Últimas indefectivações

segunda-feira, 10 de junho de 2024

Bicampeões


"Esta edição da BNews é dedicada a vários temas da atualidade benfiquista.

1. Campeões nacionais
Os Sub-15 do Benfica sagraram-se, nesta manhã, bicampeões nacionais. Na visita ao Marítimo, o Benfica venceu por 1-2.

2. Em destaque
João Neves integra o Onze do Ano da Liga Betclic, eleito pelos treinadores e capitães de equipa dos clubes participantes na competição.

3. Contributos internacionais
Trubin (Ucrânia) e Kökcü (Turquia) estão convocados para o Campeonato da Europa. Bah alinhou pela Dinamarca na vitória frente à Noruega. E Jurásek jogou e marcou pela Chéquia frente a Malta.

4. Uma vitória para o tri com casa cheia
O basquetebol benfiquista está a um triunfo do terceiro título nacional consecutivo. O próximo jogo é amanhã, na Luz, às 15h00. Os bilhetes estão esgotados.

5. Jogos do dia
A equipa masculina de hóquei em patins pode carimbar a passagem à final do Campeonato Nacional no 4.º jogo das meias-finais, hoje, às 18h00, frente à Oliveirense em Oliveira de Azeméis. A equipa feminina de hóquei em patins procura garantir o apuramento para as meias-finais do Campeonato Nacional, hoje, às 18h00, no reduto do CENAP. A equipa feminina de polo aquático disputa a final da Taça de Portugal com o Fluvial Portuense, na Guarda (14h00). As pentacampeãs nacionais e vencedoras da Supertaça pretendem o pleno na temporada.

6. Contratos renovados
Andreia Faria e Carole Costa prolongaram a ligação ao Benfica.

7. Em busca do título
Os Sub-17 do Benfica revalidam o título nacional no escalão caso pontuem na receção, amanhã às 11h00, ao FC Porto, inserida na antepenúltima jornada da prova. No âmbito da formação, nota ainda para a utilização de oito jogadores do Benfica na vitória da Seleção Nacional Sub-18 ante a Eslováquia, no primeiro jogo do Torneio Internacional de Lisboa.

8. Europeus de atletismo
Acompanhe a prestação dos atletas do Benfica nos Campeonatos da Europa de atletismo.

9. Protagonista
Angélica Alves, futsalista do Benfica, é a entrevistada da semana. Uma entrevista para ver na BTV ou ler no jornal O Benfica.

10. História
Veja a rubrica habitual das manhãs de quinta-feira na BTV.

11. Casa Benfica Mortágua
A BTV acompanhou as comemorações do 23.º aniversário desta embaixada do benfiquismo."

O que está por trás das letras de Fernando Póvoas?


"De quem é que partiu a iniciativa de passar as letras? Da Porto SAD ou do credor Fernando Póvoas?

Ninguém esperava que o início da nova era do FC Porto fosse fácil. Depois de anos e anos a ser comandado pelas mesmas pessoas, muitos são os vícios que estão instalados. Em apenas 11 dias a equipa de André Villas-Boas já percebeu que vai ter de lidar com muitas surpresas desagradáveis. Depois de, desportivamente, ter conseguido resolver a (difícil) questão da rescisão de Sérgio Conceição, financeiramente a nova administração tem-se deparado com surpresas inesperadas. Esta semana soube-se que, nos últimos dias de Pinto da Costa e sua equipa na SAD, foram tomadas medidas que condicionam a atual administração e que podem indiciar algo mais!

Definição de letra
Tornou-se público que, nos últimos dias de Pinto da Costa na SAD, foram passadas duas letras a Fernando Póvoas, um conhecido adepto portista, que terá efetuado um empréstimo de um montante considerável ao clube. De uma forma simples, uma letra é um título de dívida que permite àquele que faz um empréstimo ter a garantia e executar a dívida na data assinalada na respetiva letra.
A forma como todo este processo foi tratado, e a necessidade em passar duas letras como forma de garantia a Fernando Póvoas, deixou bastantes interrogações. Para podermos perceber o que pode estar em causa, devemos analisar quatro pontos distintos, mas que se encaixam entre si.

1. Qual a data e valor do empréstimo?
A notícia que surgiu esta semana apontava para €2 milhões de empréstimo concedido por Fernando Póvoas, contudo, em entrevistas recentes, o famoso médico referiu que o valor concedido é muito superior, ressalvando que não cobrou quaisquer juros pelo empréstimo concedido. Outro ponto importante, para perceber este processo, é quando é que efetivamente este empréstimo foi concretizado - no início do ano? em março? em abril? em maio?

2. O que está por trás do empréstimo?
Depois de percebermos a dimensão do empréstimo em causa, a questão que deveríamos colocar é a seguinte: será que esta dívida estava contabilizada ou devidamente registada nos balanços da Porto SAD? Neste caso, é importante realçar que, contabilisticamente, todos os movimentos têm de ser registados. Isto significa que um empréstimo (entrada de dinheiro) teria sempre de ser contabilizado. Tendo em conta a dimensão do empréstimo, catalogado como superior a €2 M por Fernando Póvoas, será que existe um contrato que suporta esta dívida? Será que existem prazos de pagamentos associados e definidos? Ou será que o empréstimo foi concretizado sem nenhum suporte contratual? Em simultâneo, se assim foi, para que contas foi enviado o dinheiro? Para uma conta da Porto SAD ou para uma conta fora da instituição?
Nas últimas eleições, 80% dos associados do FC Porto demonstraram a sua vontade de mudança. Com toda a certeza que o fizeram para que o clube possa tomar outra trajetória e para poderem perceber quais os motivos que levaram a que o FC Porto tenha tantos problemas a nível financeiro.

3. Quem tomou a iniciativa?
A estranheza com que estas letras foram passadas a dois dias do fim do mandato, levantam outras questões muito pertinentes. Assim, de quem é que partiu a iniciativa de passar as letras? Da Porto SAD ou do credor Fernando Póvoas? Analisando cada um dos lados, podemos retirar conclusões distintas. Partindo do pressuposto de que esta dívida está devidamente contabilizada, qual a lógica da antiga administração da SAD de passar duas letras que vencem em junho e julho, respetivamente? Só vejo um objetivo e que passa por criar mais dificuldades à atual administração, obrigando-a a assumir mais um compromisso financeiro num curto espaço de tempo.
Contudo, se olharmos para o lado do credor Fernando Póvoas, a análise é diferente. O facto de possuir duas letras em sua mão faz com que o médico suba na qualidade creditícia. O que é que isto significa? Significa que com estas letras o credor Fernando Póvoas passa a ter uma garantia que os outros credores não têm. Mais, passa a ter duas datas para executar as suas dívidas! Foi precisamente neste ponto que Fernando Póvoas mostrou alguma incoerência esta semana. Ora, numa entrevista à TVI referiu que está sempre disponível para dilatar os prazos de pagamento do crédito que tem e que nunca questionou o momento em que lhe pagaram os muitos empréstimos que concedeu ao FC Porto. Se assim foi, e se assim é, por que motivo não recusou as letras que lhe foram passadas? Se já estava caracterizado como credor, e para ele a questão do prazo nunca foi um problema, então porque aceitou estas letras a dois dias do fim do mandato da administração anterior?

