"Depois de desperdiçar dois golos de vantagem e ver Otamendi ser expulso, o Benfica fez tudo para defender o empate (2-2) que lhe permite manter o 2º lugar. Andreas Schjelderup e Mathias de Amorim deram ao jogo a estética que por vezes ficou esquecida
Esta é a fase da época em que todos os erros se unem para formar uma consequência de dimensão proporcional aos defeitos exibidos ao longo do caminho. Em termos práticos – não matemáticos –, a três jornadas do final do campeonato, nada mais restava ao Benfica do que escoltar o 2º lugar até ao final e, embora na iminência de perder o título para o FC Porto, o ciclo estimulado pela vitória no dérbi contra o Sporting até parecia positivo.
O epicentro de doçura é Andreas Schjelderup, o delicado extremo que sempre dá vontade de lhe pedirmos para sair do meio dos matulões antes que se aleije ao mesmo tempo que só o queremos ver brincar. O norueguês parecia ter encaminhado o Benfica para uma vitória tranquila, mas o inesperado aconteceu.
Apesar do empate (2-2) registado aos 90 minutos, José Mourinho foi exuberante nos protestos quando soube que o árbitro pretendia dar 15’ de descontos. Em Famalicão, os constantes duelos puseram peças a saltar por todos os lados sempre que um embate agressivo se proporcionava. Otamendi foi expulso pelo mau cálculo que fez de uma dessas situações e as coisas descambaram tanto que o Special One só queria ir para casa.
No onze inicial, Franjo Ivanović arredou Vangelis Pavlidis para o banco de suplentes e encarregou-se de ser um dente canino a perfurar os ousados defesas que tentavam construir nas suas barbas. Para ajudar a estabelecer um equilíbrio de sabores, esse índio comportamento foi equilibrado com o tato de Andreas Schjelderup. O futebol tutti-frutti serviu perfeitamente os interesses do Benfica na visita ao Minho.
Léo Realpe foi surpreendido pelo esganado Ivanović e cometeu grande penalidade devido à surpresa com que o avançado surgiu. Schjelderup lá marcou, assinalando a entrada impositiva do Benfica. O ímpeto foi tanto que António Silva, um dos centrais encarnados, estava a exercer a sua condição de último homem em cima do último terço. O povoamento daquela região facilitou a ligação de Schjelderup com Ríos, autor do 2-0.
Ver o talentoso meio-campo do Famalicão, mais preocupado em igualar a agressividade do que em recriar-se, demonstra o quanto o jogo saiu do controlo da equipa de Hugo Oliveira. Mathias de Amorim bem deu as pernas à luta e quase que Nicolás Otamendi lhe lascou um pedaço no lance que valeu a expulsão ao argentino.
Do Famalicão, em busca de preservar o 5º lugar e não hipotecar a possibilidade de chegar ao 4º, era esperada uma reação, que surgiu de imediato. Sorriso, outra potencial fonte de perigo até então bloqueada, arrancou um cruzamento para o desafortunado desvio de Gustavo Sá.
O Benfica sentiu o abalo da inferioridade numérica. O omnipresente Mathias de Amorim, depois de já ter posto tudo à disposição do jogo, deu a cara pela reviravolta. Primeiro, o internacional sub-21 marcou ao rematar na sequência de uma graciosa receção orientada. Depois, do mesmo corredor esquerdo, aquele que Mourinho quis tapar com Bah e Dedić, assistiu Umar Abubakar.
Naquele molho de minutos de compensação, Rodrigo Pinheiro esteve perto de dar o título ao FC Porto. O lateral rematou à barra e a reviravolta esteve a centímetros de acontecer. Perante o assombroso final de jogo, um Benfica ultra pragmático multiplicou-se em manobras de anti-jogo e deu-se por satisfeito. Nem uma vitória do Sporting pode arredar as águias do 2º lugar."

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