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terça-feira, 14 de julho de 2015

Sport Cultura e Benfica

"Mais do que património desportivo
Mais do que património desportivo, a colecção de troféus, ofertas e documentação do Benfica assume-se como elemento fundamental da identidade do clube e da divulgação da sua história e cultura. Com os olhos postos no triplo objectivo da preservação, estudo e divulgação da colecção, a equipa do Património Cultural é hoje uma realidade no SLB, continuando o caminho percorrido pelos seus antecessores.

Dia 17 de Abril. A antecipar o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, o Património Cultural do Benfica abriu as suas portas e deu oportunidade ao público de conhecer os seus bastidores. O Museu Benfica - Cosme Damião é já bem conhecido, aberto todos os dias desde 29 de Julho de 2013. Mas, para lá do museu, um mundo chamamos, hoje, Património Cultural do Sport Lisboa e Benfica.

O renascer de um conceito
Muitos interrogar-se-ão se fará sentido que o Benfica, um clube desportivo, tenha uma área de património cultural. Sem dúvida que sim, e este não é um conceito novo. Os estatutos do clube consagram, desde 1948, que é também função do Benfica, a par do primordial papel desportiva, o fomento da cultura entre os seus associados.
Este empreendimento foi abraçado definitivamente em 1955, com a criação da Secção Cultural. Joaquim Ferreira Bogalho, presidente da direcção do Benfica, o 'Homem do Estádio', foi também o 'Homem da Cultura': foi graças ao seu impulso e da direcção que liderava que a cultura tomou forma, de pleno direito, para todos os adeptos e associados. Nas suas sábias palavras de abertura do novo suplemento da secção, 'Desporto e Cultura', alerta que 'aqueles que vão trabalhar nas actividades culturais devem ter noção das dificuldades que por vezes nascem à sua volta; das incompreensões de muitos e até, da animosidade de alguns', mas frisa o apoio que a direcção dispensa a quem abraçou esta iniciativa.
Durante largos anos, a Secção Cultural, que mais tarde se chamaria Comissão de Estudos e Cultura, manteve uma actividade constante de exposições, palestras, conferências, visitas e outras manifestações no âmbito da literatura, da música, do cinema, do teatro e do coleccionismo. Foi por sua mão que o orfeão se estreou em 1957 e por sua iniciativa que se reactivou a biblioteca.
Com o passar do tempo, a sua acção dilui-se numa nova forma de gestão do clube, mas o século XXI, e novamente a vontade e apoio da direcção, permitiu o renascimento de um conceito de promoção e fomento da cultura nas suas variadas funções.

Impulso para o património cultural
Em 2009, quando Luís Filipe Vieira se recandidata à presidência do Benfica, assume um sonho há muitos anos adiado: construir o museu do Sport Lisboa e Benfica. O clube tinha já uma longa tradição de salas de troféus e exposições temporárias, mas faltava a esta instituição centenária um espaço que comunicasse a sua história.
Ao iniciar este projecto ambicioso, tomou-se consciência de que o clube precisava de investir, em primeiro lugar, na preservação do seu património material e imaterial e que estas seriam as bases em que assentaria um projecto de qualidade. Assim, os primeiros passos levaram à criação do departamento de Reserva, Conservação e Restauro (RCR) e do Centro de Documentação e Informação (CDI). Os seus objectivos passam pelo apoio ao Museu Benfica - Cosme Damião, mas não se esgotam nele. Em conjunto, estas áreas são o Património Cultural do Benfica, que salvaguarda e comunica a sua história e a sua identidade e promove actividades de âmbito cultural.

Reserva, Conservação e Restauro: um Mundo de troféus
Ao entrar no amplo espaço ocupado pelo RCR, os visitantes encontram quatro salas de reserva, onde os troféus e ofertas do clube - uma colecção de 30 mil objectos - estão organizados e acondicionados. Uma monitorização regular assegura as condições de preservação. Na sala de restauro desenrolam-se acções de restauro em materiais orgânicos e tarefas de gestão da colecção. No laboratório intervencionam-se objectos metálicos. E há um mundo de troféus para preservar.

Centro de Documentação e Informação: do físico ao digital
No espaço do CDI predominam os computadores. Dois grandes scanners planetários captam a atenção dos visitantes. Na sala de arquivo, ao lado, os documentos encontram o conforto necessário. Aqui trata-se não só de preservar os documentos mas também de os tornar acessíveis, passo que é dado ao transformar o físico em digital.
Uma equipa de documentalistas é responsável pela organização, digitalização e tratamento da documentação. A par deste trabalho, uma equipa de investigadores históricos utiliza os recursos do CDI para investigar e produzir conteúdos para diversos propósitos. É também aqui que se gere os conteúdos que enriquecem a exposição permanente do museu.

Museu Benfica - Cosme Damião: a face visível
Este é, sem dúvida, o espaço privilegiado de encontro entre a historia e a cultura benfiquista e o público. De portas abertas todos os dias, o museu dá a conhecer aos visitantes as principais conquistas do clube nas muitas modalidades que já se praticaram e as figuras que engrandeceram o Benfica.
Mas a visita ao museu vai além das fronteiras desportivas e transforma-se numa viagem no tempo: aí podemos também conhecer a história de Lisboa, de Portugal e do mundo e encontrarmos-nos, inesperadamente, com personalidades como o rei D. Carlos, Albert Einstein, Fernando Pessoa ou Júlio Pomar. Mas nem só de visitas vive o museu... Ali também se desenvolve um conjunto de actividades que tem como base a exploração de várias vertentes históricas e artísticas. As crianças podem participar em ateliês temáticos, enquanto os adultos encontraram novas formas de entretimento em concertos e outras manifestações culturais. Na construção de um diálogo entre o mundo das artes, do desporto e da educação, contamos com a participação de personalidades do meio cultural português. Da diversidade, um objectivo único: valorizar a dimensão histórica do património do Benfica.
(...)"

Rita Costa, in Mística

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