4. Existirão mais ‘Fernandos Póvoas’?
Ao longo da semana Fernando Póvoas referiu que tem vindo a efetuar inúmeros empréstimos desta dimensão e que lhe têm vindo a ser pagos com maior ou menor dificuldade. Mais uma vez, neste enquadramento surge mais uma questão: será que existem mais investidores que tenham emprestado dinheiro ao FC Porto nestas condições? Será que estão todos devidamente registados? Será que a nova administração irá ser surpreendida com mais situações desagradáveis?
Como última nota, não deixa de ser incrível que uma administração que, de uma forma regular, pedia empréstimos individuais a cidadãos e adeptos do FC Porto, foi a mesma que pagou a si própria €1,6 M em prémios pela equipa de futebol ter tido sucesso desportivo. Toda a situação financeira que o FC Porto está a atravessar é um exemplo da falta de exigência e escrutínio que existiu por parte dos associados ao longo dos últimos anos. A retórica das vitórias desportivas conseguiu iludir muita gente.
Por fim, também fica provado que ter uma longevidade muito grande à frente de uma instituição, pode não ser o melhor caminho, já que se instalam vícios e falta de mecanismos de controlo que são essenciais e fundamentais na boa governança, sendo que esta questão não é exclusiva do futebol, como pudemos verificar, por exemplo, no caso do BES.

A valorizar
Fábio Silva.
De uma forma sincera, honesta e frontal falou sobre a sua saída do FC Porto. Através das suas palavras, percebemos a forma como os grandes intervenientes (jogadores) acabam por ser colocados de lado no momento das decisões, para beneficiarem muita gente que gravita à volta do futebol sem nenhuma contribuição positiva…

A desvalorizar
Roberto Martínez.
Frente à Croácia, adversário com outra qualidade e com maturidade competitiva, a Seleção demonstrou muitas dificuldades. Defensivamente, Portugal esteve desequilibrado. Nos últimos quatro jogos, sofreu dois golos por jogo. O positivo é que os erros estão a acontecer quando podem acontecer, ou seja, antes da competição a sério!"

Nem tudo será falso alarme


"Derrota com a Croácia pesa pouco, mas há um lugar a justificar alguma apreensão

NA primeira vez em que defrontou um adversário da primeira divisão do futebol europeu, a Seleção de Roberto Martínez perdeu. Evitem partir já o vidro para puxar o alarme, que o jogo foi de preparação e a utilização dos jogadores tem sido gerida ao minuto. Em alguns casos o cronómetro está ainda está a zeros, pelo que este é o tempo certo para errar. Só vem drama ao mundo lusitano se os desafios colocados pela Croácia não forem analisados ao pormenor, sobretudo a pensar em fases mais adiantadas do Campeonato da Europa.
Enquanto persistem as dúvidas relativamente à condição de Pepe, Roberto Martínez parece tentado a abdicar dos três centrais, mas apenas num sentido mais rígido, tendo em conta que Palhinha recua muitas vezes na fase de construção. A opção facilita a incontornável titularidade de Vitinha, mas requer um ajuste na reação à perda, já que Palhinha é apanhado muitas vezes fora da zona onde costuma limpar tudo. Em várias ocasiões a Seleção ficou partida a meio, na transição defensiva, também devido a uma tentativa de pressionar alto que se revelou pouco eficaz. Reagir rapidamente à perda de bola não é o mesmo que subir linhas para condicionar a construção do adversário, sobretudo se pensarmos num ataque com Cristiano Ronaldo, Bernardo Silva ou João Félix, por exemplo.
A gestão de Roberto Martínez demonstra uma intenção de acelerar a dinâmica entre Palhinha, Vitinha e Bruno Fernandes, mas até em ataque posicional a equipa das quinas revelou mais limitações do que tem sido habitual. Abdicar de um central não limita a projeção ofensiva dos laterais, mas até com bola houve pouca agressividade. Só conseguindo incomodar o adversário em largura e em profundidade é que a Seleção conseguirá abrir espaços para tirar proveito de jogadores como Vitinha, Bruno Fernandes, Bernardo Silva ou João Félix em zonas interiores.
A melhoria na segunda parte ficou, de resto, muito associada à verticalidade incutida por Nélson Semedo e Rafael Leão nos corredores, e também à capacidade, dada por Diogo Jota, de ameaçar o espaço nas costas da defesa croata.
Os acertos a fazer são mais coletivos do que individuais, naturalmente, mas o jogo do Jamor reforçou também a ideia de que o lugar mais problemático do onze, nesta altura, é o lado esquerdo do ataque. Em vez de deixar sinais animadores para quem aguarda pacientemente que faça jus ao talento que tem, João Félix gastou mais um crédito. Rafael Leão entrou bem, mas na fase de grupos do Europeu dificilmente terá o espaço de que tanto gosta para preparar o um-contra-um. Pedro Neto até tem o perfil certo, mas não chega ao torneio no esplendor do seu potencial. Não será descabido pensar em Francisco Conceição para aquele lugar, mas Diogo Jota parece, de momento, a opção mais fiável para uma função que bem conhece. Pode ser mais útil como complemento a Cristiano Ronaldo do que alternativa ao mesmo."

'Hat Trick': Ici c'est Madrid, Mbappé


"Avançado francês no Real Madrid, de Carlo Ancelotti, que ganhou com Ronaldo, mas também com Joselu; Vítor Bruno sem as armas de outros adjuntos que tiveram sucesso no FC Porto; VAR e Maradona...

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Florentino Pérez quer, o Real Madrid sonha, a contratação de mais um galático nasce. Kylian Mbappé comunicou ao PSG que não pretendia renovar e, desta vez, após avanços e recuos à velocidade que os parisienses abriam os cordões à bolsa para segurá-lo, o avançado — melhor jogador do mundo, digo eu — aquece para tomar posse na casa blanca na próxima época. Os petrodólares de Al Khelaifi não conseguiram derrubar o peso do colosso da capital espanhola e esta é uma vitória do líder do Real com significado político.
É o fim da era galática do PSG — há duas temporadas contava ainda com Neymar e Messi — e o regresso do Real Madrid às apostas faraónicas que marcaram, sobretudo, os anos iniciais do consulado de Florentino. Com o novo Santiago Bernabéu concluído — inesgotável fonte de receitas a valer cada euro dos mais de mil milhões investidos na remodelação — e a chegada de Mbappé, os merengues dispõem de argumentos luxuosos dentro e fora de campo. O francês tem 25 anos, Valverde 25, Militão 26, Tchouaméni e Brahim Díaz 24, Vinícius e Rodrygo 23, Camavinga 21, Bellingham 20, Arda Guler 19, Endrick 17…
Mesmo a custo zero, o Real teve de abrir os cordões à bolsa para convencer Mbappé a dizer não às Arábias, por exemplo, ciente de que precisará mais do clube madridista para ter sucesso do que o contrário, agora que concretiza sonho de infância. Desde 2017, quando se transferiu do Mónaco para a cidade luz, o PSG esteve numa final da Champions e o Real ganhou três, seis se recuarmos aos últimos dez anos — além disso, jogadores seus ganharam 12 Bolas de Ouro, a par do Barça um recorde.
Ao longo da época, Luis Enrique, figura histórica dos culés, campeão na estreia no comando técnico do PSG, até facilitou a tarefa futura de Carlo Ancelotti, ao apostar várias vezes em Mbappé no centro do ataque. O italiano terá de conciliar o talento e as vontades do sonante reforço, de Vinícius, de Rodrygo, de Bellingham… Mas quem melhor que D. Carletto, mestre em gestão de egos, para lidar com tantas estrelas? Ici, c’est Madrid!, assim deverá deixar claro a Mbappé logo no primeiro dia, antes de lhe lembrar que o Real ganhou a orelhuda com Ronaldo e Benzema, mas também com Joselu.

