Últimas indefectivações

quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Vermelhão: 5...


Benfica 5 - 1 Farense

Odysseas(Svilar); Gilberto(Almeida), Dias(Samaris), Verthongen(Ferro), Cervi(N. Tavares); Pizzi(Tino), Gabriel(Weigl), Everton(Chiquinho), Rafa(Gonçalves); Waldschimidt(Taarabt), Vinícius(Seferovic)

Nesta pré-época atípica, mais uma vitória com poucas informações...

PS: Dia marcado pela rescisão do Zivkovic!

Mariano Díaz


"Uma internacionalização pela selecção de Espanha e uma temporada sensacional ao serviço do Lyon que forçou o Real Madrid a resgatá-lo de volta são as marcas maiores de Mariano Díaz, agora associado ao interesse do Benfica.

Avançado centro de grande potência física demonstra bem mais argumentos em espaços largos e em momentos de aceleração em ataques rápidos, maioritariamente em momentos de Transição, Mariano não terá as características que Jesus procura para ser o nove da sua equipa, mas poderá ter um impacto tremendo na frente de ataque, acompanhando alguém mais eficaz na zona de finalização. É jogador de grandes capacidades físicas, e alguns argumentos técnicos, que ganha maior notoriedade quando o espaço e tempo aumentam para poder definir. Alguns dos seus traços fazem recordar de Lima, o ex avançado do Benfica que tanto sucesso teve com Jorge Jesus."

O Benfica perdeu a Youth League mas há jovens com tudo para singrar


"Tal como em 2014 e 2017, o Benfica chegou à final da Youth League, mas não conseguiu o troféu. Contudo, houve vários jogadores dessas equipas a singrar nas águias (ou fora delas) e agora o caso repete-se. Conheça os nomes dos jovens benfiquistas mais promissores

Em 2013/14, no primeiro ano do actual formato da UEFA Youth League, o Benfica chegou à final da prova equivalente à Liga dos Campeões de juniores, mas caiu perante o Barcelona (3-0). Três anos depois, o cenário repetiu-se, mas desta feita face ao Red Bull Salzsburg (2-1). De uma forma ou de outra, com a distância dos anos que passaram, é possível entender que nas duas equipas orientadas por João Tralhão houve vários dos protagonistas que se afirmaram a nível sénior, ora no plantel dos encarnados, ora noutros clubes de bom nível.
Na equipa de 2013/14, Gonçalo Guedes é, com distância, a figura de maior destaque: subiu aos A, já na altura com Jorge Jesus, e desde então saiu para Espanha, já fazendo parte da Selecção Nacional. Outro nome que estava presente nessa caminhada e tem sido bastante falado é o de Nuno Santos, que não teve tanto espaço nas águias, mas enveredou por outro caminho e neste mercado chegou ao… Sporting, proveniente do Rio Ave.
Mais recentemente, em 2016/17, a equipa que caiu com os austríacos da Red Bull prova ainda mais claramente que nem só os que ganham têm futuro. É que naquela equipa estavam nomes que dispensam apresentações, como Rúben Dias, João Félix, Florentino, Gedson Fernandes, Jota ou mesmo Diogo Gonçalves.
Agora, em 2019/20, o Benfica voltou ao jogo mais desejado de escalões de formação na Europa, mas o desfecho repetiu-se, desta feita frente ao Real Madrid (3-2). Ainda assim, tal como antes, também nesta geração há nomes com todas as condições para singrar no plantel principal do Benfica… ou fora dele. 
Olhando primeiro para aqueles que parecem ter mais condições para integrar no curto/médio prazo a equipa de Jorge Jesus, pelo perfil que pode coincidir com o pretendido pelo antigo treinador do Flamengo, destaco dois nomes: Morato e Gonçalo Ramos.

Morato
O defesa-central brasileiro, que não é propriamente um produto da formação encarnada (chegou no início da presente temporada, vindo do São Paulo, por 6 milhões de euros), tem já nos dias de hoje todas as condições para integrar o lote de centrais da equipa principal.
Dono de uma presença física de assinalar, que o dota de muita eficácia no jogo aéreo e nos duelos, tem também capacidade técnica para ser bastante fiável na primeira fase de construção e o facto de ser esquerdino é um extra importante (na equipa A o recente reforço Vertonghen é o único, por exemplo). 
Morato tem 19 anos e em Jorge Jesus o técnico ideal para o fazer crescer e, no médio prazo, tornar-se importante na principal equipa dos encarnados.

