Últimas indefectivações

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Antevisão...

Vitória na Taça Hugo dos Santos...

Benfica 110 - 75 Ovarense
31-21, 22-13, 23-29, 34-12

Com quase 50% nos Triplos somos imbatíveis...
Sem o Makram, sem problemas! O Gameiro continua a marcar muitos pontos!!!

Cuidado com o Braga, que também tem 3 vitórias em 3 jogos, e pode retirar-nos do 1.º lugar no grupo, e obrigar o Benfica mais uma eliminatória, isto depois de nos terem eliminado da Taça de Portugal....

Terceiro Anel: React - Mourinho - Antevisão - AFS

BI: Antevisão - AFS

O Benfica Somos Nós - È para cima deles #9 - AFS

Da rua para o relvado | Sudakov

Vinícius Júnior tem mesmo um problema


"O racismo é um monstro e continua vivo entre nós. Mas não queimemos etapas, seja para erradicá-lo ou confirmar a sua existência. Depois, há mais coisas que não batem certo

Deixem-me já simplificar. Há poucas coisas mais deploráveis e reprováveis do que o racismo e o fenómeno que não é bem um fenómeno, tão recalcado que ficou na consciência coletiva europeia pós-colonial e não só, deve ser mitigado por nós, pelos nossos filhos e pelas gerações seguintes até que desapareça por completo. Ou se torne apenas memória longínqua. Castigando, aplicando a lei, mas, mais importante, reforçando a educação familiar e escolar, a nossa própria cultura, já que não é a pena que nos impede de quebrar as regras e sim a forma como nos sentimos com os nossos atos e com a nossa consciência. Porque, amigos, o monstro continua aqui, vivo, entre nós.
Se houve, de facto, racismo no Estádio da Luz, não posso dizer que me surpreenda. Vivemos num país em que mais de um terço dos votantes queria um presidente racista e xenófobo, em que o discurso anti-imigração e a responsabilização dos imigrantes pelos males da sociedade está e estará sempre presente. O racismo anda pela rua, convive connosco nos empregos, entra nos cafés e restaurantes, ultrapassa-nos na estrada. Grita ao nosso lado nos estádios. Algum adepto por esse país fora já atirou certamente palavras feias à diferença de quem lhe roubava o sabor do resultado ou da vitória do seu clube. Uns mais a sério, outros mais a brincar, sim — porém, não se deve brincar com coisas sérias.
Não me surpreende também que um argentino, mais massacrado do que nós, ao quadrado ou ao cubo, pelas injustiças sociais, pelas dificuldades do dia a dia e por um passado, ainda que não vivido, tremendo de tortura e ditadura, o faça. Não que isso o desculpe, se o fez.
Deve fazer-nos pensar. O racismo também se insinua nas Pampas. Das canchas aos potreros, a Argentina convive com camadas de memória e sombra: desaparecidos da ditadura, injustiças veladas em praças, cânticos contra jogadores estrangeiros ou negros feitos por uma população europeizada devido à imigração massiva e com uma herança africana reduzida e silenciada. Recordações que atravessam bancadas e ruas, antigos campos de trabalho forçado no centro das cidades, fazendo de cada confronto um território inflamável.
Ainda mais explosivos o são diante do arqui-inimigo. Cada gesto se amplifica. Cada provocação ganha eco. É do outro lado da rivalidade que encontra o mulato malandro, o artífice do drible e do engano — de que até Vinícius será herdeiro direto —, que se tornou estereótipo e catapultou os canarinhos para as páginas mais ricas da história do jogo. É neste contexto que entra Prestianni, com o seu próprio temperamento, face a face com Vinícius, um provocador por natureza, a mover-se com a ginga e a teatralidade habituais. Claro que a competição em personalidades fortes cria um terreno fértil para tensões que explodem em segundos.
Não sei o que disse Prestianni. Sei o que Vinícius disse que ouviu. Os dois, e também outros, tiveram mais momentos em que taparam a boca enquanto falavam. Porque se antes era ponto de honra que o que acontecia no campo ficava no campo, como me fartei de ouvir dizer desde os primeiros tempos de jornalista, hoje há dezenas de câmaras e de microfones que não deixam que tal aconteça. Não me chateia que tapem a boca e falem apenas uns para os outros. Faz parte do código. Protegerem-se significa que pode não ser bonito, mas não necessariamente que seja criminoso e racista.
No entanto, aprendi, ao longo da vida, que o direito do respeito da individualidade, neste caso a raça, não substitui outros, como a presunção à inocência. Nem as redes sociais podem tomar o lugar dos tribunais. Avaliou-se a camisola por cima da boca. Viu-se medo na cara do jovem avançado quando Vinícius começou a correr para o árbitro. Mbappé ouviu cinco vezes a palavra maldita e disse quatro «tu és um puto racista» a Prestianni. Os benfiquistas lembraram que Eusébio é a sua figura maior. A leitura labial trouxe insultos para a boca do brasileiro. Repetiram-se imagens de Otamendi a mostrar-lhe a tatuagem de campeão do mundo e dele a tapar a boca para dizer o que achou que tinha dizer. E Camavinga ficou de braços estendidos sem perceber porque estava o colega a correr para o árbitro, numa cena a lembrar muitas que vi em criança, no recreio, com o queixinhas das calças de bombazine junto à contínua a apontar e a acusar «aquele menino chamou-me nomes».
Haverá inquérito, talvez testemunhos, amigos que defenderão amigos, colegas, o próprio clube, no entanto, vi e ouvi inúmeras teorias ao longo das últimas horas e continuo na mesma: no meio de um estádio ruidoso, com mais de 65 mil almas, apenas Prestianni sabe o que disse e Vinícius Júnior o que ouviu.
As condenações ao fenómeno, também o sei, são espoletadas por muitas coisas e, entre estas, pelo politicamente correto. Condenemos o racismo, não podemos é já condenar a pessoa. Sem esquecer que vivemos num mundo estranho, num ecossistema de hipocrisia, em que se organizaram Campeonatos do Mundo e outras competições da FIFA onde são públicos os constantes ataques a direitos humanos— aliás, desde a Rússia que não se vê outra coisa — e até se cria um prémio da paz para entregar a um governante que há muito tem os estrangeiros como alvo, acredita em muros e até prende e julga presidentes, ainda que ditadores, para lhes ficar com o petróleo.
No meio disto tudo, concordo em parte com Mourinho. Quando se marca um golo assim é tocar no céu, é para sair em ombros, abrir os braços e ser banhado pelo bafo dos deuses. Não é para provocar, gritar «Toma, toma!» e ver amarelo. Não estou a crucificar a vítima. Primeiro, nem sei se a há. Depois, é o comportamento desta que me faz pôr tudo em causa. Deixem lá a minissaia e a causa-consequência. Não é nada disso. Se esquecerem por uns segundos tudo o que se passou depois daquele pontapé e de muitos outros belos momentos num passado recente, conseguirão ver que Vinícius tem um problema. E que o primeiro passo para o resolver é o próprio reconhecê-lo. Se Prestianni foi racista, lamento, mas terá muitos mais."

