público certo, que o segue de foram atenta e entusiástica. Qualquer acontecimento desportivo, tem por vezes nos dias de hoje mais repercussão do que importantes questões políticas ou sensacionais revelações científicas ou manifestações artísticas. Alteram-se horas de comícios, paralisam-se fábricas, encerram-se gabinetes públicos, quando um sensacional espectáculo ou grande competição, tem hora marcada.
O caso do dia é muitas vezes, o caso desportivo: a vitória do A sobre o B, o record estabelecido por determinado campeão, fazem a manchete noticiosa, estando a rádio, o cinema, os jornais, a T.V. com a responsabilidade de o propagandear depressa e bem.
Depois há uma grande actividade científica que utiliza as actividades físicas e desportivas como objecto de estudo. Na medicina, na psicologia, na pedagogia, na cibernética, na biomecânica, no treino desportivo, no direito, na nutrição, etc, a investigação atinge resultados admiráveis, marcando a história do profissionalismo uma referência de ordem económica, social e empresarial, impossível de suster. 
Não podemos contudo deixar de salientar os efeitos do desporto amador, para o lazer, para a educação e para a saúde, no reconhecimento da sua indispensabilidade e no direito da sua aplicabilidade.
Esse direito tem as suas origens mais longínquas nas regras, que os povos primitivos aceitavam como sagradas e cumpriam sem escrúpulos.
Como refere Fabrício Valserra (1923): “a história do desporto é uma das mais belas e instrutivas que se podem contar aos homens”.
Seria difícil na literatura grega algum historiador, poeta ou filósofo que não tivesse dedicado a sua atenção à Actividade Física e Desportiva, ou para enaltecer, reclamando a sua prática, ou para realçar as façanhas dos atletas. Lembra-nos aquele belo trecho de Aristófanes (446 – 386 a.C.), quando alude ao ideal da sua prática: “Brilhante e fresco como uma flor, tu passarás o tempo nos ginásios, em vez de dizeres tolices picantes sem pés nem cabeça na praça pública, ou de te irritares por qualquer questiúncula toda feita de chicanas, de contestações ou velharias. Irás até à academia, onde à sombra das oliveiras sagradas, começarás a tua corrida, coroado de subtil orvalho, com um amigo da tua idade. Aspirarás o aroma da salsaparrilha e do choupo, que vai perdendo os amentilhos, gozando a estação primaveril, quando o plátano vai confiando os seus segredos ao ulmeiro. Assim terás sempre o peito robusto, a tez límpida, os ombros largos!...”
Mas o homem de hoje procura descobrir a essência própria de todas as coisas. O que era verdadeiro ontem, pouco mais o é hoje e não será certamente amanhã. Mais do que nunca procuramos no fundo das coisas a capacidade para racionalizar as competências, isto é, o elemento duma cultura abrangente. Foi dentro destes conceitos e mudanças que o Desporto evoluiu.
Há alguns anos dizia-se que era preciso ser forte para se poder fazer Desporto, hoje, faz-se Desporto para se ser forte, porque nele está a possibilidade de salvaguardar a raça humana – é quase uma oportunidade de sobrevivência. (Continua)"

Vitoria na abertura...

Benfica B 3 - 2 Vilafranquense
Ramos(2), Vukotic


Regresso dos B, com uma vitória, e uma exibição agradável, apesar de alguns erros defensivos evitáveis!
O plantel este ano é mais 'experiente', o ano passado o Renato, 'levou' com demasiadas caras novas na II Liga, este ano houve mais jogadores a transitarem da equipa do ano passado, além disso os jovens que 'subiram' de escalão, já vem com um ano dos Sub-23, algo que não aconteceu com a geração anterior que 'saltou' directamente dos Juniores para os B...!!!

O Gonçalo continua com a mira afinada, mas também gostei do Vukotic, e do Ganchas. O Morato na 'direita' foi uma novidade (a lesão do Pedro Álvaro assim o obrigou!)... O Brito tem que melhorar a qualidade de decisão na entrega da bola... o Fábio dentro dos 'postes' até esteve bem, mas aquelas 'saídas' tem que ser temperadas! A utilização do Tomás Tavares na B, na minha opinião é uma opção válida... o Tomás saltou demasiado cedo para a equipa A, se não for emprestado, deve jogar na B...

PS: Destaque para o primeiro caso de Covid num jogador da equipa principal, em 'competição'!!!
Depois do que se passou ontem em Chaves, com as notícias que chegam de Barcelos, está-se a preparar o caldinho para uma época caótica, onde a xico-espertize de alguns pode decidir o Campeonato... e existe mesmo a possibilidade do Campeonato não chegar ao fim!!!
Jogos adiados, falta de datas, faltas de comparência, jogadores contaminados que os Clubes vão-se 'esquecer' de informar, jogadores potencialmente contaminados a defrontarem equipas, que na semana seguinte têm determinados adversários... o potencial para a trafulhice e falta de critério é gigantesco!!!

Sem espinhas...

Benfica 3 - 0 Sp. Espinho
25-17, 25-20, 25-18

Nova vitória, contra um Espinho reforçado, mas ainda longe do nosso nível...
Na final-four desta 'estranha' Supertaça, vamos defrontar o Sporting, que perdeu hoje contra a Fonte, o nosso provável adversário na Final... Em caso de vitória nas meias-finais, como é claro!

PS1: As nossas meninas do Voleibol, também continuam vitoriosas na Liguinha de acesso à primeira categoria, tendo vencido o Guimarães por 1-3, hoje. No próximo sábado temos as Meias-finais 'decisivas' contra o Sp. Espinho...

PS2: O Vasco Vilaça, continua a somar Pratas, hoje na etapa da Taça do Mundo de Triatlo, na República Chega, em Karlovy Vary, novamente um 2.º lugar...

domingo, 13 de setembro de 2020

Everton...

Grimaldo...

Clube está de luto por Pedro Rocha


"Faleceu neste domingo, no Hospital da Luz, em Lisboa, Pedro Rocha, 54 anos, treinador de atletismo do Sport Lisboa e Benfica e antigo atleta do Clube.

Profissional incansável, com espírito formador e muito activo, teve grande impacto na última década na secção de Atletismo, a treinar alguns dos melhores valores no fundo e meio fundo nacional, estando associado a praticamente todas as conquistas seniores, por equipas, mais recentes do Benfica. Na formação, particular destaque para dois títulos europeus em juniores de corta-mato.
Pedro Rocha era presentemente o Coordenador das equipas de meio fundo e fundo do SL Benfica. Referência de grande carácter, perseverança e tranquilidade, sentia o Clube e ambicionava alcançar todo o potencial dos seus atletas. Partiu, aos 54 anos, vítima de doença prolongada, deixando um enorme vazio no Atletismo português e em todos os amigos e adeptos que acompanhavam o seu percurso sereno e marcante na modalidade.
O Sport Lisboa e Benfica, que neste dia triste coloca a sua bandeira a meia haste, enaltece o exemplo em vida deste grande profissional que sempre dignificou o emblema do Clube e associa-se à dor e pesar, de forma particular, da família e amigos, expressando sentidas condolências pela partida de um homem bom."