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Não se deu mal o FC Porto com a aposta em treinadores que pouco tempo antes ainda eram adjuntos. A começar pelo atual presidente, André Villas-Boas, que após passagem pela Académica na primeira experiência fora do manto protetor de José Mourinho conduziu o FC Porto à glória. Seguiu-se Vítor Pereira, número dois de AVB, bicampeão nacional apenas com uma derrota nesse trajeto.
Não há duas sem três, agora com Vítor Bruno? O futuro dirá. Convém é lembrar, em defesa do sucessor de Sérgio Conceição, que o plantel que se desenha — ao invés daqueles que tiveram AVB e VP — não terá clones de Álvaro Pereira, Danilo, Alex Sandro, Moutinho, Lucho, James, Hulk, Falcao, Jackson...

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O Wolverhampton propôs a abolição do VAR na Premier League, proposta chumbada pelos restantes 19 clubes. A videoarbitragem não reduz o erro a zero, mas o caminho deve ser no sentido de alargar o raio de ação do VAR sem que o jogo perca ritmo. Nunca o contrário.
Prefiro recordar Diego Maradona a fintar toda a seleção inglesa, no México-1986, o golo dos golos, do que lembrar a célebre mão de Deus que iludiu o guarda-redes inglês Shilton e o árbitro tunisino Ali Ben Nasser."

BI: Picado Jersey!!!

El Mítico #91 - La evolución de los porteros: de Manuel Bento a Jan Oblak

5 minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Mercado - Juan Miranda, Pavlidis e Palhinha

Terceiro Anel: Seleção...

Simples: Croácia...

Cromos - João Félix...

Atypical: My Last Off-Day As A Pro Basketball Player in Lisbon, Portugal

domingo, 9 de junho de 2024

Quem diz a João Neves que ele não pode substituir Toni Kroos?


"Se a tendência de janeiro continuar na Premier League, as coisas podem ser muito diferentes daquilo que estamos habituados

Obviamente, Roberto Martínez nunca iria apontar publicamente defeitos a um jogador que está na lista para o Europeu; obviamente, que os colegas de equipa ou seleção têm por norma ser elogiosos para com os seus pares.
E se o selecionador arrisca menos vezes para não se comprometer, também é verdade que Roberto Martinez sempre tratou publicamente João Neves com distinção, em todas as intervenções. Fê-lo, por exemplo, em janeiro em entrevista em A BOLA e fê-lo, agora, num podcast com Rio Ferdinand para toda a Premier League ouvir.
Já Bernardo Silva nunca teve problemas em dizer o que pensa, seja sobre vir a ser um treinador diferente dos portugueses, seja sobre as eleições do Benfica ou olhar para a ida de João Félix para o Atlético de Madrid.
A Figura do Ano de 2023 de A BOLA não hesitou em dizer que levava João Neves para o ManCity, enquanto o selecionador diz que o médio do Benfica tem capacidade para jogar no Manchester United. Parece, assim, indiscutível pela voz de outros a qualidade de João Neves. Usando as palavras de Bernardo…«Não vai ser um jogador muito barato, calculo que não seja fácil entrar na corrida por ele. Que tome a melhor decisão para ele, tem futuro muito bom pela frente.»
Em duas orações, Bernardo Silva disse quase tudo. Quase.
O mercado de transferências tem complexidade, e se os clubes portugueses necessitam de ser mais criativos que outros, podem vir a enfrentar dificuldades acrescidas. A Premier League costumava ser a dona disto tudo, mas como se viu em janeiro, o incumprimento do Profit and Sustainability Rules – o regulamento de sustentabilidade financeira – levou a um desinvestimento brutal. O mercado de verão é sempre maior, mas os sinais que vêm de Inglaterra são de que mais emblemas podem vir a sofrer consequências por incumprimento de regras financeiras e, com isso, haverá então algum refreio no investimento? Em teoria, é possível. O que, a suceder, torna as coisas mais complicadas para todos.
O fenómeno da Arábia Saudita deu uma oportunidade aos ingleses, na medida em que permitiu a que os clubes da Premier League conseguissem encaixar dinheiro com futebolistas cujos ordenados seriam altos para Bundesliga, La Liga, Ligue 1 ou Serie A. Ou seja, mais difíceis de vender. Portanto, perante o receio do PSR, alguma parte dos ingleses pode ter de pensar mais em vender bem do que comprar. Com os ordenados praticados pela Velha Albion, esse será sempre um desafio. No fundo, o que antes se dava quase como adquirido – que a Inglaterra iria comprar muito e por mais, até porque está a um ano de entrar no novo acordo televisivo já negociado e essa, em vez da inflação, é a verdadeira razão dos preços de transferências aumentarem – ficou em dúvida.
Ainda estamos muito no início do mercado de transferências, mas se a quantidade de negócios baixar e, sobretudo, a tendência de janeiro de contenção em Inglaterra permanecer, pode ser fundamental aos grandes portugueses olhar para o mercado através de uma só grande venda, em vez de várias que deem um valente somatório.
É neste contexto que o Benfica – outros igualmente - precisará também pensar quando o tema se trata de João Neves. Inevitavelmente, o médio será o jogador mais cobiçado dos encarnados e, portanto, a maior possibilidade de encaixe. As águias farão tudo para obter o melhor preço e acenarem com a cláusula de rescisão, ideia poucas vezes entendida pelos adeptos como estratégica e quase sempre como condição única para o negócio.
Porém, se o cenário acima se verificar, as contas poderão ser feitas de outra forma, mesmo que, como Bernardo disse, Neves não venha a ser um jogador barato, nem venha a ser fácil entrar na corrida por ele. Depois, claro, há a segunda sentença do canhoto do Manchester City. Que Neves tome a melhor decisão para ele. Imaginemos que o Manchester Utd bate 120 milhões de euros. Agora imaginemos que o Real Madrid oferece 90. Quem é que vai dizer a João Neves que ele não pode ser o substituto de Toni Kroos?"

5 minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Mercado - Ezequiel Fernández, Marco Silva e Kvaratskhelia

Falar Benfica: Orçamento

A igualdade não é sermos iguais


"Um dos argumentos mais reacionários que existem é o de que «se as mulheres querem igualdade têm de fazer as mesmas coisas que os homens». Argumento machista, que baseia a avaliação de competências nas habilitações físicas. Argumento absolutamente desprezível.
A igualdade que se reivindica não é de funções, tarefas, desempenhos ou habilidades – é de oportunidades. Por exemplo: a oportunidade que uma mulher deve ter de seguir uma carreira profissional de sucesso sem que o peso da maternidade seja superior ao peso da paternidade num homem. Há outros.
Não se pretende que sejamos todos iguais, porque somos de facto diferentes. Diria que ainda bem, com todo o respeito pelas várias identidades de género.
É por isso que a Federação Portuguesa de Futebol merece aplauso ao adotar as recomendações da FIFA sobre questões específicas das futebolistas (e treinadoras), como a maternidade ou os ciclos menstruais. O mundo, apesar de tudo, lá vai avançando.

De chorar por mais
Ame-se ou odeie-se, há um clube que parece ter nascido para ser campeão da Europa, em modelo Taça ou Liga. Parabéns ao Real.

No ponto
Devagarinho e sem ondas, o Sporting parece trabalhar o mercado nos exatos timings que pretende. Não chega para ganhar, mas ajuda.

Insosso
Pepe, símbolo do FC Porto e de Portugal, não devia ir para o Europeu como se dele dependesse o seu futuro. Tem 41 anos, merece melhor.

Incomestível
Setúbal, com a sua história e a sua atualidade, deve ter um clube forte. Como se chega ao ponto de descer, subir e afinal não poder subir?"