A 'newsletter' do FC Porto, a resposta do Sporting e a noite de horrores do Benfica


"E além de tudo isso, depois, lembrando rábula do Gato Fedorento, 'Um gajo de Alfama' a comentar...

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Passada uma semana sobre o clássico FC Porto-Sporting e os dragões conseguiram recuperá-lo com o mérito de fazer com que as críticas de que foram alvo voltassem a marcar a agenda. Foi assim no dia dum muito aguardado Benfica-Real Madrid que depois, pelas piores razões (e já lá vamos mais à frente), acabou por ofuscar o que até à hora Champions agitou as águas na terça-feira. O chamado efeito bumerangue que teve o texto publicado na newsletter Dragões Diário em que dispararam para todos os lados, contra Sporting, Frederico Varandas, Rui Borges, Federação e seus Conselhos e ainda o Benfica.
Conseguiram os dragões fazer com que a rábula dos apanha-bolas e das toalhas roubadas a Rui Silva (para não falar do ar condicionado e das provocações permitidas/promovidas a jogadores) voltasse à voz mediática num dia em que se jogava play-off na Luz e conseguiram ainda legitimar as declarações que Varandas já tinha programado de véspera — embora com infeliz alusão a África, é certo que no contexto do que se passou na final da CAN mas infeliz. Ou seja, se alguém pudesse vir a criticar a forma e timing da intervenção do presidente do Sporting, os azuis e brancos deram-lhe um pretexto para falar nos termos em que falou e na altura em que o fez. Na mouche!
«Não fosse a intervenção do FC Porto, o Conselho de Disciplina preparava-se para fazer vista grossa ao lance em questão. Em abono da verdade, as imagens parecem desaparecer misteriosamente, inclusive as das revolucionárias bodycams dos árbitros — o ex-líbris da transparência, segundo o Presidente do Conselho de Arbitragem», escreveram os azuis e brancos sobre lance de alegada agressão de Hjulmand a Tiago Galletto, do Aves SAD.
Já no intervalo dos jogos no Dragão aparecem misteriosamente imagens no balneário dos árbitros da mesma forma misteriosa como desaparece o comando do aparelho. E vistas as coisas, entre apanha-bolas bem treinados e ladrões de toalhas, este caso que se passou no FC Porto-SC Braga no balneário de Fábio Veríssimo reveste-se duma gravidade tal que deveria fazer corar de vergonha quem segurou a pena duma newsletter que fala em… imagens.
Na mesma missiva em que o FC Porto aponta ao Conselho de Disciplina, nada de novo nem surpreendente, consegue colocar em causa decisões dos tribunais civis e recupera a santa aliança da Segunda Circular referindo-se ao «silêncio cúmplice» dos encarnados. Uma tática antiga, de estar de bem com um dos rivais de Lisboa e de mal com o outro, nunca com os dois ao mesmo tempo, como que a pedir ajuda àquele que considera estar pior para lutar com o que lhe faz mais frente...
«Jorge Nuno Pinto da Costa deixou-nos muitas lições e muitos alertas para os desafios que se avizinham. Dentro e fora do campo», apontam também os dragões. Villas-Boas surgiu como alguém que vinha para romper com o que de pior o antigo presidente dos azuis e brancos tinha implementado mas parece querer reclamar essa herança e dela fazer uso. Uma lufada de ar… bafiento.

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Vamos lá então à Luz, à noite dos horrores de terça-feira — do racismo às confusões no túnel e à intimidação a jornalistas até à desastrosa reação comunicacional do Benfica. O pior de tudo, claro, o racismo, presumo que o houve de Prestianni para Vinícius mas se sim ou não a investigação o dirá, onde o houve sem dúvida foi em todo o lado à volta do caso, o que não me surpreende numa sociedade (a portuguesa, sim, como arriscaria dizer todas em todo o mundo) intrinsecamente racista e que nos últimos anos perdeu a vergonha de o ser, com o crescimento da extrema-direita e com o algoritmo a ajudar...
Houve até um comentador que achou adequado fazer jus à rábula Um gajo de Alfama, do Gato Fedorento, e resolveu contar algo que tinha ouvido por aí, talvez numa tasca (mas reles, que as há muito boas). E passo a citar: «Hoje em dia não se pode chamar preto a um preto, cigano a um cigano mas pode chamar-se mulher a um homem.» Dizia o professor Manuel Sérgio que «quem só sabe de futebol, não percebe nada de Futebol». Neste caso, não percebe nada de nada."

Comunicado


"O Sport Lisboa e Benfica repudia de forma inequívoca os atos de violência registados ontem, antes do jogo de futsal entre Sporting CP e SL Benfica.
Os comportamentos verificados não representam nem dignificam os valores históricos e fundacionais do Clube, sendo frontalmente contrários ao espírito do desporto e àquilo que deve ser a vivência saudável da rivalidade.
O Sport Lisboa e Benfica está a colaborar ativamente com as autoridades competentes, com o objetivo de identificar responsabilidades e contribuir para a prevenção e erradicação de condutas desta natureza, que prejudicam gravemente o desporto português.
Perante os vários jogos que se avizinham entre os dois clubes, o Sport Lisboa e Benfica apela à responsabilidade de todos os intervenientes e adeptos, reforçando a importância de um ambiente de respeito, elevação e salutar competitividade, incompatível com qualquer forma de violência."

Aquecimento...


Lanças...


História Agora


BF: Plano inicial ?!

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Dérbi aquece regresso do futsal

Observador: E o Campeão é... - As preocupações de Mourinho perante a turbulência na Luz

Observador: Três Toques - Figo x Ronaldo. Afinal, quem jogou com quem?

BolaTV: O Lado do Mister #3 - A polémica entre Prestianni e Vinícius Júnior

BolaTV: Toque de Bola - S01E12 - Filipe Cândido

Zero: Fantasy - S03E23 - A jornada 23 e as funcionalidades ZZ

SportTV: Primeira Mão - 😲 Quando o Vitória apoiou o Braga? A história incrível de 1963/64

BolaTV: Lado B - S02E27 - O Gyokeres tem namorada!!

Renascença: Jogo da Palavra - Diogo Luís...

