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terça-feira, 19 de maio de 2026

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Chuveirinho #173

Jaime dixit:

6 ÉPOCAS DE ÁGUIA AO PEITO A HORA É DE AGRADECER


"Na hora da partida, quando os jogadores saem dos clubes, a tendência é para os elogios fáceis, só lhes ver coisas boas, esquecer as menos boas, os defeitos antes apontados desaparecem como que por milagre em menos de nada. Otamendi teve, obviamente, virtudes e defeitos, como todos.
Parte com um parco pecúlio de títulos, a sua passagem coincidiu com um período de menos fulgor do clube, capitaneou a equipa durante várias épocas, era há muito, e assumidamente, um dos nossos não obstante o seu passado no rival Porto.
O que gostei mais do que vi nas seis épocas de Otamendi no Benfica? Isto: vi um verdadeiro animal competitivo, vi-o tudo o que tinha para dar desde que passou a vestir o Manto Sagrado - se todo o clube, não me refiro só ao grupo de trabalho, se todo o clube tivesse o seu espírito de antes quebrar que torcer, melhor estaríamos certamente nesta altura e mais títulos ele levaria no curriculum.
OBRIGADO, CAPITÃO!"

Mourinho, Jesus e Ronaldo dizem não a sofás, Netflix e chazinhos de camomila


"Que une José Mourinho, Jorge Jesus e Cristiano Ronaldo? Genialidade e loucura, claro. E aos 63, 71 e 41 anos continuam na luta. Fazem bem...

Dizem que todos os génios têm um toque de loucura. Se assim é, Mourinho, Ronaldo e Jesus, entre muitos outros, têm toques de loucura. E quando falo em loucura, falo em fugir das normas. Os três, JM, CR e JJ, fogem das normas desde o início das suas carreiras.
Vejamos Mourinho. Há mais de 25 anos aceitou entrar no Benfica no pior período da vida do clube. Quando o presidente era Vale e Azevedo, quando o plantel tinha jogadores como Dudic, Rojas, Escalona, Uribe ou André Neles e quando a equipa estava, após quatro jornadas, a cinco pontos do líder. Se isto não é ter uma pontinha de loucura, que será ter uma pontinha de loucura?
Mas Mourinho, nos três meses em que esteve nesse Benfica, transformou a loucura em genialidade, finalizando com o famoso 3-0 ao Sporting, campeão nacional. E decidiu sair da Luz pelo próprio pé, o que, visto com os olhos de dezembro de 2000, podia ser uma loucura.
A loucura, continuemos a chamar-lhe assim, de Mourinho manteve-se durante toda a sua carreira: aceitou descer ao U. Leiria, arriscou subir ao bem complicado FC Porto de 2002, quando o plantel misturava craques (Deco, Ricardo Carvalho, Costinha ou Vítor Baía) com jogadores medianos (Kaviedes, Maric, Esnaider ou Pavlin). Transformou loucura em genialidade e ganhou tudo. Acima de tudo, a Liga dos Campeões. Fez sempre o mesmo na carreira. Até regressar ao Benfica. Sem nada ganhar, é certo, a não ser ajudar Rui Costa a ganhar as eleições.
Sai agora para regressar ao maior clube do Mundo, que atravessa um dos piores períodos da sua história. Se isto não é misturar genialidade com loucura, meus caros, que será misturar genialidade com loucura? Até mesmo a loucura de, querendo um dia ser selecionador nacional, se ter deixado cair inúmeras vezes na tentação de destilar um pouquinho de ódio ao seu adversário mais direto: o Sporting. Agora chuta para canto a possibilidade de descansar no sofá a ver a Netflix e a beber chá de camomila.
Passemos a Jesus. Outro génio com toques de loucura. Subiu a escadaria do êxito a pulso e só chegou verdadeiramente ao topo quando já tinha 56 anos. Dificilmente um treinador atinge pela primeira vez o topo dos topos (SLB, no caso de JJ) quando já passou os 50. Mas Jesus fê-lo. E fê-lo bem, transformando um Benfica mediano (de 2008/2009 para 2009/2010) num Benfica triturador de adversários. Um dia, em meados de 2015, decidiu sair do Benfica e ir para o Sporting sem passar por outro lado. Haverá maior loucura do que isto? Há: Figo, em 2000, do Barcelona para o Real Madrid. Mas JJ, já de leão ao peito, decidiu ainda afrontar tudo e todos no Benfica: presidente, treinador, jogadores, estrutura.
Rigorosamente tudo. E perdeu. Aquele Sporting jogava muito, mas perdeu durante três anos seguidos. Saiu e emigrou aos 64 anos. Quando muitos escolhem sofá, Netflix e chazinhos às cinco da tarde, Jesus arriscou. Primeiro Al Hilal, depois Flamengo e depois a suprema loucura: regressar ao Benfica. Perdeu. E voltou a sair: Fenerbahçe, Al Hilal e Al Nassr. Ganhou aqui e ali, perdeu aqui e ali. Mas sempre a fugir das normas. Agora, prestes a completar 72 anos (cinco dias depois da final do Mundial), deverá aceitar ser selecionador de Portugal.
Outra loucura. Enorme, se Portugal for campeão do Mundo; bem menor, se o não for. Outro que não pensa em sofás, filmes ou chazinhos é Ronaldo. Tem 41 e parece (por vezes...) ter apenas 31. Já não tão génio, mas continua louco. Louco, sobretudo, na ânsia de ser campeão do Mundo. Alguém lhe pode levar a mal o desejo de, aos 41 anos e quatro meses, estar no Mundial e o sonho de querer vencê-lo? Só um louco ainda maior. Esperemos por 19 de junho de 2026."

