Últimas indefectivações

domingo, 9 de junho de 2019

Só mais uma...

Benfica 4 - 3 Sporting

Resultado escasso, devíamos ter resolvido a partida na 1.ª parte, tal foi o nosso domínio...
Mesmo assim, voltámos a entrar bem no 2.º tempo, fizemos o 4-1 e depois tal como já tinha acontecido no jogo anterior, permitimos dois golos, que deixou o jogo, num perigoso 4-3, que conseguimos levar até ao fim...
Sofrimento totalmente desnecessário, mas acabou por ser saboroso no final!!!

Desta vez, sem o Fits, o Hemni e o Campos...

Mesmo assim a grande surpresa foi mesmo a expulsão do Dieguinho, o problema é que não devia ter sido a única, e mais uma vez tivemos jogadores do Benfica a levarem Amarelo, por terem sido agredidos!!!

Estamos a uma vitória do título, mas nada está resolvido... na Quinta-feira no Alvalixo, temos que entrar com tudo novamente, sem abébias, sem erros, sem desconcentrações defensivas... Porque creio que neste momento está claro que temos melhor equipa, mais talento e mais profundidade... e só o nosso desperdício e 'ofertas' no jogo 1, mantém esta Final aberta!!!

Iniciados - 10.ª jornada - Fase Final

Benfica 2 - 3 Guimarães

Derrota no último jogo, numa partida que nada resolvia, mas exigia melhor da nossa parte! Acabámos por perder 5 pontos com o Guimarães, algo perfeitamente evitável...

O 3.º lugar nesta Fase Final na minha opinião é 'enganador'. Temos aqui uma geração com vários jogadores talentosos: Gomes, Martim, Prioste, Pedro Santos, Nóbrega, Neves, Hugo Félix, Bacai... mas falta claramente 'caparro' a esta equipa, só o Martim e o Moreira, se equipavam com os nossos adversários... e nestas idades, a questão física faz a diferença...

PS: Parabéns aos nossos Cadetes do Judo: Masculinos, Campeões Nacionais e Femininos, Vice-Campeões Nacionais...

A primeira Liga das Nações

"As vitrinas da Cidade do Futebol merecem receber o primeiro troféu de uma competição europeia que tem, na sua génese, um forte impulso português.

1. Hoje, num Estádio do Dragão esgotado, assistiremos à final da primeira edição da Liga das Nações. Em outros estádios da Europa disputam-se jogos da fase de grupos do acesso ao singular Europeu 2020. Singular em razão da sua realização por um conjunto de estádios de uma Europa bem alargada. Assisti, nos últimos vinte anos, a alguns confrontos entre Portugal e a Holanda. Vibrei com a nossa vitória - com um pontapé extraordinário de Maniche - no Estádio de Alvalade, no europeu de 2004. Depois em Nuremberga aplaudi nossa vitória no Mundial de 2006 e num jogo em que houve quatro vermelhos e dezasseis amarelos! E no Europeu de 2012, em Kharkiv, sofrei com a derrota por duas bolas a uma. Hoje será mais um jogo. Mas, para a equipa de Fernando Santos, será, e bem, uma outra final. Com a particularidade de as vitrinas da Cidade do Futebol merecem, pelo esforço organizativo da nossa Federação, receber o primeiro troféu de uma competição europeia que tem, na sua génese, um forte impulso português. E esta singularidade, que vai de Fernando Gomes a, por excelência, Tiago Craveiro, merecia, para além da assumida liderança de Cristiano Ronaldo e de todos os seus companheiros de Selecção, essa recompensa. Da presença permanente do troféu da primeira Liga das Nações na Cidade do nosso futebol!

2. Vamos ver hoje no Dragão os netos de Cruyff. Há bastantes anos comprei um livro deste grande Senhor do futebol europeu e mundial. Que moldou a Holanda - tal laranja mecânica - e que ajudou a construir o Barcelona de hoje. O livro tem um sugestivo título: «Me gusta el fútbol»! Termina com dez mandamentos acerca do futebol. No primeiro proclama que se deve «desfrutar o futebol para o público e também para os jogadores. O futebol é espectáculo. Se não for, não é futebol»! No quarto, avisa-nos que «a ilusão é, em geral, básica mas é-o, acima de tudo, no futebol»! E no oitavo afirma que «a entrega a cem por cento é absolutamente necessária no futebol». Lendo o livro, e algumas das suas reflexões, acomodo-o plenamente com Cristiano Ronaldo. Com ele sente-se que o futebol é espectáculo, que desfrutamos do jogo e dos golos, que sempre temos a ilusão dos instantes de sonho que ele nos proporciona e que a sua entrega a cem por cento. E sentindo tudo isto sabemos que vamos entrar no Dragão com a secreta esperança da vitória mas, acima de tudo, com serena convicção que a Selecção de Portugal tudo fará para os proporcionar, na noite deste domingo que antecipa o Dia de Portugal - e das Comunidades Portuguesas - uma alegria bem especial. Ele que frente à Suíça foi, uma vez mais, bem especial!

3. Arrancou ontem mais uma edição de um Mundial de futebol feminino. A França, em diferentes cidades - Paris e Lyon, Rennes e Nice, Montpellier e Le Havre, entre outras, acolhe, até 7 de Julho - e a final será em Lyon, cidade do campeão europeu em título - recebe as grandes senhoras do futebol mundial. Noruega e Alemanha, EUA e China, Brasil e Austrália estão entre as vinte e quatro selecções que lutam por tirar o troféu aos EUA, número um do ranking e tricampeão (campeã!) mundial. O que é interessante é que o primeiro Mundial oficial de futebol feminino só ocorreu em 1991 e realizou-se na China. Foi o primeiro organizado pela FIFA, já que anteriormente e sob o patrocínio da Federação Internacional de Futebol Feminino, criada em Itália em 1970, se disputaram dois Mundiais oficiosos, o primeiro em Itália - conquistado pela Dinamarca - e o segundo no México e no qual a Dinamarca voltou a sagrar-se campeã. E nos Jogos Olímpicos de Atlanta o futebol feminino conquista a sua natureza olímpica e em 1999, nos EUA, realiza-se o Mundial da confirmação. E a final entre os EUA e a China teve 90.18 espectadores, no Estádio Rose Bowl! Foi o passo para a UEFA ter criado, em Maio de 2001, a Liga dos Campeões em futebol feminino. Longe vão os tempos da proibição do futebol feminino numa mistura de futebol «não ser adequado para as mulheres» e «afectar a assistência do futebol masculino». O futebol feminino aí está e em força. Em Portugal a chegada do Benfica ao primeiro escalão é uma bela notícia para o futebol português, acompanhando Sporting, Sporting de Braga, Boavista ou Futebol Benfica, entre outros clubes. E o Benfica tem entre as seleccionadas do Brasil duas jogadoras, Tayla e Geyse. Ontem a Espanha venceu a África do Sul e entrou com o pé direito no Mundial. Haverá tempos, decerto bem próximos, que algum dos nossos canais televisivos nos proporcionará ver a Alemanha-China, a Noruega-Nigéria e a Espanha-África do Sul. Todos realizados ontem. E hoje um Austrália-Itália, um Brasil-Jamaica (em Grenoble) ou um Inglaterra-Escócia. E no mais apenas dar nota, por ser devida e justa, que Portugal marca presença neste Mundial. Sandra Bastos, uma das grandes árbitras do nosso futebol, está em França, tal como Tiago Martins, este último como VAR. É que, naturalmente, o VAR também marca presença numa igualdade de procedimentos que consagra a total igualdade de género.

4. Paris e o recente Congresso da FIFA terá sido, também, a cidade que lançou as bases para uma candidatura ibérica à organização do Mundial de futebol de 2030. É uma grande notícia. Mostra o arrojo do Doutor Fernando Gomes e, em conjunto com o Presidente da Real Federação Espanhola, uma clara visão estratégica de sedimentação e promoção dos futebóis de Portugal e de Espanha. Entre nós não haverá nem problemas de construção de novos estádios, nem necessidade de autoestradas - porventura já com a ferrovia resolvida... - nem da capacidade hoteleira. E claramente temos ambos os Estados em plenas condições para organizar com êxito, um Mundial de futebol. Força!

5. O Benfica conseguiu, no caso dos emails, uma primeira e saborosa vitória judicial. Como já tinha acontecido, e sem grande repercussão pública, e a este respeito, com uma igualmente bem fundamentada deliberação da ERC, a entidade reguladora da comunicação social. Como escreveu Joseph Roux «gostamos muito da justiça e pouco dos homens justos»! Mas a sentença merece ser lida com atenção, analisada com cuidado e devidamente ponderada. E, em muitos momentos, parece que relemos Vítor Hugo: «Ser bom é fácil. O difícil é ser justo»! Difícil mesmo!"