BolaTV: Afunda - S06E30 - Regressar do break com candidatos e jogadores-chave

Terceiro Anel: DRS #39 - FIM DOS TESTES E ASAS MISTERIOSAS!! 🏎️🏁

Possessivo: BENFICA VS REAL MADRID! PRESTIANI e VINI JR!

Muito bem, todos os benfiquistas, que nas bancadas não se sabem comportar, não podem continuar a 'representar' o Benfica!

A Lei Prestianni !!!

Numa Era onde todos se acham habilitados a opinar e condenar sumariamente tudo e todos, é agradável ouvir este tipo de respostas!

Concordo com tudo... realço a parte, onde o Pep reflete que a discriminação acontece quando alguém pensa que é superior !!!

Linchamento?! Sim...

Curriculum...

A ignorância elevada a sacanice!!!

Conduto...


 

No meio do Circo, ninguém falou desta diferença de critério, que valeu um golo!


 

Empate com sabor a vitória!

Sporting 2 - 2 Benfica

Já na 2.ª parte, comentava para mim mesmo: "já fizemos melhores jogos esta época, mas este 2-0 é totalmente mentiroso, sofremos dois golos com alguma 'azar', e no final, as análises resultadistas, vão 'condenar' o Benfica..."!!!
Mas o Pany não quis injustiças nas análises, e com dois golos, muito bem construídos, sem ressaltos, fomos a tempo de empatar a partida, e assim garantir uma vantagem de 6 pontos, que são de facto 7 pontos no campeonato, basicamente ficamos com duas derrotas de margem, para garantir a vantagem no Play-off!

O Sporting entrou melhor, mas a partir do 1-0, o Benfica foi melhor... mas notou-se alguma quebra na equipa, em relação ao período pré-Europeu!

Além do campeonato, este empate que na forma como aconteceu até pareceu uma vitória, deu uma boa 'onda' para a eliminatória da Champions, na próxima semana. Uma derrota hoje, daria alguma vantagem emocional para os Lagartos.

Uma última nota, para a forma como os Pivot's do Benfica continuam a ser marcados. Basicamente é permitido tudo, mas mesmo tudo! Os anos passam e nada muda!!!

Da rua para o relvado | Pavlidis

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

O Cantinho Benfiquista #224 - Tudo Menos Futebol 📱

Falar Benfica - Conversas Gloriosas #40

Rabona: Juventus, Inter & Benfica embarrassed... for different reasons

O Benfica Somos Nós - S05E44 - Real Madrid...

Valor vergonhoso... é barato ser criminoso!

Ou será uma questão de cor ?

Bernardices!!!



"O que vale é que a avaliação é sempre da mesma forma quando toca ao Benfica…Ainda há benfiquistas que comprem esta folha de couve???
Nem ao site deles devíamos aceder para não lhes dar cliques para sobreviverem!
Como eles dizem “O cliente tem sempre razão!”"

O Benfica, Pedro e o lobo


"Deixemos Vinícius e Prestianni para mais tardias núpcias, que o ruído ainda é maior que o esclarecimento. Mantenhamo-nos porém na Luz, noite de terça-feira: o Benfica teve razões objetivas de queixa da arbitragem.
Se o que todos vimos não bastasse, atentemos no que também se disse em Espanha: o Real deveria ter terminado o jogo com nove elementos. Acrescento eu: o período adicional da 2.ª parte não chegou para compensar as paragens no episódio de racismo e na expulsão de Mourinho, quanto mais as restantes pausas normais.
Acontece que, de tanto gritar todos os dias que há lobo, o Benfica corre o risco de poucos lhe ligarem, agora que o lobo apareceu mesmo.

De chorar por mais
A época do Gil Vicente pode terminar melhor ou pior, mas já é impossível classificá-la abaixo de notável.

No ponto
Alisson chegou a Nápoles para fazer, logo, o mesmo que já tinha feito no Sporting. Bom negócio ou precipitação?

Insosso
Um corte de relações com a Comunicação Social é sempre injustificável. As razões discutem-se, não se impõem.

Incomestível
Vem aí a meia-final da Taça de Portugal, portanto não se pode passar muito tempo sem os comunicados da ordem."

Rafa veio criar um problema


"Mais do que acrescentar, entrada do avançado no plantel dá a Mourinho uma dor de cabeça que (já) não existia. Golos e assistências Rafa conseguirá sempre, mas a dinâmica da equipa já se ressentiu

No meio do turbilhão que foi o Benfica-Real Madrid e o seu pós, com mais um episódio da longa sequela de casos com Vinícius Júnior como protagonista, pouco se falou de futebol. É pena. Se José Mourinho tinha tido muito mérito na forma como abordou o primeiro jogo contra o Real, na última jornada da fase de Liga, desta vez a equipa não soube desamarrar-se da teia espanhola.
Arbeloa aprendeu com a hecatombe de 28 de janeiro e soube fechar a porta ao Benfica, que pouco conseguiu criar. E, do banco, Mourinho não foi capaz de incutir outro nervo na equipa a partir do banco: Ríos e Lukebakio, sem ritmo para um jogo desta dimensão após tanto tempo parados, pouco ou nada acrescentaram. É certo que todo o contexto, por se tratar, agora, de uma eliminatória a duas mãos, obriga a outras cautelas e há um segundo jogo para jogar, mas há ilações que podem ser tiradas.
E é difícil, com base na meritocracia, encontrar justificações plausíveis para que Rafa tenha passado a ser titular e Sudakov suplente para jogar aos quartos de hora de cada vez, porque a eficácia do jogo do português depende muito da sua capacidade física e essa, depois de várias semanas sem jogar e em greve no Besiktas, está, nesta altura, muito longe de ser a ideal. Na noite de quarta-feira, de gala na Luz, Rafa passou completamente ao lado — e, por isso, a nota 3 na avaliação de A BOLA.
Um brutal contraste com o jogador que saiu há ano e meio e que se tinha tornado num especialista de Champions, carregando a equipa e assumindo a responsabilidade nestes grandes jogos, sobretudo na primeira época de Roger Schmidt (10 jogos, 5 golos e 1 assistência). Não duvido da capacidade individual de Rafa para somar, nos meses que faltam até final da época, golos e assistências e desatar jogos que estejam complicados, mas, já nem falando da razoabilidade do negócio em si, pagando para fazer regressar um jogador que ano e meio antes tinha (legitimamente) recusado renovar para mudar de ares, as peças não estão, por agora, a encaixar.
José Mourinho andou aos papéis durante largos meses, experimentando várias fórmulas que não funcionaram, até que as lesões de Lukebakio e Ríos permitiram descobrir a melhor versão da época do Benfica, com Sudakov nas costas de Pavlidis. Foi assim que a águia se tornou mais equipa, mais imaginativa e encostou o Real às cordas, a 28 de janeiro. Com Rafa, jogador de impulsos ao longo do jogo, a equipa perde clarividência na hora de se organizar no último terço."