Gonçalo Ramos
Já no outro lado do campo, no ataque, o destaque principal é Gonçalo Ramos. Também com 19 anos, estreou-se na penúltima jornada da Liga NOS, frente ao CD Aves, jogo no qual apontou 2 golos em 5 minutos. Tem capacidade técnica acima da média – o facto de na sua formação ter passado muito tempo pelo meio-campo comprova-o –, baixa bem para se associar entrelinhas e oferecer apoios frontais, mas a sua estupenda capacidade de finalização (bisou tanto na final como nos quartos desta Youth League) faz com que seja um desperdício afastá-lo da baliza adversária.
Num sistema com dois avançados, como o que Jorge Jesus costuma utilizar, tem a vantagem de poder ocupar os dois lugares da frente: ponta-de-lança ou segundo avançado. Face à aposta do clube em reforços credenciados para o ataque, um empréstimo poderá ser o mais indicado, mas terá uma palavra a dizer na pré-época.

Tiago Dantas
Além destes dois, os que parecem mais perto da equipa A do Benfica, há outros igualmente talentosos e cujo potencial é difícil de definir, mas dos quais muito provavelmente iremos ouvir falar. À cabeça, Tiago Dantas.
Médio criativo de 1.69m, que atua preferencialmente como interior num 4-3-3 ou mesmo a partir da esquerda para dentro num 4-4-2, tem na sua capacidade técnica e na visão de jogo as suas principais armas.
É destro, raramente falha passes e toma más decisões, mas o perfil físico menos exuberante pode afastá-lo (pelo menos para já) do conjunto de Jesus. Joga muito bem em espaços curtos, o que lhe dá conforto entre a linha dos médios e defesas adversários.

Úmaro Embaló
Além dos elementos para o corredor central já mencionados, nas linhas destaca-se um nome que já fez correr muita tinta na imprensa nacional: Úmaro Embaló, que chegou a ser dado como certo no RB Leipzig em 2018, teve um papel de destaque nesta caminhada até à final da Youth League.
Extremo esquerdino, mas também com muito à vontade com o pé direito, é rápido, agressivo e forte no drible, embora pareça ter de crescer na tomada de decisão. Ainda assim, o facto de jogar bem com os dois pés torna-o mais imprevisível e difícil de parar. É já há bastante tempo um dos destaques na formação encarnada e espera-se muito dele. Apesar de ainda ter 19 anos, fez parte da última convocatória de Rui Jorge para a Selecção de sub-21.

Ronaldo Camará
Por fim, a fechar este lote das principais pérolas da equipa que perdeu o troféu frente ao Real Madrid, não há como não falar de Ronaldo Camará. De todos os mencionados é o mais jovem (ainda juvenil, tem apenas 17 anos já feitos em Janeiro), e embora tenha perdido a titularidade que teve por sete ocasiões na prova europeia, foi dos principais responsáveis pela melhoria da equipa na 2.ª parte, altura em que foi lançado.
É um médio ofensivo muitíssimo evoluído tecnicamente e destaca-se pela fantasia que imprime no seu drible curto. Não é provável que seja já chamado à equipa principal, primeiro terá de se afirmar na equipa B (onde já jogou, mas apenas por duas vezes), mas é dos jogadores de maior potencial das equipas que crescem no Seixal.

Além dos mencionados, Pedro Álvaro, central que falhou a final por lesão mas que se destacou ao lado de Morato no eixo da defesa, Rafael Brito, médio defensivo que também só entrou após o intervalo, mas parece ter bem mais futuro do que o titular Jocu, Tiago Gouveia, extremo de qualidade, e o médio Paulo Bernardo são também elementos a ter em conta, embora pareçam um pouco mais distante do que os cinco já mencionados."

Cavani, o livro de bolso


"A obra literária deste verão.

