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segunda-feira, 1 de julho de 2019

A estranha eternidade dos génios

"24 de Junho de 1987, um dia normal na Terra. Uma quimera no planeta do futebol.
Ainda todos rejubilavam ao pensar em Maradona e no Mundial conquistado pela Argentina no ano anterior quando, em Rosário, nascia Lionel Messi.
E mérito a quem o tem. A principal responsável por Messi ter começado a jogar futebol foi a sua avó, uma vez que sempre o incentivou e sempre acreditou na sua capacidade. «Tu vais ser o melhor do mundo», disse-lhe a avó, quando Leo tinha apenas cinco anos e jogava no bairro. O que posso eu dizer a esta senhora? Simplesmente agradecer. E tudo começou no Grandoli, um clube local. Certo dia, o seu pai estava, como mandava a rotina, a filmar um jogo do irmão mais velho de Lionel com a sua câmara. Contudo, faltava um jogador para que a bola pudesse começar a rolar. Messi estava na bancada e pediu para ir jogar… Assim nasceu um dos mais belos poemas entre uma bola e um jogador de futebol.
Já na altura Messi guardava a bola no seu pé esquerdo e fintava todos, inclusive a sua doença de crescimento. Estávamos perante algo muito (mesmo muito!) especial.
Ainda assim, a ordem natural das coisas leva-nos para um contexto onde Messi deixará de ter a mesma energia, a mesma velocidade… Deixará, pois, de criar tantos desequilíbrios e de fazer tanta diferença. E aí tudo mudará. Para o Barcelona. Para a selecção argentina de futebol. E, no fundo, para o desporto em geral. É que Lionel Messi carrega nos ombros o peso de um país que não conquista um grande troféu desde 1993, não contando com o ouro olímpico (2004 e 2008). E o percurso da albiceleste na presente edição da Copa América está longe de ser categórico. A fase de grupos foi suficiente, com experiências todas distintas. Uma vitória frente ao Qatar, um empate diante do Paraguai e uma derrota contra a Colômbia. Seguiu-se a Venezuela nos quartos de final. Novo triunfo, por 2-0, mas sem brilhar. Desta feita o próximo adversário é o mais temido. O Brasil, a jogar em casa, vai medir forças com a Argentina na madrugada de terça para quarta-feira. Em jogo está um lugar na grande final da Copa América.
E se é verdade que a comunicação social é um dos grandes pilares de uma democracia e que quem não perceber isto «tem o mundo ao contrário», também não é menos verdade que algum do jornalismo que se faz em terras argentinas assenta numa grande injustiça perante aquilo que Messi representa (ou devia representar).
Por sua vez, Leo tem plena consciência de que se vivem tempos de mudança e de que não será eterno. Pelo menos dentro das quatro linhas. Porque na memória dos verdadeiros apaixonados pelo futebol está bem seguro. «Sabemos que não vai ser fácil. Estamos à procura de uma equipa, é um momento de mudança. Não é fácil jogar a Copa América. Agora não se ganha só com a camisola, está cada vez mais equilibrado», destacou o capitão argentino.
Não posso terminar sem antes realçar a magnífica prestação de Portugal nos Jogos Europeus de Minsk, inclusive a brilhante medalha de ouro da nossa selecção de futebol de praia."

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