Fernando Seara, in A Bola

Listas, ganhar e perder

"'Coisas que não deves fazer quando ganhas': Pensar que o avião que traz a tarja a celebrar a vitória não vai precisar de gasolina

Agustina e a derrota
1. Agustina Bessa-Luís morreu esta semana. É uma escritora que deveria ser lida. A Sibila, o seu livro mais conhecido. Mas há muitos outros. Por exemplo Prazer e Glória.
Alguns exemplos de frases deste livro, quase sempre sarcásticas, ácidas:
Ao período da reforma o narrador chama «estado de solidão remunerada».
De uma personagem diz: «Ela é mais inteligente do que a vida que tem».
«Já não há amor, só há eficácia», eis um mote que aparece no livro.
E sobre a derrota, de que tanto se foge neste mundo, Agustina escreve: «Ela sabia que não seria livre se não perdesse. Aprender a perder fora afinal a sua escola da vida; e melhor do que essa não há».

Japão e as listas
2. Escrito entre os anos de 994 e 1001 no Japão, o Livro do Travesseiro é uma obra clássica da literatura japonesa, escrito por Sei Shônagon. Nesta obra, a autora faz listas e listas.
Aqui deixo também em baixo algumas listas, algumas sugestões. Comecemos pelos temas clássicos: ganhar e perder.

Ganhar
3. Coisas que não deves fazer quando ganhas
Levantar demasiadamente os braços perto de quem perdeu.
Não mudar nada.
Mudar tudo.
Pensar que amanhã não existe.
Pensar que os dias se repetem.
Pensar que a nuvem é um elemento fixo da paisagem.
Aumentar o volume dos festejos de modo a impedir, por completo, a possibilidade do silêncio.
Deixar de dar importância à teoria da evolução de Darwin e julgares-te mais perto dos deuses que dos chimpanzés.
Pensar que a velocidade do carro de quem vence é menos perigosa.
Fazer equilíbrio numa corda de estendal da roupa a cinco metros de altura.
Pensar que o avião que traz a tarja a celebrar a vitória não vai precisar de gasolina.

Coisas que não deves fazer quando perdes: baixares demasiado a cabeça diante de quem ganhou

Perder
4. Coisas que não deves fazer quando perdes
Baixares demasiado a cabeça diante de quem ganhou.
Não mudar nada.
Mudar tudo.
Pensar que amanhã não existe.
Pensar que os dias se repetem.
Pensar que a nuvem é um elemento fixo da paisagem.
Saíres no próprio dia da derrota para dançar e esquecer.
Não saíres no dia seguinte da derrota para dançar e esquecer.
Não entrares para um avião por saberes que ele precisa de gasolina.

Parar
5. Coisas que deves parar
De cantar se não tens voz.
De estar calado se tens uma bela voz.
O choro de miúdo que está assustado.
Uma bola que vai à baliza, se és guarda-redes.

Não parar
6. Coisas que não deves parar
Um cego que caminha na direcção certa.
Um gato que está a saltar como um louco num sofá.
De rir.
O discurso de um sábio.
O discurso de um tonto (não o deves parar, deves afastar-te - é a melhor solução).
Uma bola que vai na direcção da baliza do adversário.

Coisas que não deves fazer quando ganhas: levantar demasiadamente os braços perto de quem perdeu

Olhar
7. Coisas para onde deves olhar
Para o que é belo se o que é belo te der autorização para isso.
Para o que te dá energia.
Para aquilo que podes mudar.

Não olhar
8. Coisas para onde não deves olhar
Para as saias leves de uma mulher em dia extremo de ventania.
Para o sol directamente.
Para um búfalo directamente nos olhos.
Para aquilo que te retira energia.
Para aquilo que já passou e não podes alterar."

Gonçalo M. Tavares, in A Bola

O caso de Semenya (II)

"Já aqui demos conta do caso da atleta Caster Semenya. Recentemente, a atleta processou a IAAF (Federação Internacional de Atletismo) junto do CAS por ter aprovado um regulamento que baixa os níveis de testosterona permitidas nas provas femininas acima dos 400 e até aos 1600 metros. Este regulamento impossibilita Semenya de participar nas provas onde é mais forte, uma vez que a atleta tem uma condição genética rara que origina um aumento de testosterona no seu corpo.
O CAS, apesar de entender que o Regulamento é discriminatório, entendeu que tal discriminação é necessária razoável e proporcional para atingir o objectivo legítimo de assegurar uma concorrência leal e proteger as atletas do sexo feminino e portanto não dá provimento à pretensão da atleta.
Não satisfeita com o resultado da demanda, Semenya recorreu da decisão para o Supremo Tribunal Federal Suíço - assim vem alegado pela defesa na comunicação social. Aquele Supremo Tribunal pode rever, em alguns casos muito limitados e específicos, em sede de recurso, as decisões proferidas pelo CAS. No caso concreto, e porque estão em causa direitos fundamentais da atleta, o recurso terá sido aceite.
A IAAF confirmou no dia 4 de Junho que recebeu uma ordem provisória, determinada sem audição do Requerido, por parte do Supremo Tribunal Federal Suíço, ordenando que aquela federação suspendesse a aplicação do referido Regulamento à atleta, sendo certo que tal ordem deverá vigorar até ao dia 25 de Junho, prazo em que a IAAF deverá responder ao recurso apresentado por Semenya. Esta decisão provisória permite que a atleta continue a participar nas provas até essa data."

Marta Vieira da Cruz, in A Bola

Os enganados !!!

"Não é só o SL Benfica a vítima. Somos todos. Há que ter consciência disso. Estamos a falar de uma estratégia clara de comunicação que truncou correspondência roubada. A justiça é clara e foi de encontro ao que nós sempre defendemos.
"Os adeptos do Porto ficaram convencidos de que as AA cometeram esses actos sem nunca terem lido, na maioria dos casos, um único email."
O melhor está para vir."

Insucessos escondidos no sucesso do 37

"Já se celebrou o que parecia impossível. Já se concretizou o milagre do trigésimo sétimo título de campeão nacional. Já se teceram loas a quem de direito, aos vários craques que foram brilhando pelos relvados e principalmente ao treinador Bruno Lage e à sua capacidade de liderança do balneário.
Este título é sem qualquer dúvida uma deliciosa conclusão da época mas também deverá ser uma valiosa lição. Lição para todos aqueles que no Verão de 2018 planearam uma época com um desfecho totalmente distinto. Uma época onde não passaríamos na Turquia, uma época onde chegaríamos a Vila do Conde a lutar pelo principal lugar de acesso à próxima Liga Europa. Na sombra do sucesso de Bruno Lage foram vários os erros que o tornaram um milagre impossível de acreditar.
O SL Benfica foi campeão apesar de. E é este “apesar de” que deve também ser exaltado neste momento de conclusão da actual e lançamento da próxima temporada.
A direcção do SL Benfica falhou essencialmente em três momentos:
– Manutenção da equipa técnica
– Reforço do plantel
– Timing da Chicotada Psicológica
O Rui Vitória sempre foi um treinador incompreendido no interior do Sport Lisboa e Benfica, SAD. Nunca souberam quais eram as suas qualidades, as suas limitações nem sequer as suas competências. Era bom porque a equipa vencia e este alinhava no discurso e política do clube. Deixou de o ser quando começou a deixar de ganhar. A altura ideal da sua saída seria em Junho de 2016. No Verão de 2017 já não deveria haver dúvidas quanto à necessidade de uma nova equipa técnica. Em Junho de 2018 este já só se mantinha à frente do futebol encarnado por total inércia da comunicação desenvolvida à sua volta. E assim foi-se mantendo até a equipa se arrastar completamente em campo e a acumulação de resultados negativamente esmagadores ser completamente inaceitável.
Contudo a má opção pela manutenção do treinador poderia ter sido em parte colmatada pelo reforço em força do plantel. O que fomos vendo ao longo dos anos foi um enfraquecimento deste, foi um plantel cada vez menos capaz de sobressair ao trabalho da equipa técnica que o liderava. Chegados ao mercado de Verão de 2018, a equipa técnica clamava por reforços de peso para a baliza, lateral direita, centro da defesa, meio-campo defensivo, meio-campo criativo e centro do ataque. O que lhe foi dada? O reforço na baliza, laterais incapazes de se afirmarem imediatamente na equipa, centrais e médio defensivo sem qualidade, um médio que o treinador não sabia utilizar, um avançado sem qualidade para o clube e outro totalmente incompreendido por aqueles que o treinavam.
Portanto uma época desenhada para o descalabro. E quando a direcção poderia emendar a mão apareceram as luzes a prolongar o sofrimento de todo um plantel, de toda uma nação de vermelho e branco. A equipa técnica foi-se arrastando pelo clube justificando todos os dias ser despedida. Acabou por o ser quando já a época tinha sido dada como perdida. Fora da Liga dos Campeões e a sete pontos da liderança do campeonato, Rui Vitória foi despedido no arranque da sequência de jogos mais complicada do calendário.
Não só a época foi desenhada para o insucesso como pareceu que a Direcção se quis certificar que tal era irremediável.
Depois vieram os pequenos equivocos, todos eles bem abafados pela competência de quem assumia à força da sua competência os destinos do futebol do Sport Lisboa e Benfica. Os disparates dito na Casa da Cristina, a cegueira à qualidade do interino que tinham em Lage, os desvarios de antecipação do sucesso quando a esperança se transformou em convicção e ainda a parceria com um canal televisivo para lavagem de imagem em plenos festejos do título.
O actual técnico do SL Benfica também não está imune às criticas. Depois da recuperação em vários momentos, a equipa tremeu e chegou até a vacilar. Mas o erros de Lage não são uma preocupação pois foram devidamente reconhecidos e analisados por este após a euforia dos merecidos festejos.
O Sport Lisboa e Benfica tem tudo para lançar um excelente 2019-20. Assim o queira a sua Direcção, assim o tenham aprendido."