As férias habitualmente puxam por leituras mais leves. Um bestseller, um livro de não-ficção dos tops das livrarias, uma releitura de um clássico de infância. Fico de todas as vezes surpreendido com as pessoas que levam densos calhamaços para a praia, como o "Anna Karenina" de Lev Tolstoi (de 896 páginas) o "Infinite Jest" de David Foster Wallace (de 1079 páginas) ou o tópico “Cavani” do fórum SerBenfiquista (de 8975 páginas).
Porém, a verdade é que a novela Cavani não é uma obra literária tão complexa como a sua extensão poderia indiciar. Não é uma narrativa não convencional, nem tem imensas personagens principais. Aproximar-se-á mais do estilo penny dreadful, literatura barata distribuída em fascículos, destinada às massas. É uma tragédia com características presentes em qualquer outro drama fácil.
O protagonista - Benfica - tem um interesse amoroso - Cavani. O amor parece impossível. O quarto maior goleador da década num clube que há meses requereu o empréstimo de Dyego Sousa? Seria um desafio à norma. Mas Cavani dá corda ao seu pretendente, o que faz com que o Benfica, apaixonado, entre em loucuras. É aí que surge o antagonista. O irmão de Cavani não vai deixar ir a sua donzela sem que lhe paguem um excelente dote. As coisas azedam. Cavani não pode aceder à paixão de Benfica caso o dote não seja pago. O vil metal que tudo corrompe destrói o amor. Tudo isto narrado pelo coro, que são as centenas de pessoas que tinham informações fidedignas, exclusivas, inquebrantáveis sobre o negócio, lideradas pelo deus Fireeagle, utilizador de um fórum online.
É uma narrativa onde o protagonista é acometido pela hubris, conceito grego que remete para a arrogância perante os Deuses, o desafio da ordem natural das coisas, o descomedimento. Luís Filipe Vieira quer tanto assegurar que ganha as eleições que negociou durante um mês um jogador que estaria presumivelmente fora do alcance do Benfica, alimentando de forma vã a esperança dos adeptos. O descomedimento que teve nesta empreitada originou um resultado oposto ao que ambicionava. Agora é ir buscar alguém ao olimpo de Jorge Mendes.
Há amor. Há drama familiar (o irmão de Cavani faz de gémea má, recordando Sofia Alves em Olhos de Água). Há dinheiro (noutros tempos, também Judas Iscariotes e os sacerdotes estiveram num impasse para definir se as 30 moedas de prata era um valor bruto ou líquido). Tem catarse (a figura das pessoas que compraram a camisola de um jogador que ainda não tinha sido apresentado). A novela Cavani ainda não terá acabado. Recomendo 9/10."

João & João... Espanha!

João, Markus & Patrick... Champions e Alemanha!

Ingrato...

Benfica 2 - 3 Real Madrid


Terceira derrota numa final da Uefa Youth League, num jogo muito ingrato, com auto-golos, penalty's desperdiçados, lesões durante o jogo, que somaram às lesões antes do jogo, e do castigado Paulo Bernardo! Já para não falar do anti-jogo autorizado pelo árbitro desde do primeiro golo dos Espanhóis!!!

Na minha opinião a 'substituição' do Bernardo deveria ter sido outra, acabámos por entrar numa final com um 11 demasiado ofensivo... Se na primeira parte o jogo foi equilibrado, por baixo, o Real chegou aos golos, num erro individual da nossa defesa, seguindo-se um auto-golo na sequência de outro erro individual! Numa primeira parte, onde nenhuma equipa merecia marcar...
No 2.º tempo dominámos o jogo e deveríamos ter ganho...
Permitimos 3 golos, contra uma equipa que fez 2 remates à nossa baliza!!!

Vermelhão: 4...

Benfica 4 - 0 B SAD
Seferovic, Gilberto, Jota, Gonçalves


Mais um jogo-treino, com a actualização de vários jogadores que falharam o primeiro jogo com o Estoril...

terça-feira, 25 de agosto de 2020

O encanto revolucionário de Mr. McLvanney

"Em Edimburgo, no dia 29 de Setembro de 1960, o Benfica conquistava a primeira vitória na Taça dos Campeões, batendo o Hearts por 2-1. Um dia extraordinário. Que iria ser o primeiro passo para a conquista do troféu mais ambicionado da Europa...