O desporto profissional americano


"O desporto e a sua imagem estão omnipresentes na sociedade americana. Três quartos da população praticam, veem e discutem “desporto” quotidianamente; e sabemos que as ideias, os valores e as crenças acabam por ter o poder de originar transformações.
Segundo dados mais gerais, um em cada dois americanos possuem uma peça de vestuário com um emblema de um clube. Numa perspectiva de acção social, os seres humanos necessitam de símbolos partilhados e de entendimentos comuns nas suas interacções uns com os outros. O campeão, assim, personifica os valores liberais, a procura da performance, o culto elitista e do herói e a ascensão social. O confronto, a competição, a intensidade dos exercícios, a medição das performances, a procura do rendimento máximo, o treino racional e regular, a noção do progresso, etc. são alguns dos principais traços do desporto que, segundo Coubertin, difere totalmente da ginástica e dos jogos. Na verdade, ele fornece uma representação simbólica da sociedade civil face ao Estado federal, cuja intervenção, na ausência de um ministério dos desportos, se limita a lutar contra as apostas ilegais e a dopagem. 
Contrariamente à configuração europeia, o desporto amador nos Estados Unidos da América é da responsabilidade das escolas e universidades, privadas e públicas, e não dos clubes e das federações, cujo papel consiste essencialmente em ocupar-se das selecções nacionais e do seu enquadramento. O organismo que tutela os campeonatos universitários, a National Collegiate Athletic Association (NCAA), gere as competições das ligas profissionais, tanto do ponto de vista da qualidade da competição, como da mediatização, nomeadamente do basquetebol e do futebol americano.
No domínio dos desportos colectivos existem quatro grandes ligas (a Major Baseball League, a National Basketball Association, a National Hockey League e a National Football League) e funcionam sobre os mesmos princípios. Os clubes são, no fundo, empresas franchisadas, tendo adquirido o direito de entrada que varia segundo a modalidade desportiva, os negócios da liga e a demografia, onde o clube se insere. Este modelo de gestão acaba por reforçar o financiamento dos mais variados projectos, sobretudo quando os proprietários dos clubes e dos estádios são os mesmos. Se é eficaz do ponto de vista económico, o modelo americano não poderá ser transporto, devido às questões culturais e jurídicas, integralmente na Europa."

Vitória...

Benfica 26 - 22 Águas Santas
(9-11)

Vitória difícil, com uma 2.ª parte mais agradável, mas ainda sem convencer! Contra um adversário reforçado (vários ex-Benfica...), com o Seabra em destaque... mas que não aguentou o ritmo até ao final da partida...
Quando o nosso melhor jogador foi o guarda-redes, é mau sinal...!!!

Empate...

 
Benfica 0 - 0 B Sad


Empate na primeira jornada da época, com uma equipa muito novinha comparada com o adversário... mas é para isto que os sub-23 servem: para dar competitividade aos melhores Juniores e fazer a transição para a equipa B, dos seniores de 1.º ano...
Os azuis entraram muito pressionantes, tivemos muito dificuldade em construir o jogo, o Araújo ficou muito sozinho lá na frente, mas com o passar dos minutos os adversários foram perdendo gás, e nós fomos subindo...

Como pode o Benfica explorar o jogar do PAOK?


"No “Futebol Total” do Canal 11, o Pedro Bouças mostrou a excelente Organização Tática da equipa Grega orientada por Abel Ferreira, e sugeriu possibilidades a explorar para tirar vantagem do jogo."

sábado, 12 de setembro de 2020

SL Benfica | Pré-época completa, o que esperar a seguir?


"A vitória frente ao Rennes (2-0), no passado sábado, representou o culminar de uma pré-temporada bem sucedida para o SL Benfica, que contou por vitórias os sete jogos realizados, com saldo muito positivo de golos (23-4) e as boas indicações que todos esperavam, ainda que a equipa não apresente já os índices competitivos no auge, dada a qualidade do plantel e de quem o dirige.
Jorge Jesus chegou, à semelhança de 2009, a prometer multiplicações na qualidade de jogo – desta vez, o triplo –, mas a equipa, fruto das exigentes cargas físicas do técnico, não conseguiu ainda produzir o futebol entusiasmante que se espera, ainda que as melhoras a nível defensivo tenham sido observáveis desde o primeiro encontro de preparação.
A linha recuada absorveu de imediato as noções de organização do staff e a sincronização do primeiro quarteto foi visível na aplicação da armadilha de fora-de-jogo: o SC Braga foi a principal vítima, com os seus atacantes a serem apanhados inúmeras vezes em posição irregular de forma quase caricata. 
Ainda que nem sempre os prováveis titulares estivessem disponíveis, os substitutos apresentavam altos índices de concentração e demonstraram competências válidas para lutar por um lugar.
Os reforços Gilberto e Verthongen tiveram sortes diferentes – à direita, o brasileiro não apresentou ainda motivos que façam destronar André Almeida da titularidade, enquanto que o experiente belga assegurou imediatamente lugar ao lado de Rúben Dias, aproveitando a lesão de Jardel e o eclipse de Ferro.
À esquerda, a lesão de Grimaldo foi propícia para a continuidade de Nuno Tavares, que intercalou bons pormenores e exibições com momentos de fragilidade, e para a aparição de Franco Cervi como solução na traseira esquerda, materializando opiniões de diversos quadrantes da massa adepta que viam na disponibilidade física do argentino justificação para um recuo no campo.
O meio-campo foi o sector com mais alterações forçadas dada a quantidade de soluções de qualidade. Weigl encabeçou o núcleo de apostas totalitárias, cumpriu todas as titularidades e foi observando a dança de cadeiras à sua frente: Taarabt foi mais vezes aposta, mas Gabriel e Florentino surgiram largos minutos em campo e até Pizzi experimentou a posição ‘8’, ainda que sem resultados práticos que motivem repetição da aposta.
O português conseguiu os melhores números da carreira no lado direito e, após um 2019-2020 a grande nível, as pretensões de Jorge Jesus em colocá-lo no centro do terreno parecem concluir em opção única: o lugar de segundo-avançado, libertando Luís Miguel da exigência física e da preocupação defensiva. O que resultou, já que surgiu em grandíssimo plano no apoio ao último homem e relegou, para já, o alemão Waldschmidt para o banco de suplentes.
Nas alas parece não existir grande dúvida: Everton Cebolinha e Rafa são craques de nível internacional e será questão de tempo até assegurarem totalmente lugar cativo no onze. Isto apesar dos jogos menos bem conseguidos por parte do português, que terminou a época transacta irreconhecível e que demora a voltar ao nível que atingiu com Bruno Lage em 2018-19.
Pedrinho é um dos nomes à espreita dessa eventual quebra de rendimento, brasileiro que aterrou na Luz com selo Corinthians e que não tardou em mostrar pormenores técnicos de elevado gabarito: mas não é só essa a sua principal valência, há outros pressupostos com os quais exige minutos logo à partida, como a noção táctica invulgar para um fantasista brasileiro e a disponibilidade para ocupar várias posições no último terço.
Jota, uma das grandes esperanças, parece cada vez mais relegado a posto solitário nas masmorras da inutilização, fala-se insistentemente em empréstimos para o estrangeiro: o Record noticiava esta semana a possibilidade de West Ham e Everton serem os clubes do português na próxima temporada, depois do fugaz interesse do Valência.
Lá na frente, Dyego Souza é carta fora do baralho, compreensivelmente. O brasileiro nunca demonstrou aptidões para ser solução válida às eventuais quebras de rendimento de Seferovic e Vinícius, e o cancelamento do seu empréstimo parece o mais provável desenrolar da sua situação.
Quanto aos outros dois, experienciaram minutos que baste para mostrar serviço – o suíço mostrou competências físicas para as funções que Jorge Jesus pede aos seus avançados, tanto na exploração da profundidade como na agressividade em momento de pressão –, mas a chegada de Darwin Nuñez parece remetê-los para papel secundário.
Carlos Vinícius foi figura, bisou frente ao SC Braga, mas a insistência da comunicação social na sua saída por valores avultados é fumo de um fogo que vai ardendo sem grandes desenvolvimentos, ainda que o encaixe financeiro que a transferência poderia representar seria apenas e só para libertar o clube dos limites do fair-play financeiro e encarar o mercado com renovada abordagem.
O jogo da próxima terça-feira, frente ao PAOK de Abel Ferreira, será o primeiro grande teste de uma equipa de quem se espera grandes feitos. Tudo o que não seja uma vitória no Toumba será visto como fracasso monumental.
Três dias depois joga-se a jornada inicial da Primeira Liga em Famalicão, e será fundamental encarar esse jogo com almofada emocional que só um sucesso na Grécia poderá disponibilizar, libertando um grupo de jogadores da pressão monumental que as peripécias e fracassos de 2019-2020 entregam."

Cadomblé do Vata (Critérios...)


