"À margem do título e do 2.º lugar, o Sporting-Benfica pode reforçar ainda os contornos de duas formas de olhar para o fracasso. E apontar para uma distância que pode continuar a crescer
Qualquer um pode virar uma ideia do avesso quando sabe argumentar e é inteligente. Basta procurar pontos positivos ou e fazer deles a sua perspetiva, que vira então opinião. E como é opinião, todos têm direito à que emitem. Apenas podemos concordar ou não.
Foi o que fez Mourinho, quando comparou o registo do Benfica com o da época transata, dizendo, mais coisa menos coisa, que os encarnados até estiveram na linha habitual, os outros é que andaram acima. Só que o termo de comparação deve ser o presente e não o passado e, tendo as águias precisamente os mesmos adversários que os rivais, obteve rendimento bem aquém. No entanto, se quisermos alinhar pelo mesmo argumento, podemos sempre dizer que o que hoje o treinador considera meia-vitória era para o próprio, nos velhos tempos, pesada derrota, de tão grande se tornou. E se Mourinho baixou o seu grau de exigência, não o estaríamos a respeitar se fizéssemos o mesmo.
O dérbi vem numa altura em que para a Liga tudo estará alinhavado. O FC Porto só por manifesta incompetência falhará o título. E até essa seria desculpável, porque foi no Dragão que mais se mudou. Ainda que a revolução tenha ficado a meio no estilo de liderança do clube, bem distante da classe que a equipa demonstrou, sobretudo no início, no relvado. Villas-Boas modernizou a equipa, porém não percebeu que também ele tem de, pelo menos, parecer moderno.
Sporting e Benfica falharam, muito mais os encarnados, o que não se estranha face à habitual navegação à vista. Rui Borges ainda assim terá mostrado que tem margem de crescimento e, por isso, talvez mereça outra oportunidade, ainda que a possível perda de referências possa fazer disparar a exigência. É preciso não esquecer que partia em posição privilegiada para o tricampeonato.
Olhando para o processo, aí o Sporting continua a parecer mais saudável que o vizinho, que vive o tabu. Apesar do contrato. É que atrás deste estão milhões. Se Mourinho sair agora o Benfica pagará bem menos do que com a época em curso. Só que, paralelamente, se contratar um nome com o seu peso é trunfo em eleições, despedi-lo é o reverso da medalha.
Se acontecer, os holofotes irão virar na direção do gabinete da presidência. Sem solução à vista, porque trabalhar com esta liderança já é só para quem não tem nada a perder, sobressai o denominador comum a Schmidt, Lage e Mourinho: Rui Costa. O presidente inimputável."

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