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segunda-feira, 14 de outubro de 2019

De Kiev a Teerão

"Acredito que amanhã Cristiano Ronaldo marcará frente à forte equipa da Ucrânia e será determinante para uma vitória da nossa Selecção

1. Amanhã em Kiev acredito que Cristiano Ronaldo vai chegar ao solo setecentos da sua carreira de extraordinário jogador de futebol. Um dos maiores jogadores da história do futebol mundial e um monstro de centenas de relvados. No passado sábado os meus três netos acompanharam-me, e com o seu dedicado e querido Pai deliciaram-se com a vitória de Portugal e ficaram maravilhados com o chapéu de Cristiano Ronaldo que concretizou o segundo golo da selecção liderada, e bem, por Fernando Santos. A festa de muitas famílias - e de muita juventude universitária trajada a rigor - percorreu, numa alegria contagiante, as bancadas de um Estádio, o de Alvalade, que voltou a acolher a selecção de todos nós. Este espírito de selecção é uma conquista da Federação e da sua empenhada estrutura directiva. O seu marketing é dos melhores de Portugal. A sua comunicação motivante é uma referência em Portugal. E a sua estrutura, com profissionais de excelência, merece um prolongado aplauso. Acredito que amanhã, em Kiev, Cristiano Ronaldo marcará frente à forte equipa da Ucrânia e será determinante, uma vez mais, para uma vitória da nossa selecção. Três pontos que permitirão, estou convicto, que Portugal termine esta fase de grupos no primeiro lugar. O lugar devido à selecção campeã da Europa em título e vencedora da primeira edição da Liga das Nações. O que sabemos é que esta dupla jornada da fase de grupos já permitiu e permitirá conhecer muitas selecções - diria que muitas das habituais presenças - que marcarão presença nesse Europeu de  múltiplas sedes que será o Europeu de 2020. Pela minha parte direi que estive com a Família em Alvalade. E como os meus netos a abraçaram-me, em festa contagiante, três vezes. E, amanhã, com amigos do coração, do coração que já vibrou em Vilnius, estarei em Kiev. Com o sonho de ver Portugal vencer e a fé de assistir, ao vivo e a cores, ao golo 700 do capitão, que nos orgulha, da selecção de Portugal: Cristiano Ronaldo!

2. O futebol por vezes é revolucionário. Quarenta anos depois da Revolução Islâmica de 1979 quatro mil mulheres iranianas puderam assistir ao jogo, e à goleada,entre o Irão e o Camboja, encontro da fase de grupos asiática de acesso ao Mundial do Catar. Sabemos que foram quatro mil no meio de 74 mil. Como lemos que nos últimos anos muitas mulheres se disfarçaram de homens para terem acesso a diferentes estádios do Irão, realidade que o cineasta Jafar Panahi retrata num interessante filme com o sugestivo título Fora de Jogo. Na semana em que ficámos a saber os diferentes prémios Nobel - da Paz à Literatura, entre outros -, importa referenciar esta exigência - que, de verdade, foi, no caso de não se efectivar, uma ameaça de suspensão de participação em eventos internacionais - da FIFA. E a luta pelo acesso das mulheres iranianas aos estádios - e, aqui, por excelência ao emblemático Estádio Azadi - é, também, uma forma de luta das iranianas pela igualdade. Também aqui vale a teoria dos pequenos passos. Por ora quatro mil lugares esgotados em apenas uma hora. Por enquanto apenas em jogos internacionais para impedir sanções da FIFA, que teve a coragem, diria ousadia, de interferir na vida interna de um Estado. Já que para algumas poderosas vozes da Revolução Islâmica esta autorização leva ao pecado. Por isso na passada quinta feira Teerão viveu um dia revolucionário. Em razão do futebol e da tenacidade da sua organização cimeira, a FIFA!

3. Depois desta dupla jornada de selecções teremos finalmente, o regresso às competições internas. Com a consciência que só  domingo eleitoral perturbou o regular funcionamento do prévio calendário do futebol profissional. No mais está-se a cumprir tudo aquilo que todas as instâncias do futebol - todas! - acordaram. E acho estranho que alguns não se recordem determinados a criar todas as condições para a suspensão, temporária ou definitiva, da Taça da Liga. E, e para além do foguetório a que assistimos, vamos viver a primeira eliminatória da Taça de Portugal em que participam, em principio com o estatuto regulamentar de visitantes, os grandes nomes do futebol português. E, assim, a partir da próxima quinta-feira teremos dois jogos de Taça em canal aberto, o que evidência o desígnio federativo de potenciar o futebol para todos. E, assim, a prova rainha pode determinar, por razões televisivas - e, logo, por determinantes motivos financeiros que, no limite, pagam o orçamento de uma época (ou até mais) - que o estatuto de visitantes se transforme, num instante e por encanto, na situação de visitado. De jogar fora pelo sorteio passa-se a jogar em casa em razão da televisão. São boas notícias para todos. E, acredite-se se, que o espírito do regulamento não se viola. Adapta-se às circunstâncias. Dos tempos e dos estádios necessários. Para a transmissão que fera, aqui, milhares de euros! E certas audiências!

4. Permitam que referencie uma extraordinária entrevista do director geral do Liverpool, o campeão da Europa em título e o líder da Liga Inglesa: Peter Moore. Afirmou ele, em Madrid, que o êxito do Liverpool se baseia no «socialismo»! Sim escrevi bem! Não do socialismo político puro mas sim do socialismo no sentido da solidariedade. Tendo presente que Liverpool tem uma identidade própria, com uma forte tradição operária e com um porto que é uma das referências da abertura ao mundo! E o futebol da equipa de referência de uma cidade que a música, e um grupo extraordinário, levou a todo o mundo também se expressa, com a liderança de um socialista alemão - Jurgen Klopp - na ideia de trabalhar em conjunto, de passar a bola e movimentar-se, de assumir, tal como uma canção da década de sessenta do século passado, a poesia em movimento! A reflexão deste homem do marketing global - que regressou a Inglaterra após quarenta anos de êxitos nos EUA (da Sega à Microsoft, até à Electronic Arts) - merece ser lida por todos aqueles que querem construir, de verdade, projectos vencedores e que sabem que a indústria do futebol exige ousadia e criatividade e que não pode ignorar as exigências dos novos tempos e, logo, das novas gerações que têm de ser conquistadas para o futebol! Na certeza também que, sem esquecermos por vezes a palavra paciência, se «compares bons jogadores melhoras a equipa, se melhoras a equipa conquistas títulos e se conquistas títulos crescem as receitas»! Vale a pena ler Peter Moore neste tempo de pausa do futebol doméstico! Sem esquecermos essa viagem, de tons diferentes, entre Kiev e Teerão!"

Fernando Seara, in A Bola

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