"A possibilidade de o 'special one' regressar à casa 'blanca' pode dividir opiniões, mas poucos contestarão que o treinador português sabe controlar como poucos um plantel.
Uma equipa de futebol a lembrar um reality show, eis o Real Madrid de fim de estação em 2025/26. A troca de galhardetes entre Aurélien Tchouaméni e Federico Valverde, no ringue de Valdebebas, combate à porta fechada que as gargantas fundas dos merengues logo tornaram públicas, é novo episódio da temporada horribilis do colosso espanhol.
Na semana em que Arsenal e PSG garantiram presença na final da Liga dos Campeões, o clube recordista de orelhudas (15) é notícia por relatos de agressões entre jogadores e processos disciplinares rapidamente decididos com multas de 500 mil euros para o francês e o uruguaio. O ambiente no balneário dos blancos é tóxico e o futuro sombrio se Florentino Pérez não der um murro na mesa, talvez naquela em que Valverde garante ter batido «acidentalmente» antes de se deslocar ao hospital para «visita de rotina».
As vitórias mascaram quase tudo, os egos convivem na paz dos anjos, as tensões são relativizadas e até os conflitos internos acabam romantizados como sinal de empenho em que todos remam para o mesmo lado. Na ausência de resultados... esqueçam as linhas anteriores.
O Real vai terminar a época sem troféus — perdeu a Supertaça para o Barcelona, que hoje também poderá fazer a festa do título na receção ao rival, disse adeus à Champions ante o Bayern e à Taça do Rei frente ao Albacete — e pior que o rendimento em campo é o terreno minado fora dele.
O desgaste psicológico é tão importante quanto o físico e o atual momento dos madridistas exige mais um especialista em minas e armadilhas do que um conjunto de galácticos a espalhar magia nos relvados. E talvez seja precisamente por isso que o nome de José Mourinho surge associado ao Real Madrid.
A possibilidade de o special one regressar à casa blanca pode dividir opiniões, mas poucos contestarão que o treinador português sabe controlar como poucos um plantel, nem que seja por ter estatuto para limpar o cesto de maçãs podres custe o que custar em milhões de euros.
Reforços e dispensas? Mexidas numa estrutura criticada pelo vazio de poder entre Florentino Pérez, presidente pouco dado a descidas aos túneis e balneários, e o homem do leme no banco? Ajustes táticos e na forma de jogar de uma formação em que alguns só sabem correr para a frente? Não faltará o que mudar, seguramente, tal a pobreza deste Real sob as ordens de Álvaro Arbeloa após a saída prematura de Xabi Alonso.
Antes, porém, importa recuperar o princípio óbvio de que ninguém está acima do Real, sejam Tchouaméni, Valverde, Vinícius ou Mbappé. Caso contrário, é transformar o Santiago Bernabéu num octógono de UFC."

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