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segunda-feira, 11 de maio de 2026

A importância de ser o primeiro dos últimos


"Benfica e Sporting lutam pela segunda posição. Há umas décadas, ficar em segundo ou terceiro seria irrelevante. Nos dias de hoje, o segundo lugar, apesar de não trazer verdadeiro mérito desportivo, traz consigo a possibilidade de entrar na Liga dos Campeões. E com ela chegam os milhões que permitem equilibrar contas, segurar jogadores, investir no mercado e preparar a época seguinte com outra margem de erro. No futebol moderno, muitas vezes, a diferença entre o sucesso desportivo e a crise financeira resume-se a uma posição na tabela.

Benfica: revolução permanente
Ficar em segundo lugar não fará com que a época do Benfica passe a ser positiva. Depois de um investimento de 140 milhões de euros, esperava-se que o clube lutasse por todos os títulos até ao fim. Não aconteceu em nenhuma competição. O planeamento dos grandes clubes deve ser feito para garantir presença sistemática nos momentos de decisão. Quando isso acontece, a probabilidade de sucesso aumenta e a diferença entre ganhar ou perder acaba muitas vezes reduzida ao detalhe.
A duas jornadas do fim, o Benfica continua a depender apenas de si para garantir o segundo lugar e, com ele, uma maior capacidade para preparar a próxima época. O objetivo passa por não repetir os mesmos erros. Até porque, ao contrário do que Rui Costa afirmou no ato eleitoral, quando disse «temos um plantel de presente e futuro que apenas precisará de pequenos ajustes», tudo indica que o Benfica se prepara para mais uma revolução.
E essa realidade pode ser analisada de quatro formas. A primeira tem a ver com o critério. Não é normal que jogadores como Bruma, Manu, Ivanovic, Barrenechea, Sudakov ou Sidny possam estar perto da saída poucos meses depois da chegada. Estes jogadores representaram um investimento avultado e muitos ainda nem completaram uma época no clube. Isso levanta duas questões inevitáveis: qual foi o critério na contratação? E qual o critério para uma eventual saída tão precoce?
O segundo ponto prende-se com a componente financeira. O Benfica vive, de forma sistemática, acima das suas possibilidades. Os custos fixos cresceram para níveis muito superiores aos rendimentos fixos, o que obriga o clube a depender de receitas variáveis, como a Champions ou a venda de jogadores.
Para gerar liquidez, pagar salários, cumprir compromissos financeiros e continuar a investir, o Benfica precisa de vender. E aqui existe um detalhe importante: a venda de um jogador pode ser antecipada na totalidade, mas a compra fica diluída durante vários anos. Ou seja, o clube antecipa receitas imediatas enquanto acumula custos futuros.
O terceiro ponto está relacionado com o equilíbrio contabilístico. Para tentar ter as contas equilibradas, o Benfica necessita de encaixar perto de 100 milhões de euros em vendas, livres de comissões e amortizações. O problema é que a política desportiva dos últimos anos, assente em investimentos elevados, reduziu drasticamente as potenciais mais-valias futuras. A isso junta-se outro fator: o futebol praticado ao longo da época não valorizou muitos jogadores.
E é precisamente aqui que entra o último ponto. Nas últimas épocas, o Benfica habituou-se a viver em revolução permanente. Todos os anos chegam vários jogadores, alimentando uma nova expectativa junto dos adeptos: «Agora é que vai ser.» No futebol, tal como nas empresas, a estabilidade continua a ser uma das maiores vantagens competitivas. E talvez também a mais subvalorizada.

Sporting: estabilidade em risco
O Sporting já não depende apenas de si para garantir presença na Liga dos Campeões. E essa possibilidade pode ter consequências mais profundas do que parece. Financeiramente, a época foi positiva. A campanha europeia valorizou jogadores, reforçou a marca Sporting e trouxe prémios importantes, mas a ausência na próxima edição da Champions pode obrigar o clube a vender mais do que inicialmente previa.
As saídas de Hjulmand e Morita parecem cada vez mais prováveis. E outros jogadores podem seguir o mesmo caminho caso o segundo lugar não seja alcançado. O problema é que uma das maiores forças do Sporting dos últimos anos tem sido precisamente a estabilidade. Os leões conseguiram manter uma base competitiva durante várias épocas e mexer pouco no onze principal. Essa continuidade permitiu criar rotinas, identidade e rendimento.
No futebol atual, onde quase todos vivem pressionados pela necessidade de vender, essa estabilidade tornou-se uma vantagem rara. Se se confirmarem as saídas do meio-campo e de mais um ou dois jogadores importantes — como Maxi ou Catamo — a margem de erro diminui drasticamente.
É verdade que o Sporting conseguiu preparar bem a sucessão de Gyokeres com a chegada de Luis Suárez, mas noutros casos a renovação do plantel ainda não está consolidada. Kochorashvili não se afirmou, Faye revelou-se um erro de casting e Vagiannidis continua sem se impor. Sem Liga dos Campeões, com menor capacidade financeira e obrigado a mexer mais do que gostaria, o Sporting entra num território mais instável. E quando uma equipa perde estabilidade, perde quase sempre competitividade.

A valorizar: Luis Enrique
É um treinador especial. Conseguiu transformar o PSG numa grande equipa. O coletivo funciona e as individualidades sobressaem. Mérito também para Luís Campos que trabalha diretamente com o técnico espanhol.

A desvalorizar: Liga de clubes
Numa Liga que se quer profissional, os calendários têm de ser feitos de forma célere, transparente e atempada. Não é compreensível que, por exemplo, os horários da 33.ª ronda tenham sido anunciados apenas cinco dias antes dos jogos. Também não se percebe como é que a Liga, presidida por Reinaldo Teixeira, anuncia que a venda de álcool nos estádios vai ser testada e, posteriormente, o secretário de Estado Adjunto e da Administração Interna vem dizer o contrário."

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