Cristiano Ronaldo é todos os F’s que faltavam a Portugal

"Dos 689 golos da sua carreira, 160 foram em hat-tricks, pokers ou manitas. Impossível? Não, Cristiano Ronaldo

Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro. Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro. Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro. Assim mesmo. 3 vezes. Mas podiam ser 88. Como podiam ser 689 a ocupar toda a página deste jornal. Tanto já foi dito e escrito acerca desta lenda viva, que a mera repetição do seu nome até à exaustão remete-nos imediatamente para a sua grandeza. Como o cântico entoado esta semana no Dragão e por cujo eco nas bancadas ansiamos novamente na final de amanhã. Haja papel para escrever este nome até aos limites da repetitividade: Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro. Haja palavras para o eternizar, gargantas para o gritar, mentes para o guardar bem presente na memória colectiva de todos nós. Um dia vamos levantar a cabeça e olhar em redor, pedir silêncio aos jovens presentes e dizer plenos de orgulho: «Eu vivi na era do Cristiano Ronaldo, acompanhei a sua carreira do princípio ao fim, vibrei com os seus golos, chorei com ele nas suas vitórias e nas suas derrotas. Aquilo de que vocês ouvem falar? Eu estava lá! Aquilo que vocês calculam que tenha sido? Foi muito mais do que isso! Aquilo que se vê nos vídeos? É apenas uma amostra! Aquilo que os livros contam? São meras palavras que tentam descrever o indescritível! O inexplicável! O impossível!». E quando nos responderem que sim, que imaginam que tenha sido tudo épico e extraordinário, só uma resposta fará sentido: «Não, não imaginam... Só mesmo estando lá para ver...».
Cristiano Ronaldo é muito maior do que Portugal. Que sosseguem os patriotas e os fundamentalistas, que esta afirmação nada tem de depreciativa para a pátria. Ronaldo é maior do que Portugal e é maior do que qualquer outra nação. Cristiano Ronaldo é um mundo inteiro. Um planeta com gravidade própria e em torno do qual tudo gira. No país que deu ao mundo Luís Vaz de Camões e Fernando Pessoa, José Saramago e António Lobo Antunes, Eusébio da Silva Ferreira e Luís Filipe Madeira Caeiro Figo, há uma ilha no meio do Atlântico que viu nascer há 34 anos a maior de todas as suas preciosidades. Um homem tão conhecido no mundo como o Papa Francisco. Um talento cujo rosto é reconhecido e cujo nome é pronunciado nos mais recônditos recantos do Planeta. Um astro sem paralelo no passado e sem repetição no futuro. Uma fonte inesgotável. Uma montanha inescalável. Sabem o que é o impossível? Cristiano Ronaldo é isso mesmo que imaginam quando ouvem a palavra: Cristiano Ronaldo é a definição absoluta de impossível. Os seus números, reais mas tão surreais que chegam a ser assustadores, refutam a velha máxima de que não há impossíveis. Há, sim. O impossível existe. Chama-se Cristiano Ronaldo. Tantos são os golos marcados, tantas são as conquistas, tantos são os feitos inimagináveis. Aquilo que o vimos protagonizar na passada semana frente à Suíça, três golos num só jogo ao mais alto nível do futebol mundial, é algo que a esmagadora maioria dos jogadores de topo passa uma carreira inteira sem conseguir alcançar uma única vez. Cristiano Ronaldo já marcou três ou mais golos em 53 ocasiões. Isso mesmo, leu bem. Não é engano. Só em jogos épicos de hat-tricks, pokers e manitas, Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro já marcou 160 golos. Dos 689 da sua carreira, 160 foram em jogos que muitos não sonham sequer protagonizar uma vez que seja na vida. Impossível? Não, Cristiano Ronaldo.
Num país que outrora foi o Portugal do ‘Fado, Futebol e Fátima’, Ronaldo é todos esses F’s e muitos mais. Ronaldo é naturalmente Futebol, é o arquétipo máximo do jogo e o pináculo da sua perfeição no relvado. É também Fado, desfecho amargo traçado para todos aqueles que se intrometem entre ele e os seus objectivos. É a Fé dos milhões que depositam em si, jogo após jogo, a esperança de renovadas alegrias em vidas tantas vezes marcadas e cicatrizadas pelas agruras de amargas existências. Mas Ronaldo é também Fantasia em cada acção por si imaginada e pelos seus pés desenhada. É Filigrana de precisa perfeição. É Família em todos os momentos, que sem família nada somos e a sua - linda e sempre disponível - é parte integrante da sua vida nas horas mais brilhantes e nos dias mais difíceis. Ronaldo é Fatídico como o destino, não falha quando as decisões apertam e não desilude quem nele acredita. Em suma, e num vernáculo que não ofende ninguém, Cristiano Ronaldo é Foda! Assim mesmo! Sem tirar nem pôr! É todos os F’s que faltavam a uma nação que parou naqueles três dos tempos bafientos do Estado Novo. É a prova de que não há limites para os sonhos nem barreiras para a ambição. É o exemplo acabado que todos - sem excepção - devemos adoptar na nossa luta diária.
Quis o destino que a terceira final internacional da Selecção Nacional - a terceira da era CR7 - seja amanhã contra a Holanda. A mesma Holanda frente à qual Ronaldo, então com 19 anos, marcou nas meias-finais do Euro 2004 e, ao festejar de tronco desnudo, tornou-se instantâneo fenómeno mundial. A mesma Holanda frente à qual Ronaldo, então com 21 anos, saiu em lágrimas e esgares de dor nos oitavos-de-final do Mundial 2006, depois de ser cobardemente agredido pelo ogre Boulahrouz que parecia ter como missão única colocar o nosso craque fora da partida ainda na primeira parte do jogo. Em ambos os jogos - históricos para Portugal - o mesmo desfecho: vitória das cores lusitanas. Que amanhã se repita o destino e Portugal possa sagrar-se vencedor da primeira edição da Liga das Nações. Com Ronaldo a liderar um grupo tão talentoso como o nosso, o céu é o limite e o impossível não existe! Não existe? Sim, existe. Chama-se Cristiano Ronaldo..."

O Benfica e os outros da Europa

"O Liverpool ganhou a Liga dos Campeões pela sexta vez na sua história. E Jürgen Kloop ganhou pela primeira vez na vida uma Liga dos Campeões. Kloop é um sujeito tão afável que não admira que quase toda a gente estivesse a torcer pelos de Anfield Road no sábado passado.
Três dias depois da final de Madrid, os reds expuseram no seu site a elaborada preparação que foi posta em marcha para o confronto com o Tottenham. E é, justamente, aqui que entra em acção a equipa B do Benfica contratada por Kloop como parceira de treinos do finalista europeu. E porquê? Porque, segundo o treinador alemão, a equipa de Renato Paiva "tem a mesma pegada do Tottenham". Terá ou não terá, pouco importa, mas a verdade é que durante uns quantos dias num resort privado em Marbella, e por entre o maior secretismo, os "bês" do Benfica representaram o papel do Tottenham numa série de treinos de conjunto com os futuros campeões da Europa.
No início da semana, à laia de curiosidade ilustrada, o Liverpool publicou no seu site o vídeo da jogada que deu origem ao penálti com que inaugurou o marcador em Madrid e o vídeo de uma jogada dos treinos com o Benfica B, uma jogada idêntica em todos os pormenores à que ocorreu em Madrid e que termina, igualmente, com uma mão na área e um penálti para o Liverpool. Pepijn Lijnders, o adjunto de Jürgen Kloop que passou pela formação do FC Porto, deu a sua opinião sobre a flagrante similitude entre o lance do treino em Marbella e o lance do jogo em Madrid: " se olharmos para ambos, podemos ter a certeza de que há muito trabalho feito antes. O jogo com o Benfica B foi um excelente exemplo disso. Treinamos para ter identidade. Quando temos identidade, os jogadores pensam de forma igual ao mesmo tempo", explicou Lijnders.
Também Renato Paiva ficou impressionado ao ver a jogada que conduziu ao primeiro golo do Liverpool. " É incrível a semelhança, não sei se alguma vez, como treinador, estarei numa final da Liga dos Campeões, por isso foi uma oportunidade para estar um pouco mais perto desse ambiente e ver como uma grande equipa se prepara para uma partida dessas", confessou o treinador português. 
Esta notícia tão amplamente documentada pelo Liverpool deixou, naturalmente, os adeptos do Benfica vaidosos por ter sido escolhida a variante B "made in Seixal" como produto de teste para a final da mais importante competição de clubes. Agora resta-nos decidir se a vitória do Liverpool conta como vitória do seu colaborador Benfica na Liga dos Campeões ou se, antes pelo contrário, o que conta para o Benfica, que "fez" de Tottenham nos treinos, é mais uma derrota numa final europeia tendo em conta que o Tottenham sucumbiu em Madrid.
Ora aqui está um tema que, bem espremido, daria para uma série acalorada de educativos programas de televisão."