"O governo continua a não permitir a presença de espectadores nos estádios e eu apoio. Na verdade, não concordo, mas como Benfiquista, ando há uns meses a ser aqui evangelizado na politica de não se questionar as decisões de quem é eleito democraticamente e finalmente, terei aprendido. Acresce que o SL Benfica tem mantido um silêncio olímpico acerca deste tema, deixando o FC Porto a liderar a luta pelo nosso regresso ás bancadas, portanto por muito que seja um orgulhoso nativo da Velha Lusitânia, não quero juntar ao epíteto de "benfiquisto" o de "portoguês".
António Costa pegou na sua experiência para dizer que assistir a um filme no cinema é diferente de ir a um jogo de futebol ao vivo. As palavras do Primeiro Ministro reflectem certamente a sua certeza de haver um maior controle dos comportamentos dos espectadores nos cine teatros nacionais do que nos anfiteatros desportivos, sabendo que se alguém se levantar da cadeira para filmar o espectáculo cinéfilo como ele próprio fez na Bancada de Honra da final da Champions, será automaticamente convidado a sair. Talvez se os clubes retirassem a mesa de iguarias da Tribuna Presidencial e a substituíssem por uma máquina de pipocas, a primeira jornada da Liga já contasse com lotações esgotadas.
Se a disparidade emocional subjacente à Sétima Arte quando comparada com o pontapé no cautchú pode explicar a primazia dada à primeira, em relação às touradas a coisa é mais difícil de explicar. É certo que ninguém grita "bandarilhaaaaaa" quando um varão ferrujento entra pelo dorso do touro adentro nem canta "e quem não salta é cornudo, olé, olé", mesmo que a paixão pela violação dos direitos taurinos possa ter alguma análise psicanalítica à volta disto, mas ninguém pode negar que uma chicuelina bem sacada aquece fortemente o ambiente à volta do areal ensanguentado pela acção de um cavaleiro, deixando-o a poucos graus centígrados das temperaturas emanadas por um golo Glorioso, num relvado ensanguentado pela acção do Pepe.
Sejamos claros: a questão aqui não está na necessidade de protecção da saúde pública, mas na (falta de) coerência das decisões. Seria de julgar que 20 épocas de Xistra nos tivessem imunizado contra a Dualidade de Critérios, mas ainda estamos muito sensíveis a isso. Valha-nos ao menos que todos estes longos anos nos deram bagagem gramatical para responder às injustiças, da forma mais pejorativa possível."

Incompetência!


"O presidente da Liga, Pedro Proença, o rosto que o sistema não deixou cair, após provas sistemáticas de inoperância e incompetência.
O futebol português vai pagando o custo de uma liderança falhada, mantida apenas para serventia dos interesses do FC Porto e seus aliados."

Julgamento público...


"O início do julgamento de Rui Pinto coincidiu com o estreitar de novo ataque mediático em relação ao Sport Lisboa e Benfica.
Em poucos dias, multiplicaram-se as acusações, todas elas facilmente desmontáveis, mas se o conteúdo não preocupa, a estratégia dá que pensar.
O sinal dado, que a defesa de Rui Pinto, num caso em que o clube nem sequer está envolvido, não será feita nos tribunais mas lançando ruído e poeira no espaço mediático em relação ao SL Benfica, é grave e revelador que o hacker não actua isoladamente.
Afinal de contas, qual a razão para a percepção da defesa, que atacar o SL Benfica seja o meio indicado para absolvição, num caso em que o clube nem sequer é implicado?
É apenas indicativo dos interesses, influências e agenda que está, desde sempre, na origem deste ataque."

Bistrot - [FR] Saison 2 #30 - Bilan du mercato et analyse du déplacement à Salonique.

Fever Pitch - João & Patrick... França!

Supertaça...

Ac. São Mamede 0 - 3 Benfica
11-25, 14-25, 13-25

Regresso do Voleibol, com uma Supertaça disputada por 6 equipas, em sistema de Poule!
Vitória normal, numa secção com poucas alterações, e com competência comprovada repetidamente...

Agora é oficial e vale muito dinheiro


 "Imaginem que o Benfica pagava 25% de comissão da venda de um jogador... Ainda bem que isso não acontece em lado nenhum

A pré-época do Benfica 100% vitoriosa parece ter contribuído para que Jorge Jesus afine a equipa para o que interessa. Agora interessa tudo, agora cada jogo conta, agora cada jogo é uma peça no puzzle que queremos ver no final da época pintado de vermelho. Jorge Jesus sabe que se vai ver grego para vencer em Salónica. Os macedónios, como gostam de se auto intitular, são uma equipa com qualidade. Cabe ao Benfica mostrar ser melhor.
O Benfica joga com o PAOK um jackpot importante, é um acumulado a não desperdiçar neste casino do futebol moderno.
Gostei do jogo contra o Rennes, sem vários titulares, o Benfica mostrou uma ideia de jogo para ganhar os automatismos que Jorge Jesus quer e gosta. Vlachodimos continua muito bem e mesmo sem destaques individuais, há por ali muitas soluções num plantel recheado onde Jorge Jesus é elemento decisivo.
A SAD do Benfica só teve 41,7 milhões de euros de lucro líquido em ano de pandemia. Percebe-se o desânimo em muitas paragens, tenho mais dificuldade de o aceitar noutras. O Benfica cumpre todos critérios de fair play, mostra os segundos melhores resultados da história e as noticias são o que esteve mais perto de não ser. Criativa a fantasia do anti-Benfica, mas com vida muito dificultada pela realidade, sempre presente e maçadora. Imaginem que o Benfica tinha pago uma comissão de 25% na venda de um jogador, os alertas que não havia e os especiais informação, que não geravam... Ainda bem que isso não acontece me lado nenhum.
O acordo entre SC Braga e Sporting para pagamentos devidos por Rùben Amorim dão um bom aspecto a ambos os emblemas para início da Liga. É bom que assim seja, pagar o que se deve é um princípio de correcção que merece sempre elogio. Vem aí um campeonato onde o FC porto estará muito forte e reforçado, o Sporting melhor e bem treinado e o SC Braga caminha ao lado dos clubes tradicionais de maiores ambições.
Estar a construir um Benfica mais forte e ambicioso é a única forma de ganhar de forma consistente, porque os adversários, mesmo quando simulam fraquezas, aparecerão como sempre para ganhar. Todos os benfiquistas juntos, pelo Benfica, para mais um ano de sucessos."

Sílvio Cervan, in O Benfica

Falta de pudor


"É sabido que, numa casa, quando a necessidade entra pela porta da frente, o pudor foge a sete pés pelos fundos.
No Sporting, há muito que a necessidade se instalou, passando a regra e manifestando-se sob diversas formas e feitios. As soluções, sempre alegadamente mirificas, raramente resolvem os problemas, pois assentam em algo estrutural e manifestamente irresolúvel. Trata-se do Benfica. Perderão sempre na comparação, não há volta a dar-lhe, por muito que insistam em (sobre)viver acima das possibilidades.
Naturalmente que tal estado de coisas promove a instabilidade. O Sporting será sempre um projecto inacabado, aquém do proposto. E resulta disto que quem o lidera se sinta na contingência de ter de propalar supostos feitos de forma sistemática.
Agora são as contas apresentadas em tempos pandémicos. Alardeiam o lucro e o seu maior volume de negócios de sempre, regozijando-se de o terem conseguindo apesar da pandemia. E eu prefiro constatar que o desequilíbrio estrutural se agudizou (39 milhões de euros negativos nos resultados operacionais sem atletas) e sorrio devido ao quadro dos resultados operacionais ajustados que expurga o efeito da pandemia, indemnizações e provisões, como se estas duas não ocorrressem todos os anos. E o mais caricato é que assim se fica a saber que o impacto directo da pandemia se ficou por 3,7 milhões de euros, o que não justifica a grandeza do prejuízo operacional ou muito menos faz valer as desculpas de mau pagador aquando do 'roubo' do treinador do SC Braga.

P.S. Por falar em necessidade, vendo-se na contingência de, por uma vez, se ter de cumprir regas em Contumil, as críticas a Mendes foram metidas no bolso. Lá o pudor não se esvai pelos fundos da casa... nunca sequer lá esteve."

