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quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Meditando sobre... Atletismo (II)

"No Mundial de 2017, em Londres, aconteceu a situação insólita de um atleta ter sido obrigado a participar na qualificação para a meia-final dos 200 metros mas... a correr sozinho! Fez o excelente tempo de 20,30 segundos, correndo na pista 7; e, duas horas depois, foi segundo na primeira meia-final (com 20,14), apurando-se para a final (Record de 10-08-2017).
Aconteceu com Isaac Makwala, corredor do Botswana que, na véspera, tinha sido impedido de correr os 400 metros por estar adoentado com um vírus e até de entrar no recinto; mas, tendo reclamado, foi mesmo autorizado a competir, mas na prova seguinte, os 200 metros.
Num registo diferente, aconteceu algo parecido com Dionísio Castro, atleta do Sporting, quando bateu o recorde mundial dos 20 quilómetros em pista (em 31-03-1990, em La Flèche, França) com 58 minutos e 18 segundos e, na sequência, ficou a um metro do record mundial da hora.
Contratado pela organização para marcar o ritmo de corrida até aos 10 Km (na gíria "fazer de lebre"), acabou por continuar como "lebre" até aos 15 Km e, sentindo-se bem e não tendo por perto nenhum dos candidatos a recordista, continuou sozinho e bateu ele o recorde anterior, por seis segundos...
Não foi bem correr sozinho mas, na prática, foi isso que aconteceu pois foi sempre à frente, levando a reboque todo o pelotão.
Este seu recorde foi batido em 1991 pelo mexicano Arturo Barrios, curiosamente o mesmo que, anos antes, tinha batido o recorde mundial dos 10.000 metros de Fernando Mamede.
Estas duas ocorrências fizeram-nos pensar na hipótese de, em jornadas de exibição, ser possível avançar com algumas modalidades de corrida em contra-relógio, como acontece no ciclismo.
Era interessante, por exemplo, colocar os participantes na prova de 100 metros a correrem sozinhos, sucessivamente, para se verificar os tempos que faziam; e mais tarde (passado uma ou duas horas, por exemplo) disputarem a prova oficial, podendo comparar-se os tempos obtidos numa e noutra.
Em provas mais extensas seria difícil fazer competições do mesmo tipo (salvo, talvez, até 400 metros), mas em todas poderiam ser considerados recordes mundiais das respectivas distâncias em contra-relógio, com tentativas de record até mesmo da milha, 5, 10, 15 e 20 Km e de outras distâncias fora do programa olímpico, e também da hora, em pista; e, mesmo fora da pista, da meia-maratona e até da maratona, embora mais difícil, mas não impossível, desde que houvesse candidatos.
O mesmo poderia ser aplicado a provas de barreiras (110 e 400) e de obstáculos (em pista) ou de marcha, dependendo dos itinerários."

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