Rui Costa, importa-se de repetir?


"Presidente disse que José Mourinho iria continuar no Benfica. Estas palavras, tão importantes, merecem outra pompa e circunstância.

O Benfica está de novo na luta pelo título de campeão nacional, muito por mérito de José Mourinho que conseguiu elevar internamente a fasquia e nunca permitiu que a época terminasse precocemente para os lados do Estádio da Luz, mesmo após as eliminações nas Taças da Liga e de Portugal.
Apesar de ter dado um passo atrás na UEFA Champions League, com a derrota caseira com o Real Madrid, na primeira mão do play-off de acesso aos oitavos de final, o Benfica está bem e recomenda-se, apesar da distância no campeonato para os dois primeiros: sete pontos para o FC Porto e três para o Sporting.
Num ápice uma equipa com limitações, como o próprio Mourinho admitiu, deu lugar «um bom plantel, equilibrado, com opções, com miúdos a aparecer a crescer», como frisou o treinador na conferência de antevisão ao jogo com os merengues. Nada mais correto.
Só como opções para as alas do ataque, das quais o special one tanto se lamentou e cuja escassez o levou a lá utilizar Aursnes, Sudakov ou Rodrigo Rêgo, tem agora os reforços Rafa e Sidny Lopes Cabral, mais os recuperados Lukebakio e Bruma, a que se juntam, ao que parece já adaptados à ideia de jogo, Prestianni e Schjelderup. Não há fome que não dê em fartura.
O Benfica tem muitas e boas opções para lutar pelo título até ao fim, bem como preparar o futuro, que no futebol, como se sabe, não pode ir muito além da próxima época. E esta, principalmente se os encarnados não se sagrarem campeões ou mesmo não terminarem no segundo lugar, que dá acesso às pré-eliminatórias da próxima UEFA Champions League, tornar-se-á ainda mais importante.
O mesmo será dizer que terá de ser planificada o quanto antes e, definitivamente, com um projeto claro e sustentado. E aqui a formação não pode ser descurada. Com tanto talento criado no Seixal, o plantel tem de constituído de forma a que os jovens tenham espaço para crescer. É que não basta lançar jovens apenas quando os consagrados estão indisponíveis…
No meio de toda a polémica do alegado caso de racismo entre Vinícius Júnior e Prestianni, quase que passou despercebida uma frase que considero muito importante para o futuro do Benfica. Questionado sobre a continuidade de José Mourinho no clube na próxima época, Rui Costa respondeu: «Sim, vai ficar.»
As palavras do presidente foram proferidas enquanto caminhava em passo acelerado, mas são tão importantes que têm de ser repetidas. O quanto antes e para bem de todos na Luz…"

Carta Aberta, a Prestianni


"Caro Gianluca,
Não te conheço pessoalmente, mas sei que és um jovem com idade para ser meu filho. Tenho até um filho um pouco mais velho do que tu.
Admiro muito o teu talento. Acho que és um prodígio de técnica, que apenas precisa de afinar o remate à baliza (e trabalhares muito) para te tornares um craque de dimensão mundial. Já o escrevi aqui, e não só aqui.
Abomino qualquer tipo de racismo. E sou, com imenso orgulho, sócio e adepto de um clube cuja maior lenda, com direito a estátua á porta do estádio, como tu sabes, é um negro: o grande Eusébio da Silva Ferreira. E cuja segunda maior figura talvez seja outro negro: o grande capitão e líder Mário Esteves Coluna.
Tenho a certeza que tu também não és um racista. Tenho a certeza que, no balneário, respeitas e és respeitado por gente de vários países, de diferentes etnias, e cujo estatuto é definido, não pela cor da pele, mas pela experiência, pela atitude e pelo talento. Na maior parte dos casos é assim o futebol. Felizmente.
Não ouvi o que disseste no relvado. Ninguém ouviu, excepto tu e aquele indivíduo a quem tenho dificuldade em chamar jogador profissional. Outros dizem que ouviram, mas as imagens disponíveis indicam que estão simplesmente a mentir. Para te prejudicar. Para branquear o comportamento miserável do alegado destinatário das tuas palavras.
Estás a ser crucificado por um mundo repleto de hipocrisia. Estás a ser atacado por pessoas que nem sequer estavam no estádio. Algumas nem sequer viram as imagens. Simplesmente, lança-se para o ar a palavra racismo, há um preto e um branco, e a partir daí já não interessa quem tem razão. Um é desde logo culpado e é para decapitar. Outro é desde logo inocente e deve ser beatificado. Mas a vida nunca é a preto e branco. É a cores. Com muitas cores. Como o vermelho da camisola que vestes (e essas são as únicas cores que me interessam). Com muita gente boa e má, sejam brancos, pretos, amarelos ou às riscas.
Podes até ter-te excedido nas palavras. Se aconteceu, vais aprender com o erro, e perceber o meio em que te movimentas, no qual um passo em falso tem efeito exacerbado e por vezes planetário. Eu, quando tinha a tua idade, não teria maturidade para lidar com uma situação deste tipo. Mas tu talvez já a tenhas, e tens o apoio e a protecção do clube, bem como de seis milhões de adeptos que, por boas ou más razões, acabaste de unir em torno de ti.
O que fizeste tu afinal? Tentaste, da forma que, mal ou bem, naquele momento entendeste ser a mais apropriada, defender o clube que representas. Em campo, interpretaste a indignação e o ultraje que adeptos como eu sentiam na bancada, ao ver atitudes nojentas de uma "super-estrela" mimada que - sendo bastante mais velho do que tu, ganhando bastante mais dinheiro do que tu, tendo muito mais responsabilidade do que tu - não tem carácter, nem merecia estar ali a jogar a Champions, ou a representar um clube como o Real Madrid. Em Espanha conhecem-no bem. E mesmo no seu clube, diz-se que há quem esteja farto dele. O problema não é a cor da pele. O problema é mesmo o cérebro, onde existirá pouca coisa. Já leva 21 episódios desta natureza. 21 !!!. Há milhares de futebolistas negros, e só ele (um dos mais ricos, um dos mais privilegiados) é que é sempre a "pobre vítima". Agora até num estádio que tem um negro como símbolo maior.
Tu, Gianluca, tens o meu apoio total e absoluto. Como, estou certo, tens o apoio total e absoluto do clube, do plantel e dos adeptos.
És um miúdo. Desculpa dizer-te isto, mas vejo-te ainda, assim como a alguns dos teus colegas, como uma criança. Tens a vida pela frente, tens um talento incrível que tens de saber aproveitar. Com o tempo e com a maturidade, talvez não te deixes cair em ratoeiras como a que te foi, e está a ser, montada. À semelhança, por exemplo, do que sucede com o teu companheiro Otamendi, como com o teu ex-companheiro Di Maria, ambos campeões do mundo pelo teu país. É neles que tens de pôr os olhos, é o exemplo deles, desde logo de profissionalismo, trabalho e humildade, que tens de seguir. Também de "esperteza", para não cederes a provocações. Para seres tu a ditar as leis. Para defenderes, com tudo, a tua equipa e os teus colegas. Para saberes sair por cima.
Jogas num grande clube. Estamos contigo. Trabalha muito, treina arduamente, joga bem, marca golos, e tenho a certeza de que o mundo acabará por te fazer justiça.
Força Prestianni!
Aceita um Abraço de um grande admirador do teu talento."