O perigo das expetativas altas


"A Seleção Nacional carregará, na Alemanha, um enorme peso sobre os ombros. Até porque o sonho de todo um povo pesa, de facto, toneladas

O Campeonato da Europa está à porta e nunca as expetativas dos portugueses estiveram tão altas. Se se fizesse uma sondagem, talvez politicamente incorreta, sobre o que pensam os portugueses sobre as hipóteses de Portugal voltar a ser campeão europeu, os resultados deveriam refletir um entusiasmo quase generalizado. Porque é verdade que Portugal tem uma Seleção com muitos jogadores de uma qualidade notável, porque tem um treinador que tem provado ser competente e fiável e porque a experiência de competições internacionais, ao mais alto nível, da esmagadora maioria dos jogadores, oferece amplas razões de confiança, também, pela maturidade.
É verdade que selecionador e jogadores têm tentado arrefecer a euforia considerando, numa só voz, que a Seleção Portuguesa é uma das candidatas, mas não, necessariamente, a favorita. Porém, os portugueses não entendem bem essa diferença. Porque a racionalidade no futebol não consegue diferenciar as apertadas margens de um rio de sonhos e emoções. E porque os portugueses, fartos de apenas sobreviverem em vidas severinas na segunda divisão desta confusa Europa, encontram, no futebol e na Seleção Nacional, fatores essenciais de compensação, de orgulho e de autoestima.
A verdade é que os portugueses desejam que Portugal ganhe o Europeu, porque precisam que a Europa e o Mundo os olhe com mais admiração e respeito. É difícil explicar racionalmente qual a razão de uma vitória de uma equipa de futebol, mesmo que seja uma Seleção Nacional, ser considerada a vitória de todo um povo e de um país. Mas a verdade é que é assim, por muito que isso irrite o clássico universo tecnocrático e o pensamento liberal vigente, que entende que nenhuma conquista é importante se não assentar na expressão da economia.
A Seleção carrega, portanto, um enorme peso sobre os ombros. Até porque o sonho de todo um povo pesa, de facto, toneladas.
Em vésperas da partida para a Alemanha, as experiências mais recentes deixam, entretanto, perceber alguns sinais de inquietação. Continua a ser uma Seleção do avesso daquela que conquistou o Euro em 2016. Essa era uma Seleção que brotava sempre, cautelosa e desconfiada, de uma raiz defensiva essencial. E esta, que interpreta a visão de Roberto Martínez para o aproveitamento total do talento dos seus jogadores, é uma equipa que não resiste a divertir-se e a divertir os espectadores. Uma equipa de ataque entusiasmante, imaginativo e plural, mas que ainda tenta encontrar as melhores soluções para evitar as más surpresas de adversários ultradefensivos, mas capazes de jogar rápido e bem, em contra-ataque.
Os últimos jogos de preparação deram, de Portugal, uma ideia de uma construção inacabada. Uma equipa sempre subida, pressionante até ao sufoco, capaz de ter soluções mil com a bola nos pés, mas uma equipa que, às vezes, não defende, porque... não se defende.
Além disso, uma equipa que, previsivelmente, não irá prescindir de Cristiano Ronaldo e que, portanto, ainda nem sequer treinou como irá jogar.
A verdade é que depois de uma campanha cem por cento vitoriosa, a Seleção continua a ganhar, mas, agora, com alguns indisfarçáveis e incómodos sobressaltos. Já não há muito tempo para resolver problemas estruturais, mas o jogo de hoje, com a Croácia, um adversário bem mais consistente e competitivo do que a Finlândia, poderá dar sinais importantes a Roberto Martínez sobre a construção de uma melhor solução defensiva da equipa, sobretudo em situação de perda de bola em zonas muito adiantadas do campo.

Dentro da área
Além da dúvida sobre o futuro imediato de Di María, não se conhece o verdadeiro sentimento dos responsáveis do Benfica no que respeita ao desejo na sua continuidade. Sabe-se do politicamente correto, que seria um privilégio ter, na Luz, o argentino por mais um ano, mas não se garante que seja verdade. O problema é que, com Di María, o Benfica precisa de construir uma equipa adaptada a um fantástico jogador, mas apenas quando tem a bola no pé. Sem Di María, os critérios serão mais livres. Seja como for, a decisão será urgente.

Fora da área
Celebrar Luís de Camões nas suas datas de nascimento e morte sempre foi motivo de desavença nacional. Em 1880, no terceiro centenário da morte do poeta dos Lusíadas, os republicanos deram passos decisivos no caminho da implantação da República, ao liderarem, com largo apoio popular, as comemorações nacionais. Duzentos anos depois, os dois maiores partidos portugueses também encontram nas comemorações dos 500 anos de Camões motivos de desavença. Ao menos houvesse algum sentido de Estado."

Retratos - Bernardo Silva

Cromos - António Silva...

Cromos - Rúben Dias...

«Eu quero é ver o Guardiola aqui...»


"Alguns treinadores brasileiros, como Tiago Nunes, desafiam os europeus a experimentar a América do Sul. JJ e Abel ganharam com folga

Tiago Nunes, treinador brasileiro de 44 anos que desde que orientou, com muito sucesso, o Athletico Paranaense, em 2019, fracassou no Corinthians, no Grêmio, no Ceará, no Sporting Cristal e no Botafogo, disse nesta semana que gostava mesmo era de ver Pep Guardiola, treinador do Manchester City, de 53 anos, na Taça dos Libertadores.
«Queria vê-lo contra o Bolívar, em La Paz, ou contra o Binacional, no Peru, a quatro mil metros de altitude, ou contra o Rosario Central, em Rosário, ou diante do Boca Juniors, na Bombonera», afirmou o treinador da Universidad Católica, em entrevista à ESPN Chile. «Vejo os caras lá [na Europa] muito calmos, tudo funciona, gostaria era de vê-los aqui mas, claro, não vai acontecer», rematou.
Nos tempos de escola havia uma piada em que um miúdo, que apanhava uma tareia de outro, muito maior, reagia nestes termos: «Bateste-me porque és maior do que eu, agora vou chamar o meu irmão mais velho, quero ver tu bateres-me à frente dele.»
A seguir, perante o irmão mais velho, o miúdo pequeno voltava a levar do maior. «Bateste-lhe porque estás aqui ao pé dos teus amigos, quero ver lá em cima no monte», desafiava então o mais velho.
Chegados ao monte, sem piedade, o maior batia no menor outra vez. A cena repetia-se em mais uma, duas, três ocasiões até que o irmão mais velho dizia para o mais novo, todo queixoso, dolorido e ensanguentado, «epá, vamos mas é para casa, se não este gajo ainda te parte todo».
A história lembra a relação dos treinadores brasileiros com os europeus porque, já em 2011, Muricy Ramalho, do Santos, às vésperas de ficar todo queixoso, dolorido e ensanguentado após a derrota por 0-4 para o Barcelona no Mundial de Clubes, disse, ainda sobre Guardiola, que «ele é dos melhores do mundo, agora, trabalhar na Europa é mais tranquilo, lá eles trabalham com os melhores jogadores, têm dinheiro e tempo para planear».
E concluiu: «Para mim, eles [treinadores europeus] só vão ganhar uma nota máxima quando forem para o Brasil, disputarem um Brasileirão e ganharem.»
Anos depois, Jorge Jesus não só passeou no Brasileirão de 2019 como ainda ganhou a Libertadores, fora outros títulos. Depois veio Abel e, com mais tempo de trabalho, dobrou a aposta: venceu duas vezes o Brasileirão e duas vezes a Libertadores, fora outros títulos.
Jorginho, aquele antigo lateral-direito que em 16 experiências como treinador no Brasil ganhou um Cariocão pelo Vasco, disse então, quando treinava o Atlético Goianiense, que «no Fla e no Palmeiras é fácil, queria vê-los era em clubes pequenos».
António Oliveira chegou e levou o Cuiabá à Copa Sul-Americana. E Pedro Caixinha disputou o título do Brasileirão de 2023 até à última jornada pelo Bragantino.
O melhor é estes treinadores brasileiros mudarem de discurso (e de atitude) se não estes gajos ainda os partem todos."