Benfiquismo (MCCV)

O André a disputar uma bola imaginária...!!!
O Rafa quer ir para o duche e está com pressa... e está com medo de ir sozinho!!!
O puto está a apreciar as bandarilhas que acabou de enfiar no dito cujo!!!

sábado, 8 de junho de 2019

Juvenis - 7.ª jornada - Fase Final

Benfica 2 - 0 Sporting


Boa 1.ª parte, com dois golos... e podiam ter sido mais, e com um enorme defesa do Samuel Soares.
No 2.ª tempo fizemos gestão... foi pena, pois podia ter dado goleada!!!

Mesmo com o Braga a ganhar amanhã, ficamos com 7 pontos de vantagem a 3 jornadas do fim, sendo que vamos receber o Braga e os Corruptos no Seixal, e só temos a deslocação a Guimarães pelo meio...

Uma nota: o Rafael Brito, faz muitas posições, mas para bem dele (e do Benfica) parece-me claro que o maior potencial está mesmo a '6', portanto é manter e não 'mexer'!!!

Derrota... ganhar o próximo!

Oliveirense 85 - 75 Benfica
33-15, 14-17, 17-25, 21-18

Primeiro período fatal, ainda conseguimos recuperar, e estivemos perto, mas não deu... Então quando temos tanta gente sem acertar no cesto: Suarez, Barroso, Silva à cabeça...!!!
Eu sempre fui muito pragmático no Basket Tuga: a Oliveirense tem 4 jogadores 'americanos' (um é Belga!) com números de 'americanos', nós temos 1 !!!
Eu sei que ofensivamente, com o Lisboa, ganha-se e perde-se nos Triplos... mas é desesperante, não haver outras opções... Se mantivermos a concentração defensiva durante os 40 minutos, ainda podemos ir lá... mas hoje demos 10 minutos de avanço!!!

PS: Boa notícia o regresso do Betinho para a próxima época... Mas temos que 'acertar' nos estrangeiros, em todos eles!!!

Vintena...

Benfica 21 - Quintajense


Regresso aos 20...!!!

Agora, temos a Final a duas mãos para apurar o Campeão da II Divisão com o Braga B (suspeito que teremos um Braga B 'reforçado'!!!)

PS: As nossas sub-19 (Juniores) - Fut 9 -, perderam a 1.ª mão da Final do Campeonato Nacional, por 1-0, com o Braga, num jogo disputado em Almada. A 2.ª mão irá-se disputar no da 15 de Julho em Braga. Vamos ver se repetimos a eliminatória da Taça...
Jogámos com :
Vilão; Queiroga, Assucena, Diva, Pintassilgo; Cameirão, Daniela, Faria; Nazareth

De muitos, um

"O Sport Lisboa e Benfica é dos que amam o clube,
dos que preferem a empresa.
Dos que defendem o passado,
dos que desejam o futuro.
Dos que são estatutários,
dos que alteram as regras ao ritmo das necessidades.
Dos que percebem o valor das modalidades na história do clube,
dos que acham que são só mais um custo.
Dos que valorizam o estádio esgotado,
dos que preferem uma Luz verdadeiramente cheia.
Dos que vão a todos os jogos,
dos que vêem todos os casos na TV.
Dos que vêm às assembleias,
dos que acham que o momento mais importante do clube não serve para nada.
Dos que acedem as luzinhas,
dos que acendem o inferno da Luz.
Dos que sabem que o Benfica foi bastião da democracia e liberdade,
dos que acham que até éramos clube do regime.
Dos que têm orgulho dos nossos adeptos,
dos que acham que nos falta cultura de apoio.
Dos que aceitam a comunicação actual,
dos que acreditam em projectos independentes.
Dos que acham que o clube está recuperado,
dos que sentem que ainda falta tanto para sermos o grande Benfica europeu.
Dos que comem couratos na roulotte,
dos que se deliciam com bolo do caco em tinta de choco.
Dos que compram redpass,
dos que vendem o seu bilhete.
Dos que fazem 300kms para acompanhar o clube,
dos que não fazem 100 metros por ninguém.
Dos que vivem no Seixal,
dos que sobrevivem com as comissões de agentes.
Dos que acham que o Benfica lhes deve tudo,
dos que dão tudo ao nosso clube.
Dos que se indignam com este "outro" emblema,
dos que nem percebem a diferença.
Dos que compreendem a importância de controlar as contas,
dos que acham que a carteira não é tudo.
Dos que compreendem o que representa a posição que têm no clube,
dos que vêem mais uma linha no CV.
Dos que querem festejos orgânicos e populares,
dos que preferem uma festa em Ibiza.
Dos que ousam falar, dos que optam pelo silêncio.
Dos que querem transparência no clube,
dos que está tudo bem quando acaba no Marquês.
Dos que cantam, dos que ficam sentados.
Dos que fazem, dos que apenas criticam.
Dos que são sócios, adeptos, simpatizantes e clientes.
O Benfica é feito por nós aqui, na Assembleia. E é feito no estádio da Luz, nos outros estádios, nas roulottes, nas viagens, na casa dos avós, dos primos e dos tios, ou no jogo de bola na nossa rua.
O Benfica é nosso e há de ser, porque o Benfica é a gramática onde todos são sujeito e predicado.
O Benfica é uno e é múltiplo, é singular e é diversidade, é liberdade de expressão e de que questionar. Nunca se esqueçam, o Benfica é nosso e faz-se de todos. Da opinião de todos.
E pluribus unum."

Luís Filipe Vieira e os seus demónios

"Quem esteve ontem na Assembleia Geral do Benfica pode assistir a mais um festival do Presidente benfiquista. Já é um clássico nestas reuniões: o primeiro discurso é uma leitura de um texto insonso e formal, escrito por um dos escribas do departamento de comunicação, e a última intervenção da noite revela o lado genuíno do Presidente. Sinceramente prefiro a segunda versão porque, apesar das asneiradas e exageros, nota-se que é um discurso sincero e do coração.
Mas ontem falou-se muito de méritos e deméritos desportivos. Uns acham que este campeonato foi mérito de toda a estrutura, com o Presidente à cabeça, outros consideram que esta vitória aconteceu apesar da dupla Vieira/Vitória. Na verdade todos estão certos.
Vamos por partes:
Tem razão o Presidente quando afirma que muitas das críticas que ouviu são injustas. É um facto indesmentível que o Benfica de hoje está radicalmente diferente, para melhor, do Benfica pós-Vietname. Temos instalações de topo, uma estrutura profissional e competente em quase todas as áreas de actividade, os resultados desportivos têm aparecido e o futuro parece brilhante, alicerçado também numa estabilidade financeira sem paralelo em Portugal. Mas o que LFV continua a não entender é que este descontentamento tem origem nas inúmeras promessas não cumpridas ao longo dos anos… e sinceramente, alguém acredita que o João Félix só sairá pela cláusula? Então porque insiste em fazer este tipo de declarações sabendo que não as pode cumprir e que isto destrói a confiança dos associados na sua liderança? Não faz sentido.
No que diz respeito à prestação desportiva, a pergunta que se impõe é "porque não conseguimos ter um Benfica hegemónico se todas as condições estão criadas?" A resposta parece-me simples: porque o futebol continua a ser a única vertente do clube entregue a um amador. E esse amador é o próprio Luís Filipe Vieira.
Não quero com isto dizer que o Presidente deve abandonar o clube. LFV tem feito um bom trabalho no geral e é a cola que une todos os departamentos do clube mantendo todos a caminhar no rumo certo de acordo com a estratégia definida. Mas no que diz respeito à gestão do futebol, seja a nível de decisões de transferências de jogadores, scouting ou gestão do plantel, este trabalho tem de estar obrigatoriamente nas mãos de alguém com sensibilidade para o cargo. Alguém que entenda os jogadores, saiba ler os sinais do balneário e tenha conhecimentos profundos do jogo que lhe permitam entender os pontos fortes e fracos do plantel a todo o momento. Na minha opinião, o Presidente não é essa pessoa.
Querem exemplos deste amadorismo?
▶️ As vendas precoces de Bernardo Silva, Cancelo, Guedes e Renato Sanches, que mal tiveram tempo para sentir as camisolas vermelhas no corpo. 3 deles foram vendidos poucos anos depois por valores muito superiores aos que recebemos, situação perfeitamente previsível dado o potencial demonstrado pelos atletas.
▶️ O falhanço do penta. Num ano em que o principal rival não tinha dinheiro para reforçar a equipa achámos que podíamos atacar um campeonato sem reforços dignos desse nome e sem um único GR à altura. Qualquer coisa servia! Os resultados foram os que se viram: zero títulos e a pior prestação de sempre na Liga dos Campeões.
▶️ A gestão da situação de Rui Vitória, um treinador que esteve um ano a mais no clube por teimosia e arrogância de LFV que era o único que nele via capacidade para dar a volta à situação quando era óbvio que o seu tempo se tinha esgotado. O episódio das luzes é surreal e fica para a história como um exemplo cabal da teimosia e orgulho do Presidente.
▶️ A saída de 2 avançados em Janeiro deste ano, deixando a equipa apenas com 2 soluções para o centro do ataque, sendo que uma delas apresenta uma lesão crónica nas costas. Bastava Seferovic se ter lesionado e hoje não estaríamos a falar em reconquista.
LFV é um homem de negócios com uma excelente visão estratégica e é nisso e na gestão do clube que se deve concentrar. Acredito que, no dia em que a pasta do futebol profissional for entregue a alguém que entenda verdadeiramente do assunto, o Benfica dará um salto qualitativo gigantesco, tanto a nível desportivo como financeiro aproveitando o embalo do sucesso nos relvados.
Fora dos relvados pede-se um discurso menos populista e uma defesa intransigente dos interesses do Benfica, seja contra quem for.
Saiba LFV colocar os interesses do clube à frente do seu ego, é esse o meu desejo para o futuro."