Não tapes a boca


"“Ó não, mais uma conversa sobre racismo.”“Não confundam coisas: futebol e política são distintas.”“Os insultos fazem parte, já ouvi pior.”“Não é tão mau como parece.”“Ele não sentiu o que disse.”“Será que ele disse mesmo isto?”“Ele estava a pedi-las.”“Eles estão sempre a provocar-nos, é assim há séculos.”
As frases mudam, mas esta história é antiga. E é também disto que falamos quando pensamos no que aconteceu a 17 de fevereiro, no Estádio da Luz.
A bola esteve cerca de três segundos nos pés de Vinicius Jr até bater no fundo das redes. Três segundos não são nada. Depois vieram os festejos, que pareceram uma eternidade. O tempo, sempre o tempo, a brincar connosco. E, logo a seguir, o inferno que se abateu sobre a Luz.
Bastaram algumas palavras. Escondidas. Talvez ditas em voz baixa. Talvez envergonhadas. E seguiram-se dez minutos de um procedimento obrigatório em casos de racismo (ou suspeita). O estádio reagiu como um organismo vivo. E não foi bonito. Muitos poderão não ter percebido o que se estava a passar. Outros perceberam perfeitamente: um jogador do Benfica acabara de ser acusado de racismo.
Valeram todos os truques retóricos: whataboutismo, ad hominem, falsas equivalências. Tudo serviu para normalizar o inaceitável. Atenção: o Prestianni, como qualquer pessoa acusada, tem direito à presunção de inocência. Acreditarei nisso até ao fim dos meus dias. Mas esse direito não implica desvalorizar quem acusa, muito menos transformá-lo em réu. Há um equilíbrio a ser protegido, chama-se investigação. E era isso que o Sport Lisboa e Benfica devia ter defendido desde o primeiro momento. Não o fez. Demorou horas a fazê-lo. Ou, mais precisamente, a corrigi-lo. Dir-me-ão que são apenas horas, face a séculos de racismo. E talvez tenham razão.
O que mais me dói é perceber que, mais uma vez, destapámos o que já sabíamos. O que se passa nas ruas, nos cafés, nas escolas, nos campos de treino, no supermercado, nas finanças. Em todo o lado. O racismo, incluindo o estrutural, não nasceu ontem. Vive entre nós, em expressões, gestos e silêncios. 
O que custa é perceber que, por cada momento em que parecemos avançar, há outro que prova que mudámos pouco. Isto não é apenas sobre o Prestianni. É sobre as centenas de reações que se seguiram. Amigos que negam. Conhecidos que relativizam. Anónimos que amplificam. Vimos crianças a imitar macacos. Em 2026.
Vimos idosos a fazer sons de primatas (ou talvez apenas estivessem “a falar entre si”). Tudo isto aconteceu no meu estádio. Na minha segunda casa. Repito: isso dói.
E não, isto não é um problema só do Benfica. Nem de Lisboa. Nem do futebol. Nem do desporto. Nem de alguns “energúmenos”. É um problema global, transversal, antigo. Uma doença com séculos, para a qual não encontramos cura porque muitos insistem em não ir ao médico.
Voltando às frases iniciais: haverá sempre uma desculpa pronta para justificar o que se repete à nossa volta. Mas cada desculpa permite que o problema se espalhe mais um pouco. Enquanto houver uma criança a simular gestos de macaco dirigida a um jogador, não haverá Eusébio, Coluna ou Anísio que nos salve. Porque o racismo não se mede pela forma como tratamos os nossos, mas pela forma como tratamos o “outro”. E pela empatia que somos capazes de ter por uma luta que carrega séculos de violência, sofrimento e morte.
Por isso, da próxima vez, não tapes a boca. Porque, hoje, já não basta não ser racista. É preciso ser antirracista. E dizê-lo em voz alta."

Se estivesse inocente dava dois estalos em Vinícius Jr.


"Tenho a certeza de que Prestianni não é racista. Mas admito que possa ter dito uma frase racista. Só ele sabe. Sei que muito do que se passou é de mau gosto... Que a intolerância deve ser com TODAS as formas de discriminação. Se Vinícius tiver razão, Prestianni que peça desculpa; se o argentino falar a verdade, estão a reação do próprio e do Benfica foi muito mole... 

