Últimas indefectivações

terça-feira, 3 de setembro de 2019

Um voo a 170 Km/h

"Jaime Graça deu o pontapé de saída num período de 'lesões em torrente' na equipa 'encarnada'

O ano de 1971 não terminou da melhor forma para Jaime Graça. O capitão 'encarnado' sofreu um grave acidente de viação e pregou um grande susto à família benfiquista, a dois dias de dérbi em Alvalade.
Nessa sexta-feira, 31 de Dezembro, o treino do Estádio da Luz estava agendado, como era habitual, para as 10 horas da manhã. Jaime Graça saiu de Setúbal à boleia com Vítor Baptista, mas a meio do caminho quis voltar para trás, para ir buscar o seu carro. 'Apesar de já não ser nada cedo, fiz-lhe a vontade', contou Vítor ao jornal A Bola.
Já sozinho, ao volante do seu BMW 2002, Jaime seguiu caminho. Atrasado, meteu prego a fundo. O ponteiro marcava '170 quilómetros horários', segundo o próprio. 'Era na altura do inglês! Um minuto para um inglês tem 59 segundos. E eu chegar atrasado era sempre muito complicado, de maneira que tive de pisar no acelerador', explicou.
'Perto do cruzamento de Coina, ao fazer uma ultrapassagem, surgiu-lhe um automóvel no sentido contrário'. Para evitar o choque frontal, guinou e o carro voo para fora da estrada e foi '«enfiar-se» em pequenas árvores que lhe amorteceram a pancada'. Jaime, 'logo que o carro se imobilizou e viu que o sangue lhe corria da cara com abundância, teve uma reacção nervosa, começou a correr'. Socorrido por outro automobilista, recebeu os primeiros socorros numa clínica de seguida encaminhado para o Estádio da Luz, onde foi examinado pelo corpo clínico do Clube. Resultado: uma fractura 'na testa, um pouco acima do nariz', 'profundos rasgos na testa (...), no nariz (...) e no lábio superior', uma intervenção de cirurgia plástica e algumas semanas longe dos relvados.
Jaime Graça apanhou um valente susto e, desde então, o médio 'encarnado', que se gabava frequentemente de fazer o percurso Setúbal - Lisboa em pouco mais de 20 minutos, decidiu que 'excessos de velocidade, só dentro do campo'.
O início de 1972 foi um período de 'lesões em torrente' para a equipa 'encarnada'. Depois de Jaime Graça, também Jordão, Eusébio, Adolfo, Artur Jorge e Vítor Baptista se lesionaram, contratempos que não impediram o Clube de terminar a época a vencer, somando mais um Campeonato Nacional e uma Taça de Portugal ao seu palmarés.
Nas áreas 5 A 'Taça' a 6 - Campeões Sempre do Museu Benfica - Cosme Damião pode ver os troféus que simbolizam essa 'dobradinha', a sexta da história do Benfica."

Mafalda Esturrenho, in O Benfica

Sem comentários:

Publicar um comentário

A opinião de um glorioso indefectível é sempre muito bem vinda.
Junte a sua voz à nossa. Pelo Benfica! Sempre!