A “Saga” do “Doping” no Desporto Profissional


"O Ministério da Educação que publique o montante da verba que despende com isso e depois vão perceber o que acabou de ser escrito.

Há grande e gritante confusão, entre o Desporto verdadeiro, e aquela actividade física, de cariz atlético, que mais não é que “espectáculo desportivo”, que está também 100% equiparado à actividade circense. Quer uma quer outra são de facto o mesmo. Hoje em dia, o “Futebol Espectáculo” nada tem que ver com o Desporto verdadeiro, que deve ser praticado pelos jovens, na idade escolar, na escola, e fora dela, que, esse sim, deve ser rigorosamente vigiado pelas autoridades, no sentido de proteger e de preservar a saúde, e a vida, da juventude Portuguesa.
Jogadores do “Futebol Profissional”, ciclistas, “boxeres”, lutadores, atletas, ginastas, alpinistas, artistas de circo, todos profissionais, etc… etc… não devem ser sujeitos a controlo anti-doping. Parece que certos halterofilistas profissionais estão fora desse controlo quando os seus treinadores, antes dos levantamentos dos halteres lhes dão a “cheirar” um “produto” que os faz entrar quase em “transe”, isto em directo pela T.V. Hoje temos que ser pragmáticos sem, no entanto, perdermos a lógica e a noção da razoabilidade, palavra que, nesta hora de confusão e de dificuldades, nos obriga a tomar opções, a fazer escolhas e, sobre tudo, a eleger prioridades que, defendendo os nossos princípios, defendam também o que é mais importante para o nosso interesse colectivo e, esse, é, sem dúvida alguma, a nossa juventude, pois é o futuro do País.
Os recursos despendidos com o controlo anti-doping dos atletas profissionais podem ser vistos como um desperdício, já que todos sabem que a alta competição “não é para dar saúde a alguém”, Coubertin já o tinha afirmado! Ora os “Jogos Olímpicos” actuais, e não só, são o “circo moderno” e não vemos qualquer interesse em “testar” qualquer artista de circo, que esteja em competição, com qualquer rival, para a atribuição de um prémio. Mas será apenas para evitar a batota e impedir que o “Cascalheira” possa ganhar ao “Porto” ou ao “Benfica”? ou será só com a preocupação da “saúde” desses profissionais? Será? Então o que é feito da vigilância sobre os adolescentes que, no ensino “secundário”, já declararam ter tomado drogas, consumirem álcool e pertencerem a “gangues”? O que é que a sociedade investe para contrariar essa tendência que está em crescendo na razão directa com o aumento da crise?
Se, de facto, sabem o significado, em Democracia, de sociedade civil, de opinião pública, de organizações não governamentais, etc… então não actuem como no tempo “da outra senhora” e sujeitam a questão a um referendo. Não preconizamos o fim desses “comités” de “funcionários” que andam à procura de quem se “dopa” no Desporto Profissional, o que sugerimos é que apontem os seus esforços e os gastos do erário público, na protecção dos jovens escolares que “andam à solta”, sem qualquer espécie de controlo. É que esses não se “dopam”, drogam-se! E isto é que é sério e é preocupante para o futuro do País!!! Mas hoje (10/Dez/2010) só se fala na “Operação Galgo”, da atleta Marta Domínguez e recorda-se também da “Operação Puerto” (2006) do ciclismo Espanhol. Não é, de facto, razoável, porque há uma desproporção enorme entre o que é despendido para “controlar” umas centenas de “profissionais” em relação ao doping, e aquela outra verba para o despiste da utilização de drogas entre a população escolar do “secundário”. O Ministério da Educação que publique o montante da verba que despende com isso e depois vão perceber o que acabou de ser escrito."

COP: Passos - Miguel Nascimento...

sábado, 8 de junho de 2024

Uma vitória para o título máximo!


Corruptos 62 -73 Benfica
16-13, 21-15, 13-23, 12-22

Dreschsel(14), Broussard(14), Douglas(11), Betinho(11), Carter(10), Almeida(9), Makram(4), Barbosa, Relvão, Gameiro(dnp), S. Silva(dnp), Edu(dnp)

Depois do Jogo 1, fiquei convencido que só um grande desastre poderia evitar um 3-0 na Final! Hoje, ao intervalo, após uma arbitragem absolutamente vergonhosa, a coisa estava complicada, mas mesmo com os apitos inclinados, não desistimos, demos a voltar, vencemos por 11, um jogo, que com equilíbrio nos apitos, teria acabado com um diferencial superior a 25 !!!

A diferença de qualidade individual é enorme, a nossa atitude defensiva está top, e neste momento tirando o Zé Silva, temos todos os jogadores disponíveis... Impossível travar este Benfica em Portugal!

Além da arbitragem criminosa (só para enganarem a estatística, nos últimos 3 minutos, com o jogo decidido, marcaram 5 faltas a favor do Benfica, nos restantes 37 minutos, tinham assinalado 15!), com destaque para o Sr. Fernando Rocha, que aparentemente só sabe apitar na EuroLiga; nota ainda para mais um comportamento vergonhoso dos funcionários da RTP! Os comentários no Porto Canal são mais isentos, imagine-se!!!

5 minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Mercado - Greenwood, Chico Conceição, Rodrigo Mora

Zero: Tema do Dia - Futsal: antevisão das finais e o caos na Luz

Rio Ferdinand: Martinez...

Zekko: Euro2024 - Portugal

Terceiro Anel: Lanterna Vermelha - S01E13 - Fernando Vaz vs. Frederico Seruya!

O treinador português ficou fora de moda


"Como é que se explica que os portugueses se considerem entre os melhores treinadores do mundo quando já não treinam as melhores equipas nem podem atacar grandes títulos?

IMAGINEMOS que os dez primeiros classificados de cada uma das mais recentes edições das ligas Big Five serão, na próxima temporada, os principais candidatos à conquista dos respetivos títulos de campeão (e eventualmente até os outros troféus), o que é, admito, conclusão longe de ser à prova de bala. Porém, no momento em que escrevo estas linhas, se puxarmos desse critério, Portugal não apresenta um único representante do qual se orgulhar, ou seja, a probabilidade de vermos um treinador luso levantar uma taça relevante daqui a menos de um ano é diminuta.
É verdade que Sérgio Conceição, falado para o Marselha e para a sua Itália, e Paulo Fonseca, candidato a suceder a Stefano Pioli no Milan – mesmo que há uns anos não tenha conseguido quebrar com a Roma o status quo –, ainda podem equilibrar um pouco a balança. No entanto, nota-se a perda de influência nos principais palcos. O editor-executivo de A BOLA Nuno Travassos ainda há dias abordava o tema, ao fazer o levantamento da época que há pouco findou, e concluía pelo desaparecimento da portugalidade das grandes decisões.

OUVIMOS muitas vezes que os portugueses são dos melhores treinadores do mundo, todavia, o mercado não o reconhece. Os números são avassaladores. Se Portugal está a zeros, há 12 espanhóis e 10 do eixo austro-alemão a cumprir o critério acima. Os italianos são 8 e os franceses 5, mas em ambos os países se insiste na aposta na prata da casa e, dessa forma, pode prever-se um crescimento. Há igualmente dois neerlandeses, embora um deles, Erik ten Hag, apenas se aguente, e muito tremido, em Old Trafford. E, ainda, um inglês, um chileno, um argentino, um belga, um norte-americano, um australiano (com ascendência grega) e um croata. Seis clubes, pelo menos, ainda não resolveram o futuro.