Momento lindo da história do Benfica: dia 29 de Setembro de 1960. Numa cidade encantadora: Edimburgo. Diria até mais: fascinante. Quando se fala do futebol escocês, Glasgow é o centro indiscutível. Tem o Celtic e o Rangers, claro, os dois monstros de um grupo de clubes com histórias antiquíssimas e presentes sem destaque. Mas nunca desprezemos a história! É um erro grave. Gravíssimo!
O Heart os Midlothian nasceu em 1874. Como não respeitar uma instituição com 146 anos, não me dizem? O clube mais antigo da capital escocesa.
E, por outro lado, sabem qual o último ano em que o Hearts, como é conhecido, ganhou o campeonato escocês? 1959. Exactamente. Por isso, ficou apurado para a Taça dos Campeões Europeus da época seguinte. Coube-lhe, por sorteio, defrontar o Benfica. É então que surge o tal momento bonito da vida das águias.
Tynecastle Park. Um fulano chamado Tommy Walker construíra, ao longo de dez anos, uma equipa de resistência formidável, embora não abundasse em talento. Era esse o adversário do Benfica na primeira eliminatória. Primeira mão na Escócia.
43 mil pessoas juntaram-se em redor das quatro linhas. Ultrapassaram largamente o número de assentos e, teimosamente, conservam-se em pé durante noventa minutos. Importante mesmo era não perder pitada que fosse do encontro. Pescoços esticavam-se uns por cima dos outros.
O repórter do The Scotsman, Hugh McLvanney, ficou atarantado com o classe de dois jogadores: um na defesa, Germano; outro no ataque, José Águas. Escreveu que achava o futebol benfiquista 'verdadeiramente revolucionário'. Eis uma expressão que poderia merecer a censura daqueles canalhas que andavam de página com um lápis azul em riste a impedir que os estimados leitores lessem coisas incomodativas para o regime em vigor. Mas que se colou ao que viria a acontecer até ao fim dessa edição da Taça dos Campeões. A antítese que Germano demonstrava perante o estilo bruto de Alexander Young, Bobby Blackwood, Jimmy Murrray ou Willie Bauld, avançados abana-pinheiros de meter os pés, alegrou de sobremaneira o jornalista. O central benfiquista desarmava adversários e saía com a bola dominada da sua zona defensiva com uma classe e um estilo apaixonante. E alimentava movimentos de ataque com passes primorosos...

A exigência de Guttmann
O Benfica conseguiu, em Edimburgo, a sua primeira vitória na Taça dos Campeões. Na única vez que tinha participado na prova, empatara e perdera com o Sevilha. Aproveitou esse triunfo para ir por ái fora até à final e bater o Barcelona, em Berna. Mas isso foi um bocado depois. Por hoje, fico-me pela Escócia e pelos golos de José Águas (36m) e José Augusto (74m) que resistiram ao golo de Young (80m). Momento lindo e inesquecível, ainda por cima agora que o Estádio da Luz vai receber novamente a final da Liga dos Campeões. Umas coisas ligam-se às outras.
O treinador húngaro dos lisboetas, Béla Guttmann, O Mago, não estava satisfeito de todo. A sua exigência era grande: 'A nossa táctica baseava-se na vontade de fazer com que o Hearts concedesse um empate. Aconteceu que conseguimos alguma superioridade e ganhámos. Toda a equipa cumpriu as indicações que recebeu e penso que voltaremos a jogar assim, com esta qualidade, no jogo da segunda mão. Ainda assim, poderíamos ter feito mais qualquer coisa para dilatar o resultado'.
Coluna e Cavém eram outros dos elogiados. Num meio-campo buliçoso, de trabalho contínuo, combate sem quartel perante opositores fisicamente poderosos, foram de uma resistência a toda a prova. 'Os portugueses, mesmo nos momentos eufóricos em que se lançaram ao ataque, nunca perderam de visita que mais importante do que ganhar era não perder', escrevia o diligente jornalista de The Scotsman. 'A defesa do resultado esteve presente no zero-zero inicial e apareceu, claramente, depois da marcação do primeiro golo. A seguir ao 2-0, em vez de tentar o golpe mortal, acomodou-se a um resultado que já julgava definitivo. mais golo, menos golos, pouco importava aos campeões portugueses'.
A eliminatória fico desde logo decidida e outra coisa não seria de esperar. Concluía o escriba: 'Apesar de possuir uma boa equipa, o Benfica não tem o nível do Real Madrid...' Pois... Mas a concepção foi precipitada. Ao fim de cinco vitórias consecutivas em finais da Taça dos Campeões, o Real ficaria desta vez pelo caminho, eliminado pelo Barcelona que chegou a Berna como grande favorito. E de Berna saiu derrotado por 2-3. A equipa que Hugh McLvanney considerava inferior ao grande Real Madrid, iria substituir os madrilenos no topo do futebol da Europa. Uma no mais tarde, em Amesterdão, confirmou que era bem superior ao Real, vencendo a final por 5-3. E tudo começara numa final de tarde em Edimburgo. Um dia muito, muito bonito para a história do Benfica."