Benfica: quando a fé substitui as competências


"No futebol, as vitórias têm sempre muitos pais. As derrotas, pelo contrário, precisam rapidamente de culpados. O Benfica vive hoje exatamente esse momento. Depois de mais uma época dececionante, a contestação instalou-se e Rui Costa passou a ser o principal alvo das críticas. Reduzir o problema do Benfica apenas ao presidente talvez seja a forma mais simples e mais confortável de olhar para a realidade.

O momento do clube e as escolhas dos sócios
Perante um conjunto de sinais, financeiros, estratégicos, organizacionais, de transparência e até identitários, importa regressar à pergunta central: por que razão voltaram os sócios a confiar este mandato a Rui Costa? Desde logo, no plano financeiro, a SAD tem vindo a revelar uma tendência preocupante: um aumento constante de custos fixos sem o devido acompanhamento de receitas fixas. Isto faz com que o clube esteja cada vez mais exposto à dívida e a rendimentos variáveis, nem sempre previsíveis ou sustentáveis.
Esta realidade aumenta a vulnerabilidade financeira e reduz a margem de decisão desportiva. Um clube desta dimensão não pode viver numa lógica permanente de incerteza. Na prática, o equilíbrio das contas tem passado com frequência pela venda de jogadores. Nos últimos anos, essa necessidade tem sido crescente, o que aumenta a rotatividade do plantel e dificulta a construção de estabilidade desportiva e, consequentemente, a obtenção de sucesso.
Depois, no plano da visão estratégica, surgem decisões difíceis de enquadrar num projeto coerente e sustentado. O caso da Benfica Rádio é apenas um exemplo simbólico: um investimento relevante, sem o devido enquadramento operacional assegurado, que levanta dúvidas sobre planeamento e gestão de prioridades.
Também no plano da transparência, o universo Benfica continua a ser de leitura complexa e pouco acessível para o adepto comum. A existência de múltiplas empresas dentro da estrutura, num ecossistema com várias camadas societárias, torna a análise global do clube difícil, pouco intuitiva e transparente. A opção por não avançar para uma auditoria mais abrangente a todo o universo do Benfica alimenta essa perceção de opacidade.
Mas talvez o problema mais profundo não seja só financeiro, estratégico ou de transparência. É também de identidade. O Benfica, ao longo dos últimos anos, tem vindo a sofrer uma erosão significativa da sua cultura institucional, na forma como comunica, como decide e como se posiciona. Um clube desta dimensão não pode ser apenas uma organização que reage aos acontecimentos. Tem de ser uma referência que os antecipa e uma voz respeitada no panorama do futebol, algo que se tem vindo a perder ao longo do tempo.
Por fim, há um elemento transversal a todos os outros: a capacidade de liderança e de se rodear das pessoas certas. Um presidente não tem de dominar todas as áreas, mas tem de garantir que está rodeado das competências ideais para colmatar as suas próprias limitações, algo que, na prática, não se tem verificado. Pelo contrário, transmite-se muitas vezes a perceção de ausência de visão crítica sobre os problemas, de uma gestão reativa e de dificuldade na avaliação de quem integra a estrutura. 
Perante isto, a resposta mais imediata à questão sobre por que motivo os sócios reforçaram o poder de Rui Costa, pode apontar para a ausência de uma alternativa suficientemente forte no momento eleitoral. Mas essa explicação não esgota o essencial. A decisão dos sócios assentou também noutra dimensão, menos racional e mais emocional: a fé. A fé de que a ligação de Rui Costa ao clube seria suficiente para compensar fragilidades de liderança e de estrutura. A fé de que o benfiquismo seria suficiente para imprimir nova dinâmica interna e sustentar as mudanças necessárias. A fé de que a experiência acumulada dentro do universo Benfica permitiria colmatar lacunas que já eram visíveis no passado. A fé de que, com o tempo, as decisões seriam naturalmente mais sólidas, estratégicas e consistentes. A fé de que os erros do passado seriam analisados e corrigidos.
A verdade, porém, é que o Benfica é hoje um clube mais fechado, com maior dificuldade em lidar com a crítica e em reagir ao escrutínio externo. Mas a realidade do futebol moderno, e de um clube com a dimensão do Benfica, exige algo mais objetivo: competências claras de liderança, visão estratégica consistente, capacidade de decisão sob pressão e aptidão para construir estruturas competentes e estáveis.
E é nesse ponto que o debate se torna inevitável. Porque a escolha não se resume só a nomes. Resume-se também ao perfil de liderança que é validado. E quando esse perfil não demonstra, de forma consistente, algumas das competências exigidas para o cargo, ou a capacidade de se rodear das pessoas certas para as suprir, os resultados acabam por refletir essa limitação.
Os sócios escolheram acreditar. E essa escolha é legítima. Mas a fé, por si só, não substitui competências. Perante tudo isto, para uns já só faltam três anos para novas eleições, para outros ainda faltam três anos. Entre o copo meio cheio e o copo meio vazio, fica a mesma pergunta por responder: o que mudou, de facto?