CONTRARIAMENTE ao que acontece nas outras Big Five, em Inglaterra a prevalência é do estrangeiro, o que historicamente, quando há poucas décadas se tratava do país mais fechado à cultura futebolística além fronteiras, não deixa de ser relevante. A Mãe do Futebol sempre teve grandes dificuldades em reconhecer que havia quem pudesse perceber mais do treino e do football em si que um inglês. Hoje, é o empório do jogo. Aí estão os melhores jogadores e treinadores, e muito mais dinheiro do que em qualquer outro lado, para contratá-los, despedi-los e manter o ciclo. Tal refletiu-se numa mudança tremenda na textura e na complexidade do association, com efeitos práticos na seleção.
A predominância do espanhol dever-se-á a dois fatores. Não é só a presença de um embaixador fortíssimo como Guardiola, um ganhador que abre portas em todo o lado, mas também a existência de uma escola, da qual é o representante máximo, e que privilegia posse e ataque.
Não há, obviamente, treinadores iguais, mesmo nascidos no mesmo país. Não podemos comparar Pep com Marcelino García Toral ou com Julen Lopetegui, mas podemos avançar que o ex-FC Porto tem conseguido recuperar dos vários golpes sofridos na carreira mais por transportar a ideia do que pelos resultados conseguidos através desta. Se, por vezes, Arteta parece decalque do mestre apenas com algumas dinâmicas acrescentadas e sobretudo menos experiência (sua e dos seus jogadores), Xabi Alonso criou-lhe mutações, tal como o mais pragmático Emery ou o objetivo Michel. O denominador comum é um futebol técnico, ofensivo e de ataque posicional forte.
Além disso, Guardiola não influencia só espanhóis: quanto dele não está no belga Vincent Kompany, que recomendou ao Bayern, ou no ex-adjunto no City Enzo Maresca? O italiano acabou de ser contratado pelo Chelsea e o passado terá tido o seu peso.

TAMBÉM pelo domínio hispânico se explica o deserto neerlandês, que tem uma das mais influentes, se não a mais influente, figuras da história, como jogador e treinador: Johan Cruijff. Arne Slot tem agora a dura responsabilidade de devolver aos Países Baixos a referência internacional que Ten Hag não tem conseguido ser. Sem esta, o modelo espanhol, que aí se inspirou profundamente, torna-se versão mais moderna e apetecível. MAIS uniforme, até no radicalismo, é o fussball austro-germânico: ritmo non stop, pressão agressiva e reação à perda em enxame, quase kamikaze, a querer disferir todos os golpes para um knockout rápido, ao primeiro assalto. Mesmo sem o embaixador Jürgen Klopp, que decidiu parar, quem assim quiser jogar fora deste eixo sabe onde pairam as pessoas certas. Tem faltado, sobretudo aos alemães, a continuidade das novas referências, como Tuchel e Nagelsmann, porque todos os modelos precisam de resultados. Ainda assim, alemães e austríacos são dos que ainda exportam técnicos para as maiores ligas.

COVERCIANO é o coração do calcio. Aí se formam treinadores e árbitros. O perfil do técnico transalpino está bem identificado: as equipas treinadas por eles são focadas, sólidas, bem organizadas e vencedoras. Sacchi foi revolucionário no aspeto ofensivo e os restantes caminharam com o rótulo do resultadismo às costas, mas Spaletti, Gasperini, De Zerbi e Inzaghi voltam a mostrar que o país está revitalizado.

CURIOSAMENTE, Arsène Wenger foi tão revolucionário quanto José Mourinho fora do seu país, porém, com a perda da aura de vencedores, as portas começaram a deixar de estar tão abertas para franceses e portugueses. Estes precisam mais de fenómenos dos que os outros para estarem na moda. A falta de uma escola evidente, de um perfil do que é o treinador português e como joga, complica. Não ser propriamente inovador (embora competente) falha no despertar da curiosidade.

O adiamento da saída de Rúben Amorim, apenas nessa perspetiva, não é bom e Sérgio Conceição ganha a responsabilidade de tentar confirmar lá fora o que fez com pouco cá dentro, embora desconfie que vá para Itália ou para outro lado dar uso à costela... italiana. E agora que vem a contexto a passagem de Mourinho pela Roma e até o facto de a maior conquista da Seleção Nacional ter sido sob a liderança de um resultadista - e também a sua sucessão ter sido resolvida com um estrangeiro, dadas as dificuldades de encontrar um português com ideias progressistas (e um discurso e imagem congruentes) -, pergunto-me: será que a imagem que temos dado não é mais papista que a transalpina e mais afastada da moda do que deveria?"

ESPN: Futebol no Mundo #345 - Mbappé no Real Madrid e Manchester City contra a Premier League

COP: Glória #39 - Teresa Portela

Zero: Afunda - S04E63 - Celtics massacram: reação ao jogo 1

Zero: PlayBook #102 - É como andar de bicicleta

sexta-feira, 7 de junho de 2024

Ácaro, por onde andas?!!!

Modalidades #156 - Semanada...

5 minutos: Diário...

Zero: Mercado - S07E11 - Rafa com proposta choruda

Águia: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Vitor Bruno: O perfil do novo líder portista

Zero: Saudade #100 - «No Euro84 fui ter com o selecionador: 'Olhe, não estou aqui para brincar'»

Na frente


"O Benfica comanda a final dos play-offs de basquetebol e tem vantagem nas meias-finais do Campeonato Nacional de hóquei em patins. Estes são os temas em destaque na BNews.

1. Conquistado o fator casa
No primeiro jogo da final dos play-offs de basquetebol, o Benfica venceu, por 66-89, no reduto do FC Porto. Norberto Alves aponta a defesa como chave da vitória e lança a partida seguinte, agendada para sexta-feira, às 19h00, no Dragão Arena: "Quando se defende bem, também no ataque as coisas são mais tranquilas. Temos de estar focados para sexta-feira, encararmos isto como um 0-0 e ganharmos o segundo jogo."

2. Em vantagem na eliminatória
Em novo jogo de grande intensidade, o Benfica ganhou, por 4-2, frente à Oliveirense, passando a liderar as meias-finais do Campeonato Nacional por 2-1 em vitórias. Nuno Resende elogia os jogadores e os adeptos: "A resposta do pavilhão e da equipa mostraram que encaramos a Oliveirense como um adversário de altíssimo nível. Fizemos um jogo de qualidade. Agora, é repousar e trabalhar para que nos apresentemos bem para mais um enorme desafio."

3. Contributo para as seleções
Bah foi titular na vitória da Dinamarca ante a Suécia, e Schjelderup estreou-se na seleção A norueguesa na partida com o Kosovo.

4. Europeu Sub-17
A Seleção Nacional Sub-17 sagrou-se vice-campeã europeia com a participação de quatro jogadores do Benfica: Diogo Ferreira, Duarte Soares, Eduardo Fernandes e Rui Silva.

5. Sétimo título consecutivo em análise
Fifó, futsalista do Benfica, falou à BTV sobre o heptacampeonato recentemente conquistado.

6. Em busca do pleno
A equipa feminina de polo aquático do Benfica, que na presente época se sagrou pentacampeã nacional e venceu a Supertaça, disputa, com o Fluvial Portuense, a final da Taça de Portugal no domingo, às 14h00, na Guarda."

Lanças...

