"Se Mourinho sair, que seja porque não houve alternativa possível. Nunca porque faltou visão, coragem negocial ou compreensão do valor que estava em jogo
Nos últimos dias ganhou força a ideia de que José Mourinho poderá fechar o seu ciclo no Benfica no final da época. Independentemente da sua veracidade, esta perceção deve ser tratada com seriedade estratégica, sobretudo num Benfica que aprendeu, ao longo das últimas décadas, que decisões emocionais têm custos reais.
A presença de Mourinho no Benfica ultrapassa claramente o relvado. O treinador transformou-se num ativo de marca, com impacto direto na capacidade do clube gerar valor. A exposição mediática internacional, o reforço do posicionamento global e o efeito de arrastamento sobre patrocínios, receitas comerciais e notoriedade são evidentes, ainda que nem sempre quantificados publicamente. Num mercado futebolístico cada vez mais financeiro, estes fatores não são acessórios. São estruturais.
Quando se discute a eventual saída de uma figura desta dimensão, é tentador reduzir o debate ao sucesso desportivo imediato. Esse seria um erro clássico. Mourinho é também um catalisador de confiança junto de investidores, parceiros e até talentos que veem no Benfica um palco ambicioso. A sua simples associação ao projeto gera expectativas que se traduzem em valor económico, mesmo antes de qualquer resultado final.
Por isso, aceitar com naturalidade um eventual afastamento no final de 25/26 seria um sinal de “curto‑prazo estratégico”. Um clube com a ambição do Benfica deve ir até ao limite para preservar um ativo que reúne não apenas qualidades técnicas ímpares, mas também a capacidade de gerar receitas, reforçar a reputação e criar vantagem competitiva. Não está em causa ceder a uma personalidade, mas sim reconhecer, de forma racional, o retorno financeiro e desportivo de um investimento que acrescenta valor ao projeto como um todo.
Num contexto europeu em que a distância entre clubes se mede cada vez mais em músculo financeiro e capacidade de atração, abdicar voluntariamente desse diferencial seria um luxo irracional. Se Mourinho sair, que seja porque não houve alternativa possível. Nunca porque faltou visão, coragem negocial ou compreensão do valor que estava em jogo."

"Se Mourinho sair, que seja porque não houve alternativa possível. Nunca porque faltou visão, coragem negocial ou compreensão do valor que estava em jogo."
ResponderEliminarCorreto, preciso e conciso!