A valorizar: Mariano Lopez
O Académico de Viseu está de regresso ao principal escalão do futebol português 37 anos depois da última participação. O mérito é de um investidor que entrou para acrescentar. Com organização, racionalidade, profissionalismo e uma grande dose de paciência à espera dos melhores resultados. Mariano Lopez vê, finalmente, o seu investimento e esforço compensados com a subida de divisão.

A valorizar: David Caiado
A Académica está de regresso às competições profissionais, no caso a Liga 2. Fora dos holofotes está David Caiado, diretor desportivo, que teve papel determinante. No meio de muitas dificuldades a Académica soube ir subindo patamares e criar uma equipa competitiva muito bem conduzida por António Barbosa. Em simultâneo, voltaram a juntar a cidade ao clube: 26 mil espectadores no jogo decisivo é incrível."

Dobradinha


"Em futebol no feminino, o Benfica venceu o FC Porto por 2-0 e juntou a conquista da Taça de Portugal à do Campeonato Nacional. Este é o destaque na BNews.

1. Triunfo claro
Num jogo de praticamente sentido único, o Benfica derrotou o FC Porto e conquistou a 3.ª Taça de Portugal no seu palmarés em futebol no feminino. As hexacampeãs conseguiram assim a 2.ª dobradinha do historial das águias nesta vertente do futebol.

2. Maré vermelha
Foi estabelecido o novo recorde de espectadores na final da Taça de Portugal de futebol no feminino, com uma larga maioria de benfiquistas entre os 22 258 adeptos presentes nas bancadas do Estádio Nacional. Em declarações à RTP, o presidente do Sport Lisboa e Benfica elogiou a equipa e o apoio: "Os meus agradecimentos por esta moldura humana que criámos aqui nesta final. Dar os parabéns a esta equipa feminina, que tantas e tantas alegrias nos tem dado, e que fez mais uma dobradinha." À margem da partida, Rui Costa clarificou a situação do líder da equipa técnica do plantel profissional: "Até prova em contrário, José Mourinho é treinador do Benfica."

3. Um dos nossos
Veja o emocionante vídeo de despedida de Otamendi.

4. Outros resultados
Os Juvenis ganharam por 0-1 na visita ao Sporting. A equipa feminina de hóquei em patins venceu, por 1-3, no reduto da Escola Livre.