«A ignorância não é apenas ausência de conhecimento, é recusa em compreender», frisa Umberto Eco, cujo décimo aniversário da morte se assinala esta quinta-feira. O escritor, filósofo, professor e semiólogo italiano falava da ignorância como «o terreno mais fértil ao ódio». De resto, «a intolerância nasce frequentemente da ignorância».
Evoco Umberto Eco ao ler e ouvir tudo o que se tem escrito e dito sobre o alegado insulto racista de Prestianni a Vinícius Jr. Racismo é ignorância, sim, mas é também medo de abraçar a diferença e enriquecer com isso; é o exercício ignóbil da ofensa com base numa característica genética. É discriminação. E todas são abomináveis: cor de pele — sejam brancos, negros, vermelhos, amarelos ou castanhos —, religião, orientação sexual, peso, nível económico, etc. Todas as formas de discriminação devem provocar o mesmo grau de indignação.
Não sei se Prestianni chamou «macaco» a Vinícius Jr. Mas digo que não apreciei a reação mole do Benfica — que quer provar em vídeo que os jogadores do Real Madrid não podem ter ouvido o que disseram que ouviram — nem a defesa de Prestianni — que garante que não insultou o avançado brasileiro e acrescentou que «interpretou mal algo que pensa ter ouvido». Meus amigos, se qualquer um de vós que me lê neste momento fosse injustamente acusado de racismo perante o mundo inteiro e com poder para danificar irremediavelmente a imagem… como reagiriam? A lamentar que possa ter sido mal interpretado? Que ninguém pode ter ouvido? Ou, como filho de boa gente, haveria de sentir o sangue a ferver e dar dois sopapos na cara do mentiroso?
Também não gosto que se acuse Vinícius Jr. de ser uma espécie de rei das queixinhas de racismo... Até poderia ser, mas a única questão é: foi alvo de racismo ou inventou? Tudo o resto é fumo para não se responder ao essencial.
Acredito que Prestianni é racista? Não. Não faz sentido. Tem companheiros negros na equipa, por quem dá tudo em campo. Tem adversários negros e, a ter insultado, terá escolhido apenas um alvo. Acredito que uma pessoa que não é racista pode ter comportamentos racistas — talvez porque não teria gostado da forma como Vinícius Jr. festejou o golo, que os adeptos e jogadores do Benfica terão considerado insultuosa. Se Vinícius Jr. fosse gordo, seria chamado de pote de banha; se usasse óculos, «seria caixa de óculos»; se usasse batom para o cieiro, seria insultado de gay... O facto de ser mais um desabafo e um protesto do que uma tentativa de insulto racista atenua? Nada.
Atenção: o racismo e o antirracismo, por vezes, podem cruzar-se em terreno perigoso: o da intolerância. Este é um caso em que nem é preciso começar a ensinar no infantário que todos os seres humanos são iguais: todas as crianças o sabem até desaprenderem com maus exemplos. O racismo é ignóbil. Também já o senti.
O ator Morgan Freeman perguntava um dia: sabem quando sabemos que o racismo desapareceu? No dia em que não for preciso falar dele. Sonho com o mesmo dia.
Não é do nosso julgamento que Prestianni tem de ter medo: é do da consciência. Se for culpado, que peça desculpa, aprenda e siga em frente — não gosto de sentenças para a vida inteira; se está inocente, a minha solidariedade — é horrível essa acusação."

Provocação não é permissão


"Este artigo não pretende ser mais um que discute se Gianluca Prestianni teve ou não um comportamento racista perante Vinícius Júnior, até porque com o que podemos observar pelas imagens é impossível assegurar se disse ou não disse e exatamente o que disse. Quero, antes, fazer uma reflexão sobre muito do que se tem dito e escrito sobre o tema, não só no contexto desportivo, mas também em toda a reflexão que alguns discursos nos merecem, inclusive do ponto de vista societal. Afirmações essas que para mim merecem tanto ou mais destaque que o ato em si.
Depois do episódio ocorrido terça-feira, 17 de fevereiro, no estádio da Luz no jogo entre Benfica e Real Madrid da primeira mão do play-off de aesso aos oitavos de final da UEFA Champions League, tenho ouvido algumas declarações que colocam o comportamento (por muitos visto como incorreto e provocatório) de Vinícius Júnior como a causa quer do comportamento de Prestianni quer dos próprios adeptos através do arremesso de objetos que se dirigiam ao jogador.
Destaco algumas das afirmações a que me refiro, por exemplo de José Mourinho: «Disse a Vinícius, de modo independente, que quando um jogador faz um golo daqueles sai em ombros. Não se vai mexer com um estádio ou com o coração do estádio do adversário. Como se diz em Espanha, quem faz golos daqueles corta rabo e orelha e não acaba o jogo e ele acabou com o jogo», ou também do treinador quando questionado sobre se o atleta teria contribuído ou incitado o arremesso de objetos por parte dos adeptos: «Sim, acredito que sim. Infelizmente, ele não se contentou em marcar aquele golo espantoso. Quando se marca um golo assim, celebra-se de forma respeitosa. Disse-lhe que a maior figura da história deste clube era negra. A última coisa que este clube é, é racista.»
No mesmo sentido foram as palavras do árbitro inglês Mark Clattenburg: «O problema é que Vinícius não se ajudou muito a si próprio. Tornou as coisas mais difíceis para o árbitro. Marcou um golo maravilhoso e o que tem de fazer é comemorar, mas depois voltar para o seu campo. Tornou esta situação muito, muito difícil.»
O arremesso de objetos contra o atleta é visível e inegável, o ato racista de Prestianni ainda não está devidamente analisado para percebermos a sua exatidão, contudo, e independentemente da sua veracidade ou não (fator que deveria ter levado os intervenientes a acautelarem o seu discurso), uma coisa é certa: colocar a totalidade do ónus do nosso comportamento no outro é demasiado redutor.
A ideia de que o comportamento gera comportamento não está errada, mas cingir o comportamento humano a processos mecanicistas, com todo o desenvolvimento cognitivo do ser humano é minimalista. Esta relação não é direta, até porque podemos e devemos incluir consciência nos nossos processos emocionais.
Ou seja, responsabilizar o comportamento antecedente da vítima para justificar comportamentos de agressão não é correto e é perigoso. Não só no mundo do desporto, mas também, e principalmente enquanto sociedade jamais poderemos aceitar este discurso.
É verdade que o comportamento antecedente e o contexto podem permitir compreender, inclusive do ponto de vista científico, o que gerou determinado comportamento, mas nunca, em tempo ou situação alguma, esse comportamento prévio, por incorreto que possa ser, pode desculpabilizar, justificar ou tornar aceitável um comportamento de agressão, seja verbal ou física.
Não vivemos numa sociedade primitiva, onde os impulsos não são controlados e achamos isso normal, procurando culpados ou responsáveis pelos atos incorretos. Se Vinícius Júnior teve um comportamento provocatório aquando dos festejos do golo, como alegado, pois bem, o mesmo foi castigado pelas leis vigentes, neste caso desportivas, com o respetivo cartão amarelo.
Isso em nada legitima nem desresponsabiliza qualquer ato violento ou agressivo que possa ter sido praticado após esse momento, devendo os mesmos ser igualmente penalizados de acordo com as leis vigentes.
As palavras nunca são neutras, sobretudo quando proferidas por figuras com autoridade e influência pública. No desporto de alta competição, onde milhões observam, repetem e amplificam discursos, a forma como interpretamos e explicamos comportamentos tem impacto real na cultura que construímos.
Questionar um festejo é legítimo, utilizá-lo para normalizar a agressão não é. Quando agentes desportivos deste nível sugerem, ainda que indiretamente, que alguém se colocou a jeito, contribuem para uma narrativa perigosa de diluição de responsabilidade."

UFC?!!!

Resumo...

Sim, já mentiu...

Os inimputáveis

Hermano...

Narrativas...

Soria...

Completo...

Benfica Podcast ##583 - Black and White

BF: Mourinho...

