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quarta-feira, 5 de julho de 2023

Educação em falta no Desporto!


"Árbitra obriga adeptos a sair de estádio para retomar o jogo" foi o título da notícia que sobressaiu na 1.ª página do semanário "O Gaiense", no sábado passado, e que fez eco noutros órgãos de comunicação pela invulgaridade transcorrida num jogo de futebol feminino sub-15.
Talvez sem grande suporte legal, a decisão tomada por essa jovem árbitra fará refletir os responsáveis desportivos sobre os discursos de intolerância e ódio dirigidos aos intervenientes dos desafios, alvos fáceis de uma prática continuada que colhe uma impunidade quase total, porque tacitamente aceite pela sociedade, face a comportamentos merecedores de sanções tão severas quão exemplares.
Que razões plausíveis podem levar um espetador a insultar um jogador ou um árbitro? Como é possível inocentar um comportamento violento ou racista num espetáculo de futebol ou de outra modalidade? Ou a prática reiterada nos recintos desportivos de atitudes que nos envergonham? É lícito um pai ou encarregado de educação maltratar o seu filho, os filhos de outros ou o treinador no decorrer dos jogos?
Não, não vale tudo!
A escola, a este nível, faz um trabalho louvável, quantas vezes conspurcado pelos atos de adultos ávidos por destruir competências sociais e emocionais - os valores, a empatia, a aceitação do outro e da diferença - trabalhados nas diversas disciplinas por professores muito experientes e fortemente habilitados, mas que lutam diariamente contra "Golias".
Os comportamentos reprováveis por parte de alguns pais e encarregados de educação - na verdade uma minoria, desestabilizam a Escola, enfraquecendo as comunidades educativas, sendo frequentemente reproduzidos pelos seus educandos, assumindo uma banalidade imposta pelo hábito e recorrências destas condutas.
A indisciplina dos discentes, na maioria das vezes, é resultado de uma aprendizagem por modelagem dos comportamentos e atitudes inadequadas e criminosas dos seus progenitores, que os desviam para o lado errado da vida.
No assumir a necessidade de se contrariar a tendência, defendo que o Estatuto do Aluno e Ética Escolar (Lei n.º 51/2012, de 5 de setembro), que estabelece os direitos e os deveres do aluno dos ensinos básico e secundário e o compromisso dos pais ou encarregados de educação e dos restantes membros da comunidade educativa na sua educação e formação, deverá ser urgentemente revisto e alterado, pois demonstra-se normativamente desadequado, encontrando-se em vigor há mais de 10 anos.
Longe da realidade societal para a qual foi criado, a revisão deste diploma legal, se enquadrado corretamente, quer pela atualização de algumas das suas normas, quer pelo aumento da celeridade processual - para além de outros fatores, poderá contribuir para a diminuição da indisciplina em contexto escolar, com reflexos eventuais nos diferentes espaços da comunidade, entre os quais, os recintos desportivos, onde se deseja efetivamente formar crianças e jovens. A Educação e o Desporto devem andar de mãos dadas, manifestando união e consensos no combate de um problema a que se deve pôr cobro, sob pena de contribuirmos para o aumento da indisciplina em contextos onde as crianças merecem ser felizes e empáticas.
Portugal merece e pode fazer melhor!"

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