João Tomaz, in O Benfica

Darwinista convicto


"Até meados do século XIX, a imensa maioria da comunidade científica defendia a ideia de um deus que teria criado a vida na Terra. Mas, em 1859, Charles Darwin (1809-1882) provocou uma revolução com o seu livro A Origem das Espécies. O naturalista inglês apresentou provas científicas do que defendia: a selecção natural. Para chegar às suas conclusões, Darwin precisou de 20 anos de estudos, de viagens, de experiências e recolhas de organismos, sendo que a passagem pelas Ilhas Galápagos, território do Equador, foi fundamental para atingir os seus objectivos. Durante cinco anos viajou a bordo do navio HMS Beagle, acumulando espécies, ilustrações, fósseis e largas horas de observação de animais exóticos e comuns. E assim nasceu a base da sua teoria: na luta pela sobrevivência, aquele que sobrevive não é necessariamente o mais forte, mas o que melhor se adapta às condições em que vive.
Passaram 161 anos, e o Darwin de que se fala é outro - Darwin Gabriel Núñez Rivera, futebolista uruguaio que passou por Peñarol, Almeria e selecção nacional do seu país. Tem 21 anos e já chega rotulado como a contratação mais cara da história do Sport Lisboa e Benfica. A teoria do Darwin do século XIX pode adaptar-se perfeição à sua carreira com a camisola do Glorioso. Darwin pode não ser necessariamente, e para já, o mais forte dos atacantes do panorama internacional, mas vai adaptar-se ao novo habitat e tirar o melhor partido do que o Benfica tem para lhe dar. Com as melhores condições de vida e de treino, com os ensinamentos que vai por cá receber, com a entrega e o profissionalismo que todos esperamos dele e as características que já possui, tem tudo para ser um elogiado caso de selecção natural e conjugação com o meio ambiente. Dando-lhe tempo para crescer, claro, como sempre acontece na natureza."

Ricardo Santos, in O Benfica

sexta-feira, 11 de setembro de 2020

Estamos a preparar-nos, PAOK


"Não quero saber quem joga ou quem marca: quero é ver o Benfica a regressar da Grécia com as possibilidades de entrar na Liga dos Campeões intactas. Não há espaço para errar, malta. E, se algum erro der a vantagem ao PAOK, como há dois anos, espero bem que a reacção seja a mesma e respondam com quatro golos que arrumem com a eliminatória. O Benfica tem de estar na Liga dos Campeões todos os anos. Porque traz prestígio, traz dinheiro e, sobretudo, traz uma excitação dos diabos quando se realiza o sorteio da fase de grupos.
O PAOK é o primeiro obstáculo. Quando penso neste clube grego, lembro-me de imediato daquele maravilhoso golo à Panenka, na cobrança de um livre à entrada da área, do Nico Gaitán - o que estás tu a fazer em Braga, Nico? Dessa vez eliminámos os salonicenses da Liga Europa nos 16 avos de final, em 2018 voltámos a eliminá-los no playoff de acesso à Liga dos Campeões, e agora, se tudo correr bem, vamos mesmo entrar para a lista negra da equipa grega. Suponho que o leitor não fique particularmente incomodado com esta possibilidade. No entanto, devo relembrá-lo de que o presidente do PAOK, Ivan Savvides, invadiu o campo de pistola na mão durante um jogo com o AEK há dois anos, depois de ver o árbitro anular um golo à sua equipa. Eu confio na estrutura que comanda o futebol e sei que estão a ser tomadas as devidas precauções. Espero que LFV, Rui Costa ou Tiago Pinto consigam fechar a contratação do Rúben Semedo o quanto antes. Assim, na eventualidade de o homem voltar a perder as estribeiras, temos a garantia de que alguém habituado a estas andanças é capaz de controlar a situação."

Pedro Soares, in O Benfica

Longe da vista


"A pandemia que tomou conta do mundo obrigou tudo e todos a decisões repentinas, perante situações inesperadas, e em clima de total incerteza. Nem por isso deixo de questionar a fórmula que a UEFA encontrou para acelerar o apuramento para a Liga dos Campeões, realizando eliminatórias de apenas um jogo, em campo sorteado.
Percebo que não houvesse tempo para mais partidas. Mas, disputando-se apenas uma mão, fazia todo o sentido jogá-la em campo neutro - ou, no limite, à falta de outro critério, no estádio da equipa com melhor ranking. Sortear eliminatórias internacionais com este grau de aleatoriedade é que me parece desadequado, e até um tanto primitivo.
Ao Benfica saiu a fava de ter de jogar lá para lados do mar Egeu. E é lá que teremos de ganhar, para nos mantermos na rota da Europa dos grandes.
Mesmo não me recordando de caminho mais sinuoso para chegar à Champions, devo dizer que confio a 200% que o Benfica vai vencer o PAOK, depois ultrapassar o playoff (frente aos russos do Krasnodar, carrascos do FC Porto há um ano), e marcar presença na fase de grupos da prova milionária pela 11.ª vez consecutiva, juntando-se, nessa condição, a um estrito lote de emblemas constituído por Real Madrid, Barcelona e Bayern de Munique.
Podia ser mais fácil. Normalmente é mais fácil. Mas, para grandes males, grandes remédios. Jorge Jesus e os seus jogadores têm a palavra neste primeiro e decisivo embate da nova época. Será longe, muito longe, da nossa vista. Mas a força transmitida pelo crer de milhões de benfiquistas chegará certamente a Salonica e vai empurrar a nossa equipa para o triunfo."

Luís Fialho, in O Benfica

Dito


"A notícia chocou-nos a todos e ficámos arrasados com a partida prematura de Dito. Com apenas 58 anos de idade e uma vida pela frente, o grande Dito deixou-nos. Todos recordaremos as suas grandes prestações nos relvados, mas era a sua faceta humana que impressionava. Um cidadão pacato, exemplar, daqueles que fazem falta pela sua forma de estar na vida. Um verdadeiro exemplo de fair play.
Todos recordamos as suas brilhantes exibições ao serviço do SL Benfica, nas épocas 1986/87, com John Mortimore ao leme, e 1987/88, com Ebbe Skovdhal e Toni no comando técnico. Quem esquece a dobradinha de 1986/87, com Dito a figurar como um dos pilares defensivos? Recordo os 27 jogos no campeonato, a dupla seguríssima que formou com Edmundo (15 jogos) e Oliveira (11 jogos). Tal como recordo os sete jogos na Taça de Portugal e a notável campanha que nos levou à final frente ao Sporting, que ganhámos com dois golos de Diamantino.
Inesquecível foi a campanha europeia, na época seguinte, que nos permitiu despachar o Partizan de Tirana, Aarhus, Anderlecht e Steua de Bucareste para disputarmos a final com os holandeses do PSV. O dia 25 de Maio de 1998 foi uma data emblemática em que um dos mais prestigiados clubes europeus jogou a sua sexta final na prova mais prestigiante da UEFA. Dito foi um dos 11 titulares escalados por Toni, formando dupla com o enorme Mozer. Dito jogou sempre a titular sete dos oito jogos desta notável campanha, na qual sofremos apenas um golo. No final da época, Dito resolveu dar um novo rumo à sua carreira, iniciada no SC Braga, escolhendo o FC Porto, onde não foi feliz. Seguiram-se V. Setúbal, Gil Vicente, SC Espinho, Torreense e Ovarense. Em todos os clubes deixou a sua marca de elegância, profissionalismo e competência.
À família de Dito, aos seus amigos e admiradores e a todos os clubes que representou apresento as minha condolências."

Pedro Guerra, in O Benfica

O peixe, ou a pesca?


