Últimas indefectivações

sexta-feira, 18 de março de 2011

A outra face de Quim

"Sempre foi um jogador discreto no Benfica. Tão discreto que não me lembro de uma entrevista sua nos seis anos que ali jogou. Passou momentos menos bons, com estoicismo e paciência, sem que, cá fora, se lhe tivesse ouvido um reparo ou desabafo. Lembro-me, em particular, quando Koeman o preteriu em favor do calmeirão desajeitado Moretto.
Quim tem sido, na sua carreira, um profissional, abnegado e zeloso. Jamais foi um guarda-redes completo, mas, na sua passagem por um clube com a exigência e o escrutínio do Benfica, cumpriu.
Poderia ter sido melhor tratado na sua saída do clube, onde foi campeão titular duas vezes. É natural e legítimo sentir mágoa por esse facto.
Verdade seja dita que Quim nunca conseguiu captar a empatia total dos adeptos. Justa ou injustamente, a ideia que deixou foi de que nunca vestiu verdadeiramente a camisola do clube. Bom profissional, mas sem a chama imensa...
Eis senão quando o mesmo Quim - silencioso e quase misterioso no Benfica - ressuscita em Braga para dizer, com ar desajeitado, que o seu ex-colega Javi Garcia agrediu Alan e foi bem expulso. Assim, consumou, tristemente, a sua vingançazinha pelo modo como saiu do Benfica. O mesmo Quim que não balbuciou uma palavra quando Belluschi do FCP se empertigou e cresceu para o árbitro insolentemente, num misto de peitaça e cabeçada, sem que nada acontecesse... Devia ter achado que foi só o calor do jogo!
Com este gesto, Quim, aos 35 anos de idade, não desrespeitou apenas o clube que lhe pagou e o promoveu. Desrespeitou-se a si próprio. Não resistiu à pequena vendetta própria dos fracos, nem ao incitamento mediático de quem o mandou falar. E auto-excluiu-se da memória do Benfica."
Bagão Félix, in A Bola

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