5 Minutos: Diário...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Paulo Fonseca x13: português pode sonhar com títulos no Lyon?

Observador: E o Campeão é... - Como vai decorrer a investigação a casos de racismo na Luz?

Observador: Três Toques - O caso Vini Jr. e as múltiplas reações

Atualidade do Benfica


"São vários os temas nesta edição da BNews, com destaque para a entrevista a Samuel Soares.

1. Na primeira pessoa
Samuel Soares recorda o começo no futebol de rua e revela a sua camisola preferida.

2. Últimos resultados noticia destaque
Ontem realizaram-se duas partidas de hóquei em patins. Nos masculinos, o Benfica empatou 4-4 na visita ao FC Porto. Nos femininos, as águias receberam o CRIAR-T e golearam por 19-0.

3. Jogo do dia
O Benfica visita o Sporting em futsal a contar para a 16.ª jornada da Liga Placard (20h30).

4. Agenda para 6.ª feira
Há clássico de basquetebol na Luz, com o Benfica a receber a Ovarense às 19h00. A equipa feminina de basquetebol atua no reduto do CLIP Teams em partida dos quartos de final da Taça de Portugal (21h00).

5. Informação clínica
A futebolista Lara Martins sofreu uma lesão no ligamento cruzado anterior do joelho direito e será submetida em breve a intervenção cirúrgica.

6. Seleções jovens
São várias as atletas do Benfica convocadas pelas seleções nacionais femininas de futebol Sub-19, Sub-18 e Sub-17.

7. Sorteios
Em futsal no masculino, o Benfica visita o Torreense nos oitavos de final da Taça de Portugal. E está definido o calendário da fase final do Campeonato Nacional de andebol no feminino.

8. Bom desempenho
O Benfica foi o clube português com melhor performance no Arena Lisbon International Meeting 2026 de natação."

Das cinzas de uma bola de futebol


"O futebol de topo transformou-se em “Fifalândia”: um holograma supranacional que se alimenta de uma paixão que despreza. No próximo Mundial os estádios estarão cheios. Os operadores facturarão como nunca. Mas nos relvados cristalinos da NFL não será bem futebol que se jogará. Será antes o fruto eficiente e desencarnado de uma cegueira por excesso de altitude

O futebol ainda se chama futebol. Mas há cada vez menos rigor nesse nome. Como chamar “Aventura” a um formulário das Finanças. Ou ‘Antonioni’ a um Toninho. O jogo afastou-se de nós. Não por maldade, mas por crescimento descontrolado, como quem padece de gigantismo. Entre o futebol e os adeptos abriu-se um fosso que já não é apenas moral ou sentimental. É um fosso material. Um abismo de dinheiro, de dispositivos, de distância. O futebol de topo tornou-se um impulso caro, um capricho abstracto, uma fantasia irrespirável. E cada vez menos físico.
Escrevo este preâmbulo a pensar no Verão que se aproxima e no Mundial que se jogará nos Estados Unidos, México e Canadá. Será o Mundial perfeito. Perfeito como um Tesla. Confirmará o que já sabemos, mas preferimos guardar para nós: o mais materialista dos desportos transformou-se no mais desmaterializado dos jogos e, ao acontecer em todo o lado, acontece agora em lado nenhum. A ideia não é minha. Num artigo recente da Times Literary Supplement, sob o título cruel de “Money Ball”, o americano Mike Jakeman explica, a partir de dois livros sobre a história do Mundial, como o torneio deixou de precisar de países. Só precisa de um anfitrião, como quem precisa de uma tomada. Depois é ligar à corrente e o aparelho replica o modelo segundo um manual de instruções global, no qual o lugar é acessório e a geografia irrelevante.
Aqui entre nós, que não há quem nos ouça: ninguém com dois dedos de horizonte quer saber do topo. O topo está perdido — e gosta de estar perdido. Inspira-nos muito mais o outro lado do fenómeno. As pessoas não deixaram de precisar do futebol. Continuam à procura da fraternidade, do território e do risco que sempre encontraram nele. E quando já não encontram poiso no cume da montanha, fazem o que os homens sensatos sempre fizeram: descem. Escavam. Procuram no subsolo das ligas inferiores. E encontram.
É isso que explica o novo entusiasmo pelos clubes pequenos. Não só como folclore — porque nisto o folclore é fundamental —, mas como último reduto de materialidade. Lugares onde o futebol tem chão e nome próprio. O caso do Atlético, sobre o qual já escrevi, não é uma excepção, mas um sintoma.
À medida que o futebol global se torna um não-lugar, os adeptos voltam a procurar lugares. Seja onde for. Na Tasmânia, se for preciso. Ou a cinquenta quilómetros de Elvas, em Jerez de los Caballeros. Souberam dessa história? Conto-a em três linhas.
Há cerca de um ano, no podcast Falsos Lentos, começou-se a torcer, em tom de piada privada, por um clube obscuro da quinta divisão espanhola: o Jerez Club de Fútbol, perdido algures na região da Extremadura. A piada começou a crescer, e, às tantas, quando deram por isso, havia não sei quantos autocarros cheios a caminho do vilarejo espanhol, para apoiar o clube local.
Ora, quinhentas pessoas não fazem centenas de quilómetros por uma alucinação colectiva. Quer dizer, até fazem. Mas estes adeptos, mesmo que motivados por um tanglomanglo eficaz, foram em busca de algo tragicamente sério. Saíram de casa à procura de casa. Que é o que todo o homem tem feito desde que Adão nos perdeu o Paraíso. Como despojados da batalha de Tróia que é o futebol moderno, lá foram eles: Ulisses de camisola verde e preta, em direcção a uma Ítaca no Reino de Castela.
Ao emancipar-se do mundo real, o futebol de topo transformou-se no que Mike Jakeman chamou “Fifalândia”: um holograma supranacional que se alimenta de uma paixão que despreza. No próximo Verão os estádios estarão cheios. Os operadores facturarão como nunca. Mas nos relvados cristalinos da NFL não será bem futebol que se jogará. Será antes o fruto eficiente e desencarnado de uma cegueira por excesso de altitude.
Cá em baixo, porém, não queremos saber de eficiência para nada. Interessa-nos a vida que se pode encontrar na Tapadinha, no Carlos Salema, no Abel Alves Figueiredo, no Campo Estrela em Évora, ou até numa aldeia perdida de uma Espanha improvável. Mesmo que suja, mesmo que trapalhona, é outra coisa que se joga. Tecnicamente inferior, é certo — como quase tudo o que vale a pena. Mas com a alma que só os lugares verdadeiros possuem: “Home is where I want to be”, dizia o David Byrne. E dizia bem.
Ontem foi Quarta-feira de Cinzas. Na testa dos católicos impõe-se o pó como quem impõe a morte no corpo que se descobrirá renascido quarenta dias depois. É isso que está aqui em causa. Por isso tenhamos fé, companheiros. Ao contrário das visões mais pessimistas, o que nasce das cinzas de uma bola de futebol não é um produto. É um lugar."