"A pesca, dirão os que acreditam na humanidade e no valor do trabalho. O peixe, reponderão os que acreditam na humanidade e no valor da dádiva. Ambos, talvez, em tempos diferentes conforme a urgência e a justeza das situações, dirão ainda outros, aqueles que acreditam que no meio é o lugar da virtude e que o mundo não é a preto e branco, mas um mosaico de nuances.
Certo é que o humanismo dos laicos, como a fé dos crentes, impele os mais informados de nós à acção de reparação de danos e injustiças que vemos acontecerem aos outros. O termo caridade, por estes dias celebrado nas Nações Unidas, não é consensual na sua tradução portuguesa, e há até quem tenda a reduzi-lo à mendicidade e cedência fácil da esmola que nada transforma e aprisiona o esmolado perpetuando a sua dependência num círculo vicioso. No mínimo há quem considere o assunto anacrónico, e o termo velho e ultrapassado.
Pode até ser verdade, pelo menos nalguns casos, mas nada seria mais injusto do que simplificar a questão a esse ponto e achar que assim, num ápice, se resumiu e resolveu o entendimento da pobreza. É claro que há muito mais em jogo. Como é também claro que nesse jogo todos participamos, quer queiramos, quer não, como árbitro, público e jogador, as mais das vezes um pouco em todas essas dimensões.
Por isso, se hoje damos destaque a esta causa humanitária da caridade, é porque o nosso querido Benfica, velhinho de mais de cem anos, há muito que pensa nisto. Mas não se limitou, nunca a pensar, engajando-se, pelo contrário, na acção. Empenhando-se em fazer tudo ao seu alcance para combater as desigualdades e a pobreza como mãe de todas as injustiças. Primeiro actuando pelo peixe, no exercício da caridade e da filantropia mais imediata e casuística, cheio de coração e mística a dizer 'presente' e 'aqui está'. Mais tarde, depois de viver toda a aprendizagem de um século XX em que a humanidade levou aos extremos o melhor, mas também o pior de si, o Benfica passou a estender a mão e a dizer 'vamos'. Encontrou-se com a sua dimensão gigantesca e disse para si mesmo que não poderia eximir-se à sua responsabilidade com o planeta e com a humanidade, no universo da língua portuguesa e não só. Dito e feito, em menos de uma década teve a ideia, criou e fez crescer a Fundação, voltando-a para o desenvolvimento humano como missão principal e para as missões humanitárias sempre que a urgência social a tal obrigue, enquanto condição inicial de reposição da dignidade humana para empreender os caminhos do desenvolvimento e da transformação social.
É por aqui que vamos na Fundação Benfica: peixe quando nada mais há a fazer, pesca como dignificação do ser humano, autonomia e liberdade para que cada pessoa conduza o seu próprio destino!"

Jorge Miranda, in O Benfica

Contaminados


"1. O arbítrio é, seguramente, um dos dons mais diferenciadores e mais misteriosos dos humanos: os burros, por exemplo, ou os leões, e também aqueles lagartos grandes que, por causa da mítica azia (sem sequer serem capazes de zurrar, nem de balir), só vomitam perpétuas e enxofradas fumigações, serão eles, uns e outros, capazes de exercer o mister do arbítrio?
2. Não me parece. Pelo contrário: na ocasião primacial, desgraçadamente, o supremo criador terá optado por não ceder a estas e outras espécies a percepção de tudo o que representa a capacidade de destrinçar, de escolher e de julgar, com que, na sua prudente benevolência e ainda do bíblico diluvio, entendeu atribuir a (apenas alguns) humanos. E nada mais.
3. Talvez por isso, afinal (ai de nós!), o correcto uso da faculdade arbitral em todo o seu esplendor seja tão raro e tão intermitente e não menos escasso até, de tal forma, que a sua fruicção se revele tantas vezes a desfavor de tanta gente.
4. Infelizes daqueles a quem caiba estar sujeito - ou tenha de se render - à terrível circunstância de se ver julgado por humanos congéneres (em todo o caso, por vezes tão parecidos com os asnos, ou com os répteis) aos quais, por seu turno, ninguém regressivamente venha a pedir contas. Por exemplo, depois de conhecidos períodos de noventa minutos.
5. Deram-lhes o poder e está dado: depois, ninguém lhes toca. Nem o criador. Nem, muito menos, o Fontelas.
6. Esta preocupada reflexão acerca do desígnio arbitral, voltei a experimentá-la há poucos dias.
7. Dei-me a crer que a designação do árbitro alemão Brych, Feliz Brych, pressurosamente anunciada pela UEFA, oito dias antes, para o decisivo jogo de terça-feira, em Salónica, representa mais do que uma mera negligência dos mandantes.
8. Mas a simples observação da ficha de múltiplos desempenhos controversos, se não demasiado negativos do boche, em anteriores encontros seus com os futebóis de portugueses, italianos, franceses e sérvios, pelo menos, deve deixar-nos de sobreaviso, já que nos país dos cofres fortes ninguém liga meia a estas filosofias.
9. Com efeito, se da folha do pesporrento bávaro também consta ter tido de assistir (certamente inconformado) há dois anos, à expressiva vitória do Benfica na mesma cidade do norte da Grécia por 4 a 1, não se pode depreciar o facto de que, só nos 71 jogos que já assobiou em Qualificações e (na) Champions, ele ter mostrado nada mais, nada menos do que uns escassíssimos 299 'amarelos'!
10. Mas, em especial, jamais esqueceremos a vergonhosa prestação dedicadamente antibenfiquista do mesmo 'artista' (que ostenta o títlo de jurista, segundo o Direito alemão) na negra final de Turim, contra aquela equipa em que jogava o mais rasteiro (e mais baixote) guarda-redes do futebol de todos os tempos, à qual esse tedesco ofereceu quatro penáltis de mão beijada - o que não marcou a Moreno, em descarga sobre Lima, e mais os outros três que expressamente não mandou repetir ao adiantando lagarto.
11. A minha dúvida relativamente à razão para o autêntico assalto à lei do bom senso que a espúria nomeação do sinaleiro alemão para um jogo desta relevância significa consiste em decidir-me se aqui se trata de mais um caso da esfera da proverbial insensibilidade cega dos amanuenses do Comité de Arbitragem no país dos relógios de cuco quanto à exigência da melhor aplicação das regras do Futebol ao jogo jogado, ou se o vírus da incompetência e da parcialidade arbitral portuguesa não terá já contaminado fatalmente os congéneres institutos de Nyon."

José Nuno Martins, in O Benfica

Informação sobre os Red Pass


"Com o início da época desportiva, a incerteza sobre a forma como será feito o regresso de público aos estádios mantém-se. Apesar das recentes notícias que dão conta de um atraso significativo nesse regresso desejado, o Sport Lisboa e Benfica estudou os vários cenários que se perspectivam e definiu soluções para cada um deles, sempre com a premissa do respeito pelas determinações da Direcção-Geral da Saúde e da salvaguarda dos superiores interesses dos seus associados.
Nesse sentido, o Sport Lisboa e Benfica decidiu:
- Não colocar à venda qualquer Red Pass enquanto existirem restrições ao nível das assistências.
- Manter os habituais direitos de preferência na aquisição dos lugares anuais detidos actualmente pelos associados, quando as referidas limitações de acesso forem levantadas.
Se existir um período transitório de acesso reduzido de público ao Estádio, o mesmo será feito exclusivamente através da aquisição de bilhete, podendo vir a ser implementados mecanismos específicos que privilegiem a compra por parte dos actuais detentores de Red Pass.
Entretanto, os sócios detentores de Red Pass manterão os seus direitos de acesso gratuito à visita ao Estádio e Museu Benfica – Cosme Damião.
O SL Benfica encontra-se a acompanhar de perto os desenvolvimentos neste âmbito e continuará a informar os seus associados, sempre que houver dados relevantes."