Afonso de Melo, in O Benfica

Um quotidiano 'forçado' entre o civil e o selvagem

"No final de uma digressão, a comitiva benfiquista experimentou a vida natural e urbana, em Moçambique

Em 1962, passavam 12 anos que o Benfica não ia a Moçambique, levando 'os laurentinos a perderem a cabeça' e a 'formarem bichas desde cedo, na ânsia de conseguirem um bilhete' para assistir ao jogo. Alguns portugueses da África do Sul viajaram mais de 500 quilómetros para ver a partida!
A equipa, que a 1 de Julho conquistara a Taça de Portugal ao Vitória de Setúbal, ingressou nesta digressão que decorreu entre 4 e 7 desse mês. Subordinado ao tema 'Rota da Saudade, Rota do Coração', o objectivo era defrontar as selecções de Luanda e Lourenço Marques, que acabaram derrotadas.
Dois dias depois do jogo em Lourenço Marques, a equipa benfiquista devia ter aterrado em Lisboa, na tarde de 9 de Julho de 1962. Porém, foram obrigados a manterem-se por mais tempo na capital moçambicana porque 'o avião ficou retido em Kano'.
Na cidade, 'três dirigentes e um jornalista', ficaram hospedados no Hotel Polana e os 'restantes componentes da embaixada benfiquista', no Hotel Tivoli.
Os três elementos da direcção, Manuel da Luz Afonso, Rui Guedes e Francisco Campas, e o jornalista Alberto da Maia decidiram dar um passeio 'à boa maneira africana' no rio Incomati, um longo rio que nasce no coração da África do Sul e vai desaguar no Índico, junto à cidade laurentina, num bonito delta, 'lugar paradisíaco, a convidar a férias de repouso'. Os jogadores, no entanto, não deram oportunidade de serem convidados. Rendidos 'à eterna «febre» das compras', não foi possível reuni-los, sendo que já tinham saído do Tivoli, andando 'uns por aqui, outros por acolá'.
Por trás da 'vegetação cerrada', no rio, os quatro aventureiros entraram numa 'barcaça ligeira', onde conseguiram ver dois grandes crocodilos, 'dos «dos filmes» (...) numa das margens, barriguinha ao sol'. Pouco depois, passaram no 'meio de nutrida família de hipopótamos'. Estes, ao contrário dos crocodilos, que 'mergulharam mal nos pressentiram', 'deixaram-se admirar de todos os ângulos' e até fizeram umas gracinhas'!
Já de regresso, motivados pelo iminente pôr do sol, foram surpreendidos pela '«deita» das aves, a empoleirarem-se num ou noutro arbusto a meio do rio', prontas para aí passarem a noite.
No dia seguinte, 11 de Julho, seguiram no avião que os levou a Lisboa, onde foram recebidos com um jantar oferecido pela AFL, num restaurante no Castelo de São Jorge, em virtude da conquista do bicampeonato europeu.
Costa Pereira, Coluna e Eusébio não regressaram à metrópole com o resto da equipa. Os jogadores, de origem moçambicana, continuaram a matar saudades da sua terra natal, enchendo o coração.
Poderá saber mais sobre digressões do Clube na área 26 - Benfica Universal, no Museu Benfica - Cosme Damião."

Pedro S. Amorim, in O Benfica

Cadomblé do Vata (avançados)