5. Agenda desportiva
Amanhã, o Benfica recebe na Luz o Eléctrico em futsal (21h15). Na 4.ª feira, no Benfica Campus, há a 2.ª mão das meias-finais da Taça Revelação entre Benfica e Santa Clara (11h00). E também a deslocação ao reduto da Sanjoanense em hóquei em patins (20h30).

6. Título em análise
Frederico Couto, 3.ª linha do Benfica, fala sobre o título nacional de râguebi conquistado.

7. Taça do Mundo de Brandemburgo
Confira o desempenho dos canoístas do Benfica. Fernando Pimenta conquistou uma medalha de prata e Messias Baptista uma de bronze.

8. Evento muito participado
A 19.ª edição do Encontro Nacional das Benfica Escolas de Futebol contou com a participação de 7275 alunos de 46 escolas.

9. Título na formação
Juniores B1 masculinos de voleibol do Benfica sagram-se campeões nacionais.

10. Para ti se não faltares
O evento de encerramento do ano letivo deste projeto da Fundação Benfica reuniu mais de 350 alunos no relvado do Estádio da Luz.

11. Atividade do museu
O Museu Benfica – Cosme Damião recebeu, no sábado, 16 de maio, o colóquio "Etnografia do Golo: O Património de Moçambique no Futebol", realizado em parceria com o Museu Nacional de Etnologia. Shéu foi um dos participantes."

Gracias, Capitán


"Estoril, minuto 16. Rafa empurra para o fundo da baliza o seu 100.º golo de águia ao peito, ao 344.º jogo — patamar que apenas 21 nomes alcançaram. Antes, Ríos abriu o marcador aos 7' e Bah dilatou aos 15'. Em nove minutos, o Benfica fechou o jogo e fechou uma Liga invicta, marcada por onze empates, terceiro lugar e dois pontos a separar-nos da possibilidade de acesso à Champions. Cabe nesta linha o paradoxo da época: nunca perdemos e ainda assim ficámos a olhar para os outros dois.
Os onzes de maio e agosto pouco têm em comum. Prestianni e, sobretudo, Schjelderup deixaram de ser apostas para se afirmarem como ativos de primeira linha — duelos, dribles e desequilíbrio que tantas vezes faltam quando o jogo encrava. Ríos consolidou-se: regular, fiável, decisivo a recuperar e a construir. Esta equipa, com retoques nos lugares certos, podia entregar uma temporada de sucesso. Continua, porém, a gritar uma lacuna: finalização contra blocos baixos. O problema, em 2025/26, nunca foi marcar quatro ao Real Madrid. Foi não marcar três a quem se tranca atrás. No Estoril, com 4,2 xG e 54 entradas na área contra oito do adversário, voltámos a depender de um médio, de um lateral e de um extremo. Falta um ponta-de-lança que decida sem espaço, no meio do amontoado. Não admira, por isso, que o rácio entre golos marcados e sofridos tenha sido o terceiro pior dos últimos doze anos.
Só que recomeça tudo. Mourinho está a um aceno do Real Madrid e regressamos à ronda eterna de novo treinador, nova ideia, novo discurso. Sem consistência institucional, ganha-se pouco — e perde-se muito da identidade que se vai esboçando. Marco Silva é o nome mais falado: pode fazer um excelente trabalho, mas não é, hoje, nome que entusiasme as bancadas. Venha quem vier, decida-se depressa. Preparar 2026/27 a tempo é meia época ganha.
Faltam-me palavras para dois 'adeuses'. Otamendi parte após seis épocas, a última com alguns erros, é verdade. Sejamos honestos: o Otamendi do auge não jogaria na Luz, jogaria no Bernabéu. Foi um galático, dos raríssimos campeões do mundo a defender as nossas cores em Portugal. Vão fazer faltar a sua liderança e a coragem perante a adversidade. Espero que António Silva e Tomás Araújo — a dupla que desejo no eixo em 2026/27 — tenham guardado tudo o que se aprende ao lado de um homem destes. Gracias, capitán.
E Pizzi. Quem gosta de desporto comoveu-se com a guarda de honra das duas equipas no momento da substituição. Quem é benfiquista há-de sentir saudades de um médio ofensivo que fazia exatamente aquilo que mais nos falta hoje: golos. Obrigado, Pizzi."

Zero: Mercado - Benfica vê Marco Silva no lugar de Mourinho

Águia: Diário...

BF: Treinador...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...