Afinal a CMTV sabe o que é Truncar um e-mail ?!!!!

Entrevista a Tiago Pinto

"(...)
Quem é o Tiago Pinto e como chegou ao Benfica?
O Tiago Pinto é, acima de tudo, um Benfiquista. Desde pequeno que sigo o Clube em tudo o que são as actividades desportivas e sociais e, paralelamente a isso, considero-me um homem de valores e sou ultradedicado ao trabalho. Felizmente, o Benfica deu-me a oportunidade de ser profissional do Clube. A minha chegada ao Benfica é um pouco conhecida, fruto desse acompanhamento que sempre fiz do Clube. Houve um momento numa Assembleia Geral em que eu teci as minhas considerações sobre o Clube, essa intervenção teve algum peso em termos mediáticos e, naquele momento, o Presidente quis conhecer-me. A partir daí começámos a falar, ficou surpreendido com tanta coisa que eu sabia sobre o Benfica e particularmente sobre as modalidades, e começámos a criar uma relação de alguma proximidade e de partilha de ideias sobre o Clube e para o Clube. Cinco/seis meses depois convidou-me para vir trabalhar para as modalidades.

Tinha um blog na altura?
Sim, é uma coisa desta geração... mas era algo sem grande expressão. A intervenção na AG é que teve repercussão  maior.

Tem que idade?
34 anos.

E foi há quantos anos?
Na altura tinha 27 ou 28 anos.

Ficou surpreendido como foi chegando a lugares de decisão dentro do clube?
Para ser sincero não esperava, nunca acreditei. Quando desço do púlpito depois dessa intervenção na AG, o presidente chama-me e dá-me o número de telefone dele para eu lhe ligar. Mas honestamente não acreditei que aquilo fosse real.  Lembro-me do dia e onde estava quando ele me ligou e diz: 'Tiago é o Luís...' E eu perguntei o que qualquer um perguntaria: 'Luís, qual Luís?' A partir daí a história é conhecida. Creio que se gerou uma grande empatia, começamos a criar coisas bonitas para as modalidades e acho que ele foi sentido que eu era uma expressão das modalidades. Sinto muito orgulho, para lá do que fui fazendo, que ele me considere uma expressão da liderança dele na área em que estiver no Benfica.

“O Lugar de Jonas na História do Benfica Ninguém Apaga”

As modalidades foram uma rampa de lançamento para o futebol?
Honestamente, não. Fui sempre muito fã das modalidades, mas, quando comecei a trabalhar nas modalidades, posso até confidenciar que usava o futebol para manter a minha veia de adepto. Continuava a ver o futebol na bancada e não nos camarotes, e posso dizer que nos cinco anos que trabalhei nas modalidades foram muito raras as vezes em que falei com o Presidente sobre futebol. Para ser sincero, nunca pensei que um bom trabalho nas modalidades me levasse ao futebol e devo confessar que me apaixonei completamente pelas modalidades, pelas pessoas, pelas equipas, pela competitividade, pela cultura diferente que existe em cada uma delas e ainda hoje as sigo. Foi um prazer muito grande trabalhar nas modalidades e nunca vi esse trabalho como rampa de lançamento. Daí ter ficado totalmente surpreendido com o convite que o Presidente me viria a fazer.

Foi, portanto, apanhado de surpresa quando Luís Filipe Vieira o convidou para suceder a Lourenço Coelho.
Eu tinha um sonho que não foi cumprido, que era ser campeão nas cinco modalidades de pavilhão no mesmo ano. Por isso, estava longe de imaginar que naquela altura pudesse sair das modalidades. Estava no terceiro jogo da meia-final do Basquetebol – Oliveirense-Benfica, em Oliveira de Azeméis – e o Presidente ligou-me e perguntou-me quem poderia ir para o meu lugar se eu saísse das modalidades. Foi uma conversa em que eu nem percebi o que estava a acontecer. Só depois, na segunda-feira seguinte, é que ele me chamou ao gabinete e me explicou. Confesso que fiquei, primeiro, totalmente surpreendido, e, depois, apreensivo porque ia substituir o Lourenço Coelho, que tinha 17 anos de futebol, 14 de Benfica, quatro deles como director-geral, e era Tetracampeão. Foi uma surpresa e, ao mesmo tempo, um desafio enorme. O Presidente acabou por me convencer de que tudo correria bem. O Lourenço [Coelho] e o doutor Domingos Soares de Oliveira tiveram uma importância muito grande para me facilitarem a entrada, e depois – algo que nunca vou esquecer – as pessoas que compunham e compõem ainda algumas delas a estrutura do futebol profissional, que me ajudaram muito a continuar o bom trabalho que o Lourenço vinha a fazer, com naturais mudanças.

Sabe quantos títulos ganhou nas modalidades?
Não, nunca os contei. Tenho uma máxima de vida com a minha mulher: se eu algum dia chegar a casa a dizer que desde que eu estou no Benfica o Clube ganhou “x” títulos ou que eu ganhei “x” títulos, ela tem autorização para pegar no telefone, ligar ao Presidente e dizer que está na hora de eu me ir embora. Aqui quem ganha é o Benfica, não sou eu. Benfica.

De todos os títulos ganhos, qual foi o que lhe deu mais prazer?
É impressionante aquilo que nós vivemos no dia da Reconquista. Eu, como Benfiquista, não posso dizer outra coisa a não ser que o título mais especial foi este. Não só por ser o último, mas porque tem uma dimensão estratosférica. Foi um dia de felicidade imensa, mas, quando olho para trás e penso nas modalidades, lembro-me de muitos momentos também eles muito marcantes e felizes. Quando, por exemplo, fomos Campeões Europeus de hóquei em patins em casa precisamente no dia em que o Benfica se sagrou Tricampeão de futebol; o título nacional de futsal em casa do nosso principal rival [Sporting]; os títulos sucessivos no voleibol, uma modalidade que tinha dois ou três títulos e que depois passou a ganhar todos os anos; a mesma coisa no Basquetebol onde ganhámos 11 títulos seguidos. Há também uma Taça de Portugal no andebol que eu valorizo muito, com uma equipa composta por muitos elementos da formação do Benfica, em que batemos o Sporting e o FC Porto.

Como é o dia a dia do diretor-geral para o futebol profissional?
O meu dia a dia é simples: começa sempre às 7 da manhã no Seixal e nunca sei quando acaba. Gosto de chegar cedo porque há pouca gente e é o momento em que eu tenho mais tranquilidade para ver e-mails e organizar o meu dia e a semana. A partir daí, tenho sucessivas reuniões com vários departamentos. Há sempre uma fase de algum stress antes do treino porque é onde gerimos quem treina, quem não treina, onde temos o feedback da equipa técnica, onde há eventuais chamadas de jogadores da Equipa B… No pós-treino a mesma coisa. Almoço sempre no Seixal com a equipa técnica e com os meus colegas. Da parte da tarde, procuro vir sempre ao Estádio porque é onde está toda a estrutura profissional do Benfica e há sempre trabalho com os vários departamentos – Marketing, Fundação, Financeira, Recursos Humanos.

Tem 34 anos. Há, no plantel principal, jogadores mais velhos. É fácil a interacção com eles?
No futebol, o que eu senti – e nas modalidades conheci muitos grupos de trabalho – é que o grupo é tão saudável, os jogadores são humanamente tão incríveis, que eu nunca senti o mínimo problema em relação a isso. Tenho uma óptima relação com eles.