História Agora


FIFA e o papel da mulher no futebol


"As mulheres não podem ser tratadas ou vistas da mesma forma que os homens

O Último mês trouxe algumas boas notícias, provenientes da FIFA, no que diz respeito ao futebol feminino. Foram divulgadas as novas medidas de apoio à carreira das jogadoras e treinadoras, envolvendo temas tão sensíveis como o período de maternidade e o bem-estar das mulheres no desporto. Vieram reforçar e reconhecer as dimensões físicas, psicológicas e sociais que poderão impossibilitar jogadoras e atletas de se apresentarem ao trabalho devido a complicações na gravidez ou por menstruação intensa.
São temas que, por cá, pouco ou nada são abordados, mas que assumem uma importância vital para a jogadora ou treinadora. Diz a diretora executiva do futebol feminino da FIFA, Sarai Bareman, que esta nova regulamentação permitirá valorizar o lado pessoal das jogadoras. «Quando se trabalha no desporto, num contexto profissional, devemos ter em consideração que o ciclo menstrual poderá impactar a capacidade das profissionais, podendo trazer riscos para o seu emprego no clube e, consequentemente, a capacidade de ganhar dinheiro», sublinhando Bareman que as novas medidas entram já em vigor a partir deste mês de junho - inseridas no Regulamento sobre o Estatuto e Transferência de Jogadores - e são um complemento às introduzidas em 2020, quando foi apresentado o período mínimo de licença de maternidade de 14 semanas para as jogadoras, agora alargado para treinadoras, período que abrange agora também as situações de adoção.
Também em maio, a FIFA aprovou o calendário internacional feminino 2026-2029, que proporcionará às jogadoras mais oportunidades de descanso e repouso, encurtando de seis para cinco as datas internacionais, com o intuito de reduzir as interrupções das ligas nacionais e as deslocações ao serviço das seleções. Foi, igualmente, apresentada a primeira edição da Taça do Mundo Feminina de Clubes FIFA, que irá realizar-se em janeiro/fevereiro de 2026 com a participação de 16 equipas.
Tudo isto reflete a forma como os organismos competentes estão a adaptar-se ao rápido impacto que o futebol feminino tem provocado a nível desportivo e social, sentindo a necessidade de regular um desporto que apesar de ser o mesmo - futebol - tem especificidades que no masculino não se colocam. As mulheres não podem ser tratadas ou vistas da mesma forma que os homens; o desporto feminino necessita, por isso, dos seus próprios deveres e direitos. E por isso a FIFA tem feito regulamentos de forma a adaptar o treino, o descanso, a alimentação, a sobrecarga, no fundo adaptar o jogo à realidade da mulher.
Mas enquanto lá por fora se fazem estes avanços, por cá ainda nem um contrato coletivo de trabalho conseguimos alcançar. O que obriga um grande número de jogadoras a jogarem totalmente desprotegidas dos seus direitos."

Um jogador para 15 minutos


"A chamada de Pedro Neto à Seleção e algumas semelhanças com o caso de Éder em 2016

«Tenho de definir o que é que preciso de um avançado: se levo um jogador que em alguns momentos vai ser importante quando eu precisar de pôr gente na área, como era aqui com a Bulgária, para despejar mais a bola; ou se não vale a pena levar um jogador deste tipo e então levo outro tipo de avançado... Esta pergunta tenho feito a mim várias vezes e até maio vou decidir»
Fernando Santos, selecionador de Portugal, em março de 2016, sobre levar ou não Éder à fase final do Campeonato da Europa

O nome menos consensual da convocatória de Roberto Martínez para o Europeu é provavelmente o de Pedro Neto. Acho que parte disso é a falta de perceção do que pode fazer em campo – porque joga no Wolverhampton, que está longe de ser uma potência; por só ter feito três jogos na Liga Portuguesa, num total de 57 minutos, em 2017 e quando tinha 17 anos; ou por só ter seis internacionalizações, espalhadas por três anos e meio, e nunca ter estado numa fase final.
Mas quem vir com regularidade o Wolverhampton e o apanhe a jogar (o que nem sempre é fácil) perceberá que, não fossem as lesões, e seria há uns anos indiscutível na Seleção, mesmo que não no onze.
Só que também não podemos ignorar as lesões. Esta época fez apenas 24 jogos e não chegou aos 1800 minutos. Antes do anúncio da convocatória, tinha um jogo e 12 minutos nos dois meses anteriores. Dificilmente chegará ao Euro com 90 minutos nas pernas. Não faria sentido, então, chamar outro jogador?
Provavelmente, não. O outro jogador que fosse chamado (Ricardo Horta ou Pedro Gonçalves, por exemplo), realisticamente, faria quantos minutos no Europeu, com a fartura de opções que Martínez tem? Talvez 15? Bom, Pedro Neto tem 15 minutos nas pernas, até mais. E para jogar 15’ por jogo, é provável que acrescente mais, ou seja mais desequilibrador, que qualquer outra opção que o selecionador pudesse tomar.
Por motivos diferentes, a chamada faz lembrar a de Éder para o Euro-2016. Há oito anos escrevia, em março, que acreditava que Fernando Santos ia concluir que 15 minutos de Éder valeriam mais que 15 de Pizzi ou Varela, talvez melhores jogadores mas que não dariam nada de muito substancialmente diferente em relação a outros que tinham à frente, como Ronaldo, Nani, Quaresma ou Rafa. Ainda bem que assim foi."

Esta tem de ser a Seleção dos... Conquistadores


"Esta é mesmo a melhor geração de sempre do futebol português. Nunca a Seleção Nacional teve tanta qualidade em quantidade

Portugal ganha e recomenda-se. Depois de ter limpo a fase de grupos, a Seleção Nacional já aquece para o Euro 2024 e, com toda a naturalidade, somou mais uma vitória no primeiro de três jogos de preparação - o teste com a Croácia já será mais exigente, mas considero que falhou no calendário um embate com uma seleção de topo. Contra a Finlândia, mais uma vitória. Para não variar. É assim, com hábitos ganhadores, que começam as grandes conquistas.
No dia da conferência de imprensa do anúncio dos 26 convocados, e quando confrontado com o hábito bem português de dar uma alcunha à equipa de todos nós antes de uma grande competição, Roberto Martínez admitiu o nome de Sonhadores, mas não o subscreveu. «Gostava de estar mais perto, de controlar o sonho... Vou esperar para decidir», disse. Fez bem o selecionador. Portugal não tem Seleção para sonhar, tem Seleção para ganhar o Euro. E o cognome bem poderia ser... Conquistadores.
Considero que esta é mesmo a melhor geração de sempre do futebol português e desta equação só posso excluir os Magriços, já que não era nascido em 1966. Nunca a Seleção Nacional teve tanta qualidade em quantidade. A substituição de Otávio por Matheus Nunes é só um bom exemplo. Pessoalmente, até considero que Portugal ficou a ganhar, porque o jogador do Manchester City é diferente de todos os outros médios que o espanhol tinha chamado. Tem transporte de bola invulgar e é um jogador muito intenso e rotativo, o que dá sempre muito jeito, principalmente numa prova tão curta e disputada no final de épocas cada vez mais desgastantes.
Voltando a esta geração que parte à conquista da Alemanha, registe-se o facto de grande parte dos eleitos jogarem nos principais campeonatos europeus, o que desde logo lhes dá outro traquejo. De resto, quase todos estão habituados a ganhar. Muito. Época após época. Tanto que, por exemplo, apenas quatro ainda não tem no currículo um título de campeão nacional, seja em Portugal, Espanha, Inglagterra ou mesmo Arábia Saudita: Rui Patrício, Pedro Neto, Diogo Jota e Bruno Fernandes. O que mais do que curioso é um excelente indicador, até porque o primeiro foi só o titular na maior conquista de sempre do futebol português, o Euro 2016, e o último é para mim o melhor jogador português da atualidade..."