SportTV: Vamos à Bola - Fafe

Sem Filtros #30 - Armando Sá

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Da rua para o relvado | Samuel Soares

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Observador: A Força da Técnica e a Técnica da Força - Real Madrid...

Agora só uma noite perfeita


"Era grande a expectativa a envolver esta nova visita do Real Madrid ao Estádio da Luz para defrontar o Benfica na primeira mão do play-off de acesso aos oitavos de final da Liga dos Campeões.
Era consensual que o facto de serem dois jogos e o segundo dos quais fora, elevava grandemente a dificuldade deste novo confronto com o gigante espanhol.
As duas equipas tinham, entretanto, cumprido no respetivo campeonato, vencendo os respetivos jogos. Do lado espanhol, a resolução fácil do encontro de receção à Real Sociedad (4-1), permitiu o descanso absoluto de Kylian Mbappé, circunstância bastante inconveniente para o Benfica, por se tratar da principal ameaça do ataque madrileno.
Do lado benfiquista, ao contrário, a ausência de Aursnes era a principal incerteza, que acabaria contrariada pela presença sempre positiva do precioso médio norueguês. Além da desejada integração de Dedic e Aursnes, a escolha de Mourinho voltava a recair em Rafa e não em Sudakov, talvez a única dúvida que subsistia. A velocidade e agressividade de Rafa, que não esteve feliz, terá inclinado para si a preferência do seu treinador.
Quanto ao jogo, foi desta vez bem mais medido taticamente por ambas as equipas, no que diz respeito ao risco, comparado ao jogo anterior, em função das características diferentes do duelo. O respeito tático pelo adversário foi mútuo e bem visível, com as equipas muito juntas, quer na defesa, quer depois na manutenção da posse de bola.
O Real foi mais dominador, com um meio campo que se mostrou mais sólido e agressivo, fundamental para a sua superioridade. Na frente, teve os seus dois avançados a mostrarem-se sempre perigosos mesmo em espaços curtos, apoiados por um setor intermédio agora reforçado por Valverde, um verdadeiro portento que fez diferença.
O único, vistoso e decisivo golo aconteceria logo no reinício da segunda metade por Vinícius Júnior, cujo festejo provocatório acabou por criar uma longa turbulência que em nada ajudou à necessária reação do Benfica.
No seguimento do golo, o avançado brasileiro acusou Prestianni de racismo, algo que a ter acontecido deve ser fortemente criticado. A equipa abanou, mas conseguiu reagir, também pela entrada de Ríos, Sudakov e Sidny Cabral, que animaram a equipa, conseguindo voltar a chegar à frente com mais gente, embora sem criar oportunidades claras.
Nota final para a não amostragem do segundo cartão amarelo a Vinícius, que ainda podia fazer diferença no resultado, em falta claramente merecedora desse castigo. No seguimento acontece a expulsão de José Mourinho, que protestou energicamente, percebendo como importante poderia ainda ser a superioridade numérica no tempo que faltava.
Claro que com este resultado as dificuldades crescem e agora em Madrid procura-se a noite perfeita, como resposta a uma incómoda desvantagem, mas mínima.

Afazeres domésticos
Por cá, enquanto ainda ecoa o escândalo das bolas escondidas, mais uma rábula lusa inesquecível de má, o Benfica vencia nos Açores com alguma segurança, diminuída, embora, por uma intervenção infeliz de Trubin.
Tivemos outro exemplo de como o futebol, e também a vida, nos trazem, em pouco tempo, sentimentos tão opostos. Para alguns dos adeptos, o pobre Trubin regressou à condição de réu vulgar pelo erro cometido, depois de passar por herói imortal, ainda há poucos dias. Nada de novo, portanto. Com a missão então cumprida no campeonato, importava recuperar do desgaste, das emoções e das poças açorianas, antes do complicado teste europeu de ontem.
Quanto ao relvado açoriano, que é o último classificado da Liga no que diz respeito à qualidade, fica mais uma interrogação: Tanto investimento, ano após ano, em jogadores maioritariamente estrangeiros, e por isso teoricamente mais caros, não justificaria alguma renovação do local onde se joga? O arquipélago é lindo, mas o futebol não deixa de ser também um importante veículo de promoção que precisa da melhor imagem.
Os famosos investidores saberão disso ou é-lhes indiferente? E o governo regional, dorme ou não se importa?

Velha escola
Porque há coisas que são cada vez menos admissíveis e ações que devem ser exemplarmente punidas, penso ser um bom motivo para recuperar mais uma história da velha escola, vivida enquanto jogador. Passados tantos anos, voltamos a práticas que, na nossa tenrinha ingenuidade, julgávamos enterradas para sempre. As equipas grandes pedem grandes jogadores, mas também grandes pessoas, que, pelo menos, se respeitem entre si e ao público, através de comportamentos condizentes.
Fui um dos jogadores do Benfica, já lá vão uns anos, que se equipou no corredor de acesso ao balneário visitante do antigo estádio das Antas, também antes de um clássico.
O produto químico que inocentemente alguém tinha derramado antes da nossa chegada ao estádio tornava o ar irrespirável e a nossa presença impossível.
Como agora, imagino que essa feliz e respeitadora iniciativa tenha partido de alguém que nada mandava e que a ideia também lhe tenha surgido sem a ajuda de ninguém...A vantagem em relação ao episódio épico das bolas escondidas é que, dessa vez, como em várias outras, as tropelias aconteciam longe dos olhos do público.

Incompatibilidades
Voltando ao tema dos treinadores e a algo difícil de entender, é como se permite que um mesmo treinador dirija duas equipas, numa mesma época e no mesmo campeonato.
Por exemplo em Itália, por onde passei de raspão como jogador, os treinadores só podiam treinar uma equipa na mesma competição. Nesse âmbito, o clube também estava impedido de oficializar um novo técnico antes de garantir o acordo de rescisão com o anterior.
Não parecendo nada difícil de implementar ou entender, é uma medida lógica que defende o despedido e dá oportunidade a outros, que ainda por cima, são mais que muitos. Ao mesmo tempo, evita incompatibilidades competitivas óbvias, de alguém poder defrontar a equipa que ainda na semana anterior tinha sido sua. Jogar contra e no dia seguinte a favor, faz sentido? Não me parece nada."