“É a Reconquista de valores Que Fazem Parte do ADN do Benfica”

Há um episódio, em Alvalade, que foi público. O balneário do Benfica estava decorado com desenhos feitos pelos familiares dos jogadores. Esse é um exemplo do trabalho invisível do seu dia a dia?
Quando cheguei ao futebol, o Ricardo Lemos disse-me “n” vezes que, no futebol, mais do que os “pormaiores”, o que contava eram os pormenores. Isso que viram em Alvalade é uma constante do nosso dia a dia. Estamos a falar de decoração de balneários e posso dizer que quando jogámos na Madeira [Marítimo] o balneário estava decorado com fotografias dos jogadores enquanto crianças; quando fomos ao Rio Ave, no autocarro, os jogadores viram um vídeo gravado pelos filhos; em Chaves jogaram com o nome das famílias na camisola; no Dragão tinham o nome das famílias e outras pequenas mensagens nas paredes; em Braga, no balneário, onde estaria o nome deles, estava a fotografia das famílias. Mas isto não é só nos balneários. É uma constante procurarmos que o jogador se sinta confortável em todas as situações e sinta que aqueles de quem mais gosta estão presentes. Dou um exemplo: quando vimos o calendário da época que passou, percebemos que os jogadores iam ter 16/17 jogos entre dezembro e Janeiro e isso impossibilitou-os de passar o Natal e a passagem de ano com as famílias. Poucos dias antes do Natal, arranjámos um Pai Natal Benfica que foi a casa de todos eles, de surpresa, oferecer presentes às esposas e aos filhos. São pequenos exemplos, mas isto é o nosso dia a dia. Talvez por isso haja tantos jogadores que saem do Benfica e que mais tarde dizem que foi um passo atrás ou que a estrutura do Benfica os acompanhava muito bem. É uma preocupação de toda a gente. É uma filosofia do Clube. O jogador do Benfica sente que a única coisa que precisa é de treinar bem e jogar, tudo o resto nós tratamos e cuidamos.

"Eu Gosto de Viver Este Sonho, Acreditar Que o Benfica Vai Ganhar Um Título Europeu"

Como é ter a presença constante do Presidente no Seixal?
Para mim, é fantástico. O Presidente é o nosso líder inspirador e, no meu caso, é a minha grande referência em termos profissionais. Quanto mais tempo ele passar no Seixal e perto de mim, do Rui Costa, da equipa técnica e dos jogadores, melhor. Quanto mais tempo estivermos juntos, melhores vão ser as decisões e posso dizer que, hoje em dia, já há momentos em que também eu durmo no Seixal.

As famílias não se queixam?
Esse é o ponto. Obviamente que quando se assume o Benfica com o espírito de missão com que nós assumimos, são as famílias que saem prejudicadas. Isto às vezes parece um lugar comum, mas a verdade é que nunca vivemos com eles os momentos importantes. Chegamos a estar meses sem ter uma única folga, mas há momentos – e nisso eu compreendo perfeitamente o Presidente – em que precisamos de estar sozinhos, não ter gente por perto para podermos tomar decisões. É essa a nossa vida, tomar decisões.

Só se entende este trabalho com paixão?
Eu não consigo imaginar de outra maneira. A paixão que tenho pelo Benfica e conhecimento que tenho da história do Clube ajuda-me a tomar melhores decisões. Felizmente, na minha estrutura, estou rodeado por muita gente que tem esta mesma paixão. Quando estamos a chegar aos estádios e vemos aquela gente toda à nossa espera, o Ricardo [Lemos] diz sempre “no dia em que nos esquecermos que é para esta gente que trabalhamos, já não estamos aqui a fazer nada”. Muitas vezes as pessoas pensam que a paixão que tenho pelo Benfica me pode prejudicar, mas eu acho que só conseguimos ser racionais e tomar boas decisões no Benfica se conhecermos o que é o Benfica. E para conhecermos, temos de ter essa paixão.

Em relação a Rui Vitória…
Toda a gente que nos rodeia sabe que eu criei uma grande amizade com o Rui Vitória e que mantenho. O Rui Vitória como pessoa é fantástico, devo-lhe muito da minha integração no futebol profissional pela forma como me recebeu e como me ajudou. Como treinador é um dos mais vitoriosos da história do Benfica e talvez o primeiro a ajudar o Benfica a mudar o paradigma e a cumprir o sonho do nosso Presidente. Tal como o Presidente disse recentemente na Câmara Municipal de Lisboa e como o Rui Costa referiu recentemente numa entrevista, “o Benfica está eternamente grato ao Rui Vitória”, e eu tenho a certeza absoluta de que o Rui Vitória está eternamente grato ao Benfica. Naquele momento [da saída] sentimos todos que não dava para continuar e o mais importante é esta gratidão mútua, é sabermos que quando despedimos um treinador todos temos a sensação de que não fizemos as coisas bem. Todos nós aprendemos com os erros, mas o mais importante agora é gratidão de parte a parte porque o Rui Vitória foi para o Al-Nassr vencer o título e nós conseguimos a tão ambicionada Reconquista, onde ele também teve o seu papel. Quando a poeira assentar e quando se falar sobre tudo isso, reconhecerá que nós – estrutura – tudo fizemos para que as coisas resultassem. Estamos todos de bem com a vida e as coisas estão totalmente claras.

Como se chega ao nome Bruno Lage?
Houve uma pessoa que há mais de um ano foi recrutá-lo – ainda ele era adjunto – para a Equipa B do Benfica. Essa pessoa chama-se Luís Filipe Vieira, que já tinha trabalhado com ele quando estava na formação. Nunca perderam contacto e no momento em que o Presidente decidiu que era preciso mudar de orientação na Equipa B, recorreu ao Bruno [Lage]. A história viria a repetir-se quando o míster Rui Vitória saiu. Colocou-se a hipótese de Bruno Lage, reforçada também com o conhecimento que o Rui Costa tinha sobre ele e sobre o trabalho que tinham feito. O resto é a competência e, em alguns aspectos até, a genialidade do Bruno Lage. É uma equipa técnica incrivelmente dedicada, um grupo de jogadores de uma qualidade fantástica dentro e fora de campo e uma estrutura competente.

O título europeu não é uma exigência pesada para Bruno Lage?
Acha que é maior exigência continuarmos a alimentar o sonho do nosso Presidente e de todos nós de um título europeu, ou pegar numa equipa como a do Benfica – a sete pontos da liderança e a quatro meses do final do campeonato –, com um ambiente altamente negativo? Faz-nos bem viver este sonho. Há muita gente que diz que colocamos a fasquia muito alta… Eu gosto de viver este sonho e gosto de acreditar que o Benfica vai ganhar um título europeu. É isto que nos move, é isto que faz com que queiramos ser todos os dias melhores. Conhecendo o Bruno Lage como conheço, acho que isso não lhe coloca nem mais um centímetro de pressão. Ele é uma pessoa altamente focada no dia a dia, nas suas tarefas e no sucesso, é muito autoexigente e, por isso, o que eu sei é que sempre que tivermos um jogo europeu, nos três dias antes, ele não vai pensar em mais nada. A seguir, quando tivermos um jogo para o Campeonato, o jogo europeu já passou. Não acho que isso seja uma pressão acrescida.

Fechar o balneário ao exterior é uma das suas principais missões?
Seguramente. Temos de ter consciência do mundo em que vivemos. O jogador de futebol é um ser humano, inteligente, com acesso a toda a informação. Não podemos fazer de conta que as coisas não existem, mas cabe-nos não permitir que os assuntos que são percepcionados como problemas não o sejam para nós. Temos um balneário com muita gente nova, mas também com muita gente experiente e que me ajuda diariamente a gerir essas questões e esse fechamento do balneário. Acho que temos conseguido. Que cheguem e que entrem, nós não conseguimos evitar; que afectem e que prejudiquem, tentamos evitar. Toda a estrutura do Benfica tem feito um óptimo trabalho para que tenhamos conseguido muitas vezes transformar aquilo que era um problema numa oportunidade de motivação. Disse há tempos o Manuel Alegre que era uma vitória da resistência, e eu acrescento da resiliência. As coisas existiam, nós sabíamos que existiam, sabíamos a razão para existirem, mas procurámos que não nos afectassem ou que fossem transformadas numa energia positiva. O resultado está à vista. 

“Jogadores Emprestados Contam Para o Futuro do Benfica”

Houve alguma distracção que evitou a conquista do título em 2017/18?
Quando perdemos, a nossa primeira tentação é olhar para dentro, para o que fizemos mal e para o que temos de fazer para não voltarmos a perder. Eu, pessoalmente, acho que o campeonato do ano passado foi muito atípico, por muitas e diversas razões. No entanto, no final da época, aquilo que fizemos foi olhar para dentro. Felizmente, hoje estamos aqui a falar numa Reconquista que para mim e para nós é muito mais do que a reconquista do título nacional. É a reconquista de muitos outros valores que fazem parte do ADN do Benfica. Benfica-Santa Clara.