"Os nomes apontados pela imprensa, como alternativas a Cavani:
1. Darwin Nuñez - "vocês entenderam mal... nós nunca quisemos o Cavani... o objectivo sempre foi o Novo Cavani". Seria um excelente argumento se no domingo o Rui Costa não tivesse dito que "fizemos uma proposta ao Cavani e aguardamos resposta " 3 vezes seguidas, cada uma a tentar desmentir a outra. 
2. Bruno Henrique - rápido e tecnicista foi um dos destaques do Flamengo do Jorge Jesus. Após a saída do treinador para o SLB, baixou muito o rendimento e os adeptos do Fla até já dizem que anda a "dar mole" de propósito. Ia-se adaptar lindamente aos novos colegas encarnados.
3. Mariano Diaz - ohh não, outro avançado hispano-dominicano formado no Real Madrid... disse Pedro Proença antes de correr todos os super e hiper mercados da Grande Lisboa para garantir que desta vez, nenhum reforço caribenho do SLB o vai deixar à míngua de brilhantina.
4. Carlos Fernández - nunca vi tal génio jogar à bola, mas aparentemente fazia parte da mesma lista de reforços pedida por JJ aos dirigentes rubro-negros, que incluía Gilberto. Está portanto muito perto de ser oficializado. Como vem do Granada, tem tudo para ser um reforço bomba (badum tss).
5. Diego Costa - não posso dizer que não gosto deste rapaz, porque a verdade é que o odeio. Tem tanto de Benfica como João Félix de Atlético de Madrid. Passar de "ahh catano, vamos contratar o Cavani" para "tomem lá o Diego Costa", é como prometer um animal de estimação aos filhos de manhã e à tarde oferecer um tamagochi a cada um.

PS - nem considero Batshuay alternativa. Já o quisemos há uns anos e preferiu o Marselha, para além que o SLB não deve contratar jogadores com nomes inspirados na letra das Dunas dos GNR."

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

3

Seixal em Italiano!!!

Oliveira, Clube de Fãs

"Hoje somos todos Oliveira.

Quer dizer, somos fãs, imaginamo-nos um clube, mas nada de oficial. De coração, apenas. De muitos corações. Hoje, naquela última curva em Spielberg estivemos todos, não tocámos nem no Pol nem no Miller, fomos apenas voando, livres e sonhadores, nas mãos de um menino chamado Miguel. Oliveira, somos todos Oliveira, Falcão, 88 e Miguel, não esquecemos a cada 15 dias mais ou menos, porque o calendário tem ressaltos, não esquecemos de guardar as manhãs de sexta, sábado e domingo para estarmos ali em frente às tabelas dos tempos, empurrando mentalmente o nosso guerreiro para cima, buscando o conjunto azul-marinho e laranja que nos inquieta, nos excita, nos aquieta e acalma, e é assim mesmo esta coisa paradoxal e apaixonante de se ser MO88 em casa, na rua, em qualquer lugar do mundo, e é mesmo nesses sítios todos que vibra gente assim.
E se, há três corridas atrás, a P6 soube a pouco, se, na semana passada, o chega--para-lá que derrubou Miguel nos derrubou a todos também, nós, o Clube Não Oficial Mas de Coração do Miguel Oliveira, então, hoje, a coisa foi cerebral, predadora, cirúrgica, foi guardada para a última nesga de asfalto o salto acrobático de um menino português para o topo mundial numa modalidade tantas mas tantas vezes esquecida e ignorada cá pelo burgo.
Hoje somos todos Oliveira. Não oficiais, que disso trata, e bem, uma estrutura que tão bem soube erguer-se. Somos todos Falcões portugueses, ceamos em conjunto da lauta e faustosa ceia da vitória. Seria pedir muito que todos nos mantivéssemos assim?"

Você, meu constante amigo

"Luiz Felipe Scolari estava sentado no banco do Brasil. Sentado é uma forma de expressão que rima com banco: ele esteve quase sempre em pé. Ao vê-lo, lá da bancada de imprensa, não era capaz de adivinhar que viria a ser o próximo seleccionador de Portugal. Era algo inatingível.