Regressos desejados


"É uma nova fase que vivemos na actividade desportiva em Portugal e as modalidades colectivas de pavilhão do Sport Lisboa e Benfica têm vindo a treinar dia a dia para enfrentar os desafios que a temporada 2020/21 está e irá, certamente, continuar a trazer. Todos os envolvidos, em particular os treinadores e os atletas, tiveram de fazer um trabalho de adaptação face a este contexto diferente pelo qual estamos a passar. Após largos meses sem competições oficiais e com muitas condicionantes ao nível dos treinos, o objectivo é dar uma resposta positiva nas diversas competições em que as nossas equipas estarão envolvidas.
No voleibol, esta foi a última semana de preparação antes do arranque oficial. A pandemia fez com que a Supertaça da modalidade tenha um formato diferente – seis clubes em prova – e a nossa equipa trabalhou diariamente de forma a chegar bem a estes dois primeiros encontros de apuramento para as meias-finais. O jogo de apresentação com a Fonte do Bastardo (triunfo por 3-0) deixou bons indicadores para ultrapassar os primeiros obstáculos, que serão a Académica de São Mamede (hoje às 17h00) e SC Espinho (domingo às 16h00), em Gondomar. Não muito longe daí, mais concretamente em Matosinhos, a equipa feminina entrará em acção. Orientadas por Nuno Brites, figura histórica do nosso voleibol, as nossas jogadoras entrarão em campo no sábado (15h00 com ADRE Praiense) e no domingo (17h00 com V. Guimarães) para lutar por um lugar nas meias-finais de acesso ao escalão principal. O pensamento é só um: subir à 1.ª Divisão.
Para o andebol, este sábado será de estreia (15h00) no Campeonato Nacional. Com um conjunto renovado para 2020/21, o Benfica parte com o objectivo de lutar jogo a jogo pela conquista da vitória, já a começar pela recepção ao Águas Santas. Não será o desfecho da EHF European League que retirará o foco da formação treinada por Chema Rodríguez, de continuar com o seu processo de trabalho e atacar as duas frentes internas com a ambição que caracteriza o nosso clube.
Após treinos intensos, muitos deles bidiários, o hóquei em patins tem a abertura da sua época oficial no final deste mês (dia 26) e logo com um clássico para o Campeonato Nacional. Neste sábado, pelas 17h00, há uma deslocação a Torres Vedras para defrontar a Física, num encontro inserido no contexto de preparação da pré-temporada.
Para as equipas de futsal e basquetebol, os jogos oficiais só serão no início de Outubro, por isso, estas semanas que estão pela frente servirão para continuar a treinar bastante e preparar bem os atletas para o arranque das competições. Além dos treinos, os jogos de preparação serão também extremamente importantes para ver, na prática, como estão a ser absorvidas as ideias das equipas técnicas para 2020/21.
No feminino, além do voleibol, só o hóquei em patins irá arrancar oficialmente ainda este mês, com o primeiro jogo para o Campeonato Nacional. Futsal, Andebol e Basquetebol só entram em acção em Outubro. Até lá, há também um intenso trabalho pela frente para estar à altura quando a competição começar."

O PAOK que o Benfica encontrará: completo, personalizado e com muito dedo de Abel


"O Benfica vai encontrar a equipa de Abel Ferreira na 3.ª pré-eliminatória de acesso à Liga dos Campeões e o jogo, em solo grego, não se antevê fácil: o PAOK venceu com relativa facilidade o Besiktas e nota-se claramente a influência do treinador português

Foi hoje conhecido o primeiro adversário oficial do Benfica de Jorge Jesus no caminho que as águias desejam que as leve até à fase de grupos da Liga dos Campeões: o PAOK, 2.º classificado da liga grega de 2019/20, calhou num sorteio em que as outras possibilidades eram AZ Alkmaar e Rapid Viena. Numa primeira análise, pode considerar-se que não foi um bom sorteio para os encarnados, até por ter ficado estipulado que o jogo único que compõe a eliminatória será disputado em Salónica, na Grécia – ainda que sem público, o que atenua o factor casa.
Contudo, a formação do português Abel Ferreira, ex técnico do SC Braga, parece ser a que, neste momento, se encontra mais forte. Se a equipa austríaca era a mais limitada das três, o AZ Alkmaar tem até mais qualidade individual do que os gregos, mas pareceu estar um nível abaixo destes na 2.ª pré-eliminatória, onde precisou de prolongamento para bater o Plzen (3-1).
O PAOK, por outro lado, venceu o Besiktas por uns 3-1 bem mais esclarecedores, onde aos 30 minutos de jogo o placar já marcava 3-0 e, mais tarde, a equipa ainda se deu ao luxo de desperdiçar várias oportunidades, entre as quais uma grande penalidade. Foi, de facto, uma demonstração de força e competência por parte das águias negras, como é conhecido o clube.
Abel, a cumprir a 2.ª época na Grécia, viveu um ano de estreia bastante conturbado, mas em que deixou boas indicações. Na Champions, caiu precisamente nesta 3.ª pré-eliminatória no ano transacto, mas fê-lo frente ao Ajax, que antes havia estado nas meias-finais da competição, e colocou muitas dificuldades aos holandeses, tendo empatado em casa. Depois, realizou uma grande primeira metade da fase regular, onde terminou no 1.º lugar, mas uma série de decisões na secretaria prejudicaram as ambições do clube.
Primeiro, foi estipulada a descida de divisão do clube; depois, a retirada de 7 pontos à equipa, pena que viria a ser retirada na ponta final do campeonato, quando o Olympiakos já detinha uma vantagem maior.
Ainda assim, a imagem dada pela equipa, a única a bater o Olympiacos no campeonato, foi globalmente positiva. E esses indícios positivos parecem confirmar-se após a bela exibição contra o Besiktas, na semana passada. Dentro das quatro linhas, Abel jogou na maior parte da época passada com uma estrutura com 4 defesas, mas nos últimos jogos enveredou por um sistema com 3 atrás, como já fazia em Braga, e foi também assim que se apresentou diante dos turcos, pelo que será esse o cenário mais provável para o Benfica.
Num 3-4-3, o PAOK começou por pressionar alto, tentando abafar e surpreender o Besiktas, conseguindo manter o jogo no seu meio-campo ofensivo. Com bola, atacou mais e melhor pela esquerda, onde o central Michailidis, de apenas 20 anos, se mostrou seguro na construção, o ala Giannoulis projectou-se muito e Tzolis, extremo de apenas 18 anos, marcou diferenças com dois golos e uma assistência. Atenções redobradas para André Almeida e companhia no corredor direito da formação de Jorge Jesus.
Conseguida a vantagem, o PAOK não teve problemas em dar a iniciativa ao adversário, mas sempre sem deixar de criar perigo nas saídas rápidas, como é exemplo o 3.º golo alcançado. No mesmo contexto, perante a pressão mais vincada do oponente, algo que pelo que já vimos nesta pré-época e pelo que conhecemos de Jorge Jesus, deve verificar-se desde o início por parte do Benfica, a equipa de Abel Ferreira não forçou a construção curta, esticando longo no pontapé de baliza à procura de Akpom, ponta-de-lança que serve de referência para a primeira bola, com a segunda a ser disputada por vários elementos próximos do duelo. Essa foi, de resto, a anatomia do 2-0 contra o Besiktas.
Assim, é fácil constatar-se que o próximo adversário dos encarnados é uma equipa completa – capaz de pressionar alto, mas também de recolher num 5-4-1 que se deve verificar bastantes vezes com as águias, em virtude da subida dos seus laterais; capaz de sair apoiado, mas também de jogar um futebol mais directo, sem correr tantos riscos – e com um sentido estratégico bastante apurado, até porque Abel Ferreira conhece bem o Benfica, que nunca bateu, mas que enfrentou muitas vezes, e Jorge Jesus, que foi seu treinador.
Face a esta possibilidade de jogar contra o emblema português, o treinador dos gregos referiu, na passada quinta-feira em entrevista ao Canal 11, “não me importava que calhasse o Benfica, desde que fosse em casa com o estádio cheio”. Parte do desejo foi cumprido – a partida será disputada em sua casa – mas, como se sabe, será sem publico.
O facto de a eliminatória se jogar a apenas um jogo constitui uma vantagem para as equipas teoricamente menos favoritas, e neste caso essa é o PAOK, ainda que o factor casa seja menos relevante sem os fervorosos adeptos do clube de Salónica. Seja como for, não foi um sorteio propriamente simpático para o clube da Luz e antevê-se um primeiro teste exigente e um jogo bem disputado, apesar do favoritismo da equipa de Jorge Jesus."

Rúben Semedo ao pormenor


"No programa “Futebol Total” do Canal 11, o Pedro Bouças analisou ao pormenor as características do possível reforço do Benfica, Rúben Semedo.
Posicionamento, controlo dos diferentes espaços, forma de deslocar-se e colocar os apoios não apenas no espaço, mas também sobre como colocar o peso do corpo. Rúben Semedo ao pormenor nos jogos do Olympiakos contra o campeão Europeu Bayern."

