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quinta-feira, 6 de junho de 2013

A guerra da fruta chegou a Alvalade

"Em Tavira o presidente encontrou-se com Adelino Caldeira, vice-presidente do FC Porto, e a caldeira ferveu em desconsiderações.

SEMANA de divórcios, chamemos-lhe assim. Semana de divórcios mais ou menos amigáveis, semana de revelações, consequentemente. Algumas das revelações foram, no entanto, desabridas.
José Mourinho, por exemplo, trocou o Real Madrid pelo Chelsea e assim que pousou as malas em Londres confessou só ter tido duas paixões na vida, o Chelsea, propriamente dito, e o Inter de Milão.
Do ponto de vista benfiquista, aceita-se. Mourinho passou num ápice pelo Benfica, não teve tempo para se apaixonar. O facto de ter sido no Benfica que, pela primeira vez, ascendeu ao posto de treinador principal também não foi suficiente para lhe despertar qualquer tipo de sentimento benévolo que possa apresentar em público tantos anos depois.
Já do ponto de vista portista, esta confissão de José Mourinho é bem mais difícil de digerir. Foi no FC Porto que o treinador se consagrou como especial, vencendo títulos em Portugal e no estrangeiro, dando-se a conhecer ao vasto mundo. Mas não foi paixão. Fica registado.
João Moutinho, outro exemplo, trocou o FC Porto pelo Mónaco e inspirado pela brisa do Mediterrâneo veio também, à semelhança de Mourinho, evocar sentimentos pessoais. Confessou o jogador ter sido do Benfica «em pequenino» por causa da família e, sobretudo, do pai benfiquista. «Mas depois cresci e agora sou e serei sempre do Porto». acrescentou. Do ponto de vista benfiquista, aceita-se. Por uma razão muito simples. É que, na verdade, João Moutinho não cresceu muito desde os tempos em que era pequenino e benfiquista. Basta olhar para ele, embora não lhe falte sequer um palmo para se rum excelente futebolista, talentoso e trabalhador como poucos.
Com toda a sinceridade, João Moutinho, crescer, crescer..., cresceste alguma coisa que se veja?
Não. Não cresceu.
Já do ponto de vista sportinguista estas confissões amorosas de Moutinho serão mais difíceis de suportar. Na história sentimental de Moutinho não teve cabimento nem uma palavrinha doce, nem um bilhete postal para o Sporting Clube de Portugal que lhe deu o pão e a formação com que se fez profissional da bola.
A semana das separações, dos novos rumos de vida, não se esgotou nos palcos cosmopolitas de Londres e da Côte d'Azur.
De Paços de Ferreira para o Porto seguiu Josué e do Estoril para o Porto seguiu Licá. Ambos professaram imediatamente os seus votos de castidade. São do Porto desde pequeninos e odeiam o Benfica.
Ambos fecharam os seus novos contractos nupciais e assinaram de cruz e de cara alegre a obrigatória cláusula do ódio em que se sustenta todo o seu amor.
Estes, sim! Entraram bem.

