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terça-feira, 19 de novembro de 2019

O engenheiro e o comendador: dois irmãos, dois candidatos

"As eleições que dividiram os sócios do Benfica entre 'mauricistas' e 'adolfistas'.

Em Março de 1964, o Benfica votou para uma nova direcção. Semanas antes, a extinção da Assembleia dos Representantes dividiu os sócios, em puro 'ambiente de fervor clubista'. Dividiram-se, também, os irmãos: Maurício e Adolfo Vieira de Brito.
Presidente do Benfica entre 1957 e 1962, Maurício Vieira de Brito é lembrado como um dos dirigentes mais queridos dos benfiquistas. A sua longa presidência ficou ligada a momentos-chave como a iluminação do Estádio (1958), a inauguração do 3.º anel (1960) e a conquista da Taça dos Clubes Campeões Europeus (1961). Devido à guerra do Ultramar e para defender as suas terras em Angola, Maurício Vieira de Brito viu-se obrigado a abandonar o cargo, em 1962. Os jornais exclamavam 'Até à volta, Engenheiro!', aquando da sua saída.
'Motivado pela presidência do irmão', Adolfo Vieira de Brito, industrial e instituidor de uma fundação com seu nome, pela qual foi agraciado com o título de comendador, candidatou-se em 1964. O seu irmão, que deixara saudades no Benfica, foi convencido pelos sócios e voltou a concorrer também. O antecessor de Maurício Vieira de Brito - Joaquim Bogalho -, propôs uma lista em que o engenheiro estaria encarregado do Conselho Fiscal, e o irmão da Assembleia Geral.
Não foi assim tão simples. Os 'favoritos' que rodeavam Adolfo Vieira de Brito apoiavam ideias com que o engenheiro não concordava, levando a que a lista dos irmãos não se concretizasse, originando uma separação: o comendador encabeçava a lista A, e o seu irmão estava noutra, para presidente do Conselho Fiscal.
Os dois irmãos eram muitos diferentes, não só fisicamente. O comendador era mais comedido, e o engenheiro era rotulado como 'impulsivo'. O seu sistema nervoso traía-o por vezes, como quando o Benfica foi campeão europeu, em 1961, e o presidente sofreu um ligeiro ataque cardíaco, o mesmo problema que lhe poria fim à vida com apenas 56 anos, catorze anos depois.
Maurício Vieira de Brito reconhecia as qualidades do irmão. Em comunicado aos sócios dizia: 'não risquem o nome de meu irmão para o substituírem pelo de quem quer que seja. Votem livremente, mas numa ou noutra lista (...). O que mais me interessa é que tenha triunfado o Benfica'.
No fim, foi a lista comendador que venceu. Maurício Vieira de Brito não reagiu mal, pelo contrário, congratulou-o. Não voltou a exercer nenhuma função dirigente no Clube, mas manteve-se presente na vida do Benfica nos mandatos do irmão, tal como este tinha feito durante a sua presidência.
Pode saber mais sobre estas figuras na área 28 - Homens do Leme, no Museu Benfica - Cosme Damião."

Pedro S. Amorim, in O Benfica

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