Na noite do dia 30 de Junho estava em Yokohama. Da estação de comboios de Shibuya, em Tóquio, a Sakuragi-chõ é pouco mais do que meia hora. Trinta e cinco minutos de bairros contínuos, periferias maçadoras, vias rápidas que se cruzam umas sobre as outras como teias de betão de uma aranha gigante enlouquecida. Fiz trinta e cinco minutos de comboio para ver noventa minutos de futebol. A final do Campeonato do Mundo. Brasil-Alemanha: um jogo para lá do jogo. Um confronto de ideias, de filosofias, de formas de estar na vida. Um confronto até de Continentes. Quando o talento defronta a força, fico geralmente do lado do talento. O Brasil tinha talento; a Alemanha não.
Luiz Felipe Scolari estava sentado no banco do Brasil. Sentado é uma forma de expressão que rima com banco: ele esteve quase sempre em pé. Ao vê-lo, lá da bancada de imprensa, não era capaz de adivinhar que viria a ser o próximo seleccionador de Portugal. Era algo inatingível. Ainda por cima para uma selecção que se despedira do Mundial pela porta do cavalo, derrotada pelos Estados Unidos e pela Coreia do Sul.
Em Yokohama, depois da vitória do Brasil sobre a Alemanha por 2-0, com dois golos de Ronaldo – Ronaldo-Ronaldinho-Ronaldo, eis como um nome se repetiu na carreira de Scolari entre o Brasil e Portugal -, choveram cisnes coloridos de papel sobre a multidão que enchia o estádio Kokusai Sõgõ Kyõgi-jõ, mais de 72 mil espectadores encantados com a magia japonesa do origami.
O fim da festa: para onde voam os cisnes?
“Foi suado, sofrido, dramático”, escrevia Júlio Gomes Filho no jornal Esporte. E continuava, colocando o dedo na ferida cicratizada: “O Brasil que foi muito criticado antes do Mundial e chegou desacreditado, conquistou o penta-campeonato de maneira brilhante. A equipe ganhou os seus sete jogos e ainda teve o melhor ataque do torneio com 18 gol”.
Depois da tristeza de 1998, em França, a “Canarinha” recuperava a alegria amarela e verde.
Um nome era consensual: Luiz Felipe Scolari.
Não tardaria a chegar a Lisboa e a Cascais onde viveu virado para o mar. O Chico Buarque sempre disse que as festas murcham. E o Toquinho: “Uma amizade infinita de irmão mais velho/Você, constante amigo/Meu distante companheiro/Você que o tempo inteiro/Não tem medo do perigo, não”. 
Quanto muito, para nós sobraram os lírios brancos de cemitérios calados."

Guarda-Redes | O lugar que ninguém e muitos querem

"A chegada de Jorge Jesus para o comando técnico encarnado significa, a título imediato, em mudanças no plantel do Sport Lisboa e Benfica, nomeadamente no posto de guarda-redes. Ora, se nas últimas semanas surgiram reforços como Waldschmidt, Everton, Gilberto, Vertonghen, Pedrinho e, finalmente, Helton Leite.
Pois bem, é deste último, ou melhor da posição em que o mesmo actua, que nos vamos focar neste artigo. Actualmente o Benfica tem quatro opções para a baliza no seu plantel, no entanto, a posição de guarda-redes é, provavelmente, a que menos é rodada a temporada toda.
Na equipa principal estão o titular Odysseas Vlachodimos, Helton Leite, Mile Svilar e, para acrescentar a esta lista, Leo Kokubo, guardião da equipa de sub-23 das águias, tem estado em grande plano.
Assim, são quatro as opções de Jorge Jesus para uma posição em que apenas três terão permanência, pelo menos é o expectado. Pois bem, se ninguém gosta de ser terceira opção, não deixa de ser verdade que há uma luta entre dois destes guardiões pela última vaga terceiro guarda-redes.
Creio que em circunstâncias normais, Vlachodimos manterá a sua titularidade assegurada e com a chegada de Helton Leite, este deverá ser a segunda opção, no entanto fica a dúvida de quem ocupará a terceira vaga no plantel encarnado.
Svilar já teve a sua oportunidade na equipa principal, mas alguns erros da sua parte acabaram por danificar a sua imagem perante os adeptos, que não o consideram um guarda-redes seguro e capaz de defender as redes encarnadas. Resta ainda referir Kokubo que tem melhorado a olhos vistos, sendo até o escolhido para defender a baliza encarnada na UEFA Youth League.
Analisando as duas opções para ocupar a última vaga reservada a guarda-redes, Svilar é o mais experiente. Ainda que tenha apenas 20 anos, o guardião belga, que fez a sua formação no Anderlecht, onde até chegou a vencer a Liga e Supertaça pela equipa principal, ainda não convenceu nos seus três anos de SL Benfica.
Quanto a Leo Kokubo, o mais novo dos três atletas em discussão (19 anos), parece-me um pouco “verde” para subir à equipa A dos encarnados. Ainda que venha a melhorar significativamente, penso que a melhor opção para Kokubo seria rodar pela equipa B e pelos sub-23 por mais uma temporada e aguardar pela sua oportunidade no plantel principal para não arriscar sair com a sua imagem prejudicada como aconteceu com Svilar. 
Assim, julgo que Mile Svilar deverá ser o terceiro guarda-redes do conjunto de Jorge Jesus e que Kokubo será o preterido desta lista, devendo ficar à espreita de um lugar no plantel. Será no seu quarto ano de Sport Lisboa e Benfica que Svilar convence os adeptos da sua aptidão? Ou será “apenas” o terceiro guarda-redes que ninguém espera nada?
Julgo que saberemos no decorrer da temporada."

sábado, 22 de agosto de 2020

Dominadores...