QUEM entrou mal foi o presidente do Sporting de acordo com a opinião de um vice-presidente do FC Porto. Está consumado o divórcio mais improvável do futebol português das últimas décadas.
E porquê? Por causa da fruta. Finalmente, por causa da fruta.
O recém-eleito Bruno Carvalho, nunca é demais repetir, foi o primeiro dirigente do Sporting a dizer «fruta», palavra proibida do léxico desde que as escutas do Apito Dourado passaram a ser um sucesso no Youtube.
Em Tavira, à pala da final da Taça de Portugal de andebol, o presidente do Sporting encontrou-se com Adelino Caldeira e a caldeira ferveu em desconsiderações várias. A sensacional notícia é que o presidente do Sporting não gostou do que ouviu.
Recorde-se que ainda há pouco tempo, por ocasião do Sporting-FC Porto em futebol, um ex-dirigente do Sporting pegou-se em palavras com Reinaldo Teles na tribuna VIP de Alvalade. O teor da discussão nunca foi tornado público. Terão vindo os quinhentinhos à baila? Mas não faltou um coro leonino de ofendidos com o alegado destrato aplicado ao famoso Reinaldo Teles.
Que era falta de educação, disseram. Lembram-se?
Noticiaram os jornais no dia seguinte o incidente diplomático, coisa sem expressão política de monta até porque o líder dos Super Dragões tinha sido recebido como um príncipe em Alvalade.
As relações entre Sporting e FC Porto dizem respeito aos dois emblemas mas é grande cobardia não ter opinião sobre o assunto. Há coisa de um século Lenine inventou a expressão «idiotas úteis» para categorizar os ingénuos que ardiam de entusiasmo por um movimento que era contrário aos seus interesses.
Parece que Bruno Carvalho se recusa a ser mais um idiota útil. E terá sido por isso que Adelino Caldeira, fazendo fé no que se leu nos jornais, o deixou de «mão estendida» em Tavira e lhe disse, paternalmente, «você entrou mal».
Esperem, esperem amigos, que ainda vão ouvir dizer a gente importante da fruta que Bruno de Carvalho, tal como João Moutinho, é benfiquista desde pequenino. Mas depois se perdeu...

QUEM é benfiquista desde pequenina também é a CMVM. Só assim se explica o interesse desmedido em ter notícias da renovação dos votos ou do divórcio entre o Benfica e Jorge Jesus. É que, como qualquer sócio mais enfurecido ou desesperado por notícias, andou a CMVM a semana passada a pedir esclarecimentos ao Benfica sobre o nome a pôr no contracto do novo treinador.
Isto é paixão.
No que diz respeito ao contracto do novo treinador do FC Porto, a CMVM está-se perfeitamente marimbando para o assunto. E faz muito bem. O presidente do FC Porto anunciou que é no dia 12 que divulga o nome do sucessor de Vítor Pereira pelo que o melhor é não fazer ondas. É no dia 12 e não se fala mais nisso.
Isto é razão.

COM a alegria de um ressuscitado, o presidente do FC Porto discursou na Afurada celebrando as derrotas do Benfica nos descontos que é como lhe dá «mais gozo». Pela boca morre o peixe, não é verdade? Nem foram precisas 24 horas para o Benfica ganhar nos descontos dois títulos ao FC Porto na sua própria casa.
Deus me livre de vir para aqui glorificar o título nacional de juvenis em futebol e o título europeu de seniores em hóquei em patins. Foram saborosos, justíssimos, apenas isso.
O treinador de hóquei em patins do FC Porto disse no fim de tudo: «A incerteza sobre a realização do encontro prejudicou-nos». Fez bem o Benfica em ameaçar não comparecer se as condições de segurança do recinto não fossem garantidas, tratando-se para mais de um jogo de importância internacional, superentendido por uma organização internacional.
Sendo estrangeiros na organização, mete logo outro respeito.
Fez bem em ameaçar não ir a jogo e fez melhor ainda indo a jogo e ganhando-o. Assim é que foi bonito. Também foi bonito ver o fair play dos jogadores de hóquei em patins do FC Porto que se mantiveram em campo assistindo à entrega da taça ao rival. Gostaria de poder dizer o mesmo dos jogadores de futebol do Benfica a propósito da final da Taça no Jamor.

PARA os que explicam o sucesso europeu no hóquei em patins com o facto de o árbitro do jogo ter sido um estrangeiro, recorde-se que o árbitro do jogo decisivo do campeonato de juvenis era português. Nestas coisas, mais fruta ou menos fruta, o importante é sempre marcar mais golos do que o adversário.

NÃO há muito a dizer sobre a renovação de contracto com Jorge Jesus por mais duas temporadas. Não há, aliás, nada a dizer neste momento. Para haver conclusões falta bola, faltam jogos, faltam resultados. Daqui a duas temporadas, talvez uma, já haverá muita coisa para se dizer."

Leonor Pinhão, in A Bola

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