Já houve quem tenha chamado a este título o mais importante do século XXI. Sente isso também? 
Sou muito zeloso da história do Benfica e, por isso, todos aqueles que ganharam os títulos que estão para trás têm o direito de dizer a mesma coisa. Acho é que o contexto destes últimos dois anos, a pressão mediática negativa que se exerceu sobre o Benfica, obviamente dá um sabor especial. Ainda por cima num campeonato em que mudámos de treinador, estávamos sete pontos atrás, com rivais fortíssimos. Com todas as condicionantes, este título será especial porque foi muito difícil de conquistar, mas no Benfica qualquer título é importante.

Como é que se motiva um jogador que passa grande parte da temporada no banco de suplentes, como foi o caso de Jonas nesta fase final da época?
Nas modalidades aprendi uma coisa para a vida: nunca podemos nem devemos desistir de nenhum jogador. Nas modalidades não tínhamos os recursos financeiros que temos no futebol e quando contratávamos um plantel, tínhamos de ir com aquele plantel até ao final. Tivesse o jogador problemas emocionais, físicos, familiares, nós tínhamos de resolver esses problemas e tentar tirar rendimento. No futebol – e aí, mérito para toda a gente que me rodeia – partilhamos muito a informação. Falamos muito uns com os outros, passamos muito tempo juntos. Qualquer pessoa pode ter uma influência positiva sobre o jogador. O que é importante depois? Que todos partilhemos esta informação para que toda a gente perceba o que está a acontecer com aquele jogador naquele momento. E todos, independentemente se ele está a jogar ou não está, vamos fazer tudo para que esse jogador consiga ultrapassar essa fase. Porque, mais cedo ou mais tarde, vai ser importante. Tocou num exemplo em que é pública e reconhecida a importância de Bruno Lage nessa questão motivacional do Jonas, mas, por exemplo, o Rui Costa, nesse caso particular, foi ultra-importante para que o Jonas se mantivesse motivado, focado e se transformasse num elemento agregador e até potenciador de comportamentos positivos como foi. Ninguém melhor do que o Rui Costa sabe o que é jogar e não jogar, o que é ser número 10 – porque também é uma especificidade. Todos nós, independentemente das nossas funções, temos uma relação especial com determinado jogador. Muitas vezes essas relações são mais importantes do que as relações institucionais.

“Já Estou Totalmente Ligado ao 38”

Na próxima época o Benfica ainda poderá contar com Jonas?
Há uma coisa no futuro dele que é certa e absoluta: o Jonas é um dos melhores jogadores da história do Benfica e um talvez dos três/cinco melhores jogadores do Benfica nos últimos 30 anos. Marcou uma época incrível no Benfica, foi muito feliz no Clube e, como também já é público, estamos todos a pensar naquilo que será o futuro do Jonas. Mas o lugar dele na história do Benfica ninguém vai apagar. Se vai ou não vai continuar a jogar, a seu tempo falaremos sobre isso.

Qual é o seu papel em questões relacionadas com mercado?
No Benfica, todas as questões relacionadas com mercado – sejam negociações, contratações ou saídas – são lideradas pelo Presidente. O que acontece é que é impossível gerir um plantel destes e uma empresa destas sozinho. Felizmente, nós partilhamos muita informação, comunicamos muito, falamos muito sobre futebol – eu, o Presidente, o Rui Costa e o treinador – e eu tenho tentado ajudar, dentro daquilo que é possível, o Presidente em algumas dessas questões. Isto é um mercado dinâmico, os nomes vêm de todo o lado: do nosso conhecimento, de empresários, de amigos que veem jogos e que sugerem. Depois, nós procuramos colocar isto na vertente profissional. Temos um departamento de scouting altamente profissionalizado e competente liderado pelo Rui [Costa] e, para lá das nossas conversas diárias, o que procuramos é cientificizar o processo de recrutamento dos jogadores. Colocamos os nomes todos dentro desse sistema e, a partir daí, há dois tipos de relatórios diferentes, há análises técnicas, há analises sociológicas, há partilha de informação, discussões… Passamos tantas horas a falar de futebol que é impossível essas coisas não serem partilhadas. 

“Eusébio Cup? Ou Se Faz Com a Dignidade QUe Eusébio Merecia Ou Não Se Faz”

Qual é a estratégia para a próxima época? Sendo que já falámos da conquista de um título europeu ou de uma boa campanha europeia, vai ser nesse sentido a estratégia de mercado?
Quando falamos em conquista de um título europeu e de sermos cada vez melhores na Europa, estamos a falar de um projecto a médio/longo prazo. Acima de tudo, queremos segurar os nossos principais jogadores, manter a identidade e a estrutura da equipa, mas, obviamente, também responder às necessidades e aos pedidos do treinador e, para isso, contratar pouco, mas bem.

Sente que seria melhor para João Félix não sair já?
Para ele e para nós. Obviamente que queremos muito que o João fique e tudo faremos para que isso aconteça. Temos de ser realistas e sabemos perfeitamente que o João é um geniozinho e vai ser um dos melhores jogadores do mundo, mas estamos todos empenhados para que esta parceria continue, porque ele aqui é feliz e nós também somos muito felizes com ele.

Há algumas renovações agendadas. Alguma prioritária?
Não vou falar particularmente de nenhuma. As renovações, num passado recente, não têm dado problemas ao Benfica. Têm sido temas tratados de forma atempada, acabam sempre com os jogadores e o Benfica contentes e satisfeitos. Desde o início da época, houve muitos jogadores que já renovaram – Rúben Dias, Gedson, João Félix, Jonas, Salvio, Samaris… – e estas renovações têm muito a ver com uma política interna que existe no Benfica que muitas vezes não tem a ver com o término do contrato. Tem a ver também com questões de mérito que o Presidente e o Benfica gostam de instituir e, por isso, aquilo que eu posso dizer aos Benfiquistas é que estejam tranquilos porque esses processos estão todos a ser conduzidos como têm de ser. Brevemente haverá novidades, mas tudo tranquilo. O Presidente tem claramente uma máxima de meritocracia dentro do Benfica. Ele costuma dizer aos jogadores que quem faz os contratos deles são eles próprios. Como tal, há jogadores que renovaram recentemente, mas, fruto do rendimento, vão ter essas condições revistas. 

Tal como Jonas, também Samaris passou por uma fase em que não jogava…
Mais uma vez, houve pessoas que estiveram presentes, que ajudaram para que isso acontecesse. Este ano tivemos duas expressões muito fortes no Benfica: “Todos Contam” – e quando dizemos que todos contam não é só uma campanha de marketing, é porque nós acreditamos profundamente nisto – e “Reconquista”. Foi talvez das primeiras vezes em que um slogan foi tão bem acolhido por todo o Clube e cumprido escrupulosamente. E é nesse sentido que nós trabalhamos.

“O Adel É Campeão, Ajudou-nos Em Momentos Importantes”

Uma das surpresas desta fase final foi a inclusão de Taarabt neste plantel. Houve algum cuidado especial para essa integração?
Essa é uma história muito bonita. Mais uma vez, nunca desistir de ninguém. Muita gente, hoje em dia, quer ser pai da recuperação do Taarabt, mas isto só tem um pai. O pai é o próprio Adel [Taarabt], com a mudança de atitude, e depois Bruno Lage, claramente, que o conheceu no âmbito da Equipa B. Conheceu um profissional exemplar, alguém que quis mostrar a toda a gente que estava diferente. Foi um processo muito partilhado, muito cauteloso, mas, ao mesmo tempo, um processo que combinava muitas áreas: não só a recuperação do homem, mas também a recuperação do atleta. Conhecendo o impacto mediático que teria, tudo isso foi muito bem gerido. Independentemente daquilo que aconteça no futuro, fizemos um trabalho fantástico do ponto de vista humano, desportivo, da comunicação, da gestão das expectativas… e, felizmente, o Adel é Campeão, ajudou-nos em momentos importantes – inclusive foi titular num dos jogos – e o verdadeiro Adel está de volta.

É um jogador com o qual o Benfica conta no futuro?
Vamos ver. Hoje em dia está integrado no plantel, tem condições para continuar, mas, mais uma vez, mais importante do que falar no futuro é aquilo que conseguimos com o Adel. Hoje em dia, o mundo já olha novamente para ele de uma forma positiva e não de uma forma negativa como olhava até aqui.

Há alguma perspectiva de regresso de jogadores emprestados?
Nós procuramos, desde a época passada, acompanhar de forma exaustiva os jogadores emprestados. O Lourenço Coelho tem-nos ajudado muito nesse trabalho, no acompanhamento institucional com os clubes. Eu próprio tenho o cuidado de, pontualmente, contactar com os jogadores para saber como é que eles estão e, para além disso, fazemos todo o trabalho de acompanhamento de jogos, estatísticas, vídeos. Hoje em dia sabemos perfeitamente o número de jogos que os jogadores fazem, a intervenção que tiveram nos clubes, como é que estão fisicamente, tudo isso. No ano passado, o Yuri [Ribeiro] regressou de um empréstimo para fazer parte da equipa principal, este ano veremos se acontece com algum dos outros jogadores emprestados. O importante é toda a gente sentir que, muitas vezes, o empréstimo é um passo ao lado para poder regressar ao Benfica. Daí termos de ser muito cuidadosos com os clubes que escolhemos, com o enquadramento que têm e depois com o acompanhamento que fazemos.