Benfica 3 - 0 Ajax


Sem reparos, domínio total, do princípio ao fim, só faltaram mais alguns golinhos e uns cartões vermelhos aos jovens do Ajax!!!
Temos o melhor plantel de sempre nesta competição, com opções para todas as posições (excepto defesa esquerdo, a lesão do Sandro Cruz complicou...!!!), e hoje, mesmo com algumas ausências de peso, ninguém as notou... A ausência do Bernardo na final, na minha opinião será 'resolvida' com alguma 'facilidade'!

Será que à 3.ª será de vez?! Vi o jogo do Real, e parece que temos mesmo melhor equipa, pelo menos mais madura... e que está a saber jogar sem bola!

Vermelhão: Estreia...

Benfica 4 - 1 Estoril


Primeiro jogo-treino da época, no Seixal, contra o Estoril, numa partida com poucas informações...
Vai ser uma pré-atpica em todos os sentidos, inclusive nos jogos «à porta-fechada», com equipas pouco competitivas. Será complicado ganhar ritmo competitivo antes dos jogos a doer!!!
Almeida, Grimaldo, Gabriel e Pedrinho estiveram indisponíveis...

Mercado diferente ou talvez não

"Flamengo só ganhava porque tinha grande equipa, perdeu Jesus e começou a perder como nunca em vez de ganhar como sempre

quem espere por dinheiro para poder comprar, há quem compre à espera de dinheiro para poder pagar e há quem tenha dinheiro e espere para comprar. Estilos e posições de clubes em situação diferente em termos financeiros e económicos.
Com constrangimentos tão fortes e uma situação tão débil, o Sporting está a encarar o mercado com rigor e acerto, mas isso não interessa nada para parte significativa dos seus adeptos, que, especializados em guerras civil, querem apenas destruir o pouco que ainda lhes resta. Protestam mesmo quando conseguem jogadores de valor, protestam quando desviam talentos dos rivais. Protestam porque, alguns, até nem sabem fazer mais nada. Sorri e agradece a concorrência. Exemplo para outras paragens, nunca sportinguizar. Mas dia 20 de Setembro todos começam com zero pontos e têm 34 jornadas para vencer.
Regra geral, quem tem melhores argumentos tem mais hipóteses de vencer, que o digam Bayern e PSG na final da Liga dos Campeões.
A melhor contratação do Benfica, e já chegou muita qualidade, foi Jorge Jesus. Nas mãos dele, muito do que existe e do que ainda vem valerá muito mais.
O Flamengo também só ganhava porque tinha grande equipa, perdeu Jorge Jesus e começou a perder como nunca em vez de ganhar como sempre.
Chegue quem chegar, a diferença maior será o treinador. Ainda estou a festejar a chegada do mister. Jorge Jesus não acerta sempre, mas acerta muito mais que os outros.
Discordo completamente daqueles que defendem que a aquisição de um central não anima nenhum adepto. Talvez porque acredito que o melhor ataque ganha jogos e a melhor defesa ganha campeonatos, Vertonghen foi a contratação que mais me alegrou sem discutir todos os outros talentos.
O Benfica venceu nos quartos de final da Youth League em um Dínamo de Zagreb que entrou no jogo como se não houvesse amanhã e acabou mais morto que um Benfica muito cansado. Falta ritmo e competição, mas há muita qualidade neste Benfica, que voltou a colocar a sua formação em destaque na Europa. Equipa onde Gonçalo Ramos mostra estar num degrau acima e onde a lesão de Pedro Álvaro preocupa. Amanhã, contra o Ajax, jogam duas das melhores escolas de formação do Mundo por um lugar na final.
Boa sorte."

Sílvio Cervan, in A Bola