Dinâmicas, Bruno e Vitinha


"Grande diversidade de opções faz crescer responsabilidade da Seleção para o Euro

A caminhada começou. A Finlândia saiu melhor do que a encomenda, com dois golos que irão certamente obrigar Roberto Martínez a rever com os jogadores o momento da pressão sobre o portador e o posicionamento de uma linha defensiva em que a expetativa é que englobe poucas unidades e mantenha o distanciamento correto entre todas estas para que não se torne permeável. O sinal de alerta surge num setor já sido exposto pelo exagerar no risco por parte do próprio selecionador, mas a permeabilidade lembra jogos do passado recente, e deve ser desconstruída, a fim de que não se torne mais do que isso quando for realmente importante.
Numa partida sem grandes ideias ou fio condutor para lá do que Bruno Fernandes trouxe após o intervalo, não deixa de parecer crescer a responsabilidade de cada vez que se contam as opções para cada posição. Basta olhar para as laterais, por exemplo, onde antes havia lacunas. Nélson Semedo pode ser um defesa direito mais conservador ou uma adaptação à esquerda, Dalot e Cancelo medem-se pela profundidade que oferecem em cada uma das faixas – o do Man. United equilibrado entre abordagens defensiva e ofensiva, e o do Barcelona com capacidade de pisar terrenos mais próximos da baliza; o primeiro mais para uma ideia de construção, o segundo para superioridades numéricas e finalização – e Nuno Mendes, além da tendência natural para alargar a frente de ataque pela esquerda, também se mostrou preocupado em apanhar desprevenidos os rivais na grande área em momentos sem bola e em atrair por dentro, com Leão aberto para o 1x1. Opções válidas e até divergentes que dão dinâmicas específicas a quem não tem muito tempo para trabalhá-las em contexto Seleção. E estamos só a falar de uma função específica.
Além disso, há semanas que o futebol português olha com elevada expetativa para um eventual espaço no onze para Vitinha, o único português entretanto eleito para a equipa ideal da Liga dos Campeões. Roberto Martínez parece ter ouvido as preces ou sentido ele próprio essa necessidade, ao mesmo tempo que ainda tentou perceber como João Neves reagiria à primeira titularidade, se Francisco Conceição conseguiria ou não transportar a irreverência do Dragão para a equipa das quinas e como se apresentava fisicamente Diogo Jota. Os três deram respostas positivas, tal como o médio do PSG.
O espanhol tirou facilmente o elefante da sala e nem foi preciso puxar muito pelo cabedal. Manteve Palhinha, recuando-o para central, e entregou a batuta ao médio do PSG, com Neves ao lado. A decisão poderá ter antecipado uma decisão futura seja para o arranque – é preciso perceber se há continuidade, ou se foi experiência ou fruto das circunstâncias – ou no desenrolar do Euro, sobretudo perante equipas que vão naturalmente defender baixo.
O ensaio não deu para muito mais nem era naturalmente aquilo que se pretendia. Importante era apenas aquecer os motores, nem que seja porque a Croácia promete, já no sábado, fazer disparar o grau de exigência."

A profecia de Bocage sobre o Vitória de Setúbal


"Se fosse místico, haveria de jurar que Bocage previu a queda do Vitória de Setúbal no soneto 'Meu ser evaporei em lida insana'

Lembrei-me logo do Fernando Tomé quando li a notícia de que o Vitória Futebol Clube, de Setúbal, não vai participar na Liga 3, escalão ao qual foi promovido desportivamente, por impossibilidade de cumprir os requisitos, financeiros e outros, inerentes à competição. Há quatro anos, o Fernando Tomé ligou-me em choro convulsivo pela despromoção do Vitória da primeira divisão para o Campeonato de Portugal por falhar no cumprimento dos requisitos na inscrição da equipa na Liga.
O Fernando Tomé é o fiel depositário da história e da alma vitoriana, com a sapiência de um arquivista, colecionador de histórias e memórias. Ele que fez parte da melhor geração de futebolistas do Vitória (pelo meio, seis épocas a jogar no Sporting), com Jacinto João (JJ) à cabeça, não elencando mais ninguém para não cometer o pecado de ficar alguém de fora. Um clube com 77 presenças na primeira divisão, três taças de Portugal ganhas, uma Taça da Liga ou até uma Mini Copa do Mundo de 1970, na Venezuela, frente a Santos, Chelsea e Werder Bremen.
O Fernando Tomé é das melhores pessoas que conheci na vida. E ajudou-me muito profissionalmente, foram muitas dezenas de grandes histórias que contei no jornal A BOLA graças à memória prodigiosa ou arquivo imenso que foi juntando. E ainda hoje, o Tomé é um embaixador do Vitória, um poço de histórias que partilha nas redes sociais.

Choco frito na ementa do meu desassossego
Foi a partir de 1995 que comecei a ir a Setúbal como jornalista de A BOLA. Foram anos a chegar ao Bonfim e ser carinhosamente recebido pela dona Ester, onde bebia um café e comia um bolo enquanto ouvia as histórias do marido, o senhor Machado, que se empolgava quando contava como ele e muitos outros carregavam baldes de cimento ou tijolos para a construção do Estádio do Bonfim. Ir a Setúbal era também juntar o útil ao agradável, fazer o meu trabalho para A BOLA e render-me aos recantos da cidade e, acima de tudo, ao choco frito, ao carapau manteiga ou o buffet de peixe grelhado. E aprendi, aos poucos, a gostar muito do Vitória, clube de pescadores, de trabalhadores braçais, de gente para quem o Vitória sempre foi o orgulho maior da cidade. Como dizem os vitorianos, com sotaque carregado, «o Vitórria não é grrande, é enorrrme».
Não cabe neste texto elencar as razões para a queda do Vitória. Resultado de tiros nos pés de diversos presidentes, de um estado de quase guerra civil que boicotou direções, como a de Fernando Oliveira, o último presidente a garantir estabilidade e permanências consecutivas na Liga. Hoje fico pela revolta que sinto por ver assim este agora também meu Vitória.

A profecia de Bocage sobre o Vitória
Setúbal é também conhecido por um dos maiores vultos da literatura lusófona: o poeta Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805). Inconformado, apetece-me declamar o Soneto do Membro Monstruoso. Mas contenho-me. Aliás, se fosse místico, poderia até jurar que o soneto
Meu Ser Evaporei na Lida Insanada era uma provisão da queda do Vitória:

Meu ser evaporei na luda insana
Do tropel de paixões, que me arrastava.
Ah! Cego eu cria, ah! mísero eu sonhava
Em mim quase imortal a essência humana.

De que inúmeros sóis a mente ufana
Existência falaz me não dourava!
Mas eis sucumbe a Natureza escrava
Ao mal, que a vida em sua origem dana.

Prazeres, sócios meus e meus tiranos!
Esta alma, que sedenta em si não coube,
No abismo vos sumiu dos desenganos. Deus, oh Deus!…

Quando a morte a luz me roube,
Ganhe num momento o que perderam anos,
Saiba morrer o que viver não soube.

Tenho saudades do Vitória, que marcou a minha carreira e a minha vida. Não nasci vitoriano, aprendei a amar o Vitória. E sonho com o dia em que todos os vitorianos, e todas as forças vivas da região de Setúbal recriem o grito dado em 1910 por Joaquim Venâncio, Henrique Santos e Manuel Gregório: «A vitória será nossa»."

The Give N Go: Euro2024

Simples: Euro2024

Rabona: Euro2024 (II)

Library: Euro Portugal...

COP: Paris em duplicado - Messias Baptista e João Ribeiro

COP: Paris - Melanie Santos