Em Portugal as bancadas dos estádios estão vazias. No Japão, há público desde julho, mas sem fazer muito barulho para não acordar o vírus


"António Costa desiludiu os que achavam que iriam poder voltar já aos estádios. Futebol sim, mas sem público. Do outro lado do mundo, no Japão, o som das bancadas é uma canção com regras apertadas, muita contenção, mas já se ouvem aplausos não-enlatados quando um golo é marcado

O som de um jogo profissional de futebol em Portugal, no tempo do coronavírus, é o resultado natural de milhares de cadeiras vazias, nalguns casos cobertas por cachecóis que não falam, que são a representação possível dos adeptos que lá não podem estar. Nalgumas situações, a reprodução sonora do ambiente de outros jogos, antes disto tudo, permite esquecer momentaneamente o silêncio pouco próprio de um recinto desportivo vivo.
Assim vai continuar, segundo o primeiro-ministro António Costa, que afirma não haver condições para que o público regresse aos recintos desportivos, mesmo que se trate de estádios com capacidade para milhares de pessoas e houvesse espaço suficiente para um distanciamento maior do que em qualquer restaurante. A DGS diz que o regresso dos adeptos às bancadas não é prioridade.
Do outro lado do mundo, no Japão, a paixão pelo futebol não é menos intensa do que na Europa. Covid-19 é, lá como cá, ameaça, mas o som do futebol profissional ao vivo é ligeiramente diferente. Ao contrário do que acontece no velho continente, o público japonês pode assistir aos jogos no estádio desde o início de Julho.
O “New York Times” descreve o ambiente do futebol profissional japonês na era do novo coronavírus: “À medida que os jogadores levam a bola pelo campo, oiço de repente o distinto amarrotar de um saco de plástico quatro filas à minha frente, com um homem a puxar de uma perna de frango para comer”. 
Em tempos normais, os adeptos japoneses não são apenas barulhentos mas também, como seria de esperar do rigor nipónico, extremamente orquestrados e disciplinados. Ao longo de um jogo, cantam, vibram, tocam tambores e agitam enormes bandeiras, num espectáculo que rivaliza com o que se passa em campo. A maioria dessas acções de apoio está, por agora, proibida, por medo de ajuntamentos mais acalorados.
Quando a jornalista do “New York Times” assistiu a um jogo do FC Tóquio ao vivo, teve ao seu lado 4.600 adeptos do clube da capital, todos eles muito silenciosos, excepto pelo ocasional ruído de um pacote de comida ou a rara e contida explosão de aplauso. Lá como cá, com ou sem fãs nas bancadas, era possível ouvir os comentários dos jogadores e treinadores e mesmo alguns pontapés na bola. “Quando os fãs aplaudiam um golo ou uma boa defesa, o som era o de um concerto sinfónico, com o público a aplaudir entre movimentos,” registou Motoko Rich.
O Japão nunca cedeu à ideia de confinamento, apesar de conviver com o vírus ininterruptamente desde Janeiro. No estádio, todas e todos se submeteram à análise de um termómetro. Nas zonas de alimentação, marcas no solo lembravam da necessidade de manter o distanciamento. Nas bancadas, uma em cada duas filas permanece vazia, com dois lugares de intervalo entre cadeiras ocupadas. Durante o jogo, os espectadores têm de permanecer nos seus lugares. O consumo de álcool é proibido. 
Aos portadores de bilhete foi pedido que deixassem o nome e a informação de contacto para que pudessem ser contactados no caso de haver um caso de Covid-19 no estádio. Contudo, de acordo com a liga de futebol, nenhum espectador foi infectado até agora desde que os estádios reabriram.
No jogo de domingo, Noriyuki Yamagami, adepto de corpo inteiro, tentou ultrapassar a falta de espectadores ao seu lado colocando recortes de cartão vestidos com a camisola do FC Tóquio. Yamagami confessou à jornalista do “New York Times” que, em casa, faz as suas refeições longe do resto da família, como precaução. Mas não conseguiu ficar longe do estádio.
“Quando eu via os jogos na televisão, só queria respirar este ar, os cheiros, ouvir os sons. Não é como antes mas eu tinha o desejo de estar aqui,” disse o adepto japonês."

O Desporto Juvenil e a dualidade de critérios



"Depreendo que o Desporto Juvenil, ainda que seja uma escola de ética, cooperação, amizade e um factor importante para a saúde física e mental dos jovens, não é tão importante lucrativamente como o desporto sénior e, portanto, aos olhos da DGS pode esperar. Não, não pode esperar. Os jovens, os clubes e as federações não podem esperar.

Foi com consternação, mas não com surpresa, que vi as medidas emitidas pela DGS em relação à prática desportiva, especificamente em relação ao Desporto Juvenil. O desporto e a actividade física em Portugal sempre foram dos parentes mais pobres em relação a outras actividades. É quase cultural.
Os sucessivos governos do PS, mas também do PSD, têm desvalorizado a Educação Física e o Desporto Juvenil, a começar pela Educação Física Escolar (ou falta dela). A disciplina de Educação Física é muitas vezes a única oportunidade que os jovens têm para praticar a actividade física.
A legislação actual inclui no ensino básico a disciplina no regime de AEC, sendo, portanto, optativa. Os docentes do ensino básico devem ministrar a disciplina conforme fazem com todas as outras matérias curriculares, sendo que obviamente não se sentem à vontade para o fazer, restringindo-se muitas vezes a actividades simples, que não servem o propósito de aquisição de competências esperado pelas crianças naquela idade.
Assistimos à desvalorização da profissão de professor de Educação Física, desvalorização da disciplina de Educação Física e desvalorização da saúde física e mental dos nossos jovens, que a propósito já se encontram em sexto lugar a nível europeu no que diz respeito aos níveis percentuais da obesidade. Urge uma mudança de paradigma, num país em que nunca vi um secretário de Estado da Juventude e Desporto debater-se para alterar esta realidade.
No ensino secundário a disciplina já contou para a média de acesso ao ensino superior, já deixou de contar, já contou sob determinadas condições e voltou novamente a contar. Numa instabilidade que passa apenas uma mensagem: a literacia física tem sido completamente irrelevante para os nossos governantes. É triste ver que passam vários governos e todos deixam na gaveta a máxima “mente sã em corpo são”.
A Secretaria de Estado da Juventude e Desporto tem sido cega, surda e muda. Estando inserida no Ministério da Educação, seria de esperar que uma das suas prioridades fosse justamente a dignificação da disciplina da Educação Física e dos seus profissionais. Mas não. Recentemente, numa entrevista ao Público, o secretário de Estado da Juventude e do Desporto, João Paulo Rebelo, vai ainda mais além a demonstrar a sua desconexão com a realidade, afirmando que “não temos conhecimento de nenhum clube que tenha fechado portas”, rejeitando assim os sinais preocupantes colocados pelas instituições desportivas que antecipam uma debandada nos escalões de formação por falta de competição.
A longo prazo, não existirá Desporto Sénior se o Desporto Juvenil continuar a ser relegado para segundo plano. Os escalões de formação são fundamentais para a continuidade do Desporto de alto rendimento. Queremos regras iguais para todos os escalões etários. Queremos um sistema justo, que faça sentido.
Não me admira, portanto, entre tantas dualidades de critérios no que às medidas preventivas da covid-19 dizem respeito, que o Desporto Juvenil seja mais uma das áreas que se vê discriminada. Há alguma razão que justifique que os desportistas seniores possam regressar aos treinos e competição e os jovens não? Nada parece sustentar esta discriminação. Até porque, aparentemente, os jovens não são um grupo de risco.
Os Clubes Desportivos, as Federações e os Profissionais da área veem assim o seu meio de sustento em risco. Para muitos clubes, os escalões de formação representam 90% da sua receita.
Depreendo que o Desporto Juvenil, ainda que seja uma escola de ética, cooperação, amizade e um factor importante para a saúde física e mental dos jovens, não é tão importante lucrativamente como o desporto sénior e, portanto, aos olhos da DGS pode esperar. Não, não pode esperar. Os jovens, os clubes e as federações não podem esperar. 
A Iniciativa Liberal reagiu imediatamente às normas da Direção-Geral da Saúde sobre o desporto jovem e a pedir uma alteração destas orientações “graves e inconcebíveis” para que haja regras iguais para todos os escalões, em mais um sinal que é praticamente o único partido com preocupações com as novas gerações.
E permitam-me que deixe aqui um alerta. A longo prazo, não existirá Desporto Sénior se o Desporto Juvenil continuar a ser relegado para segundo plano. Os escalões de formação são fundamentais para a continuidade do Desporto de alto rendimento. Queremos regras iguais para todos os escalões etários. Queremos um sistema justo, que faça sentido.
É assim no desporto, como em tanto na vida. Se não tratarmos dos mais jovens não estaremos a tratar do futuro."