Pedro Pereira saiu do Benfica com alguma desilusão?
O Pedro é um miúdo, tem 21 anos. É um jogador que tem um passado assinalável nas camadas jovens das selecções e até do Benfica. Este ano jogou no Génova – creio que fez cerca de 25 jogos, 12/13 a titular, o que para um miúdo de 21 anos, num campeonato tão exigente como o italiano, são dados interessantes –, mas temos de compreender que um dos obreiros da Reconquista se chama André Almeida, que é um líder. Depois temos também a questão do Tyronne [Ebuehi], que no dia 1 de Julho vai estar a 100% para, finalmente, poder mostrar por que o contratámos. Temos duas pérolas do Seixal – Tomás Tavares e João Ferreira – que também ocupam essa posição e temos ainda o Alex Pinto. Por isso, uma coisa o Pedro Pereira e todos os outros emprestados podem ter a certeza: nós sabemos o que eles estão a fazer e contam para o futuro do Benfica.

Este ano o mote foi a Reconquista. Já há mote para a próxima época?
No ano passado, a forma como surgiu a expressão “Reconquista” foi uma coisa muito partilhada. Lembro-me de uma conversa com o doutor Domingos [Soares de Oliveira] – inclusive acabámos a ver um discurso do Churchill –, lembro-me de um colega do departamento de Marketing que usava muito a expressão “conquista”, lembro-me da forma como eu, o Ricardo [Lemos] e o Bruno [Sá] íamos preparando a pré-época e as coisas que comentávamos, e houve um momento em que tudo isso se juntou. A palavra quase que surgiu por agregação destas ideias todas. Eu quero repetir este modelo. Ou seja, agora vamos todos de férias, vamos limpar a cabeça e, quando voltarmos, vamos todos discutir isto. Gostava que houvesse uma palavra que fosse outra vez apropriada por todo o Clube, para todo o Clube sentir que o que está por detrás dessa palavra é mais do que uma junção de letras. Foi isso que aconteceu este ano e é isso que vai acontecer na próxima época. Só assim é que faz sentido. Tiago Pinto

“Quanto Mais Se Desvalorizar Os Rivais, Mais Nos Estamos a Desvalorizar”

Ainda se está a festejar ou já se prepara afincadamente a próxima temporada?
Devo confessar que festejei muito. Fiquei muito feliz. Estou satisfeito, lembro-me todos os dias que o Benfica é Campeão, mas já estou completamente ligado ao planeamento da próxima época, às reestruturações que temos de fazer em cada um dos departamentos, ao planeamento dos 15 dias que vamos ter nos Estados Unidos, à recepção dos jogadores, que será nos dias 1 e 2 de Julho, à bateria de exames médicos que vão ser feitos nesse dia, à escala dos testes físicos que têm de se fazer, à prova dos fatos e das roupas que têm de estar prontas no dia 14… Por isso, já estou totalmente ligado ao 38.

Em relação à pré-época, a realização da Eusébio Cup ainda está em aberto?
Ainda está em aberto. Há já algum tempo que não fazemos um jogo de pré-época no Estádio da Luz, até pelas contingências de jogarmos a ICC, mas este ano vamos jogar. Dia 10 de Julho vamos ter um jogo em casa, o primeiro, e vamos ver o que é que vamos fazer. É importante compreender-se que a Eusébio Cup é uma marca do Benfica, que respeita o maior símbolo desportivo da história do Clube e, como tal, ou se faz com a dignidade que o Eusébio merecia ou não se faz. Sabemos que os adeptos querem, nós também queremos e vamos tentar que as coisas funcionem. Benfica Campeão Nacional 

Vamos às perguntas rápidas… Qual foi o dia mais longo que já teve no Benfica?
Houve dois dias que me custaram muito: um foi o dia do despedimento do Rui Vitória – um dia que não sei quantas horas teve; e o outro foi o dia do jogo com o Santa Clara [no Estádio da Luz]. Foi muito difícil para mim, nunca vi os segundos andarem tão devagar como nesse dia.

E o dia mais triste?
O dia mais triste está sempre associado a derrotas. Desde que estou no futebol, os dois dias mais tristes que tive foi a derrota em casa com o FC Porto no ano passado, com um golo do Herrera, e o 0-5 em Basileia.

E o dia mais feliz?
Custou muito a passar [jogo com o Santa Clara], mas quando o árbitro apitou foi, claramente, o dia mais feliz da minha vida.

A maior surpresa?
O balneário do Benfica. Antes de vir para aqui tinha uma determinada ideia sobre os jogadores e sobre o estrelato, mas conhecê-los, trabalhar com eles e perceber que, para além de grandes jogadores, são seres humanos fantásticos, miúdos e homens incríveis foi, honestamente, uma surpresa.

Alguma decepção?
A decepção não tem tanto a ver com o que vivemos, mas com o que se fala daquilo que nós vivemos. Quem vem das modalidades tem uma cultura desportiva muito acentuada – o respeito pelo adversário, o desporto pelo desporto, o gostar de todos os desportos – e no futebol, o lado mediático, do meu ponto de vista – e eu se calhar não tinha essa noção – está demasiado conspurcado, não sei se é o termo correto. Nesse sentido, foi uma decepção. Fazemos tanta coisa bem, fazemos tanta coisa bonita, e acabamos por estar permanentemente a falar e a dar importância a coisas que não a têm.

Voltando um bocadinho atrás, muitas vezes a desculpa é a arbitragem para esconder outras falhas… 
Isso é uma das coisas que aprendi com o Presidente. Uma das vezes em que eu tentei justificar uma derrota nas modalidades com um erro de arbitragem, o Presidente disse-me “isso é meio caminho andado para voltares a perder”. É uma das coisas que temos de mudar no futebol português. Fazemos todos parte da mesma indústria, os clubes, a Imprensa. Quanto mais desvalorizarmos o nosso rival e os nossos competidores, mais nos estamos a desvalorizar a nós próprios. Não é normal um país tão pequeno ter alguns dos melhores jogadores do mundo, alguns dos melhores treinadores do mundo, algumas das melhores academias do mundo, selecções com grandes resultados. Há uns anos, havia um ministro da educação que defendia que devia haver um pacto para a educação. Ou seja, os partidos deviam unir-se e fazer um pacto e durante 20 anos cumprir esse pacto, independentemente dos governos. Eu acho que no futebol podíamos fazer o mesmo. Imprensa, clubes, Liga, Federação. Se calhar estou a ser ingénuo, mas isso compete-nos a todos.

Acha que isso é possível?
Acho que é possível. O futebol português é mesmo algo muito valioso em termos económicos e sociais. O futebol faz mais por Portugal do que qualquer outra atividade económica ou social. E vai haver um momento – e eu gostava que não fosse um momento tão negativo que nos obrigasse a mudar – em que toda a gente pense e sinta que precisamos de mudar. Aí, os clubes grandes, os pequenos, as instituições, os órgãos de comunicação social, todos teremos de fazer esse pacto. Se calhar é um pacto que começa com cinco ou seis linhas de não agressão e depois, a partir daí, constrói-se o resto.

"Talvez fosse preciso um pacto para o futebol"

O que o decepcionou nestes dois anos ligado ao futebol?
Quem vem das modalidades, como eu, tem uma cultura desportiva muito acentuada, o respeito pelo adversário, gostar de todos os desportos. No futebol o lado mediático, e eu não tinha bem essa noção, está demasiado conspurcado (não seu se é o termo correcto) e nesse sentido foi uma decepção. Fazemos tanta coisa bem, tanta coisa bonita e interessante e aquilo a que se dá importância é a coisas que não têm importância alguma. Há a tentação muitas vezes de se desculpar as derrotas  com erros de arbitragem, e eu aprendi aqui, ainda nas modalidades, é meio caminho andado para voltar a perder. Essa é uma das coisas que no futebol português temos de mudar. Tanto nos clubes, como a imprensa fazem parte dessa indústria que é o futebol. Não é normal tão pequenino ter alguns dos melhores jogadores e treinadores do mundo, algumas das melhores academias, selecções com grandes resultados... talvez fosse necessário um pacto para o desporto, como um ministro que em tempos impôs um pacto para a educação a cumprir durante 20 anos. Devíamos unir, e fazer isso no futebol. Imprensa, clubes, Liga, Federação. Temos um produto muito bonito (se calhar estou a ser ingénuo) compete a todos nós tratar bem dele.

Sente que será possível chegar a esse pacto?
Acho que é possível fazer isso porque  o futebol português é algo realmente muito valioso em termos económicos e sociais para Portugal. O futebol faz mais por Portugal que qualquer outra actividade económica ou social. E vai haver um momento em que teremos de mudar e que toda a gente pense e sinta que temos de mudar. Aí, os clubes grandes, os pequenos, as instituições, a comunicação social tem de seguir esse pacto de não agressão e depois virá o resto.
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Entrevista de Paulo Alves, a Tiago Pinto, in A Bola