A voz dos atletas


"“Os atletas são o coração do Movimento Olímpico”, afirmou o Presidente do Comité Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach, aquando da realização Fórum Internacional de Atletas em Abril de 2019. É cada vez mais frequente escutarmos afirmações por parte de altos dirigentes desportivos que colocam o atleta no centro dos modelos desportivos internacionais e nacionais.
E a realidade é que os tempos mudaram e os atletas têm, cada vez mais, um importante papel na definição das políticas desportivas.
Nos Estados Unidos da América, as recentes e firmes tomadas de posição por parte dos jogadores da NBA, da MLB ou da NFL, associando-se às manifestações contra a discriminação racial e que provocaram inclusive o adiamento de alguns jogos, são um exemplo claro da importância e do peso que a voz dos atletas tem vindo a ganhar.
Foi também por se ter ouvido a voz dos atletas que foram investigadas diversas situações de assédio ou abuso sexual, algumas amplamente noticiadas ou registadas em documentários. Foi a voz dos atletas que colocou o COI a equacionar a flexibilização de uma regra, até há bem pouco tempo inamovível, relativa ao direito de se manifestarem no decorrer dos Jogos Olímpicos. E tem sido a voz dos atletas, entre muitos outros exemplos, a trazer a debate assuntos como a saúde mental e as dificuldades por que passam quando terminam as suas carreiras, a nível pessoal e profissional.
Mais do que nunca, os atletas têm o direito de participar, de forma activa, na definição das políticas desportivas. Não faz sentido que os principais agentes do fenómeno desportivo não participem nos processos de tomada de decisão. Para tal, é necessário que as entidades desenvolvam todos os esforços para os capacitar e, acima de tudo, envolver.
Há alguns anos que, a nível internacional, as principais entidades desportivas, como o COI ou as Federações Internacionais, têm representação dos atletas no seio das suas direcções e comissões. A nível nacional, o COP tem, já há largos anos, uma comissão de atletas activa e envolvida no processo de tomada de decisão. Mas muitas entidades desportivas nacionais, nomeadamente federações desportivas, estão ainda longe de atribuir aos atletas essa responsabilidade. Há muito que o papel do atleta ultrapassa a simples dimensão de treinar e competir. E esta é uma mensagem que deve ser assimilada pelos dirigentes desportivos ou mesmo por treinadores. Mas também deve ser assumida pelos próprios atletas. Pois se os dirigentes têm a responsabilidade de os envolver e de criar mecanismos seguros para que a sua participação seja efectiva, os atletas têm também a responsabilidade de se envolver e participar, activamente, nos assuntos que, directa ou indirectamente, lhes dizem respeito.
Porque participar activamente não é apenas um direito dos atletas. É um dever. Como tal, havendo actualmente condições para esse efeito, os atletas devem fazer ouvir a sua voz, partilhar as suas dificuldades, denunciar situações injustas e apresentar sugestões e soluções.
O sector do desporto é composto por um grande número de agentes das mais variadas áreas – atletas, treinadores e membros de equipas técnicas, dirigentes, médicos, fisioterapeutas e outros membros de equipas médicas, profissionais de áreas diversas, como gestão desportiva, marketing desportivo, comunicação, etc. É um sector social com um profundo impacto na sociedade, desde o seu papel formativo e educativo junto dos jovens até ao desporto profissional (e muito se tem falado - embora continue, aparentemente, a ser pouco valorizado - da real importância do desporto na sociedade).
Mas são os atletas, efectivamente, a peça central deste puzzle e, como tal, devem ter uma importante palavra a dizer no que respeita ao desenvolvimento do sector e da actividade desportiva.
Porque os atletas são, de facto, o coração do sistema desportivo e a sua voz tem o poder de alterar o rumo dos acontecimentos, queiram uns ouvir e outros falar. Assim sejam eles os primeiros a convencerem-se que é esse o caminho a seguir."

quinta-feira, 10 de setembro de 2020

Números que falam por si


"A Sport Lisboa e Benfica – Futebol, SAD apresentou ontem o relatório e contas referente a 2019/20, o qual, não obstante a pandemia que afectou o normal desenrolar das competições e subsequente quebra de receitas (continuando-se a cumprir todos os compromissos sem recurso a medidas de contingência, como o layoff, por exemplo), reflecte a notável situação económica e financeira no final do exercício económico.
O impacto da pandemia, em 2019/20, ao nível das receitas é estimado um pouco acima de 12 milhões de euros e deve-se ao adiamento de três jogos para o exercício seguinte (7,6 milhões de euros de direitos televisivos que foram facturados somente em 2020/21), à impossibilidade de haver público nas bancadas (3,8 milhões de euros divididos entre corporate, 2,2, e devolução de Red Pass, 1,6), além da bilheteira e royalties.
Apesar desta quebra significativa nas receitas, 2019/20 foi o melhor ano de rendimentos da Benfica SAD, totalizando estes cerca de 294,5 milhões de euros, um crescimento um pouco acima de 20% face à época anterior.
É evidente que a transferência de João Félix, pelo montante que envolveu, teve uma relevância muito significativa neste indicador, mas convém salientar que os rendimentos operacionais sem atletas atingiram os 140 milhões de euros. Caso não tivesse surgido a pandemia, rondariam os 152 milhões de euros, o que resultaria em novo incremento face ao ano anterior.
O elevado nível de proveitos, bem acima dos custos verificados ao longo do exercício, motivou um lucro de 41,7 milhões de euros. Este é o segundo melhor resultado líquido na história da SAD e trata-se do sétimo ano consecutivo a dar lucro. Os resultados acumulados nos últimos sete anos atingem cerca de 185 milhões de euros positivos. Não surpreende, portanto, que a Benfica, SAD apresente agora capitais próprios a rondar os 161 milhões de euros positivos (+35,2%), inclusivamente superiores ao capital social que, recorde-se, é 115 milhões de euros.
O activo voltou a crescer (0,7%) e o passivo manteve a trajectória descendente (-10,6%). Relativamente ao passivo, há a destacar a redução dos empréstimos obtidos (decréscimo de 32,5%). A dívida financeira situa-se agora abaixo dos 100 milhões de euros e foi reduzida em 162 milhões de euros nos últimos quatro anos.
Quanto à dívida líquida, que compara a dívida com as disponibilidades financeiras, é agora 98,1 milhões de euros, o valor mais baixo na última década da SAD benfiquista. Considerando o clube e todas as empresas participadas, este indicador, em 2010/11, atingia os 155,7 milhões de euros e era superior aos rendimentos totais (146 milhões de euros). No final de 2019/20, os 92,7 milhões de euros de dívida líquida do grupo Benfica estão muito abaixo dos 321,7 milhões de euros de rendimentos, comprovando a enorme evolução positiva da situação económica e financeira do Sport Lisboa e Benfica e, em particular, da Benfica SAD."

Azia!


"O Sport Lisboa e Benfica apresenta pelo sétimo ano consecutivo resultados positivos, o segundo maior da história, aumenta o capital próprio da SAD, atinge uma dívida liquida abaixo dos 100 milhões, rendimentos totais recorde e, qual é o destaque?
Uma tentativa desesperada de colagem ao FPF, quando este está dentro do recomendado, apesar das quebras de receitas operacionais decorrentes dos impactos da Covid-19.
E os 70% - cumpridos - são o recomendado, não o limite.
Que a gestão desportiva acompanhe a competência e eficiência da gestão financeira"

O Brinco do Baptista #52 - 15 minutos à Belenenses

Fever Pitch - João & David... Inglaterra!